\ A VOZ PORTALEGRENSE

terça-feira, novembro 30, 2021

Desabafos 2021/2022 - V

Novembro de 2021. Um jovem é ferido a tiro numa escola de Loures. Aluna agride funcionária numa escola do Porto. Em Torres Vedras, um aluno de 12 anos é hospitalizado após agressão na escola.

Estas são notícias, não de primeira página, mas que vêm na comunicação social nacional. Na comunicação social escrita, porque na outra é tema tabu.

Uma notícia de violência na escola não abre noticiários de telejornais, ou outros. Há uma espécie de censura, não de pudor, em trazer estas notícias para o primeiro plano noticioso.

E quem julgar que é só na terra ao lado, na escola ao lado, está muito enganado.

A situação de violência, dos mais variados tipos, tem aumentado com gravidade nos últimos anos nas escolas.

Insegurança dos alunos, dos funcionários, dos professores.

Mas há que tapar com uma cortina de silêncio o aumento gradual da violência nas escolas. E principalmente a protecção aos professores é nula.

Quando se fala que há falta de professores no ensino público, os bem pensantes atribuem essa carência aos salários que os professores auferem.

Esse facto é cada vez mais minoritário na opção de se ser professor. A insegurança física e psíquica do professore é factor muito determinante para quem quer escolher esta nobre profissão de ensinar.

Os teóricos da Educação, tudo sabem, mas nada sabem da realidade que se vive no dia-a-dia na escola pública.

Não falando no comportamento de pais e encarregados de educação.

E por aqui se fica!

Mário Casa Nova Martins

29 de Novembro de 2021

Rádio Portalegre

domingo, novembro 21, 2021

Holodomor - Universidade Católica

quarta-feira, novembro 17, 2021

Desabafos 2021/2022- IV

Que novo Parlamento trará as eleições de 30 de Janeiro de 2021?

Que novo Governo sairá das eleições de 30 de Janeiro de 2021?

O presidente da República tornou-se líder da Oposição. Só assim se compreende e justifica os passos que deu para se chegar a este ponto.

Mas as coisas podem não correr como ele idealizou.

A direita do PS é o CDS, o que dele restar, o PSD e o IL. Pressupondo que este espaço político ganhará, é difícil a direita do PS ganhar com maioria. E assim o partido do republicano presidente, o PSD, não consegue formar Governo.

O Chega é o único partido que se afirma de Direita, mas esse não ‘conta’ para o líder da Oposição, Marcelo Rebelo de Sousa.

Diga-se, porém, que o Chega é Conservador em áreas que a Direita valoriza, mas socializante na economia. E que o PSD satelizou o CDS.

Se o PS junto com o radical conservador PCP e o radical fracturante BE tiverem maioria absoluta, como hoje têm, tudo pode vir a ficar como está. E o líder oposicionista Marcelo Rebelo de Sousa, que simultaneamente é presidente da República, é o perdedor maior.

Mas o líder da oposição tem outro cenário em mente, o cenário de ‘bloco central’ entre PS e PSD. Seria ‘um mal menor’ para o presidente da República.

Agora o próximo passo é fazer com que o seu candidato ganhe as directas do PSD. Depois logo se verá.

Cada dia que passa, prova-se que o pior presidente da República desta Terceira República é Marcelo Rebelo de Sousa!

É o País e os Portugueses que sofrem com as jogadas políticas de Marcelo Rebelo de Sousa. Em proveito do partido que tutela, o PSD, e dele próprio.

Mário Casa Nova Martins

15 de Novembro de 2021

Rádio Portalegre

terça-feira, novembro 02, 2021

Desabafos 2021/2022 - III

No inenarrável processo, de aprovação ou rejeição, do Orçamento de Estado para 2022, considerou-se que o protagonista foi o PCP.

Nada mais incorrecto, nada mais falso, o real protagonista em todo o processo referente ao Orçamento de Estado para 2022 foi, inquestionavelmente, o presidente da República.

A função presidencial tem sido abastardada pelo actual detentor do cargo.

O presidente da República tanto cumprimenta uma pessoa de bem, como no instante seguinte tira uma selfie com perigoso cadastrado. E assim por diante.

Na biografia recentemente editada de Francisco Pinto Balsemão, o biografado ao falar da pessoa do actual presidente da República, recorrendo ao ditado popular, afirma “o que Maomé não diz do toucinho”. O retracto que faz de Marcelo Rebelo de Sousa como pessoa, é demolidor! O seu carácter, a sua personalidade é vil. Está lá tudo.

Recorde-se que foi Marcelo Rebelo de Sousa quem escolheu Carlos Moedas como candidato do PSD para a autarquia de Lisboa. Agora quer que Rui Rio saia da liderança do PSD para lá colocar Paulo Rangel. Para que tal aconteça, é necessário que o Orçamento seja aprovado. No caso contrário seria ainda Rui Rio a liderar o PSD nas eleições antecipadas.

Embora fale em estabilidade, o bem da Nação e outras coisas mais, Marcelo Rebelo de Sousa apenas está preocupado em liderar o PSD. Hoje ele é presidente da República, ‘líder’ do PSD, ‘líder’ da oposição. Ele é tudo e o seu contrário!

Para atingir os fins, Marcelo Rebelo de Sousa alia-se maquiavelicamente a tudo o que lhe parece útil. Para ele o interesse do país é o seu!

Satã não faria melhor.

Mário Casa Nova Martins

1 de Novembro de 2021

Rádio Portalegre


 

terça-feira, outubro 19, 2021

Desabafos 2021/2022 - II

Com uma mediatização circense, foi na passada semana apresentado o Orçamento de Estado para 2022.

Com a afirmação de alívio fiscal para jovens, classe média e empresas, os fiscalistas que não são dependentes do governo socialista, afirmam que é tudo muitíssimo relativo, porque o dito alívio é tão pequeno que se torna particamente invisível!

Outro facto é que a dita classe média portuguesa está, em termos de valor bruto de rendimentos, ao nível da pobreza dos principais países da União Europeia, e em último lugar nos países do euro. É o Socialismo!

Este Orçamento de estado, assim como os anteriores do governo socialista, penaliza quem cria riqueza, quem cria emprego, e beneficia quem não trabalha, quem não produz. É o Socialismo!

Com impostos directos altíssimos, com impostos indirectos em alta, mesmo assim, a dívida pública é elevadíssima. A má gestão dos governos socialistas, que governam de acordo com as sondagens, que têm uma clientela subsídio-dependente, além da ideologia, é a razão do contínuo empobrecimento do país.

Portugal, pior que ser o parente pobre da União Europeia, é o pedinte dessa mesma União Europeia. As políticas socialistas dos últimos governos, aliados com a esquerda radical, asfixiam empresas e famílias.

O Serviço Nacional de Saúde está na bancarrota, a TAP está falida, a CP está em agonia.  Prometem hospitais, estradas, pontes, barragens, mas nunca o investimento público foi tão reduzido. Querem fazer parecer o contrário!

É o Socialismo!

Mário Casa Nova Martins

18 de Outubro de 2021

Rádio Portalegre

quarta-feira, outubro 13, 2021

Florindo Madeira - In Memoriam

Florindo Hipólito Sajara Madeira

29 de Novembro de 1935 – 12 de Outubro de 2021

*

Natural de Portalegre, onde nasceu a 29 de Novembro de 1935, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e vivia em Cascais desde 1964, onde exercia a profissão de Advogado.

