\ A VOZ PORTALEGRENSE

sexta-feira, maio 17, 2024

AA - O talentoso Mr. Bugalho

O talentoso Mr. Bugalho

Houve um tempo em que os escolhidos para a Política, para a Causa Pública, era gente d’algo. Hoje não é bem assim. Ou não é mesmo assim.

‘Minutos de fama’ num qualquer canal televisivo ou numa estação de rádio, escrever em jornais ditos de referência frases bem conseguidas dentro do reinante politicamente correcto, atacando ‘saudosistas’, ‘radicais’, ‘anarcocapitalistas’, ‘populistas’, e já se tem a ‘figura pública’, «talentosa, aqui e ali polémica e até “disruptiva”», que é a escolha certa, perfeita para o cargo político.

Por certo quando Patricia Highsmith encontrou “o talentoso Mr. Ripley”, não previra que num futuro um outro talentoso iria emergir, não da pena, da pluma de um ilustre escritor, mas sim da imaginação de um ‘rural’ líder político de ‘um País à beira-mar plantado’!

Para que não haja dúvidas quanto ao talento do talentoso Mr. Bugalho, como vem reproduzido num trabalho jornalístico assinado por Eunice Lourenço [Expresso, 25 de abril de 2024, Primeiro Caderno, página 9], num momento de grande modéstia, a Mãe de Sebastião ‘sempre lhe viu qualidades fora do comum e o estimulou’.

No mesmo trabalho, a jornalista refere quão modesto é Mr. Bugalho, ao reproduzir duas frases que o talentoso gosta de dizer, e que são, “Marcelo quis ouvir-me porque sou muito bom”, e “sou o melhor naquilo que faço”.

Diz-se politicamente conservador. Recentemente escreveu sobre dois livros saídos e que a Esquerda ‘assassinou’ com a sua proverbial ‘democracia’. Provavelmente o próprio não os terá lido, mas afirmou que são «dois livros multifacetados mas algo reaccionários (“Identidade e Família”, mais plural, “Abril às Direitas”, mais antissistema), mostrando quanto reverente é perante o que a Esquerda pensa e dita, provando pertencer à tal ‘direita’ que a Esquerda tolera. [E Revista do Expresso, Edição 2687, página 16]

Tempo antes teve oportunidade de ir como deputado para São Bento pelo CDS. Recusou, porque na época se identificava com o grupo de Paulo Portas, Adolfo Mesquita Nunes, Assunção Cristas, que tinham perdido o Congresso para Francisco Rodrigues dos Santos.

Que interessa que se recorde ‘a notícia por suspeitas de violência doméstica’. Qual o problema da intolerância agressiva no debate com terceiros. Que importa que se considere ‘senhor e dono da verdade’.

Porém, na conjuntura presente, as eleições europeias do próximo 9 de Junho são um momento demasiado importante para a Europa e Portugal.

Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, maio 15, 2024

Desabafos 2023/24 - XVI

Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades. Que o diga o ‘sequioso’ PSD que está a fazer o mesmo que antes o PS fizera, que é ‘a troca das cadeiras’, um movimento que acontece sempre quando o governo muda, a autarquia muda. PS e PSD trocam lugares de nomeação política sempre que o que está na governação perde e o que está na oposição ganha. Portanto, nada de novo nesta Terceira República.

Desejosos estavam os sociais-democratas de voltar a ocupar aqueles lugares, que num passado já foram seus, mas que depois passaram para o PS e agora regressam ao PSD.

É um fartar vilanagem!

Esses lugares de nomeação política, altamente remunerados, com grandes mordomias, de grande apetência, não são ocupados pelos ‘melhores’, por mérito.

E como se tem visto ao longo do tempo, o desempenho da larguíssima maioria dos detentores desses lugares de nomeação política é um desastre mais que anunciado!

Mas as vontades permanecem qualquer que seja o tempo. «Boys and Girls», «rapazes e raparigas» de cartão de militante em punho, fazem fila para que seja ele ou ela a escolha do partido para o lugar de nomeação.

Meritocracia, competência, responsabilidade, são palavras inexistentes quando da nomeação. Militância partidária, subserviência ao partido, fidelidade ao líder, são as ‘qualidades’ mínimas exigidas para ocupar o cargo de nomeação política. Tudo o resto é aceitável.

Sendo assim os factos, a nua e crua realidade, como ainda há quem se espante quando se fala em corrupção na administração pública, nos institutos e instituições tutelados pelo estado, nas autarquias, no governo, enfim, em tudo em que o estado ‘toca’ com a sua ‘mão invisível’ de favores, benesses, mordomias e quejandos.

Como é dito nas Bem-Aventuranças, “Abençoados os puros de coração, porque verão a Deus!”

Mário Casa Nova Martins

13 de Maio de 2024

Rádio Portalegre

 

quinta-feira, maio 09, 2024

II Encontro de Clássicos




sexta-feira, maio 03, 2024

AA - Ramón ou a beleza de matar trotskistas

Ramón ou a beleza de matar trotskistas

Não é uma peça de teatro, também não é um romance, é, sim, a história, a história real de Ramón Mercader, o catalão que matou o inimigo do povo. Ramón não teve dúvidas em assassinar o inimigo do povo e também inimigo do Pai dos Povos.

Lev Davidovich Bronstein, que a História veio a conhecer como Trotsky, teve uma carreira fulgurante no País dos Sovietes. Revolucionário bolchevique, autor de purgas, fundador do Gulag, organizador do exército vermelho, ex-comissário do povo, e traidor, foi para o exílio, fixando-se no México, onde em 20 de Agosto de 1940 foi assassinado por Ramón.

Antes, a 24 de Maio, Ramón tentara pela primeira vez assassinar Trotksy, mas é à segunda que consegue o feito. No escritório da casa de Trotsky, em Coyoacán perto da Cidade do México, Ramón feriu-o mortalmente na cabeça com uma pequena picareta de alpinismo.

Ramón Mercader, estalinista espanhol convicto que combateu na Guerra Civil de Espanha, foi preso e condenado a vinte anos de prisão. Cumprida a pena em Maio de 1960, vai viver para Cuba.

Por tal façanha, no tempo de Nikita Khrushchov, em 1961 Ramón Mercader foi proclamado Herói e condecorado na República dos Sovietes.

Ramón Mercader nasceu em Barcelona a 7 de Fevereiro de 1913 e veio a falecer em Havana em 18 de Outubro de 1978. Os seus restos mortais foram trasladados de Cuba para o cemitério de Kuntsevo em Moscovo, na época de Leonid Brejnev, o que prova a eterna gratidão dos Sovietes a Ramón pelo acto praticado.

