\ A VOZ PORTALEGRENSE

segunda-feira, junho 15, 2026

Apresentação de «Novas Crónicas Lagóias» de António Martinó

Excelentíssimo Senhor Presidente do IPP, Prof. Luís Loures

Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da CMP, Dr. Rui Perestrelo

Excelentíssimo Sr. Dr. João Miguel Tavares

Excelentíssimo Senhor Prof. António Martinó de Azevedo Coutinho

Em Novembro de 2007, na «Colecção Largo da Sé», saía dos prelos «Crónicas Lagóias – Um auto-retrato e Outros instantâneos».

O número seis daquela colecção, que é pertença do Instituto Politécnico de Portalegre, um volume de perto de quinhentas páginas, reunia textos publicados em diferentes lugares e abordava múltiplas temáticas, abarcando um espaço temporal entre 1959 e 2004.

Duas partes, cada uma delas com capítulos distintos de acordo com os temas abordados.

“Eu e o meu mundo (ou um auto-retrato)”, partia de ‘confidências’, e chegava a ‘os meus versos’, passando pelo ‘país’, ‘Alentejo’, ‘cidade’, ‘escolas’, ‘amigos’, ‘viagens’, BD, ‘músicas’, ‘livros’, ‘filmes’, ‘Régio’.

“Outros mundos (ou outros instantâneos)”, começava com ‘ambientes’, e seguia para ‘culturas’, ‘educações’, ‘religiões’, ‘desportos’, ‘comunicações’, ‘políticas’, terminando com ‘personalidades’.

Uma obra que é um conjunto de saberes acumulados ao longo de uma vida plena, vivida com intensidade. Nela está um testemunho do pensar, agir e sentir do Autor, um homem atento ao mundo.

Agora, no passado mês de Abril, novamente os prelos trabalharam e produziram «Novas Crónicas Lagóias», um segundo volume que segue a estrutura do primeiro.

Contudo, as crónicas que compõem o livro foram escritas entre 2012 e 2024, encontrando-se todas no blogue pessoal do Autor «Largo dos Correios».

O livro é ordenado em doze tipos de crónicas diferentes. Todas têm um fio condutor comum, aliás, o mesmo acontecera no primeiro volume.

Começa com Crónicas Culturais, seguindo-se Crónicas Impertinentes, Crónicas com Gente Dentro, Crónicas Regionais, Crónicas da Terra Distante, Crónicas de Memórias, Crónicas da Terra Próxima, Crónicas Desportivas, Crónicas da Amizade, Crónicas Inventadas, Crónicas do Tempo e do Chico, terminando com Crónicas aos Quadradinhos.

Portalegre, claro, Peniche, Amigos, Tertúlias, BD, da vida e da morte, e tantas histórias e estórias, afecto e sentimento, alegria, mas saudade e por vezes uma certa névoa de tristeza.

Presentemente nesta sala nobre faz-se a sua apresentação pública, que é simultaneamente uma homenagem ao Autor, António Miguel Martinó de Azevedo Coutinho.

Neste décimo terceiro livro da «Colecção Largo da Sé», com as suas cerca de quinhentas e cinquenta páginas, continua o Autor a percorrer um caminho de recordações de um passado, do presente e a construir pontes para o futuro. No fundo é uma obra na qual o tempo é importante, mas ainda mais importante é a ciclópica memória do Autor, a par de uma mundivisão dada pela idade, mas também pelas viagens, leituras e o apreço que sempre desenvolveu pela cultura.

Contudo, o Autor do livro de 2007, já não é o mesmo de 2026. Peniche não substituiu a Alma de Portalegre, mas tornou Portalegre um lugar distante, daí este segundo volume ter uma escrita mais calma, mais pousada, recheada de lembranças de gentes e de coisas, que só a distância consegue entender.

Em muitos capítulos sente-se uma saudade e uma dor pela ausência, pela partida de colegas e amigos. A distância reaviva a memória mas transporta um sentimento de perda, de ausência física que se transforma em saudade de um tempo, um tempo vivido na sua cidade natal, onde tudo parecia florir a cada esquina, a cada palmo de terra que pisava.

A escolha das crónicas será selectiva e ela recairá naquelas que o Autor considerará mais representativas da sua visão do tempo em que as escreveu. Facto é que lidas hoje, mantêm uma viçosidade, que torna a sua leitura pertinente.

Em ambas as obras os prefácios são de João Miguel Tavares, também um portalegrense na diáspora, acompanhados de um curto texto em forma de prefácio, no primeiro volume da autoria de Nuno Oliveira e no segundo por Luís Loures, os Presidentes do Instituto Politécnico de Portalegre em exercício, respectivamente em 2007 e no presente.

Mais do que palavras de circunstância, os Presidentes do IPP deixaram um testemunho vivo de amizade e consideração para com o Autor.

