\ A VOZ PORTALEGRENSE: Fevereiro 2012

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

António Martinó de Azevedo Coutinho

RUA DIREITA ou UMA MARCHA A DOIS TEMPOS

O mais recente poema de Fernando Correia Pina, aqui divulgado, desencadeou no meu espírito uma série de lembranças. A Marchinha da Rua Direita não é, apenas, um arrumado e limpo conjunto de versos; é um retrato e um apelo.
Fernando Pina é, no meu modesto mas assumido entendimento, o mais inspirado poeta desta Portalegre dos nossos tempos. Poeta e também cronista, acrescente-se, pois ainda não esqueci os fabulosos Postais da Barilândia que uma das épocas gloriosas do Fonte Nova ostentou, como uma das suas mais interessantes e intervenientes colaborações. A maneira muito especial que o autor conhece do uso das palavras mais vulgares do nosso quotidiano, como poucos criando com elas imagens e sentimentos, apenas pertence ao domínio de alguns, raros...
O implacável retrato que agora ele faz da nossa Rua Direita é rigoroso e cruel. É, sobretudo, verdadeiro.
O apelo que esta irónica crítica encobre é o de um saudável regresso ao passado de glória e dinamismo daquela artéria da cidade, de há muito atacada por uma lenta e mortal esclerose. As comunidades, afinal, são vivas e orgânicas, com células, ADN e tudo o mais, sensíveis portanto a moléstias e outras epidemias.
A Marchinha da Rua Direita é uma melodia triste, até dava para letra de um daqueles fados do tipo choradinho, cantando melancolicamente as desventuras de um povo, neste caso o portalegrense.
Nem sempre assim foi. Uma das lembranças que ela trouxe ao meu espírito foi a de um outro poema sobre o mesmo tema. Falo de Ronda do Dia, também publicado em Portalegre, na saudosa revista A Cidade, nos seus pioneiros e difíceis tempos.
Foi no número sete, em Março de 1983 (vão quase trinta anos passados!...), que Carlos Bentes de Oliveira recordou esse poema, da autoria de Roma da Fonseca, médico estomatologista que, por meados do passado século, passava largas temporadas na nossa cidade. Poeta de apreciável qualidade, frequentemente ele publicava sonetos e outras produções poéticas no semanário local A Rabeca.
Ronda do Dia é uma outra visão da Rua Direita, registada em 1950. Então, era muito diferente esta artéria citadina, sede do florescente comércio local, de cafés e outros serviços públicos, cenário de episódios mil, protagonizados pelos seus assíduos frequentadores. O longo poema de Roma da Fonseca é um autêntico fresco, pintado de exuberantes cores, pitoresco nas suas alusões, subtis ou directas, às inúmeras personalidades recenseadas entre o Café Alentejano e o largo do Rossio...
Sessenta anos é, quase, o tempo de duas gerações. Intervalo enorme, maior nos efeitos “físicos” que na própria dimensão temporal, provocou em Portalegre devastações sem conta. E, em quem por aqui viveu esse intervalo, uma saudade sem conta.
Dois tempos, entre a Ronda e a Marchinha. Os compassos do tempo são implacáveis instrumentos, na marcação dos ritmos e das melodias. O supremo metrónomo não oscila hoje como no passado.
Vale a pena ler, aqui e agora, Ronda do Dia e Marchinha da Rua Direita, ler esses poemas e tentar perceber-lhes as diferenças. E também as semelhanças, pois a verdade é que, ontem como hoje, pela Rua Direita “Todos passam como um rio; Procissão de todo o ano; Entre o largo do Rossio; E o Café Alentejano...”
Distingo claramente saudade de saudosismo; percebo a nobreza dos sentimentos positivos desencadeados pela lembrança, crítica, de outras eras; entendo e evito comparações ligeiras e convicções, perigosas, de que eram melhores -por simples definição- os tempos do passado. Não, nada disso: os erros sucessivos, tanto os próprios como os de fácil importação, é que são difíceis, talvez impossíveis, de corrigir.
É certamente por isso que a Marchinha dói e incomoda. A sua mensagem contém um outro imperioso apelo, o de que devemos aprender as lições.
António Martinó de Azevedo Coutinho