Foi cidadão de mérito municipal grau ouro da Cidade de Portalegre e da Vila de Cascais. Foi Governador Civil de Portalegre após o 25 de Abril de 1974.

Portalegrense Ilustre, teve sempre presente a cidade que o viu nascer.
A Voz Portalegrense

Florindo Madeira

Mais um Amigo que "parte". Ontem, 12 de Outubro, no final do almoço, que assiduamente fazia com amigos, colegas e conterrâneos, o dr. Florindo Hipólito Sajara Madeira sentiu-se mal, desmaiou e nada foi possível fazer para evitar "a sua partida".

Natural de Portalegre, onde nasceu a 29 de Novembro de 1935, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e vivia em Cascais desde 1964, onde exercia a profissão de Advogado.

O Florindo Madeira foi desde muito cedo "um activista cultural" tendo sido um dos Fundadores do AMICITA (Grupo Cultural de Portalegre), em 1957, nos altos do então Café Facha, juntamente com os colegas Augusto Costa Santos (Tito) e Mendes.

Nas Tertúlias do Facha muitos ilustres "Lagóias e Estrangeiros" participaram, de entre os quais recordo José Régio e os drs. Ernesto Oliveira e António Teixeira. Foram muitos outros que fizeram parte deste Grupo podendo recordar alguns da minha geração António Sérgio Curvelo Garcia, João José Casa Nova Ribeiro, Joaquim Portilheiro e Rui Abreu.

Em determinada altura, o AMICITA fundou um Cine-Clube, do qual fui sócio por influência do irmão do Florindo, o meu Amigo desde sempre e até hoje, Francisco Ângelo, tendo assistido a algumas sessões que eram levadas a cabo no Cine-Teatro-Crisfal, sempre vigiadas por dois "sujeitos vestidos com uma gabardine branca".

Não me quero alongar muito nesta pequena homenagem que quero aqui prestar ao dr. FLORINDO MADEIRA, mas quero recordar que ele foi o primeiro Governador Civil do Distrito de Portalegre depois do 25 de Abril de 1974.

Aos irmãos Gioconda, Francisco Ângelo e Júlio Manuel, à esposa Beatriz e aos restantes familiares, muitos dos quais meus amigos pessoais, apresento as minhas condolências e profundo pesar.

Manuel Alberto Morujo

terça-feira, outubro 12, 2021

Avelino Bento e os 'putos'

«Era uma vez…», assim começavam as histórias lidas num tempo de uma infância feliz. Eram histórias de princesas e de príncipes, de reis e rainhas, histórias de encantar que faziam sonhar e acreditar que as pessoas eram felizes e o mundo o paraíso.

«Os últimos putos neo-realistas» é, até ao momento, a mais recente obra de Avelino Bento, um Autor cada vez mais prolífero.

O neo-realismo foi uma corrente artística de meados do século XX, com um carácter ideológico marcadamente de esquerda marxista, que teve ramificações em várias formas de arte (literatura, pintura, música), mas atingiu o seu expoente máximo no cinema  neo-realista, sobretudo no realismo poético francês e no neo-realismo italiano.

Esta definição mostra que a realidade não é homogénea, outras formas interpretativas das artes coexistiram, e hoje o neo-realismo faz parte de um tempo, e esse tempo é aquele no qual o Autor situa a sua infância e as histórias que narra na Obra.

O livro é um conjunto de histórias vividas por Avelino Bento, que deixaram no seu imaginário uma saudade saudável, a ponto de querer partilhá-las com terceiros, os seus Leitores.

A felicidade que mostra na escrita, é acompanha por desenhos do próprio, que de alguma forma complementam o texto.

Por certos, muitos dos Leitores identificar-se-ão, de uma forma ou outra, com muitas das histórias deliciosamente contados pelo Autor. Essa uma, entre outras mais, mais-valias d’«Os últimos putos neo-realistas». A ler!

Mário Casa Martins

sexta-feira, outubro 08, 2021

Clint e a Redenção

Ainda se fazem filmes assim. Tão simples, tão profundo, tão grande!

A história conta-se em meia dúzia de palavras, mas os gestos são tão fortes que não se fica indiferente. O retracto de um tempo que é passado, mas não é nostálgico porque estava cheio de Princípios e Valores que hoje se perderam. Passado que não pode passar.

A América que foi grande, o México sempre na rota da América profunda. Aquela que perdeu uma guerra mas que nunca se vergou aos vencedores.

A memória dos Pioneiros, a pradaria, o deserto, os cavalos. E um animal pequeno, que é enorme na luta, um vencedor!

A Fronteira separa dois mundos, um que foi e o que é. O Deus Regiano, aquele que ‘fere e consola com o próprio mal que faz’. O Bem e o Mal. A Providência. E o tempo que tudo traz e tudo cura. A Redenção.

Houve um tempo em que os Homens e as Mulheres construíam a Família, que tinha Fé, que se redimia pelo Trabalho, pela doação ao Outro. Dar sem esperar o retorno. Mas o final é o retorno a casa, ao lar, à Família. Sublime.

O Rapaz e o Velho. Eu também já sou Velho.

Que banda sonora! Que canções! Que Viva o México. Que viva a América!

Honra a Clint Eastwood.

Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, outubro 07, 2021

Desabafos 2021/2022 - I

Há eleições que são mais importantes do que outras, e as eleições de 26 de Setembro na Alemanha comprovam esta afirmação.

A importância da Alemanha na União Europeia é determinante. Dir-se-á que é o seu ‘motor económico’, mas não só. A sua posição geoestratégica faz com que seja o centro de decisões políticas que influenciam não só a União Europeia, como todo o resto da Europa.

Com a liderança de Angela Merkel, a Alemanha entrou numa espiral de retrocesso económico e social, enquanto a União Europeia acentuou a sua decadência.

Sem uma estratégia definida quanto ao papel e futuro da Europa, ‘formatada’ na ex-RDA, com tiques estalinistas, Angela Merkel traiu o seu antecessor Helmut Kohl e abandona a liderança do seu partido, fazendo com que este tenha o pior resultado eleitoral da sua história. E Merkel colocou a CDU no centro-esquerda, quando a CDU sempre foi de centro-direita.

Os resultados eleitorais alemães não deram maioria a nenhum partido, haverá governo de coligação, ou, num outro cenário possível, novas eleições se não se conseguir encontrara uma forma política que desbloqueei a situação.

Quanto mais tempo demorar a Alemanha a encontrar uma solução de governo, pior para a União Europeia, com Bruxelas e os seus eurocratas a conquistarem mais poder sobre as nações que a constituem.

E se a Alemanha se ‘constipa’, o subsidiodependente Portugal tem uma forte ‘constipação’. Vai ser um outono com prenúncio de agreste inverno.

Mário Casa Nova Martins

4 de Outubro de 2021

Rádio Portalegre

domingo, setembro 05, 2021

Jaime Nogueira Pinto - Num mundo de laranjas mecânicas

Stanley Kubrick (1928-1999) é um dos mais extraordinários criadores do século XX. Digo criadores em vez de realizadores porque num tempo de decadência e cancelamento culturais, em que a imaginação e a criação que dela resulta vão sendo cada vez mais raras, Kubrick aparece como um grande inovador e criador.