Nuno Oliveira realça a qualidade e a competência do Escritor, cujos trabalhos merecem ser conhecidos de todos os que amam Portalegre, e afirma que o Autor é amante da sua Cidade e desde sempre assumido defensor das causas de Portalegre, enquanto cidadão atento e informado, professor e homem de cultura.

Luís Loures salienta a capacidade de análise do Autor, o seu sentido crítico, acutilante e construtivo, a sua enorme energia. Considera-o um atleta de fundo, cheio de projectos de cidadania, sendo um exemplo inspirador de vida para todos em geral, e para a comunidade de Portalegre em particular.

João Miguel Tavares, no primeiro volume, considera que aquele livro não é apenas uma colectânea de textos dispersos por quarenta e cinco anos de escrita, é o testemunho comovente do amor por Portalegre e a prova de uma perseverança notável, em busca de um cosmopolitismo sofisticado para uma pequena cidade de um pequeno país. É um olhar exigente sobre a cidade, sobre as suas gentes e, a espaços, sobre o próprio país.

Agora, neste segundo volume de «Crónicas Lagóias», enuncia algumas características muito particulares do Autor, que compõem a singularidade da sua forma de ser e de estar. Em primeiro lugar, uma curiosidade insaciável, que o leva a investigar e a reflectir sobre uma quantidade de temas. Em segundo, uma memória prodigiosa, que conjugada com a sua vastíssima rede de relações lhe permite escrever, com conhecimento de causa, sobre imensa gente. Em terceiro, uma capacidade crítica inquebrantável, de que nunca abdica, porque a facilidade com que faz amizades não significa ausência de exigência ou de espírito crítico. E termina apresentando, quiçá, a mais importante de todas, a sua energia aparentemente inesgotável e o impulso de deixar minuciosamente registadas as suas experiências de vida e os seus encontros pessoais.

A escrita de Autor é um português perfeito, exemplar, o que faz com que a leitura seja atraente, a par de uma riqueza de conteúdos que cativam o leitor.

Mas nem só de crónicas é constituída a obra de António Martinó de Azevedo Coutinho.

Dois dos seus trabalhos mais recentes são «Amicitia – Grupo Cultural de Portalegre» e «Plutão, a BD & eu».

O primeiro historia uma entidade que muito deu à cultura em Portalegre, e o segundo é um registo autobiográfico cúmplice com a sua paixão pela nona arte.

Além das obras de cariz didáctico e pedagógico, «José Cândido Martinó, Uma Vida Desenhada pela Banda» e «João de Azevedo Coutinho, Marinheiro e Soldado de Portugal» são marcos na escrita de António Martinó.

Todavia, é importante analisar mais em pormenor «José Cândido Martinó – Uma Vida Desenhada pela Banda» e «Plutão, a BD & eu». Há realces que devem ser feitos.

O primeiro é mais do que a biografia de José Cândido Martinó, é simultaneamente o retrato da sociedade e da vida portalegrense durante aquele período. E é também a história da família Martinó de Azevedo Coutinho, dado que o Autor abundante e ternamente fala de sua mãe, do pai do irmão, das tramas familiares e das relações com os outros ramos da família, em suma, uma diversidade de assuntos que enriquecem a obra.

A sociedade portalegrense da primeira metade do século passado tem a retratá-la o romance de José Régio «Davam Grandes Passeios aos Domingos». Dela, o que fica é uma amargura sem fim, ao lado de uma hipocrisia moral e física. O livro de António Martinó descreve-a na sua crua realidade, quer nos aspectos sociais e económicos, quer políticos, deixando uma imagem forte de uma gente fraca.

«Plutão, a BD & eu», junto com «José Cândido Martinó – Uma Vida Desenhada Pela Banda» formam um díptico sobre um tempo e uma época da história da cidade de Portalegre, que começa na segunda metade de oitocentos, abarca todo o século XX e vai até ao presente.

Só a súmula do anterior parágrafo justifica a leitura destas obras de António Miguel Martinó de Azevedo Coutinho, biografias de grande envergadura, mais-valias para se conhecer a vida política, social e até económica de Portalegre. E principalmente a sua vida cultural, que, como a leitura prova, teve momentos de altíssima qualidade nas diferentes áreas do saber e do conhecimento.

As inúmeras personalidades que marcaram aquelas diferentes épocas que as duas obras compreendem, deixaram, de uma maneira ou de outra, testemunho das suas vidas na comunidade portalegrense. E estão de uma forma viva retratadas, revisitadas.

Como era entusiasmante a vida cultural em Portalegre. A qualidade dos protagonistas era indiscutível, e tudo é referido e tratado de um modo vivo, dedicado, justo.

No caso de «Plutão, a BD & eu», a escrita é na primeira pessoa, justificadamente, dado o papel que António Martinó desempenhou em Portalegre ao longo da sua permanência na cidade.

Juntando a biografia do Avô com a própria autobiografia, é século e meio da História de Portalegre que é descrita de uma forma viva e cativante. E numa terra que não tem uma Monografia, estas duas obras são contributos fundamentais para se conhecer a segunda metade do século XIX, XX e o primeiro quartel de XXI.

