\ A VOZ PORTALEGRENSE: Junho 2011

segunda-feira, junho 27, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

UM DIA NAS CORRIDAS
 
É o título de um filme com 75 anos, de quem poucos se lembrarão. Um Dia nas Corridas, realização de Sam Wood, foi e é uma fita dos fabulosos irmãos Marx, Groucho, Chico e Harpo. Cómico até às lágrimas, nomeadamente se levarmos em conta os critérios humorísticos norte-americanos do tempo, é hoje um filme de arquivo, dos que marcam um género e uma época.
Aqui e agora, muito mais modestamente, Um Dia nas Corridas é apenas um texto pessoal e quase ignoto, laboriosamente fabricado para preencher mais uma crónica dedicada a esta recente secção A Cor do Horto Gráfico.
Ele aqui vai, quase, quase, como uma redacção da saudosa Guidinha, a da Mosca, lembram-se?

Um dia nas corridas
Foi um notável dia. A praça, engalanada a preceito, foi um magnífico cenário. Nessa segunda feira, lá fora, havia movimento, vida e cor. Na véspera, a feira inicial tinha sido assim, com os feirantes animados por causa da agitação envolvente. Voltemos para dentro da praça. O touro tivera uma receção emocionante. Mas os espetadores não estiveram à altura, falhando no seu papel. Mostraram-se pouco animados. Depois, entrou uma vaca. O teto, baixo, pesado e escuro, prometia tornar-se úmido. Felizmente isso não aconteceu, senão a ata da sessão teria de assinalar o facto. No intervalo, distraídos, uns vão, mas no decorrer da corrida todos, mesmo todos, veem com atenção. Quando o touro para todos ficam aflitos. O grupo de forcados, formado em semirreta, foi pegando os superrápidos animais, numa correta aceção da sua função. Em cada setor houve inquietação, mas apenas por causa do tempo, ameaçador. Enfim, tudo correu bem. E, após a sessão, todos regressaram a casa. Até ao próximo dia nas corridas, coincidindo com a quarta feira festiva, com barracas, massa frita e o resto...
 
Ficaria mais ou menos assim esta delirante descrição, fictícia, elaborada com o novo prontuário em punho. Para não falhar nos pormenores.
Se tivesse escrito como aprendi e costumo praticar, sem recurso à Novilíngua, seria distinta a mesma descrição:

Um dia nas corridas
Foi um notável dia. A praça, engalanada a preceito, foi um magnífico cenário. Nessa Segunda-feira, lá fora, havia movimento, vida e cor. Na véspera, a feira inicial tinha sido assim, com os feirantes animados por causa da agitação envolvente. Voltemos para dentro da praça. O touro tivera uma recepção emocionante. Mas os espectadores não estiveram à altura, falhando no seu papel. Mostraram-se pouco animados. Depois, entrou uma vaca. O tecto, baixo, pesado e escuro, prometia tornar-se húmido. Felizmente isso não aconteceu, senão a acta da sessão teria de assinalar o facto. No intervalo, distraídos, uns vão, mas no decorrer da corrida todos, mesmo todos, vêem com atenção. Quando o touro pára todos ficam aflitos. O grupo de forcados, formado em semi-recta, foi pegando os super-rápidos animais, numa correcta acepção da sua função. Em cada sector houve inquietação, mas apenas por causa do tempo, ameaçador. Enfim, tudo correu bem. E, após a sessão, todos regressaram a casa. Até ao próximo dia nas corridas, coincidindo com a Quarta-feira festiva, com barracas, massa frita e o resto...

