\ A VOZ PORTALEGRENSE: Abril 2014

terça-feira, abril 29, 2014

Desabafos 2013/2014 - XIV

O dito jornal de referência, o semanário Expresso do passado 12 de abril, titulava na primeira página e como destaque principal que hoje o «Salário mínimo [é] mais baixo do que em 1974», acrescentando que «Mesmo que aumente para 500 €, valerá menos em termos reais do que há 40 anos».
Este facto, que além de económico é político, mostra a crua realidade de Portugal.
Por muito que se queira negar, hoje, fruto de uma demagogia de quatro décadas em torno de uma palavra que o tempo mostrou não passar de uma falácia, o socialismo, vive-se uma sociedade cada vez mais egoísta, cínica e sobretudo com um apurado sentido de inveja, a par de um empobrecimento generalizado da população portuguesa.
Palavras como solidariedade, camaradagem, amizade, não passam de simulacros de um sentir e viver egocêntrico.
Também Valores como Família, Estado, Nação, há muito que se perderam, tal como o respeito pela Religião.
Portugal é um país pobre em recursos naturais, mas mesmo assim, a agricultura, as pescas e a indústria tinham no seu conjunto relevância na sua economia.
Contudo, os seus governantes deixaram-se ir no canto da cigarra, e a troco de dinheiros fáceis deixaram que a indústria, as pescas e a agricultura fossem destruídas.
E aqueles que lucraram com este péssimo negócio, são hoje aqueles mesmos que estão por detrás da política de austeridade, política essa que teve lugar por três vezes nestes últimos quarenta anos, fruto de três bancarrotas nas quais Portugal mergulhou pela cupidez.
Sem políticas de futuro, sem futuro, Portugal vive hoje um dia-a-dia de apagada e vil tristeza.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 28/04/2014
Mário Casa Nova Martins
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segunda-feira, abril 28, 2014

Fernando Correia Pina

Ponto de exclamação

Estás sempre presente quando a mão
tomada de instintos assassinos
empunha o punhal ou puxa o gatilho.
Estás sempre muito hirto
em equilíbrio improvável sobre uma pequena bola
nos orgasmos cinematográficos,
és convidado de honra de todos os comícios eleitorais,
multiplicas-te descontroladamente
nos diálogos adolescentes,
fazes-nos pensar na nossa condição
nos monólogos dos velhos,
obrigas-nos a ler em silêncio mais alto
as palavras que te precedem,
és entre os teus pares
o único que se faz representar em tamanho grande
à beira das estradas.
Jamais confiarei em ti,
ó desnecessária injeção de adrenalina,
servo fiel de todos os senhores.
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I - Série dedicada à Pontuação

