A VOZ PORTALEGRENSE
domingo, julho 12, 2026
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sexta-feira, julho 03, 2026
AA - Tacticismo & algo mais
Tacticismo & algo
mais
A ‘política à portuguesa’ teve recentemente mais um
episódio. Quando no Parlamento se pensava que as alterações à Lei do Trabalho
iriam ser aprovadas com os votos favoráveis dos partidos do Governo, da
Iniciativa Liberal e com a abstenção do partido Chega, eis senão que este
último vota ‘contra’ e tudo voltou ao início.
O Chega foi então acusado de ‘dar o dito pelo não dito’, uma
vez que nos bastidores haveria já acordo entre Governo e Chega para que as
alterações fossem viabilizadas.
Também foi acusado, como no dia anterior tinham saído
sondagens que colocavam o PS em primeiro lugar, o Chega em segundo e o PSD em
terceiro, de recuar como táctica eleitoral.
Conviria lembrar que o Chega votou sempre contra os
Orçamentos de Estado apresentados pelos Governos PSD-CDS, os quais foram
aprovados graças ao PS.
Há um ditado popular que diz que ‘quem com ferro mata, com
ferro morre’.
Durante décadas o PCP foi ostracizado com a teoria do ‘arco
da governabilidade’, o qual considerava que apenas CDS, PSD e PS podiam formar
e estar no Governo.
Passadas décadas surge um novo partido, que o establishment considerou de imediato de
‘extrema-direita’. Tempos houve que tal epíteto era ‘colado’ ao CDS! Como tanta
‘coisa’ se repete!
A Esquerda e a Extrema-Esquerda de imediato criaram ‘linhas
vermelhas’ com o fim de que esse partido fosse ostracizado, e, inclusive, feito
tentativas junto do Tribunal Constitucional para que fosse ilegalizado. Quiçá,
‘memórias’ de um tempo, 1974/1975, em que conseguiu que partidos de Direita
fossem proibidos e os seus líderes e militantes presos.
A liderança do PSD seguiu, ingenuamente ou com falta de
memória histórica, esse ditame das ‘linhas vermelhas’, e foi acérrimo opositor
a esse partido e principalmente em relação ao seu líder.
O mesmo aconteceu nas recentes eleições presidenciais,
quando foi mais apoiante do vencedor que o próprio partido de onde este provinha,
sendo de uma enorme agressividade em relação ao candidato que veio a perder a
eleição.
O PSD tem sofrido humilhantes derrotas no Parlamento, fruto
da oposição que o Chega lhe faz, numa de ‘a vingança seve-se a frio’, ficando
quer na aprovação dos Orçamentos de Estado, quer na aprovação de medidas
impopulares, como a PSU, dependente do Partido Socialista.
Mário Casa Nova Martins
quinta-feira, julho 02, 2026
Fraternidade Sacerdotal São Pio X
Comunicado da Casa Geral no término das consagrações episcopais
Comunicado de 1 de Julho de 2026
No dia 1 de Julho de 2026, festa do Preciosíssimo Sangue de
Nosso Senhor Jesus Cristo, no Seminário São Pio X de Écône (Suíça), na presença
do Padre Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio
X, e de uma muito numerosa concorrência de padres, religiosos, religiosos e
fiéis, Excelência Mons. Alfonso de Galarreta, assistido por Sua Excelência
Mons. Bernard Fellay, confiou a consagração episcopal a Mons. Pascal Schreiber,
Mons. Michael Goldade, Mons. Michel Poinsinet de Sivry e Mons. Marc Hanappier,
para que sejam bispos auxiliares da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sem
jurisdição.
A Fraternidade lamenta sinceramente que, devido às
circunstâncias excepcionais, essas consagrações tenham sido conferidas sem a
autorização do Santo Padre. Lamenta muito particularmente que o Superior Geral
da Fraternidade não tenha tido a possibilidade de se encontrar pessoalmente com
Sua Santidade o Papa Leão XIV, para lhe expor filialmente as graves razões que
tornaram necessária esta cerimónia.
No entanto, a profunda alegria que inspiram estas
consagrações episcopais não pode ser ensombrada. Ao garantir os meios
necessários para a preservação da sagrada herança da Tradição, o dom destes
quatro novos bispos constitui verdadeiramente uma graça muito grande para a
própria Fraternidade e para toda a Igreja.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X regozija-se
profundamente com isso e eleva a Deus uma fervorosa acção de graças,
agradecendo especialmente à Santíssima Virgem Maria por ter permitido esta
transmissão da plenitude do sacerdócio, para maior glória de Deus, honra da
Santa Igreja e salvação de as almas.
