AA - Tacticismo & algo mais
Tacticismo & algo
mais
A ‘política à portuguesa’ teve recentemente mais um
episódio. Quando no Parlamento se pensava que as alterações à Lei do Trabalho
iriam ser aprovadas com os votos favoráveis dos partidos do Governo, da
Iniciativa Liberal e com a abstenção do partido Chega, eis senão que este
último vota ‘contra’ e tudo voltou ao início.
O Chega foi então acusado de ‘dar o dito pelo não dito’, uma
vez que nos bastidores haveria já acordo entre Governo e Chega para que as
alterações fossem viabilizadas.
Também foi acusado, como no dia anterior tinham saído
sondagens que colocavam o PS em primeiro lugar, o Chega em segundo e o PSD em
terceiro, de recuar como táctica eleitoral.
Conviria lembrar que o Chega votou sempre contra os
Orçamentos de Estado apresentados pelos Governos PSD-CDS, os quais foram
aprovados graças ao PS.
Há um ditado popular que diz que ‘quem com ferro mata, com
ferro morre’.
Durante décadas o PCP foi ostracizado com a teoria do ‘arco
da governabilidade’, o qual considerava que apenas CDS, PSD e PS podiam formar
e estar no Governo.
Passadas décadas surge um novo partido, que o establishment considerou de imediato de
‘extrema-direita’. Tempos houve que tal epíteto era ‘colado’ ao CDS! Como tanta
‘coisa’ se repete!
A Esquerda e a Extrema-Esquerda de imediato criaram ‘linhas
vermelhas’ com o fim de que esse partido fosse ostracizado, e, inclusive, feito
tentativas junto do Tribunal Constitucional para que fosse ilegalizado. Quiçá,
‘memórias’ de um tempo, 1974/1975, em que conseguiu que partidos de Direita
fossem proibidos e os seus líderes e militantes presos.
A liderança do PSD seguiu, ingenuamente ou com falta de
memória histórica, esse ditame das ‘linhas vermelhas’, e foi acérrimo opositor
a esse partido e principalmente em relação ao seu líder.
O mesmo aconteceu nas recentes eleições presidenciais,
quando foi mais apoiante do vencedor que o próprio partido de onde este provinha,
sendo de uma enorme agressividade em relação ao candidato que veio a perder a
eleição.
O PSD tem sofrido humilhantes derrotas no Parlamento, fruto
da oposição que o Chega lhe faz, numa de ‘a vingança seve-se a frio’, ficando
quer na aprovação dos Orçamentos de Estado, quer na aprovação de medidas
impopulares, como a PSU, dependente do Partido Socialista.
Mário Casa Nova Martins








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