\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

segunda-feira, novembro 26, 2012

Crónica de Nenhures

A derrota israelita
Israel perdeu. Israel está irreconhecível. Israel tinha que invadir Gaza e destruir todas as infraestruturas do Hamas. Mas Israel recuou em toda a linha.
Se o candidato Republicano tivesse sido eleito, Israel não teria atacado agora Gaza. E provavelmente nunca o faria. Com a eleição do Republicano, era certo o ataque ao Irão por uma coligação onde EUA, UE, Arábia Saudita e Israel seriam os principais aliados.
Mas o sonho, melhor, o pesadelo, está adiado pelo menos quatro anos. E nesse tempo Israel terá que conviver com a realidade do Médio Oriente, onde tem um lugar de direito próprio, mas onde tem que aceitar a existência de um Estado Palestiniano com as fronteiras reconhecidas e com Jerusalém como capital de dois Estados, Palestina e Israel.
Mas a guerra entre sionistas, sunitas e xiitas terá tréguas curtas. Hoje tudo é efémero, tudo é transitório no Mundo, quanto mais no Médio Oriente, onde as alianças são mais voláteis que o gaz e o petróleo, os únicos e verdadeiros interesses da região.
Até hoje Israel não tem sabido gerir este vespeiro. Como viu com a presidência Obama, o apoio dos EUA não é total, mas continua a agir como se fosse. Também na União Europeia são cada vez mais as vozes que criticam a política expansionista dos colonatos. Por enquanto a opinião pública alemã continua presa ao passado, mas esse passado cada vez mais é passado e quando a Alemanha escrever a História da Guerra Civil Europeia de 1914-1945, na qual foi protagonista, Israel terá que assumir o seu papel naquele conflito.
Israel tem que ter a solução para o problema, e não pode continuar a ser apenas parte dele. O Egipto não é o aliado dos tempos anteriores à Primavera Árabe, a Arábia Saudita sai fragilizada da contenda, a Síria manter-se-á como está, e o Irão é o grande vencedor.
Mário Casa Nova Martins

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