\ A VOZ PORTALEGRENSE: Mito de 'Abril'

domingo, dezembro 17, 2006

Mito de 'Abril'

Durante a longa noite fascista, era recorrente falar-se da tenebrosa censura, que cerceava a criação artística do povo português. Durante quarenta e oito anos, a inteligência portuguesa sofre a maior repressão de que há memória!
Livros, obras de arte, tudo o que tivesse a ver com cultura, desde que não conforme com o cânone do regime fascista vigente era destruído e os seus autores presos, torturados, quando não assassinados.
Todo este palavreado vem a propósito do dia de hoje, domingo 17 de Dezembro de 2006, data que corresponde ao centenário do nascimento do compositor anti-fascista Fernando Lopes Graça.
Teenagers, lembramo-nos de ouvir falar daquele conjunto de afirmações, que profetizavam que quando houvesse liberdade em Portugal, sairiam de sótãos, caves, esconderijos, gavetas, enfim da escuridão, obras-primas de todos os géneros da cultura. Portugal, castrado durante quase meio século, iria ver o esplendor da sua cultura como em nenhuma época da história se vira.
Todavia, “a montanha pariu um rato”… Essa miríade cultural não passou de miragem… E as tais obras que estavam “escondidas”, nem vê-las… As luminárias “escondidas”, numa apareceram…
Há que dizer que desde o fim do consulado de António Ferro que paulatinamente a cultura veio a ser deslocalizada para a esquerda. E este facto, claro, começou no salazarismo e tomou foros de dominação no marcellismo…
Os nomes à esquerda que prontificavam na cultura antes de Abril de 1974, continuaram a sê-lo depois. Quem foi condenado ao ostracismo foi aquele grupo de Intelectuais que se definia como de Direita. E esse ostracismo foi de uma violência tal, que nunca alguém da intelectualidade esquerdista sofreu no Estado Novo tal vexame.
Fernando Lopes Graça, comunista estalinista de sempre, nasceu faz hoje precisamente cem anos. O “país” celebra esta efeméride com pompa e circunstância.
Este indivíduo era “um dos tais” que tinha as “obras-primas” escondidas por causa do “fascismo”. Porém, pelos vistos, continuam sem aparecer.
Lopes Graça e a sua obra é um dos mitos que se criou e que se veio a descobrir, como aconteceu com tantos outros, que era uma fraude.
MM