\ A VOZ PORTALEGRENSE: Setembro 2012

domingo, setembro 30, 2012

Monteiro Lobato censurado

Não há outro jeito, tenho que insistir no tema. A cruzada que se realiza contra a obra de Monteiro Lobato está cada vez mais renhida.
Tive a oportunidade de ler as petições do IARA (Instituto de Advocacia Racial e Ambiental) que atacam “Caçadas de Pedrinho” e, mais recentemente, a encaminhada pela professora Elzimar Maria, mestre em educação pela Universidade Federal de Uberlândia, incomodada com “Negrinha”.
Querem que o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) retire o escritor das salas de aula.
Proíba-se, exclua-se, risquem Lobato do mapa.
É mais ou menos por aí.
Começamos queimando livros e terminamos como?
Já vi esse filme algumas vezes.

sábado, setembro 29, 2012

A hipocrisia americana

Os EUA têm uma noção de amigo/inimigo muito próprio. Pena é que os Europeus sejam coniventes com esta estratégia americana imperialista.
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, setembro 28, 2012

Carlos Luna e Olivença


A VITÓRIA DA IGREJA DA MADALENA DE OLIVENÇA
LIÇÕES A TIRAR (OS DRAMAS DE UMA ESCOLHA)
*****
Chegou ao fim o concurso promovido pela petrolífera "Repsol" de Espanha. Contra todas as expetativas, a Igreja da Madalena de Olivença foi votada como "o melhor recanto de Espanha de 2012".Com quase 100 000 votos. Mais 20 000 que os recolhidos pela "Laguna de La Gitana", a outra finalista!!!
Foi impressionante ver o esforço dos oliventinos, votando massivamente (dois votos por dia e por pessoa era o que o concurso previa) na sua Igreja maior, antiga sede de um Bispado português, o segundo maior templo manuelino que existe (o maior é o dos Jerónimos). Vê-los a apelar a amigos. Ver milhares de portugueses a secundá-los. Ver organizações portuguesas (como a revista "informática" Café Portugal) fazer apelos ao voto. Até o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, na televisão, ao Domingo!
E, todavia, o "caso" não acaba aqui. Há muitas questões que se levantam. Percorri Olivença, entrando na Madalena, com uma jornalista de um jornal português no dia 24 de Setembro (de 2012, naturalmente). Olhei aquelas sepulturas, muitas delas identificadas, outras anónimas. São portugueses, quase todos de Olivença, que ali repousam. Estremeci. Alguns delas deram a vida, em guerras, para que Olivença não caísse em mãos espanholas. É algo que mete respeito... mesmo a quem, como eu, não é religioso. Como se sentiriam eles perante esta situação?
Pensei no oliventino, refugiado em Lisboa, Ventura Ledesma Abrantes (1883-1956), o homem que conseguiu, contra vontade de Salazar, ser reconhecido como cidadão português. O homem que ajudou oliventinos em 1936-1939.O homem que fundou o Grupo dos Amigos de Olivença, que continuam, apesar da História demonstrar o contrário, a ser conotados com Salazar, e a ser alvo de desprezo e troças. Como se sentiria Ventura Ledesma Abrantes? Decerto que muito ofendido com o título de "melhor recanto de Espanha" para a portuguesíssima Igreja/Catedral de Santa Maria Madalena.
Olho para Olivença, um local que, ao contrário do que se diz, nunca foi ponto de encontro entre Portugal e Castela, depois Espanha. Olivença personifica, pelo contrário, os desencontros. Mais: o último grande desencontro que resta! Olho para a "limpeza" que se fez nos campos cultural, histórico, linguístico, toponímico, religioso, e outros, ao longo de 200 anos. Por vezes, com violência!
E, todavia, algo sobreviveu. A consciência, por vezes difusa, de um passado diferente de todos os vizinhos da Extremadura espanhola. Difusa, não! Confusa seria mais apropriado. Por isso, ao sair da Madalena, sinto-me algo insegura. Olivença desconhece a História que é sua na sua maior parte. Isso não é algo que um português possa aceitar de bom grado. Mas... vê-los, unidos, lutando pela sua Igreja/Catedral, horas e horas diante de computadores, votando ou convencendo outros a votar…
Como não ficar comovido? Como não sentir o apelo daquela gente? A "sua" quase ignorada Igreja, ainda que apenas num concurso promovido por uma petrolífera que nada tem de oficial, a deixar para trás monumentos de grande renome, ou recantos naturais belíssimos, que a Espanha possui, e não são poucos.
Sempre soube que o Direito, a Razão, estavam contra a ideia de escolher, de votar, de lutar para que tal joia arquitetónica pudesse ser considerada "o melhor recanto de Espanha". Os Amigos de Olivença, herdeiros das lutas e das ideias de um grande oliventino, e defensores do respeito pelo Direito Internacional, tal como o Estado português (este, discretamente, mas, ainda assim, de forma oficial) não poderiam, em consciência, estar de acordo. Não se queira mal a alguns portugueses que disseram não a esta votação, e que a denunciaram como possível meio de pelo menos certos círculos espanhóis quererem acentuar uma pretensa espanholidade de Olivença... que, quem conhece a cidade, tem muita dificuldade em compreender. Houve até uns poucos que tentaram votar contra. Há, quer se goste quer não, coerência nesta atitude.
Contudo, a força da unidade deste povo não pode ser ignorada. Em torno do que de mais grandioso tem (a SUA Catedral PORTUGUESA). Creio que não ver isto é um erro.
Confesso que traí. Sou membro do Grupo dos Amigos de Olivença. Como já disse, vi-me num dilema entre a razão e o coração. Não compreenderia muito bem que a atitude do Grupo pudesse ser diferente. E não me sinto bem com isso, essa é a verdade. Sinceramente, não consegui resistir a estar com o "sentir" da grande maioria dos oliventinos. Mesmo sabendo que alguns poucos não viram com bons olhos o que nele se pretendia, e não se sintam contentes por verem a "sua" Madalena ganhar um título de monumento "espanhol. E, todavia, a maioria não teve dúvidas: tornar a sua terra, a muito querida "Terra das Oliveiras", conhecida um pouco por todo o mundo onde chega a "Repsol (e são muitos locais em vários países). Conseguir fazê-lo graças a um esforço coletivo muito seu, sem desprezar ajudas!!!
Mas... como me sinto feliz! Dir-se-ia que as "almas" da Madalena tiveram direito a uma vingançazinha muito especial, ainda que tivessem decerto preferido outra via.
Vejo neste resultado final incrível uma afirmação da vontade de uma população. Vejo uma resposta à cobardia de certos meios intelectuais portugueses que preferem fingir que Olivença não existe. Alguns, em livros sobre a Arte Manuelina, dão-se ao luxo de fingir que nada há desta arte em Olivença. Apesar de lá estar, repito, o segundo mais grandioso exemplo que existe desta arte!!!
Trata-se, agora., de tirar conclusões: Um monumento português, numa cidade sobre cuja soberania Portugal pensa ter algo a dizer, tornou-se vencedora de um concurso espanhol. Como vão reagir as elites ao que se passou? Vão continuar a fingir que Olivença não existe? Que não tem arte digna desse nome? Vão continuar a ignorar, ou a fingir que ignoram, que desde 2008 há uma associação de autóctones (o "Além Guadiana") que, sem se meter nas polémicas de soberania, procura recuperar a cultura, a História e a Língua Portuguesas... e que já levou a Câmara local a recolocar os antigos nomes portugueses em 73 ruas de Olivença? Vai o Estado Português (finalmente!) dizer algo sobre o assunto?
Para mim, penso que será divertido ver entidades espanholas a promoverem como sua representante um monumento que nada tem de espanhol, e que, diga-se o que se disser, é uma prova evidente de que em Olivença há uma cultura diferente. Como vão explicar as inscrições todas portuguesas nas lápides da Igreja/Catedral?
Para quem quiser usar a inteligência, em Portugal, abre-se um grande campo para trazer Olivença para as primeiras páginas. Sem insultos, mas com firmeza.
E, para terminar, o que é de elementar justiça: dar os PARABÉNS AO POVO DE OLIVENÇA. Ouso dizer: Portugal (aquele que tem consciência e orgulhe de si próprio) está convosco. Como irmãos que são. Em todos os aspetos.
Estremoz, 27 de Setembro de 2012
Carlos Eduardo da Cruz Luna

