\ A VOZ PORTALEGRENSE

Domingo, Julho 05, 2009

António Martinó de Azevedo Coutinho

OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS...
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Delenda stadium!
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Todos os que estudámos a história da Roma Antiga nos lembramos do obsessivo discurso de Catão, o Velho, que, no Senado, terminava invariavelmente as suas intervenções com o vibrante e convicto apelo: Delenda Carthago! (É preciso destruir Cartago!).
A História repete-se. Agora, em Portalegre, o grito dominante é: Delenda Stadium! (É preciso destruir o Estádio!). Se o seu autor não é Catão iguala-o, no mínimo, em determinação. Rima e é verdade. Se há uns anos, em 2005, a proclamada destruição se justificava em nome de uma moderna urbanização, estacionamento e serviços complementares, agora, nesta nova e grave recaída, apoia-se na iluminada ideia da urgente e indispensável construção duma escola de referência europeia.

Não assistimos, aqui há anos, à total falência de um megalómano projecto que deu pelo pomposo nome de Game City, destinado a colocar o município de Portalegre no mapa mundial dos jogos electrónicos e a construir uma cidade ultra-moderna com não sei quantos milhares de novos habitantes? Não aprendemos nada.

Nem sequer valerá a pena perder tempo a discutir se vale mais a pena, para Portalegre, construir uma escola ou destruir um estádio. Provavelmente, o resultado inevitável de um debate isento e aberto sobre o tema conduzir-nos-ia à lógica conclusão de que valeria sempre a pena construir a escola mantendo o estádio.
Se o autor da ideia fizer valer o argumento de que a construção da escola exigirá o sacrifício do estádio, então a única resposta responsável deve remeter a decisão final para uma discussão mais profunda e mais séria sobre o que desejamos para um futuro sustentado de Portalegre. Discussão abrangendo toda a comunidade nisso interessada e não limitada, apenas, aos habituais iluminados.
Num inevitável confronto com a cidade rival de Elvas, todos podemos facilmente constatar que o actual parque desportivo da cidade raiana conta, neste momento, com quatro recintos onde se pode praticar futebol de competição:
_ Campo António Joaquim Semedo, relvado sintético;
_ Estádio Municipal - Campo Pedro Barreno, relvado sintético;
_ Campo Domingos Demétrio Patalino, relvado natural;
_ Estádio Municipal de Atletismo, relvado natural.
Em contrapartida, a actual proposta da autarquia portalegrense implica a destruição do único estádio local com relvado natural, remetendo a prática de todo o futebol (de competição e amador) para o estádio restante, com relvado sintético, e para a promessa (!?) da construção de outros dois (quando e com que verbas?), também com piso artificial, no futuro Complexo dos Assentos. Assim vem relatado no jornal desportivo A Bola, edição de 16 de Junho de 2008, onde se contêm as declarações iniciais do senhor Presidente da Cãmara Municipal de Portalegre a este propósito.

Passará por esta estratégia o desejável desenvolvimento do futebol em Portalegre, mesmo aceitando como pouco animador o seu actual panorama? Ou não estaremos assim a hipotecar, em definitivo, aquele objectivo? Que atitude pública, de corajosa oposição ou de cúmplice silêncio, têm assumido, nesta perspectiva, as agremiações desportivas locais, quer as profissionais quer as amadoras, bem como as suas representações federativas ou associativas? E onde está a restante opinião pública?
Elvas não nos serve como exemplo?
Analisemos brevemente o outro lado da questão, isto é, a construção da escola de referência europeia, estabelecimento (volto a citar a fonte atrás indicada) que englobará todas as etapas do ensino, “do pré-primário ao 9.º ano de escolaridade, num total previsto de 800 a 900 alunos”. Aqui se incluirão as comunidades hoje distribuídas pelas escolas de Cristóvão Falcão e da Praceta.
Significativamente, A Bola contém uma revelação subliminar, a de que a posterior ocupação do território destas escolas alimentará o presente projecto. No fundo, e coerentemente, assume-se e retoma-se assim o alibi urbanístico inicial... Gato escondido com todos os rabos de fora!
Neste particular nem sequer me atrevo a propor qualquer confronto com Elvas que, modestamente, não possui nenhum estabelecimento de ensino de referência europeia, pelo menos que publicamente se conheça.
A que corresponderá, portanto, este magno conceito? A um edifício dotado de todas as condições de excelência, provavelmente abundante em Magalhães da última geração distribuídos a toda a comunidade escolar discente, com painéis solares e quadros electrónicos em cada esquina, pisos anti-derrapantes e dietas anti-obesidade nas cantinas, pontos de exame no estilo simplex mais em voga, servido por uma rede de transportes eléctricos, não poluentes, recheado com um escol de professores altamente seleccionados e treinados, contando com uma direcção à prova de total confiança ministerial e alunos dotados com 120 de coeficiente mínimo de inteligência???

As escolas da cidade estão a passar por necessárias e úteis obras de modernização, praticamente concluídas na Mouzinho, em andamento na São Lourenço, talvez ainda dispensáveis na Régio, por ser a mais recente de todas elas. A da Praceta, provavelmente, também as merecerá. E, quase seguramente, a Cristóvão Falcão justificá-las-á em absoluto.
Esta é a escola do meu coração, aquela onde vivi os mais gratificantes anos da minha vida profissional. Ela foi, no tempo em que aí partilhei sonhos e projectos colectivos, uma autêntica escola de referência europeia. Centro de estágios diversos, palco de projectos de alcance comunitário, local de experiências pedagógicas de topo e da aferição de novos programas disciplinares, cadinho de práticas inovadoras, cenário de planificações interdisciplinares de excepção, organizadora de eventos de prestígio, interlocutora válida de instituições nacionais e estrangeiras conceituadas, o que faltou à nossa escola para merecer todo e qualquer título de referência?
Uma escola é aquilo que as vivências e a dinâmica interactiva das suas distintas e complementares comunidades -os alunos, os professores, os funcionários, os pais, as outras instituições com ela relacionadas- for capaz de planificar e, depois, concretizar.

Portanto, os títulos teóricos apriorísticos ou as boas intenções liofilizadas apenas me fazem sorrir. No entanto, no discurso presidencial patente na tal entrevista de A Bola há uma frase, apenas uma, da qual não posso discordar: “Quando tiver um projecto, sou candidato a ser financiado. Só na base de ideias não passo de um idiota”.
António Martinó de Azevedo Coutinho

Sábado, Julho 04, 2009

Festival de Mérida - 2009

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Num anfiteatro com cerca de metade dos lugares ocupados, numa noite amena, Fedra foi uma Ópera cantada e dançada em Flamenco, e que durou 70 minutos.
Nela “encontram-se” sonoridades de Manuel de Falla e coreografias de Maurice Bejart.
Interessante para quem nunca tinha visto ao vivo cantar e dançar Flamenco.
Mário

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Fedra

Pintura de Fedra por Alexandre Cabanel
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Na mitologia, Fedra é a filha de Minos (rei de Creta) e Pasífae (filha de Helio, mãe do Minotauro), irmã de Ariana, Deucalião e Catreu.
Deucalião, rei de Creta, como sucessor do irmão mais velho Catreu, decide que ela se casará com Teseu (rei de Atenas), que, segundo algumas versões, já era casado com uma amazona (Antíopa, Hipólita), a quem aparentemente tinha raptado. No dia da boda entre Teseu e Fedra, irrompeu uma guerra com as Amazonas, e estas foram derrotadas.
Antíopa e Teseu teriam tido um filho, Hipólito. O jovem era formoso e casto e Fedra apaixonou-se perdidamente por ele. Hipólito, devido á sua castidade e ao respeito pelo pai, rechaça Fedra.
Fedra começa então a preocupar-se de que Teseu venha a ter conhecimento do seu amor secreto e acredita que Hipólito é capaz de contar-lhe tudo num acto de fidelidade e honestidade. Para evitar que isso acontecesse, Fedra levanta uma calúnia contra Hipólito, fazendo parecer que ele é que a ultrajara.
Teseu, levado pela ira, manda desterrar o filho e pede a Poseidon a sua morte. Hipólito morre arrastado pelos seus cavalos. Fedra angustiada pela culpa, enforca-se.
O trágico grego Eurípides encarregou-se de mostrar duas versões desta tragédia, da qual se conserva uma, que é a fonte mais conhecida do mito.

