\ A VOZ PORTALEGRENSE: Março 2014

segunda-feira, março 31, 2014

A Miséria do Socialismo

O reino da abundância, que os socialistas haviam prometido, foi trazido pelos capitalistas. E contra o capitalismo da abundância desenvolveu-se o programa de um socialismo da miséria.
Esta parábola, que recebi via mail, é disso exemplo do que hoje se passa em Portugal.
Mário Casa Nova Martins
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A Cigarra e a Formiga - versões Alemã e Portuguesa
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Versão alemã
A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.
FIM
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Versão portuguesa
A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.
A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.
A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.
A opinião pública portuguesa escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti-pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.
A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados, a ILGA e a ala esquerda do PS, com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares, organizam manifestações diante da casa da formiga.
Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.
Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.
Para responder às sondagens, o Governo CDS/PSD faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti-descriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).
Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.
A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.
A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás.
Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista"
A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se nas tintas para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.
Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.
Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.
A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança.
Ana Gomes um pouco a despropósito afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA, e aproveita para insultar Paulo Portas.
Entretanto o Governo CDS/PSD felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.
A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária!
FIM

quinta-feira, março 27, 2014

Luís Filipe Meira

11º Portalegre JazzFest
 
Entre Chopin e O Som do Inferno
 
O jazz em formato de festival regressou a Portalegre de forma empenhada e afirmativa. O Festival Internacional de Jazz de Portalegre tem um rumo definido que aposta forte nas estéticas vanguardistas que vão dominando o jazz europeu em conflito direto com o jazz mais cool ou smoth jazz se quiserem, tendência mais suave nascida da fusão do jazz propriamente dito com a pop, r&b ou a soul music.
O jazz como escola de improvisação tem sentido ao longo dos anos alguns abalos sísmicos provocados pela chegada de novos músicos com ideias muito próprias e imbuídos dum espirito reformador, que, de alguma forma, têm sido responsáveis pela vitalidade dessa música fascinante, nascida da cultura popular e da criatividade das comunidades negras, há mais de um século nas zonas limítrofes de Nova Orleães e que se foi desenvolvendo a partir do cruzamento de várias tradições musicais.
São históricos os debates - autênticas batalhas, por vezes - no seio da comunidade jazzística ao longo dos anos. Em meados da década de 30, amantes do jazz de Nova Orleães criticaram as "inovações" da era do swing como contrárias a improvisação coletiva, que tinham como essencial para a natureza do "verdadeiro" jazz.
Duke Ellington dizia, "é tudo música." Alguns críticos, no entanto, têm dito que a música de Ellington não era de facto jazz, pois, segundo esses críticos, o jazz não pode ser orquestrado.
Davide Ake, estudioso, investigador e professor universitário com várias obras publicadas, adverte que a criação de "normas" no jazz e o estabelecimento de um "jazz tradicional" pode excluir ou deixar de lado outras formas de jazz avant-garde, tornando um espaço artístico de liberdade criativa indiscutível num ghetto com comissão de censura, diria eu.
O grande Charlie Parker, que hoje passa por ser um dos maiores músicos de sempre e principal responsável pelo movimento que revolucionou o género na década de 50, chegou a estar proibido pelo sindicato dos músicos de fazer gravações por causa da sua veia reformadora que encantava os jovens músicos, mas ameaçava os veteranos.
Os exemplos de polémicas sobre a introdução de novas formas de composição e novos fraseados sonoros no jazz são mais que muitos e seria fastidioso listá-los todos, como exemplo citaria apenas a aventura elétrica de Miles Davies que deu dois álbuns superlativos, In a Silent Way e Bitches Brew, ambos de 1969 ou os delírios sonoros de free jazz de Ornette Coleman, Cecil Taylor, Sun Ra ou Albert Ayler, passando pelo jazz de fusão da década de 70 bem retratado pelos Weather Report, a Mahavishnu Orchestra de John McLaughlin ou os Return to Forever de Chic Corea, até ao jazz europeu de Jean Luc Ponty, Philippe Catherine, Jan Garbarek ou Michaeł Urbaniak.
Ora se os músicos e os críticos/divulgadores estão divididos sobre as fronteiras que delimitam o jazz, também será perfeitamente natural que essa divisão se estenda ao público que frequenta este tipo de concertos. O que naturalmente aconteceu nas conversas que ocorreram no foyer do CAE no fim de semana passado, logo a seguir aos concertos dos FIRE! de Mats Gustafsson e dos Lean Left de Ken Vandermark, protagonistas de performances devastadoras que feriram os tímpanos e baralharam os neurónios da esmagadora maioria dos espetadores que se deslocaram ao CAE.