quinta-feira, setembro 27, 2012

Ernst Nolte

Um conjunto de entrevista que tornam o livro biográfico e simultaneamente autobiográfico.
Ernst Nolte não é consensual. E ainda bem. Todavia, as suas interpretações e análises fazem cada vez mais Escola!
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, setembro 26, 2012

Democracias Africanas

Angola e Moçambique, irmãs...
Depois de uma Descolonização Exemplar, agora uma Democracia Exemplar!
É assim a democracia na África de Língua Oficial Portuguesa.
A exceção é a Guiné-Bissau, um Estado falhado nas mãos da pior máfia possível.
Mário Casa Nova Martins

terça-feira, setembro 25, 2012

Os Intocáveis

intocáveis 2 - "favor não fazer troça !"
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 O semanário satírico francês de Esquerda «Charlie Hebdo» editou na capa uma caricatura. Nela há duas personagens caricaturadas.
Para uns a figura vestida de Árabe é uma caricatura do Profeta Maomé, e assim a interpretaram os Muçulmanos.
Ora, na Religião Muçulmana, a figura de Maomé não pode ser materializada. Assim, se a personagem vestida de Árabe representa o Profeta Maomé, tal é uma blasfémia, e assim é um desrespeito feito a todos os Crentes do Corão.
Mas há duas personagens, e da outra ninguém fala. Por que é intocável?
Para nós há realmente duas personagem: uma é árabe e a outra é Judaica.
Não identificamos a figura Árabe como uma representação de Maomé, mas sim de um Árabe debilitado, em cadeira de rodas, e conduzida pelo seu algoz, o Judeu.
Mas o título do semanário «Intouchables 2» é perfeito!
Numa Europa descristianizada, Judaísmo e Islamismo são Religiões que se não pode criticar, intocáveis! E sabe-se como na prática são intolerantes, fundamentalistas.
Vivendo ‘paredes meias’, Islamismo e Judaísmo combatem-se, o primeiro pela destruição do segundo, enquanto o segundo continua uma expansão imperial aniquilando o primeiro.
Israel tem o direito à existência, inquestionavelmente. Tal como os Árabes, principalmente os Palestinianos que têm direito a uma Pátria independente, a Palestina.
Mas não é fácil no Ocidente, e cada vez mais em Portugal, abordar estas temáticas.
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, setembro 24, 2012

Guerras da Religião

Um Judeu fez um filme que insulta Maomé (o dito 'realizador cristão copta' é um bode espiatório). Há anos outro Judeu fez um filme no qual o próprio faz sexo dentro do confessionário de uma Igreja Cristã.
Tudo normal para o Ocidente. Maioritariamente Católico, há muito que perdeu vigor religioso. A própria Igreja Católica como que alterou as suas denominadas Sagradas Escrituras para que sejam os Romanos os assassinos de Cristo e não, como os Quatro Evangelistas afirmam, os Judeus!
O Mundo Muçulmano tem pelas mais variadas formas condenado a blasfémia. Mas se o ataque fosse a Cristo, a Igreja Católica nada diria ou fazia, enquanto no Ocidente, cristãos e ateus considerariam o filme uma obra-prima. A decadência ocidental!
E, a propósito, é interessante reproduzir estas duas frases, incluídas num trabalho jornalístico no jornal ‘i’ de 15 de Setembro passado, página 10:
_ “As relações com Washington são importantes para nós, e não há que pô-las em risco. Simplesmente, devia ser aprovada uma lei que proibisse insultos não apenas a Maomé mas a todos os profetas, tal como muitos países ocidentais não permitem a apologia do Holocausto”.
Bem, não é correto dizer que é proibida a apologia do Holocausto, porque ninguém no seu perfeito juízo fará tal coisa. O que é proibido em certos países do ocidente é que se estude o Holocausto, o que é muito diferente. Que a fique a pergunta: _ E porque será?
Mas voltando ao que afirmámos, não foram os Romanos mas sim os Judeu quem assassinou Cristo. Todavia, a Igreja Católica está como que presa, manietada, impotente, desde os ataques judeus ao papa Pio XII.
As falsidades judaicas visando Pio XII, mas não são do que uma forma de chantagear a Hierarquia do Vaticano, na pessoa do papa, e os Cristãos. E volta-se ao mesmo tema.
Maomé é venerado pelos Muçulmanos. Tem direito ao maior respeito. Tal como Cristo.
Por todo o Mundo há um reacender das Guerras da Religião. E que, por um momento, não se esqueça o Sofrimento do Povo Palestiniano!
Mário Casa Nova Martins