O cinema não esqueceu este episódio, e em 1972 surge «O Assassinato de Trotsky», um filme italo-franco-britânico, dirigido por Joseph Losey, com Richard Burton no papel de Trotsky e Alain Delon no papel de Ramón.

Mais tarde, livros, documentários cinematográficos e uma série relatam estes factos.

Leon Trotsky também foi um intelectual, e os seus escritos produziram uma doutrina, o trotskismo. E em nome desse trotskismo muitos trotskistas foram assassinados por ordem do Pai dos Povos, José Estaline, cuja praxis deu origem ao estalinismo.

Estalinismo e trotskismo foram arqui-inimigos desde então, se bem que actualmente, pelo menos em Portugal, essas duas correntes de pensamento totalitário, coabitam harmoniosamente, seja em sindicatos, nos protestos de rua, ou no Parlamento onde apoiam medidas, ora de um, ora de outro.

Mário Casa Nova Martins

terça-feira, abril 30, 2024

Desabafos 2023/24 - XV

O ciclo eleitoral de 2024 continua a bom ritmo. A 26 do próximo Maio terão lugar as eleições antecipadas para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira. Depois a 9 de Junho seguem-se as eleições para o Parlamento Europeu. E só os deuses saberão se não acontecerá neste ano de 2024 mais um qualquer acto leitoral.

Será que o governo conseguirá cumprir a legislatura? O governo chegará até ao final de 2024? Não é despiciendo formular estas e outras questões.

Mas em relação à Madeira, o resultado das eleições não deverá ser muito diferente das açorianas, isto é, não haverá maioria absoluta de um só partido, apenas relativa, e assim a instabilidade política instalar-se-á, enquanto essa mesma instabilidade está permanente nos Açores e começa a consolidar-se no continente.

Os próximos tempos não se avizinham politicamente pacíficos, e o presidente da República continuará a ser factor de instabilidade.

Mas, dado o facto de se conhecerem os principais candidatos às eleições europeias, é justo começar-lhe a dar a importância devida.

Não se acredita que a distribuição de mandatos será idêntica à anterior, em 26 de Maio de 2019. O panorama político, económico e social actual, quer na Europa, quer em Portugal é muito diferente. As crises que os europeus e consequentemente os portugueses atravessaram nestes últimos cinco anos, da mais variada ordem, alteraram os dados que vigoraram em 2019.

Em Portugal, dificilmente a Esquerda Radical terá o mesmo número de eleitos que teve há cinco anos. A Direita elegerá deputados europeus. Embora na Europa o PSD esteja na ‘família’ do PPE, de centro-direita, em Portugal é social-democrata, o que é o continuado embuste, ao aceitar votos da Direita e ser de Centro-Esquerda. O PS provavelmente será o vencedor.

E assim vai o país.

Mário Casa Nova Martins

29 de Abril de 2024

Rádio Portalegre

sexta-feira, abril 19, 2024

AA - O Dissolvente

O Dissolvente

O adjectivo ‘dissolvente’ define-se como “Que o que tem a propriedade de dissolver”.

Em sentido figurado, o adjectivo ‘dissolvente’ é “Que ou aquilo que desorganiza ou corrompe. Igual a corruptor, desorganizador”.

Desde que ocupa o Palácio de Belém, o seu actual inquilino duas vezes dissolveu a Assembleia da República, uma vez dissolveu a Assembleia Legislativa dos Açores, uma vez dissolveu a Assembleia Legislativa da Madeira.

E diga-se que em todas as eleições antecipadas, mesmo prevendo o próximo resultado eleitoral na Região Autónoma da Madeira, sempre ganhou o partido que o presidente da República apoia, e no qual antes de ocupar a actual função política desempenhou os mais altos cargos.

A partir do dia 9 de Setembro de 2025, o dito inquilino de Belém já não pode exercer o seu poder de dissolver qualquer um dos Parlamentos, Regional ou da República.

Mas, até lá, será que, passados os prazos constitucionais, o presidente da República ainda irá fazer mais alguma dissolução parlamentar?

Esta pergunta será pertinente, dado o caracter de dissolvente do presidente da República. A sua forma de fazer política é marcada por uma forma disruptiva de tratar a causa pública, criando factos políticos, não se mostrando confiável a adversários e principalmente a aliados, contribuindo para o descrédito da função que desempenha, abastardando a Presidência da República.

Num tempo de grandes desafios que Portugal e principalmente a União Europeia atravessam, tudo o que possa descredibilizar a Política, terá num futuro próximo graves consequências para o próprio funcionamento das Instituições portuguesas e europeias. E o presidente da República não tem dado contributos positivos para que os portugueses tenham confianças nas Instituições.

Contenção nos actos e nas palavras seria o mínimo que se poderia esperar e desejar do presidente da República até ao final do seu mandato em 2026. Mas dada a natureza do mesmo, tal não se afigura possível.

Como jornalista e comentador político foi parcial, como político não criou consensos mas divergências graves dentro e fora do partido que chegou a liderar, como presidente da República quis ser presidente-rei. Procurou o apoio das massas através da forma circense, a ponto de hoje ser motivo de chacota as ‘selfies’, os abraços, os apertos de mão.

A marca que irá deixar quando abandonar o Palácio de Belém não será positiva, pelo contrário. Se o regime fosse monárquico, quiçá, o seu cognome seria «O Dissolvente».

Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, abril 18, 2024

Desabafos 2023/24 - XIV

O governo governa ‘no fio da navalha’. A apresentação do programa de governo no final da semana passada no parlamento pôs a nu a fragilidade da situação em que este se encontra.

Com maioria relativa, o governo enfrenta a oposição das Direitas, IL e Chega, da Esquerda, PS, e dos radicais de Esquerda que inclusive apresentaram duas moções de rejeição ao programa de governo.

Ambas as moções de rejeição fora derrotadas, mas a forma como o foram mostrou ‘o separar de águas’ entre Direita e Esquerda, deixando o partido do governo num incómodo centro que não augura nada de bom para os tempos próximos.

Em termos de o governo conseguir à Direita uma maioria absoluta no parlamento, a IL é irrelevante dado o número de deputados que tem, restando o Chega, que ao contrário do que diz não tem o menor interesse em apoiar o executivo nesta legislatura.

Desta forma, resta o apoio ao governo por parte da Esquerda, e essa Esquerda é o PS.