Écône, 1º de Julho de 2026
quarta-feira, julho 01, 2026
28 de Maio - 1926/2026
Honra para estes duas Obras, diferentes na forma, mas importantes no conteúdo.
Mário Casa Nova Martins
terça-feira, junho 30, 2026
A coragem de um Sacerdote
sábado, junho 27, 2026
sexta-feira, junho 26, 2026
quinta-feira, junho 25, 2026
quarta-feira, junho 24, 2026
segunda-feira, junho 22, 2026
domingo, junho 21, 2026
sábado, junho 20, 2026
sexta-feira, junho 19, 2026
AA - O líder da Direita
O líder da Direita
O jornal on-line Observador
tem por hábito editar ‘em papel’ uma revista comemorativa do seu aniversário. A
última data de Maio passado, é a número onze, e escolheu como tema principal a
Direita em Portugal.
A capa apresenta um magnífico cartoon. Nela pergunta «onde
está o líder da Direita?», e em subtítulos, primeiro afirma que «meio século
depois da revolução, mantém-se “um problema difícil”» e questiona «quem manda
na Direita em Portugal é Montenegro, Ventura ou Passos?».
O cartoon é de Henrique Monteiro, o ensaio de Nuno Gonçalves
Poças intitula-se «A direita democrática: entre a legitimidade, o sebastianismo
e o impasse», o de Rui Ramos «Quem é o líder da direita?», e o de Alberto
Gonçalves «Os lobos têm medo de Pedro». Revista a ler, todo o seu conteúdo,
claro, e guardar.
Para Giuseppe Prezzolini, a Direita é o conjunto das
Direitas, as que lembramos e as que esquecemos. Não há uma Direita, mas sim
várias Direitas. A Direita é composta por múltiplas facetas que evoluíram ao longo
do tempo, desde o conservadorismo tradicional ao liberalismo e nacionalismo. A
Direita é marcada por afinidades, contradições internas e pela herança
histórica de várias correntes políticas, é impossível defini-la através de uma
única etiqueta.
Esta Terceira República foi criada à Esquerda, com uma Constituição
radical, indicando o Socialismo como meta. As sucessivas revisões suavizaram
esse radicalismo, mas nunca deixou de ter um pendor marcadamente esquerdista.
A Direita foi castrada em dois momentos, 28 de Setembro de
1974 e 11 de Março de 1975, e tolerada a partir de 25 de Novembro de 1975. Os
seus principais partidos foram proibidos, ficando apenas, consentido quanto
baste, o CDS, como a direita possível do regime, sem nunca se assumir de
Direita.
Hoje, passados mais de cinquenta e dois anos, a Direita
continua órfã, quer de líder, quer de partido político.
De todos os nomes que os ensaístas do Observador enunciam, nenhum se declara de Direita, os partidos que
lideram ou lideraram não se dizem de Direita, restando o CDS que se define de
centro-direita.
A verdadeira Direita portuguesa não está representada em
nenhum partido com assento parlamentar!
Mário Casa Nova Martins
*
quinta-feira, junho 18, 2026
quarta-feira, junho 17, 2026
terça-feira, junho 16, 2026
segunda-feira, junho 15, 2026
Apresentação de «Novas Crónicas Lagóias» de António Martinó
Excelentíssimo Senhor Presidente do IPP, Prof. Luís Loures
Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da CMP, Eng. Rui Perestrelo
Excelentíssimo
Sr. Dr. João Miguel Tavares
Excelentíssimo Senhor Prof. António Martinó de Azevedo Coutinho
Em
Novembro de 2007, na «Colecção Largo da Sé», saía dos prelos «Crónicas Lagóias
– Um auto-retrato e Outros instantâneos».
O
número seis daquela colecção, que é pertença do Instituto Politécnico de
Portalegre, um volume de perto de quinhentas páginas, reunia textos publicados
em diferentes lugares e abordava múltiplas temáticas, abarcando um espaço
temporal entre 1959 e 2004.
Duas
partes, cada uma delas com capítulos distintos de acordo com os temas
abordados.