sexta-feira, abril 25, 2014

António Jacinto Pascoal

El último testigo
Hace más de 70 años que el viento trata de secar las lágrimas y no lo consigue.  Las lágrimas están todavía allí.
El viento hace callar las voces de los jóvenes, los trinos de los pájaros, el sonido de las máquinas y los disparos. Todos quieren que este lugar guarde silencio, pero la tierra en su silencio nos pide que hablemos.
Todos están allí: nosotros los humanos con nuestras voces, los pájaros, que no estudiaron historia, con las suyas, las máquinas que construimos para construir y para destruir.
En la tierra llena, no cabe nada más. Todo la rebaza. Ella no puede hablar, algo y alguien le aprietan la garganta. Está muda. Por eso es necesario las voces, los trinos y los ruidos de las máquinas.
El verde lo cubre todo incluso a nosotros. Ese verde es de tristeza por el cielo gris y por la tierra llena.
Solo el viento, dueño y señor del lugar, pasa sin pedir permiso, moviendo  de vez en cuando la rama de un árbol y el cabello de los jóvenes.
Una vez más el viento trata de callar a los cañones, a las máquinas, a los trinos y a las voces – el resultado es el de siempre.
… fueron traídos, sobrevivieron algunos, murieron tantos…
En el fin de los tiempos, con las lagrimas todavia por secar, el viento será el último testigo en Berguen Belsen.
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O último testemunho
Há mais de 70 anos que o vento tenta secar as lágrimas mas não o consegue. As lágrimas porém permanecem ali.
O vento faz calar as vozes dos jovens, o trinar dos pássaros, o som das máquinas e dos disparos. Todos querem que este lugar guarde silêncio, mas a terra, no seu silêncio, pede-nos que falemos.
Todos estão ali: nós, os humanos, com as nossas vozes; os pássaros, que não estudaram história, com as suas; as máquinas que construímos para construir e para destruir.
Na terra cheia não cabe mais nada. Tudo a faz transbordar. Ela não pode falar; algo e alguém lhe apertam a garganta. Está muda. Por isso são necessárias as vozes, os trinos e os ruídos das máquinas.
Ao verde cobre-o tudo, inclusivamente a nós mesmos. Esse verde é o da tristeza pelo céu cinzento e pela terra cheia.
Só o vento, dono e senhor do lugar, passa sem pedir permissão, movendo de vez em quando a rama de uma árvore e o cabelo dos jovens.
Uma vez mais, o vento trata de calar as armas, as máquinas, os trinos e as vozes – o resultado é o de sempre.
… foram traídos, alguns sobreviveram e morreram tantos…
No fim dos tempos, com as lágrimas ainda por secar, o vento será o último testemunho em Bergen-Belsen.

Abril, 2014

Nora Gaon, Directora no Spanish Desk International Department do Guetto Fighters House, sediado no kibbutz Beit Lohamei Haghetaot, Israel

Tradução de António Jacinto Pascoal

terça-feira, abril 22, 2014

Fernando Correia Pina

Ponto de interrogação

Se um dia desapareceres
dos livros, das legendas, dos jornais,
tu, ó incómoda bengala que apoiaste
a ascensão do homem aos mais altos
montes que o espírito engendrou,
tu, ladrão curvado que em cada espelho
nos pediste os documentos de identidade,
tu, cobra que nos perseguiste e encurralaste
num qualquer canto e que nos fizeste
esmagar-te e sentirmo-nos mais fortes,
tu, contorcionista que nos obrigaste
a usar o espelho para ver a nuca,
se um dia desapareceres,
o que faremos?

terça-feira, abril 15, 2014

Desabafos 2013/2014 - XIII

No próximo dia 27 de abril começa a ser construída na Arábia Saudita a Kingdom Tower, que será o edifício mais alto mundo.
A Kingdom Tower, com fundações até 200 metros abaixo do solo, terá um quilómetro de altura, com um custo estimado em 890 milhões de euros.
A natureza humana é capaz de tais feitos.
Mas é também fruto da natureza humana a dificuldade sentida em encontrar o avião que subitamente desaparecera dos radares em pleno Oceano Índico, mesmo utilizando a mais moderna e sofisticada tecnologia.
O homem há muito perdeu o sentido do transcendente e do sagrado. O homem considera-se o senhor dos destinos da humanidade, do planeta e do universo.
Para o homem tudo é matéria, tudo se pode reduzir a teoremas, fórmulas e equações matemáticas, mais ou menos complexas para os iniciados, e inteligíveis para os profanos.
A própria vida deixou de ser um valor em si, para passar a ser algo que pode ser impunemente destruída, fruto de teorias fraturantes e igualitaristas, tornadas seitas de tipo milenarista, apocalíptico.
O cientismo, tornado religião oficial de um tempo final, galopa desenfreado, conduzindo as gentes para o mais feroz totalitarismo do pensamento único.
Enquanto isso, os radicalismos de toda a índole ganham força, tornando a sociedade cada vez mais frágil na sua orgânica.
Ontem foi Domingo de Ramos, hoje começa a Semana Santa, vive-se o Tempo Pascal, um tempo da maior importância no ritual Cristão.
Páscoa significa passagem. A Sexta-feira Santa celebra a morte de Jesus e o Domingo de Páscoa a sua Ressurreição.
Interpretar o Mistério da Páscoa, e vivê-lo, é compreender que o Divino é imanente ao Homem, mas este há muito que o esqueceu.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 14/04/2014
Mário Casa Nova Martins
* http://www.radioportalegre.pt/index.php/desabafos/mario-casanova-martins.html

