\ A VOZ PORTALEGRENSE: Convento de Santa Clara de Portalegre - X

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Convento de Santa Clara de Portalegre - X


DOS MONUMENTOS ÀS PESSOAS - X
 
O Distrito de Portalegre, N.º 5799, 1 de Outubro de 1982

A «Fonte Arcada» do Convento de St.a Clara

Com o início das obras de desobstrução e restauro do Convento de Santa Clara da nossa Cidade, ficou mais à vista a Fonte da cerca do Convento, que remontará à época da fundação do mesmo, sendo, portanto, uma das mais antigas relíquias arquitectónicas de Portalegre.
Era fonte de mergulho, a julgar pela sua contextura e pelo desgaste, bem visível, no bordo da fonte, a corresponder a um dos dois arcos que a constituem e, naturalmente, o que estava mais à mão de quem vinha do lado do Convento.
Aqui deixamos a sua imagem, com a sugestão para um estudo, que tem inegavelmente o seu interesse, sobre as fontes e fontanários da nossa Cidade e arredores.
Tem, como sabemos, o Convento de Santa Clara, ao centro do Claustro, um fontenário barroco, de mármore, de inegável valor artístico que terá substituído outro, que seria contemporâneo do Convento – já que se não concebia Claustro sem o seu fontenário. Era elemento decorativo, mas, sobretudo, funcional, necessário para abluções e rega dos canteiros, onde, religiosamente, se cultivavam as flores que enfeitariam altares e nichos.
Pode perguntar-se se a água da «Fonte Arcada» teria a mesma proveniência da do fontenário do Claustro. Mas é natural que não, pois não havia desnível suficiente que levasse ao Claustro a água daquela fonte.
De qualquer modo, tanto a «Fonte Arcada» como o Fontenário do Claustro bem merecem ser preservados e, concretamente, a «Fonte Arcada», da cerca, precisa de um envolvimento adequado para se tirar todo o partido do seu real valor arquitectónico e, sobretudo, por o exigir a raridade de um monumento que não é vulgar encontrar-se entre nós, dada a sua antiguidade.
O Fontenário do Claustro fica com o seu natural enquadramento feito, logo que esteja convenientemente restaurado. Esperamos que as obras de recuperação senão eternizem, como as de «Santa Engrácia»…
É, realmente, de esperar que a jóia arquitectónica que são ainda as relíquias da primitiva construção – século XIV – do Convento de Santa Clara, seja recuperada, com todos os seus elementos e tornada um local de agradável pousio e recreio para quanto se deliciam no apreço pelo que o passado nos deixou e que conseguiu subsistir, vencendo a erosão do tempo e a incúria dos homens, quando não a sua tendência iconoclasta de substituir o velho pelo novo, como se o velho ou antigo correspondesse, necessariamente, a «velharia» para deitar ao lixo.
Padre Anacleto Martins
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