Israel, Os Estados Unidos e a Europa

Do lado de cá do Atlântico, o caso muda de figura.
Perante a reacção israelita ao rapto dos soldados, Chirac interrogou-se: não haveria intenção de destruir o Líbano? E Putin exprimiu suspeita parecida. Ora o que é certeza e não suspeita é que Hezbollah, Hamas e o Irão dos «ayatollahs» — que os inspira, financia e arma — têm a intenção expressa de aniquilar Israel e de atirar os judeus ao mar. Israel pretende derrotar militarmente o Hezbollah porque quer sobreviver e não tem confiança na vontade política e na capacidade dos seus vizinhos árabes, ou nas dos europeus, de porem pressão suficiente em Teerão e Damasco para conter a violência anti-semita. De caminho, mata civis inocentes, o que é lamentável. E tem culpas no cartório por manter território palestiniano anexado, pela construção de colonatos e por opressão dos palestinianos. Mas não será sob a ameaça de «rockets» que irá negociar.
Grande responsável desta crise é a Administração Bush. Desde que chegou ao poder, em vez de, sem abandonar Israel, ajudar as duas partes a procurarem entender-se como tinha sido prática americana, deu rédea solta a Israel e afastou-se. A sua inépcia fê-la perder influência na região e ficar com uma crise nas mãos cuja dimensão não antecipara.
Para a União Europeia, a escolha deveria ser simples.
Convém-lhe ver vingar no Médio-Oriente uma democracia parlamentar estável, como as da Europa e da América do Norte, ou ver triunfar regimes fanáticos agressivos que oprimem os seus, pregam intolerância étnica e religiosa e farão o que puderem para destruir a nossa maneira de viver?
José Cutileiro (O Mundo dos Outros)
in, Expresso, 22/7/2006, pg. 28
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