Evidentemente o governo não conta com a extrema-esquerda para qualquer tipo de apoio ou convergência.

O PSD, hoje como sempre, define-se como social-democrata e diz estar no centro-esquerda. E assim sendo, será fácil obter o apoio do PS para governar. O PS está também na área da social-democracia, pese embora o seu actual líder se situar na ala esquerdista do partido.

Mas o que os portugueses querem é estabilidade na governação, daí que seja um facto natural o PSD estar continuadamente a procurar o PS para a área dos acordos de incidência governativa. E o PS, umas vezes está em concordância, mas outras mostra-se renitente, pelo menos na retórica, em ser ‘muleta’ do PSD e seu governo.

Mário Casa Nova Martins

15 de Abril de 2024

Rádio Portalegre

segunda-feira, abril 08, 2024

Novos Hábitos à Direita

Que Direita há hoje no Parlamento português, é uma pergunta que na actualidade tem razão de ser.

Como definiu Giuseppe Prezzolini, a Direita é o conjunto das Direitas, as que conhecemos e as que esquecemos.

Não há Direita, mas sim Direitas, e numa Democracia perfeita, teria que haver Direitas e Esquerdas. Contudo não era isso que acontecia em Portugal desde 1976, ano em que tiveram lugar as primeiras eleições legislativas do regime que inaugurou a presente Terceira República.

Durante décadas no Parlamento apenas existiu um partido que, umas vezes timidamente, outras nem tanto, se definia como de Direita, o CDS, depois PP, depois CDS-PP, que com altos e baixos na representação Parlamentar caminhou até se diluir no passado 10 de Março no partido à sua esquerda.

Entretanto um novo partido conseguiu representação parlamentar, e veio mudar a face do Parlamento português, primeiro com um deputado, depois com doze e agora com cinquenta.

O Chega, desde a primeira hora se definiu de Direita, provocando no mainstream o maior dos sobressaltos.

Será oportuno lembrar que na Inventona do 28 de Setembro de 1974 foi proibido o partido mais importante de Direita, que se formara após o 25 de Abril desse ano, o Partido do Progresso, Partido do Progresso – Movimento Federalista Português.

Que se recorde que após a Quartelada de 11 de Março de 1975 foi proibido de concorrer às eleições legislativas desse ano o Partido da Democracia Cristã (PDC), que era no momento o partido mais forte e importante da Direita.

Ao CDS, definido como Centrista, foi-lhe permitido apresentar-se às eleições, e de então até ao aparecimento do Chega ao Parlamento era a Direita possível.

PPD, ou PSD, ou PPD-PSD nunca se afirmou de Direita, se bem que aceitasse de bom grado os votos da maioria do Povo da Direita que não escolhia o CDS, ou PP, ou CDS-PP.

Também se refira que o CDS votou contra a primeira versão da actual Constituição, socialista-marxista, quiçá o momento mais importante da sua História.

O crescimento do Chega fez desaparecer o CDS do Parlamento. Agora este regressa pela mão do PSD, onde está praticamente diluído.

Também surgiu no Parlamento um novo partido, a Iniciativa Liberal. De início definiu-se de Esquerda, querendo ficar sentada no Hemiciclo entre PS e PSD. Cresceu na eleição seguinte, e manteve o número de eleitos nesta última. Entretanto começou um ziguezague ideológico, e assim sendo o seu futuro poderá a vir a ser idêntico ao do CDS, a integração no PSD.

Desta forma, fica sozinho o Chega como o verdadeiro e único partido de Direita em Portugal com representação parlamentar.

Pela primeira vez nesta Terceira República existe um partido Conservador de Direita no Parlamento português, assumido. E enquanto assim se mantiver, se a sua vertente ideológica continuar coerente, se representar os verdadeiros Valores de Direita, a Família, a Propriedade, o Trabalho, a Liberdade, será a Direita que faz falta.

Uns tentaram, outros falharam, ainda outros não quiseram assumir ser de Direita, serem Direita. Hoje o Chega ocupa o espaço de uma Direita das Direitas.

Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, abril 05, 2024

AA - Franco versus Ventura

Franco versus Ventura

O Segundo Liberalismo caracterizou-se em termos políticos pela contínua instabilidade governativa, que a partir de determinada altura foi marcado pela alternância de dois partidos, o Partido Regenerador, à direita, e o Partido Progressista, à esquerda. Foi na parte final do século XIX que essa forma de governação atingiu a sua maior expressão, ficando conhecida como Rotativismo.

No início do século XX, em 12 de Fevereiro de 1901, dá-se uma cisão no Partido Regenerador, liderada por João Franco, que forma em 16 de Maio seguinte o Partido Regenerador Liberal. Este episódio político marca o fim do Primeiro Rotativismo.

Em Maio de 1906 estava o país em mais uma crise política do Rotativismo. A 21 de Março caíra o ministério do partido Regenerador de Hintze Ribeiro, e a 19 de Maio é a vez do ministério do Partido Progressista de José Luciano de Castro.

A 2 de Abril de 1906 João Franco alia-se ao Partido Progressista, dando origem à formação da Concentração Liberal, contra o Partido Regenerador.

Segue-se o ministério da Concentração Liberal presidido por João Franco, que toma posse nesse 19 de Maio e durará até 12 de Abril de 1907. Depois, João Franco, com o apoio do rei, governará de 10 de Maio até ao Regicídio. E pouco mais de dois anos passados, dá-se o fim do regime monárquico.

Com a entrada em vigor da Constituição Portuguesa de 1976 e em sucessivas eleições legislativas, dois partidos ao longo de todo este tempo têm governado Portugal em alternância, o Partido Socialista e o Partido Popular Democrático – Partido Social Democrata. De ideologia quase idêntica, na área da social-democracia, têm sido ao longo dos anos os pilares do regime. É o Segundo Rotativismo.

Em 2018 André Ventura desfilia-se do PSD e vai em 9 de Abril de 2019 fundar um partido. Esse partido, Partido Chega, concorre pela primeira vez a umas eleições legislativas logo no ano da fundação e elege um deputado, tal como o Partido Regenerador-Liberal de João Franco na primeira vez que concorreu.

Em eleições sucessivas, passa em 2022 a ter doze deputados, e em Maio de 2024 alcança cinquenta deputados num hemiciclo de 230.

Tendo em conta as condições políticas resultantes da última eleição legislativa, acredita-se que o Segundo Rotativismo acabou, dando lugar a um tripartidarismo, com o Partido Chega (50 deputados) de Direita, o PPD-PSD (78 deputados) de Centro e o PS (78 deputados) de Esquerda.