Mas vamos por partes.
Coube ao pianista Mário Laginha acompanhado pelo baterista Alexandre Frazão e pelo contrabaixista Nelson Cascais, cumprir a tradição de serem músicos portugueses a abrir o Portalegre JazzFest.
Perante uma sala quase cheia de um público entusiasta e conhecedor, este Trio de Mário Laginha, que reúne alguns dos melhores músicos portugueses, ofereceu um magnífico concerto, assente nos álbuns Espaço de 2007, álbum que enaltece de forma exemplar a união entre a música e a arquitetura, e Mongrel de 2011, disco onde o pianista presta tributo à música de Chopin, que aborda de uma forma respeitosa, mas libertadora. Apetecia-me destacar a extraordinária performance de Alexandre Frazão, que é hoje, sem sombra de dúvidas, um dos maiores bateristas portugueses, seja qual for a área, mas seria injusto para Nelson Cascais, um experimentado contrabaixista, que troca a exuberância pela segurança interpretativa e para Mário Laginha que é na verdade um pianista de criatividade e técnica absolutamente fora do comum. Foi uma noite perfeita que abriu a preceito esta 11ª edição do Festival Internacional de Jazz de Portalegre.
FIRE! Mats Gustafsson,Andreas Werlin e Johan Berthling.
Lean Left de Ken Vandermark,Paal Nilsen-Love, Terrie Ex e Andy Moor
FIRE é a oxidação rápida de um material no processo de combustão. Fazendo jus ao nome, FIRE!, o trio nórdico de Mats Gustafsson, Andreas Werlin e Johan Berthling incendiou em pouco mais de uma hora, o Grande Auditório do CAE, na 2ª noite do Portalegre JazzFest, não deixando pedra sobre pedra. Tenho dúvidas que haja algum espetador, que tenha passado na 6ª feira pelo CAE, que volte a encarar a música da mesma forma que o fazia antes, tal a intensidade e violência, gratuita por vezes, da performance dos FIRE!. Num concerto de grande complexidade, mas paradoxalmente fascinante, Gustafson e seus pares arrasaram os neurônios do público presente desenvolvendo propostas sonoras arquitetadas por cima dos cruzamentos de várias tendências musicais. Da eletrónica ao rock, do free jazz ao minimal industrial passando pela ambient music tudo cerzido por estruturas noise terrivelmente distorcidas, os FIRE! acabaram por fazer o retrato sonoro do caos social em que (sobre)vivemos.
Devastador, desconfortável, intenso, poderoso mas, como referi atrás, absolutamente fascinante. Palavras, quase rebuscadas, que utilizo na tentativa de explicar o que se passou na 6ª feira passada no CAEP. Tenho no entanto a certeza que será sempre uma tentativa gorada...porque não há palavras que possam descrever minimamente este extraordinário concerto.
E se atrás escrevia que o grupo FIRE! não tinha deixado pedra sobre pedra com a sua intensa e devastadora performance, que poderia ser perfeitamente entendida como a banda sonora do caos social em que as sociedades modernas (sobre) vivem...
Depois da atuação dos Lean Left de Ken Vandermark, diria que nem as pedras se salvaram... A estrutura desmantelada pelos FIRE! desintegrou-se com o som dos Lean Left.
Há dois anos atrás, depois de um concerto deste grupo no "Dalston's Cafe Oto" em Londres, John Fordham escreveu no jornal britânico "The Guardian" que as probabilidades de esquecer o concerto seriam nulas, mais não fosse, pelo zumbido que iria persistir nos ouvidos pela noite fora. Escreveu também Fordham que o mobiliário da sala esteve sempre á beira da destruição devido aos níveis de volume sonoro utilizados por esta trupe de improvisadores meio loucos, digo eu, que elevam a sua performance a um caos sonoro inimaginável. Atrever-me-ia ainda a dizer que se a performance dos FIRE! é o caos "organizado", a dos Lean Left é o caos "anárquico". Onde, calculo, tudo pode acontecer e ninguém conhece o próximo passo, nem os espetadores, que podem chegar ao limite do suportável e abandonar a sala, como de resto algumas pessoas fizeram, nem os próprios músicos que vão gerindo o som de forma compulsiva e as sensações momento a momento, sem darem mostras de se preocuparem minimamente com a reação da plateia.
Se o inferno tiver som ambiente, não deve ser muito diferente daquele que a dupla Ken Vandermark/Paal Nilssen-Love com os holandeses Ex Guitars nos apresentaram na noite de encerramento da 11ª Edição do Portalegre JazzFest e que mantém acesa a discussão; será que o jazz como escola de improvisação tem fronteiras? Foi jazz o que os LEAN LEFT e os FIRE! trouxeram a Portalegre?  Convenhamos que, como hipótese de discussão, meramente acadêmica, pode ser interessante...
Para serenar e depois de uma excelente prova de vinhos, licores e enchidos da região com os deliciosos rebuçados de ovo a rematar, ainda houve tempo para uma viagem relaxante ao Delta do Mississippi onde Samuel James foi buscar inspiração para nos oferecer noite dentro alguns blues rurais de excelente colheita...
Em tempos que os investimentos na cultura são cada vez mais mitigados e em que as pessoas veêm estas apostas de algum risco com desconfiança, atrever-me-ia a dizer que valeu a pena. Foram 35 000 euros aplicados num evento que contou com perto de 1200 participantes em todas as vertentes e nos 3 dias do festival; concertos, afterhours e workshops, o que é bastante bom em comparação com outros anos.
Portanto poderemos concluir que este 11º Portalegre JazzFest foi um sucesso em termos globais.