quinta-feira, abril 10, 2014

Desabafos 2013/2014 - XII ||| O Diabo


Se há algo tão importante como a vida, esse algo é a água, concretamente a água potável.
Se se disser que hoje no planeta Terra existe a mesma quantidade de água potável do que no tempo em que os dinossauros viviam, então pode-se dizer sem qualquer dificuldade que o bem mias precioso que a Humanidade tem ao seu dispor é justamente a água potável.
Mas, que tão mal o homem trata a água potável, um bem que com o aumento da população mundial, a par do aumento da sua utilização para outros fins, se torna cada vez mais escassa, e de difícil acesso a milhões de seres vivos que dela necessitam para sobreviver.
A poluição de aquíferos, rios e albufeiras é uma constante, sempre em nome de um progresso que mata não só a biodiversidade da natureza, como no fundo o próprio homem.
No passado sábado dia 22 de março celebrou-se mais um denominado «Dia Mundial da Água». Como tal efeméride é muito importante, passou despercebida. Mas a água é cada dia que passa o mais disputado dos recursos naturais.
Sabe-se que a problemática das alterações climáticas passou há muito para a esfera do debate político, enfraquecendo-a, e, pior, falseando dados para a adaptar aos interesses económicos de um capitalismo selvagem, seja ele de Estado ou Privado.
Assim, as guerras da água em cada vez mais regiões do planeta, têm também contornos políticos.
E na Península Ibérica há que não esquecer os transvases que a Espanha faz, a seu belo prazer!, e também recordar o cíclico incumprimento espanhol em períodos de menor pluviosidade dos caudais mínimos dos rios internacionais ibéricos.
Face a esta situação, que o tempo só tende a agravar, apenas um caminho resta a Portugal, que é a construção do maior número de barragens para armazenar a água com a qual os céus presenteiam esta Nação cada vez mais abandonada por Deus!
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 31/03/2014
Mário Casa Nova Martins
O Diabo, 8 de Abril de 2014, Ano XXXVIII, Nº 1945, página 23
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quarta-feira, abril 09, 2014