Ler História, estudar História é conhecer o Passado, compreender o Presente, preparar o Futuro.

Mário Casa Nova Martins

terça-feira, abril 02, 2024

Desabafos 2023/2024 - XIII

Armadilhado pela Esquerda com o «não é não», infantilmente dito pelo seu líder, o PSD deu um espectáculo de baixíssimo nível político na semana passada quando da eleição do presidente da Assembleia da República, mostrando-se como, aliás, tem sido ao longo da sua história um partido não confiável.

Tendo acordado com um dos partidos o nome do novo presidente da Assembleia da República, figuras secundárias do PSD vieram desmentir esse acordo feito pelos líderes parlamentares, como foi tornado público e com o conhecimento e concordância dos presidentes dos partidos envolvidos no acordo.

O passado lembra que concretamente nas relações entre PSD e CDS, quando o CDS era um partido autónomo e livre da tutela do PSD, quantas vezes esse mesmo PSD negou e traiu acordos feitos entre estes dois partidos. Uma longa história longa!

Diga-se que, ao contrário, o PS sempre honrou acordos e compromissos quando os fez com os partidos à sua esquerda. Comportamento oposto ao do PSD.

Agora as coisas não aconteceram como o PSD estava habituado com o CDS, que sempre se auto subordinou, se auto diminuiu face ao PSD, preferindo ‘abraço de urso’, ‘engolir de sapos’, em troca de miseráveis ‘pratos de lentilhas’!

Desta forma, a eleição da segunda figura do Estado está manchada pelo irresponsável comportamento do PSD, ficando indícios de que esta legislatura poderá vir a ser curta.

Foi necessária a atitude responsável do PS, para que este episódio negativo para a Democracia tivesse um desfecho correcto.

O positivo desta situação política, é que ficou claro a continuação do Centrão a determinar os rumos políticos, e que a verdadeira oposição ao PSD está à sua direita.

Mário Casa Nova Martins

2 de Abril de 2024

Rádio Portalegre

quinta-feira, março 28, 2024

Iberismo e União Ibérica

Nas estepes da Rússia

Espanha luta com ardor,

unida com a Alemanha

por uma Espanha melhor.

 

E quando a Espanha voltarmos

de novo queremos lutar

e expulsaremos o inglês

do Penedo de Gibraltar.

 

O nosso grito de vitória

no mundo inteiro o ouvirão

quando recuperarmos

todo o Marrocos e Orão.

 

Só esperamos a ordem

que nos dê o nosso general

para apagar a fronteira

de Espanha com Portugal.

 

E quando isso conseguirmos,

alegres podemos ficar,

por termos conseguido

fazer uma Espanha imperial.

*

Estes versos são de uma das canções da Divisão Azul, entoada nos campos da Rússia ao lado da Alemanha nazi.

O texto que a reproduz traduzida está na Revista ‘E’ do Expresso, página 32, do passado 15 de Março de 2024, inserido no trabalho de Ricardo Silva intitulado «Os planos de Franco para invadir Portugal».

Francisco Franco e Iberismo sempre ‘rimaram’. Como ao longo de séculos a obsessão espanhola por integrar Portugal é uma constante.

Recorrendo apenas ao século XX, as três figuras espanholas mais influentes, a par de milhentas menores, que defendiam o Iberismo foram Afonso XIII, José António Primo de Rivera e Francisco Franco.

Afonso XIII tentou anexar Portugal após a implantação da República. José António Primo de Rivera, fundador da Falange, sempre defendeu a integração de Portugal em Espanha. Franco tem como tese na Academia de Infantaria de Toledo, como invadir Portugal.

Existe documentação pública a testar o forte Iberismo deste trio. E das outras figuras menores.

Ainda no século XX, quem mais pugnou pela integração de Portugal na Espanha, foi o escritor comunista José Saramago, que inclusive se auto-exilou na ilha espanhola de Lanzarote, onde veio a falecer.

Um facto curioso, dir-se-á extraordinário, é uma parte dos actuais Nacionalistas portugueses terem em José António Primo de Rivera um ideólogo, e a Falange como referência de acção dita revolucionária.

E António Sardinha, figura grada do Nacionalismo português, também ‘navegou’, quiçá levemente, nas águas do Iberismo.

Por outro lado, o Embaixador Alberto Franco Nogueira pugnou ao longo da sua vida contra o Iberismo, figurando hoje no Panteão dos Portugueses que sempre defenderam e honraram a Pátria Portuguesa.

Já no século XXI surge um partido político herdeiro do Franquismo, o VOX, que defende a União Ibérica.

Este partido, em termos da União Europeia, pertence ao mesmo grupo no Parlamento Europeu que o partido português Chega.

Na recente campanha eleitoral para as legislativas do passado 10 de Março, o líder do VOX esteve presente em Portugal num comício do Chega, sem que ninguém deste partido, ou outros, se incomodasse. Que tempos estes!

Mário Casa Nova Martins

E A Revista do Expresso, Edição 2681, 15/Março/2024, pgs 26 a 32

segunda-feira, março 25, 2024

AA - Memória e Poder

Memória e Poder

Do Capitólio à Rocha Tarpeia, não vai mais do que um passo.

Na Roma antiga, a Rocha Tarpeia era um local onde eram feitas execuções, sendo as vítimas lançadas desta rocha para a morte. E a expressão que ainda hoje lembra esses dois lugares romanos, Rocha Tarpeia e Capitólio, é utilizada para lembrar como o Poder é efémero.

Que o diga Aníbal Cavaco Silva, dez anos primeiro-ministro, uma década presidente da República, que no passado 10 de Março viu na sua terra natal, Boliqueime, um partido à direita do PSD ficar confortavelmente à frente desse mesmo PSD nas eleições legislativas.

Longe vai o tempo em que o Cavaquistão parecia indestrutível. A arrogância, a soberba, o caciquismo que caracterizou esse período, a constante tentativa de asfixiar eleitoralmente o partido situado à sua direita, a par de uma estratégia económica Keynesiana de obras públicas financiadas pela União Europeia, deixou reais marcas.

Contudo, hoje Cavaco Silva é mais lembrado pela frase de que “nunca se enganava e raramente tinha dúvidas”, do que pela obra de betão que deixou como legado, ou pelo tempo que passou no Palácio de Belém.

Vindo como que de ‘além-túmulo’, Cavaco Silva protagoniza várias aparições públicas na campanha eleitoral do seu partido de sempre e escreve artigos na imprensa, no sentido de mostrar o seu apoio incondicional ao líder e ao projecto do PSD.

