\ A VOZ PORTALEGRENSE: Luís Filipe Meira

terça-feira, outubro 16, 2012

Luís Filipe Meira

O 3º Livro de Rui Cardoso Martins
Apresentado em Lisboa
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“Se Fosse Fácil Era Para os Outros é o sucessor de “E Se Eu Gostasse Muito de Morrer”, “um bom romance sobre o Portugal profundo” na opinião de Pedro Mexia, que já vai na 4ª edição, foi publicado em Espanha e na Hungria e de “Deixem Passar o Homem Invisível”, “um muito bom romance sobre a Lisboa subterrânea”, na opinião do mesmo Pedro Mexia, que vai na 2ª edição e foi galardoado com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.
O 3º romance de Rui Cardoso Martins (n. Portalegre, 1967) foi apresentado na última 6ª feira em Lisboa no bar “A Barraca”, num encontro muito concorrido onde se foram cruzando velhos e novos amigos do escritor com muita gente conhecida do teatro, da música, do jornalismo, das artes em geral e que numa festa muito bonita montada a partir de uma ideia de António Eustáquio tentou fugir aos mais ou menos entediantes lançamentos literários tradicionais.
O autor, visivelmente bem-disposto, deu as boas vindas, agradeceu a presença e proferiu parcas palavras de circunstância.
Miguel Martins, o fadista Camané e o artista plástico Pedro Cabrita Reis fizeram algumas leituras (in)esperadas.
A música de matriz norte americana cruzou a preceito os blues da “Tó Bagorro Blues Band” com o jazz swingante de um combo dirigido por António Eustáquio e formado a partir da memória da velha e saudosa Opus 1, orquestra nascida e formada no Conservatório de Portalegre que animou, já lá vão uns lustros, as noites de Portalegre.
A Grande Música da América foi assim a escolhida para embalar com som e cor a conversa sobre um livro, cuja história atravessa on the road, os states desde os néons dos casinos e hotéis de Las Vegas até à beleza selvagem de um rio na Geórgia ou das Cataratas do Niágara até à sempre fascinante cadeia de Alkatraz.
Não me cabe a mim, por manifesta falta de capacidade, aferir a qualidade da escrita de Rui Cardoso Martins neste livro ou nos anteriores, basta-me gostar de os ter lido e crer na forma elogiosa com a generalidade dos críticos se lhe referem. Agora o que posso testemunhar é que nenhum deles é minimamente aborrecido, tal é o finíssimo sentido humor que o autor faz questão de utilizar a cada passo. O que me remete para uma curta entrevista que o escritor e autor de vários best-sellers, Ken Follett deu ao Expresso há poucas semanas. Dizia o autor de “Os Pilares da Terra”, citando Henry James, que o pior pecado de um escritor é ser aborrecido.
Ora, Rui Cardoso Martins pode ser tudo, menos aborrecido.
Luís Filipe Meira

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