\ A VOZ PORTALEGRENSE

terça-feira, julho 26, 2016

Clube Desportivo Portalegrense

26 de Julho de 1925 - 26 de Julho de 2016
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Clube Desportivo Portalegrense
91 Anos de História

26 de Julho de 1925 é a data da assinatura da Acta que formaliza o nascimento do Clube Desportivo Portalegrense. Passadas mais de nove décadas, o Desportivo, como é conhecido em Portalegre, mostra uma vontade enorme de continuar a sua História.
Ao longo da sua existência passou por diferentes fases. Foi Clube Desportivo Portalegrense, Grupo Desportivo Portalegrense, Clube Desportivo Portalegrense 1925, e hoje usa novamente a nomenclatura fundadora, mas sempre mantendo o azul nas camisolas, o branco dos calções e o encarnado das meias.
O Desportivo teve anos de glória, períodos de penumbra, momentos de conquistas e tempos de graves crises. Teve dirigentes que a ele dedicaram vidas, e outros que dele se aproveitaram. É assim a causa das coisas e a natureza humana.
O Desportivo foi sempre um clube ecléctico. Teve, entre outras modalidades, vólei, basquetebol, pesca desportiva, xadrez, futsal, ginástica, mas o futebol foi sempre a principal modalidade.
Em futebol conquista todos os títulos locais e distritais, e foi por duas vezes Campeão Nacional da III Divisão, nas épocas de 1975/76 e 1987/88. Contudo, é a década de cinquenta do século passado, aquela em que o Desportivo se tornou conhecido nos meios futebolísticos com campanhas notáveis na então II Divisão Nacional.
Mas a primeira época em que conquista o título distrital e participa no então Campeonato da II Liga, 5.º Grupo, Zona C, é a de 1934/35. Foi a primeira época de glória, conquistando vários títulos, como a Taça da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre, de Campeão da Cidade de Portalegre, 1.ª Categoria, de Campeão Distrital de Portalegre, a Taça de Honra, o Campeonato Infantil, as Festas da Primavera, a Taça «Grémio Alentejano» e Festas da Primavera Infantil.
O primeiro jogo conhecido do Clube Desportivo Portalegrense é logo a 30 de Agosto de 1925, com as 2.ªs categorias do Alentejo Foot-Ball Club, cujo resultado se desconhece. O segundo jogo conhecido do, já, Grupo Desportivo Portalegrense, é no ano seguinte, a 20 de Junho, com o campeão distrital da época que entretanto findara, o Sport Club Estrela. Em disputa a «Taça António Bentes», e os “verdes” vencem os “azuis” por 5-1.
O primeiro troféu conquistado pelo Desportivo foi em Campo Maior em 12 de Setembro de 1926, no jogo disputado no Campo do Rocio contra o Victoria Foot-Ball Club, e na presença de cerca de quinhentos espectadores, o qual ganhou por 3-0.
Agora o Clube Desportivo Portalegrense enceta nova fase da sua História, ao voltar a ter equipa de futebol sénior e ir disputar o Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Portalegre da próxima época 2016/2017
Dezenas, mesmo centenas de nomes se poderiam citar que são referência do Desportivo, como jogadores, dirigentes, sócios ou simples adeptos. Mas apenas se citará um, o actual Presidente da Direcção, Mário Frutuoso, que após a última crise tomou em mãos os destinos do Desportivo, que qual Fénix renasceu e voltou a conquistar títulos nos escalões jovens, ao mesmo tempo que mantém viva a sua Memória, podendo-se dizer, como nos tempos áureos e com toda a propriedade:
_ A Alma Azul está viva!
Mário Casa Nova Martins
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in, Fonte Nova, 19-07-2016, pg. 8

quarta-feira, julho 20, 2016

Fernando Correia Pina

Poema a um sexagenário

Digam lá se não é caso de pasmar

Este passar do tempo que a morte mais cerca põe do receoso olhar fazendo-nos descrer da melhor sorte que os dias vindouros nos possam dar,


este tempo que no corpo alarga um corte como em árvore pronta para queimar, o meu braço, ao invés, tornou mais forte e isto não deixa de me espantar


porque antes, no vigor dos vinte anos, o membro ereto resistia aos abanos da mão que o tentava, em vão, vergar


e agora, quarenta anos mais à frente, eis que o dobro sem esforço, num repente e digam lá se não é caso de pasmar.

quarta-feira, julho 06, 2016

Fernando Correia Pina

Rossio vermelho e branco

final da taça da liga 2016

Na tasca da esquina prevenindo
qualquer sempre possível derrocada
uns quantos cavalheiros, à gargalhada,
especam o muro, minis consumindo.

No café logo ao lado, desfrutando
dos privilégios da terceira idade,
uns quantos lançam pragas à cidade,
as pernas das miúdas petiscando.

Navego até à loja dos chineses.
Travessia perigosa porque às vezes
a água dos repuxos nos salpica.

