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sexta-feira, junho 19, 2026

AA - O líder da Direita

O líder da Direita

O jornal on-line Observador tem por hábito editar ‘em papel’ uma revista comemorativa do seu aniversário. A última data de Maio passado, é a número onze, e escolheu como tema principal a Direita em Portugal.

A capa apresenta um magnífico cartoon. Nela pergunta «onde está o líder da Direita?», e em subtítulos, primeiro afirma que «meio século depois da revolução, mantém-se “um problema difícil”» e questiona «quem manda na Direita em Portugal é Montenegro, Ventura ou Passos?».

O cartoon é de Henrique Monteiro, o ensaio de Nuno Gonçalves Poças intitula-se «A direita democrática: entre a legitimidade, o sebastianismo e o impasse», o de Rui Ramos «Quem é o líder da direita?», e o de Alberto Gonçalves «Os lobos têm medo de Pedro». Revista a ler, todo o seu conteúdo, claro, e guardar.

Para Giuseppe Prezzolini, a Direita é o conjunto das Direitas, as que lembramos e as que esquecemos. Não há uma Direita, mas sim várias Direitas. A Direita é composta por múltiplas facetas que evoluíram ao longo do tempo, desde o conservadorismo tradicional ao liberalismo e nacionalismo. A Direita é marcada por afinidades, contradições internas e pela herança histórica de várias correntes políticas, é impossível defini-la através de uma única etiqueta.

Esta Terceira República foi criada à Esquerda, com uma Constituição radical, indicando o Socialismo como meta. As sucessivas revisões suavizaram esse radicalismo, mas nunca deixou de ter um pendor marcadamente esquerdista.

A Direita foi castrada em dois momentos, 28 de Setembro de 1974 e 11 de Março de 1975, e tolerada a partir de 25 de Novembro de 1975. Os seus principais partidos foram proibidos, ficando apenas, consentido quanto baste, o CDS, como a direita possível do regime, sem nunca se assumir de Direita.

Hoje, passados mais de cinquenta e dois anos, a Direita continua órfã, quer de líder, quer de partido político.

De todos os nomes que os ensaístas do Observador enunciam, nenhum se declara de Direita, os partidos que lideram ou lideraram não se dizem de Direita, restando o CDS que se define de centro-direita.

A verdadeira Direita portuguesa não está representada em nenhum partido com assento parlamentar!

Mário Casa Nova Martins


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