E viveu e trabalhou em plena segunda metade do século XX, onde não faltaram, no cinema, grandes inovadores e criadores: na Anglo-América – Orson Welles, Elia Kazan, John Huston, Alfred Hitchcock, Billly Wilder, John Ford, Brian de Palma – e no resto do mundo – Serguei Eisenstein, Luis Buñuel, Federico Fellinni, Luchino Visconti, Akira Kurosawa, Werner Herzog, Jean Renoir, René Clément, Jean Luc Godard, Pedro Almodovar. E muitos outros admiráveis “caçadores de imagens” que deixo de fora mas a quem agradeço milhares de horas de sonho e de luz.

Em quase cinquenta anos de carreira e depois de um início de film noir, Kubrick realizou uma série de filmes magistrais sobre os grandes temas da Humanidade e da América, começando por duas fitas protagonizadas por Kirk Douglas – Paths of Glory (1957) e Spartakus (1960).

Como com Kubrick a verdade das coisas se impõe ao resto, Paths of Glory é um filme antimilitarista, numa época em que contestar o establishment militar não estava muito na moda, que sublinha a estupidez cínica dos altos comandos que ganham promoções e condecorações à custa de massacres da sua própria tropa. E Spartakus é uma ilustração do pensamento nietzschiano de que a revolta é a nobreza do escravo.

Em 1962, faz a adaptação de Lolita, o livro-escândalo de Nabokov, num filme de culto com James Mason, Shelley Winters, Sue Lyon e Peter Sellers. Depois, vem a charge à Guerra Fria, em Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, com Sellers, George C. Scott e Sterling Hayden.

Em 1968 2001 Odisseia no Espaço, em 71 Laranja Mecânica, em 75 Barry Lindon e em 1980 um filme de terror, The Shining, a partir do thriller de Stephen King. O Vietname de Kubrick ficou em Full Metal Jacket. Pelo meio deixou de parte projectos avançados sobre o Holocausto e Napoleão. No fim fez a sátira social Eyes Wide Shut, com Nicole Kidman e Tom Cruise, que estreou postumamente. É toda uma obra invulgarmente original e variada na sua universalidade.

O mecanismo da laranja

A Clockwork Orange, A Laranja Mecânica, foi apresentado em Nova Iorque, em 19 de Dezembro de 1971, inspirado no romance distópico de Anthony Burguess, de 1962. Numa Inglaterra futura, Alex Delarge lidera um quatuorde delinquentes juvenis – Dim, Georgie, Pete e o próprio Alex. São violentos, roubam, assaltam, agridem, violam, matam. A deles, é uma violência gratuita, cobarde, sem riscos. Nas suas andanças, assaltam a casa de campo de um escritor, Mr. Alexander e espancam-no e violam e matam-lhe a mulher, ao som de Singing in the Rain.

Alex, magnificamente interpretado por Malcolm McDowell, gosta especialmente de Beethoven e particularmente da Nona Sinfonia e gosta de temperar sadicamente o mal que faz com a harmonia da música.

Mas depois do crime vem o castigo: Alex entra em ruptura com os cúmplices, que o traem e entregam, é preso, julgado e condenado por homicídio. Ao fim de dois anos de cárcere, voluntaria-se para uma experiência de “aversion therapy”, um sofisticado processo pavloviano que associa sensações desagradáveis a práticas de violência. O condenado Alex vê projectadas no écran cenas de sexo e de brutalidade ao som de Beethoven, enquanto lhe injectam doses de mal-estar. Assim, vai ficando pacífico e impotente até terminar com sucesso a sua “reeducação” de duas semanas, para grande satisfação do Ministro do Interior.

É então posto em liberdade, mas está na miséria; e aqueles a quem prejudicou vão vingar-se. É atacado por mendigos, leva uma sova de Dim e Georgie, que, entretanto, ingressaram na Polícia, e acaba descoberto e punido por Mr. Alexander, o escritor agredido, que está agora numa cadeira de rodas mas que, com a ajuda de amigos, o tortura ao som da Nona Sinfonia. Alex tenta suicidar-se, mas acaba por ficar a trabalhar para o Ministro, na campanha eleitoral, como testemunha-cartaz dos admiráveis feitos da Ciência e efeitos da reeducação médica dos criminosos.

“A voz do Fascismo”

Assim se fecha o ciclo da brutalidade, o crime e castigo segundo Burgess e Kubrick. O filme estreava num tempo de revolta juvenil e de libertarianismo de costumes, um tempo que sucedia aos quietos anos cinquenta. A partir dessa sua trágica opera-bufa, Kubrick retratava a violência dos gangues que queimavam os “sem-abrigo”, macaqueavam orgias romanas e se excitavam e entorpeciam nos paraísos artificiais das drogas. Um mundo tão verdadeiro como o dos políticos corruptos, dos consultores de comunicação enervados, do “recurso à ciência” para fins eleitorais ou de “reeducação”.

Um mundo longe do mundo imaginário de paz e amor cantado, também nesse ano de 1971, por John Lennon (que, de resto, definiria o seu Imagine como uma espécie de “sugar coated communist manifesto”). Talvez por isso A Laranja Mecânica tenha sido objecto da crítica de Fred Hechinger no New York Times, que, em 13 de Fevereiro de 1972, escrevia contra Kubrick:

“Um liberal atento deve reconhecer a voz do fascismo (…) E a tese de que o homem é irremediavelmente corrupto é a essência do fascismo”.

As acusações de Hechinger tiveram, duas semanas depois, a resposta de Kubrick, que contestava que o seu filme fosse uma “apologia anti-liberal e de totalitarismo niilista”. Nessa longa carta, Kubrick, citando a sua observação da História e a teologia cristã, negava a narrativa do homem como naturalmente bom, como um bom selvagem corrompido pela sociedade, pelo poder organizado, pela propriedade, pela religião. Mas acrescentava que o seu pessimismo antropológico, ou o seu realismo, não fazia dele um tirano ou um fascista.

Depois, a propósito da terapia prisional aplicada a Alex, sublinhava que a terapia nunca poderia ser redentora porque suprimia a vontade e a livre escolha, transformando a sociedade numa sociedade de laranjas mecânicas.

E, sem medo, escrevia:

“O homem não é um nobre selvagem, é um selvagem ignóbil. É irracional, brutal, fraco, estúpido, incapaz de ser objectivo em causa própria ou quando se jogam os seus interesses … E qualquer tentativa de criar instituições sociais baseadas na visão falsa da natureza do homem, estará condenada ao fracasso.”

E concluía:

“A falácia romântica de Rousseau, de que é a sociedade que corrompe o homem e não o homem que corrompe a sociedade, coloca uma cortina lisonjeira entre nós e a realidade”.

Para Kubrick, Rousseau substituíra o Deus transcendente e a sua religião pelo culto do homem naturalmente bom. E citava o antropólogo Robert Ardrey, o “autor maldito” de The Social Contract e African Genesis, lembrando que, mais que anjos caídos, nós, os seres humanos, éramos, ou também éramos, macacos levantados do chão, com todos os instintos dos hominídeos – de identidade, de território, de defesa do grupo. E capazes de matar por eles.

Rousseau e os Talibãs

Reagindo ao radical pessimismo de Kubrick e Ardrey, diria que oscilamos entre o anjo e a besta – mas que esquecer a besta nos leva quase sempre ao menos angelical dos mundos.

Li agora nos “Arquivos” de Kubrick, editados por Alison Castle, esta polémica no New York Times. Li-a neste preciso momento, em que vemos e vivemos de perto um mundo devastado e amedrontado pela pandemia, pelos feitos dos bons selvagens talibãs em Cabul e do jihadismo no Norte de Moçambique ou no Sahel e até nas cidades de França. Um mundo em que centenas de milhões de seres humanos continuam a viver na fome, na miséria, dominados pelas tiranias mais diversas, vítimas do crime organizado e da exploração em infinitas formas.