quarta-feira, março 19, 2014

Luís Filipe Meira

O Projeto TriumPHONIA no Brasil
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O projeto TriumPhonia nasceu de uma ideia de Augusto Vintém, uma espécie de homem dos 7 instrumentos, que achou por bem criar um grupo que desse resposta ao seu ecletismo como músico apostando na sonoridade do piano, guitarra e percussão como suportes da voz.
Vocacionando-se para múltiplas vivências musicais em diversas vertentes criando repertórios alternativos para públicos e programas variados, sejam as iniciativas de carater cultural ou recreativo.
Se bem o pensou, melhor o fez. Até porque o campo de recrutamento para parceiros que o acompanhassem no projeto era vasto e não oferecia dificuldades de maior, quer em termos quantitativos, quer qualitativos. A escolha recaiu para a voz e guitarra em Jerónimo Curinha aka Jóminho, um autodidata de enorme experiência e talentos múltiplos que, por razões que a razão desconhece, nunca enveredou pela carreira profissional, mas como amador construiu na região uma sólida reputação como fadista mas também como cantor de música popular. Para a percussão avançou José Durão, multi-instrumentista de enorme experiência que para além do percurso local e regional dos grupos de baile, ainda teve uma bem-sucedida experiência fora de portas em orquestras espanholas de rumba e salsa.
A TriumPHONIA para além do trio referido que forma o chamado núcleo duro tem versatilidade suficiente para integrar músicos convidados conforme os programas propostos.
O projeto teve um pré apresentação em Outubro do ano passado nos Paços do Concelho de Castelo de Vide, tendo como artista convidada a cantora Vera Soldado.
Na próxima semana o grupo desloca-se ao Brasil para três concertos em Brasília e um em Lusiânia, no âmbito da missão empresarial e promocional da Região do Alto Alentejo, a Luziânia, Brasília e Região Centro Oeste do Brasil, organizada pela Nerpor–AE em parceria com a CIMAA, Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo com o intuito de promover as relações económicas, turísticas e culturais entre as duas regiões.
Para estes concertos a TriumPHONIA irá assentar a sua apresentação numa mescla dos reportórios de fado e música portuguesa, levando como convidados a cantora Vera Soldado e António Eustáquio em guitarra portuguesa.
O concerto de apresentação da TriumPHonia à cidade de Portalegre acontecerá no Centro de Artes e Espetáculos no dia 3 do próximo mês de Maio.