domingo, setembro 23, 2012

Sexo e/ou Erotismo

Porque vende tanto este livro?

sábado, setembro 22, 2012

Capitão António de Oliveira Liberato

Leitura para este fim-de-semana.
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, setembro 21, 2012

A Mentira do e ao Poder!

Vivemos uma crise da verdade. A demogogia é a ferramente com que se alcança o poder, se justifica o não cumprimento das promessas eleitorais e se alimenta a vida e a credibilidade das oposições.
José Luís Numes Martins
in, 'i', 15 Setembro 2012, pg. 13
*
José Luís Nunes Martins termina o seu ensaio com o seguinte parágrafo: _ A democracia que temos talvez não passe de um mero embuste…
Estamos em acordo com a essência do texto, que tem o título «A democracia das mentiras». Aliás, se hoje em Portugal houvesse Ensino, ele devia ser lido primeiro numa aula da disciplina de Português, e depois interpretado numa aula da disciplina de Filosofia, e, por fim, realizar-se-ia um Seminário sobre Democracia. Nem mais.
Porém, quando o Autor titula o ensaio «A democracia das mentiras», será que hoje Portugal vive mesmo em Democracia? O Regime é mesmo democrático?
A Primeira República foi a ‘ditadura’ do Partido Republicano, que se rebatizou Partido democrático. A Segunda República foi para uns ‘a longa noite fascista’, para outros ‘a ditadura salazaristas’, e para a maioria dos Portugueses o Estado Novo. E o que é esta Terceira República?
Vivemos com um Governo frágil ideologicamente e em termos humanos. A sua gente é fraca politicamente. E como nele se jogam Interesses, PSD, e Valores, CDS, terá vida curta.
Mas o que se segue não será melhor, pelo contrário.
O atual Regime passou por três fases, Fundadores – Sucessores – Funcionários. Sim, esta gentalha que está hoje na Política, a denominada fase dos “funcionários”, corresponde aos ditos ‘jotas’, aqueles que fizeram carreia dentro do partido desde as juventudes partidárias, e que agora estão à frente dos destinos do país.
Nada a acrescentar!
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, setembro 20, 2012

Indisciplina

Há muito que se sabe a indisciplina que pulula no Ensino em Portugal. Agora é a vez de um jornal como o Expresso denunciar o que se passa na Universidade.
Mas a verdade é que se criou um ódio aos Professores e à Escola. Este ódio é muito fruto do mal que os sindicatos de professores têm feito à classe, dando dela uma imagem pública de ser materialista, isto é, de só se preocupar com regalias salariais e em complemento de querer cada vez menos horas letivas. O que é redondamente falso.
Os sindicados dos professores, todos com uma matriz ideológica, todos correias de transmissão de partidos políticos, têm-se servido dos professores como “carne para canhão” nas suas lutas contra diferentes Governos, nunca se preocupando com quem lhe dá a razão de existirem.
Mas, o que pode fazer a Escola, seja de que grau for, contra a indisciplina que nela existe é que é do conhecimento público? Muito pouco.
O problema da indisciplina é um problema de mentalidades. A Sociedade está modelada de uma forma que corrigir, admoestar ou punir são formas fascistas (???). O Pensamento dominante é uma forma subtil de ditadura, um pensamento único. Que fazer?
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, setembro 19, 2012

Desabafos

Quando em 29 de maio de 2009 falava pela última vez no ciclo dos «Desabafos», longe estava de imaginar qual o rumo que o País e o concelho onde vivo seguiriam.
Permita-se que diga que uma das leituras que mais me fascinam na Bíblia é o Apocalipse de João. Mas se então imaginasse, ou sequer sonhasse que hoje dia 18 de setembro de 2012, o que acontece em Portugal e em Portalegre, diria que tudo não tinha passado de um pesadelo, de um sonho apocalíptico.
O presidente eleito do concelho de Portalegre borregou há cerca de um ano. Fugiu das responsabilidades e dos compromissos assumidos no ato de tomada de posse perante os Munícipes, deixando Portalegre como a capital de distrito com a maior dívida por habitante. E face às leis em vigor na República Portuguesa, não é possível responsabilizar criminalmente o "fugitivo" pela gestão danosa que fez ao longo de uma década no Município de Portalegre.
No Governo da Nação, o primeiro-ministro de 2009 deu lugar a um novo. Mas de 2009 para este setembro de 2012, a política seguida apenas teve mudança de protagonistas. E caracteriza-se a política seguida neste últimos três anos e três meses como uma evolução na continuidade.
Não há coragem para se fazerem as mudanças estruturais que Portugal necessita e com urgência. E se não são feitas, é porque elas tocam nos privilégios da classe política!
Assiste-se à destruição da classe média, ou se se quiser, da pequena e média burguesia portuguesa. E esta faz parte do tecido social e económico de uma Nação.
Desta forma, todas as medidas que o Governo tem tomado para combater seja o défice das contas públicas, seja a crise que assola o Ocidente, da União Europeia aos EUA, nada farão senão agravar ainda mais a situação de Portugal e dos Portugueses.
in, Rádio Portalegre, Desabafos, 18/09/2012
Mário Casa Nova Martins