Luís Filipe Meira

Dead Combo no CAEP
Lisboémia séc. 21

Há poucos dias um fotógrafo de Portalegre dizia-me, a propósito da diversidade dos momentos que mais gostava de fotografar, que gostava do mercado, do bulício das pessoas ao sábado de manhã, da mistura de cheiros, de cores e de gentes, e que só tinha pena que a máquina fotográfica não captasse os cheiros…
Na noite de sábado passado este pensamento assaltou-me por diversas vezes durante o concerto dos Dead Combo no CAE, já que a peculiaridade da música de Pedro Gonçalves e Tó Trips, pejada de imagens sonoras, tem uma forte componente cinemática que nos convida a dar largas à imaginação, faltando, poderia dize-lo, apenas os cheiros para completar um quadro sobre histórias manhosas de uma Lisboa, multicultural e boémia que vai sobrevivendo no limiar da transgressão.
Passaram dez anos sobre o momento em que Tó Trips e Pedro Gonçalves se encontraram fortuitamente num concerto de Howe Gelb. Como nenhum tinha carro regressaram a pé ao Bairro Alto, conversando e pensando que talvez valesse a pena, juntar os fracassos, as desilusões e os desencantos em que ambos andavam mergulhados para darem força a um projeto em que o céu seria o limite.
Foi o princípio de qualquer coisa que, a partir de Lisboa, foi crescendo paulatinamente entre histórias de faca e alguidar, de heróis e vilões, alguns reais, outros de banda desenhada, embaladas em sons do mundo. Qualquer coisa que se transformou num projeto de bases sólidas que chegou a “A Bunch of Meninos”, álbum editado há pouco mais de um mês que entrou diretamente para o primeiro lugar do top português de discos mais vendidos, bem como para o número 1 do iTunes e do Meo Music.
“A Bunch of Meninos” foi a base do concerto que os Dead Combo trouxeram a Portalegre no último sábado. A sala estava praticamente lotada por um público entusiástico e vibrante. No palco, uma espécie de altar iluminado com um imponente ramo de rosas no meio e rodeado por uma inaudita quantidade de violas, tudo enquadrado por uma tela para projeção de pequenos filmes ladeada por dois painéis gigantes com fotografias e quadros antigos. O cenário era fascinante e aumentava de alguma forma as expetativas e a curiosidade de ver ao vivo as músicas do novo álbum dos Dead Combo, que pela 1ª vez entravam diretamente para o top nacional de vendas.
O concerto começou tranquilo com “ Povo que Cais Descalço” e “ Waiting For Nick at Rick´s Café” - esta última numa clara alusão à tentativa frustrada de ter Nick Cave no disco a ler um poema de Pessoa - passando a um registo mais acelerado com a entrada no universo adolescente de “Miudas e Motas”; e no imaginário cinéfilo em “Mr. Eastwood”; seguindo as homenagens a Tom Waits, Edward Snowden, ao mítico Pacheco - guitarrista de Hermínia Silva - e à “Dona Emília”, senhora da limpeza da Galeria ZDB. Em Cachupa Man sentimos o perfume de África; em Rumbero provamos o rum manhoso que os turistas bebem na Brasileira; em Lusitânia Playboys assistimos à luta entre dois músicos de jazz e uns marinheiros no velho Cais do Sodré e em B.Leza houve uma tentativa, mais ou menos bem conseguida, de aproximar a morna ao fado. O tempo ia passando, mas ainda houve tempo para evocar Amália em “Esse Olhar que Era Só Teu” e homenagear a família, num recatado momento acústico em “Zoe Llorando” e “Welcome Simone”. Como sequência final tivemos três momentos poderosos com a recuperação de, “Eléctrica Cadente”, um dos primeiros temas da banda; uma aventura meio manhosa com mexicanos e mescal em “Dos Rios”; e o tema que dá nome ao álbum “A Bunch of Meninos”, título inspirado num governo holandês de 2008, mas que se pode perfeitamente aplicar ao governo português de 2014.
O primeiro encore evocou a desaparecida Feira Popular e os condenados carrinhos de choque em “Malibu Fair” e o grand finale chegou com “Lisboa Mulata”, o tema título do álbum anterior.
Foi um grande, grande concerto. A música dos Dead Combo está enraizada numa Lisboa boémia mas encontra-se em movimento permanente e em atualização constante. Tó Trips diz que qualquer coisa cabe na música da banda, “bebem uns shots no porto e depois arrancam para outro lado”. Se “Lisboa Mulata” cruzava os sons de uma Lisboa cosmopolita que, cada vez mais, recebe e mistura tradições, raças e credos num caldeirão global de grande densidade e riqueza cultural, “A Bunch of Meninos” é mais contido, mais íntimo e acústico tendo no entanto um lado bastante frenético e é neste compromisso entre o som das ruas dos bairros populares frequentadas por lisboetas malandros e o som dos quartos de pensões baratas que albergam emigrantes chegados de toda a parte, que a música dos Dead Combo se vai modelando.
O mês de Abril começou em grande para os melómanos de Portalegre e tudo à volta. Se no sábado tivemos os magníficos Dead Combo, que entraram para o 1º lugar do top de vendas discográficas e têm esgotado as salas por onde têm passado, amanhã, 5ª feira, é dia para The Legendary Tigerman apresentar no CAE o álbum, True, o novo 1º lugar do top de vendas nacional. Tigerman acabou de chegar de uma bem sucedida digressão que o levou a França, Suíça e Inglaterra e desde que chegou a Portugal tem também vindo a esgotar as salas por onde passa
Até lá.

