\ A VOZ PORTALEGRENSE: Convento de Santa Clara de Portalegre - V

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Convento de Santa Clara de Portalegre - V

DOS MONUMENTOS ÀS PESSOAS - V
 
O Distrito de Portalegre, N.º 5786, 18 de Junho de 1982
 
O Convento de S.ta Clara
Um pouco da sua história

Iniciamos este apontamento com uma rectificação que se impõe.
Ao indicarmos os nomes da Comissão Executiva que iniciou as obras de demolição, no Convento de Santa Clara, encabeçamo-la com o Dr. Damião do Rio. Simplesmente que este elemento da Comissão, que, nela, aliás, desempenhava as funções de Presidente, por razões que talvez se possam adivinhar, apenas, durante um mês, compareceu às reuniões. As actas dão-nos conta das suas sucessivas escusas e, após esse mês, não mais aparece. Para isto fomos alertados por uma das actas da «Associação de Protecção e Amparo de Nossa Senhora das Dores», em que o seu nome figura como entre os benfeitores da «Obra»: Aqui fica a rectificação que se impunha.
Depois de nos referirmos, de um modo geral, ao Convento de Santa Clara e de indicarmos as datas da sua fundação e da extinção das Ordens Religiosas em Portugal, e antes de nos determos um pouco sobre as duas figuras, para nós, as maiores, ligadas à história deste Convento - a Abadessa Soror Isabel do Menino Jesus, no séc. XVII, e a Senhora D. Olinda Heitor Esperança Sardinha, no séc. XX - vamos tentar fazer um bosquejo, a partir das actas de que dispomos, da história da «Obra» que no Convento se implantou, no seguimento da morte da última religiosa e ainda em vida das últimas Senhoras que, ali, se iam acolhendo, transformando o Convento como que num lar da terceira idade.
Depois de vencida a batalha, em que a Câmara teve que ceder, as zonas menos degradadas do Convento foram ocupadas pela Associação a que acima nos referimos. A razão triunfou, com a aplicação do imóvel a um fim urgente e bem louvável.
Aqui registamos uma das cartas de apoio de destacada figura da cidade à Senhora D. Olinda Sardinha, na hora decisiva da luta que se impôs pela cedência do Convento. É do Senhor Capitão Fernando Zangarrilho Garção. É do seguinte Teor:
«Ex.mª Sr.ª D. Olinda Sardinha
Acabo de vir da casa do Ex.mº Governador Civil onde fui para o prevenir do que se passava e lhe pedir as enérgicas providências que o caso requeria.
Alvitrei que - se fora eu – oficiaria ao dg. comissário da polícia mandando que à força afastasse do convento os trabalhadores e evitasse o prosseguimento da demolição. Sua Ex.ª prometeu dar as providências necessárias e eu retirei-me convencido de que realmente assim sucederia, mas se por acaso a demolição for por diante levarei o meu protesto por forma a pensar ainda, mas do que fará parte a demissão de membro da Junta Geral do Distrito
É tudo quanto se me oferece dizer a V. Ex.ª. Disponha V. Ex.ª do meu mais que humilde préstimo, rogando se digne aceitar os meus respeitos.
De V. Ex.ª - segue-se a assinatura».
Conseguido o Convento para sede, e a colaboração da Senhora D. Luiza Andaluz - que vivia em Santarém - outra alma grande que agrupara um escol de Senhoras abertas a este apostolado, lança mãos à obra, que, através de algumas actas podemos acompanhar desde o berço.
Aqui deixamos a primeira:
«Acta da Sessão de dezoito de Março de 1927»
«Aos dezoito dias do mês de Março de mil novecentos e vinte e sete, nesta cidade de Portalegre e Casa da Ex.ma Sr.ª D. Olinda Heitor Esperança Sardinha, compareceram as Ex.mas Sr.ªs D. Olinda Heitor Esperança Sardinha, D. Palmira Leite de Figueiredo Sampaio. D. Victória da Conceição Gomes Trindade, D. Maria do Céu Cordeiro Lourinho e eu Antónia Maria Panasco Pires de Lima eleitas respectivamente, presidente, vice-presidente, directoras e secretária da Associação de Protecção e Amparo de Nossa Senhora das Dores, para cujos cargos foram eleitos na Assembleia Geral a treze deste mês, faltando por motivos justificados, a tesoureira D. Rita Trindade Henriques e a directora D. Glória Parreira Pereira.
Pela presidente foi declarada instalada a direcção, tomando cada uma conta dos seus cargos.
Seguidamente pela presidente, foi dada conta de alguns passos que estão sendo dados para conseguir casa onde se instale o Colégio destinado à execução da obra desta Associação e pedido à directora D. Victória da Conceição G. Trindade para obter o auxílio de seu marido Ex.mº Governador Civil para apoiar a ideia que começava a pôr-se em marcha.
Por proposta da presidente foi designado para as sessões ordinárias o dia treze de cada mês pelas catorze horas podendo realizar-se também sessões extraordinárias. Pela mesma presidente foi entregue a quantia de cem escudos, oferta para os cofres da Associação dada pelo Ex.mº Sr. Dr. Jerónimo Sampaio e outros cem escudos por seu marido o Ex.mº Sr. Dr. Laureano Sardinha, dez escudos oferta da Ex.mª Dr.ª D. Conceição G. Trindade e vinte escudos da Ex.mª. Sr.ª D. Ana Sardinha.
Não havendo mais a tratar, a presidente encerrou a sessão da qual, para constar, se lavrou a presente Acta que vai devidamente assinada depois de aprovada. E eu Antónia Maria Panasco Pires de Lima que a escrevi e assino.
Olinda Heitor Esperança Sardinha, Palmyra Leite de Figueiredo Sampaio, Victória da Conceição Jónas Trindade, Maria do Céu Cordeiro Lourinho, Antónia Maria P. Pires de Lima».
No próximo apontamento transcreveremos a acta n.º 2, aonde consta a oficialização da entrega do Convento de Santa Clara à «Associação de Protecção e Amparo de Nossa Senhora das Dores» e a designação das pessoas que contribuíram para que tal se conseguisse, expressando-se-lhes, ainda profunda gratidão. Mas esta acta, só por si justifica um especial apontamento.
Padre Anacleto Martins
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Convento de Santa Clara de Portalegre - I I
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