\ A VOZ PORTALEGRENSE: AA - Novas Crónicas Lagóias - António Martinó

sexta-feira, junho 12, 2026

AA - Novas Crónicas Lagóias - António Martinó

«Novas Crónicas Lagóias» de António Martinó de Azevedo Coutinho

Os serviços Centrais do Instituto Politécnico de Portalegre acolheram a apresentação do último livro de António Martinó de Azevedo Coutinho, «Novas Crónicas Lagóias», no passado dia 24 de Maio, um volume com mais de duas centenas e meia de crónicas, uma obra que vem no seguimento de uma outra intitulada «Crónicas Lagóias – Um auto-retrato e Outros Instantâneos», ambas integradas na «Colecção Largo da Sé», da responsabilidade do IPP.

Sala nobre, uma plateia interessada, e a sessão começou com a intervenção de Albano Silva, ex-presidente do IPP, que saudou os presentes, historiou o processo que conduziu à concretização deste projecto, agradeceu o contributo da Sociedade Musical Euterpe e em palavras simples fez um elogio ao Autor.

Seguiu-se um momento musical a cargo de duas flautistas da Sociedade Musical Euterpe, Joana Mota e Lurdes Feiteirona, que interpretaram duas peças.

Tomou a palavra o Presidente do IPP, Luís Loures, que falou da importância da ligação de António Martinó àquela Instituição, desde a sua fundação até que se aposentou, não deixando de referir o legado deixado pelo Autor e antigo professor, e que permanece vivo, como património da sua história.

O vice-presidente da CMP, Rui Perestrelo, em palavras breves enalteceu a vida e a obra de António Martinó, falou da forte ligação que o Autor teve e mantém com Portalegre, e agradeceu o contributo à cultura que ao longo de décadas tem sido prestado por um dos filhos dilectos da cidade.

O prefácio da obra foi escrito por João Miguel Tavares, um portalegrense que prefaciara a anterior, e que fez questão, como disse, de estar presente naquele momento de grande importância para a Cultura em Portalegre e como forma de homenagear o Autor.

Começou por remeter os presentes para a leitura do prefácio, e falou da arte de saber envelhecer e da alegria de viver de António Martinó, do facto de estar vivo e de bem com a vida, pese embora as vicissitudes por que tem passado, referiu que o Autor continua a viver espantado por estar vivo e curioso pelo que o cerca. Nunca o imaginava fora de Portalegre, mas presentemente tem como que uma segunda vida em Peniche, terra que tão bem o acolheu. Terminou congratulando-se pelo facto de António Martinó chegar a esta idade, 91 anos feitos no primeiro dia de 2026, desta forma, física e intelectual.

Coube a Mário Casa Nova Martins, fazer a apresentação formal da obra. Começou por fazer breve referência às anteriores ‘crónicas’ e resumiu o conteúdo das ‘novas crónicas’. Recordou os dois prefácios de João Miguel Tavares, e resumiu os textos contidos nas duas obras, um de Nuno Oliveira, que ao tempo era o presidente do IPP, e o do actual, Luís Loures.

Em seguida falou das outras obras escritas por António Martinó, como Amicitia – Grupo Cultural de Portalegre», a obra biográfica do Avô «José Cândido Martinó, Uma Vida Desenhada pela Banda» e da autobiografia do Autor «Plutão, a BD & eu», estas últimas um díptico sobre Portalegre de grande importância documental e histórica. E termina afirmando que Portalegre tem uma dívida de gratidão para com António Martinó, que com dedicação e bravura sente e vive a sua terra natal.

O Autor começou a sua intervenção com os agradecimentos a Albano Silva, pela amizade e pelo empenho pela edição da obra, a Luís Loures pela forma como o recebeu e pelas palavras que proferiu, a Rui Perestrelo pela presença, a João Miguel Tavares pelo prefácio, por uma amizade de longos anos e pelas palavras que proferira, ao apresentador também pela amizade e estima pessoais, e fez questão de agradecer a sempre disponibilidade de Margarida Silva na coordenação dos dois livros de ‘crónicas’.

Lembrou os jogos de basquetebol, onde também participavam Albano Silva e Artur Ribeiro, que também estava presente, as suas corridas pedestres em Portugal e no estrangeiro, historiou a sua ida de Portalegre para Peniche e referiu a importância do seu blogue «Largo dos Correios».

Recorda a sua ida a Lisboa à apresentação do último livro de João Miguel Tavares, dizendo ser seu leitor assíduo, concordando ou discordando dos seus textos no jornal ‘Público’, e convidando JMP para prefaciar as, como disse, «Novíssimas Crónicas Lagóias», que espera um dia editar.

Comunicou um trabalho que tem nos prelos ligado a Peniche, história da Sociedade Recreativa Penichense, e referiu que aquela Sociedade tinha dois momentos altos, o Baile de Carnaval e o Baile de Fim de Ano, onde a portalegrense Orquestra Ferrugem chegou a actuar.

Evocou o Largo da Sé do seu tempo de meninice, afirmou o orgulho de ter passado pelo IPP, de ter sido vereador da CMP na década de sessenta do século passado e assessor cultural nos mandatos de João Transmontano, falou da importância de António Ventura e Aurélio Bentes Bravo na sua vida cultural, das revistas «A Cidade» e «Miradouro» da qual foi director e do jornal «Fonte Nova».

Lembrou que com 12 anos participou na sede dos Bombeiros Voluntários numa exposição de ‘novos artistas’ e lembrou as lições de desenho que teve na sala onde se realizava a apresentação, dadas pelo prof. Renato Torres. Recordou a pintura de cenários para peças teatrais no Crisfal e voltando ao IPP recordou Mário Ceia e principalmente António Maria de Sousa, Rui Canário e Isabel Cottinelli Telmo. Falou com grande carinho de Francisco Fortunato Queiroz, amigo e colega, e afirmou ter sido Fortunato Queiroz quem o projectou na escrita.

Entregou uma pen com material para o projecto «Identidade e Memória (Monografia Aberta e Cronologia Dinâmica») pelo qual Bentes Bravo sé responsável, e que conta com o apoio do IPP através do Centro de Investigação CARE. Referiu que a cultura é uma arma de progresso.

Viveu os 400 anos da elevação de Portalegre a cidade, celebrações que foram um motor de progresso, mais do que um depósito de memórias, um projecto de futuro para a cidade e região. E agora lembra que em 2050 se irão celebrar os 500 anos, uma data que merece ser celebrada com a maior solenidade.

Terminou referindo que a projecção a nível nacional e internacional que o IPP tem hoje se deve à pessoa do seu presidente.

«Novas Crónicas Lagóias» fica como um marco na cronística portalegrense.

Nova apresentação da obra terá lugar em Peniche.