\ A VOZ PORTALEGRENSE: AA - Petróleo a quanto obrigas

sexta-feira, março 13, 2026

AA - Petróleo a quanto obrigas

Petróleo a quanto obrigas

Será que é mesmo assim? Será que os americanos têm mesmo muita sorte porque onde quer que vão levar liberdade, encontram petróleo? Ou descobrem gás natural, ou mesmo em simultâneo gás natural e petróleo?

É, realmente, uma pergunta pertinente.

Anos atrás levaram a liberdade ao Iraque, destruindo o país em nome de umas armas de destruição maciça que se sabia não existir, mas as empresas petrolíferas americanas ficaram com o controle da extracção e venda do petróleo iraquiano.

Nos últimos tempos levaram liberdade à Venezuela, raptando o líder do país, deixando os mesmos governantes a dirigir os destinos da nação, mas as empresas petrolíferas americanas ficaram com o controle da extracção e venda, e consequentes proveitos financeiros do petróleo venezuelano.

Agora querem que a liberdade chegue ao Irão, e as empresas petrolíferas americanas fazem fila para entrar no controle da extracção e venda do petróleo iraniano, esperando que a qualquer momento o regime actual caia, para que a realidade se concretize.

Se os EUA conseguirem controlar o petróleo iraniano, junto com o que extraem em solo americano, mais o venezuelano, para não falar no controlo que exercem sobre os países do Golfo produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Catar, Koweit, Emirados Árabes Unidos, pouco resta que não esteja sob controlo das empresas petrolíferas americanas.

E pode dizer-se o mesmo em relação ao gás natural.

Fazendo um pequeno exercício de memória, recuando ao tempo da guerra civil angolana pós independência, o MPLA, no poder, era pró-soviético, enquanto a UNITA, na oposição, era pró-EUA.

Realizando o MPLA um acordo económico com os EUA para as empresas americanas entrarem no negócio petrolífero, a UNITA deixou de ser importante para os americanos, que fizeram chegar a Luanda as coordenadas geográficas do local onde se encontrava o líder Jonas Malheiro Savimbi, possibilitando o seu assassinato às mãos do MPLA. O que se seguiu é sobejamente conhecido.

Mário Casa Nova Martins