E, no entanto, neste mesmo mundo, o discurso oficial das grandes organizações internacionais e multilaterais continua a ser a versão revista, aumentada e requintada da cartilha de Rousseau, presente nos estatutos, nas declarações, nas resoluções, nas convenções destes respeitabilíssimos areópagos da Humanidade. Areópagos que preferem falar do tempo, das ameaças climáticas, por mais reais e por mais estridentemente anunciadas pela pequena profeta sueca que sejam. Ou então de novos e também verdes e floridos “direitos humanos”, para selvagens cada vez melhores e mais nobres e mais angelicais. Ou da protecção dos dóceis animais, que até tiveram prioridade sobre as pessoas num voo de Cabul para Londres.

E para tudo isto preparam-se agendas especiais, cancelam-se e proíbem-se autores, práticas culturais, modos de vida. E destroem-se estátuas, mudam-se nomes de ruas e universidades, criam-se leis especiais para os “discurso de ódio” e impõe-se o terror e a morte moral dos dissidentes.

A nova Inquisição segue os passos do Sr. Hechinger, esse “liberal atento”, que viu o ovo da serpente, ou o fascismo palpitante na Laranja Mecânica e no pessimismo antropológico de Kubrick. Se fosse hoje Hollywood proibia-o. Talvez ainda o venha a fazer. Também depende de nós deixar que o faça ou que o façam.

Jaime Nogueira Pinto

https://observador.pt/opiniao/num-mundo-de-laranjas-mecanicas/

quarta-feira, junho 23, 2021

Mário Silva Freire

Revista Psicologia e Educação On-Line 2021, Vol. 4, Nº 1, 1 - 8

Aceite: 18/04/2021 

Resumo do artigo publicado na revista da UBI

Trata-se de um estudo das preferências profissionais de duas populações de crianças dos 6-10 de idade, do 1º ao 4º ano de escolaridade, representativas do concelho de Portalegre, separadas 32 anos no tempo, anos escolares de 1987-1988 e de 2019-2020, abrangendo uma amostra total de 1132 pessoas (540 e 592, respectivamente).

Um dos conceitos introduzidos é o de “taxa de dispersão” que traduz o número de profissões diferentes preferidas por cada 100 crianças. Quanto maior for o valor da taxa de dispersão, maior será o número de profissões conhecidas pela população em estudo.

No que se refere às preferências profissionais das crianças de 1987-1988, num total de 77 profissões escolhidas, verificou-se uma diferença acentuada da taxa de dispersão entre rapazes (20,7%) e raparigas (13,8%).

Quanto às preferências profissionais das crianças de 2019-2020, as preferências profissionais distribuíram-se por 116 profissões em que a taxa de dispersão dos rapazes foi de 29,4% e o das raparigas de 26,6%.

Estes valores indicam uma aproximação muito significativa entre os sexos nas crianças de 2019-2020, no que se refere ao conhecimento do mundo das profissões, ao contrário do que se passava com as crianças de 1987-1988.

Quanto às diferenças no conteúdo dessas preferências, nas duas amostras, no léxico de 1987-1988, aparecia a nomeação de profissões como as de peixeiro, taberneiro, apanhador de castanhas, pastor, cantoneiro, carpinteiro, lavadeira, guarda-fiscal, doméstica, polícia-sinaleiro…  que hoje já desapareceram ou estão em vias de extinção.

Quanto às preferências emitidas em 2019-2020, elas abrangem um conjunto alargado de profissões, muitas das quais não são referidas em 1987-1988, algumas exigindo formação superior, como as de astronauta, biólogo marinho, dentista, designer de interiores e de moda, engenharias (agrícola, civil, informática, mecânica), estilista, farmacêutico, jornalista, juiz, paleontólogo… Na profissão de músico ocorreram algumas especialidades (flautista, guitarrista e violoncelista).

Um outro conceito introduzido no estudo foi o de “índice de concentração”, servindo ele de crivo para separar as profissões mais preferidas. Não se entrando na caracterização deste índice, verificou-se que na população de 1987-1988 essas profissões foram, por ordem percentualmente crescente, as seguintes: pedreiro, polícia, mecânico, enfermeiro/a, cabeleireira, futebolista, médico/a e professor/a, correspondendo estas profissões a 60% das crianças. Tal significou que os restantes 40% dispersaram as suas preferências por 69 profissões. Observou-se, ainda, que as profissões de pedreiro, polícia, mecânico e futebolista só foram escolhidas por rapazes; a profissão de cabeleireira só o foi por raparigas; as restantes profissões (enfermeiro/a, médico/a e professor/a), tendo ainda um forte pendor feminista, tiveram preferências em ambos os sexos.

Relativamente às profissões mais escolhidas na população de 2019-2020, elas foram, por ordem percentualmente crescente, as seguintes: estilista, actor/actriz, militar, cozinheiro/a, bombeiro/a, You Tuber, cabeleireiro/a, cantor/a, médico/a, polícia, professor/a, veterinário/a e futebolista, correspondendo elas a 60% das crianças. Os restantes 40% das crianças distribuíram as suas preferências profissionais por 103 profissões. Apenas a profissão de estilista foi preferida pelo sexo feminino, embora as restantes, tendo representação em ambos os sexos, apresentem ainda alguma tendência sexista.

Comparando as duas populações escolares, verifica-se que do ano 1987-1988 para o ano 2019-2020 houve, relativamente às profissões mais preferidas por um só dos sexos, uma descida de 62,5% para 7,7%, o que significa uma diminuição muito acentuada dos estereótipos associados a profissões desempenhadas ou só por homens ou só por mulheres.  

 A abertura da sociedade a ideias mais igualitárias em relação aos papéis do homem e da mulher reflecte-se com muito destaque neste estudo comparativo entre estas duas populações. Com os dados com que se trabalhou pode concluir-se que, para as crianças dos 6-10 anos de idade, do ano escolar de 2019-2020, ao contrário das crianças de há 32 anos atrás, o facto de se ser homem ou mulher ou o lugar onde se reside não é percepcionado como um factor de grande relevância que as limite na concretização das suas preferências profissionais.

http://psicologiaeeducacao.ubi.pt/index.html

http://psicologiaeeducacao.ubi.pt/arquivo.html

terça-feira, junho 22, 2021

Autárquicas 2021 em Portalegre

No concelho de Portalegre, as candidaturas autárquicas, seguem o seu linear caminho.

Bem, nem todas.

O PS tem na Rua 1.º de Maio a sua sede de candidatura, privilegiando as cores, amarelo e preto, do concelho, apresentando o leitmovif, slogans, da campanha, e ultima as listas.

O CLIP tem o ‘trabalho de casa’ feito, está no terreno desde o princípio do ano, ao ‘aparecer’ nos funerais, nos lares, nas associações e ‘em tudo o que mexe’.

O PCP surpreendeu ao ‘trocar o certo pelo incerto’, e está a consolidar a sua base eleitoral, uma vez que com a ‘escolha’ feita perde o ‘voto útil’.

O ‘novato’ Chega está em convulsão ao afastar o candidato à junta de freguesia Sé e São Lourenço (sinais, ‘dores de crescimento’, ou o ‘albergue espanhol’ está a abrir fissuras), mas tem certo uma fatia do eleitorado do CDS, dado ser quem é o candidato à autarquia.