Festival de Mérida 2009

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Sexta-feira, Julho 03, 2009

Penamacor

Programa do 3º Ciclo de Conferências integradas no âmbito das comemorações dos 800 Anos do Foral de Penamacor, de 1209.

D. Augusto César Alves Ferreira da Silva

O que é um ‘coração bonito’
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Fátima, 10 de Junho de 2009
Começo por aqui: o Santuário de Fátima, hoje, floriu!
O Francisco não estava lá, nem se ouvia o seu pífaro. Mas o recinto falava dele com entusiasmo, e do seu aniversário. Sobretudo, ouvia-se dizer que tinha um ‘coração bonito’, e fazia-se um apelo às crianças e a todos os presentes, que cultivassem os mesmos sentimentos, a fim de alegrar os ambientes de cores e perfume. E vinha-nos à mente aquela cena em que Jesus acarinhou uma criança e, colocando-a no meio dos discípulos, disse-lhes assim; “Quem não se tornar como ela, não entrará no Reino dos céus”!
Depois, olhávamos para o recinto (pejado de gente, como em dia 13!) e tínhamos a sensação duma árvore florida, que se estendia desde a Igreja da Santíssima Trindade, até à escadaria
da Basílica. E era, na escadaria, que se viam as flores a derramar encanto e ternura (um encanto e uma ternura coloridos), reflectindo-se, por sua vez, no sorriso dos pais, dos catequistas, dos pastores e de todos). Que beleza imensa... que Senhora tão linda, mais brilhante do que o sol! Muita gente murmurava baixinho: o céu será assim? Não, não é assim... porque no céu até os ramos, o tronco e as raízes são flores em primavera. Em todo o caso, ‘um coração bonito’ pode imitar o céu ou fazer lembrar a confiança do Francisco, da Jacinta e da Lúcia, atraídos por Nossa Senhora e pelo conforto da Sua paz.
Entretanto, nos intervalos do canto (belamente adaptado e executado), da oração partilhada e da palavra feita interpelação e diálogo, ainda havia tempo e tentação para comparar tudo isto com o ambiente social e político do momento. E se dava para avaliar as diferenças, também dava para rezar: Senhora, dai-nos a paz e esconjurai a desconfiança e o medo, para que todos se sintam irmãos e possam rezar o Pai Nosso, com o fervor dos Pastorinhos.
Na realidade, um ‘coração bonito’ constrói-se com valores e com ideal; e deve empenhar a família, a escola e a sociedade na direcção da responsabilidade e da fé. Doutro modo, uma linguagem descomprometida, por conta da ‘autonomia’ e do ‘tanto faz’, gera azedume e mediocridade. Mas não acontece o mesmo com os apelos do céu, feitos mesmo a crianças ou através de crianças. Basta ouvir o Francisco, diante da irmãzinha e da prima: nós nunca havemos de pecar... nem mentir... nem esquecer aquela luz, onde víamos Deus e nos víamos em Deus. E, daí por diante, o essencial passava à frente das brincadeiras e distracções. Assim: as coisas mais pequeninas eram feitas por amor; a reparação assumida com urgência e como dever; e o rosto magoado de Jesus, por causa dos pecados dos homens, despertava nele uma solicitude permanente de consolação e desagravo. Ai, Francisco: se estas crianças que hoje vieram ao teu aniversário, se habituam a olhar para ti, com esse jeito de ser, de dizer e de fazer, vamos ter um punhado de apóstolos e maior esperança para o futuro! Jesus nunca obriga, mas atrai sempre e propõe (isto, na linha do que Nossa Senhora diz as três crianças: “estais dispostos a oferecer orações e sacrifícios pela conversão dos pecadores”?
Parabéns ao Francisco
Já perto do fim da celebração, foram soltados balões, que depressa se elevaram e desapareceram no horizonte. E, com eles, ia o nosso olhar, levando saudades ao Francisco, com sabor a parabéns. Parabéns de quê: de ter nascido há 100 anos? Também, mas sobretudo por ter descoberto tão cedo o importante da vida, à conta da Mensagem de Nossa Senhora e das confidências com ‘Jesus escondido’. E, então, passou-se o seguinte: do lado da escadaria, um movimento de solidariedade, no seguimento dos Pastorinhos (olhando o futuro com esperança); e do lado de baixo e até ao fundo do recinto, algum arrependimento do tempo perdido com banalidades, e um desejo de valorizar o futuro. Agora, que as crianças sintam dos adultos, estimulo e testemunho; e que os adultos se revejam na candura e transparência das crianças, que Jesus propõe aos discípulos, como sinal do Reino, mercê dum coração simples, aberto ao espírito das bem-aventuranças (aliás, “não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai do coração!).
Falta um gesto final, envolto em segredo: muitos meninos e meninas trouxeram prendas ao Francisco (sobretudo, instrumentos da sua predilecção: flauta, fisga, barrete...); e o Santuário, tutelando o Francisco, pôs à disposição das crianças o que ele gostaria de lhes oferecer: uma sacola (semelhante à que ele usava a tiracolo), uma pequena biografia do Pastorinho, com os dados essenciais da sua vida, e um pedaço de bolo, significando a merenda que ele levava e, tantas vezes, oferecia a crianças mais pobres ou às ovelhas, para fazer sacrifícios. Foi um delírio, no meio da pequenada, revelando gratidão e súplica.
E, agora, a pergunta final:
Francisco, tu que foste tão discreto, generoso e contemplativo, durante a vida (uma vida muito curta mas fecunda)... que te propões fazer, agora, por estas crianças... e aos pais e catequistas que sugeres? A sacola, afinal, não é uma prenda, apenas; vale como um apelo, para que ninguém desperdice o tempo que lhe resta (muito ou pouco) e para que todos acreditem que sem convicção e sem ideal, a vida é levada pelocapricho da moda e deixa o coração vazio.
Obrigado, Francisco, por este dia belo, e parabéns pelo testemunho da tua vida. Se te soubermos imitar, teremos um ‘coração bonito’!
D. Augusto César,
Bispo emérito de Portalegre – Castelo Branco
in, A Voz da Fátima, Ano 87, N.º 1043, 13 de Julho de 2009, página 1

Quarta-feira, Julho 01, 2009

António Martinó de Azevedo Coutinho

OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS...
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Azulejos, painéis e companhia
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A problemática dos azulejos em Portalegre constitui uma longa, interessante e tortuosa crónica. Alguns dos seus capítulos foram escritos por quem sabe e aprecia estas coisas, que, no entanto, deixam muita gente indiferente. Podemos lembrar, só nos tempos mais recentes, os estudos -de diverso mas complementar nível- de Isilda Garraio e António Caldeira e de Teresa Saporiti.

Aliás, tais escritos foram oportunamente lembrados neste blog. O aspecto mais marcante, que aqui quero realçar, é o que se refere precisamente à indiferença com que o tema tem sido tratado ao nível oficial.No capítulo dedicado aos Painéis Figurativos publicamente patentes em Portalegre, Isilda Garraio e António Caldeira (mais a sua jovem equipa) referem expressamente os existentes, ao tempo, em bancos do Jardim da Corredoura (temas populares) e também no Banco ou Memorial José Duro (uma quadra poética), assim como dois outros junto ao Mercado Municipal, estes inspirados em trabalhos plásticos do pintor Arsénio da Ressurreição.

Para além das imagens de arquivo que figuram na obra, recordo aqui, com a devida vénia, a visão artística de Leone Holzhaus, que fixou aqueles sitios da Corredoura, então ainda animados, na sua pintura realista e, ao mesmo tempo, profundamente humanizada. Por trás das figuras, meio encoberta, pode apreciar-se a construção que albergou uma biblioteca “viva”, com azulejos decorativos.
Aludem também os autores aos painéis figurativos colocados em paredes e muros na parte antiga da cidade, iniciativa de uma dinâmica Comissão Municipal liderada por Galiano Tavares nos anos 40 do passado século. Entre estes, destacam: “Ao fundo da rua de Elvas, mais ou menos no local onde antigamente se situava uma outra porta da cidade, a de Elvas, encontra-se outro painel, também alusivo ao trabalho campestre, uma ferra de gado...”.

