\ A VOZ PORTALEGRENSE: Desabafos, 2014/2015 - XV

quarta-feira, abril 08, 2015

Desabafos, 2014/2015 - XV

Se na Grécia um partido dos extremos ganhou as eleições, e formou governo em coligação com um outro partido dos extremos, de sinal contrário, as boas consciências descansaram quando na Andaluzia e em França, os partidos que se apresentavam como alternativa ao centrão ficaram aquém, quer da vitória, quer de chegar ao poder. Março madrasto para as alternativas políticas anti-sistema.
É fantástico como o sistema conseguiu em tão pouco tempo reorganizar-se, reordenar-se e combater com sucesso as ameaças que o cercavam. Há cem anos, já em plena Guerra Civil Europeia, não foi assim. Há lições de História que, pelos vistos, ou até ver, a Europa aprendeu.
Regozijará em Portugal esse centrão da política e dos interesses, porque a alternância democrática, como gostam de dizer, será mantida. As excrescências que pululam em torno da esquerda radical e que no próximo outono vão a votos nas legislativas, não são mais do que nados-mortos, que apenas abrilhantarão a campanha eleitoral e o hemiciclo se algum pícaro chegar a ser eleito.
É humilhante a forma como a Alemanha trata a Grécia, e quão humilhante é a forma como a chanceler alemã recebe o líder grego. Quiçá, merecida, mas é a ‘vacina’ a ter os seus efeitos!
Espanha e França olham o amanhã com a arrogância dos vencedores sobre os vencidos. Tudo ficou como dantes! As duas repúblicas, a primeira coroada, a segunda presidencial, sentem-se impunes, revigoradas com o afastamento do espectro da chegada dos anti-situacionismo. O circo deixou a rua e regressou à tenda.
É interessante, depois de toda esta euforia anti-sistema que resultou na montanha que pariu o rato, analisar o comportamento do Partido Comunista Português em todo este processo.
Desde o primeiro momento, nunca entrou na euforia consequente da vitória do radicalismo na Grécia. Manteve sempre uma atitude serena face ao que ia acontecendo, e a curto prazo colherá os lucros políticos dessa postura, ao recolher votos dos desencantados radicais esquerdistas.
O outrora partido dos amanhãs que cantam, há muito que deixou de acreditar no amanhã, e fechou-se em si próprio. Domesticado pelo sistema criado pelos vencedores do PREC nos finais de 1975, é hoje liderado por uma gerontocracia, e tem os netos no combate político activo.
A distopia comunista já não consegue entusiasmar nem os próprios comunistas!
A normalização do sistema, é a vitória dos eurocratas. Hoje já não vontade para o martírio, porque também já não há ideias e muito menos ideais, o sistema há muito que superou Orwell!
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 06/04/2015

Mário Casa Nova Martins
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http://www.radioportalegre.pt/index.php/desabafos/mario-casanova-martins.html
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