\ A VOZ PORTALEGRENSE: Ensino da História em Portugal

sábado, setembro 13, 2008

Ensino da História em Portugal

Mao, sem ou com poucos mortos
COM. “A ‘revolução cultural’ saldou-se em dois milhões de mortos, cem milhões de perseguidos e vinte milhões de jovens enviados, após o fim do movimento, para campos de reeducação.” O Tempo da História, 12° ano, Volume II Porto Editora
SEM. “O maoismo estabelecia a criação de comunas populares rurais, constituídas por milhares de famílias que viviam numa lógica de auto-suficiência. Contudo, estas experiências ficariam muito aquém do desejado e provocaram a oposição de muitos membros do Partido Comunista Chinês. Por isso, em 1966, o líder chinês desenvolveu um programa de Revolução Cultural, que tinha como objectivo o afastamento dos opositores ao regime, objectivo apoiado por muitos jovens chineses que veneravam a figura de Mao.” Cadernos de História 9, Areal.
“A proclamação da República Popular da China, por Mao Tse-Tung, após uma longa luta revolucionária apoiada, sobretudo, pelos camponeses, afastou definitivamente as forças nacionalistas e deu um novo vigor à economia do país, cuja reconstrução foi, em parte, suportada pelos soviéticos. [Ilustrado por uma imagem de Mao entre camponeses] O fracasso desta experiência [Grande Salto em Frente] levou Mao a iniciar, em 1966, a Revolução Cultural que, com a ajuda dos Guardas Vermelhos, rapidamente alastrou a todo o país. O objectivo era eliminar todos os opositores do regime e educar a população segundo os princípios maoistas” Novo História 9, Texto Editores
COMENTÁRIO “A História, todos o sabemos, nunca poderá ser inteiramente objectiva, mas há factos que são hoje reconhecidos: um deles é o de que a Revolução Cultural chinesa foi um dos maiores crimes da História Universal”, diz Filomena Mónica. É “inacreditável, nem tenho palavras para comentar”, diz Miguel Monjardino. E refere o The Penguin History of Modern China, no qual os documentos do próprio PC chinês apontam para mais de 40 milhões de mortos só no Grande Salto em Frente, mais pelo menos 30 na Revolução Cultural. Em algumas zonas, “a fome levou os chineses ao canibalismo, havia bebés vendidos para serem cozidos - Mao foi o grande engenheiro da morte, foi quem, com Estaline, mais pessoas matou no século XX”. E conclui: “É tenebroso que este branqueamento seja ensinado. Educar a população segundo princípios maoistas?!” O livro da Porto Editora é o único a detalhar o número de mortos. Mesmo assim, peca por defeito.
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A terrível globalização
“As novas tecnologias nos domínios do tratamento da informação e da comunicação aceleram a mundialização da economia e promovem a globalização: ‘O mundo converteu-se num vasto casino, onde as mesas de jogo estão repartidas em todas as longitudes e latitudes’ (Maurice Aliais).” Caminhos da História, ASA, volume III
COMENTÁRIO “Isso não é minimamente factual. Há autores que o defendem, não é um facto, é pura opinião”, diz Luís Aguiar Cornaria, professor de Economia da Universidade do Minho.
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“É ainda cedo para avaliar todas as implicações do fenómeno. Mas a sua responsabilidade na crise do Estado-providência, na competição sem limites, na degradação ambiental, na hegemonia das empresas transnacionais, no desemprego estrutural e no alargamento do fosso entre os ricos e os pobres é já evidente.” Caminhos da História, ASA, volume III
COMENTÁRIO “É doutrinação”, diz o economista. E é uma perspectiva “egoísta”, porque a globalização, que pode afectar os países ricos, “provoca uma melhoria nos países pobres”. Quanto ao fosso entre ricos e pobres, de facto, “quando todos passam fome, o fosso não existe”. Na China, todos os anos dezenas de milhares de pessoas saem da miséria, por causa da abertura à globalização. Miguel Monjardino acrescenta: “Isso foi escrito por alguém que não olha para as estatísticas, e é uma visão muito socialista da economia. A globalização tem custos, mas provocou a maior redução de pobreza da história da humanidade.” Tem ainda outras dúvidas: “Degradação ambiental? Onde? É nos países capitalistas que se teve e tem mais cuidado com o ambiente. Onde a globalização chegou mais tarde, no bloco de Leste, na China, aí sim, havia problemas ambientais.”
P. 60, 11 SETEMBRO 2008 SÁBADO

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