E nem sequer foram referidos alguns outros, de que recordo por exemplo mais um banco, também inspirado num trabalho artístico de Arsénio da Ressurreição, sito em frente da entrada do Miradouro da Serra, e os patentes no muro interior da Curva da Bela Vista (vulgo Curva da Morte), também na Serra.
Anos depois, é Teresa Saporiti, com a autoridade por todos reconhecida, que nos recorda a Azulejaria Desaparecida (em Azulejaria do Distrito de Portalegre), onde lamenta, entre outras, a perda das peças que revestiam as costas de alguns bancos da Corredoura, o Banco José Duro e os Bancos Arsénio da Ressurreição. E revela, em saudosas imagens de arquivo, mais exemplares perdidos ou deliberadamente vandalizados, alguns sob chancela autárquica.
Porém, há mais.

O painel descrito por Isilda Garraio e António Caldeira, que se situava ao fundo da Rua de Elvas, desapareceu... Por volta de 2005, terá sido retirado (ou acidentado?) e nunca mais foi recolocado. Chegou mesmo um jornal local a anunciar, sem qualquer confirmação fidedigna posterior, que os azulejos dali saídos teriam sido postos à venda em Alter do Chão, onde aliás se situava a Herdade da Quinta do Pião, de onde uma cena da ferra de gado do lavrador Rafael Mendes Calado fora reproduzida. De há anos, portanto, que o património artístico público da cidade foi espoliado de mais uma peça, sem que nada, a tal propósito, seja explicado aos cidadãos...

O que se terá passado? Onde estão, de facto, os azulejos? Quem sabe, quem responde pela sua falta, quem explica a verdade? Quem é responsável pelo seu destino? O que será preciso para que se reponha, quanto antes, o painel em falta?
Depois, ainda quanto aos painéis figurativos, património portalegrense dos mais autênticos, regista-se também a incúria ou desleixo como práticas oficiais quotidianas.Saliente-se a este propósito o caso de um outro, sito no Largo dos Combatentes da Grande Guerra, dedicado ao Mosteiro de Flor da Rosa. Sucessivamente, um após outro, dele se têm desprendido alguns azulejos. Seis, até ao momento, como se pode observar na gravura junta...

Por que espera a autarquia para intervir? Talvez aguarde tranquilamente que todos os restantes azulejos vão caindo, para depois repor a totalidade...
E até é possível reconstituir o painel, pois existe dele um registo gráfico original, intacto, e conhece-se a fábrica que produziu as obras.

Mesmo quanto aos Bancos Arsénio da Ressurreição, cuja retirada (para reparação?!) aconteceu durante um já passado mandato autárquico, deveremos insistir na sua recuperação, esperando que a responsabilidade por tão demorada operação seja explicada e assumida por alguém.
Trata-se, em todos estes casos, de património artístico insubstituível, de peças incontornavelmente inscritas na memória colectiva citadina.
Tudo isto vale como um símbolo: se desprezarmos estes valores, que nos restará para legar, como legítima herança, aos portalegrenses do futuro?
Passo a palavra a Isilda Garraio e António Caldeira, que escreveram no final da sua obra: “Lamentavelmente, aqui e ali, os sinais do tempo ou o vandalismo dos homens começam a deixar a sua marca. Necessário se torna que os mais directos responsáveis sobre este nosso património não o deixem no esquecimento e, de qualquer forma, ajudem a sua preservação e manutenção”.
Que responda a este desafio quem souber, quiser ou puder.
António Martinó de Azevedo Coutinho

José Duro

Parte central do ‘Banco José Duro’ - Setembro de 1957

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Mário Silva Freire

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Bancos que fizeram história
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António Martinó de Azevedo Coutinho

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Delenda stadium!
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Azulejos, painéis e companhia

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Olhando-nos a nós mesmos…
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Olhando-nos a nós mesmos...

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António Martinó de Azevedo Coutinho
Delenda stadium!
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António Martinó de Azevedo Coutinho

Azulejos, painéis e companhia
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António Martinó de Azevedo Coutinho
Olhando-nos a nós mesmos…
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António Martinó de Azevedo Coutinho

José Duro
(in, «A Medicina na Literatura Portuguesa» - N.º 22)

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OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS...
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(Aos Amigos Mário Freire e Mário Casa Nova Martins)
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Acabei de ler o texto Bancos que fizeram História, que o Mário Freire escreveu e o Mário Martins editou no seu (nosso!) blog.
Naturalmente, como portalegrense, não podia estar mais de acordo com o seu conteúdo. Aliás, José Duro e este ostensivo insulto para com as suas vida e obra e para com a própria memória colectiva desta desgraçada terra constituem tema recorrente. No entanto, nunca será suficiente toda a denúncia desta manifestação de “terrorismo cultural” cometida pelo Executivo Municipal, a coberto do alibi POLIS, desculpa para mil outras barbaridades.
Portanto, aqui fica expressa a minha total solidariedade para com os dois responsáveis por mais este testemunho de autêntico serviço público. Permito-me juntar duas imagens ilustrativas do aspecto actual do escondido arremedo, como evidente confissão de dispensáveis remorsos...
Jardim da Corredoura, 2009
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Outro dos objectivos desta minha intervenção, para além do solidário abraço, é a de sugerir a constituição, n’A VOZ PORTALEGRENSE, de uma secção, ou coluna regular, para a qual me atrevo desde já a propor a designação de OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS... (óbvia homenagem ao malogrado autor do FEL), onde surgissem os testemunhos de quem quisesse apresentar a sua visão crítica sobre o estado da Cidade.
Seria uma variante, muito mais próxima e autêntica, do formal discurso sobre o estado da Nação.
Estamos em vésperas (se é que não estamos já lá metidos!) de uma campanha eleitoral autárquica e todos os contributos civilizados que derivam do livre exercício do direito de cidadania são úteis e oportunos.
Aos partidos cabe a sua legítima função política e aos candidatos a sua luta cívica pela afirmação das propostas apresentadas. E a nós, eleitores, o que cabe? Apenas ouvir e, depois, decidir em consciência?
Será importante, mas parece-me pouco. Daqui a minha sugestão, que nunca me atreveria a propor num contexto diverso, pois sei o que são os blogs quando usados como palco da mais cobarde e mesquinha calúnia anónima. Aqui, todos os que intervêm têm um nome, podendo subscrever de rosto ao vento aquilo que em consciência pensam e assumem, mesmo quando erram.
O que proponho é uma tribuna aberta e responsável onde a discussão possa constituir informação e -por que não?- também formação. Dos textos originais e dos comentários subsquentes poderá resultar um contributo válido para um esclarecimento cabal da actual problemática portalegrense e, sobretudo, algumas pistas apontadas para o futuro da nossa comunidade.

António Martinó de Azevedo Coutinho

José Duro

O Poeta José Duro na Revista Plátano
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07 Recordar José Duro no dia do seu 130.º aniversário

07 José Duro
Ângelo Monteiro

13 O «Banco José Duro»
Casimiro Mourato

15 A filosofia de José Duro
Jorge Vernex

25 “Escrevo e Choro”: a poesia de José Duro
Martim de Gouveia e Sousa
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‘Banco José Duro’ em 22 de Outubro de 2005
(in,
Plátano, n.º 2, página 23)

Domingo, Junho 28, 2009

Mário Silva Freire

BANCOS QUE FIZERAM HISTÓRIA
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Não, não são desses bancos que os leitores estarão a pensar e de que, infelizmente, tanto se fala, nos dias de hoje. Esses, se fizerem História, serão pelas piores razões.
Ora, eu estou a pensar, muito simplesmente, nos outros bancos que existiam em Portalegre, naqueles que servem para nos dar descanso às pernas e, por vezes, à alma mas que, ao mesmo tempo, conseguiam deleitar-nos de várias maneiras.
Uns, em locais aprazíveis, no interior dos jardins, como aqueles que existiam no Jardim do Tarro, eram cómodos, de madeira e aí até apetecia ler um livro, ao ouvir o chilrear da passarada, ou manter uma amena cavaqueira com algum amigo ou conhecido. Agora, nessa zona da cidade, se nos quisermos sentar, teremos que voltar as costas ao jardim e contemplar essa paisagem tecnológica de automóveis a passar, cheirando o que lhes sai pelos tubos de escape ou estacionados, junto a nós.
Outros desses bancos não tinham a envolvê-los a paisagem bucólica do verde das plantas e do chilreio dos pássaros; antes, pelo contrário, estavam junto à zona do negócio das gentes simples que vinham ao Mercado Municipal comprar e vender. Eles, no entanto, continham motivos mais que suficientes para lhes darmos atenção, com vistas panorâmicas da cidade no azulejo que lhes cobria as costas. Pelo menos, um desses bancos, segundo a Prof. Isilda Garraio (Portalegre Azulejaria – um olhar sobre a cidade, ed. Escola Secundária de S. Lourenço, 1998, p.73) era assinado por Arsénio da Ressurreição e datado de 1953.
Outros bancos, ainda, tendo a envolvê-los a paisagem típica de um jardim, como o era o da Corredoura, tinham como motivo de decoração no azulejo “elementos tipicamente ligados ao Alentejo, tais como: habitações, instrumentos ligados às práticas agrícolas dominantes na região, assim como referências à fauna e à flora locais”, citando, ainda, Isilda Garraio.
Queria terminar esta breve crónica com um pequeno poema que diz:

“O livro que ahi vai – obra d’um incoherente –
É um livro brutal, é um poema a esmo…
Pensei-o pela rua olhando toda a gente
Escrevi-o no meu quarto, olhando-me a mim mesmo”


Muitos dos que vivem na cidade, certamente, hão-de ter já identificado o autor desta quadra: José Duro. E lembraram-se do local onde ela estava inscrita: no Jardim da Corredoura. Era em azulejos, num banco por onde as pessoas passavam, se sentavam, liam e recordavam. Esse banco constituía uma homenagem daqueles que foram estudantes no findar da primeira metade do século passado a esse vulto portalegrense da poesia que viveu entre 1875 e 1899. Em vez desse banco, nesse mesmo Jardim, existe hoje um medalhão em local oculto (ou quase), muito maltratado, onde já lhe faltam alguns dos algarismos referentes às datas atrás referidas.
Enfim, para se avançar no futuro é preciso que não se maltrate o passado, principalmente quando ele nos acrescenta dignidade! E Portalegre precisa de avançar!
Mário Freire

Sábado, Junho 27, 2009

Azulejos


Caros Senhores

Sobre o descaminho de azulejos e elementos arquitectónicos de edifícios históricos nacionais, recomenda-se a consulta ao site americano da actividade comercial do, até á pouco tempo, presidente da Associação Portuguesa de Antiquários, onde se pode observar um inacreditável catálogo de peças desses géneros, actualmente á venda nos E.U.A.

http://www.solarantiquetiles.com/

Não obstante não duvidar da licitude desta actividade, que não ponho em causa, é pertinente interrogarmo-nos sobre quantas destas exportações definitivas de património histórico-artístico com mais de cem anos, é que foram solicitadas, e autorizadas pelos serviços competentes do Ministério da Cultura?
Antiquário que até presta serviços de consultadoria á PJ no programa "SOS Azulejo" (?).

http://mais.uol.com.br/view/7945qmbpogar/tradicionais-azulejos-de-lisboa-sao-cada-vez-mais-roubados-0402306ECC916326?types=A&

Peças que há cerca de duas décadas são sistematicamente furtadas em Portugal por catálogo e por encomenda, por elementos de uma organização criminosa internacional, constituída por bandos de gatunos operacionais, de etnia cigana, e seus associados italianos e dos Países Baixos, que os organizam e distribuem a mercadoria ilícita pelo mercado mundial. Indivíduos sobejamente conhecidos das autoridades judiciais nacionais, e internacionais, e que estranhamente não são eficazmente combatidos. Sendo classificados de um "grupo de ladrões ainda não identificado"!

http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/Reportagem+Especial/2009/1/sospatrimonio.htm

Faz-se entretanto pesquisa na internet, designadamente no site eBay, para alegadamente cumprir e explicar o desempenho de funções, onde se detectam azulejos a vulso, produto da pequena delinquência, e "esquece-se" o impune "comércio a grosso" das obras de arte valiosas.

http://video.msn.com/video.aspx?mkt=pt-br&vid=6f951fda-f648-4302-a426-462c531a269d

Com consideração.

Titanic

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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Terra e Povo

No próximo sábado, dia 27 de Junho, decorrerá em Lisboa a primeira Universidade de Verão da Associação Terra e Povo, que contará com a presença de vários oradores de diversos países.
A recepção dos participantes será feita a partir das 10 horas e os trabalhos iniciar-se-ão às 10:30, prevendo-se que terminem às 17:30.
As inscrições são limitadas e obrigatórias, devendo ser feitas por correio electrónico ou telefone.
O preço é de € 30 e inclui almoço. Associados e estudantes beneficiam do preço reduzido de € 25.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Azulejos "escondidos" de São Bernardo

Azulejos “escondidos” em São Bernardo
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Portalegre é uma cidade com Mosteiros. De entre eles sobressai o Mosteiro de São Bernardo, melhor, o Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Monjas da Ordem de Cister. Analisado arquitectonicamente, em Tese de Mestrado, por Domingos Almeida Bucho (1), tem por Teresa Saporiti a sua azulejaria estudada e esse estudo publicado (2).
Em artigo escrito no jornal Alto Alentejo (3), Teresa Saporiti denuncia o crime de lesa Património que é a ocultação por detrás de tabiques de vários painéis de azulejos, e, gravíssimo, «todos eles continuam sem qualquer protecção.» (4). Teresa Saporiti é hoje das pessoas que mais sabe de Azulejaria em Portugal, e considera o conjunto dos painéis de azulejos de São Bernardo uma “obra-prima da Azulejaria Portuguesa do séc. XVIII”. (5)
Se dúvida houvesse acerca da afirmação de Teresa Saporiti, ela desvanecer-se-ia “recorrendo” a uma sumidade na área da História da Ordem de Cister, principalmente na História desta Ordem Monástica em Portugal e Espanha. Por exemplo, Domingos Bucho a ela recorre abundantemente e a cita na Bibliografia.
Os trabalhos sobre Cister de Dom Frei Maur de Cocheril são ainda hoje incontornáveis. «Cister em Portugal» é editado em 1965 pelas Edições Panorama, e pela escrita bela e sedutora do seu Autor prova-se a dado passo a Tese de Teresa Saporiti.
Na primeira referência que faz aos azulejos de São Bernardo, define-os como «os esplêndidos azulejos da igreja.» (6) E, reproduzindo-se as palavras de Frei Maur de Cocheril, fica-se a saber (7):
_ «É tão bela a igreja de São Bernardo de Portalegre! Aí se encontra o túmulo de Monsenhor Jorge de Melo, um belíssimo túmulo digno do faustoso e altivo prelado que a mandou construir.
Prefiro no entanto os azulejos que contam a vida de São Bernardo e a de São Bento.
Vi muitos azulejos em Portugal, e nas nossas abadias, quase em todas, encontrei pintadas nos ladrilhos de faiança as vidas dos dois grandes monges. Em parte alguma admirei tão belos como em São Bernardo de Portalegre.
Em parte alguma, também, encontrei uma entrada tão original como o grande pórtico do mosteiro com os seus arcos de pedra abatidos, muito ousados. Abrigam outros azulejos tão belos como os da igreja e uma porta de batentes admiráveis.»
Razão dada a Teresa Saporiti, que quanto antes este Tesouro de Portalegre fique de novo protegido e visível!
Mário Casa Nova Martins
Notas
(1) Bucho, Domingos Almeida – Mosteiro de São Bernardo de Portalegre, Estudo histórico-arquitectónico. Propostas de recuperação e valorização do património edificado, Universidade de Évora, Junho de 1994
(2) Saporiti Teresa – Azulejos do Mosteiro de São Bernardo em Portalegre, Lisboa 2008
(3) Saporiti, Teresa – Estão “escondidos” os azulejos de S. Bernardo, Alto Alentejo 17 de Junho de 2009, pg. 21
(4) Saporiti, Teresa – ob. cit., cl. 2, ls.19 e 20
(5) Saporiti, Teresa – ob. cit., cl. 2, ls.3 e 4
(6) Cocheril, Maur de – Cister em Portugal, Edições Panorama, 1965 pg.85, l.29
(7) Cocheril, Maur de – ob. cit., pg.86, ls.3 a 18
in, Alto Alentejo, 24 de Junho de 2009, Opinião, 25

