\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Crónica de Nenhures

“A Rabeca” Vermelha
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A Banalidade do Mal
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Todas as Revoluções cometem os seus excessos. O 5 de Outubro teve-os, também o 5 de Dezembro de 1917, idem para o 28 de Maio de 1926, tal como o 25 de Abril de 1974, só para lembrar quatro momentos da História de Portugal do século XX.
Em Portalegre viveram-se no seguimento destes momentos revolucionários tempos bastante conturbados, raiando instantes de pré-guerra civil. Os vencedores queriam vingar-se dos “senhores” do anterior regime, a quem chamavam de opressores, utilizando as terminologias em voga.
Em 24 de Abril de 1974 “todos” eram salazaristas e anticomunistas, e em 25 de Abril de 1974 “todos” “acordaram” democratas e antifascistas. São assim sempre as Revoluções, que além de em seguida “comerem” os seus chefes, passados os excessos, se tornam reaccionárias, tentando preservar as “conquistas” que com a mudança de paradigma obtiveram.
Nos inícios de 1974 em Portalegre, como em todo o país, havia a imprensa situacionista e a imprensa oposicionista. Se «O Distrito de Portalegre», pertença da igreja diocesana cujo bispo era D. Agostinho Lopes de Moura, seria o jornal do regime, «A Rabeca» era o jornal da oposição.
João Diogo Casaca era uma figura respeitada, Republicano e Democrata, que sempre exercera a oposição ao Estado Novo, mantendo simultaneamente boas relações com os seus dirigentes locais. «A Rabeca» era indiscutivelmente um jornal sério, que tinha uma linha editorial coerente. Todavia, a idade avançado do seu ‘Director, Editor e Proprietário’, fez com que desde o princípio da década de setenta «A Rabeca» viesse a perder fulgor, a ponto de ser alienada a um grupo de gente, também da oposição, ligada às estruturas, primeiro clandestinas e depois da Revolução dos Cravos legais, do Partido Comunista Português, o PCP.
A partir de então, «A Rabeca» deixou de ser um jornal para ser um pasquim que não respeitava nada nem ninguém. Com a III República, «A Rabeca» transformou-se no órgão oficioso do PCP, e a sua radicalização atingiu foros de criminalidade. Ninguém escapava à sanha persecutória, fossem as Instituições que o novo regime queria implantar, fossem partidos políticos como o PS, PPD, MFP-PP, PDC, CDS, MRPP, AOC, enfim, tudo o que o PCP não conseguia controlar, não escapando a Igreja Católica.
«A Rabeca», de forma ameaçadora, publicava nomes de pessoas que tiveram cargos no Estado Novo, insultava quem tomasse a menor posição pública que contrariasse os propósitos antidemocráticos do PCP, em suma, pessoas e bens não estavam seguros perante a criminosa acção de «A Rabeca».
Quando em «O Distrito de Portalegre», jornal que se define de inspiração cristã, da passada quinta-feira dia 12 de Fevereiro de 2009, se lê o paragrafo escrito e que acima reproduzimos de José Manuel Basso, conhecido ex-presidente da Câmara de Nisa, um ex-autarca do PCP, toda esta Memória negativa de «A Rabeca» voltou.
A visão que José Manuel Basso dá daquele tempo e do jornal que muito justamente apelida de “Rabeca “Vermelha””, é exactamente a oposta da nossa. O que para José Manuel Basso é “indiscutivelmente o período (curto) de maior prestígio para o jornalismo portalegrense, na segunda metade do século XX”, para nós é um dos períodos mais negros da História de Portalegre. E a prova que «A Rabeca» não tinha o menor prestígio é que veio a acabar ingloriamente, falida. Apenas o famigerado Verão Quente a “alimentou, e a veio a destruir.
«De grande influência nos meios universitários e em todo o campo progressista de ideais democráticos», afirma José Manuel Basso. Porventura em relação ao meio da então UEC, a juventude universitária do PCP, porque «A Rabeca» não produzia textos doutrinários, mas sim panfletos de ódio. E se “ombreava na opção de leitura de quem queria alimentar consciência de resistência e amadurecimento na luta antifascista”, era porque os seus “congéneres” eram semelhantes no controlo pelo PCP e no fervor sectário.
«A Rabeca» foi, com toda a verdade, um órgão impar na História da Imprensa em Portalegre, mas com João Diogo Casaca, nunca no seu estertor, a soldo e mando do PCP.
Muito pouca “inspiração cristã” neste texto de José Manuel Basso, escrito no
semanário de inspiração cristã «O Distrito de Portalegre».
Mário Casa Nova Martins

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