Mas, pelo menos em Boliqueime, não se pode dizer que o entusiástico apelo ao voto no PSD por Cavaco Silva tenha sido foi ouvido, pelo contrário.

Assim sendo, poder-se-á questionar se há uma ingratidão político-ideológica em relação a Aníbal Cavaco Silva, que conquistou maiorias absolutas e venceu eleições presidenciais.

É um facto que Cavaco Silva foi um vencedor na política portuguesa nesta Terceira República e é inquestionável que deixou obra pública.

Todavia, nunca deixou de mostrar uma faceta de autocrata, jamais mostrou sentimentos altruístas, não foi dialogante, mostrou-se sempre esfíngico e distante na forma como se relacionou com apoiantes e adversários. Também não teve apetência para a Cultura, quiçá, por força da sua formação técnica.

Agora nada diz ou representa para as gerações que hoje têm funções na política e para o actual eleitorado. Cavaco Silva é ‘uma voz do passado’ que veio ao presente e não foi ouvido.

Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, março 22, 2024

Guerra na Ucrânia - Clara Ferreira Alves

Guerra na Europa

«Bruxelas tinha um único trabalho, deixar a Europa de fora de uma guerra fratricida e fazer valer a diplomacia. Em vez disso, atirou a Ucrânia para uma guerra que nunca ganharia, em nome de uma NATO disfuncional e de promessas de armas e dinheiro sem fim. E querer rearmar a Alemanha para entrar em guerra com a Rússia. Um plano que agrada aos militares neutralizados, ao lobby da indústria de armas e aos pupilos do Pentágono.»

Clara Ferreira Alves

E A Revista do Expresso, Edição 2681, 15/Março/2024, pg.3

*

Lucidez da Articulista, em tempo de uma derrota militar e sobretudo política e económica anunciada. A submissão aos EUA por parte de uma parte dos Europeus é consequência da dependência militar da Europa face à até há pouco potência hegemónica mundial.

A Rússia rapidamente transformou a sua economia numa economia de guerra, tem crescimento económico e consegue fazer face em homens e material a esta guerra de longa duração, ao contrário da Europa e dos próprios EUA.

Esta realidade é ocultada por todos os meios às opiniões públicas, americana e europeia, começando na não divulgação das notícias contrárias à ‘verdade estabelecida’, proibindo o acesso a canais televisivos e rádios ‘do lado errado’, fazendo a pior das censuras, e perseguindo quem não ‘responde’ pelo ‘lado certo’ deste guerra entre os EUA e a Rússia, por razões mais geopolíticas que económicas, no mártir solo ucraniano.

Vive-se um tempo de tripolaridade mundial. Os EUA já não são a única potência, a China é cada mais uma potência mundial. E quando a guerra acabar na Europa, a Rússia sairá mais forte e voltará a ocupar o lugar de grande potência mundial.

Quanto à Europa, a liderança germânica na União Europeia reforçar-se-á. O Norte da Europa distanciar-se-á em termos económicos do Sul, gerando-se fortes assimetrias de toda a ordem. A decadência americana continuará, e a ‘rica’ Europa nunca mais vai ser a mesma.

Esta guerra no centro da Europa foi o pior que podia ter acontecido aos europeus. Conflitos regionais irão resultar da derrota europeia e americana na Ucrânia. Novas guerras de fronteiras assolarão o solo europeu, num retrocesso civilizacional.

E no final será a Europa, não os EUA, o grande perdedor!

Mário Casa Nova Martins

terça-feira, março 19, 2024

Desabafos 2023/24 - XII

É já nesta próxima quarta-feira, dia 20 de Março que se saberá o resultado final das eleições legislativas do passado 10 de Março.

O tempo dirá, ou demostrará que a vitória do vencedor será pírrica.

O vencedor em termos de mandatos terá uma vantagem mínima, o que para além de trazer instabilidade num futuro governo, pairará sempre o erro colossal que foi o presidente da República ter aceitado a demissão do anterior primeiro-ministro e provocar estas eleições legislativas antecipadas.

O fervor do mediatismo que sempre mostrou, a irresponsabilidade da maioria dos actos que pratica, a vontade a todo o preço de levar para o governo o partido no qual e do qual é militante, o presidente da República é e será o maior responsável por tudo o que o futuro trará para Portugal. E os tempos não vão ser nada fáceis.

Quando as Corporações vierem reivindicar tudo e o seu contrário, quando a resolução dos verdadeiros problemas do país não conseguirem resolução por parte do governo que irá sair deste acto eleitoral, então estará criado o cenário de maior instabilidade.

Hoje há um partido de Direita forte, há um partido de Esquerda forte, e haverá um governo formado pelo partido do centro que tem no seu seio duas correntes, uma o PPD que quer acordos com o partido da Direita, e a outra o PSD que quer acordo com o partido da Esquerda. Para bom entendedor, tudo está dito.

Mas que se diga e repita, que toda está conflitualidade social e política teve como fautor, como promotor o presidente da República, que uma vez mais mostrou ser de uma enorme irresponsabilidade.

Num tempo e momento que Portugal mais precisava de estabilidade, tudo aconteceu ao contrário. Mais uma oportunidade perdida para Portugal e para os Portugueses.

Mário Casa Nova Martins

17 de Março de 2024

Rádio Portalegre

sábado, março 09, 2024

Contra o Bloco Central

Contra o Bloco Central

O ‘voto útil’ é útil para quem o recebe, mas nunca o é para quem o dá. Mesmo assim, não há campanha eleitoral política que não surja esta falácia, esta mentira.

O ‘voto útil’ não é um voto livre, é um voto condicionado, porque é sempre um voto contra algo, não é voto construtivo, é sim um voto destrutivo. O ‘voto útil’ é um voto que é dado em oposição, em contrário, em negação, que faz com que a própria essência do voto seja adulterada.

O Centrão que tem governado Portugal nesta Terceira República, faz sempre a apologia do ‘voto útil’, seja à Direita, seja à Esquerda. E na presente campanha eleitoral tal é assumido à Esquerda pelo PS e à Direita pelo PSD.

Em períodos curtos, em coligação ’disfarçada’ com o PS e em coligações com o PSD, também teve responsabilidades governativas, mínimas, o CDS. Mas o fim histórico do CDS aconteceu, e hoje já nem ‘muleta’ é do PSD, que entretanto o ‘absorveu’.