Entro apressado e não compro nada,
dou meia volta e fujo à parada
do ruidoso povo do Benfica.

quinta-feira, junho 30, 2016

Fernando Correia Pina

69

Dizei-me vós, se sabeis,
qual a razão que nos move
a chamar sessenta e nove
e jamais noventa e seis
àquela pose intrusiva
em que a língua fescenina
dá umas demãos de saliva
nas paredes da vagina
enquanto a dona da dita
de joelhos ou de lado
lábios e língua exercita
chupando um pénis inchado.
Ou seja - para quem do Lácio
bebeu a erudição -
conilingus e felatio
em perfeita conjunção.
Fernando Correia Pina
_______ 
O poema, se bem que curto, é inovador: tem bibliografia ou infografia, como agora se diz.
Ei-la:

terça-feira, maio 24, 2016

Desabafos 2015/2016 - XVII

«Papa lamenta quem sente compaixão por animais e indiferença pelo vizinho», é um título, escrito ou dito de formas diferentes, mas com este claro conteúdo e significado, que circulou por todas as formas de comunicação.
Por uma vez parece que o papa jesuíta ‘desceu à terra’, ou dito de outra forma, o actual papa como que acordou para a crua realidade do quotidiano, principalmente europeu, de um hedonismo feroz.
Em Portugal há um partido político que diz representar os animais, quiçá, os interesses dos animais, e os humanos portugueses votaram nele a ponto de o dito ter elegido um deputado nas últimas eleições legislativas.
É sabido o estado moribundo, roçando o grotesco, em que está mergulhada a civilização europeia. O crime contra a Vida Humana, que parece não preocupar muito o papa jesuíta, a perda dos Valores que construíram a Europa, os atentados à Ética e à Moral, que também parecem não preocupar de maneira o mesmo jesuíta papa, tornaram insensível o Homem perante o seu Semelhante, a ponto de um animal irracional como, entre outros, o cão e o gato, sere colocado ao mesmo nível do Homem, criado à imagem e semelhança de Deus.
Entretanto a Europa, e Portugal, caminha para um fim histórico, e tal como aconteceu quando da queda de Constantinopla, discute-se o ‘sexo dos anjos’.
As grandes Instituições que tornaram forte a Europa, e Portugal, como a Família, a Religião Católica, a Cultura greco-romana, estão em acentuado declínio. O radicalismo de matriz marxista, geradora da pior tirania, o comunismo, renasce com novas roupagens e campeia na Europa do Sul, na Grécia, em Espanha e em Portugal.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 23 de Maio de 2016

terça-feira, maio 10, 2016

Desabafos 2015/2016 - XVI

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A CGTP, correia de transmissão do PCP na área sindical, anunciou uma jornada de luta na semana de 16 a 20 de Maio próximo, com greves, manifestações e concentrações, por melhores salários e para demonstrar força.
Há muito que se esperava o ‘despertar’ deste dinossauro, que tinha ‘hibernado’ com o apoio da casa-mãe, o PCP, ao governo minoritário do PS.
O mote para as greves é «pela reposição dos direitos dos trabalhadores». Mas a verdade é sempre a mesma, um tempo de greves políticas, com as quais são os trabalhadores que utilizam os serviços em greve os mais sacrificados e prejudicados.
Mas que interessa isso, se a CGTP e o PCP defendem que destas ‘lutas’ saem mais fortes.
Sempre com a ideia de criar o caos, o PCP e a CGTP continuam não a lutar pelos direitos dos trabalhadores, mas a tentarem destruir a economia, as empresas e os postos de trabalho.
A sabotagem económica tem sido uma constante ao longo da Terceira República por parte desta Esquerda radical. A destruição do tecido económico e financeiro começou em 11 de Março de 1975, e de então para cá, seguindo a estratégia marxista-leninista pelo controlo dos meios de produção, os comunistas tudo têm feito para destruir tudo o que lhes faça frente para a tomada antidemocrática do poder.
Os trabalhadores têm sido ‘carne para canhão’ desta luta antipatriótica, na qual as greves de cariz político assumem papel de relevo.
Contudo, os tempos mostram que a força da CGTP é cada vez menor. Apenas no sector do Estado consegue manipular os trabalhadores, e mesmo neste apenas uma sua pequena parte, concentrada em Lisboa e na sua cintura.
Com a situação económica muito frágil, Portugal vai sofrer por via de mais instabilidade na área do trabalho. Tudo em nome de “amanhãs que cantam”.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 9 de Maio de 2016

terça-feira, abril 26, 2016

Desabafos, 2015/2016 - XV

Em recente conselho nacional (sábado, 16/04/2015), o CDS aprovou o novo regulamento para as eleições autárquicas de outono de 2017, o qual, em linhas gerias, define que os candidatos do partido sejam "idóneos" e "competentes".
É evidente que qualquer candidato a uma qualquer eleição, seja de que partido for, tem, ou terá que ser competente e idóneo, o que leva a questionar se no passado e no CDS tal ou tais requisitos não foram cumpridos.
Verdade se diga que a actual presidente do CDS tem toda a razão em exigir idoneidade e competência aos futuros candidatos do partido. Ela conhece bem o partido.
Recorde-se que em sucessivas eleições o CDS apareceu coligado com o PSD, coligações que sempre são o chamado ‘abraço de urso’ do PSD ao CDS.
Hoje, fruto dessa ligação ao PSD, o CDS quase desapareceu nas sondagens que ultimamente têm sido tornadas públicas, pelo que as eleições autárquicas de 2017 serão um ‘começar de novo’ do CDS.
Claro que nos concelhos em que o PSD precisar da ‘muleta’ do CDS, irá de mansinho procurar a coligação, enquanto nos outros concelhos, onde dispensa o CDS, apelará ao voto útil, e tal tem sempre conseguido.
Na região de Portalegre, por muito que os responsáveis políticos digam o contrário, o CDS não tem implantação, já teve, pelo que o trabalho será árduo e tem que começar muito tempo antes do que os outros partidos políticos. E não pode estar à espera de que o PSD o venha aliciar para uma coligação.
O CDS até tem gente idónea e competente. Contudo, ela está há muito afastada do partido pelas mais variadas razões. O recente apoio do CDS à cleptocracia angolana veio afastar muitos que começavam a acreditar de novo no partido.
O CDS faz falta, assim a sua líder o perceba e o entenda.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 25 de Abril de 2016