“Eu
e o meu mundo (ou um auto-retrato)”, partia de ‘confidências’, e chegava a ‘os
meus versos’, passando pelo ‘país’, ‘Alentejo’, ‘cidade’, ‘escolas’, ‘amigos’, ‘viagens’,
BD, ‘músicas’, ‘livros’, ‘filmes’, ‘Régio’.
“Outros
mundos (ou outros instantâneos)”, começava com ‘ambientes’, e seguia para ‘culturas’,
‘educações’, ‘religiões’, ‘desportos’, ‘comunicações’, ‘políticas’, terminando
com ‘personalidades’.
Uma
obra que é um conjunto de saberes acumulados ao longo de uma vida plena, vivida
com intensidade. Nela está um testemunho do pensar, agir e sentir do Autor, um
homem atento ao mundo.
Agora,
no passado mês de Abril, novamente os prelos trabalharam e produziram «Novas
Crónicas Lagóias», um segundo volume que segue a estrutura do primeiro.
Contudo,
as crónicas que compõem o livro foram escritas entre 2012 e 2024,
encontrando-se todas no blogue pessoal do Autor «Largo dos Correios».
O
livro é ordenado em doze tipos de crónicas diferentes. Todas têm um fio
condutor comum, aliás, o mesmo acontecera no primeiro volume.
Começa
com Crónicas Culturais, seguindo-se Crónicas Impertinentes, Crónicas com Gente
Dentro, Crónicas Regionais, Crónicas da Terra Distante, Crónicas de Memórias,
Crónicas da Terra Próxima, Crónicas Desportivas, Crónicas da Amizade, Crónicas
Inventadas, Crónicas do Tempo e do Chico, terminando com Crónicas aos
Quadradinhos.
Portalegre,
claro, Peniche, Amigos, Tertúlias, BD, da vida e da morte, e tantas histórias e
estórias, afecto e sentimento, alegria, mas saudade e por vezes uma certa névoa
de tristeza.
Presentemente
nesta sala nobre faz-se a sua apresentação pública, que é simultaneamente uma
homenagem ao Autor, António Miguel Martinó de Azevedo Coutinho.
Neste
décimo terceiro livro da «Colecção Largo da Sé», com as suas cerca de
quinhentas e cinquenta páginas, continua o Autor a percorrer um caminho de
recordações de um passado, do presente e a construir pontes para o futuro. No
fundo é uma obra na qual o tempo é importante, mas ainda mais importante é a
ciclópica memória do Autor, a par de uma mundivisão dada pela idade, mas também
pelas viagens, leituras e o apreço que sempre desenvolveu pela cultura.
Contudo,
o Autor do livro de 2007, já não é o mesmo de 2026. Peniche não substituiu a
Alma de Portalegre, mas tornou Portalegre um lugar distante, daí este segundo
volume ter uma escrita mais calma, mais pousada, recheada de lembranças de
gentes e de coisas, que só a distância consegue entender.
Em
muitos capítulos sente-se uma saudade e uma dor pela ausência, pela partida de
colegas e amigos. A distância reaviva a memória mas transporta um sentimento de
perda, de ausência física que se transforma em saudade de um tempo, um tempo
vivido na sua cidade natal, onde tudo parecia florir a cada esquina, a cada
palmo de terra que pisava.
A
escolha das crónicas será selectiva e ela recairá naquelas que o Autor
considerará mais representativas da sua visão do tempo em que as escreveu.
Facto é que lidas hoje, mantêm uma viçosidade, que torna a sua leitura
pertinente.
Em
ambas as obras os prefácios são de João Miguel Tavares, também um portalegrense
na diáspora, acompanhados de um curto texto em forma de prefácio, no primeiro
volume da autoria de Nuno Oliveira e no segundo por Luís Loures, os Presidentes
do Instituto Politécnico de Portalegre em exercício, respectivamente em 2007 e
no presente.
Mais
do que palavras de circunstância, os Presidentes do IPP deixaram um testemunho
vivo de amizade e consideração para com o Autor.
Nuno
Oliveira realça a qualidade e a competência do Escritor, cujos trabalhos
merecem ser conhecidos de todos os que amam Portalegre, e afirma que o Autor é
amante da sua Cidade e desde sempre assumido defensor das causas de Portalegre,
enquanto cidadão atento e informado, professor e homem de cultura.