Muito se deve ao ‘voto útil’ e a continuadas coligações com o PSD, o tal ‘abraço de urso’, o fim político do CDS, um perda enorme para o Personalismo e a Democracia Cristã em Portugal.

Foi justamente por causa do ‘voto útil’ e da ‘ganância’ de sucessivas direcções do CDS em ir em coligações com o PSD, que se deu o seu fim histórico e político. Hoje a ‘utilidade’ do CDS, após sucessivos «abraço de urso» do PSD limita-se a ser, não muleta, mas uma espécie de apêndice do PSD, que quando não lhe interessar o mesmo PSD ‘despejará’ inexoravelmente.

A apologia do ‘voto útil’ pelo Centrão, faz com que ele se perpetue na governação, e, assim, ganhando a eleição PS ou PSD, tudo fica como dantes. E para o Eleitor que pratica o ‘voto útil’ e que quer a alternância, que quer mudar o rumo da governação, o ‘voto útil’ transforma-se num voto inútil!

A alternativa ao Centrão não é votar nos partidos que o formam, mas sim nas alternativas, à Direita e à Esquerda, que existem.

A Esquerda tem essas alternativas, e a Direita tem as suas, que no caso presente são os Partidos Chega e Iniciativa Liberal.

O modelo económico da Iniciativa Liberal é o aplicado na Irlanda, na Polónia, na Hungria e noutros países que liberalizaram a economia e obtiveram resultados excelentes, ultrapassando Portugal no ranking económico da própria UE. O Chega assenta o seu modelo económico na matriz Democrata-Cristã, entre o Liberalismo e o Socialismo. E tudo é Economia!

Muito teria Portugal e os Portugueses a ganhar com uma Economia livre, que criasse riqueza suficiente para o País sair da cauda da União Europeia.

Não será com o famigerado ‘voto útil’ que não é mais do que um voto inútil, que Portugal se libertará das grilhetas deste Socialismo na Economia que o asfixia.

Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, março 08, 2024

AA - O "Voto Inútil"

O ‘Voto Inútil’

Um certo consenso diz que a principal razão da última maioria absoluta do Partido Socialista, em 30 de Janeiro de 2022, foi que à última hora, à boca das urnas, indecisos e ‘receosos’ aliaram-se num sindicato de voto, em coligação negativa, para impedir que a ‘direita’ formasse governo, votando no PS.

Sendo verdade, então foi o ‘voto útil’ que ‘deu’ a dita maioria absoluta aos socialistas.

O ‘voto útil’ é muito útil para quem o recebe, mas torna-se inútil para quem o dá!

Nesse Janeiro de 2022, à Esquerda o ‘voto útil’ fez com que os dois partidos radicais de Esquerda, PCP e BE, vissem diminuir o número de votos e de mandatos, tal como o partido ‘hermafrodita’ PAN.

Desde a entrada em vigor da actual Constituição da República, dois partidos têm alternado na governação, PSD e PS.

Em linguagem simples, segundo a Lei de Gresham, «a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda». E isto passa-se também em política. A ’boa moeda’ são os partidos que não pertencem ao ‘Centrão’, e a ‘má moeda’ é o ‘Centrão’, o PS e o PSD.

PS e PSD são as duas faces de uma mesma moeda que é o ‘Centrão’, que não cria riqueza para o país, mas sim clientelas tentaculares, geradoras de corrupção e enriquecimento próprio, enquanto os portugueses sofrem a debacle do sistema público de saúde, da escola pública, dos serviços públicos, da Justiça.

Poderá haver no próximo 10 de Março ‘voto útil’ à Esquerda e à Direita, seja no PS, seja no PSD agora ‘travestido’ de AD.

«Há vida para além do ‘Centrão’!» Basta os Portugueses quererem, votando à Direita e à Esquerda nos partidos fora do ‘Centrão’, por uma vez não exercendo o tão famigerado ‘voto útil’.

«Que se lixe o ‘Centrão’!» Há alternativa, à Direita e à Esquerda, a este terrível ‘Centrão’ de tudo e do seu contrário.

A Esquerda tem como alternativa ao PS partidos Estalinistas e Trotskistas.

A Direita tem nos Liberais e nos Conservadores, a alternativa ao voto no PSD/AD. Com o regresso do PSD a governar Portugal, pouco ou nada será diferente da presente governação socialista.

O Liberalismo e o Conservadorismo são alternativos ao Socialismo.

Se a Direita não efectivar o ‘voto útil’, nada ficará como dantes.

Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, março 07, 2024

Desabafos 2023/24 - XI

A Lei de Gresham é um princípio económico que diz que uma moeda sobrevalorizada (tem um valor determinado por uma autoridade monetária acima do valor de mercado) expulsa uma moeda subvalorizada (tem um valor determinado pela mesma autoridade abaixo do valor de mercado).

Em linguagem simples, segundo a Lei de Gresham «a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda». E isto passa-se também em política. A ’boa moeda’ são os partidos que não pertencem ao ‘Centrão’, e a ‘má moeda’ é o ‘Centrão’, o PS e o PSD.

Com o ‘voto útil’ o ‘Centrão’ faz com que os outros partidos fora dele não tenham capacidade de influência e desta forma o ‘Centrão’ governa despoticamente, como é exemplo mais recente a maioria do PS que por causa de problemas com a Justiça caiu com estrondo, levando às eleições legislativas antecipadas de 10 de Março próximo.

Que se lixe o ‘Centrão’, esse bloco central de interesses, composto por PSD e PS que tudo governa em Portugal nas últimas décadas, nas juntas de freguesia, autarquias, governos regionais e governo da República.

Fomentadores, PS e PSD, de corrupção, banca rota, crise na Saúde, crise na Educação, crise nos Serviços Públicos, crise na Justiça, em suma um ‘Centrão’ asfixiante que tudo controla, que tudo tutela e que vive à custa dos impostos que cobra aos Portugueses.

Mas há vida para além do ‘Centrão’, basta os Portugueses quererem, votando à Direita e à Esquerda nos partidos fora do ‘Centrão’, por uma vez não exercendo o tão famigerado ‘voto útil’.

 À direita do ‘Centrão’, Liberais e Conservadores podem determinar o sentido da governação, se sobre eles não recair o famigerado ‘volto útil’!

Que se lixe o ‘Centrão’! Há vida para lá do Centrão! Votar Conservador ou Liberal são alternativas ao PSD ‘travestido’ de AD!