terça-feira, setembro 18, 2012

Fernando Correia Pina

Enrabou-me Salazar
com rigores de ditadura.
Porém, com picha mais dura
que me arruína e maltrata
me enraba hoje um democrata,
rapaz de boa figura,
eleito por maioria.
Para ver se o cu se alivia
vivo colado às paredes
desde o levante ao sol posto
mas força-me à sodomia,
apesar de acautelado,
o entesar do imposto
que me fode o ordenado
e seca os próprios colhões
cada vez mais esticados
pelo peso das deduções
para pagar aos reformados.
Não sei já que mais invente
para escapar a este fado
pois por mais coisas que tente
acabo sempre enrabado
e caio na perigosa crença
que esta democracia
não tem nenhuma diferença
da antiga tirania.
Setembro de 2012, Fernando Correia Pina

segunda-feira, setembro 17, 2012

Fernando Correia Pina

Abaixo edita-se o link para a Revista de Letras da Universida Estadual Paulista onde saíu um artigo sobre a poesia mais licenciosa de Fernando Correia Pina.
O link dá acesso ao pdf com o texto.
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Primeira página

domingo, setembro 16, 2012

Maria do Céu Pires

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sábado, setembro 15, 2012

Eduardo Bilé

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sexta-feira, setembro 14, 2012

Tango

Tango, vamos dançar o Tango
Como Corto Maltese o dançou,
Naquela Buenos Aires
Por onde tanto andou.
Apaixonados dançamos
Com Piazzolla e Gardel,
Todos os sentidos apuramos
Como em lua-de-mel.
Os passos param
A música terminou,
Corto e Louise
Só dança o Tango quem alguma vez pecou!
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, setembro 13, 2012

Revista "Atlântico"

Revista “Atlântico”
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Reproduzimos a capa do último número, datado de Março de 2008, já lá vão quatro anos e meio!
Lamentavelmente, só tivemos conhecimento da sua existência praticamente ‘a meio’, pelo que acompanhámos a sua vida/existência apenas desde o seu número 17, de Agosto de 2006. E até hoje não conseguimos encontrar meio de obter os números em falta, fundamentais para se fazer a História completa desta revista que marcou uma época, dir-se-ia, uma moda.
Pese embora a sua qualidade, era chique, da moda, falar-se da “Atlântico”, mesmo que nunca se a lê-se, bastando que terceiros, também da moda, a ela se referissem.
Mas a “Atlântico” era uma excelente revista! Pese embora o pretensiosismo de muitos dos que nele escreviam/opinavam, e que depois se dispersaram pelos mais variados lugares. Por vezes, fica a ideia que a magnífica “Atlântico” mais não foi para certa gente como que o trampolim para outros sítios, para outros objetivos, quiçá, menos nobres até, sem que a revista merecesse tal.
Atual, acutilante, certeira, com muitos textos de nível académico, bem construída, foi uma ‘pedrada no charco’, tal como a ‘K’ o fora, e deixou um vazio que até agora não foi preenchido.
Considerada à Direita, não se diria de Direita dados os tempos continuarem avessos a tal…, não era politicamente correta, salvo (des)honrosas exceções…, tinha para nós como seu pecado capital uma forte americanofilia, e a consequente visão do Médio Oriente, com a qual discordamos em muitos aspetos. E está, neste campo, tudo dito.
Resta uma palavra acerca do seu Diretor, Paulo Pinto de Mascarenhas. Em poucas palavras, o seu trabalho foi de uma competência total. A ele não se pode assacar culpas do insucesso ou do fecho da “Atlântico”. Portugal, no fundo, não merecia uma revista de tal gabarito. E mais não se diz!
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, setembro 12, 2012

PCP = CDS = PS = PSD

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PCP = CDS = PS = PSD
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Hoje todo o Portugal está indignado. Os Portugueses sentem-se indignados com a classe política.
E dentro da classe política os Portugueses estão contra três partidos políticos, CDS, PS e PSD.
Estes três partidos são considerados, melhor, chamados do arco da governação, isto é, são os três partidos que se diz terem participado em Governos nesta Terceira República.
Mas é falso. Há um quarto partido político que é tão ou mais responsável pelo descrédito da Política, pelo desgoverno de Portugal: _ O PCP. Nem mais!
O PCP participou nos Governos entre 1974 e 1975, e ao mais alto nível. O PCP é responsável pela destruição da economia no denominado Processo Revolucionário em Curso, vulgo PREC. O PCP é responsável pelo então clima de guerra civil latente que se viveu de 25 de Abril de 1974 a 25 de Novembro de 1975. Mas parece que o PCP, à maneira estalinista, foi apagado da História!
Porém, o mal maior desta Terceira República não está no Terreiro do Paço, mas sim no denominado Poder Local. E dentro do dito Poder Local, o PCP é juntamente com PS e PSD responsável pelo descalabro económico autárquico!
E uma vez mais, parece que o método estalinista apagou o PCP da História.
À Esquerda o Bloco de Esquerda, BE, e à Direita o Partido Nacional Renovador, PNR, nunca tiveram responsabilidades governativas.
Desta forma, é mentiroso o cartaz que circula na net, mais concretamente no Facebook, e que reproduzimos.
O cartaz em questão é falso ou falacioso, porque omite as responsabilidades do PCP na crise que Portugal vive.
E se há que dar oportunidade aos outros, como se lê no cartaz, então que à Direita se vote no PNR, e à Esquerda se vote BE!
Mário Casa Nova Martins

terça-feira, setembro 11, 2012

Chile, Allende e Pinochet

11 de Setembro de 1973, 11 de Setembro de 2012. Como o Mundo mudou! O corpo de Augusto Pinochet Ugarte foi cremado. As suas cinzas guardadas. Que mais resta de Pinochet? Quem se lembra hoje de Augusto Pinochet, que está do lado errado da História. Porque desde a Guerra Civil de Espanha o Comunismo não erra derrotado, Augusto Pinochet será sempre odiado pela Esquerda. E eternamente esquecido pela Direita, pela Direita politicamente correta, pela Direita dos interesses.
Mas assim como existiu Allende, existiu Pinochet. Assim como Allende destrui os tecidos económico e social do Chile, Pinochet recuperou-os. Allende suicidou-se, Pinochet morre junto dos seus. De ambos os Regimes de que foram principais protagonistas, resta História. Enquanto isso, o Chile continua em ebulição social, mas quanto à economia, continua forte como Pinochet o deixara quando democraticamente perdeu o apoio maioritário dos chilenos.
Hoje celebro o ‘meu’ 11 de Setembro! Como há trinta e nove anos o faço.
Mário Casa Nova Martins