terça-feira, abril 12, 2016

Desabafos, 2015/2016 - XIV

Pelas piores razões, Angola volta a ser notícia. A prisão por delito de opinião de mais de uma dezena de angolanos, põe uma vez mais a nu o regime autocrático de Angola, que desde a independência tem à frente um governo liderado pelo MPLA.
Não seria notícia o apoio à autocracia angolana por parte do PCP, sempre ao lado das ditaduras, sejam elas a de Cuba ou da Coreia do Norte, ou sejam eles partidos totalitários como são todos os partidos comunistas marxistas-leninistas, ou grupos terroristas.
Notícia é um partido que se diz democrata-cristão, o CDS, apoiar a falta de liberdade em Angola.
O CDS de Assumpção Cristas votou no parlamento ao lado do ortodoxo PCP a não condenação do regime angolano pela prisão de cidadãos seus num acto anti-democrático e totalitário.
Mas a verdade que o CDS de Assumpção Cristas, no seguimento do CDS de Paulo Portas, há muito que se tornou num partido de interesses, porta-voz de interesses corporativos que nada têm a ver com a Democracia-Cristã que diz professar.
Hoje os Valores do CDS não passam de interesses. O CDS é um partido lobista. O CDS caminha para um gueto, do qual dificilmente sairá.
A ideia de que a Direita votará no CDS apenas porque é o partido mais à direita no parlamento tem os dias contados. A ideia que a Direita está refém do CDS sempre foi uma falácia, como mostram os diferentes resultados eleitorais em também diferentes eleições.
A continuar neste rumo, o CDS transformar-se-á num partido dispensável para a Direita.
Um lamento, um profundo lamento, tendo em o caminho que o CDS liderado por Assumpção Cristas está a trilhar.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 11 de Abril de 2016

terça-feira, março 29, 2016

Desabafos, 2015/2016 - XIII

O Mundo que os Portugueses criaram, remete para a Epopeia dos Descobrimentos.
Contudo, falar-se no tempo presente dessa gesta, os Descobrimentos, é, dir-se-á, famigeradamente politicamente incorrecto. Pobre Nação esta que as suas gentes mais do que perderem a Memória, cobardemente recusam o seu Passado Heroico, cantado pelo seu maior poeta, Luís Vaz de Camões.
Mas esse Mundo criado pelos Portugueses gerou Estados viáveis e Estados inviáveis. Dos Estados inviáveis, que o são por razões geográficas, demográficas ou económicas, reconhecidamente está o antigo Estado da Índia, e hoje Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que são no fundo protectorados das Nações dominantes da região, tal como seriam os Açores e a Madeira se se tornassem independentes, e o é o actual Portugal, que outrora fora protectorado da Pérfida Albion e hoje é da União Europeia, e cada vez mais da Espanha.
Os Estados viáveis são Angola, Brasil e Moçambique.
Todavia, em Angola e Moçambique está no poder desde a Independência o mesmo partido político, concreta e respectiamente MPLA e FRELIMO. Ditos países democráticos, a verdade é que neles nunca aconteceu a alternância democrática.
O caso do Brasil é paradigmático. Nele a corrupção toma ciclicamente conta do poder central, chegando mesmo à primeira figura do Estado como aconteceu num passado recente com Fernando Collor de Melo, e hoje com a guerrilheira tornada presidente pelo voto do povo brasileiro, Dilma Rouceff.
Em comum, Collor de Melo e Dilma Rouceff têm o facto de serem de Esquerda, ele do Partido Trabalhista Brasileiro, ela do Partido dos Trabalhadores. O primeiro foi destituído por corrupção, a segunda tem em andamento um processo semelhante por corrupção.
O Brasil, com a Esquerda, mergulhou no mundo da corrupção. E em Portugal um ex-primeiro ministro de Esquerda está na barra dos tribunais indiciado por crimes de corrupção.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 28 de Março de 2016

quarta-feira, março 16, 2016

Desabafos, 2015/2016 - XII

«Atrás de mim virá, quem bem de mim dirá». Este ditado popular assenta na perfeição, neste tempo presente, ao anterior presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Ao longo da sua longa vida política sempre fomos seus críticos, contando-se pelos dedos de uma mão as vezes em que com ele estivemos de acordo.
Sem ideologia política, tal como o partido a que pertence, o dizer-se social-democrata nada significa ao “albergue espanhol” que é o PPD-PSD, só no final do mandato presidencial é que tomou posições quanto a Princípios e a Valores, com os quais nos identificamos e que defendemos.
Mas, verdade se diga, que num Portugal de matriz socialista e socializante, saído da revolução pretoriana de Abril de 1974, não se pertencer a essa matriz faz com que se esteja do chamado “lado errado da História”, daí os ataques que são mais insultos do que outra forma de crítica, que Aníbal Cavaco Silva sofreu principalmente ao longo da segunda metade do seu segundo mandato.
Detestado pelas ditas elites do regime, Cavaco Silva teve que lutar contra os preconceitos de classe dessa gente que sempre o invejou e que sempre o tentou menorizar enquanto político.
Agora, o tempo é outro. Agora como que “o circo desceu à cidade”, com o novo e actual presidente da República, uma figura que veio da Segunda República, o Estado Novo onde era delfim do presidente do conselho, e que neste Terceira República se tornou o enterteiner do sistema, chegando, com o apoio tácito da Esquerda, a presidente da República.
Os tempos que aí virão serão tempos de conflitualidade, de baixa política, ainda pior que o tempo presente, no qual as notícias em destaque se referem à corrupção, estando nela envolvidos políticos de todos os quadrantes do sistema.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 14 de Março de 2014