Mário Casa Nova Martins

4 de Março de 2024

Rádio Portalegre

segunda-feira, fevereiro 19, 2024

Desabafos 2023/24 - X

O tempo corre célere e o próximo dia 10 de Março, data das eleições legislativas antecipadas, ‘está à porta’.

Contudo, até lá, muita coisa será dita, milhentas promessas irrealizáveis serão apresentadas pelos partidos políticos concorrentes a este acto eleitoral de suprema importância para os Portugueses.

Não há ‘portugueses de primeira’, nem ‘portugueses de segunda’, mas a verdade é que hoje em Portugal as desigualdades económicas e sociais nunca foram tão acentuadas.

A propaganda dos partidos que têm governado o país neste quase meio século pretende dizer o contrário, mas a realidade mostra que em comparação com os países da União Europeia, Portugal caminha para a cauda da Europa.

Os responsáveis governativos são PS e PSD, que em décadas sucessivas têm alternado na governação, criando não riqueza para o país e para os portugueses, mas sim clientelas tentaculares, geradoras de corrupção e enriquecimento próprio, enquanto os portugueses sofrem a debacle do sistema público de saúde, da escola pública e dos serviços públicos.

A permanência de PSD e PS à frente dos governos de Portugal acontece porque os portugueses assim o têm querido, votando maioritariamente neste dois partidos.

Porém, muitas das maiorias alcançadas por PS e PSD deve-se ao ‘voto útil’, que é útil para quem o recebe, mas inútil para quem o dá, porque é dado não por convicção, certeza, mas sim pela negativa.

Em 10 de Março há alternativas, à Esquerda e à Direita, a PSD e PS. Se os portugueses querem realmente sair deste ‘Centrão’, só têm que renegar o famigerado ‘voto útil’ e votar nessas alternativas, sejam à Esquerda do PS, sejam à Direita do PSD.

Basta de Centrão!

Chega deste ‘Centrão’, protagonizado alternadamente por PS e PSD.

Mário Casa Nova Martins

19 de Fevereiro de 2024

Rádio Portalegre

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

AA - Ortodoxias

Ortodoxias

A Guerra dos Trinta Anos estendeu-se de 1618 a 1648, sendo um dos maiores conflitos da História europeia. Compreendeu uma série de conflitos que envolveram boa parte dos países da Europa Ocidental.

A ‘segunda’ Guerra dos Trinta Anos, também conhecida por Guerra Civil Europeia, decorreu entre 1914 e 1945. O seu palco principal voltou a ser a Europa Central, e ainda hoje há na Europa resquícios das suas consequências.

O actual conflito entre uma certa Europa e a Rússia, que decorre em solo ucraniano, não deixa de ser uma das consequências da partilha desta mesma Europa pelos vencedores de 1945, a então União Soviética, os EUA e a Inglaterra.

Países retalhados, novas fronteiras, deslocações de populações inteiras. Em suma, a Europa Central viu-se redefinida humana e geograficamente.

E o conflito na Ucrânia retracta o que foi então feito.

Hoje cerca de um terço da Ucrânia está controlada pela Rússia, que anexou esses territórios e que continua a avançar para oeste.

Por outro lado, a Ucrânia está ameaçada por vizinhos dispostos a recuperarem territórios que Estaline entregou no pós-1945 a Kiev. A Polónia revindica os territórios da Galícia, a Hungria quer de volta a Transcarpácia, a Roménia reclama os territórios da Bessarabia, Bukovina do Norte, Hertsa e a Transcarpácia.

E se tal viesse a acontecer, a Ucrânia ficaria reduzida a metade do seu território.

Estas temáticas, num ‘Portugal com as fronteiras mais antigas do mundo’, como é dito, não têm sido debatidas, continuando a ser veiculada apenas parte do problema.

A Europa de Lisboa a Vladivostok, a Europa do Atlântico aos Urais, é a Europa primeva que urge preservar na sua História, nos seus usos e costumes, na sua Matriz Greco-Cristã. As guerras que a têm flagelado, o sangue derramado dos Europeus, têm forjado a razão de ser de uma Europa una, livre, face a todos os inimigos, internos e externos, que a querem dividir para a controlar e dominar.

O solo ucraniano e os Balcãs são hoje, como já o foram no passado, o ‘calcanhar de Aquiles’ da Europa. E a Europa tem que ser forte para conseguir um tempo de Paz.

A Europa no tempo presente necessita de líderes como no passado recente teve, tais como Konrad Adenauer, Alcidi de Gasperi, Charles de Gaulle, Helmut Khol, Margaret Thatcher, e em Roma gente d’algo como João Paulo II e Bento XVI.

Mas os tempos não estão a ser propícios a que a Europa renasça desta tão grave crise em que mergulhou.

Mário Casa Nova Martins

*

quinta-feira, fevereiro 15, 2024

Guerra na Ucrânia - O Nascimento do Mundo Multipolar

Em Portugal, a verdade sobre as razões da guerra por procuração entre os EUA e a Rússia em solo ucraniano está limitada à verdade de um dos lados. O outro lado foi ‘democraticamente silenciado’ a mando dos eurocratas de Bruxelas, ao proibir canais e agencias noticiosas que tratam os factos de maneira diferente da ‘verdade ocidental’.

Erro crasso, que o Ocidente irá pagar bem caro. Aliás, já está a pagar, uma vez que as sanções económicas do Ocidente à Rússia, viraram-se contra o próprio Ocidente, enquanto no campo militar adivinha-se mais uma derrota Ocidental, como muito recentemente aconteceu no Afeganistão.

Esta guerra em solo europeu marca o fim de um Mundo Unipolar. Os EUA, liderados pelos Democratas, belicistas ao contrário dos Republicanos, já não são a potência hegemónica do final da Guerra fria. As guerras que de então para cá fomentou, não as ganhou, e exauriu a sua capacidade de liderança, que hoje se resume aos países anglo-saxões e a uma Europa em decadência.

A NATO deixou de ter o papel para o qual foi criada, e é agora uma ‘testa-de-ponte’ americana, que defende os interesses dos EUA.

A real situação militar na Ucrânia é dia após dia mais difícil para os EUA. A Rússia, numa guerra de desgaste, físico, psicológico e militar, vai avançando no terreno, e quanto mais tempo demorarem as conversações para pôr fim ao conflito, pior para os Ucranianos.

O livro «Guerra na Ucrânia – O Nascimento do Mundo Multipolar», de Rui Amiguinho, vem preencher uma lacuna na análise e estudo de tudo o que se relaciona com este conflito EUA-Rússia.