Luís Filipe Meira

JAZZ para o Fim de Semana
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O Portalegre JazzFest está de regresso depois de um ano de interregno, devido à crise, dirão uns, devido ao desinvestimento brutal na cultura, dirão outros.
Mas o que interessa é que amanhã 5ª feira pelas nove e meia da noite, o pianista Mário Laginha sobe ao palco do CAE acompanhado do contrabaixista Nelson Cascais e do baterista Alexandre Frazão. No final da atuação do Trio de Mário Laginha haverá a primeira apresentação de um projeto recém-criado, o CAEP Voices (Grupo Vocal do CAEP) que irá proporcionar a todo o auditório uma oportunidade para se deleitarem com vozes de todos os estilos e gerações.
Para os notívagos haverá um afterhours no espaço café-concerto com  a Clean Feed DJ Party, que tanto sucesso alcançou na anterior edição do festival.
Na 6ª Feira e para manter a tradição segue-se à proposta portuguesa de Mário Laginha, uma proposta europeia, este ano com os “Fire!”, grupo constituído por Mats Gustafsson (saxofones, Fender Rhodes, eletrónica), Andreas Werliin (baixo) e Johan Berthling (bateria e percussões) que nos propõem “uma alternativa ao entendimento da música improvisada enquanto prática ‘não-idiomática’, segundo o rótulo que lhe deu Derek Bailey”, como nos explicou Joaquim Ribeiro, o diretor artístico do festival.
No sábado e para fechar esta 11ª edição do Portalegre JazzFest iremos ter o quarteto Lean Left, que inclui Ken Vandermark, saxofonista e clarinetista norte-americano já conhecido do público português e dos portalegrenses, integrado noutros projetos. Desta feita, o músico norte-americano é acompanhado por Paal Nilsen-Love e pela dupla Terrie Ex e Andy Moor, do grupo holandês The Ex.
Projeto que em quarteto e seguindo ainda as explicações do diretor artístico do evento, “ representa o cruzamento de duas heranças musicais desviantes iniciadas nas décadas de 1960 e 70, a do ‘free jazz’ e a do ‘free rock’, na confluência de dois formatos estilísticos, jazz e rock, unidos pela máxima exploração do princípio da liberdade expressiva”.
Esta edição do Festival de Jazz de Portalegre inclui ainda oficinas musicais, uma feira do disco, especializada em jazz, a cargo da discográfica Clean Feed, e sessões de música no café-concerto do CAEP após os espetáculos no palco principal desta sala.
Os denominados “espetáculos ‘afterhours’” contam com Samuel James, em duas sessões, e, no dia da abertura, como atrás referimos, realiza-se a Clean Feed DJ Party,
De 20 a 22 de março, entre as 17:00 e as 19:00, também no café-concerto do CAEP, Samuel Janes orienta “oficinas de música” para guitarra, voz e harmónica.
Cá estaremos na próxima semana para fazer o balanço deste regresso do Portalegre JazzFest.