quarta-feira, março 02, 2016

De pernas para o ar

O establishment está em pânico! As cabeças bem-pensantes não conseguem pensar! Os EUA estão de pernas-para-o-ar! Os reacionários ganham terreno! O medo, o pânico cresce!
A Europa não consegue explicar o que se passa nas primárias americanas. O seu candidato está bem posicionado para vencer as eleições presidenciais, como sempre, aliás. Mas não consegue entender porque os adversários votam num candidato que é nem mais nem menos que o Diabo em pessoa. O líder em termos de delegados na corrida à nomeação Republicana incarna o mal! Todos os piores receios quanto ao futuro dos EUA são expectáveis.
Lembramo-nos bem do processo de candidatura e posterior eleição presidencial de Ronald Reagan. Muito do que hoje se diz e acusa Donald Trump, é a mesma retórica então utilizada contra Reagan. Pena é que, à Direita, a memória seja tão curta.
É que a Direita do sistema em Portugal apoia a candidata à nomeação e eleição presidencial Democrata, e ‘cola-se’ à Esquerda do sistema nos ataques a Trump, os mesmos que fez a Reagan. A Esquerda radical apoia o judeu americano Bernie Sanders.
Mas, se se perguntar aos apoiantes portugueses, e europeus, direitistas de Hillary Clinton, qual o programa de Donald Trump, não o conhecem, e de imediato começarão a vomitar os chavões anti-Trump.
Ganhe quem ganhar as presidenciais americanas, o declínio da potência americana continuará.
E a Europa acompanhá-la-á nesse declínio.

Duarte Branquinho

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Quero aqui, neste momento, deixar o meu público agradecimento ao Duarte Branquinho, pelo facto de ele, na qualidade de Director do semanário «O Diabo», ter aceite publicar um vasto conjunto de textos meus, com a maior abertura e tolerância.
Muito me honrou ter estado com o Duarte.
Os anos que o Duarte esteve à frente de «O Diabo» foram exemplares. O jornal estava como que moribundo, e foi com um trabalho árduo, com uma dedicação plena, que foi possível tornar «O Diabo» uma referência no panorama jornalístico português.
O Duarte, como que fez renascer, um começar de novo, este semanário com mais de quatro décadas de existência.
O jornal que o Duarte construiu foi um jornal plural, não era um jornal de facção fosse ela política, religiosa ou outra.
Neste tempo de saída, Duarte Branquinho tem a certeza do dever cumprido. O Duarte fez o Bom Combate.
Por tudo, estou-lhe agradecido.
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Capa do último número da responsabilidade de Duarte Branquinho
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terça-feira, março 01, 2016

Desabafos, 2015/2016 - XI

Na segunda-feira dia 15 de Fevereiro deste ano de 2016, o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva condecorou pela primeira vez uma vítima das Forças Populares 25 d Abril (FP25).
Hoje como que é tabu falar dessa associação criminosa e assassina. Talvez por isso a cerimónia de entrega da condecoração a título póstumo, a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, teve lugar numa cerimónia privada a pedido da família, quiçá temendo-se represálias.
Precisamente no dia do trigésimo aniversário do assassinato de Gaspar Castelo Branco, a sua Memória foi lembrada.
Director dos Serviços Prisionais, Gaspar Castelo Branco era um alto funcionário do Estado que, de acordo com a explicação sobre as ordens honoríficas portuguesas disponível na página da Presidência da República, prestou “serviços relevantes a Portugal, no país ou no estrangeiro, assim como serviços de expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua história e dos seus valores”.
Gaspar Castelo Branco foi morto ao fim da tarde de 15 de Fevereiro de 1986 à porta de casa, na Lapa, com um tiro na nuca, num ataque reivindicado poucas horas depois pelas Forças Populares 25 de Abril.
Cavaco Silva, neste seu final de segundo mandato, mostra uma coragem cívica que muito o honra.
As FP25 surgiram em 1980 e operaram até 1987. Os assassinos que a formaram nunca reconheceram os crimes que praticaram, e hoje passeiam-se com o maior à vontade, sendo ídolos dos radicais de Esquerda que estão na Assembleia de República.
Mas que fique claro o alerta que estes assassinos continuam a manter as mesmas ideias e posições, pelo que o mais que certo fracasso desta coligação de Governo, que une as extremas-esquerdas, os fará sair da clandestinidade e regressar ao banditismo e terrorismo de Esquerda.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 29 de Fevereiro de 2016

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Assobiar p'ró ar


«Uma imagem vale por mil palavras», diz o ditado popular, e no caso em questão, toda a razão lhe é dado.
Os tempos que se vivem são crepusculares, tempos de decadência, onde o deboche se tornou lei, é lei.
Os radicais tomaram conta da Ágora, e agora tudo lhes é permitido, tudo lhes é consentido.
Mas para que se chegasse a este ponto, «muita água correu debaixo das pontes».
Tibieza, cobardia, são adjectivos que «caiem que nem uma luva» naqueles que hoje vêm afirmar que o cartaz “é uma afronta aos crentes”.
E onde estavam estes ‘devotos’, quando muitos Crentes se uniram para impedir que leis como a que se refere o cartaz fossem aprovadas? «Assobiaram p’ró ar»!
O receio de causarem polémica, de ‘agitar as águas’, levou a que os factos se consumassem. E agora, qual carpideiras, vêm queixar-se de afronta, atentado à liberdade de expressão, respeito mútuo, tudo palavras soltas de quem há muito deixou de ser e de ter voz, de ser e dar exemplo, na sociedade portuguesa.
O que se seguirá será sempre pior do que está. Mais de quatro décadas de parlamentarismo levaram Portugal à negação da sua Identidade. Os Heróis há muito que debandaram. Viva a dissolução!