A sua leitura, acompanhada de abundantes e complementares notas, face à cortina de silêncio em que Portugal se encontra, sendo vedado aos Portugueses acompanhar os factos a partir dos dois aldos da contenda, torna-se um exercício obrigatória para quem quer por si próprio pensar.

O livro é uma verdadeira lição de Geopolítica. Ao lê-lo fica-se a perceber a importância das potências emergentes no futuro próximo. Também a importância da Economia não é esquecida, mostrando quanto Geografia e Economia são determinantes no contexto das mudanças de paradigma das sociedades e do respectivo peso no Mundo.

Contudo, é de leitura fácil, o que o torna uma ferramenta útil para compreender os tempos que se vivem.

Mário Casa Nova Martins

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Autor: Rui Amiguinho

Título: Guerra na Ucrânia: O Nascimento do Mundo Multipolar

Nº páginas: 192 | Formato: 150x210mm

ISBN: 9798870523675 / DL: 525171/23

Preço: 12 €

https://editoracontracorrente.wordpress.com/2023/12/22/guerra-na-ucrania-o-nascimento-do-mundo-multipolar/

quarta-feira, fevereiro 07, 2024

Desabafos 203/24 - IX

Sim, a Madeira é um jardim, mas mais do que um jardim florido é um jardim de corrupção.

Se só agora o polvo da corrupção com os seus tentáculos gigantes veio ao de cima é porque só agora interessou que assim acontecesse. A política e a justiça têm destas coisas, que ao comum dos mortais lhe parece inexplicável. Ou talvez não.

Sabe-se que a corrupção na Madeira tem tantas décadas quanto as de governação do PSD, com a cumplicidade do CDS nos últimos anos. Tal como se sabe da existência do turismo sexual e do paraíso da droga. Quem não recorda o escandaloso caso do pedófilo padre Frederico, que graças a todas as cumplicidades, a começar pela do Teodoro de Faria bispo do Funchal, conseguiu fugir para o Brasil para não cumprir perna e abafar-se a existência da pedofilia na região.

Há décadas que se fala de défice democrático na Madeira, uma região que quem não é do PSD tem todo o tipo de entraves, de dificuldades em exercer a sua vida profissional e cívica. A Madeira de hoje e de ontem, fruto da governação do PSD, em termos de democracia é semelhante ao Alentejo entre 28 de Setembro de 1974 e 25 de Novembro de 1975, onde quem não era radical de Esquerda vivia com medo e sem esperança num espaço geográfico que se tornara concentracionário.

Nos tempos do anterior presidente do governo regional madeirense, a situação era tão crítica em termos de défice democrático, que o dito era comparado ao ditador centro-africano Bokassa. E tal era afirmado por gente de todos os outros quadrantes políticos.

Houve sempre um branqueamento do regime de Alberto João Jardim, como agora o da coligação PSD-CDS, liderado por Miguel Albuquerque e sua equipa. Até agora!

Mas tudo, mesmo tudo era dito e falado «à boca pequena» na Madeira e no continente. Sabia-se tudo e de tudo. Agora que o medo deixe de ser desculpa para que a Madeira, passado quase meio século após Abril de 1974, seja ‘igual’ aos Açores e ao Continente em termos de participação democrática e de cidadania.

E que os culpados sejam julgados e condenados!

Mário Casa Nova Martins

5 de Fevereiro de 2024

Rádio Portalegre


 

domingo, janeiro 28, 2024

Lucas Pires o trânsfuga

*

Estes dois autocolantes têm História, a história de um tempo em que a Direita acreditava que tinha o Futuro no CDS de Francisco Lucas Pires.

Contudo, essa mesma história tem partes distintas. O autocolante com o símbolo do CDS é do tempo em que Francisco Lucas Pires liderava o CDS, um partido que mantendo a sua Matriz Personalista e Democrata-Cristã, trazia a novidade de um Liberalismo na economia, do qual o Grupo de Ofir era o seu ‘laboratório de ideias’.

Francisco Lucas Pires tem como principal adversário o PSD de Aníbal Cavaco Silva, o qual tinha uma estratégia bem definida em relação ao CDS, que era a sua extinção.

Os resultados eleitorais nas Legislativas levam ao fim do ciclo de Lucas Pires como líder do CDS, seguindo-se-lhe Adriano Moreira, e depois o ‘regressado’ Diogo Freitas do Amaral.

Entretanto a Europa ‘seduz’ Lucas Pires e torna-se continuadamente deputado europeu, criando ele próprio e à sua volta uma auréola de ‘europeísta dos sete costados’.

Com o avançar do cavaquismo, o ‘Cavaquistão’, e posterior começo do seu refluxo, o CDS cria novas dinâmicas e ascende a líder Manuel Monteiro, a «criatura», com Paulo Sacadura Cabral Portas, o «criador», como o verdadeiro ideólogo.

É o tempo em que o CDS passa a PP (Partido Popular), torna-se eurocéptico e anti Tratado de Maastricht.

Com estas posições, e outras de Direita Conservadora da linha Thacheriana, o CDS volta a crescer eleitoralmente.

Contudo, o ‘europeísta convicto’ Lucas Pires, cada vez mais um eurocrata, começa a dar sinais públicos de descontentamento face à linha política do CDS, e é a esse tempo que corresponde o autocolante sem qualquer identificação ao CDS.

É após a sua eleição nas lista do CDS ao parlamento europeu que se desfilia do partido, e pouco tempo depois junta-se aos deputados europeus do PSD.

Nas eleições seguintes ao parlamento europeu já vai na lista do PSD, e também na seguinte. Contudo, nunca terá o protagonismo em Estrasburgo como teve quando eleito pelo CDS, e mesmo na lista do PSD ia ‘caindo’ lugares nessa mesma lista.

Das últimas aparições públicas de Lucas Pires, aconteceu num congresso do PSD, onde pela televisão se via sentado num lugar de coxia a meio da sala. A sala meio vazia, e por ele passava gente que nada lhe dizia, nem um mero cumprimento lhe era dirigido. Fazia pena!

Francisco Lucas Pires é hoje um político esquecido. Da sua passagem pela política muito se esperava, mas o facto de se ter transformado num trânsfuga, fez com fosse perdendo ‘brilho’, começando o seu ocaso político mal passou do CDS para o PSD.

O CDS perdeu um excelente tribuno, mas o PSD, sempre com a obsessão de destruir o CDS, pouco ou nada terá ‘ganho’, porque rapidamente o trânsfuga deixou de ser mais-valia política.

Mário Casa Nova Martins