Luís
Loures salienta a capacidade de análise do Autor, o seu sentido crítico,
acutilante e construtivo, a sua enorme energia. Considera-o um atleta de fundo,
cheio de projectos de cidadania, sendo um exemplo inspirador de vida para todos
em geral, e para a comunidade de Portalegre em particular.
João
Miguel Tavares, no primeiro volume, considera que aquele livro não é apenas uma
colectânea de textos dispersos por quarenta e cinco anos de escrita, é o
testemunho comovente do amor por Portalegre e a prova de uma perseverança
notável, em busca de um cosmopolitismo sofisticado para uma pequena cidade de
um pequeno país. É um olhar exigente sobre a cidade, sobre as suas gentes e, a
espaços, sobre o próprio país.
Agora,
neste segundo volume de «Crónicas Lagóias», enuncia algumas características
muito particulares do Autor, que compõem a singularidade da sua forma de ser e
de estar. Em primeiro lugar, uma curiosidade insaciável, que o leva a
investigar e a reflectir sobre uma quantidade de temas. Em segundo, uma memória
prodigiosa, que conjugada com a sua vastíssima rede de relações lhe permite
escrever, com conhecimento de causa, sobre imensa gente. Em terceiro, uma
capacidade crítica inquebrantável, de que nunca abdica, porque a facilidade com
que faz amizades não significa ausência de exigência ou de espírito crítico. E
termina apresentando, quiçá, a mais importante de todas, a sua energia
aparentemente inesgotável e o impulso de deixar minuciosamente registadas as
suas experiências de vida e os seus encontros pessoais.
A
escrita de Autor é um português perfeito, exemplar, o que faz com que a leitura
seja atraente, a par de uma riqueza de conteúdos que cativam o leitor.
Mas
nem só de crónicas é constituída a obra de António Martinó de Azevedo Coutinho.
Dois
dos seus trabalhos mais recentes são «Amicitia – Grupo Cultural de Portalegre»
e «Plutão, a BD & eu».
O
primeiro historia uma entidade que muito deu à cultura em Portalegre, e o
segundo é um registo autobiográfico cúmplice com a sua paixão pela nona arte.
Além
das obras de cariz didáctico e pedagógico, «José Cândido Martinó, Uma Vida
Desenhada pela Banda» e «João de Azevedo Coutinho, Marinheiro e Soldado de
Portugal» são marcos na escrita de António Martinó.
Todavia,
é importante analisar mais em pormenor «José Cândido Martinó – Uma Vida Desenhada
pela Banda» e «Plutão, a BD & eu». Há realces que devem ser feitos.
O
primeiro é mais do que a biografia de José Cândido Martinó, é simultaneamente o
retrato da sociedade e da vida portalegrense durante aquele período. E é também
a história da família Martinó de Azevedo Coutinho, dado que o Autor abundante e
ternamente fala de sua mãe, do pai do irmão, das tramas familiares e das
relações com os outros ramos da família, em suma, uma diversidade de assuntos
que enriquecem a obra.
A
sociedade portalegrense da primeira metade do século passado tem a retratá-la o
romance de José Régio «Davam Grandes Passeios aos Domingos». Dela, o que fica é
uma amargura sem fim, ao lado de uma hipocrisia moral e física. O livro de
António Martinó descreve-a na sua crua realidade, quer nos aspectos sociais e
económicos, quer políticos, deixando uma imagem forte de uma gente fraca.
«Plutão,
a BD & eu», junto com «José Cândido Martinó – Uma Vida Desenhada Pela Banda»
formam um díptico sobre um tempo e uma época da história da cidade de
Portalegre, que começa na segunda metade de oitocentos, abarca todo o século XX
e vai até ao presente.
Só
a súmula do anterior parágrafo justifica a leitura destas obras de António Miguel
Martinó de Azevedo Coutinho, biografias de grande envergadura, mais-valias para
se conhecer a vida política, social e até económica de Portalegre. E
principalmente a sua vida cultural, que, como a leitura prova, teve momentos de
altíssima qualidade nas diferentes áreas do saber e do conhecimento.
As
inúmeras personalidades que marcaram aquelas diferentes épocas que as duas
obras compreendem, deixaram, de uma maneira ou de outra, testemunho das suas
vidas na comunidade portalegrense. E estão de uma forma viva retratadas,
revisitadas.