Embora queiram que nada transpire, a verdade é que o PSD tem tido dificuldade no preenchimento das listas. Uns, pura e simplesmente, recusaram entrar nesta ‘aventura perdedora’, outros, dado que a candidata tem a liberdade de escolher quem quer, foram ‘eliminados’, e os que irão aparecer não são mais-valia, são segundas e terceiras escolhas.

É por estes factos internos do PSD que o CDS deve repensar a coligação que, segundo se diz, uma vez que nada é público, terá ‘cozinhado’.

Que o CDS do concelho de Portalegre faça um Plenário de Militantes, que convide simpatizantes, e promova um debate que ponha em cima da mesa a hipótese de uma coligação (que se sabe ser perdedora) com o PSD, ou a hipótese de avançar sozinho.

Defendemos que o CDS deve concorrer com listas próprias!

O CDS nada tem a ganhar em fazer uma coligação eleitoral no concelho de Portalegre com ‘este’ PSD. Perde identidade, divide-se, dilui-se.

O passado de coligações do CDS com o PSD no concelho de Portalegre mostra que o PSD só quer coligação quando está fraco, quando sabe que não vai ganhar a autarquia.

Foi isto mesmo que a sua actual candidata fez no passado em Arronches.

Na candidatura em que sabia que não ganharia (2005), fez uma coligação com o CDS e o PPM. Passados quatro anos, quando todos os dados indicavam que ia ganhar, tal como aconteceu (2009), recusou a reedição da coligação com o CDS.

E factos, são factos!

Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, junho 09, 2021

Salazar, o Ditador que se recusa a morrer

Recordo uma conversa de décadas com o dr. Rui Biscaia Tello Gonçalves, sobre um texto meu no extinto semanário «O Distrito de Portalegre». Em finais de Julho desse ano, por altura da data do seu falecimento, escrevera no meu espaço «Conta-Corrente» sobre António de Oliveira Salazar.

Preocupado, como Amigo alertava-me que ainda não era tempo para se falar de Salazar. O meu texto era o que pensava sobre aquela figura política, e ‘fugia’ dos cânones oficiais.

Hoje, passadas décadas, quem se atreve a escrever sobre Salazar, fora desses cânones, sujeita-se a ser insultado e caluniado. Mas, como “os cães ladram e a caravana passa” (abençoado Povo que tais ditados populares tem!), nunca me coibi de dizer e escrever aquilo que para mim é a verdade dos factos.

Esta introdução vem a propósito da leitura do livro «Salazar, o Ditador que se recusa a morrer», editado pela D.QUIXOTE.

Há um texto interessante de João Pedro Castanheira no semanário «Expresso» intitulado «As livrarias estão cheias de lixo sobre Salazar», citado na bibliografia, e é totalmente verdade. Daí se ter o maior cuidado em adquirir livros sobre Salazar e o Salazarismo. Esta temática ‘vende como pães quentes’, tal como outras temáticas que são estória e nada têm de História. Inclusive, se determinada palavra aparece no título, logo é sinónimo de vendas.

Esta obra de Tom Gallagher trata de Salazar, o seu tempo e a sua obra vistos por um estrangeiro, o que desde logo dá um distanciamento do Autor face ao tema que estuda.

O maior interesse, dado que os factos são do domínio público, é, justamente, conhecer a maneira interpretativa de Alguém que embora conheça bem o século XX português, não o viveu presencialmente.

Não se pretende fazer uma crítica pormenorizada sobre o livro. Contudo, refira-se o ‘desmontar’ do mito do ‘justo’ de Cabanas de Viriato, uma das ‘vacas sagradas’ do anti-salazarismo. Interessante a análise sobre Henrique Galvão, Santos Costa, e sobretudo Marcello Caetano. Rolão Preto não é ‘esquecido’, e convirá dizer que recentemente a «Contra-Corrente» editou uma antologia de textos do Nacional-Sindicalismo.

A análise das relações entre Salazar e os americanos é excelente.

Um livro a ler! Sem complexos, na busca da Verdade, em Liberdade.

Hoje em Portugal vigora um regime Socialista, não do tipo totalitário como o soviético, mas é um facto que se tem um Estado excessivamente interventivo nos campos da economia, saúde e educação, e cada dia que passa a Extrema-Esquerda tem mais influência no Governo do PS. Vive-se um Socialismo à portuguesa, que tem conduzido o País para a cauda da União Europeia.

O parágrafo anterior serve de introdução a uma frase do livro, página 88, linhas 24 a 27: _ Mas, como observou um historiador, [Salazar] moldou Portugal «de modo muitíssimo socialista» deixando os portugueses acostumados a uma grande presença do Estado e muitíssimo dependentes do Estado.

O historiador era o socialista A. H. de Oliveira Marques. E, p’ra que conste, nunca fui Salazarista!

Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, maio 28, 2021

3.ª Convenção do MEL e as Direitas

O «MEL – Movimento Europa e Liberdade» é um grupo, uma agremiação lobista, no sentido positivo, que pretende divulgar o pensamento de Direita através da intervenção académica, realizando entre outras actividades uma reunião anual a que dá o nome de «Convenção».

Nos passados dias 25 e 26 de Maio realizou a 3.ª Convenção, para a qual convidou gentes das Direitas, e também das Esquerdas. E também convidou os líderes dos quatro partidos com assento parlamentar à direita do PS.

Diz-se ‘à direita’ e não da Direita, porque dos quatro, dois assumem-se de Direita, CDS e Chega, um que se diz nem de Direita nem de Esquerda, IL, e outro que se diz que não é de Direita, o PSD.

Os painéis temáticos tiveram muita qualidade, foram claros e explicativos, ficando a ideia que em Portugal a Lei de Gresham existe de facto na política, mas nos partidos, não nos «espectadores comprometidos» que sabem pensar, que têm ideias e as sabem expressar.

Da intervenção dos quatro líderes parlamentares, começando por Rui Rio, ficou uma vez mais provado o equívoco ideológico que é o PSD. Também se provou que a “profecia” de José Miguel Júdice segundo a qual o PSD não será governo pelo menos até 2027, é bem real. Rui Rio colocou o PSD num gueto, e dele não consegue sair, sendo visto na opinião pública como uma muleta da governação socialista, o aliado indesejável para o próprio PS.

O líder da Iniciativa Liberal, do alto da sua superioridade moral (???) face à Direita, mostrou o que é a IL, um partido ultra-liberal na economia e ‘compagnon de route’ nas causas fracturantes do BE. Extraordinário!

O líder do Chega, foi igual a si próprio. A insistência na ida para o governo ‘aliado’ ao PSD, a insistência no nome de Rui Rio, quase uma súplica, desgasta a imagem de alguém e de um partido que parece apenas ter como ideologia ir para o governo, esquecendo que primeiro tem que conquistar o seu espaço político através de ideias próprias e de realizações políticas que lhe deem a força eleitoral necessária para então ira para a governação.

Por fim, o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos.

Rodrigues dos Santos fez um discurso vigoroso, assertivo. O defunto Freitas do Amaral deve ter dado ‘saltos no caixão’!

Foi desmontado o Centrismo, se é que ele alguma vez existiu. O CDS foi definido da forma que ao longo da sua História a larga maioria dos seus Militantes e Simpatizantes o consideravam, um partido de Direita, mas que vicissitudes da própria natureza desta Terceira República têm impedido de o afirmar.

Sem complexos de qualquer ordem, Francisco Rodrigues dos Santos, foi um líder que deixou nesta Convenção a marca do verdadeiro CDS!