Nuno Rogeiro e o Chile


O Praça do Chile
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Há um quarto de século, o general Augusto Pinochet tomava o poder em Santiago. Vários milhares de mortos e vivos. Depois, o chefe da quartelada torna-se senador vitalício. O Chile divide-se.
Eis uma versão do que se passou.
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“O vosso tanque, general, é uma máquina forte.
Destroça uma floresta, derruba cem homens mas tem um defeito:
precisa de um condutor”
Brecht
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Se a “direita” fosse “esquerda”. José António Primo de Rivera era o seu Che Guevara, De Gaule uma espécie de Kerensky, Franco algo entre Krutchev e Gorbachev, e o general Augusto Pinochet Ugarte, sem dúvida, o seu Stalin. Ou seja, o criador do universo concentracionário, de desaparecimentos na noite e no nevoeiro, de mordaças e internamentos, mas também o operário do desenvolvimento económico, do crescimento em flecha, em suma, da construção de uma “superpotência”. Sem liberdades civis “demo-burguesas”, mas com excelentes portos e auto-estradas.
O “estalinismo” de Pinochet só possuiu um paradoxo, e basta esse: é que terminou, não nas urnas fúnebres, mas nas urnas eleitorais. E o tirano saiu de cena pelo seu pé. Ou melhor, foi saindo. Revejamos, pois, urgentemente, as comparações.
Desde logo, o “tirano” continua a ser olhado pelos seus simpatizantes internacionais - por exemplo, pelo Figaro - como, no máximo, um “déspota esclarecido”, que salvou o Chile da anarquia e da pobreza, e o devolveu intacto aos civis. O acto simbólico da tomada de posse de Pinochet, como membro da câmara alta do parlamento, parece corresponder a esse (auto) convencimento, o de uma espécie de dever cumprido, o da salvação da Pátria. O ex-chefe da Junta Militar que tomou o poder em Santiago, há precisamente um quarto de século, não só não se mostra arrependido, como consegue ainda mobilizar adeptos e justificações. As versões chilenas das Mães da Praça de Maio (celebradas por Sting, para o povo do Ocidente Capitalista) bem podem sitiar o Senado, e clamar o continuado “Donde Están?”, que por cada vela e véu de revolta, haverá uma dona-de-casa capaz de jurar que, sem Pinochet, o país seria Cuba.
Devo dizer que, em 1975, quando ensaiava, com muitos outros “camaradas” mais ou menos anónimos, a implantação de um movimento simultaneamente nacionalista e revolucionário em Portugal, achava que Pinochet era a principal arma contra a esquerda, contra todas as experiências políticas fora da área estrita e dogmaticamente marxista-leninista. Lembro-me de discussões infindáveis e impróprias, primeiro na cantina do Liceu Pedro Nunes, depois no anfiteatro um da Faculdade de Direito (e na aula magna da reitoria da Universidade de Lisboa), onde nos irritámos soberanamente com os “conservadores” e “direitistas” (aliás sempre coerentes) que se recusavam a sacudir os militares chilenos do capote, e a renunciar (e a denunciar) a Pinochet. Por mim, sempre ia achando que era melhor salientar a hipocrisia de Mecas comunistas, como a China Popular, que continuava a negociar alegremente com a Nova Ordem de Santiago.
É que a “tranquilidade” chilena fizera-se com demasiados atropelos, vítimas, excessos e crimes descarados. Mesmo um homem insuspeito como o conservador (com fortes ligações à família dos serviços de informações) britânico Robert Moss, reconhecia (no seu clássico menor anticomunista, Tlie Collapse of Democracy) que o facto de Salvador Allende Gossens ter feito a corda que o enforcou (como bom burguês que descobriu o marxismo), não podia desculpar os disparates económicos (Moss escrevia em 1975) e os assassínios de quem trabalhava, mandava trabalhar ou dizia trabalhar para a Junta.
Em 1976, a igreja Católica chilena calculava que l% da população tinha sido detida, por períodos desiguais, desde o golpe de Setembro. A OEA indicava também nessa altura 4000 prisioneiros políticos, centenas de desaparecidos e talvez 2000 mortos. A Comissão Nacional para a Verdade e Reconciliação, estabelecida depois do regresso ao domínio civil, já nos anos 90, variou nas estimativas, e sobretudo sugeriu que várias mortes derivaram, não de execuções por “esquadrões da morte” (como no Salvador, ou na Argentina), mas de situações de combate urbano e quase-guerrilha.
Nos anos 70, porém, o Chile era, para a esquerda europeia, o que a Espanha Republicana, sobretudo depois de Guernica, foi para os intelectuais ”progressistas” de todo o mundo. As universidades ocidentais enchiam-se de “professores” exilados, que contavam histórias das piores atrocidades, formavam-se comités de solidariedade por toda a parte, Charlie Haden e Carla Bley tocavam, num formato de jazz., o “El Pueblo Unido Jamás Vencido”. Costa Gavras e Chove em Santiago divulgavam um regime de gritos e de sombras, erguia-se a lenda do trovador “guevarista” Vítor Jara, mãos quebradas e o crânio estilhaçado pela polícia de choque, depois de internado num campo de futebol. Em capelas e em bares, ouvia-se o último discurso-testamento de Allende (“Tengo fé en Chile y su futuro...”), o talentosíssimo grupo “étnico” Inti Illimani e o baterista hemiplégico Robert Wyatt (uma das grandes inspirações de muitas cabeças do meu tempo) declamavam regularmente fragmentos da “revolução impossível”, e os consulados e embaixadas do Chile eram boicotados, sitiados, ocupados e sabotados, um pouco por toda a parte.