Teresa Saporiti

Teresa Saporiti
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Estão “escondidos”os azulejos de S. Bernardo
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Novos espaços quebram o ritmo e a monumentalidade do magnífico espaço da Igreja do Mosteiro de S. Bernardo.
Tabiques instalados na igreja, adaptam-se às funções museológicas e a exposições realizadas recentemente, e sobrepondo outras obras às autênticas e criadas para o local.
Toda a igreja é revestida a azulejos realizados para revestirem os espaços existentes, alguns datados de 1739. Obra prima da Azulejaria Portuguesa do séc. XVIII, parte dos painéis, com as novas funções atribuídas à igreja, não são agora visíveis.
A partir duma primeira exposição, com um critério de organização muito discutível, de obras do Museu da Presidência, temos agora a Igreja de S. Bernardo a servir de palco para outras actividades.
A exposição “Uma Perspectiva do Teatro da E.S.S.L.” que fez parte das comemorações de 125 anos de existência da Escola de S. Lourenço de Portalegre, ocupou a Igreja do Mosteiro de S. Bernardo.
Mais uma vez, os azulejos foram ignorados - vários painéis continuam tapados com os já referidos tabiques, e todos eles continuam sem qualquer protecção.
É com algum receio, que assisto às novas funções atribuídas à Igreja do Mosteiro de S. Bernardo.
Porquê expôr, aqui, peças de outro museu ou de particulares, quando as autênticas e de S. Bernardo foram retiradas? Porquê não as repor nos seus primitivos locais, e a igreja ser mostrada ao público com as peças que lhe pertencem?
Nos já longos anos em que tenho dedicado parte do meu tempo ao estudo da Azulejaria, tenho assistido não só à destruição, como ao desaparecimento de conjuntos valiosos de azulejos - frontarias inteiras, lambrins, entradas, pequenos painéis, etc. Não só azulejos antigos como azulejos de autores contemporâneos, que se encontram entaipados, por vezes em lugares públicos, assumindo-se como arte pública, mas ignorados pelo público.
Valiosos conjuntos azulejares encontram-se atrás de estantes, tapados com montes de papéis, ou em espaços transformados em arrecadação não só em repartições públicas, como até em museus, tornando-se impossível o seu conhecimento bem como o seu estudo.
Na área da azulejaria, o vandalismo de uns e a ignorância, indiferença ou a ganância de outros tem contribuído para a perda de inúmeros azulejos em todo o país.
Embora no Distrito de Portalegre existam poucos casos não só de azulejaria destruída como de azulejos desaparecidos, está com certeza na memória de todos, o que se passou durante vários anos, com o painel da entrada do Hospital José Maria Grande, obra de destaque da Azulejaria Portuguesa Contemporânea, e com os painéis do Convento de S. Francisco, recentemente devolvidos à cidade pela Fundação Robinson.
Fazer exposições em S. Bernardo, trazer o público e em especial os jovens, que se pretende sejam "educados" para respeitar as obras de Arte, é louvável e são iniciativas actuais de revitalização daquele espaço.
O que não devemos permitir é que os educadores e os técnicos que hoje se ocupam dessas novas atribuições esqueçam (ou ignoram?) o valor das obras existentes no Mosteiro, como é o caso dos azulejos agora tapados.
Já é tempo de todos os portalegrenses, autoridades e cidadão comum, respeitarmos e termos orgulho do nosso património e da magnífica obra que é o Mosteiro de S. Bernardo em Portalegre e o seu conjunto azulejar.
Portalegre Junho 2009
in, Alto Alentejo, 17 de Junho de 2009, Opinião, 21

Teresa Saporiti

Este livro da autoria de Teresa Saporiti, é um documento sobre a arte do azulejo no distrito de Portalegre.
De cuidada apresentação, é um documento histórico desta região, tão carente destes escritos.
Mário

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Biblioteca Municipal de Portalegre


Biblioteca Municipal de Portalegre

Terça-feira, Junho 16, 2009

António Ventura

António Ventura

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A Maçonaria no Distrito de Portalegre
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(…) A partir de 1990, a investigação universitária começou a investir neste objecto de estudo (a Maçonaria), mesclando-se aqui interesses comuns às instituições maçónicas e aos investigadores: as instituições maçónicas compreendem que a divergência entre as realidades da Maçonaria e a sua imagem pública é um handicap a considerar na sua vontade de alargar a base de recrutamento e de responder aos ataques de que foram e são alvo; os investigadores vêem neste grupo de partilha específico um vasto território de pesquisa, na verdade um case study, que ainda necessita de ser decifrado, já que os documentos disponíveis estão parcialmente por explorar ou não estão contextualizados. Esse esforço de exploração e de contextualização dos elementos documentais é realizado com inequívoca proficiência científica pelo Professor Doutor António Ventura em A Maçonaria no Distrito de Portalegre. (…)
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E entramos agora mais concretamente no trabalho de António Ventura: de facto, A Maçonaria no Distrito de Portalegre inscreve-se nesta nova perspectiva, utilizando com total disponibilidade as competências do historiador contemporâneo. E deve dizer-se que as de António Ventura são muitas e sólidas.
Em primeiro lugar é importante assinalar que estes trabalhos de investigação de regiões delimitadas geograficamente são tão importantes para se construir a verdadeira História da Maçonaria, instituição criada no Século XVIII na Inglaterra por um conjunto de gentlemen que partilhavam interesses e objectivos comuns, como os de índole mais abrangente. Penso mesmo que estas obras são indispensáveis, que sem elas é praticamente impossível chegar àquilo que poderíamos apelidar de grande História.Passo a passo, degrau a degrau, se organiza o discurso histórico. Afinal, qual é modo que a Maçonaria tem de estar na História, de a influenciar e de ser influenciada por ela? É justamente através do labor dos seus obreiros, desde os Aprendizes aos Mestres, das Oficinas de que são membros e das Obediências que as congregam. Saber nos difíceis tempos que correm como se manifestava esse labor, esse élan transformador, que levou, no distrito de Portalegre e noutras regiões, ao aparecimento de Triângulos e Lojas parece-me ser de suma importância.
A certo passo do seu estudo, lamenta-se António Ventura de que ele tem lacunas. Essas lacunas não são da responsabilidade do autor, que se empenhou com todas as armas ao seu dispor a investigar tudo o que havia para investigar, mas devidas à confusão e mesmo à ausência de informação cabal sobre homens e factos.
Impõe-se dizer que, para acreditar neste lamento, que é sincero, temos nos apoiar mais na afirmação de António Ventura, fruto da sua honestidade intelectual, do que no discurso que lemos, já que este está organizado de uma forma plenamente conseguida, assegurando sempre uma extraordinária fluidez de leitura, quando não até prazer ao atingir muitas vezes uma rara elegância estilística. Vê-se que o historiador, embora sem esconder as suas convicções, a sua paixão, soube, como lhe competia, respeitar plenamente os critérios de exigência científica e literária que hoje em dia um trabalho deste tipo exige.
Outro aspecto sobressai: é inegável a riqueza, a extraordinária profusão, de informações fundamentais que A Maçonaria no Distrito de Portalegre providencia. Isso permite ao leitor apreender um quadro excepcionalmente vasto e rigoroso das actividades maçónicas e dos homens que as praticaram na zona que corresponde hoje ao Distrito de Portalegre. Bastaria passar os olhos pelos títulos dos capítulos e das suas subdivisões para nos apercebermos desse traço, tão evidente ele é.
Efectivamente não conheço, e não creio que isso se deva a ligeireza da minha parte, outro trabalho tão definitivo no campo de investigação escolhido pelo autor. Desde obreiros a oficinas, nada fica por esmiuçar e por enquadrar no panorama mais geral da vida social e política portuguesa, com a particularidade de que, sendo o período estudado aquele que medeia entre 1903 e 1935, há referências muito importantes a factos e pessoas ligados à Maçonaria nos Séculos XVIII e XIX nesta região.
Diga-se, a propósito, que a Introdução, naturalmente sintética, como é conveniente que seja, se mostra particularmente esclarecedora quanto ao aparecimento da Maçonaria em Portugal e às vicissitudes que se viu obrigada a sofrer, quer devido a dissenções entre os seus membros provocadas por questiúnculas políticas quer devido às perseguições e ultrajes a que esteve sujeita.
As biografias, à volta de 300, tão completas quanto o permitem os materiais de consulta disponíveis, dão-nos a ideia da origem social dos maçons, permitindo chegar a conclusões muito importantes para perceber um aspecto essencial da Ordem: a estruturação do seu espaço social. Escreve António Ventura, a propósito da composição social das Lojas que trabalharam no Distrito de Portalegre no Século XX: “É evidente o peso determinante de uma pequena e média burguesia, com comerciantes, militares, proprietários, professores, médicos e funcionários públicos. Os trabalhadores manuais estão praticamente ausentes”.
Eis uma característica que é indispensável assinalar: daqui se retira a ilação, tantas vezes esquecida, de que a Ordem esteve sempre ligada àqueles sectores da sociedade que são mais vitais para a prossecução dos ideais de progresso e de democracia. (… )Por outro lado, ressalta da leitura desses dados biográficos a actividade benemérita que é apanágio da vida de muitos maçons, assim se compreendendo até que ponto, para eles, a intervenção social correctora de desigualdades é fundamental no seu modo de estar no mundo.
São inúmeros os Maçons que têm responsabilidades em associações culturais e cívicas ou que se dedicam a actos de pura beneficência em prol dos mais desfavorecidos. É ainda notável, pela cópia de informações recolhidas, o modo como António Ventura segue o nascimento, a vida e a morte dos Triângulos e das Lojas do Distrito, bem como a definição de expressões e conceitos de que se serve ao longo do livro.
Esta obra, que na sua estrutura apresenta uma clara vocação enciclopédica, fica portanto com um marco singular nos estudos maçónicos, à qual será obrigatório recorrer para se poder formular uma ideia correcta do modo como a Maçonaria Portuguesa foi criada e evoluiu.
A António Ventura, como mero leitor interessado neste tema e como praticante da Arte Real, quero agradecer este contributo para a compreensão da História da nossa Ordem, afinal para a compreensão das razões que ainda hoje levam tantos homens e mulheres a aderirem, sem cuidarem de riscos e calúnias, aos supremos valores da Tolerância e da Liberdade de Consciência e aos ideais da Igualdade, da Liberdade e da Fraternidade.
É que a Maçonaria, permitam-me que aqui o diga sem rodeios, citando de memória o Grão-Mestre António Reis é, por definição, uma escola de valores éticos ou, se quisermos citar um ritual, um espaço de convívio único “onde se ensina ao iniciado a arte de pensar e de descobrir por si próprio os elementos da sua convicção”. A instituição maçónica nunca será produtora de efeitos de fechamento dogmático. O seu sentido não é identificável senão em termos puramente subjectivos: cada Maçon construi-lo-á e daí retirará as devidas implicações práticas, em função da sua própria trajectória, em relação ao grupo (a Loja, a Obediência, a Ordem) no seio do qual organiza as suas experiências. (…)
Permitam-me que termine esta breve apresentação de A Maçonaria no Distrito de Portalegre sublinhando o imenso trabalho de pesquisa realizado por António Ventura: há obras que se arrogam de objectivos bastante mais vastos e cujos autores estão longe, muito longe até, de terem tido os cuidados e de desenvolverem os esforços de investigação que nesta se revelam de forma tão categórica.
Muito obrigado, portanto, ao Professor Doutor António Ventura pelo seu excepcional trabalho e a todos os presentes pela atenção que quiseram dispensar a estas considerações. Corro mesmo o risco de afirmar que são despiciendas perante a ambição, a qualidade e a importância do livro.
Salvato Telles de Menezes