Pena é que no seu ‘exército’ a Lei de Gresham seja tão evidente!

Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, maio 27, 2021

Jaime Nogueira Pinto e a "extrema-direira"

Tenho seguido com curiosidade o progresso e a multiplicação de observatórios. Dizem os dicionários que um observatório é “o lugar de onde se observa; um edifício científico equipado para a observação de determinados fenómenos”. É, pois, de Ciência que falamos.

De Ciência e de Progresso, porque longe vão os costumeiros observatórios de Greenwich, da Ajuda ou da Serra do Pilar. Os modernos observatórios sociais já não observam corpos celestes: observam fenómenos patológicos próximos com rotas pré-determinadas. Para tal, recorrem a uma nova estirpe de auxiliares de acção científica: os “activistas” – investigadores reconhecidos, não só pelo seu rigor e isenção, mas também pela sua excepcional capacidade de produzirem verdades científicas a partir da identificação dos pensamentos, palavras, actos e omissões de todo o ser ou povo que, alimentado exclusivamente por fake news, apresente sintomas ou laivos opressivos e difunda patologias ideológicas e comportamentais que ameacem a Democracia e a Humanidade. É esta a verdade científica.

E quem somos nós para contestar a Ciência? Nós, os que, perante os admiráveis avanços da investigação e a excelência dos novos investigadores, oscilamos entre formas de vida, de acção e de pensamento ora ainda primitivas ora já fossilizadas e que, por isso, não estamos nem nunca estaremos cientificamente equipados ou minimamente habilitados, subsidiados e homologados para sermos mais do que o fenómeno observado. E muito menos para questionar o asséptico “lugar de onde se observa” e de onde agora se “faz ciência” – que, como todos sabemos, é um rigoroso “não lugar”, escrupulosamente isento de vírus ideológicos e imune a todo o preconceito. Não está ao nosso alcance escrutiná-lo. É qualquer coisa de científico.

E quais são então os fenómenos patológicos fixados por estes muitos observatórios; os fenómenos que, por afectarem e afligirem a nossa sociedade e por terem, bruscamente, invadido o nosso país, requerem observação e, em tempo de pobreza económica, social, cultural e moral, urgente canalização de recursos estatais? São, evidentemente a xenofobia, a homofobia, a transfobia e outras fobias do género. As observações e os dados científicos recolhidos e tratados neste âmbito seguem depois para as entidades competentes para que semelhantes acidentes e incidentes ou entes e entidades possam ser devidamente expurgados.

Uma reedição da Real Mesa Censória com ecos do orwelliano Grande Irmão? Não. Ciência pura. Simples Progresso. A Carta Portuguesa dos Direitos Humanos na era Digital.

O Observatório da Extrema-Direita

Descobri, com atraso, que entre estes novos observatórios dedicados às várias fobias há um “Observatório da Extrema-Direita”. Seria a “extrema-direita” a observar? Não, que a extrema-direita não tem cientistas nem estudos para ter observatórios: a “extrema-direita” era o fenómeno observado. A única diferença em relação às outras fobias observadas era que aqui a fobia chegava, não do universo alvo, mas do “lugar de onde se observa”, ou do não-lugar onde se aloja a isenta comunidade científica que se confessa consideravelmente alarmada e que por isso se propõe analisar o fenómeno sem outras agendas que não a Verdade e a Ciência.

Curiosamente, o fenómeno, ainda antes de ser entalado na lamela e encaixado no microscópio, já lhes chegara rotulado. E – ou pela urgência de encontrar uma vacina para tão grave patologia ou porque, também aqui, os académicos que integram o observatório contam com o precioso auxílio da nova estirpe activista de auxiliares de acção científica – as perguntas de investigação começam logo por abreviar processos:

“O que é a nova extrema-direita? O que tem de ‘velho’? Quem são os seus protagonistas que se dizem fora do sistema e vivem do sistema? Qual é a sua agenda e os meios de propagação das suas ideias? De que forma se alimenta do racismo, da xenofobia e do conservadorismo?” E mais adiante: “Interessa-nos discutir também quem cria as fake news e porque é que a extrema-direita cresce com elas”.

O processo fica, assim, sabiamente abreviado logo nas perguntas de investigação, com o relatório praticamente pronto a ser enviado às autoridades competentes.

Há quem diga que “o lugar de onde se observa” pode, eventualmente, influenciar a investigação, os pressupostos, a amostragem, as conclusões, e que estes observadores poderão, quem sabe, ter outra agenda que não a Verdade e a Ciência. Talvez de esquerda ou de extrema-esquerda. Mas parece que não, que são mesmo isentos. E que não o sejam: é materialismo científico…e os observatórios estão cientificamente equipados para observar e não para serem observados.

De qualquer modo, os cientistas do observatório estão apreensivos com o fenómeno em análise. E não será para menos. Aquilo a que cientificamente chamam “extrema-direita” (a saber, um polvo que se diz fora do sistema mas que vive do sistema, que se alimenta de racismo e xenofobia ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar e que cresce com as fake news que cria) avança a olhos vistos e em sítios antes impensáveis: na América populista que elegeu Trump em 2016, no Brasil de Bolsonaro, nos conservadores sociais e identitários da Hungria e da Polónia, nos italianos de Salvini e da Meloni; e até em França, onde Marine Le Pen está a escassos pontos de Macron e os generais escrevem cartas em que falam de perigo de guerra civil.

É para estar preocupado. Até porque se dá um fenómeno também muito curioso e preocupante: é que esta subida da dita “extrema-direita” não vem de golpes militares à 28 de Maio ou à Pinochet, ou de violências de rua, preparando “marchas sobre Roma”, ou um Machtergreifung em Berlim. Vem do voto, do voto do povo, em eleições livres e justas. Fica o repto para as vanguardas iluminadas: para quando um Observatório do Povo e do Voto Popular?

O problema é que este é um voto que nem o cientismo histórico-sociológico consegue explicar. Um voto que nem a “relação de forças”, a ferramenta analítica dos bons tempos dos Pais Fundadores do marxismo-leninismo, cujos rostos paternais esvoaçavam nas bandeiras das saudosas confraternizações comunistas, consegue acomodar a um mundo globalizado, onde os donos dos meios de produção parecem alheados de tais preocupações.

O mofo de Dimitrov

Verifico que, no Observatório, ainda vai havendo lugar para experiências arqueológicas a partir do mofo do velho Dimitrov. O pressuposto que ressuscitam é o de ter sido o fascismo (e de ser agora a “extrema-direita”) a última arma de recurso da Burguesia, que, desesperada perante as forças do progresso e da História, recorre à ditadura, às botas de Mussolini e às camisas castanhas do Cabo Austríaco, ou a caudilhos militares sul-americanos ou balcânicos. Infelizmente, em termos de análise marxista – e seguindo a linha mais ortodoxa do mecanicismo soviético, fixada na Vulgata estalinista e dimitroviana –, esta erupção no Ocidente do “fascismo” e da “extrema-direita” pelo voto popular só muito dificilmente poderá explicar-se com base nas relações de classe ou de produção.

Onde estão agora as “forças do progresso e da História em fúria” se não em pleno mainstream? Onde estão se não ao lado do dinheiro com que se fazem os observatórios e no meio da Burguesia?

