\ A VOZ PORTALEGRENSE: O Mito dos Seis Milhões

quinta-feira, maio 07, 2015

O Mito dos Seis Milhões

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O Mito dos Seis Milhões
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«Portugal levou seis milhões de escravos para o Brasil» é o título do artigo inserido nas páginas centrais do “Primeiro Caderno” do semanário “Expresso” de sexta-feira 1 de maio de 2015.
É dito em Portugal que são seis milhões o número de adeptos do Sport Lisboa e Benfica.
Voltando ao artigo do semanário, dito ‘de referência’, o subtítulo afirma que 12 milhões de escravos foram transportados para a América. Então, aos seis milhões transportados por Portugal, juntam-se outros seis milhões agora não transportados por Portugal.
Há outros exemplos, fora de Portugal, que falam do número 6.000.000, como o exemplo que é citado no livro de Don Heddesheimer, «The First Holocaust», segundo o qual esse era o número de judeus que durante a Primeira Guerra Mundial, 1914-1918, na Europa sofriam todos os males, utilizando-se, então, palavras como «extermínio» e «holocausto» para descrever essa mesma situação.
Também, com base na estimativa de que o exército do Rei David tinha um milhão, quinhentos e setenta mil soldados, a população da Palestina, naquela época, seria cerca de seis milhões de pessoas.
Voltando a jornais portugueses, a 27 de março passado, o “Diário de Notícias” trazia a notícia titulada «Seis milhões de habitantes obrigados a recolher obrigatório de três dias», referindo que “Presidente da Serra Leoa diz que a medida é "uma oportunidade para as comunidades participarem diretamente na luta para atingir zero casos [de Ébola] e de pensarem e orarem para a erradicação" da doença do país.
E no jornal “Record” de 30 de abril passado, o título da notícia era elucidativo, «António Salvador: «Vamos ter seis milhões a torcer por nós»». É que, dizia o Salvador, "Se o Sporting diz que tem três milhões de adeptos, nós vamos ter seis milhões na final da Taça de Portugal".
Muitos outros exemplos, uns mais antigos, outros mais recentes, poderiam ser apresentados acerca do Mito dos Seis Milhões.
Mito é a projecção reactiva no espaço social da linguagem e de outras formas sensíveis de visões fantásticas, de desejos, de terrores, de explicações do universo e da vida, a um primeiro nível, directo e imediato, de um modo de apreensão do real e de religião com o mesmo real sem a mediação rigorosamente consciente da filosofia, da ciência ou da teologia. (1)
Para Rudolf Karl Bultmann, “entende-se por mito aquilo que por tal se entende na história das religiões”. (2)
Existe uma relação entre Mito e Religião, e hoje em dia, ‘Seis Milhões’ transformou-se numa Religião, ultrapassado a etapa de número cabalístico.
Mário Casa Nova Martins
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(1)   M. Antunes, Biblos vol 3, Verbete 'Mito', pág. 901
(2)   M. Antunes, Biblos vol 3, Verbete 'Mito', pág. 900

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