terça-feira, março 18, 2014

Desabafos 2013/2014 - XI

 
Acordaram o ‘Urso’. Já o tinham feito a propósito da Geórgia. E perderam.
Depois provocaram-no na Síria. E perderam.
Agora na Ucrânia voltaram a acordá-lo. E estão e vão perder!
A Rússia recuperou a sua identidade com o fim do Comunismo. Em seguida, era o tempo de sarar as feridas provocadas por tão longa ditadura. Agora é tempo da afirmação.
Os EUA não souberam ganhar o pós-Guerra Fria, muito fruto de contínuas presidências ligadas ao Partido Democrático. O Ocidente democrático venceu o Oriente comunista, mas o Leste da Europa tem vindo a recuperar o tempo perdido com as ditaduras comunistas.
E a Rússia, outrora o Império do Mal nas sábias palavras de Ronald Reagan, como que renasceu no concerto das Nações que geopoliticamente mandam no Mundo.
Hoje a Rússia é novamente a principal Potência Continental, muito graças aos erros e fracassos geoestratégicos dos EUA.
Mas a União Europeia, liderada pela Alemanha também no plano político, ao continuar refém da estratégia imperialista americana, esquece que as suas fronteiras a Leste pegam com a Rússia, aquela Rússia que se assume europeia e que quer partilhar com a União Europeia a liderança de uma Europa do Atlântico aos Urais, de Lisboa a Moscovo.
E no meio desta contínua disputa Leste-Oeste na Europa, por culpa dos EUA, a China aumenta a sua influência no Pacífico e no Mundo.
Só os EUA parecem não compreender que como Potência Marítima, são cada vez mais uma ilha isolada.
China e Rússia, outrora inimigos, estão hoje mais perto de serem as potências mundiais dominantes, face a uns EUA cada vez mais frágeis.
E a União Europeia tem que a estudar a História do Século XX, se quiser sobreviver a estas mudanças no posicionamento geopolítico.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 17/03/2014
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, março 13, 2014