Seria tempo que quem de direito pensasse em termos académicos, de promover a escrita de uma Monografia de Portalegre. Aqui fica o lamento e ao mesmo tempo a esperança de que tal venha a acontecer. Portalegre merece mais!

É por isso que a apresentação deste livro do Professor António Martinó nos leva para outros caminhos.

Como é público, desde a juventude desenvolve uma actividade cívica de relevo.

De uma grande curiosidade pelos avanços do audiovisual e multimédia, é em paralelo um apaixonado pela Banda Desenhada, arte que pratica. Continua a trabalhar em prol da comunidade, promovendo iniciativas de grande mérito e de projecção além-fronteiras.

Em Portalegre tem obra vasta e de grande qualidade nas diferentes áreas que cultiva. Polemista temido, tem na escrita uma forma de opinar, Nunca foi neutro, sempre assumiu as suas convicções, muitas vezes de forma frontal e assertiva. É um Nome de Portalegre.

“Ditosa pátria que tal filho teve!”, é uma das passagens mais célebres d'Os Lusíadas, na qual o poeta Luís Vaz de Camões homenageia o Condestável D. Nuno Álvares Pereira pela sua bravura militar e dedicação a Portugal.

Que dizer da dedicação e bravura com que António Martinó sente e vive a sua terra natal, Portalegre. Ditosa Portalegre, cidade que o viu nascer.

E aquele ‘homem do leme’ que faz frente ao Adamastor, no poema «O Mostrengo» de Fernando Pessoa,

Quantas vezes o Mostrengo, a mediocridade que faz com que Portalegre não avance na senda do progresso, roda imundo pelas gentes, e António Martinó é esse ‘homem do leme’ que enfrenta a estagnação, a falta de ambição, abrindo caminhos.

Portalegre é muito mais que uma «cidade cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros». Também tem eucaliptos que tudo secam em redor. Mas gentes d’algo têm-na enobrecido ao longo da sua milenar História. Plêiade que o tempo recorda e glorifica.

Camões lembra as memórias gloriosas dos que se destacaram no seu tempo, “E aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando”. E o legado de António Miguel Martinó de Azevedo Coutinho a Portalegre, ao longo de uma vida de mais de nove décadas, faz jus ao verso camoniano, transpondo-o para a realidade portalegrense.

Por fim uma palavra de forte Amizade para com o Professor António Martinó. E outra de agradecimento.

Amizade, solidariedade que sempre teve para comigo, consideração que me tem dado, num tempo em que Consideração, Solidariedade e Amizade são Valores cada vez mais raros.

Uma dívida de gratidão pela colaboração na «Plátano – Revista de Arte e Cultura de Portalegre», que o Professor António Martinó apoiou desde a primeira hora. Os contributos que deu à «Plátano» são reconhecidos como grandes mais-valias. Eternamente reconhecido.

Portalegre será sempre devedora a António Martinó. Os vindouros lembrar-se-ão de António Martinó porque de entre eles haverá quem estudará e divulgará a sua obra.

Meu Caro Professor António Martinó, os tempos não estão fáceis para quem tanto tem lutado em prol da cultura. Mas sei que nunca irá desistir de dignificar Portalegre, os seus usos e costumes, a sua tradição, a sua História.

Que Portalegre lhe seja agradecida!

Uma honra aqui estar neste momento.

Obrigado!

 

Mário Casa Nova Martins

Instituto Politécnico de Portalegre

Auditório dos Serviços Centrais

Largo da Sé, Portalegre

 





domingo, junho 14, 2026

Cobardia do patriarca de Lisboa

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Cobardia!

Mário Casa Nova Martins 

Fumos de Satanás

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Justificação que não colhe! Cobardia de uma igreja que cada dia que passa perde credibilidade. 

Gente fraca.

Mário Casa Nova Martins 

Cobardia patriarcal

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A cobardia do bispo de Lisboa que também é patriarca!
Assim vai a igreja católica em Portugal, e particularmente em Lisboa. 
Dias piores virão para os Católicos portugueses. 
Mário Casa Nova Martins 

sábado, junho 13, 2026

Estado Novo

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sexta-feira, junho 12, 2026

AA - Novas Crónicas Lagóias - António Martinó

«Novas Crónicas Lagóias» de António Martinó de Azevedo Coutinho

Os serviços Centrais do Instituto Politécnico de Portalegre acolheram a apresentação do último livro de António Martinó de Azevedo Coutinho, «Novas Crónicas Lagóias», no passado dia 24 de Maio, um volume com mais de duas centenas e meia de crónicas, uma obra que vem no seguimento de uma outra intitulada «Crónicas Lagóias – Um auto-retrato e Outros Instantâneos», ambas integradas na «Colecção Largo da Sé», da responsabilidade do IPP.