Domingo, Junho 14, 2009

Mário Silva Freire

O PROFESSOR REIS PEREIRA
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Fui ver, na Galeria de Exposições da Câmara Municipal de Portalegre, uma exposição de pintura de homenagem ao Professor Reis Pereira, comemorando os 80 anos da sua vinda para a cidade de Portalegre. Esta minha ida à exposição fez-me evocar alguns dos momentos, como aluno desse Professor.
Ele esteve em Portalegre entre 1929 e 1962, como professor de Português e de Francês do Liceu, e foi nesta cidade que escreveu a maior parte da sua obra poética e em prosa com o pseudónimo de José Régio.
Recordo, ainda, a sua figura pequena e de faces angulosas, ao entrar na sala de aula. Os alunos levantavam-se, como mandava a boa educação daqueles tempos. Depois, começava a aula. E a aula iniciava-se pelo folhear lento da caderneta, aquele livrinho, estigmatizado por todos nós, onde se assentavam as nossas classificações ao longo do ano, quer das chamadas orais, quer dos exercícios escritos.
Lembro-me que, começando o folheio pelo princípio da caderneta, nós, alunos, sabíamos em que posição da turma o professor ia e, como tal, estávamos a par, em tempo real, como agora se diz, da nossa possibilidade de nos deslocarmos até à secretária. Confesso que aqueles momentos, da passagem lenta das folhas da caderneta, eram de grande ansiedade! Tomada a decisão sobre quais os contemplados a serem chamados, seguia-se o alívio para a maior parte da turma. Tinha escapado a uma prova de força. Mas a vez daqueles que agora se tinham livrado chegaria!
O que é que este ritual muito frequente, com as emoções que suscitava, nas aulas de Reis Pereira, pretende significar? Significava que ele, como professor, era muito respeitado mas não provocava especial simpatia. Nem, tão pouco, a procurava.
A sua exigência não enganava ninguém e isso obrigava-nos a sermos cuidadosos naquilo que dizíamos e naquilo que escrevíamos. Mas essa exigência era temperada pelo empenhamento que punha em actividades fora da escola, como a de organizador de récitas, em que colaborava informalmente com os alunos.
Mas foi essa exigência dentro da sala de aula que melhor conheci no Professor Reis Pereira e que muito me ajudou quer a organizar os meus processos mentais através da análise sintáctica das orações, quer a abrir novas dimensões à imaginação e à criatividade através da interpretação dada a um texto.
Nunca me esquecerei, a propósito das figuras de Cristina e Madalena, em A Morgadinha dos Canaviais, da distinção que ele nos propôs que fizéssemos entre o que era ser uma mulher bonita e uma mulher bela, aplicadas por Júlio Dinis, respectivamente, àquelas figuras.
Por outro lado, não sei se ele andava a par das modernas teorias pedagógicas; no entanto, aplicava muito frequentemente aos alunos o Efeito de Pigmalião que diz que o formular expectativas elevadas em relação ao aluno, faz com que este tente concretizar essas mesmas expectativas junto do professor. Quantas vezes ele me escrevia no final dos meus pontos: “Suficiente… mas esperava melhor!”.
Esta minha visita à exposição foi uma incursão na minha adolescência que me trouxe uma certa nostalgia mas, também, uma saudosa e grata recordação de um Professor que nunca esqueci.
Mário Freire

José Régio


Maria Bethânia - Cântico Negro

Sexta-feira, Junho 12, 2009

José Corvo

Eu gosto muito de tomates.
Os tomates fazem muito bem à saúde e em especial à próstata e quem deve estar muito carenciado deles deve ser o nosso Primeiro-Ministro devido ao péssimo resultado eleitoral e a quem aproveito para lhe dar os parabéns, não por ter perdido as eleições, mas por ter conseguido o seu objectivo maior que foi manter o seu grande amigo Dr. Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia e quando as coisas derem para o torto podem aproveitar para se prefaciar um ao outro, e aproveito também para dizer que os tomates ficam muito bem a este Blog que vai a todas, sem dúvida.
Parabéns.

O traidor come à nossa mesa

Sertório vence todos os generais que Roma envia para o combater.
Os Lusitanos estimavam-no muito.
Perpena, mau e invejoso, matou-o à traição, durante um banquete.

in, Caderneta de Cromos História de Portugal (APR) - Cromo 11

Roma paga a traidores

O Romanos faltam ao acordo de paz firmado com Viriato, e de novo lhe abrem luta.
Como tornassem a perder, resolvem, então, subornar três companheiros do valente montanhês, que matam o seu chefe, enquanto ele dorme.
Só desta forma vil os generais romanos conseguem vencer Viriato.
in, Caderneta de Cromos História de Portugal (APR) - Cromo 10
*
Há um ditado popular que diz: - Roma não paga a traidores.
Mas, será mesmo assim?
Recorrendo à memória histórica, há que lembrar a morte de Viriato.
Mário

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Eternas Saudades do Futuro

O João, Honrou-nos.

Caro
João, acredite que, nas alturas certas, sempre os tive! E terei.
Bem-Haja.
Abraço.

