\ A VOZ PORTALEGRENSE: Desabafos

sexta-feira, março 13, 2009

Desabafos

Diz o ditado popular que “quem com ferros mata, com ferros morre”. Mas a morte de um Ser Humano merece ser sempre motivo de respeito.
João Bernardo Vieira foi assassinado da mesma forma bárbara e cruel, como mandou que assim fosse a morte dos seus principais adversários, tornados inimigos políticos. Condena-se o acto, que não tem justificação pela comparação com o que “Nino” Vieira fez ao Povo da Guiné-Bissau.
É indiscutível que a Guiné-Bissau é um Estado inviável. A sua independência é consequência dos processos de Descolonização encetados após a Segunda Guerra Mundial, principalmente por razões de influência geopolítica das então duas grandes superpotências, EUA e URSS.
Se é justa a independência de um Povo face a uma ocupação por parte de outro, a verdade é que Estados independentes como Açores, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Madeira, São Tomé e Príncipe ou Timor, falado do caso colonial e pós-colonial português, são todos Estados inviáveis. Na prática, todos precisam do apoio de um outro Estado, no caso de Açores, Madeira e Timor de Portugal, e no caso de Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe de Angola.
“Nino” Vieira foi responsável por muitos crimes, durante a luta colonial e depois como Chefe de Estado. Nesta última qualidade, contou sempre com a conivência dos diferentes Governos de Portugal, sempre receosos de serem apelidados de neocolonialistas. Em Portugal foi-lhe, durante os anos de exílio, concedido o estatuto de exilado político. O Estado português nunca permitiu que fosse julgado pelos crimes que até então cometera.
“Nino” Vieira será julgado pela História.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 13/03/09
Mário Casa Nova Martins

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