Acarinhadas e adoptadas pelo poder, promovidas pelos multimilionários da BigTech, omnipresentes nos órgãos de informação do Establishment, a ideologia e a retórica destas novas “forças do progresso” parecem ser bem mais lucrativas e susceptíveis de estar “ao serviço do grande capital” do que o ideário ou os valores identitários e conservadores da pequena classe média e dos reais ou hipotéticos extremistas da direita “fascista”, “neofascista” ou “pós-fascista”. Ao contrário, a “aliança objectiva” que se prefigura é a dos grandes grupos financeiros, dos híper-milionários do Silicon Valey, até dos grandes interesses do capitalismo de direcção central de Pequim e Xangai, com os valores globalistas da extrema-esquerda radical. E se alguma coisa é pública e notória, é o facto de o “grande capital” e “a burguesia dos interesses” se mostrarem especialmente empenhados em afastar a “extrema-direita” e o “neofascismo” que pairam sobre o mundo euroamericano.

O revisionismo marxista de Gramsci

E se a Vulgata não explica o fenómeno, já a versão mais arejada do marxismo-leninismo, a versão revisionista de António Gramsci, registada nos Quaderni del Carcere, poderá entreabrir algumas portas.

Logo perante a revolução de Outubro de 1917, Gramsci observou no Avanti que “a revolução bolchevique era a revolução contra O Capital de Marx”. Queria ele dizer que, segundo Marx e os marxistas clássicos, para fazer a revolução comunista, era preciso esperar pela revolução burguesa, capitalista. Só depois seria possível uma revolução proletária. Lenine estava a sair da linha…

Gramsci leu, como Mussolini, os escritos de marxistas heterodoxos italianos, como António Labriola. E leu também George Sorel, autor da mais fulgurante desconstrução do ideário das Luzes, Les Illusions du Progrès. Leu ainda, como os fascistas Mussolini, Giovani Gentile e Francesco Ercole, Maquiavel e as suas reflexões sobre o poder e o Estado. Com tudo isto, e com a amarga experiência da derrota do comunismo italiano frente ao fascismo, não seria de esperar que o seu espírito, inteligente e inquieto, longe da resignação e do convencionalismo, não reflectisse sobre o acontecido.

E fê-lo no exílio interior e na prisão, numa série de escritos de cerca de três mil páginas, uma peregrinação interior por dentro de Marx e da História da Itália e da Europa, de onde saiu uma revisão de muitos conceitos e uma crítica implícita do mecanicismo economicista e do fixismo progressivamente imposto pela Vulgata soviética. Ironicamente, esta crítica revisionista, escrita numa prisão fascista, não poderia ter sido feita na União Soviética, onde os acusados de revisionismo morriam nas prisões de Estaline, sem que lhes facultassem papel ou licença para escrever.

Até porque Estaline, que não tinha nada de estúpido, nem de intelectualmente boçal, tinha já elaborado, nos anos Vinte, uma “bíblia do rei Jaime” para calar veleidades interpretativas,

Subsídios para uma observação da “extrema-direita”

Gramsci tratou conceitos decisivos para o estudo da Política: os conceitos de hegemonia, de crise orgânica, de momento bonapartista, a autonomia do Estado como espaço do Poder, o papel dos intelectuais e do combate cultural e da sua relação com as determinantes económicas. E o que escreveu pode ajudar alguns elementos mais distraídos ou mais activistas do Observatório – ainda que só para seu entretenimento e ilustração e independentemente das conclusões que julguem por bem tirar a priori.

Tenho, assim, alguma esperança que os observadores do Observatório da Extrema-Direita estejam mais perto de Gramsci do que da Vulgata nas suas análises futuras.

Sem querer ensinar-lhes nada, penso que estamos na Europa e no Ocidente numa clássica “crise orgânica” do sistema, em que “os grupos sociais” se separam dos seus partidos tradicionais, que já não reconhecem como seus representantes.

Será que nos aproximamos daquele momento, também clássico na teoria gramsciana, em que “a continuação da luta não pode concluir-se senão pela destruição recíproca?”

Não sei. De qualquer modo, esta crise parece-me diferente. As forças do sistema, à esquerda e à direita, aproximaram-se demasiadamente umas das outras, criando um centro rotativo, um centrão, entre uma esquerda socialista ou social-democrata, à Blair, e uma direita que, em termos de valores, passou de conservadora a liberal.

Este centrão sofreu com o fim da União Soviética, como inimigo unificador da Euroamérica. E não está a resistir aos custos do globalismo que a desindustrialização da Europa e dos Estados-Unidos e as vagas migratórias resistentes à integração trouxeram. O macroterrorismo do princípio do milénio agitou as águas, mas as águas voltaram à acalmia do costume, pelo menos à superfície.

Desta não resposta do sistema político aos novos problemas, entre a obsessão economicista e liberal das direitas e o abandono da cultura e da ideologia à agenda post-moderna e radical das esquerdas à americana, resultou a orfandade de grandes sectores da população, marginalizados nos seus usos e costumes, nas suas convicções religiosas e patrióticas, no seu estatuto social e na sua renda. Sectores que foram e vão votando nos candidatos que, marginalmente, foram e vão reagindo.

É isto que vem acontecendo na Europa e nos Estados Unidos de há trinta anos para cá. Na Esquerda, depois do fim da URSS, os partidos comunistas foram-se evaporando, substituídos por partidos que abandonaram as “classes trabalhadoras” e foram procurando legitimidade na protecção e projecção de minorias e de causas minoritárias. À direita, os partidos do sistema concentraram-se no liberalismo económico e esqueceram toda a tradição da direita em termos de valores de orientação permanente – religiosos, identitários, familiares, de solidariedade e justiça social.

Assim as direitas, essa amálgama de partidos e de valores a que o anticomunismo e a defesa da liberdade contra as potências comunistas tinha dado alguma coesão, fragmentaram-se e perderam-se ideologicamente. E aderiram ou deixaram de resistir ao discurso globalista do mainstream, moldado pela esquerda radical, deslegitimando-se progressivamente perante o “povo de direita”, que se voltou para as novas forças que ofereciam resistência e alguma antítese ao que estava. É uma situação de crise orgânica gramsciana.

Assim, ao contrário do que pretendem alguns “observadores da extrema-direita”, esta realidade político-social não é explicável por uma acção manipuladora da Burguesia e do Grande Capital neo-liberal, que, vitoriosos desde a Guerra Fria, estariam agora a reinventar o fascismo e a manipular a extrema-direita e os “populistas”.

Tal análise do objecto observado, aqui e na Europa, parece sair mais de uma cartilha clandestina do militante comunista médio dos anos 50, confiscada pela PIDE, de que de um científico e académico Observatório pós-moderno.

Há cem anos, olhando as revoluções contrárias e paralelas – a dos bolcheviques na Rússia e a dos fascistas em Itália – Gramsci sublinhou a ocasional possibilidade de existir uma autonomia do político, do poder, do Estado e da sua conquista que escapava às relações de produção e até ao jogo das classes sociais e seus “interesses objectivos”. Tratava-se então de uma crise orgânica dos regimes e de um momento bonapartista que Lenine e Mussolini souberam aproveitar.

Os observadores da actualidade podiam dar mais atenção ao mestre e menos a teorias da conspiração, por mais científicas e subsidiáveis que se lhes afigurem.

Jaime Nogueira Pinto

https://observador.pt/opiniao/o-lugar-de-onde-se-observa/

terça-feira, maio 25, 2021

Desabafos 2000/2001 - XIX

A pouco mais de quatro meses, em Outubro, terão lugar eleições autárquicas.

Portalegre cidade e concelho têm a oportunidade de decidir entre ‘o mesmo’, ou a mudança.