Mário

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Sport Lisboa e Benfica

Ao Diogo
Ao
Kruzes Canhoto
Memória de um Tempo de Glória!
Mário

Troféus

Terça-feira, Junho 09, 2009

Crónica de Nenhures

VOTANTES
2004 – 3.397.642 (38,75%)
2009 – 3.560.442 (36,86%)
“Saldo” + 162.800
A abstenção é maior em 2009 do que em 2004.
O número de votantes inscritos nos cadernos eleitorais é superior em 2009 em relação a 2004.
Em 2009 votaram mais 162.800 eleitores.

BE
2004 – 167 .097 (4,92%)
2009 – 381.941 (10,73%)
“Saldo” + 214.844
“Crescimento” – O crescimento percentual foi de 5,81%, e de votantes 214.844.
Em termos reais o BE cresceu 128,57%

PCP
2004 – 308.986 (10,66%)
2009 – 379.651 (9,09%)
“Saldo” + 70.665
“Crescimento” – O crescimento percentual foi de 1,57%, e de votantes 70.665.
Em termos reais, o PCP cresceu 22,87%

PNR
2004 – 8.114 (0,24%)
2009 – 13.037 (0,37%)
“Saldo” + 4.893
“Crescimento” – O crescimento percentual foi de 0,13%, e de votantes 4.893.
Em termos reais, o PNR subiu 60,08%.
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Quando na Rádio Portalegre afirmámos que o voto útil à Esquerda era em Ilda Figueiredo e Miguel Portas, e à Direita em Humberto Nuno de Oliveira, estávamos a perceber que o Povo Português se mostrava descontente pela posição do “centrão europeu”, PS, PSD e CDS.
Hoje, é possível afirmar que os grandes vencedores das ‘Europeias – 2009’ são o BE, o PNR e o PCP. O crescimento real destes partidos é 18,61% para os Comunistas, 18,61% para os Nacionalistas e de 56,25% para os Trotskistas-Estalinistas (curiosa amálgama de “inimigos”).
A campanha de Humberto Nuno de Oliveira foi um acto de Cidadania. A sua cultura, inteligência e respeitabilidade deu frutos. O crescimento do PNR neste acto eleitoral a ele se deve.
Sociologicamente, Portugal é um País que vota tradicionalmente à Esquerda. A mesma Esquerda controla todos os sectores da cultura e da comunicação social. Partidos de Direita, como o CDS e o PNR, têm as maiores dificuldades em fazer passar as Mensagens. Também o “politicamente correcto”, “visto de Esquerda”, é uma forma de Ditadura contra a Direita em Portugal.
O Bom Combate continua. Seguem as Eleições Legislativas. Que venham!
Mário Casa Nova Martins

Sport Lisboa e Benfica

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BENFICA - VENCER! VENCER!
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Como defendêramos, há eleições antecipadas no Sport Lisboa e Benfica!
O actual estado das coisas exigia que assim acontecesse.
Agora há que surgir uma frente comum, em lista única, que vença o satus quo.
Com a actual Direcção demissionária, e marcada que está a data das eleições, 3 de Julho próximo, o Sport Lisboa e Benfica tem que parar todas as contratações em curso, quer de treinadores, quer de jogadores. Quem se demite não tem legitimidade para andar a fazer contratações!
VIVA O BENFICA!
Mário

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Pormenores

Está na “rua” a «Pormenores» de Junho de 2009. A primeira coisa que salta à vista é a qualidade gráfica. Uma fotografia de grande qualidade acompanha entrevistas, artigos sobre matérias actuais, de opinião, o conto e o ensaio.
Mostra, quiçá, um Alentejo que os Alentejanos não conhecem. A beleza das paisagens, o mar, a gastronomia apurada, o património conservado.
De Portalegre, Cidade que hoje poderíamos definir por versos de Régio, dizendo “que enche o sono de pavores” pelo seu sem-Futuro, que “faz febre, esfarela os ossos” pelas suas ruas desertas, numa tristeza que consome Almas e Gentes e que “dói nos peitos sufocados” dos Portalegrenses, “e atira aos desesperados” que sentem o estertor da Polis “a corda com que se enforcam” pela miséria anímica em que Portalegre vegeta, “na trave de algum desvão…” de uma qualquer casa desventrada de uma qualquer rua de Portalegre, pouco ou nada é referência na Revista. O que se compreende, como se aceita. Melhor, justica-se!
Mário

Domingo, Junho 07, 2009

Memórias


O texto que publicamos no postal anterior viu a luz do dia no semanário «O Distrito de Portalegre» a 6 de Junho de 2003, página 7. Agora apenas fizemos ligeira actualização.
O que relatámos é um Mundo que já não existe. A própria Cidade já não existe. Passados estes anos, e principalmente no último lustro, a Cidade viu acabar a sua indústria centenária, os lanifícios, vê fábricas a fechar, o comércio em crise, a população envelhecida, sem indústria, sem agricultura, sem turismo de qualidade, sem futuro. Cidade sem elites, está num processo de falência administrativa, cultural e fundamentalmente cívica.
Dos lugares de que falamos, hoje existe um descaracterizado David, e o Capote, mas já sem a frescura daquele tempo. O Café Alentejano, lindíssimo, vive uma agonia lenta, o Café Central está irreconhecível, enquanto o Café Tarro continua sem conseguir recuperar o brilho de outrora.
De facto, a Feira das Cerejas de 1974 já foi diferente, a ponto de dela não guardarmos nada de significativo. A porca da política tudo dominava, a começar pelo fim de longas amizades e começo de outras.
Mário

Crónica de Nenhures

Feiras - Memórias - Tradições
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As novas gerações não sabem o que representava para o concelho de Portalegre, nas décadas de sessenta e meio de setenta de 1900, as três feiras que ao longo do ano se realizavam. A primeira era móvel, na última quarta-feira de Janeiro e chamava-se Feira dos Porcos, e as outras duas com data fixa eram a Feira das Cerejas a 5, 6 e 7 de Junho, e a Feira das Cebolas em 13, 14 e 15 de Setembro. De perto e de longe vinha gente negociar, e a cidade enchia-se de animação. Recordo com fraca nitidez as feiras quando se estendiam pelo Jardim da Avenida da Liberdade, com as suas belas iluminações. Mas é do tempo em que se realizavam no Largo do Estádio Municipal, hoje Praceta João Paulo II, que a minha memória está mais viva.
Passados trinta e seis anos desde o último em que a todas assistira, nas vésperas de ir para Coimbra, o que resta dessa época? Um vazio! Todos os meses há um mercado franco que abastece de toda uma série de produtos a preços medianos e qualidade duvidosa o concelho, aparecendo nos últimos tempos espanhóis da raia. Com o acentuar da quebra do poder de compra das gentes de Portalegre, este mercado desempenha cada vez mais importante papel nas economias domésticas locais. Contudo, o sítio onde se realiza, nos chamados Assentos é deplorável para vendedores e compradores, isto é, infra-humano no Inverno e Verão, medíocre na Primavera e Outono, pese embora o recinto tenho sofrido uma requalificação. Entretanto, as três grandes feiras perderam todo o significado, confundindo-se hoje com pequenos mercados.
Quando se é jovem, teenager, feiras, festas e romarias ficam para sempre na memória. Anos depois, surge a nostalgia e a saudade. Júlio Dantas escreve na Ceia dos Cardeais que recordar é viver, transformar n’um sorriso o que nos fez sofrer, ressurgir dentro d’alma uma idade passada.
Mas, recordar não será também lembrar o que nos fazia feliz? Para o estudante daqueles anos sessenta e setenta, as feiras em Portalegre marcavam no calendário momentos distintos. A Feira dos Porcos passava despercebida, porque durava apenas um dia, não tinha divertimentos e quase sempre chovia. A Feira das Cerejas antecipava o início das férias grandes e do Verão. A Feira das Cebolas antecedia o Outono e o começo de novo ano lectivo. Além destes pormenores, a Feira das Cebolas durava precisamente os três dias, porque os feirantes tinham que ir para a Feira de São Mateus em Elvas, a mais importante da região, enquanto a Feira das Cerejas se prolongava para além dos habituais, porque até à Feira de São João em Évora ainda faltava algum tempo.
Se já não havia a tradição de estrear fato novo pela feira, o hábito de andar rua acima rua abaixo nunca se perdeu, tal como comprar torrão de Alicante, massa frita ou petiscar nos restaurantes, andar em carrosséis, aviões, carros de choque, ir ao poço da morte ou ao circo quando este também estava.