Sala nobre, uma plateia interessada, e a sessão começou com a intervenção de Albano Silva, ex-presidente do IPP, que saudou os presentes, historiou o processo que conduziu à concretização deste projecto, agradeceu o contributo da Sociedade Musical Euterpe e em palavras simples fez um elogio ao Autor.

Seguiu-se um momento musical a cargo de duas flautistas da Sociedade Musical Euterpe, Joana Mota e Lurdes Feiteirona, que interpretaram duas peças.

Tomou a palavra o Presidente do IPP, Luís Loures, que falou da importância da ligação de António Martinó àquela Instituição, desde a sua fundação até que se aposentou, não deixando de referir o legado deixado pelo Autor e antigo professor, e que permanece vivo, como património da sua história.

O vice-presidente da CMP, Rui Perestrelo, em palavras breves enalteceu a vida e a obra de António Martinó, falou da forte ligação que o Autor teve e mantém com Portalegre, e agradeceu o contributo à cultura que ao longo de décadas tem sido prestado por um dos filhos dilectos da cidade.

O prefácio da obra foi escrito por João Miguel Tavares, um portalegrense que prefaciara a anterior, e que fez questão, como disse, de estar presente naquele momento de grande importância para a Cultura em Portalegre e como forma de homenagear o Autor.

Começou por remeter os presentes para a leitura do prefácio, e falou da arte de saber envelhecer e da alegria de viver de António Martinó, do facto de estar vivo e de bem com a vida, pese embora as vicissitudes por que tem passado, referiu que o Autor continua a viver espantado por estar vivo e curioso pelo que o cerca. Nunca o imaginava fora de Portalegre, mas presentemente tem como que uma segunda vida em Peniche, terra que tão bem o acolheu. Terminou congratulando-se pelo facto de António Martinó chegar a esta idade, 91 anos feitos no primeiro dia de 2026, desta forma, física e intelectual.

Coube a Mário Casa Nova Martins, fazer a apresentação formal da obra. Começou por fazer breve referência às anteriores ‘crónicas’ e resumiu o conteúdo das ‘novas crónicas’. Recordou os dois prefácios de João Miguel Tavares, e resumiu os textos contidos nas duas obras, um de Nuno Oliveira, que ao tempo era o presidente do IPP, e o do actual, Luís Loures.

Em seguida falou das outras obras escritas por António Martinó, como Amicitia – Grupo Cultural de Portalegre», a obra biográfica do Avô «José Cândido Martinó, Uma Vida Desenhada pela Banda» e da autobiografia do Autor «Plutão, a BD & eu», estas últimas um díptico sobre Portalegre de grande importância documental e histórica. E termina afirmando que Portalegre tem uma dívida de gratidão para com António Martinó, que com dedicação e bravura sente e vive a sua terra natal.

O Autor começou a sua intervenção com os agradecimentos a Albano Silva, pela amizade e pelo empenho pela edição da obra, a Luís Loures pela forma como o recebeu e pelas palavras que proferiu, a Rui Perestrelo pela presença, a João Miguel Tavares pelo prefácio, por uma amizade de longos anos e pelas palavras que proferira, ao apresentador também pela amizade e estima pessoais, e fez questão de agradecer a sempre disponibilidade de Margarida Silva na coordenação dos dois livros de ‘crónicas’.

Lembrou os jogos de basquetebol, onde também participavam Albano Silva e Artur Ribeiro, que também estava presente, as suas corridas pedestres em Portugal e no estrangeiro, historiou a sua ida de Portalegre para Peniche e referiu a importância do seu blogue «Largo dos Correios».

Recorda a sua ida a Lisboa à apresentação do último livro de João Miguel Tavares, dizendo ser seu leitor assíduo, concordando ou discordando dos seus textos no jornal ‘Público’, e convidando JMP para prefaciar as, como disse, «Novíssimas Crónicas Lagóias», que espera um dia editar.

Comunicou um trabalho que tem nos prelos ligado a Peniche, história da Sociedade Recreativa Penichense, e referiu que aquela Sociedade tinha dois momentos altos, o Baile de Carnaval e o Baile de Fim de Ano, onde a portalegrense Orquestra Ferrugem chegou a actuar.

Evocou o Largo da Sé do seu tempo de meninice, afirmou o orgulho de ter passado pelo IPP, de ter sido vereador da CMP na década de sessenta do século passado e assessor cultural nos mandatos de João Transmontano, falou da importância de António Ventura e Aurélio Bentes Bravo na sua vida cultural, das revistas «A Cidade» e «Miradouro» da qual foi director e do jornal «Fonte Nova».

Lembrou que com 12 anos participou na sede dos Bombeiros Voluntários numa exposição de ‘novos artistas’ e lembrou as lições de desenho que teve na sala onde se realizava a apresentação, dadas pelo prof. Renato Torres. Recordou a pintura de cenários para peças teatrais no Crisfal e voltando ao IPP recordou Mário Ceia e principalmente António Maria de Sousa, Rui Canário e Isabel Cottinelli Telmo. Falou com grande carinho de Francisco Fortunato Queiroz, amigo e colega, e afirmou ter sido Fortunato Queiroz quem o projectou na escrita.

