AA - A Força da Natureza
A Força da Natureza
Quem tiver tempo e paciência de ir à Biblioteca Municipal, e
pesquisar nas colecções de jornais antigos e recentes, encontrará notícias em
anos diferentes de calamidades provocadas por chuvadas, cujas águas desaguavam
no Rossio portalegrense.
A Serra é uma mãe-d’água. A água desce pelas encostas por diferentes
ribeiros e muita chegava com força ao Rossio, onde em tempos chegou a haver uma
ponte (há notícia dela em documentos guardados no Arquivo Distrital, informação
que me foi dada pelo Dr. Fernando Correia Pina), continuando depois pela hoje
rua Dom Nuno Álvares Pereira, a caminho da ribeira que o povo chamava da
‘lixosa’, por nela irem desaguar os esgotos da cidade.
A propósito, diga-se que ainda hoje há ruas na cidade de
Portalegre, a começar pela rua 5 de Outubro (rua Direita), cujos esgotos
domésticos vão para as águas pluviais, sem qualquer tratamento. Mas ‘isso’ não
incomoda os ‘ambientalistas de serviço’, a quem apenas ‘preocupa’ a tão
necessária construção da denominada Barragem do Pisão. Mas isso é outra
‘história’.
Da Azinhaga do Boi d’Água, que continuava pela hoje Avenida
Pio XII, e da Azinhaga de Santo António, que hoje continua na Avenida do mesmo
nome, vinham as enxurradas que chegavam com grande rapidez ao Rossio, provocando
estragos, principalmente quando o mercado era debaixo do centenário Plátano. Há
histórias e memórias desses episódios.
O que aconteceu na passada quinta-feira 5 de Fevereiro,
apenas teve como epicentro a Azinhaga de Santo António, muito fruto de linhas
d’água alteradas por mão humana. A Natureza, e neste caso a água, arranja
sempre maneira de ‘ganhar’ ao Homem.
Ao longo dos anos, no Estado Novo e nesta Terceira
República, obras foram feitas que minimizaram o problema. Mas o Homem construiu
nas encostas cortando veios d’água, e não só, e a catástrofe aconteceu,
felizmente sem perdas humanas, apenas estragos materiais.
Mário Casa Nova Martins









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