Hoje 7 de Junho, terminaria mais uma Feira das Cerejas. Dela apena resta a data a memória do passado. E ao relatar factos de juventude, vieram à memória as diferenças entre a Feira das Cerejas de 1973 e a de 1974. Além dos três dias oficiais funcionava em pleno no quarto, e só depois é que começava lentamente a desmontar-se, e os últimos feirantes a partir eram, felizmente, os dos divertimentos.
Os testes já tinham sido feitos, a matéria dada e as aulas estavam a terminar, sempre a onze de Junho. A Piscina Municipal abrira no Dia da Cidade, a 23 de Maio, o Cine-Parque reabria, a transição para o Verão cumpria calendário, enfim, eram dias de puro prazer. Gozávamos aquele final de ano escolar habitualmente, sem preocupações com o futuro. Aliás, com o Armando Malcata e o Fernando Carita, iríamos passar o mês de Julho a Monte Gordo, sozinhos!, numa tenda dos pais do Fernando José no Parque de Campismo, à saída para Vila Real de Santo António e frente a um areal magnífico e um mar calmíssimo.
Com o Fernando, o Armando e o Augusto Cebola formávamos um núcleo duro de Amigos que o tempo pôs à prova. Celebrávamos a boa mesa, não falhávamos acontecimentos mundanos, e não tínhamos compromissos, vulgo namoros..., como acontecia com o António José Graça, Francisco Marcão, Luís Afonso ou Luís Filipe Meira. Além destes, estávamos com o Carlos Alves, Carlos Vintém, João Vintém, Joaquim Conde, Jorge Bezerra, Jorge Serra, Manuel Carlos Mendes, Mário Alegre ou Rui Jónatas, nos sítios habituais, Alentejano, Central, Tarro, e também Capote, Catacumbas do Marchão, David, João dos Bigodes, Plátano, Romualdo, enfim!...
E como esquecer cumplicidades e a amizade da Fany.
Que dias inesquecíveis os da Feira das Cerejas de 1973, de terça-feira 5 a sexta-feira 8! Foi a última de um ciclo. Quanto à do ano seguinte, tudo seria diferente.
Mário Casa Nova Martins

Sport Lisboa e Benfica

Resumo de todos os jogadores que até esta data já foram falados esta época para ingressar no Sport Lisboa e Benfica:
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Guarda -Redes:
Kameni (Espanyol)
Bruno (Flamengo)
Mandanda (Marseille)
Espinoza (Standard)
Navarro (Independiente / San Lorenzo)
Mariano Andújar (Estudiantes)
Julio Cesar (Belenenses)
Cavalieri (Liverpool)
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Defesa Central:
Felipe Lopes (Nacional)
Roland Juhasz (Anderlecht)
Van Buyten (Bayern)
Jorge Andrade Chicão (Corinthians)
Ricardo Carvalho (Chelsea)
Thiago Heleno (Cruzeiro)
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Defesa Direito:
Patric (São Caetano) - Contratado
Gamiette (Stade Reims)
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Defesa Esquerdo:
Mathieu (Toulouse)
Alvaro Pereira (Cluj)
Marek Cech(West Bromwich)
Shaffer (Racing)
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Médios (Defensivo Centro; Centro; Avançado Centro):
Verdu (Deportivo)
Fernandinho (Shakhtar)
Ruben Micael (Nacional)
Enevoldsen (Aalborg)
Dernis (Saint-Etienne)
Yacob (Racing)
De Guzman (Deportivo)
Cleber Santana (Mallorca)
Geoffrey Dernis (Saint-Etienne)
Regula (Setúbal)
Raffael (Hertha)
Bruno Simão (Dinamo Bucareste)
Maicosuel (Botafogo)
Culio (Cluj)
Ramires (Cruzeiro)
Buonanotte (River Plate)
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Extremo Direito:
Biseswar (Feyenord)
Alex Witsel (Standard)
Moussa Sissoko (Toulouse)
Eliseu (Malaga)
Ignacio Piatti (Gimnasia)
Moullec (FC Nantes Atlantique)
Quaresma (Inter / Chelsea)
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Avançado:
Miccoli (Palermo)
Ismael Blanco (AEK)
Szalai (Real Madrid B)
Afonso Alves (Middlesbrough)
Nené (Nacional)
Luis Garcia (Espanyol)
Benitez (Santos Laguna)
Djebbour (AEK)
Gomis (Saint-Etienne)
Diogo (Olympiakos)
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By mail from Coimbra

Sábado, Junho 06, 2009

Fernando Pessoa

Lançamento O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa‏
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No dia de 19 de Junho, pelas 19h, a editora 101 Noites apresenta o audiolivro O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa lido por Filipe Vargas.
Integrado no Festival Silêncio!, o lançamento contará com a presença do actor que lerá alguns excertos do conto.

O Banqueiro Anarquista integra a colecção de audiolivros “Livros Para Ouvir” que alia o prazer de ler ao prazer de ouvir. Convidamo-lo a descobrir ou redescobrir os melhores contos da literatura mundial lidos por grandes actores portugueses e ilustrados com música de Alexandre Cortez.
De uma actualidade surpreendente, este delicioso conto constitui uma das obras narrativas mais emblemáticas da vasta obra pessoana. Num estilo incisivo e imbuído de ironia, a personagem paradoxal do banqueiro discorre sobre o ideário anarquista. Publicado pela primeira vez em 1922 na revista Contemporânea, O Banqueiro Anarquista é considerado um dos melhores textos ficcionais de Fernando Pessoa.
Escute, leia e comprove que as grandes histórias ficam no ouvido.

Goethe-Institut Portugal» Campo dos Mártires da Pátria, 37 (Lisboa)
Título: O Banqueiro Anarquista
Autor: Fernando Pessoa
Lido por: Filipe Vargas
PVP: 13.90€
Editora 101 Noites

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Luís Leite Rio

Luís Fernando Correia Leite Rio
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Luís Leite Rio

Conjurado – Conspirador, que reage e que se insurge
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Recordar a acção dos ditos "40" conjurados que em 1 de Dezembro de 1640 derrubaram a dinastia castelhana, é tradição desde o tempos do saudoso Sr. D. Duarte Nuno de Bragança, verdadeiro Português, esconjurado pela República, e que, de forma esclarecida soube manter viva, junto de muitos portugueses, a chama e a esperança de um dia ser devolvida ao povo de Portugal a democrática forma monárquica de governo do estado.
Em plena ditadura Salazarista e Republicana, de forma bastante discreta, (a possível para a época), alguns defensores da Monarquia como a melhor forma de organização do estado, juntavam-se para jantar conjurando, discutindo estratégias, formas de combater o governo e a República, mostrando que havia alternativas e esperança.
Na época juntavam-se, técnicos, intelectuais, artistas e alguns (poucos) membros da nobreza de Portugal, não conformados com o caminhar do país e que honesta e convictamente se esforçavam para derrubar a republica ditatorial e acreditando, talvez ingenuamente, que seria possível, com o apoio popular, reimplantar a Monarquia Portuguesa.
Hoje, caída a ditadura mas não a república, quando ainda seria possível discutir as vantagens de uma Monarquia, quando seria necessário desmistificar toda a encenação montada pelo capital e pela falsa nobreza em torno da instituição real, continuam a fazer-se os "Jantares de Conjurados", mas maioritariamente por Esconjurados.
Cidadãos maioritariamente republicanos que com uma coroa ao peito e um autocolante no carro, desprovidos de qualquer real convicção, aproximam o seu ego de uma corte inexistente, de um titulo nobiliárquico, caduco, quase sempre inválido e na maioria dos casos duvidoso. Alguns, muito poucos, realmente monárquicos pactuam com a pantomina, talvez por paixão que sempre é cega…
Cautelosamente ninguém se levanta por um Rei Português, nem mesmo o possível herdeiro se apresenta como alternativa, só como capa de revista…
Esconjuraram-se os portugueses que por obrigação histórica e familiar deveriam defender a instituição real e o país, esconjuraram-se aqueles que por reflexão consideram a monarquia como uma alternativa e possível, esconjuraram-se os responsáveis da própria instituição pela manutenção dos ideais.
O acessório é hoje o essencial. A festa o social e a aparição nos média transformaram-se no principal objectivo dos ditos monárquicos, em detrimento da alternativa, da solução do País.
Bom proveito para o jantar dos esconjurados.
Viva o Rei. Viva a Rés Pública.
Luís Leite Rio

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