\ A VOZ PORTALEGRENSE: Desabafos, 2014/2015 - XIII

quarta-feira, março 11, 2015

Desabafos, 2014/2015 - XIII

Burt Lancaster, D. Fabrício Corbera,
em Il Gattopardo, de Luchino Visconti, 1963
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Nós fomos os leopardos, os leões: os que hão-de substituir-nos os chacais, as hienas;…
D. Fabrício, Príncipe de Salina
in, O Leopardo, Tomasi di Lampedusa,
Círculo de Leitores, Setembro de 1974, página 183
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Um cidadão, na qualidade de trabalhador independente, não sabia que tinha que prestar contas à Segurança Social.
Estando-se em Portugal, em pleno século XXI, parece difícil de acreditar, e muito menos de aceitar, tratando-se no caso em questão de alguém com qualificação académica superior, logo, pensa-se, com um determinado grau de cultura e principalmente de conhecimento de como funciona a sociedade.
Mas tal acontece, ou, melhor, ainda acontece nos tempos que correm.
Quando um primeiro-ministro sabe que esteve em dívida para com a Segurança Social, mesmo sabendo que o processo dessa dívida prescrevera, só tinha que no momento em que soube do facto ter tido a ética, mesmo tendo prescrito, de ter voluntariamente liquidado a verba em falta, e não esperar que o caso fosse público para então fazer esse pagamento.
Como diz o ditado popular, «à mulher de César não basta ser séria, tem também que o parecer!».
São acontecimentos destes, que dado quem neles está envolvido, os torna casos públicos, maculando o currículo de quem os pratica. Diga-se o que se disser, ou quiser, a imagem pública do actual primeiro-ministro de Portugal ficou diminuída quer interna, quer externamente, e logo num tempo em que o governo que lidera se pretende afirmar como cumpridor de todos os compromissos assumidos perante os portugueses e face à comunidade internacional.
A não oportunidade política deste acontecimento é notória. Enfraquece o governo e o partido a que pertence.
As oposições aproveitam este momento de fraqueza política do primeiro-ministro para o achincalhar na praça pública, em vez de tomarem atitudes construtivas com o objectivo de casos destes não terem lugar. É, como o povo chama, «a porca da política».
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 09/03/2015
Mário Casa Nova Martins
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