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sexta-feira, julho 03, 2026

AA - Tacticismo & algo mais

Tacticismo & algo mais

A ‘política à portuguesa’ teve recentemente mais um episódio. Quando no Parlamento se pensava que as alterações à Lei do Trabalho iriam ser aprovadas com os votos favoráveis dos partidos do Governo, da Iniciativa Liberal e com a abstenção do partido Chega, eis senão que este último vota ‘contra’ e tudo voltou ao início.

O Chega foi então acusado de ‘dar o dito pelo não dito’, uma vez que nos bastidores haveria já acordo entre Governo e Chega para que as alterações fossem viabilizadas.

Também foi acusado, como no dia anterior tinham saído sondagens que colocavam o PS em primeiro lugar, o Chega em segundo e o PSD em terceiro, de recuar como táctica eleitoral.

Conviria lembrar que o Chega votou sempre contra os Orçamentos de Estado apresentados pelos Governos PSD-CDS, os quais foram aprovados graças ao PS.

Há um ditado popular que diz que ‘quem com ferro mata, com ferro morre’.

Durante décadas o PCP foi ostracizado com a teoria do ‘arco da governabilidade’, o qual considerava que apenas CDS, PSD e PS podiam formar e estar no Governo.

Passadas décadas surge um novo partido, que o establishment considerou de imediato de ‘extrema-direita’. Tempos houve que tal epíteto era ‘colado’ ao CDS! Como tanta ‘coisa’ se repete!

A Esquerda e a Extrema-Esquerda de imediato criaram ‘linhas vermelhas’ com o fim de que esse partido fosse ostracizado, e, inclusive, feito tentativas junto do Tribunal Constitucional para que fosse ilegalizado. Quiçá, ‘memórias’ de um tempo, 1974/1975, em que conseguiu que partidos de Direita fossem proibidos e os seus líderes e militantes presos.

A liderança do PSD seguiu, ingenuamente ou com falta de memória histórica, esse ditame das ‘linhas vermelhas’, e foi acérrimo opositor a esse partido e principalmente em relação ao seu líder.

O mesmo aconteceu nas recentes eleições presidenciais, quando foi mais apoiante do vencedor que o próprio partido de onde este provinha, sendo de uma enorme agressividade em relação ao candidato que veio a perder a eleição.

O PSD tem sofrido humilhantes derrotas no Parlamento, fruto da oposição que o Chega lhe faz, numa de ‘a vingança seve-se a frio’, ficando quer na aprovação dos Orçamentos de Estado, quer na aprovação de medidas impopulares, como a PSU, dependente do Partido Socialista.

Mário Casa Nova Martins