Entregou uma pen com material para o projecto «Identidade e Memória (Monografia Aberta e Cronologia Dinâmica») pelo qual Bentes Bravo sé responsável, e que conta com o apoio do IPP através do Centro de Investigação CARE. Referiu que a cultura é uma arma de progresso.

Viveu os 400 anos da elevação de Portalegre a cidade, celebrações que foram um motor de progresso, mais do que um depósito de memórias, um projecto de futuro para a cidade e região. E agora lembra que em 2050 se irão celebrar os 500 anos, uma data que merece ser celebrada com a maior solenidade.

Terminou referindo que a projecção a nível nacional e internacional que o IPP tem hoje se deve à pessoa do seu presidente.

«Novas Crónicas Lagóias» fica como um marco na cronística portalegrense.

Nova apresentação da obra terá lugar em Peniche.


quinta-feira, junho 11, 2026

AA - O perigo reacendeu-se

O perigo reacendeu-se

No passado 12 de Maio foi notícia acompanhada de fotografias na comunicação social e nas redes sociais um incêndio numa churrasqueira na Rua D. Nuno Álvares Pereira, no Rossio em Portalegre.

O incêndio foi provocado por falta de higiene, concretamente gordura acumulada na chaminé, que se incendiou.

As autoridades policiais tomaram conta da ocorrência, e os Bombeiros Voluntários de Portalegre fizeram o respectivo relatório.

A chaminé dá para uma propriedade privada. O incêndio ocorreu por volta das 10 horas da manhã, e a essa hora a porta de entrada da propriedade privada estava aberta. Se estivesse fechada os Bombeiros não teriam podido entrar e o incêndio teria tomado proporções calamitosas.

Como foi permitida a chaminé naquele espaço privado e fechado?

A chaminé não tem filtros, e os telhados dos edifícios limítrofes encontram-se cheios de gordura.

Como se permite que uma chaminé com aquele tipo de utilização não tenha filtros que evitem a disseminação da gordura pelos telhados?

As autoridades e os Bombeiros entraram no primeiro andar do edifício para verem a situação em que se encontrava e depararam-se com as divisões todas cheias de fumo.

O edifício tem as madres, os tectos e o chão em madeira. O fumo vindo do rés-do-chão passou pelas frestas do soalho.

Como é possível que tenha sido permitido fazer lume de carvão no estabelecimento, sendo toda a estrutura do edifício em madeira?

No estabelecimento veem-se fios de electricidade pelas paredes.

Como se permite que a instalação eléctrica não tenha a protecção adequada?

O lume é de carvão. Os sacos de carvão estão devidamente protegidos de forma que o excesso de calor dentro do estabelecimento não os torne perigosos, inflamáveis?

Quinta-feira 28 de Maio o estabelecimento reabriu sem que nada quanto a segurança tenha sido feito. A chaminé é a mesma, as condições são as mesmas.

Que tem a dizer de tudo isto a Delegação de Saúde de Portalegre, o Delegado de Saúde, o Serviço Municipal de Protecção Civil, o Vereador responsável pelo Ambiente?

A ASAE não se pronunciará sobre os factos acima relatados?

Quem habita os prédios vizinhos receia a todo o momento um reacendimento.

Por desleixo e incúria dos responsáveis, continua na memória a derrocada na Rua 5 de Outubro na madrugado de 16 de Abril de 2003, com três vítimas mortais.

Será que nova fatalidade está para acontecer?

Mário Casa Nova Martins

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quarta-feira, junho 10, 2026

Feira do Livro - Lisboa 2026

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terça-feira, junho 09, 2026

Verdade!

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segunda-feira, junho 08, 2026

Estado Novo

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domingo, junho 07, 2026

À beira de uma guerra civil

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À beira de uma guerra civil.

Mário Casa Nova Martins 

sábado, junho 06, 2026

Vergonha

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Uma vergonha!

Mário Casa Nova Martins 

sexta-feira, junho 05, 2026

Franco Nogueira

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HOJE

quinta-feira, junho 04, 2026

Homenagem a um Mártir

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Mário Casa Nova Martins 

quarta-feira, junho 03, 2026

Ódio do "bem"

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Há ódio "bom" e ódio "mau". Com este as autoridades são muito 'vigilantes', enquanto com o outro' radical de esquerda, até apoiam. 

Mário Casa Nova Martins 

terça-feira, junho 02, 2026

Outrora Cidade dos Arcebispos

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A XIV Marcha pelos Direitos LGBTQIAPN+ de Braga realizou-se a 30 de Maio de 2026, sob o mote "Autodeterminação é Resistência".

Na outrora Cidade dos Arcebispos, um desfile de aberrações.