Quem viveu esses tempos intensamente - até porque havia também uma revolução em curso, cá dentro - lembra-se das paixões e dos ódios que Allende, Chile e Pinochet despertavam. Sempre que o MFA, a 5a Divisão e o COPCON queriam alertar as massas para mais um golpe “reaccionário” na forja, agitavam o espantalho dos generais de Santiago. E muitas experiências “económico-sociais” do PREC diziam-se inspiradas num outro desastre, a política do governo de “unidade” de Allende, entre 1970 e 1973. Foi essa loucura laboratorial que levou Salvador Dali a dizer: “Os supercapitalistas espanhóis podem estar tranquilos, depois do que se passou em Portugal. Agora sim, não pode haver democracia socialista em Espanha.”
Mas como é que tudo, verdadeiramente, começou? A república chilena, fundada há 180 anos por um general revolucionário de ascendência irlandesa e por um exército argentino, teve durante o século XX experiências várias com governos de “Frente Popular”, e comportou sem um Partido comunista determinado e sólido. Nos anos 60, porém, o nome da esperança refomormista em política era o de Eduardo Frei, grande amigo de Marcello Caetano (que continuou a corresponder-se com este, mesmo quando do exílio interno de um e do exílio externo do outro), dirigente de uma democracia cristã mais justicialista e menos liberal do que as suas europeias, que conseguiu, até 1970, retumbantes êxitos em eleições limpas. O seu projecto de distanciamento do “imperialismo ianque” deu-lhe popularidade, sobretudo quando renegociou a exploração, pelos americanos, das ricas jazidas de cobre do país. Mas as costumeiras divisões nas “direitas” chilenas (entre Radicais, “Nacionais”, “Cristãos Democratas”, e outras estirpes representativas das classes médias e altas) acabariam por conduzir um médico bon vivant, maçon e socialista, amigo de Fidel e admirador de Ho Chi Minh, várias vezes derrotado por Frei, ao poder. Chamava-se Salvador Allende, ganhou eleições presidenciais por cerca de 80 mil votos em relação ao segundo candidato, e com menos 720 mil votos do que os conseguidos por todos os propostos pelas direitas. Allende representava uma ampla coligação de esquerda (social-democrata, socialista, comunista), e o facto de não conseguir maioria absoluta levou a que, nos termos da Constituição vigente em 1970, tivesse que ser investido pelo Congresso, onde a Democracia Cristã o apoiou, em troca de garantias de “paz institucional”.
As primeiras medidas de Allende - congelamento de preços e subida generalizada dos salários - escandalizaram Havana e Moscovo (segundo a ortodoxia, o objectivo inicial de um estado socialista deveria ser o de aumentar a produção e nacionalizar todos os sectores económicos relevantes) e provocaram um disparo assombroso nos hábitos consumistas da população. Com o decorrer dos anos, porém, Allende começou a ver-se cercado por personagens e forças que garantiam um clima de “loucura revolucionária”. Em 1971, a revista Problems of Communism, pela escrita de Leon Gouré, Jaime Suchlicki e Luis Aguilar, analisava ainda em termos de “racionalidade” a evolução desta prospectiva Cuba da América do Sul. Mas em 1973, as esperanças de ponderação tinham-se perdido. A inflação atingia os 600%, tinham-se instituído comités políticos de ocupação industrial e agrária, o governo decretava “o fim do estado burguês”, o influente líder socialista Carlos Altamirano afirmava ominosamente, embora com lógica impecável, “que as revoluções não se fazem com votos”, havia milícias paramilitares por toda a parte, os Tupamaros uruguaios tinham erguido uma base no Norte, chefiada por Raul Bidegain Geissig, na fábrica El Beloto, 20 técnicos soviéticos davam treino militar a seguir à laboração, corriam (desde o Outono de 1972, e provavelmente como provocação) boatos sobre a compra a Moscovo de caças supersónicos MIG-21, duplicara o número de funcionários públicos, e os problemas do novo sistema eram atribuídos, oficialmente, ao “bloqueio invisível” dos EUA e à “sabotagem económica” das classes capitalistas.
Santiago tomava-se o centro de peregrinação de revolucionários de a América Latina, e Allende ouvia cada vez mais os “românticos” e os “radicais” de várias proveniências: “Coco” Paredes, chefe da polícia judiciária, Luiz Femandez de Ona, genro do presidente e oficial da DGI (serviço secretos) cubana, Andrés Pascal, sobrinho do líder do MIR (o movimento esquerdista que queria “completar” a revolução).
O clima conspirativo era palpável. Henry Kissinger e Frank Carlucci são acusados de conspirar contra Allende, a missão naval dos EUA em Valparaíso mantém contactos estreitos com a Armada chilena (tida como o ramo mais conservador, ou antimarxista), a CIA gasta 8 milhões de dólares em subsídios à imprensa, partidos, rádios, sindicatos (segundo alguns dados, a contribuição soviética, entre 70 e 73, cifra-se em 650 milhões), começam as marchas das “donas-de-casa” contra a escassez de bens, que se tornam famosas pelo uso de panelas e colheres como instrumento sonoro, há greve geral dos camionistas, mas Régis Debray, solto pelo regime boliviano, confessa que teme mais “o aburguesamento da revolução do que um golpe militar”.
