\ A VOZ PORTALEGRENSE: Julho 2015

quarta-feira, julho 22, 2015

Hugo Pratt ou a segunda vida de um cavalheiro da aventura

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Hugo Pratt ou a segunda vida de um cavalheiro da aventura

Começando-se pelo ‘fim’, diga-se que ainda não é pública a data da saída do décimo terceiro álbum de Corto Maltese em português, que terá a chancela da ASA, do Grupo Leya, a editora que detém os direitos sobre a obra de Hugo Pratt em Portugal.
Intitulado em francês «Sous le soleil de minuit», tem a sua saída a 30 de setembro próximo, com a particularidade de serem editados dois álbuns, um a cores e outro, para os ‘puristas’, a preto e branco.
A edição da primeira aventura de Corto Maltese sem Hugo Pratt acontece vinte anos após o falecimento do seu criador, e é da responsabilidade de dois espanhóis, Juan Díaz Canales e Rubén Pellejero.
É com expectativa que se aguarda o regresso de Corto Maltese que é, no dizer de Eurico de Barros, “o marinheiro errante, romântico e enigmático que é a criação maior de Pratt”.
Como ‘aperitivo’ a este acontecimento marcante para a nona arte, o L’Express edita um hors-série BD sobre Hugo Pratt, «Hugo Pratt Écrivain du grand large – Origines, influences et géographie d’une œuvre». Também à venda em Portugal, são 112 páginas, nas quais passa a vida e a obra deste italiano viajado, culto, autor de banda desenhada e também excelente aguarelista.
Nas costas da capa vem o anúncio à exposição «Hugo Pratt, Rencontres et passages», que decorrerá no Musée Hergé, Bélgica, entre 2 de outubro de 2015 e 6 de janeiro de 2016, que por certo levará à Rue du Labrador 26, em Louvain-la-Neuve, muitos admiradores e cultores de Pratt e dos seus heróis.
Para os conhecedores da obra de Hugo Pratt, a revista é mais uma peça de colecção. Para quem agora começa a interessar-se por Pratt é um excelente documento de iniciação à obra e vida deste criador de histórias e heróis como Anna Levingston, Pandora Groovesnore, Tenente Morgan, Jésuit Joe ou Corto Maltese.
Os colaboradores da revista, entre outros Dominique Petitfaux ou Jean-Claude Guilbert, são conhecidos e conhecedores das temáticas Prattianas que abordam.
Grande destaque para a página 11, que contém a primeira prancha, a preto e branco, da nova aventura de Corto! Na página 14 reproduz-se a entrevista dada por Hugo Pratt a Michel Pierre em Dezembro de 1981, à Lire. E nas páginas seguintes são escalpelizados todos os aspectos da obra de Pratt, como as influências cinematográficas, os escritores e as obras que Pratt leu e que foram fonte de inspiração, principalmente para as aventuras de Corto Maltese, inclusive os detalhes mais pequenos.
Com uma iconografia excelente, vale a pena ler esta revista, que o tempo tornará de referência.
Mário Casa Nova Martins
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quarta-feira, julho 08, 2015

Arrogância e Prepotência

Arrogância e Preconceito
Ou a nova versão do ‘brincar aos pobrezinhos’
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Direita da bifana são aqueles sectores que vinham de origens pobres e que puderam estudar graças ao Estado Social, e às conquistas da revolução feitas pela esquerda, mas que nunca subiram ao topo. E andam sempre a culpar a esquerda por não terem progredido. É uma forma de alpinismo social, mas eles ficaram a meio. Culturalmente, ainda têm essas origens mais humildes, ou rurais. É um conceito irónico.
Raquel Varela
Sábado, N.º 581 – 18 A 24 de JUNHO DE 2015, página 66 a 68

