\ A VOZ PORTALEGRENSE: AA - A Força da Natureza

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

AA - A Força da Natureza

A Força da Natureza

Quem tiver tempo e paciência de ir à Biblioteca Municipal, e pesquisar nas colecções de jornais antigos e recentes, encontrará notícias em anos diferentes de calamidades provocadas por chuvadas, cujas águas desaguavam no Rossio portalegrense.

A Serra é uma mãe-d’água. A água desce pelas encostas por diferentes ribeiros e muita chegava com força ao Rossio, onde em tempos chegou a haver uma ponte (há notícia dela em documentos guardados no Arquivo Distrital, informação que me foi dada pelo Dr. Fernando Correia Pina), continuando depois pela hoje rua Dom Nuno Álvares Pereira, a caminho da ribeira que o povo chamava da ‘lixosa’, por nela irem desaguar os esgotos da cidade.

A propósito, diga-se que ainda hoje há ruas na cidade de Portalegre, a começar pela rua 5 de Outubro (rua Direita), cujos esgotos domésticos vão para as águas pluviais, sem qualquer tratamento. Mas ‘isso’ não incomoda os ‘ambientalistas de serviço’, a quem apenas ‘preocupa’ a tão necessária construção da denominada Barragem do Pisão. Mas isso é outra ‘história’.

Da Azinhaga do Boi d’Água, que continuava pela hoje Avenida Pio XII, e da Azinhaga de Santo António, que hoje continua na Avenida do mesmo nome, vinham as enxurradas que chegavam com grande rapidez ao Rossio, provocando estragos, principalmente quando o mercado era debaixo do centenário Plátano. Há histórias e memórias desses episódios.

O que aconteceu na passada quinta-feira 5 de Fevereiro, apenas teve como epicentro a Azinhaga de Santo António, muito fruto de linhas d’água alteradas por mão humana. A Natureza, e neste caso a água, arranja sempre maneira de ‘ganhar’ ao Homem.

Ao longo dos anos, no Estado Novo e nesta Terceira República, obras foram feitas que minimizaram o problema. Mas o Homem construiu nas encostas cortando veios d’água, e não só, e a catástrofe aconteceu, felizmente sem perdas humanas, apenas estragos materiais.

Mário Casa Nova Martins