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Fernando Correia Pina

Marchinha da Rua Direita

Nesta rua, expositor
do vigor desta cidade,
faça frio faça calor
desfila a humanidade:
uns para cima, cansados,
outros a descer, ligeiros,
uns mais que outros apressados
nos percursos costumeiros;
às vezes, comprometidos,
passam uns com bandeirinhas,
por partidos repartidos,
dando beijos às velhinhas;
donas de casa, turistas,
mães com filhos a reboque,
estudantes finalistas
do mestrado em superbock,
funcionários, pensionistas,
alguns cromos da cidade,
senhoras que dão nas vistas
-teenagers de meia idade-
que a cruzam como sala
padecendo os sobressaltos
da calçada que lhe entala
as pontas dos saltos altos.
Todos passam como um rio,
procissão de todo o ano
entre o largo do Rossio
e o Café Alentejano...
De todos o olhar prende-se
à sombria profusão
de letreiros que dizem vende-se,
porta sim e porta não.
E com mais ou menos pressa
perguntam aos seus botões:
depois de tanta promessa,
gastos que foram milhões,
como é que uma rua nobre
que foi rica e celebrada
está cada vez pobre,
vazia, triste e fechada?

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

António Martinó de Azevedo Coutinho

IN   MEMORIAM
.
Passa hoje um preciso quarto de século sobre a morte de José Afonso.
Continuo a ouvi-lo com a emoção de sempre. Continuo a admirar a sua coerência de vida, ainda que nem sempre tenha concordado com alguns dos seus comportamentos. Mas entendo-os.
Tenho pela sua memória um grande apreço que o tempo não afectou. Por isso, precisamente por isso, nada escrevo hoje, de novo, sobre ele. Prefiro recorrer a um dos vários textos que, ao longo dos tempos, fui publicando em jornais ou dizendo em rádios, quando me dedicava a essas públicas tarefas.
O que escolhi tem dez anos. Afonso, o Conquistador leu-se no Fonte Nova n.º 942, de 23 de Fevereiro de 2002.
Não tenho nada para lhe acrescentar, a não ser a afirmação de que hoje penso rigorosamente o mesmo.

AFONSO, O CONQUISTADOR

Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer,
e isso é que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto
implícito com o inimigo, tanto no campo política como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para
justificar a modorra e o abandono dos campos de luta”.
     José Afonso

Faz hoje precisamente 15 anos que Zeca Afonso nos deixou, se podemos aceitar que os poetas morrem.
Creio que com ele se extinguiu uma espécie rara: a dos homens verdadeiramente livres, fraternos e solidários. Estou ainda a vê-lo, por uma tarde perdida no turbilhão dos dias febris de 1975, mais o Francisco Fanhais, nas salas libertadas do Club de Ténis. Estou a vê-los e, sobretudo, a ouvi-los: uma mensagem de libertação, contagiante e sincera, feita hino vibrante contra a miséria, contra o medo, contra a mentira e contra todos os abusos.
Disse alguém que José Afonso foi poeta como António Nobre, cantor como Leo Ferré e intérprete como Paco Ibañez. Talvez, não tenho argumentos para confirmar ou para negar este confronto. Do que estou seguro, sem margem para qualquer dúvida, é que ele correspondeu ao retrato traçado por António Portugal: “Um homem cuja voz foi a nossa voz durante muitos anos e que ajudou a tornar possível o nosso encontro colectivo com uma identidade perdida e com um destino que hoje orgulhosamente assumimos”.
Trovador dos tempos modernos, talvez nenhum como ele tenha sabido ligar a poesia e a música. Renovando uma e outra, associando tradições trovadorescas medievais, cantares de amigo e romances populares, antigos ritmos e velhas dissonâncias, melodias quase estranhas...
Se agitou a consciência nacional, ele revolucionou, sobretudo, a música popular portuguesa. Se inovou, não conhecendo nada da teoria dos sons, ele desempenhou um papel decisivo na invenção da nossa música moderna. Se interpretou a canção dita nacional, ele foi, essencialmente, um lúcido renovador do fado de Coimbra.
Alguns dos clássicos absolutos da história da música popular portuguesa são criações suas. Basta citar Cantigas do Maio, Eu vou ser como a Toupeira ou Venham mais Cinco.
José Afonso não foi apenas um trovador, o maior do nosso tempo. Ele foi, antes do mais, um homem coerente. Podemos não concordar com tudo o que fez, mas isso não concede a ninguém o direito de o ignorar nem a autoridade para o desprezar. Porque soube, sempre, assumir a plena responsabilidade das suas acções. Mesmo quando errou.
Meio libertário e meio anarquista, em estado quase puro, ele nunca se deixou instrumentalizar. E isso jamais foi perdoado por muitos dos que gostariam de o ter tido ao seu dócil serviço. Ao morrer -e soube quando tal ia acontecer- deixou dois pedidos bem significativos: que ninguém vestisse luto e que o seu caixão fosse coberto por um pano vermelho, sem as insígnias ou os emblemas que ele rejeitara. Por isso, marcas da revolução que ele como poucos desejou pura e solidária, apenas os cravos confundiram a sua cor com a do pano, simples, que o envolveu na descida à terra amada.
A maior homenagem fora-lhe prestada com a escolha de Grândola Vila Morena como secreta e clandestina senha da esperança de um povo na sua libertação. Aí, José Afonso entrou para sempre na lenda e no mito, transformado na voz emblemática de uma revolução tranquila, tornado autor do hino oficioso de uma Pátria reencontrada com o seu destino histórico. Destino que alguns se têm encarregado de fazer transviar, mas esta é outra história que não vem hoje a propósito, quando se quer manter o discurso na digna senda da saudade e da homenagem.
Nestes tempos de certa promiscuidade e de alguma conveniente quebra de memórias, saúdo com emoção um dos maiores portugueses do nosso tempo, que nos deixou há precisamente quinze anos, naquela triste e leda madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.
Felizmente, ninguém se lembrou de depositar José Afonso no Panteão.
António Martinó de Azevedo Coutinho