Mário Casa Nova Martins 

segunda-feira, junho 01, 2026

Alemanha, ontem e hoje


domingo, maio 31, 2026

Europa em Hollywood

quinta-feira, maio 28, 2026

28 de Maio

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28 de Maio de 1926 - 28 de Maio de 2026

Mário Casa Nova Martins 

quarta-feira, maio 27, 2026

Queima das Fitas 2026

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Este ano no Cortejo da Queima das Fitas de Coimbra. 

Não nos revemos nesta aberração. 

Coimbra que FOI Coimbra não pactuará com esta gente. 

Não foi para isto que lutámos pelo regresso da Praxe e consequentemente da Queima das Fitas.

A Academia não merece. "Isto" não é Liberdade  de Expressão, é libertinagem!

Mário Casa Nova Martins 


terça-feira, maio 26, 2026

RP - Desabafos - Bomba-relógio

Bomba-relógio

No passado 12 de Maio, junto ao Rossio, na Rua D. Nuno Álvares Pereira um estabelecimento viu a chaminé incendiar-se, segundo os peritos devido ao excesso de gordura acumulada, fruto de se assar produtos em lume de carvão.

A falta de higiene ia provocando um incêndio de proporções grandes por duas razões.

É que o edifício onde se encontra o estabelecimento quer o chão do andar superior, o sobrado, quer o tecto do estabelecimento e restantes tectos da casa são em madeira, com madres e sarrafos todos em madeira.

Não se compreende que tenha sido autorizada aquela actividade, acender lume de carvão, num edifício com tudo em madeira.

Os prédios contíguos também têm as mesmas características em madeira. E se o fogo se alastrasse, seriam rapidamente consumidos.

Quando os Bombeiros foram ao telhado constataram que estava cheio de gordura, vinda da dita chaminé, o que mostra que a mesma não tinha filtros, fazendo, inclusive, com que os telhados vizinhos se encontrem também cheios de gordura.

Também quando os Bombeiros entraram no primeiro andar do prédio, as divisões encontravam-se cheias de fumo, que passou do rés-do-chão para o primeiro andar pelas frestas do soalho em madeira.

Como é possível que tenha sido autorizada esta actividade, a qual exige que se faça lume de carvão com todas partes do edifício em madeira?

Como é possível que a ASAE não tenha inspeccionado o estabelecimento, e se o fez porque não detectou a gordura, a responsável pelo incêndio?

Como ‘a culpa morre solteira’, ao menos que esta “bom-relógio” não venha novamente a “rebentar” e os danos sejam muito maiores.

Como é possível que em 2026 existam casos como este em pleno Rossio de Portalegre.

Será que autoridades competentes irão tomar medidas? Será que o perigo de incêndio, e de explosão dado que na zona há gás canalizado, continuará a pairar? P’ra que serve a ASAE?

Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, maio 25, 2026

AA - Avelino Bento - Novelas (improváveis)

Apresentação de «Três Novela Im(prováveis) de Avelino Bento

Teve lugar no passado sábado dia 16 a apresentação do livro de Avelino Bento, «Três Novelas Im(prováveis)», no Auditório da ESECS em Portalegre.

Perante uma plateia interessada, a sessão começou com a leitura encenada do «BEM e do MAL», texto de Avelino Bento que teve a seu lado o actor Adriano Bailadeira, seguindo-se um curto filme, que traçou o percurso académico e artístico do Autor.

Falou em primeiro lugar a Vereadora da Câmara Municipal de Portalegre, Lurdes Porto, que em breves palavras saudou o Autor a quem fez elogiosas referências, principalmente como docente, hoje jubilado, daquela Casa.

Em seguida tomou a palavra o Anfitrião, Director da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, João Emílio Alves, que dissertou sobre a obra em questão sob o prisma de uma análise sociológica, dissecando cada uma das três novelas que a compõe. Tratou os desencontros geopolíticos presentes na primeira novela, considerou que os temas centrais circulavam entre o amor e as suas diferentes formas e a ficção, e fez o diagnóstico dos problemas sociais que se encontram na obra entre o conservadorismo rural e a modernidade urbana.

Adriano Bailadeira, antigo Aluno do Autor, enalteceu o professor, o actor e o escritor, agradecendo o contributo que Avelino Bento tem prestado à Cultura em Portalegre.

A apresentação propriamente dita esteve a cargo de Mário Casa Nova Martins, que também prefaciou a obra. Recorrendo à temática que aborda no prefácio, deixou no final a afirmação da importância de se conhecer o Autor e a sua já vasta obra.

Avelino Bento encerra a sessão, falando de si, da família, dos amigos, das terras por onde tem passado e vivido, e da sua paixão pela vida, das suas experiências e emoções, não deixando de fazer uma declaração de Amor à Mulher. Momentos de cumplicidade e também de um grau de intimidade que só um poeta, que Avelino Bento também é, sabe exprimir.

Recorrendo à escrita de Avelino Bento, “o livro reúne três novelas (im)prováveis que abordam flagelos tão presentes na actualidade quanto antigos na experiência humana: a saudade, a violência doméstica e o abuso sexual de menores. Apesar da dureza dos temas, todas as histórias são atravessadas por um sentimento comum, o amor, manifestado de formas distintas e por vezes contraditórias.”