Quem é Raquel Varela, a criadora desta definição sociológica, ou pretensamente sociológica?_ É uma paineleira num programa da televisão, na RTP Informação, de nome «A Barca do Inferno».
O baixo nível do programa era tal que fez com que entretanto fosse suspenso. O que só por si diz muito!
Raquel Cardeira Varela (1978) é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais e investigadora do Instituto Internacional de História Social.
É autora, entre outras obras, de “História da Política do PCP na Revolução dos Cravos” (Bertrand, 2011), obra apologética e revisionista do papel dos comunistas no PREC, a par de uma leitura e interpretação marxista dos factos.
Esta introdução, que também é uma apresentação da personagem, torna-se necessária para se compreender o que quer dizer, onde quer chegar com aquela definição.
Sabe-se que esta esquerda, à qual a dita pertence, sente uma ‘superioridade moral’ sobre todos os outros, a par de uma ‘superioridade intelectual e cultural’, fruto do seu complexo de inferioridade de Derrotados da História. A Ideologia Marxista e sua variante Comunista perderam o Combate das Ideias, e hoje pertencem ao ‘Cemitério das Verdades Eternas’!
Vencidos nesta Batalha Cultural, tornaram-se mesquinhos. E a definição da «direita da bifana» é uma mesquinhez, ao nível do ‘brincar aos pobrezinhos na Herdade da Comporta’!
O Estado Social de que a senhora fala é uma criação do Estado Novo, que depois na Terceira República tem os desenvolvimentos normais dentro de uma sociedade em contínua construção e mutação. As suas bases remontam à década de sessenta do século passado, e é pertença de todos os portuguese e não apenas de uma parte, uma elite.
As ‘conquistas da revolução’ são um chavão que a extrema-esquerda do actual regime glosa, mas que não tem conteúdo. Aquilo a que os radicais gostam de referir como ‘conquistas da revolução’ consubstancia-se na tentativa da instauração de uma ditadura comunista, a qual foi derrotada em 25 de novembro de 1975, a destruição dos tecidos económico e financeiro, as ocupações selvagens e selváticas, seguidas de roubo de bens do próprio estado e de particulares.
O desconhecimento da nóvel historiadora quanto ao facto de o acesso ao ensino ser uma realidade para todos e não para uma elite, é curiosa, porque o direito à educação, tal como à saúde e a outras áreas sociais não são monopólio deste regime.
A seguir, darwinismo social ou a marxista teoria das classes sociais, explica, ou só pode explicar a raiva que demonstra pelos que, como escreve, “nunca subiram ao topo”.
Poder-se-ia dizer que demonstrou elitismo e não raiva. Mas que há aqui ressabiamento, é indiscutível. A tal ‘superioridade’ imanente à sua condição de femme de gauche, intelectual, defensora das chamadas ‘causas fracturantes’, e, quiçá, a quimera de ser uma Ulrique Marie Meinhof à portuguesa!
‘Alpinismo social’ é crime que, pelos vistos, a esquerda detesta, ou não fosse o tal elitismo que cultiva… E, uma vez mais, a ‘superioridade’ dos ‘grandes’ em relação aos ‘humildes’. E que dizer quanto às ‘origens’? Onde andará, para não se falar em Liberdade e Fraternidade, a revolucionária Igualdade!
A distinção entre ‘campo’ e ‘cidade’ é fundamental para esta esquerda justificar a sua ‘superioridade’. A diferença entre o operariado e o campesinato é feita no marxismo, considerando os primeiros progressistas e os segundos reacionários. A revolução faz-se com as massas das cidades, com o operariado e não com os camponeses.
Para esta luminária, ser-se ‘rural’ é ter origens humildes, mostrando o ódio de classe que caracteriza a praxis comunista, o que é uma forma de racismo, pelo que, porventura, se poderia dizer que Raquel Varela seria racista. Raquel Varela menoriza a Instituição Académica a que pertence!
Intolerância grassa na esquerda radical. No fundo, é o seu modus operandi.
Arrogância, prepotência, junto com a ideia de serem uma elite cultural e intelectual, é o protótipo desta esquerda radical, justiceira, cultora de totalitarismos, criadora de paraísos concentracionários, e que é acima de tudo pretensamente culta.
Grave é “idiotas úteis” incensarem esta gentalha, que no fundo os despreza.
Mário Casa Nova Martins
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quinta-feira, julho 02, 2015

O Diabo

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23 de Junho de 2015, Semanário O Diabo, página 23
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