\ A VOZ PORTALEGRENSE: Jaime Crespo

terça-feira, janeiro 25, 2011

Jaime Crespo

Eleições

habemus presidentus...

Cavaco foi reeleito e por isso deve ser felicitado como vencedor. Apesar disso, em número de votos tem menos quinhentos mil votos que há cinco anos, percentualmente andará por lá próximo, 52,9% agora contra os 50,59% de há cinco anos. Quinhentos mil votos menos. Significativo!
De qualquer modo venceu.
Representando ele a direita, alguma direita, ganha a direita à esquerda, sem margens para quaisquer dúvidas.
Seria assim num país normal.
Em Portugal, não!
Fernando Nobre com 14,1% anuncia uma enorme vitória.
O PCP, ou melhor, o seu candidato Francisco Lopes, com 7,1% também discursa vitória, como sempre.
O candidato Coelho, da palhaçada e da denúncia com 4,5%, mas uns fantásticos 39% na Madeira, suficientes para provocarem uma enxaqueca a Alberto João, vitória chia também. Manuel Alegre, com estes resultados vira definitivamente triste e é, com Defensor de Moura, o único derrotado assumido, com 1,5%.
Os partidos que o apoiaram, PS e BE, terão muito a refletir sobre esta campanha. De registar a tontice do CDS ao misturar o que foi uma eleição presidencial, personalizada, e tentar relevar esses resultados para o plano nacional como se o povo português tivesse rejeitado hoje uma aliança política entre o PS e o BE, por muito improvável que essa aliança seja, não foi isso que hoje se votou.
Paulo Portas teve ainda a insanidade de se referir a campanhas negras, com certeza reminiscências dos seus tempos de "Independente" e de anti-cavaquista. Ou pensará o Dr. Portas ilusões quanto ao contributo do CDS à reeleição de Cavaco? Mesmo o papel do PSD foi irrelevante. Cavaco Silva ganhou por ele mesmo e alinhando o discurso contra o governo, coisa que Manuel Alegre com o apoio de Sócrates não pode fazer.
Vitória, pois, de Cavaco Silva.
Mas grande arraso da abstenção que ao chegar aos 53,3% dará durante toda a semana algumas dores de barriga a muita gente.
Dos vencidos não costuma rezar a História, mas neste caso os iluminados do BE que resolveram apoiar Alegre muito terão a explicar aos seus militantes.
Em conclusão, quando o desemprego nunca foi tão grande, a emigração atinge os números dos anos sessenta, os trabalhadores confrontam-se com cortes salariais, aumento generalizado de impostos e de preços dos bens de primeira necessidade, a maioria dos portugueses resolveu apoiar o principal responsável por este estado de coisas, dado que como primeiro-ministro e agora como presidente, foi responsável direto em quinze dos últimos vinte anos. Roubados pelos senhores da banca e dos capitais financeiros, votaram no seu candidato.
Parabéns povo português pela tua lucidez!

Mas na verdade não tinha grande escolha.
Tenho fome, por favor, também quero uma fatia de bolo-rei.
Jaime Crespo