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Desabafos, 2015/2016 - X

A Esquerda Menchevique-Trotskista-Leninista, vulgo PS-BE-PCP, usa a clássica metodologia, segundo a qual uma mentira mil vezes dita passa a ser verdade.
De acordo com o Orçamento de Estado para este ano de 2016, há uma subida de mais de mil milhões de euros de impostos a pagar por todos os dez milhões de portugueses, todos impostos sobre o consumo, sendo o aumento dos impostos indirectos superior a 6%.
E esta Esquerda, em uníssono, afirma, sem pudor e com o maior à vontade, que aumentar impostos nesta brutal dimensão significa acabar com a austeridade e aumentar a competitividade!
Os bens de primeira necessidade, como a água, a luz e a gás, tiveram aumentos. Os géneros alimentícios estão mais caros. O IMI, para os proprietários, subiu. Em suma, o que não subiu são os bens de luxo, inacessíveis à larguíssima maioria da população.
Mas o povo votou, o seu voto é soberano, e tem aquilo em que acreditou. Não se pode queixar. Mais de quatro décadas de parlamentarismo conduziram Portugal a várias bancarrotas, mas que interessa isso, se há futebol, fado, e toda uma série de atentados à Ética, à Moral e aos Princípios.
O que o povo quer é circo, carnavais, touradas, telenovelas, muito sexo, enfim, como diz o ditado popular, «quem vier a seguir que feche a porta»!
Portugal está cada vez mais endividado. Este ano, das «vacas gordas», o paraíso prometido pelos radicais esquerdistas, será no final de «vacas magras», o inferno na terra para milhões de portugueses. Mas como o povo acredita “nos amanhãs que cantam”, continuará feliz com a utopia/mentira esquerdista de que a austeridade acabou!
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 15 de Fevereiro de 2016

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Desabafos, 2015/2016 - IX

O ainda Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, vetou a adoção entre casais do mesmo sexo e o fim das taxas moderadoras no aborto.
Desta forma, Cavaco Silva deixa mais uma marca na sua passagem de uma década no Palácio de Belém.
Coerente com os Princípios e Valores que defende, e que nestas duas áreas são os mesmos que defendemos, mostra que mais importante que os denominados «sinais dos tempos» ou o malfadado «politicamente correcto, Cavaco Silva coloca as suas convicções acima de tudo. O que só o honra.
As justificações apresentadas para os dois vetos, no caso da adoção por casais do mesmo sexo justificando que se tratava de uma alteração radical e muito profunda no ordenamento jurídico, e no caso do aborto afirma a ausência de devido debate público, são fundamentadas.
Mais preocupada com as denominadas «causas fraturantes» do que com a solução dos verdadeiros problemas dos portugueses, que não são mais do que “carne para canhão” para as suas distopias geradoras de totalitarismos, a Esquerda Radical não contrapõe, e à falta de argumento limita-se a insultar o Presidente da República, mostrando uma vez mais o seu cariz, o seu carácter antidemocrático.
Sabe-se que no Parlamento a dita ‘maioria de Esquerda’, mencheviques do PS, trotskistas do BE e leninistas do PCP, irá novamente aprovar estas leis, mas a tomada de posição de Aníbal Cavaco Silva fica para a História.
Enquanto a Esquerda radical ulula, a Igreja Católica mantém-se silenciosa. O que era de esperar! Há muito que a Igreja Católica deixou de ter voz na sociedade portuguesa. E quando a tem, não só é tímida, como surge quando tudo é irreversível.
É por isso que a tomada de posição de Cavaco Silva ainda se torna mais importante.
Que fique bem claro que estamos nestes dois momentos com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 1 de Fevereiro de 2016

terça-feira, janeiro 19, 2016

Desabafos, 2015/2016 - VIII

Domingo próximo, dia 24 de Janeiro, há eleições presidenciais. E, por mais uma vez neste tipo de eleições, como é fácil a escolha do candidato em quem votar.
Sem a menor dúvida, o candidato escolhido é, nenhum! E no caso de vir a haver uma segunda volta, a escolha recairá naquele mesmo candidato, que aos costumes dá pelo nome de ‘nenhum’!
Situando-nos à Direita, na Direita, os dez candidatos presidenciais têm em comum o não se considerarem de Direita, logo, que sentido faz alguém que é de Direita ir votar num candidato que não é dessa área política? Só por distracção, quiçá, masoquismo, é que alguém de Direita vota num destes dez candidatos que não são de Direita. Não é difícil compreender!
Portugal caminha alegremente para o abismo, seja na área política, económica e principalmente social. No campo social, Portugal é hoje uma “casinha de horrores” com a permissividade e a licenciosidade dos costumes, com uma corrupção galopante, com o abastardamento de Valores e Princípios.
Todos os candidatos presidenciais apoiam este estado de coisas, nenhum coloca em questão as ditas ‘causas fracturantes’ que corroem o tecido social, principalmente as Instituições Família e Escola. Nenhum candidato fala da Família como centro da Sociedade, da importância da Escola na formação do Cidadão.
Também um outro pilar da Sociedade é a Religião. E em Portugal a Religião Católica, maioritária, é uma Igreja cada vez mais do silêncio face à degradação Moral e Ética da Sociedade. Ou não tem voz, ou quando toma uma posição peca pelo atraso e fundamentalmente pela tibieza com que trata o assunto.
No próximo domingo 24 de Janeiro de 2016, a Direita que é Direita rejeitará todos os candidatos, sem excepção!
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 18 de Janeiro de 2016