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domingo, maio 24, 2026

António Martinó - Novas Crónicas Lagóias

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sábado, maio 23, 2026

Novas Crónicas Lagóias - António Martinó

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sexta-feira, maio 22, 2026

AA - Bomba-relógio

Bomba-relógio

No passado dia 12 de Maio, algo aconteceu em Portalegre que por mero milagre, ou não se estivesse nas vésperas do 13 de Maio, se poderia assemelhar ao incêndio no Chiado lisboeta em 25 de Agosto de 1988.

Junto ao Rossio, na Rua D. Nuno Álvares Pereira um estabelecimento viu a chaminé incendiar-se, segundo os peritos devido ao excesso de gordura acumulada, fruto de nele se assar frangos e outros produtos tudo em lume de carvão.

A falta de higiene ia provocando um incêndio de proporções grandes por duas razões.

O edifício onde se encontra o estabelecimento quer o chão do andar superior, quer o tecto do estabelecimento e restantes tectos da casa são em madeira, com madres e sobrados em madeira.

Não se compreende que tenha sido autorizada aquela actividade, acender lume de carvão, num edifício sem placas de cimento, tudo em madeira.

Por outro lado, os prédios contíguos também têm as mesmas características em madeira. E se o fogo se alastrasse, seriam rapidamente consumidos.

Quando os Bombeiros foram ao telhado constataram que estava cheio de gordura, vinda da dita chaminé, o que mostra que a mesma não tinha filtros, fazendo, inclusive, com que os telhados vizinhos se encontrem também cheios de gordura.

E tudo isto na zona do Rossio, a zona nobre da cidade de Portalegre.

Pergunta-se:

_ Como é possível que tenha sido autorizada esta actividade, a qual exige que se faça lume de carvão com tectos e outras partes do edifício em madeira?

_ Como é possível que a entidade ASAE não tenha inspeccionado o estabelecimento e se o fez porque não detectou a gordura que agora foi responsável pelo incêndio?

_ Havia no seu interior botijas de gás?

Mais questões poderiam ser neste momento colocadas. Mas como ‘a culpa morre solteira’, ao menos espera-se que esta “bom-relógio” não venha novamente a “rebentar” e os danos sejam muito maiores.

Como é possível que em 2026 existam casos como este em pleno coração de Portalegre.

Será que autoridades competentes irão tomar medidas? Será que o perigo de incêndio, e de explosão dado que na zona o gás é canalizado, continuará a pairar? P’ra que serve a ASAE?

Mário Casa Nova Martins

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quinta-feira, maio 21, 2026

Novelas Im(prováveis) - Avelino Bento

Ex. Sr. Prof. Dr. João Emílio Alves

Ex.ª Sr.ª Vereadora Eng. Lurdes Porto

Ex. Sr. Dr. Adriano Bailadeira

Meu Caro Prof. Dr. Avelino Bento,

Vivemos o momento da apresentação da última obra de Avelino Bento, professor jubilado desta Casa.

A anterior «Trilogias poéticas» segue «Quarent’ (Ena mais Poemas!)», e agora nesta obra Avelino Bento volta ao conto. Recorde-se a belíssima série de contos «Os últimos putos neo-realistas», memórias de uma infância feliz à beira-rio, assim como «A geração que quis ser feliz», retrato-novela também de memórias mas agora da guerra de África, onde esteve presente.

Mas foi com «No rio… onde começa o mar», que a sua poesia é pela primeira vez tornada acessível ao grande público, criando aí leitores para as obras que se seguiram, seja poesia, novela ou conto.

Fora destas temáticas, Avelino Bento publicou em 2003 «Teatro e animação: outros percursos do desenvolvimento sócio-cultural no Alto Alentejo», obra de uma dimensão transversal e multidisciplinar, primeiro passo no estudo contextualizado do teatro e animação sócio-cultural com reflexos nas dinâmicas culturais locais instituídas ou a instituir.

Seguiu-se «O meu blog deu-me o mundo – Antologia de textos sobre Cultura, Educação, Arte e Animação. Tributos», Instituto Politécnico de Portalegre, 2010.

O livro agora apresentado intitula-se «Três Novelas (Im)prováveis» e é constituído por novelas de amor, «A Balada para Yulipa Azarova», «Paredes comuns / Paredes meias» e «Abusados  / Abusadores».

Estas histórias ou estórias que o Autor apresenta em «três novelas (im) prováveis», onde o amor é peça central, têm uma escrita próxima dos romances camilianos. Curtos, escorreitos, num português vivo, trazendo temáticas da vida real, e onde aquela frase-feita “viveram felizes para sempre” é uma quimera.

Todavia, será o amor tema reservado aos romancistas e aos poetas? Romeu e Julieta, Werther e Charlotte, foram imortalizados por Shakespeare e Goethe. Para Werther a vida só teria sentido junto à sua amada Charlotte, Julieta e Romeu vivem um amor que só a morte separará.