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Fernando Correia Pina

Nuvens

Tudo se faz e desfaz.
Os dias da nossa vida
são nuvens que o vento traz
e leva logo em seguida,
breves cavalos de areia
que insensata corrida
faz em fogo que se ateia
com cartas de despedida,
mas tu, coração, entendes
com bizarro entendimento
que as nuvens a que te prendes
estão firmes no firmamento,
porém o frio as faz neve
ou vem o sol que as apaga
da agenda em que se escreve
o que quer que o sonho traga
e ficas só sob o céu
pintado de azul fingido
coração que se perdeu,
coração desiludido.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

António Martinó de Azevedo Coutinho


A TORRE DE BABEL
(edição revista e actualizada)
.
1 - Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras. 2 - Emigrando do Oriente, os homens encontraram uma planície na terra de Sennaar e nela se fixaram. (...) 4 - Disseram uns para os outros: “Vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, tornar-nos-emos famosos para evitar que nos dispersemos por toda a face da terra.” (...) 6 - E o Senhor disse: “Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projectos. 7 - Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.” 8 - E o Senhor dispersou-os dali por toda a face da Terra, e suspenderam a construção da cidade. (...)
Génesis 11:1-9

A Bíblia que consultei para efeitos da transcrição inicial é uma edição comemorativa da visita de Sua Santidade João Paulo II a Portugal, estando portanto acima da suspeita de qualquer eventual irregularidade. O mais interessante é que a nota de rodapé alusiva, sobre a origem da diversidade de línguas, explica que este fenómeno é um mal, pois coloca-lhe na base um pecado. Coincidências?...
O mal que o Acordo Ortográfico representa, a meu ver, tem na base a via (pecaminosa?) que alguns iluminados inventaram para se tornarem famosos (?!), segundo um projecto de vida altamente discutível em semelhante contexto. Porém, aqui, nem foi necessária uma intervenção divina para logo depois se estabelecer a confusão terrena. Os próprios homens disso se encarregaram.
O episódio protagonizado por Vasco Graça Moura é apenas um pormenor. Se atingiu as repercussões ainda em curso, foi apenas por ter acontecido nas presentes circunstâncias públicas, onde o político-partidário e o sócio-cultural se associaram de forma muito vincada. Mas convém ficarmos atentos aos seus contraditórios ecos...
Se falo da confusão reinante entre os homens que, pela escrita, usam a língua portuguesa como instrumento de comunicação é porque ela é patente nas páginas dos jornais diários, que todos (ou pelo menos alguns) lemos.
Basta dedicar um pouco da nossa atenção a crónicas ou artigos de opinião quase todos os dias disponíveis na imprensa nacional. Nos seus finais, complementando as respectivas autorias, há registos para todos os gostos e predilecções. Eis alguns exemplos dessa confusa diversidade:

Caso A: Acontece num jornal (cujo nome eticamente omito) que aderiu redactorialmente ao Acordo Ortográfico (AO), no pleno e soberano direito que assiste à sua Direcção. A indicação, muito frequente, de que determinado texto segue as normas ortográficas em vigor (Opinião segundo as regras do Acordo Ortográfico), é antecedida de um “esclarecedor” logotipo, onde surge a letra a negro riscada por uma cruz a vermelho. Este infeliz “emblema” parece dar razão a alguns críticos do AO, que o reduzem a um indiscriminado e  cego ataque aos cês mudos...
Caso B: Porém, mesmo neste jornal onde impera tal regra básica, foi recentemente publicado um artigo de opinião subscrito por uma apreciada escritora nacional (não vou aqui citar um só nome!), que se assume, em título bem explícito, como “esperando continuar a escrever segundo a antiga grafia”.
Caso C: Num recentíssimo texto de opinião (Paradoxo ortográfico) inserido no mesmo jornal, um ex-ministro declara que aquele “foi escrito independentemente do novo acordo ortográfico, ou seja, obedece, ao mesmo tempo, às normas linguísticas anteriores e posteriores a esse acordo”. Tendo submetido a um “popular conversor que habita a internet” o seu texto de mais de trezentas-palavras-trezentas, o autor não foi obrigado a substituir nenhuma.
Nota – Aconselha-se o senhor ex-ministro a dedicar os seus tempos livres ao charadismo, construindo palavras cruzadas para todos os paladares...
Caso D: Num outro diário, segue-se explicitamente uma política editorial de declarada rebeldia ao AO. No entanto, não se escusaram os seus responsáveis de promover uma nova série literária subordinada à trincheira oposta: a Coleção Klássicos, a primeira a respeitar o novo Acordo Ortográfico.
Caso E: Este jornal, num louvável apreço pela independência pessoal dos articulistas, regulares ou eventuais, já tem explicitado esclarecimentos do tipo: “Por opção do autor, o artigo respeita o Acordo Ortográfico”.
Caso F: Finalmente, num terceiro diário, acontece que ainda não foi definida uma linha editorial ortográfica, o que já deu lugar a um apelo nesse sentido por parte do próprio Provedor do Leitor.
Casos G, H, I: Podíamos citar uma infinidade de variantes “explicativas”, todas patentes em diversos e sucessivos artigos de opinião constantes das páginas deste último diário. Por exemplo: “Este texto é aqui publicado com a grafia com a qual o autor o fez chegar ao...”; “O autor do texto seguiu o anterior Acordo Ortográfico”; “Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico”...
Caso J: É o mais recente. Subscreve-o, em artigo publicado num destes jornais, um eurodeputado muito interveniente e o seu conteúdo inclui uma forte crítica à rebeldia de Vasco Graça Moura. A voz das consoantes sem voz encerra um texto pleno da mais fina e inteligente ironia, porém semeado de “neologismos” que parecem arrancados ao vocabulário da Novilíngua de Orwell: auctor, escriptor, víctimas, sancta, tractado, supplementar, accordo, restricções, applauso, impeccável e por aí fora... O pior vem na tal nota final, onde expressamente consta: “A pedido do autor, este artigo respeita as normas do Acordo Ortográfico.”
Nota - Omito, por decência, o surrealista comentário que este incoerente delírio me mereceria.

Nova Torre de Babel, talvez a actual confusão ortográfica seja passageira. Talvez...
Porém, dada a inflexibilidade demonstrada por ambas as partes, não correremos o risco de nos ser proposta, num próximo futuro, uma opção pessoal entre livros que ostentem, numa flamante tira exterior, o aviso: “De acordo com o Português antigo”, ou, pelo contrário, proclamando: “Ortografado em Português legal”?
Dispersos por toda a face da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, oxalá não sejamos forçados a perturbar ou a suspender a construção da nossa cultura comum... Talvez possamos continuar a compreender-nos uns aos outros, como sempre aconteceu, se a linguagem de sempre teimar em unir-nos...
Talvez aqui a profecia bíblica fique por cumprir, talvez...
António Martinó de Azevedo Coutinho