quarta-feira, janeiro 13, 2016

O Diabo - Violação de Alemãs

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Semanário O Diabo - 12 de Janeiro de 2015, página 19
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Desde que os soviéticos invadiram a Alemanha no final da Segunda Grande Guerra Mundial, que nunca tantas alemãs tinham sido estupradas e violadas por toda a Alemanha numa só noite como na madrugada de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro de 2016.
Ilya Ehrengurg deve sentir-se feliz e realizado, lá no Inferno onde jaz!
O que os soviéticos fizeram foi um crime de guerra tipificado nas Convenções, mas a justificação para tal barbárie foi a ‘paga’ pelo que os alemães fizeram às mulheres russas quando da invasão da União Soviética. Como diz o ditado popular, «amor com amor se paga».
Contudo, o que agora se passou é totalmente diferente. A violação em massa de mulheres alemãs por homens identificados foi um acto de puro sexo não consentido, um crime punível por lei.
Mas dados os factos, sabe-se que ninguém será punido pelo acto de violação sexual. Quando não se quer levar até às últimas consequências actos desta e de outra natureza, criam-se comissões de inquérito, fazem averiguações, e no final, também como diz outro datado popular «a montanha pariu um rato»!
Parece que a mulher alemã pode ser estuprada e violada sem que haja punição para o violador! Ou pelo menos é o que parece que acontece na Alemanha.
Mas a mesma canalha que praticou os crimes de estupro e violação, pratica-os com a mesma impunidade nos abrigos para refugiados.
Em suma, a Alemanha é hoje em dia um país em que os direitos das mulheres e das crianças, porque também elas têm sido vítimas desses crimes, são “letra morta”.
Viola-se a alemã da mesma forma que em 1945. E as autoridades alemãs são cúmplices deste crime.
Mário Casa Nova Martin

terça-feira, janeiro 12, 2016

Presidenciais

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De dez candidatos presidenciais, “dez que valem, mesmo zero”!
À ‘prova dos dez’, candidatos presidenciais, nenhum assume a ideologia de Direita. Assim a Direita não tem quem a represente no próximo domingo 24 de Janeiro de 2015. Desta forma a Direita, a Nacional do PNR e a Democrata-Cristã do CDS, os únicos partidos que representam a Direita na Terceira República, não têm quem os represente, logo compreender-se o alheamento que fazem destas eleições presidenciais.
E faça-se a pergunta: _ Que deve a Direita a Marcelo Rebelo de Sousa, aquele que querem situar na área da Direita, mas que ‘foge dela como o diabo da cruz’?
Marcelo Rebelo de Sousa, tal como no passado o seu mentor político, padrinho ou seja lá o que tenha sido, Marcello Caetano, conseguiram ter o apoio das Direitas mas sempre as renegaram. Caetano, o ‘ditador’, uma vez que Marcelo Rebelo der Sousa se refere à Segunda República como a ‘Ditadura’, desfez-se no Brasil em fel contra a ‘injustiça, dos ‘homens do 25 de abril’ que o afastaram, que o derrubaram, ele o ‘democrata’!
O dilecto Marcelo do tempo presente faz o mesmo que o dilecto Marcello fazia em 1968. Insinua-se à Esquerda para a cativar e ignora a Direita, mas quer que ela nele vote.
É possível que a farsa resulte. Mas sabe-se o ‘preço’ que os portugueses pagaram com as ‘caetanices’, tal como irão pagar as ‘marcelices’.
A par da ‘galeria de horrores’, o nível da campanha eleitoral presidencial é paupérrimo. Também, depois de dez anos com o ainda presidente da República, com primeiros-ministros de ‘gabarito prisional’, que mais se podia esperar da ‘elite’ que se candidata à presidência da República?
Com «passionárias» primeiro e terceiro-mundistas, e «apóstatas», passando por «académicos», «sábios» e «loucos», Portugal é um “laboratório” de “experiências” “radicais” que o Professor Pardal da Disney invejaria ter. Decididamente, Portugal é hoje um “manicómio”!
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, janeiro 08, 2016

Violação de alemãs

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Desde que os soviéticos invadiram a Alemanha no final da Segunda Grande Guerra Mundial, que nunca tantas alemãs tinham sido estupradas e violadas por toda a Alemanha numa só noite como na madrugada de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro de 2016.
Ilya Ehrengurg deve sentir-se feliz e realizado, lá no Inferno onde jaz!
O que os soviéticos fizeram foi um crime de guerra tipificado nas Convenções, mas a justificação para tal barbárie foi a ‘paga’ pelo que os alemães fizeram às mulheres russas quando da invasão da União Soviética. Como diz o ditado popular, «amor com amor se paga».
Contudo, o que agora se passou é totalmente diferente. A violação em massa de mulheres alemãs por homens identificados foi um acto de puro sexo não consentido, um crime punível por lei.
Mas dados os factos, sabe-se que ninguém será punido pelo acto de violação sexual. Quando não se quer levar até às últimas consequências actos desta e de outra natureza, criam-se comissões de inquérito, fazem averiguações, e no final, também como diz outro datado popular «a montanha pariu um rato»!
Parece que a mulher alemã pode ser estuprada e violada sem que haja punição para o violador! Ou pelo menos é o que parece que acontece na Alemanha.
Mas a mesma canalha que praticou os crimes de estupro e violação, pratica-os com a mesma impunidade nos abrigos para refugiados.
Em suma, a Alemanha é hoje em dia um país em que os direitos das mulheres e das crianças, porque também elas têm sido vítimas desses crimes, são “letra morta”.
Viola-se a alemã da mesma forma que em 1945. E as autoridades alemãs são cúmplices deste crime.
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, janeiro 07, 2016