quinta-feira, abril 03, 2014

Luís Filipe Meira

Biblioteca Viva Em Portalegre
 
Dinamizada por Jovens de 10 Países
 
Uma biblioteca é um espaço nobre onde a partilha do conhecimento pode alcançar as formas mais variadas; da leitura ao debate, das experiências artísticas à simples conversa, tudo pode acontecer numa biblioteca. No fundo uma biblioteca é um espaço de cultura que, sendo municipal, tem obrigações acrescidas, pois tem a missão de promover e apoiar qualquer ação que vise o aumento de conhecimento e o incremento cultural da comunidade onde está instalada. E quando falamos de Biblioteca Municipal estamos a referir-nos a tudo o que envolve e põe a funcionar o espaço físico; direção, colaboradores, equipamento, enfim tudo o que contribua para a dinamização do espaço público.
Foi o que aconteceu na semana passada nas instalações da Biblioteca Municipal de Portalegre com a cedência do espaço físico para a realização de uma Biblioteca Viva, dinamizada por jovens oriundos de 10 países, numa ação promovida pelo programa comunitário Juventude em Ação em conjunto com uma Associação local.
O conceito de Biblioteca Viva é mais ou menos recente, sendo Portalegre a 3ª cidade portuguesa, depois de Lisboa e Porto, a receber uma iniciativa deste género, que passa pela promoção do diálogo e combate aos estereótipos e preconceitos, encorajando ao entendimento. O método é simples e basta ter alguém disponível para, tal como num livro, contar uma história e ter alguém que esteja pronto para a ler/ ouvir, com a vantagem, em relação ao livro, de poder discuti-la com o autor/narrador. Sendo que duas cadeiras, um emissor/livro e um leitor/ouvinte, são suficientes para executar o conceito, não deixa de ser verdade que a ação deverá, tal como em qualquer biblioteca, ter a ambição de apresentar o melhor e maior número de livros e chegar ao maior número de pessoas.
A ação que ocorreu a semana passada em Portalegre teve a participação de cerca de cinco dezenas de pessoas entre dinamizadores do projeto e visitantes, provenientes de diversos países, da Grécia à Finlândia, da Roménia ao Reino Unido passando por Espanha, Áustria, Hungria, Itália, França e Portugal. Os temas escolhidos para os livros versaram os Direitos Humanos, Discriminação e Exclusão Social. Foram apresentados 8 livros/histórias cujos autores/protagonistas contaram e discutiram, a temática e os contornos das histórias, com os leitores que os escolheram.
Oito histórias diferentes contadas na 1ª pessoa que levaram os leitores desde o lado mais negro da vida até ao sucesso empresarial na agricultura, passando por uma história de amor que acabou em pesadelo, uma outra vivida através de dois continentes e vários países, pelas lutas dos trabalhadores pelos seus mais elementares direitos, pela preservação da herança judaica ou ainda pela fantástica história da libertação da mente de um corpo que jaz na cama de um hospital há quase duas dezenas de anos. Oito histórias fascinantes de transfiguração vividas de extremo a extremo e que, de alguma maneira, demonstram a força inquebrantável do ser humano. Oito histórias que foram exemplos vivos para os leitores, alguns deles com histórias tão ou mais dramáticas que as dos autores com quem interagiram.
Para o sucesso desta Biblioteca Viva, para além da contribuição de toda a equipa que dinamizou o projeto, é justo referirmos a Tégua, associação com obra feita no difícil campo da exclusão social, que respondeu positivamente ao convite para participar nesta Biblioteca Viva, levando dezena e meia de pessoas com carências diversas, que souberam escutar histórias dramáticas e que em alguns casos também tiveram a coragem de partilhar as suas. Ao contrário de outras escolas que declinaram os convites por estar a chover ou porque não dava “muito jeito”.
Como atrás referido, o conceito de Biblioteca Viva é recente e tivemos aqui, em Portalegre, apenas a terceira experiência nacional. Que sendo um sucesso, poderia ter ido mais longe se a comunidade estivesse mais desperta para este tipo de acontecimentos. Ainda assim fica a porta aberta para uma área de grandes potencialidades inexploradas.

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