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Fernando Correia Pina

Há um tempo em que já não fazes perguntas
há um tempo em que já não procuras respostas
coleccionas dias e semanas e juntas
tudo no mesmo saco lançado atrás das costas.
Tu, ó homem do saco, és um homem feliz:
não fazendo perguntas tens as respostas todas,
esgueiras-te entre os dias, dizes porque se diz,
traças o teu destino de acordo com as modas.

domingo, fevereiro 05, 2012

António Martinó de Azevedo Coutinho

UMA  SAUDÁVEL  ILEGALIDADE
.
Preâmbulo – Creio que, mais dia menos dia, cometi uma ausência de seis meses neste blog que antes frequentara com assiduidade. Outras prioridades e ocupações mais exigentes forçaram-me a esta espécie de folga, que hoje interrompo.
No entanto, segui com a atenção e a regularidade possíveis o que por aqui se passou. Ainda que nem sempre concorde em absoluto com os conteúdos patentes, não posso deixar de saudar a diversidade e, mesmo, a coragem de certas posições públicas, sempre devidamente subscritas, que têm preenchido as “páginas” deste meio de comunicação. Sobretudo porque sempre foram mantidas com qualidade e com intransigente decência, o que vai sendo cada vez mais raro nesta abundante família internética...
A solidariedade para com o amigo Mário Casa Nova Martins fica portanto aqui activamente expressa no meu regresso pessoal a esta cívica “frente de combate”.

Ponto um – Dois dias após um almoço onde o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, terá garantido a António Mega Ferreira que este seria mantido em funções na direcção do Centro Cultural de Belém, o primeiro comunicou ao segundo que, afinal, seria substituído por Vasco Graça Moura.

Ponto dois – Vasco Graça Moura, sempre frontal nos seus sólidos e constantes testemunhos contra o Acordo Ortográfico (AO), mal assumiu o cargo, ordenou que no Centro Cultural de Belém fossem desinstalados, de todos os computadores da instituição, os conversores informáticos adequados à mudança.

Ponto três – Depois, no Parlamento, o líder do PS questionou o primeiro-ministro sobre esta decisão. Passos Coelho terá baralhado a sua resposta, aludindo ao facto de Vasco Graça Moura não dispor de conversor ortográfico no seu computador, uma vez que gosta de escrever de acordo com a antiga grafia... Devidamente informado e portanto corrigido, o primeiro-ministro foi colocado perante o dilema de desautorizar Vasco Graça Moura ou de ser por este desautorizado.

Ponto quatro – Posteriormente, a secretaria de Estado da Cultura fez saber que, sendo o Centro Cultural de Belém uma instituição de direito privado, não está ainda obrigado a aplicar o Acordo Ortográfico. Recorda-se que o titular da secretaria, assumido adversário pessoal do AO, declarou logo após a posse do cargo que iria prosseguir o trabalho de implementação do dito...

Ponto cinco – As reacções públicas, e publicadas, à “rebeldia” de Vasco Graça Moura oscilam entre as duras críticas a uma inqualificável atitude de prepotência e as manifestações de total solidariedade perante uma decisão de lúcida e esclarecida coragem.

Conclusão (provisória...) – Creio que Vasco Graça Moura não é um herói nem um traidor. É, apenas, um homem coerente. Isto, nos dias que passam, não é fácil nem cómodo. Portanto, este episódio ainda fará certamente correr muita escrita, com AO ou sem ele.
Tomo para mim, e para já, uma lição. Perante a dureza da crise, perante a inflexibilidade da troika, perante a fragilidade do Governo -muito distante das expectativas e das promessas-, Vasco Graça Moura veio lembrar-nos que há outras formas de estar sem ser de joelhos.
António Martinó de Azevedo Coutinho

sábado, fevereiro 04, 2012

Plátano

A Plátano - revista de artes e letras de portalegre tem o próximo número aprazado para a Primavera de 2012.
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Mário Nunes Martins

A passagem que é a Vida cumpriu-se para o meu Pai. Menos de oito meses após a minha Mãe ter partido, a inexorável lei da Vida e da Morte quis que os meus Pais se voltassem a encontrar na Eternidade.
Tive o privilégio de ter uns Pais que foram para mim um exemplo!
A Todos os que comigo têm estado, nunca terei gestos ou palavras suficientes para Lhes agradecer.
MárioJ.

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