AA - O líder da Direita
O líder da Direita
O jornal on-line Observador
tem por hábito editar ‘em papel’ uma revista comemorativa do seu aniversário. A
última data de Maio passado, é a número onze, e escolheu como tema principal a
Direita em Portugal.
A capa apresenta um magnífico cartoon. Nela pergunta «onde
está o líder da Direita?», e em subtítulos, primeiro afirma que «meio século
depois da revolução, mantém-se “um problema difícil”» e questiona «quem manda
na Direita em Portugal é Montenegro, Ventura ou Passos?».
O cartoon é de Henrique Monteiro, o ensaio de Nuno Gonçalves
Poças intitula-se «A direita democrática: entre a legitimidade, o sebastianismo
e o impasse», o de Rui Ramos «Quem é o líder da direita?», e o de Alberto
Gonçalves «Os lobos têm medo de Pedro». Revista a ler, todo o seu conteúdo,
claro, e guardar.
Para Giuseppe Prezzolini, a Direita é o conjunto das
Direitas, as que lembramos e as que esquecemos. Não há uma Direita, mas sim
várias Direitas. A Direita é composta por múltiplas facetas que evoluíram ao longo
do tempo, desde o conservadorismo tradicional ao liberalismo e nacionalismo. A
Direita é marcada por afinidades, contradições internas e pela herança
histórica de várias correntes políticas, é impossível defini-la através de uma
única etiqueta.
Esta Terceira República foi criada à Esquerda, com uma Constituição
radical, indicando o Socialismo como meta. As sucessivas revisões suavizaram
esse radicalismo, mas nunca deixou de ter um pendor marcadamente esquerdista.
A Direita foi castrada em dois momentos, 28 de Setembro de
1974 e 11 de Março de 1975, e tolerada a partir de 25 de Novembro de 1975. Os
seus principais partidos foram proibidos, ficando apenas, consentido quanto
baste, o CDS, como a direita possível do regime, sem nunca se assumir de
Direita.
Hoje, passados mais de cinquenta e dois anos, a Direita
continua órfã, quer de líder, quer de partido político.
De todos os nomes que os ensaístas do Observador enunciam, nenhum se declara de Direita, os partidos que
lideram ou lideraram não se dizem de Direita, restando o CDS que se define de
centro-direita.
A verdadeira Direita portuguesa não está representada em
nenhum partido com assento parlamentar!
Mário Casa Nova Martins
*








0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home