O 'estruturas'

O ‘estruturas’

Em todas as terras e lugares houve caciques e candidatos a caciques. Geralmente gente que se impunha não pela inteligência mas sim pela força, que eram temidos, bajulados quanto tinham o poder mas simultaneamente odiados. E quando acontecia a sua queda, até os cães lhes ladravam à sua passagem.
Os partidos políticos, principalmente os de origem popular, sempre foram geradores de caciques e caciquismo. Que o diga o PPD-PSD, o partido que a Terceira República pariu dos restos do Estado Novo Caetanista, na sua versão dita liberal, mas que mais não era de que um grupo de luminárias da pequena burguesia que através da política aspirava a lugares na sociedade e principalmente nos negócios que de outra forma lhes seriam negados. Para eles a ascensão social era o objectivo, pelo que não tinham ideologia e cultivavam um catolicismo de paróquia.
Os deuses foram-lhes favoráveis, e com o aproveitamento do aparelho caciquista do Estado Novo Caetanista, consubstanciado na ANP (Acção Nacional Popular), conseguiram na província excelentes resultados eleitorais, que o transformaram no segundo maior partido.
Estava-se em 1974, 75 e 76. E é aqui que aparece pela primeira vez o ‘estruturas’.
Ainda hoje não sabemos o seu nome de baptismo, embora saibamos que Simão é um dos seus nomes ou apelidos. Também não o vemos há tempo. Pensamos que estando ainda vivo, terá enviuvado. Mas recorrendo às últimas vezes que o vimos, era um homem alquebrado, triste, e nitidamente só.
Há um momento que nunca esquecemos e que terá sido a primeira vez que o teremos visto. Havia comício do PPD no Pavilhão Gimnodesportivo com o líder. O ‘estruturas’ destaca-se pela altura e pelo vozeirão. Tinha um cajado e ladeava Sá Carneiro em pose de segurança privado.
Era ridículo o ‘estruturas’! A sua agressividade verbal, a par do manuseamento do cajado, fazia daquele momento um acto de pura fealdade, mas do agrado popular, que não só o apoiava como o incitava a maior verborreia.
Mais tarde encontrámos o ‘estruturas’ no Café Facha, de boa memória porque ainda conservava a patine dos seus melhores tempos.
Era aqui, quando vinha à cidade, que fazia os seus discursos políticos, muito ao estilo caciquista e caciqueiro do PPD, e onde tinha uma pequena plateia atenta à sua fanforronice, e grosseria quando contrariado.
Como ia às sessões de esclarecimento do PPD de Portalegre, onde a cultura política estava ao nível da falta de cultura cívica, conseguiu captar umas ideias que se traduziam numas famosas ‘estruturas’, estruturas essas que ele nunca conseguiu explicar o que eram ou seriam.
Desta forma, nos seus comícios no Café Facha, falava e tornava a falar de ‘estruturas’, ficando a partir de então a ser conhecido pelo ‘estruturas’. Abençoados os pobres de espírito, lê-se no Sermão da Montanha.
Lá pregou ‘estruturas’ durante anos em nome do PPD, depois PSD, mas nunca conseguiu alcançar lugares de relevo dentro do partido, e muito menos lugares de nomeação política. De desgosto em desgosto, lá foi sempre lutando pelo grande objectivo da sua luta e carreira política, que era ser presidente da junta de freguesia da sua terra, a antiga figura do regedor.
Para vir a ser candidato ao tão desejado lugar teve que abjurar o seu credo PPD-PSD e ir concorrer nas listas do CDS, nas quais foi notoriamente derrotado. Há vezes em que o crime não compensa.
Ainda o ouvimos discursar na defesa do CDS, mas já sem a forma abrutalhada de falar que o caracterizara. No CDS sempre havia outro polimento!
Curiosamente, naquele mesmo tempo outra ‘figura’ prontificava no Café Facha. Este, o Vitório, era do CDS, e fazia comícios para a mesma audiência do ‘estruturas’. Falava tanto e de tanta coisa, que passou a ser conhecido por ‘fala-barato’.
Zangado pelo CDS não ser maior que o PPD, mudou de partido e passou a propagandear o PPD. Mas a vida pregou-lhe uma partida, e partiu ainda muito novo. Que a sua Alma descanse em Paz.
O Vitório não era agressivo e de “maus-figados” como o ‘estruturas’. Homem bom deixou saudades. O ‘estruturas’ quis “dar o passo maior que a perna”, e sofreu com isso.
Hoje, em Portalegre, poucos recordarão o Vitório, e menos o ‘estruturas’. Ambos foram protagonistas de uma farsa, que era a política local numa terra que começava a definhar por força da medíocre classe política que parira com o 25 de Abril de 1974.
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Desabafos, 2015/2016 - VII

