AA - Tempos incertos
Tempos incertos
Uma das características da política, além da retórica, é o
cinismo. As promessas que os políticos fazem, principalmente nas campanhas
eleitorais, estão carregadas de retórica e também de cinismo, para não se falar
de falsidade em relação a muitas delas.
Porém, se há algo que não se pode apontar ao actual
presidente dos EUA é o de ser retórico ou cínico. Desde a primeira hora disse
‘ao que ia’, ninguém hoje pode dizer que Trump mentiu, enganou. É caso para
dizer, “habituem-se”!
Os europeus no século XIX utilizaram a ‘política da
canhoeira’ para explorar as riquezas de África.
No mesmo século XIX os europeus, tornados americanos,
realizam a conquista do oeste, com o extermínio dos povos nativos,
ocupando-lhes as terras, e tudo o mais. A famosa epopeia do oeste. Os índios os
maus, os cowboys os bons, tudo tão simples, tão linear.
Por detrás de todas estas guerras, em África e na América,
estava não o fervor civilizacional, religioso, mas sim a busca desenfreada de
riquezas de toda a ordem, a economia, portanto.
Hoje as típicas guerras do faroeste como que ressuscitaram.
O rapto do venezuelano ‘incómodo’ Nicolas Maduro pelos novos cowboys americanos
liderados por Donald Trump, em nada se assemelha ao histórico ‘Rapto das
Sabinas’ ou ao duplo rapto da bela Helena de Tróia. Aqui ‘falou mais alto’ o
gás e o petróleo venezuelano.
A força militar uniu-se aos interesses económicos, e o país
com as maiores reservas petrolíferas conhecidas torna-se colónia dos EUA, quiçá
no futuro um novo estado americano, ao qual se poderá juntar mais tarde a
Gronelândia, o Canadá, os Açores.
O Direito ‘atirado às malvas’! Habituem-se.
Esta situação desencadeada pelos interesses económicos dos
EUA, naquela zona geográfica que é para eles considerada a sua esfera de
influência, terá a seu tempo resposta quer da Rússia, quer da China. O Urso e o
Dragão esperarão o tempo que for necessário.
Mário Casa Nova Martins








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