Luís Filipe Meira

Marco Rodrigues no CAE

Benvindo, à Nossa Rua, Meu Amigo

Poucos, muito poucos, demasiado poucos espetadores no CAE para ver Marco Rodrigues. Um jovem fadista de 32 anos com 3 álbuns editados, que tem vindo a construir paulatinamente uma carreira sólida de sucesso, já com alguns prémios importantes e a quem Carlos do Carmo presta homenagem considerando-o uma prova do querer é poder devido à sua garra, rigor, dedicação e talento.
Marco Rodrigues esteve em Portalegre no último sábado para um concerto no CAE aonde atuou para uma sala desoladoramente vazia. Foi pena e quem perdeu foi quem primou pela ausência, pois o artista atuou como se a sala estivesse lotada. Profissionalismo, entrega, respeito e talento. Talento a rodos que é, no fundo, o mais importante. E foi no cruzamento de tudo isto que assentou o segredo de Marco Rodrigues para construir um ótimo serão para as escassas dezenas de pessoas que se deslocaram ao CAE.
Marco Rodrigues trouxe ao Auditório Principal do CAEP o espetáculo “EntreTanto”, baseado nos dois últimos discos, “ Tantas Lisboas /2010 e “EntreTanto / 2013”. O espetáculo procura recrear o ambiente vivido na casa de fados, onde se procura uma proximidade e comunhão entre fadista e público.
O artista que atua regularmente na Adega Machado, consegue criar espontaneamente e com naturalidade essa empatia mantendo um diálogo vivo e permanente com o público ao longo da cerca de hora e meia de espetáculo.
Marco Rodrigues trouxe a Portalegre para o acompanhar três músicos de grande nível. Os jovens irmãos Viana, Pedro na guitarra portuguesa e Bernardo na viola, dois miúdos que são a prova viva que o fado vai ter, só pode, um futuro brilhante e Frederico Gato no baixo, um músico de outra geração, já com outro traquejo e que proporciona o conforto necessário à imaginação do guitarrista e à criatividade do artista principal que também lhe dá na guitarra com pujança e mestria. Houve mesmo um momento instrumental, anunciado como fora do alinhamento, em que os quatro músicos dão asas ao talento que Deus lhes deu e atiram-se numa guitarrada monumental e gloriosa e que se tornou num dos momentos da noite. Há mais três ou quatro momentos de grande intensidade e que importa realçar, apesar do concerto ter mantido uma constância qualitativa assinalável. A interpretação à capela do “Homem do Saldanha”, em que os instrumentos apenas fazem a sua aparição durante o refrão, terá sido para mim o ponto alto, não só porque é uma música que me cai fundo mas também porque a homenagem a esta figura mítica, já desaparecida, da cidade de Lisboa tem sempre uma carga emocional e respeitosa quase mágica. Já o saudoso Bernardo Sassetti, nesta mesma sala, há três ou quatro anos homenageou João Serra, o eterno Senhor do Adeus, de uma forma que também não deixou ninguém indiferente.
O concerto terminou, depois de dois encores com “A Valsa das Paixões” e “Coração Olha o que Queres”, com um número empolgante e aparentemente extra. O fadista e os seus músicos desceram à plateia e aí, sem iluminação nem amplificação, em ambiente muito próximo, interpretaram A Casa da Mariquinhas, convidando um qualquer espontâneo de veia fadista para se lhes juntar, o que não aconteceu mas que de alguma forma sedimentou no público a convicção que esta deslocação à sala da Praça da República não tinha sido em vão.
Não me parece que a crise seja a única razão que explique a ausência dos apaixonados pelo género e dos fadistas amadores que frequentam regularmente as noites de fado e que poderiam ter aprendido bastante no concerto de ontem. Terão também perdido a oportunidade, talvez única, de atuarem ao lado de Marco Rodrigues, quando este desceu à plateia para um último fado, convidando os presentes a juntarem-se à festa. Há certamente razões que a razão desconhece…
Mas Marco Rodrigues ficou feliz com o concerto. Ao regressar a casa, cruzamo-nos ocasionalmente na rua e conversamos um pouco, tendo o fadista mostrando compreensão pela falta de público - a vida de artista é isto, hoje casa vazia, amanhã casa cheia - mas agradado e agradecido com a reação e a participação viva e espontânea dos poucos espetadores que se deslocaram à sala da Praça da República.

terça-feira, março 04, 2014

Desabafos 2013/2014 - X

Segundo dados oficiais, sete anos depois de Portugal ter aprovado em referendo a descriminalização do aborto, num acto cujo número da participação dos cidadãos não tornava constitucionalmente vinculativo o seu resultado, a Saúde pública realizou cerca de 100 mil abortos voluntários. E se a esses abortos se juntar os feitos em clínicas privadas e os clandestinos, esse valor sobe drasticamente, e assim se compreende o dramático que tal situação é para um país em acentuada quebra de natalidade e de demografia.
Por outro lado, a Bélgica tornou-se o primeiro país a permitir a eutanásia infantil sem qualquer limite de idade, em caso de doença terminal com sofrimento para a criança e sem hipótese de tratamento.
Se se analisar estes dois casos, o aborto e a eutanásia, pode-se dizer que nesta Europa se cultiva cada vez mais uma Cultura de Morte.
Parece que o abismo moral e ético em que esta Europa decadente mergulhou não tem fundo!
Os valores consubstanciados nesta hedionda Cultura da Morte, eles próprios conduzem a Civilização Greco-Judaico-Cristã para um relativismo que a torna presa fácil de todos os fundamentalismos, sejam eles de cariz político, religioso, ou outro.
Aborto, eutanásia e eugenismo, são problemas com os quais a actual sociedade hedonista europeia se confronta, escolhendo sempre a forma mais radical para os resolver.
Assim, cada passo legislativo é mais um passo para tornar a Cultura da Morte na própria morte da Europa.
Sob a capa de uma falso Progresso, de um dito progressismo, a Europa caminha para a sua própria destruição. A Europa está claramente num caminho sem retorno.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 03/03/2014
Mário Casa Nova Martins

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