Um inquérito de opinião, hoje, dirá que o PS, finalmente com um candidato credível, ganha com maioria relativa.

O segundo lugar é disputado até ao último voto entre CLIP e PSD, que tem, por uma vez, uma candidata que é mais-valia.

O PSD ganha um vereador ao CLIP, cuja imagem se desgastou ao longo de mandatos sucessivos.

O PCP perde o voto útil à esquerda, dada a figura do candidato socialista, e também perde o voto de protesto que irá para o Chega, mas mantém o vereador.

O Chega tem como candidato uma pessoa que há quatro anos teve papel de relevo nas listas do CDS. O descontentamento face ao declínio de Portalegre, cidade capital de distrito, pode ser a grande força do Chega, se conseguir capitalizá-lo.

O BE é residual, o concelho de Portalegre não é radical, não apoia extremismos e muito menos as políticas fracturantes que caracterizam esta força de extrema-esquerda.

Por fim o CDS. Há quatro anos, o CDS vivia momentos de grande entusiasmo e união em torno da candidatura de Nuno Figueiredo Moniz. Hoje, «aos costumes nada diz».

Como se lamenta o ‘desaparecimento’ do CDS!

A diluição do CDS no concelho de Portalegre, quer no PSD, quer no Chega, acontece porque os actuais dirigentes assim o quiseram. Houve tempo para o CDS construir uma equipa forte para este acto eleitoral. Tristeza!

Mário Casa Nova Martins

24 de Maio de 2021

Rádio Portalegre

quarta-feira, maio 19, 2021

O ROSSIO É DE TODOS!

O ROSSIO É DE TODOS!

Em 19 de Maio de 2019, faz hoje precisamente dois anos, o Sport Lisboa e Benfica sagrava-se campeão nacional.

Por todo o país e no estrangeiro os Benfiquistas saíram à rua a festejar o título.

Mas em Portalegre não foi bem assim.

A autarquia discricionariamente proibiu o cortejo automóvel no Rossio, a Ágora Portalegrense.

No passado dia 11 de Maio, os Adeptos do Sporting Clube de Portugal, festejando a conquista do 19.º título de campeão nacional, fizeram o cortejo automóvel pela cidade, cruzando em todos os sentidos o Rossio. E muito bem!

Há dois anos, quando o SLB foi campeão pela última vez, a mesma déspota autarquia proibiu o cortejo automóvel dos Adeptos Benfiquistas no Rossio!

Forças policiais, junto ao stand da Opel, junto à antiga Moagem, junto às Brasileiras, Junto à Casa de Santa Zita, não deixando descer a rua dos Canastreiros, impediam a chegada ao Rossio!

Salvo honrosas excepções, os Benfiquista “comeram e calaram”, aliás, hoje já nem se lembram! Miséria de gente!

Em Maio de 2019 não havia nada que justificasse tal decisão da autarquia. Ao contrário de Maio de 2021, não se vivia em «situação de calamidade» por causa da pandemia do covid-19. Mas aos Benfiquistas foi-lhes negado o direito de circularem livremente no centro de Portalegre! 

Sim, a autarquia foi discriminatória em relação aos Adeptos do Sport Lisboa e Benfica!

Os Benfiquistas de Portalegre foram tratados como de segunda, e não pode haver Portalegrenses de primeira e Portalegrenses de segunda!

Em Portalegre vigora uma ditadura bacoca, só possível dada a mansidão das gentes.

Mas esta gentalha tem o que semeou. E em Outubro irá semear do mesmo! Também não merece mais!

Discriminação, despotismo, autocracia, reinam em Portalegre cidade e concelho.

A lei do “quero, posso e mando” é lei!

Aguentem!

Mário Casa Nova Martins

terça-feira, maio 11, 2021

Desabafos 2020/2021 - XVIII

Paulatinamente a vida retoma a normalidade. Cada dia que passa mais longe parece estar a memória acerca da origem da pandemia, o vírus chinês, do qual resta a dor da perda de familiares e amigos, e das sequelas que ficam para o resta da vida naqueles que o vírus chinês atacou.

Como a História mostra, após a catástrofe, e a pandemia do covid-19 foi uma, os que ficaram querem recuperar o tempo perdido, voltar a viver habitualmente, mas a pressa desse re-nascer pode tornar-se perigosamente.

Mas uma coisa é certa, a vida não pára, e para lá de todos os excessos consumistas que se verificam, como se não houvesse um amanhã, o «pão e o circo» voltou à ordem do dia.

Tal como a máxima orwelliana, segundo a qual «todos são iguais, mas há uns mais iguais do que outros», no verão que se aproxima não abrirá a Piscina Municipal.

Por todo os concelhos do distrito de Portalegre abrirão piscinas, mas na capital de distrito, Portalegre, a sua Piscina Municipal, não vai abrir!

A mentira da sua recuperação é por demais evidente! Quando a fecharam, um vereador pomposamente «adiantou que o município já tem em marcha o projecto de requalificação da Piscina Municipal, que prevê que as instalações funcionem durante todo o ano como unidade de restauração, a colocação de equipamentos lúdicos no tanque destinado aos mais pequeninos, e a construção de balneários para apoio ao campo de futebol que fica na parte de baixo.»

O tempo passou e nada foi feito! Tudo falso!

Venham agora falar novamente no dito projecto, apregoem em milhões para a sua recuperação, mas não irão recuperar a Piscina Municipal!

Lamento que o meu partido, o CDS, ande desaparecido, e nada diga aos Portalegrenses sobre este e tantos outros assuntos de real interesse para o Concelho!

Porca miséria!

Mário Casa Nova Martins

10 de Maio de 2021

Rádio Portalegre

Desabafos 2020/2021 - XVII



O edifício dos Paços do Concelho, situado na Praça do Município, data do século XVII. Este edifício é da época Filipina do ano de 1634.

Destaca-se o ferro forjado das sacadas das janelas. A janela principal está encimada pelo escudo das armas nacionais. Dos lados existem duas lápides, uma com as armas do município e a outra afirmando o culto da Imaculada Conceição, que é a Rainha de Portugal desde o reinado de D. João IV. A fachada principal está dividida em três corpos, separados por pilastras graníticas, sendo o mais alto encimado por um frontão triangular.

Esta introdução serve para demonstrar a importância histórica e arquitectónica do edifício dos Paços do Concelho.

A sua importância prova também a própria importância que em tempo passado teve a Cidade de Portalegre, que hoje ainda é Cidade e a capital do Distrito do mesmo nome.

Pode não parecer aos mais distraídos, aos mais incautos, e sobretudo aos incultos que estão na política local, os quais ‘nivelam’ a Cidade Capital de distrito que é Portalegre a uma qualquer vila do Distrito de Portalegre!

Há décadas que o edifício dos Paços do Concelho foi abandonado. Então começou a sua degradação, a pontos de hoje ter partes arruinadas.

Há dias foram tornadas públicas fotografias de um desabamento, queda de reboco e telhas na zona do beiral, do lado da Rua dos Açougues.

As mesmas fotografias mostram o estado em que se encontra exteriormente os Paços do Concelho, sendo fácil inferir com está o seu telhado e o interior.

O Centro Histórico de Portalegre é uma ruína a céu aberto, e os seus Paços do Concelho, outrora ex-líbris da Cidade capital de Distrito, caminham para a derrocada!

Mário Casa Nova Martins

26 de Abril de 2021

Rádio Portalegre

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Fotografias de João Velez Afonso

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