Não se pode duvidar da realidade do amor e da sua importância. Ele é imanente a todo o ser humano.

Quem não conhece os amores de Pedro e Inês, D. Pedro I e D. Inês de Castro, que inspiraram Henry de Montherlant na sua obra «La Reine Morte»? Inês, ‘aquela que depois de morta foi rainha’.

E «A Ceia dos Cardeais», tão esquecida quanto bela, onde pela pena de Júlio Dantas, o espanhol cardeal Rufo, o francês cardeal de Montmorency e o português cardeal Gonzaga falam do seu grande amor. Longe da mocidade de outrora, lembram o grande amor das suas já longas vidas.

Lembrando Camilo Castelo Branco, Avelino Bento faz sair dos prelos mais uma obra, não de poesia, não de conto, mas constituída por três novelas de amor, «A Balada para Yulipa Azarova», «Paredes comuns / Paredes meias» e «Abusados / Abusadores».

Amores infelizes, trágicos, impossíveis, contrariados, enchem páginas de vasta obra de Camilo. Os seus amores não foram fáceis, tal como a própria vida. Essa conjunção reflectiu-se na obra literária. Mas tal facto fez com que a sua escrita percorresse o tempo sem perder vida e actualidade, muito pelo contrário. Camilo é contemporâneo, eterno.

É desses amores camilianos que Avelino Bento trata, de uma forma que comove mas que também deixa interrogações sobre a natureza humana das personagens, pessoas comuns mas com histórias de vida que deixaram marcas.

Na primeira novela é o desencontro que caminha ao longo do enredo, muito bem construído e com um final agridoce, onde o sentimento do amor, e também do amor filial, permanece e é perene.

A segunda trata de um amor juvenil que a distância e a circunstância separam. O reencontro é agradável, mas a crua realidade impõe-se, ficando uma saudade que o afastamento não irá apagar.

A terceira novela é a mais curta, mas a mais intensa. Trata de um amor que começa por ser apenas prazer, mas que com os anos se torna em puro terror. O fim é forte, ficando uma sensação de angústia e de alívio, simultaneamente.

As três formas de amor que as novelas de Avelino Bento apresentam não são de felicidade pura, muito menos a última onde ela nunca esteve presente. O Autor tem uma sensibilidade muito própria, que se reflecte principalmente na sua obra poética.

Também é um excelente contador de histórias. Nesta novelística, que é a obra presente, retracta a realidade da vida e do amor, que não é um “conto de fadas”, mas é aquele amor nunca esquecido, que deixa marcas profundas no ser.

Talvez por isso não é fácil amar, mas quando se ama, esse sentimento perdura eternamente. O amor incondicional, o amor romântico, o amor platónico, o amor físico, o amor místico, todas diferentes formas de amar, transportam o ser para formas sublimes de consciência e de prazer.

Stendhal fala no amor-paixão, no amor-gosto, no amor-físico e no amor-vaidade. Do primeiro refere o de soror Mariana Alcoforado e o de Heloísa e Abelardo. O segundo encontra-se em memórias e romances daquele Paris da segunda metade de mil e setecentos, lembrando Charles Duclos ou Louise d’Épinay. O terceiro é seco e infeliz. Quanto ao último, algumas vezes existe amor-físico, mas nem sempre, porque muitas vezes nem sequer há prazer físico.

O amor vive-se, sente-se. Aqueles que por uma vez tiveram o privilégio de amar, de ter um grande amor, como o de Romeu e Julieta, de Pedro e Inês, ao lerem esta obra de Avelino Bento, sentirão, por certo, esse ‘fogo’ que um dia os fez sentir aquela felicidade eterna, guardada para sempre na memória.

Avelino Bento é um Homem de Cultura, um Académico ligado às Artes, com uma vivência do Mundo extraordinária. Ao enveredar agora pela novela, mostra a sua polivalência na escrita.

Com esta obra quis também deixar um testemunho das suas viagens e dos lugares que conheceu e que amou. Évora e Canadá estão reiteradamente presentes no seu imaginário, seja poético, ou de prosa. Crente, com forte formação ideológica, deixa sempre viva essa marca na sua cada vez mais vasta obra. E jamais esquece o Teatro e a Dança, tal como as suas raízes da beira-rio, aquele Trancão que o encanta e comove.

O Autor lembra que neste livro aborda flagelos presentes no presente, como a violência doméstica ou a pedofilia.

Como escreve, «entre paisagens bucólicas, ambientes domésticos e memórias persistentes, estas três narrativas interrogam os limites da humanidade e convinda o Leitor a reflectir sobre as marcas que o amor deixa nas vidas e nas gerações.»

«Três Novelas (Im)prováveis» prova a importância de se conhecer o Autor. Ler Avelino Bento enriquece.

Auditório da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais

Portalegre, 16 de Maio de 2026

Mário Casa Nova Martins

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Mário Casa Nova Martins 

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