Ano Novo, Vida Nova, dizia-se outrora. Hoje, o Novo Ano é a continuação do Velho Ano, e nada de novo acontece. É que pese embora a imprensa favorável ao Governo afirme que 2016 vai ser ‘um ano de vacas gordas’, a verdade é que desde 1 de Janeiro que os aumentos nos bens de primeira necessidade, e não só, foram uma realidade. E a única coisa certa é que o despesismo anunciado em breve tornar-se-á novamente em austeridade.
Em Portugal ainda não se percebeu que a riqueza criada cresce aritmeticamente, enquanto a despesa do Estado cresce exponencialmente. E não há Governo nesta Terceira República que não esteja isento de despesismo.
Num tempo e numa sociedade em que apenas há direitos, os deveres são considerados resquícios antidemocráticos, nada se pode esperar que não seja o regresso à dita austeridade, que irá destruir o que resta da classe média, proletarizando-a.
Hoje, Portugal caminha alegremente para uma via socialista e socializante de cariz venezuelano, pior que o grego. Mas ninguém se preocupa que tal aconteça, acreditando na utopia, acreditando que existe a ‘galinha dos ovos de ouro’, não sendo necessário fazer sacrifícios, mas apenas exigir-se mais e mais do Estado, e este por sua vez continuar a sugar os contribuintes para além dos limites.
2016, o ano em que a utopia irá dar lugar à distopia. A cigarra cantará e a formiga ficará exausta de tanto ser castigada por ser trabalhadora. E a coligação menchevique – trotskista – leninista, nova troika dos ‘amanhãs que cantam’, dará lugar a um cinzento centrão PS – PSD, que tudo fará para continuar a destruir Portugal!
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 4 de janeiro de 2016

Sílvio Lima

Sílvio Vieira Mendes Lima
Coimbra 5/2/1904 - Coimbra,  6/1/1993
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Passa hoje mais um aniversário da morte de Sílvio Lima.
O tempo passa célere, e vinte e três anos após o seu desaparecimento físico, a sua Obra permanece única, viva e a continuar a ser estudada, um legado intemporal onde avulta a cultura e a inteligência de um Professor da Universidade de Coimbra, que o honrou e continua a honrar.
Sílvio Vieira Mendes Lima era uma pessoa excepcional, de um valor humano, científico e pedagógico ímpar. Viveu um tempo em que o prestígio da Academia era suporte de uma matriz cultural e cívica, assente em valores e princípios.
Desse tempo já nada resta.
Recordar Sílvio Lima e ao mesmo tempo ter-se acesso à sua obra completa, graças à Fundação Calouste Gulbenkian, e a teses de mestrado e de doutoramento sobre a vida e a obra de Sílvio Lima, serve de lenitivo para as agruras do presente e as incertezas quanto ao futuro.
Recordamos hoje a Memória de Sílvio Lima, com grande respeito e saudade.
Mário Casa Nova Martins

terça-feira, janeiro 05, 2016

CDS em Portalegre

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Com a saída, voluntária, de Paulo Portas da liderança, o CDS volta a ganhar vida. Mas será que conseguirá viver autonomamente, fora dos grupos de interesses que o tornaram muleta de governos PPD’s-PSD’s? Só o tempo o dirá.
Contudo, em política o tempo é curto. Muito curto, dir-se-á. E o CDS, que já foi PP, não tem muito tempo para se afirmar à Direita e na Direita deste Regime que começa a parecer estar num tempo de fim-de-regime.
Mas não deixa de ser curioso que o afastamento do ainda líder provoque vontade de voltar a falar-se do CDS, que já foi PP.
Em Portalegre o CDS existe? Em Portalegre o partido tem órgãos dirigentes? Terá, mas são totalmente desconhecidos, quer do potencial eleitorado do CDS e ainda mais da população em geral.
Em Portalegre o CDS teve implantação, teve vida activa, teve eleitos autárquicos, em suma, era um partido que participava na Polis.
Em Portalegre muitos que deram essa alma, essa vida ao CDS, e ao PP, ou morreram, ou se afastaram, a ponto das Referências do partido já não existirem. Hoje em Portalegre ninguém sabe quem é quem no CDS. Pressupondo que ainda exista.
Vai ser muito difícil recuperar o CDS.
Mário Casa Nova Martins

terça-feira, dezembro 22, 2015

Desabafos, 2015/2016 - VI

Estamos na semana do Natal. Mas cada ano que passa, o Natal que se celebra perde mais um pouco da religiosidade que foi a sua génese. Hoje ninguém celebra o Natal como a Festa da Família, o nascimento do Filho de Deus. O Natal de hoje é apenas a celebração do consumo, tornado religião.
Sabe-se que a igreja católica instituiu a celebração do Natal, substituindo as celebrações pagãs do Solstício de Dezembro. Mas mesmo esta data era comemorada com grande sentimento e significado religioso.
O tempo actual, no qual o milenar Cristianismo é algo que não deve ser nomeado, tem novo paradigma quanto à Religião, considerando-a dispensável à vida do Ser Humano, permitindo que seja vista como algo do passado, totalitária e como tal desprezível.
Hoje, o se afirmar Cristão é motivo, sim, de desprezo, de menoridade face ao progresso que a civilização deste século XXI defende. Mas essa ideia de progresso imanente ao tempo presente, não é mais que uma ilusão ao destruir Princípios e Valores que foram os pilares da Civilização Cristã, que moldou a Europa e o Mundo no respeito pela dignidade da Pessoa Humana.
Por isso, celebrar a Nascimento de Cristo, nos Valores da Família, mais do que um acto de coragem, é dizer bem alto que ser-se Católico hoje em Portugal e na Europa é um acto de Cidadania plena e responsável.

Um Santo e Feliz Natal.
Mário Casa Nova Martins
Rádio Portalegre, 21 de dezembro de 2015
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