O resto é história conhecida. Os generais conduzem um pronunciamento “preventivo”, sob o pretexto de que se preparava um motim bolchevique numa base naval. A Junta convence o Congresso e o Supremo Tribunal de que a intenção é “constitucional”, dado que Allende “violara compromissos” tomados durante a sua investidura, e se “desviara” do quadro legal. O novo regime parece corresponder, à primeira vista, ao “sistema de guardas”, que o politólogo Robert Dahl apontou como uma das críticas fundamentais à democracia: segundo os “guardas” neo-platónicos, as pessoas comuns não sabem o que é o bom e o justo, e logo não se podem governar a si mesmas. Mas o paternalismo blindado pinochetiano é diferente: trata-se de proteger a Nação do terrorista, do agitador, do estrangeiro sabotador. O exército faz aqui o papel do “partido de vanguarda” leninista (teorizado, por exemplo, pelo mexicano Adolfo Sanchez), justificando o akamiento com a especialização, com a história, com a competência, com a superioridade moral, com a legitimidade política, com a virtude e a necessidade.
Os primeiros comunicados, para usar uma imagem clássica de Edward Lutwak, não são nem românticos/ líricos, nem messiânicos, nem improvisados, mas “racionais-administrativos”. O exército chileno, tomado como exemplo de profissionalismo no subcontinente, promete uma transitoriedade duradoura. Em 73, a Junta fala num período de excepção de 5 ou 6 anos, mas um ano depois Pinochet toma as rédeas, e chega a declarar que não haverá retomo durante a sua vida, “enquanto não se extirpar o mal da democracia e a erva daninha do marxismo”.
Estávamos então em plena Guerra-Fria, numa situação de crise da consciência pública nos EUA, e numamaré de regimes militares, no centro e sul da América, de tendências “conservadoras” ou “socialistas”. A pouco e pouco, Augusto Pinochet estabelece o seu sistema. Chama os “Chicago Boys” para reconstruir a economia, e no fim dos anos 70 os indicadores parecem justificar algum optimismo: nos últimos 20 anos, o Chile foi o país latino-americano que comparativamente cresceu mais, apesar de uma nutrida dívida pública, e do crescente aumento das despesas com as forças armadas (dez vezes o orçamento brasileiro do sector).
O “pinochetismo” não cria sementes doutrinais, a não ser que siga, como diz J. Comblin, a “ideologia da segurança nacional”. Vive grande parte dos seus 17 anos de existência em estado de excepção e como “ditadura do desenvolvimento” (K. J. Newmann), algures entre o pretorianismo arbitral e o pretorianismo dirigente. Não sofre, como a ditadura argentina, uma derrota internacional (nas Falklands), é tratado nalguns meios americanos (p. ex., Jeanne Kirkpatrick, na famosa tese Dictatorships and Double Standards) como “não um totalitarismo, mas um autoritarismo reformável”, o plebiscito de 1988, em que um alegado método autocrático derrota o autocrata (apesar de 40% de votos favoráveis).
Os comentadores internacionais salientam o papel do reaganismo (através do fundo NED e da AID) no convencimento “democrático” de Pinochet observando que o velho general ouviu melhor um presidente anticomunista que admirava, do que uma figura como Jimmy Carter, que tinha em pouquíssima conta. Seja assim ou não, a verdade é que Pinochet conseguiu sair de cena em vários actos, largando primeiro o Estado, depois o regime, depois o poder executivo, depois as forças armadas, depois o exército. Durante algum tempo, e antes de se tomar senador vitalício, coexistiu com o primeiro presidente da “nova ordem democrática”, Patrício Ailwyn, como comandante em chefe dos três ramos. A lenda conta (e ouvi-a de um dirigente sindical de origem índia, no Palácio da Vila, em Sintra, quando Ailwyn visitou Portugal pela primeira vez) que do gabinete do general se via o gabinete presidencial, e vice-versa. Alguém disse que era “como ser presidente de Espanha com Franco vivo”.
Ao contrário dos patéticos generais peruanos e argentinos, Pinochet “devolve” o estado com riqueza. Mas as lembranças da DINA, do assassínio de Letelier, dos “evaporados”, das valas comuns, criam demasiados pontos de ferida e ruptura. Como provou Roy Allen Hansen, numa doutoramento já de 1967, as intervenções militares na política chilena foram quase sempre desculpadas e apoiadas pelas classes baixas, desconfiadas com a modernização, com a administração e com a polícia normal. Pinochet pode ter ganho algum histórico a essa custa. Mas a sua condição de eterno vencedor não o torna numa personagem de Jorge Luis Borges, tal qual outros protagonistas das tragédias latino-americanas:
"Como todos os homens de babilónia fui procônsul, e como todos, escravo. Conheci a omnipotência, o opróbrio, a prisão”.
No continente dos Noriegas, Torrijos, Castros, Alvarados, Strossners, Banzers, Barrientos, Violas, Videlas, Gualtieris, Augusto Pinochet parece fadado a conhecer apenas o Poder. E, como Maquiavel aconselhou o Príncipe, deve pensar que é melhor ser amado que ser temido, mas não podendo ser amado, que possa ao menos ser temido.
Agora que o encontro com o Criador se aproxima, deve recodar-se daquela manhã fria de 23 de Novembro de 1975, quando, com Rainier do Mónaco e Hussein da Jordânia, assistiu ao funeral do generalíssimo Franco, em Madrid. Por essa altura de mudança, disse o antigo falangista Rafael Calvo Serer:
“Custou-me muito, mas agora sou democrata”.
*
Este texto de Nuno Rogeiro foi publicado na revista Indy, do semanário O Independente número 515, de 27 de Março de 1998, nas páginas 30 a 38.