Como
era entusiasmante a vida cultural em Portalegre. A qualidade dos protagonistas
era indiscutível, e tudo é referido e tratado de um modo vivo, dedicado, justo.
No
caso de «Plutão, a BD & eu», a escrita é na primeira pessoa,
justificadamente, dado o papel que António Martinó desempenhou em Portalegre ao
longo da sua permanência na cidade.
Juntando
a biografia do Avô com a própria autobiografia, é século e meio da História de
Portalegre que é descrita de uma forma viva e cativante. E numa terra que não
tem uma Monografia, estas duas obras são contributos fundamentais para se
conhecer a segunda metade do século XIX, XX e o primeiro quartel de XXI.
Seria
tempo que quem de direito pensasse em termos académicos, de promover a escrita
de uma Monografia de Portalegre. Aqui fica o lamento e ao mesmo tempo a esperança
de que tal venha a acontecer. Portalegre merece mais!
É
por isso que a apresentação deste livro do Professor António Martinó nos leva
para outros caminhos.
Como
é público, desde a juventude desenvolve uma actividade cívica de relevo.
De
uma grande curiosidade pelos avanços do audiovisual e multimédia, é em paralelo
um apaixonado pela Banda Desenhada, arte que pratica. Continua a trabalhar em
prol da comunidade, promovendo iniciativas de grande mérito e de projecção
além-fronteiras.
Em
Portalegre tem obra vasta e de grande qualidade nas diferentes áreas que
cultiva. Polemista temido, tem na escrita uma forma de opinar, Nunca foi
neutro, sempre assumiu as suas convicções, muitas vezes de forma frontal e
assertiva. É um Nome de Portalegre.
“Ditosa
pátria que tal filho teve!”, é uma das passagens mais célebres d'Os Lusíadas,
na qual o poeta Luís Vaz de Camões homenageia o Condestável D. Nuno Álvares
Pereira pela sua bravura militar e dedicação a Portugal.
Que
dizer da dedicação e bravura com que António Martinó sente e vive a sua terra
natal, Portalegre. Ditosa Portalegre, cidade que o viu nascer.
E
aquele ‘homem do leme’ que faz frente ao Adamastor, no poema «O Mostrengo» de
Fernando Pessoa,
Quantas
vezes o Mostrengo, a mediocridade que faz com que Portalegre não avance na
senda do progresso, roda imundo pelas gentes, e António Martinó é esse ‘homem
do leme’ que enfrenta a estagnação, a falta de ambição, abrindo caminhos.
Portalegre
é muito mais que uma «cidade cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e
sobreiros». Também tem eucaliptos que tudo secam em redor. Mas gentes d’algo têm-na
enobrecido ao longo da sua milenar História. Plêiade que o tempo recorda e
glorifica.
Camões
lembra as memórias gloriosas dos que se destacaram no seu tempo, “E aqueles que
por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando”. E o legado de António
Miguel Martinó de Azevedo Coutinho a Portalegre, ao longo de uma vida de mais
de nove décadas, faz jus ao verso camoniano, transpondo-o para a realidade
portalegrense.
Por
fim uma palavra de forte Amizade para com o Professor António Martinó. E outra
de agradecimento.
Amizade,
solidariedade que sempre teve para comigo, consideração que me tem dado, num
tempo em que Consideração, Solidariedade e Amizade são Valores cada vez mais
raros.
Uma
dívida de gratidão pela colaboração na «Plátano – Revista de Arte e Cultura de
Portalegre», que o Professor António Martinó apoiou desde a primeira hora. Os
contributos que deu à «Plátano» são reconhecidos como grandes mais-valias.
Eternamente reconhecido.
Portalegre
será sempre devedora a António Martinó. Os vindouros lembrar-se-ão de António
Martinó porque de entre eles haverá quem estudará e divulgará a sua obra.
Meu
Caro Professor António Martinó, os tempos não estão fáceis para quem tanto tem lutado
em prol da cultura. Mas sei que nunca irá desistir de dignificar Portalegre, os
seus usos e costumes, a sua tradição, a sua História.
Que
Portalegre lhe seja agradecida!
Uma
honra aqui estar neste momento.
Obrigado!
Mário Casa
Nova Martins
Instituto Politécnico de Portalegre
Auditório dos Serviços Centrais
Largo da Sé, Portalegre














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