Crónica de Nenhures
Bés era uma antiga divindade egípcia, representada por um anão robusto e monstruoso. Era o bobo dos deuses, senhor do prazer e da alegria.
Em Portugal as iniciais BES significam Banco Espírito Santo. E há muito que se sabe que este banco negoceia em “pântanos”. De bobo não tem nada, e quanto ao prazer e à alegria, ambos são pertença da família que o controla e gere. Para mal daqueles que um dia tiveram a má sorte de a ele recorrer em momento de aflição.
Tempos atrás, o semanário Expresso denunciou um conjunto de negócio do BES nos tais terrenos pantanosos, gerando-se uma guerra entre o banco e o jornal. Em represália, o banco cessa de dar publicidade ao jornal, o que fazia mossa na contabilidade interna, pelo que havia que encontrar uma solução. Esta foi encontrada através da realização de um mediatizado almoço entre os líderes das duas instituições, Francisco Pinto Balsemão e Ricardo Salgado. Desta forma, tudo acabou em bem.
A partir de então, não causou espanto que o Expresso e o BES levassem a cabo iniciativas conjuntas. A mais recente decorreu ontem, 6 de Maio, no Pestana Palace Hotel. Constava de uma conferência em que o conferencista era Bob Geldof. O tema era oportuno, o convidado assim se previa que fosse. Ou melhor, que Geldof fosse politicamente correcto. Isto é, que falasse de generalidades e não tocasse em nenhum assunto que pudesse ferir qualquer interesse dos promotores.
Mas Bob Geldof “disse o que não devia”! Dito de outra forma, chamou à cleptocracia que governa Angola aquilo que por mais de uma vez aqui n’A Voz se disse. A família dos Santos, liderada por José Eduardo dos Santos, e a canalha que em torno dela gira é corrupta, rouba o Povo Angolano, e politicamente recusa promover eleições para se perpetuar no poder. E o BES tem negócios com esta gente!
Conhecidas as afirmações de Bob Geldof, apressou-se o BES a emitir um comunicado em que se demarca das palavras acusatórias do seu convidado conferencista. Dá assim cobertura ao que se passa em Angola.
Em Portugal as iniciais BES significam Banco Espírito Santo. E há muito que se sabe que este banco negoceia em “pântanos”. De bobo não tem nada, e quanto ao prazer e à alegria, ambos são pertença da família que o controla e gere. Para mal daqueles que um dia tiveram a má sorte de a ele recorrer em momento de aflição.
Tempos atrás, o semanário Expresso denunciou um conjunto de negócio do BES nos tais terrenos pantanosos, gerando-se uma guerra entre o banco e o jornal. Em represália, o banco cessa de dar publicidade ao jornal, o que fazia mossa na contabilidade interna, pelo que havia que encontrar uma solução. Esta foi encontrada através da realização de um mediatizado almoço entre os líderes das duas instituições, Francisco Pinto Balsemão e Ricardo Salgado. Desta forma, tudo acabou em bem.
A partir de então, não causou espanto que o Expresso e o BES levassem a cabo iniciativas conjuntas. A mais recente decorreu ontem, 6 de Maio, no Pestana Palace Hotel. Constava de uma conferência em que o conferencista era Bob Geldof. O tema era oportuno, o convidado assim se previa que fosse. Ou melhor, que Geldof fosse politicamente correcto. Isto é, que falasse de generalidades e não tocasse em nenhum assunto que pudesse ferir qualquer interesse dos promotores.
Mas Bob Geldof “disse o que não devia”! Dito de outra forma, chamou à cleptocracia que governa Angola aquilo que por mais de uma vez aqui n’A Voz se disse. A família dos Santos, liderada por José Eduardo dos Santos, e a canalha que em torno dela gira é corrupta, rouba o Povo Angolano, e politicamente recusa promover eleições para se perpetuar no poder. E o BES tem negócios com esta gente!
Conhecidas as afirmações de Bob Geldof, apressou-se o BES a emitir um comunicado em que se demarca das palavras acusatórias do seu convidado conferencista. Dá assim cobertura ao que se passa em Angola.
O BES é conivente com a exploração e a miséria em que vegeta o Povo de Angola. Uma vez mais negoceia com ditadores e corruptos. O verde do logótipo do BES devia passar a vermelho, a cor do sangue dos pobres e dos mortos que a exploração capitalista gera, e da qual o BES é um dos seus expoentes máximos em Portugal.
Mário Casa Nova Martins





8 Comments:
Eis o lado obscuro do capitalismo. Já para não falar das negociatas e conluios com a família de José Eduardo dos Santos que precisam ser banidos rapidamente daquele país.
O que a mim me espantou e muito. foi ter vindo Bob Geldof falar para aquele grupo de pessoas, o que seria sempre completamente inùtil.
Mas ainda mais espantada me deixou que Ricardo Salgado, tivesse tido a lata de dizer o que disse.
Nada o obrigava a desmarcar-se e por uma vez tirou a máscara de impoluto.
valeu a pena a vinda de Bob Geldof.
Caro Capitão-Mor
Ouvi hoje de manhã na Antena1 este episódio. Nunca esperei que o BES necessitasse de fazer o dito comunicado. Mas os negócios que tem em Angola tudo justificam.
Cumprimentos.
Mário
Marta, penso que teria sido mais inteligente para o BES "ignorar" o que foi dito. A esta hora já ninguém recordaria o que dissera Bob Geldof.
Mas ainda bem que agiu assim. Desmascarou-se.
É o “capitalismo à portuguesa”
Beijinho.
Mário
Bravo! Mas note que o BES não se limitou a distanciar-se das palavras de Bob Geldof: o Banco de Ricardo Salgado disse, textualmente, que o músico teceu comentários injuriosos sobre a honra dos governantes angolanos. Veja o Mário a que ponto chega o descaramento desta miserável «elite» que nos tocu em sorte!
Não é demais repetir a felicitação pelo texto. Vou, de resto, publicá-lo no meu blogue, se não vir nisso inconveniente.
Um Abraço,
JV
Caro JV
Eu li o Seu. Que está excelente. Tal como o que escreveu sobre a Esquerda e o Cónego Melo!
O meu, quanto muito é mais um contributo.
Abraço.
Mário
É modéstia sua, Mário. O artigo que escreveu é tão bom como o meu.
caro JV, Obrigado.
Bom fim-de-semana.
Mário
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