La Aventura de la Historia

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O número referente a este mês de Setembro de 2012
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, setembro 10, 2012

De Luto

Quando os políticos prometiam e davam benesses, o Povo aplaudia e dava-lhes o seu voto.
Quando vozes avisadas chamavam à atenção para o despesismo e acerca dos aumentos salariais irresponsáveis, o Povo chamava-lhes ‘profetas da desgraça’.
Quando se chamava à atenção pelas lições da História sobre as crises do passado, o Povo não queria saber.
O Povo só ouvia e queria ouvir quem lhe dava ‘pão e circo’, como se nunca tivesse que prestar contas a quem lhe proporcionava tais mordomias.
Assim, hoje o Povo é tão culpado como os políticos que delapidaram a economia de Portugal.
Um Regime que está ao lado de quem não cria riqueza, que confunde solidariedade com apoio à criminalidade, que destruiu Valores como a Escola e a Família, só pode ter destruído o tecido económico e social do País.
De luto por Portugal!
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, setembro 07, 2012

Última Rainha de Portugal

Amélia de Orleães tem uma lenda negra. Vítima da calúnia dos monárquicos progressistas e dos republicanos, não-amada pelos monárquicos conservadores, tudo o que fazia pelo País era motivo de crítica.
Acusada de clerical e ultramontana, e das mais vis acusações, nunca deixou de lutar pelo Povo, através do apoio a Causas nobres.
Com um marido que não lhe esteve à altura, vê-o ser assassinado junto com o príncipe herdeiro. E vê o segundo filho ser destronado e vê-o também falecer, contrariando a lei da natureza.
Uma vida muito sofrida. Diria uma vida heróica. E também que Portugal nunca soube as qualidades da Mulher que foi a sua última Rainha.
Leitura para este fim-de-semana.
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, setembro 06, 2012

Santíssima Trindade

Política de Alcova no seu melhor…
Mas de ‘padre’ o Presidente da República nada tem. Se há alguém que consegue passar pelos pingos da chuva sem se molhar, será este abençoado filho de Boliqueime.
Quanto ao Primeiro-Ministro, é mesmo aquele que o Portugal de hoje merece.
E que dizer da dama, representada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros? Cada vez mais parece uma rolha, flutua que se farta!
Cada País tem aquilo que merece. Esta Santa, ou Santíssima Trindade está mesmo certa no lugar certo.
Quanto ao Poder Autárquico, a ele se deve muito que de mau aconteceu a Portugal nas últimas três décadas e meia.
A Imaginação ao Poder!
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, setembro 05, 2012

Spider-Man

Em agosto de 1962, a 15ª edição da revista Amazing Fantasy chegava às bancas com uma história curta de um novo super-herói, criado pelos ainda novatos Stan Lee e Steve Ditko.
O Homem-Aranha começou então uma carreia de grande sucesso na luta contra o mal.
Passados 50 anos desde esse momento histórico para a BD, a Marvel edita um número comemorativo, o seu n.º 692, o qual, graças à Amazon, nos chegou.
Mário Casa Nova Martins

terça-feira, setembro 04, 2012

Boletim Evoliano

Chegou-nos o último número.
Para ler e meditar.
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http://boletimevoliano.causanacional.net/

Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, setembro 03, 2012

Eléments N°144

La diabolisation continue
On parlait autrefois de « terrorisme intellectuel ». On a parlé ensuite de « pensée unique », et aussi de « police de la pensée ». (…) Pour stigmatiser les impertinents et les rebelles, on dit désormais qu’ils sont « réacs ». (…)
Les « nouveaux réactionnaires » font en permanence l’objet d’un grotesque procès au sein du grand club socialo-libéral-libertaire. On leur reproche de mettre en cause les grandes idoles de notre temps : la croyance au « progrès », l’idéologie du « genre », l’« antiracisme » de convenance, l’impératif de « métissage », la culture de masse ou bien encore l’« art contemporain ».
Notre société célèbre la « transgression », mais passe son temps à traquer les pensées non conformes, faisait observer Elisabeth Lévy, qui ajoutait qu’il est « paradoxal de célébrer la diversité en toute chose, sauf dans le domaine des idées ». Dans les anciens régimes communistes, déjà, les dissidents étaient régulièrement dénoncés comme des « réactionnaires ». (…) Mais que faut-il entendre par ce terme ? (…)
Comme son nom l’indique, le réactionnaire a certes le mérite de réagir. Il vaut mieux réagir que rester passif et subir en silence. Mais la réaction s’oppose aussi à la réflexion.
La droite réactionnaire est réactive, et non pas réflexive. Elle marche à l’indignation à l’enthousiasme, au sentiment. Ce n’est pas toujours une faute, mais cela en devient une dès que l’émotion interdit l’analyse des situations, rendant du même coup aveugle à l’exacte nature du moment historique que l’on vit. De ce point de vue, le mouvement des « indignés » est lui aussi « réactionnaire ». L’indignation n’est pas une politique.
Une droite antilibérale et non réactionnaire serait tout naturellement faite pour s’entendre avec une gauche purgée de l’idéologie de progrès. C’est sans doute cette conjonction que veulent interdire ceux qui s’affairent à rafistoler la digue, à remettre une couche sur la chape de plomb. Mais jusqu’à quand ?

Au sommaire du N°144 d'Eléments

Dossier
• La diabolisation continue ! Néo-réacs: combien de divisions? par Pascal Eysseric
• La doxa libérale du PS passée au crible de la «gauche populaire» par Pierre Le Vigan
• Le combat pour la littérature française par Michel Marmin et Rémi Soulié
• Contre, tout contre Muray par François Bousquet
• Comment résister à l’idéologie du progrès sans devenir «réa», par Luc-Olivier d’Algange
• Renaud Camus : «réac de toujours», propos recueillis par Pascal Eysseric

Entretien
• Maurice Cury : Le concept de « culture nationale »

Et aussi...
• Retour à Jean-Jacques Rousseau, par Michel Marmin
• Le polar vu par Pierric Guittaut
• La chronique cinéma de Ludovic Maubreuil
• Comment reconnaître un con à l’heure d’Internet ? par Armand Grabois
• Une fin du monde sans importance, par Xavier Eman
• Économie, religions, philosophie... par Alain de Benoist
• Sciences, par Bastien O’Danieli
• Alain de Benoist : un demi-siècle d’engagement, par Jean-Marcel Zagamé, Alain Lefebvre, François d'Orçival, Ludovic Maubreuil et Olivier François
• La Corée du nord, derrière les mots de la propagande, par David L’Épée
• La main invisible contre le peuple, éloge d’Edward P. Thompson, par Olivier François
• L’écologisme de marché par Jean de Lavaur
• Pacifisme intégral? Plus que jamais! par Robin Turgis et Flora Montcorbier
• Georges Mathieu et moi, par Michel Marmin

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