Claro que imperou aqui a imaginação, mas também o deliberado disparate. Disparate, acrescente~se, devidamente sancionado pelo diploma legal que contém o dolicodoce accordo ortographico. Intencionalmente, introduzi uma quase indescritível confusão em sucessivos sentidos, equívovos, do fraseado inicial. A obrigatoriedade do uso de minúsculas produz uma delicada confusão entre o dia da semana e uma série de feiras tradicionais; os espetadores podem perfeitamente ser os bandarilheiros, espetando as (subentendidas) farpas, e não o público assistente; o teto, o mesmo que teta -da vaca-, nada tem a ver com o tecto -céu- e a (h)umidade confunde facilmente o leite com a água (da chuva); ir e vir não será precisamente o mesmo que ir e ver; o touro para todos pode ser popular mas não pára a tempo de evitar a aflição; úmido, semirreta, superrápidos ou setor são alguns dos vocábulos admitidos pelos geniais inventores desta delirante modalidade “novilinguística”... E por aí fora. Até poderíamos ter complicado o texto, dele apresentando previamente, antes da “tradução” em Português, duas outras versões distintas, segundo a norma lusoafricana e a norma brasileira...
Foi um dia nas corridas, em sumário relatório descritivo, afinal contando com os cómicos irmãos Marx, tal como há 57 anos, no cinema.
António Martinó de Azevedo Coutinho

sexta-feira, junho 24, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

Num aviso prévio, quero desde já declarar que este texto não contém nenhuma opinião pessoal, nem se dirige a nenhum político em especial. Apenas aqui pretendo fazer uma breve alusão a alguns escritos avulsos sobre o título acima composto, entre uma conhecida personagem de Walt Disney que a tradição consagrou e a capa de um pequeno opúsculo atribuído ao imortal autor de Gulliver, Jonathan Swift.
Na linha atrás enunciada, poderia transcrever um célebre dito atribuído a Eça de Queirós, que terá um dia escrito que “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”. Mas quero honestamente confessar, a este propósito, que não sou conhecedor bastante da vasta obra do autor para ter conseguido aí situar, com inequívoca paternidade, esta curiosa frase. Prefiro-lhe uma outra, anónima e complementar, que diz: “Em tempos de crise, não se mudam fraldas; tapa-se o nariz.
Poderia também aqui trazer Maquiavel e O Príncipe, mas a verdade é que, nisto da mentira, Swift (ou alguém por ele) parece-me um mais directo e competente especialista.
Vamos ao que interessa, precisamente ao pequeno opúsculo Arte da Mentira Política que terá sido publicado na cidade de Amsterdão, em 1733, por um ilustre desconhecido, chamado John Arbuthnot, médico da raínha Ana da Inglaterra, em nome do seu amigo Jonathan. Portanto, em termos de autenticidade, encontramos logo aqui a primeira contradição. A seguinte consiste no facto de o opúsculo se limitar a um mero panfleto publicitário, onde se anuncia o lançamento da obra em epígrafe, em sucessivos tomos entregues, por assinatura, aos prévios subscritores. E não consta, que tenha ficado registada, qualquer edição posterior...
Portanto, antes de relatar a arte da mentira política, o texto assume-se desde logo como aquilo a que hoje, quase três séculos depois, chamaríamos publicidade enganosa.
Mesmo assim, naquilo que sumariamente descreve, revela-se prometedor.
Tanto Swift como Arbuthnot, em parceria de amigos e estudiosos, terão encontrado, logo nos inícios do século XVIII, alguns sintomas de embuste público na linguagem política dos Estados e dos Partidos, apta ao consumo das massas eleitoras. É claro que, hoje, os progressos desta linguagem ganharam uma enorme amplificação potenciada pelos meios tecnológicos e pelo marketing nela aplicado.
Mas na terceira década do século XVIII, vinte e poucos anos antes do grande terramoto que arrasaria Lisboa, a análise filosófica do discurso político da época detectou-lhe alguns curiosos princípios.
Transcrevo: “A mentira política é a Arte de convencer o povo, a arte de lhe fazer crer em falsidades salutares, e isso com determinado bom fim. Chama-lhe Arte por mor de distingui-la da acção de dizer a verdade, para a qual, segundo parece, não é necessária arte nenhuma.” (...) “A palavra bom para ele (o Autor) não significa aquilo que for absoluta e essencialmente bom, mas sim o que como tal pareça ao Artista, ou seja, àquele que faça profissão da arte da mentira política; sendo isso, para o dito Artista, fundamento bastante para agir com nexo.” (...) “Tenha-se pois em conta o povo dever esperar dos vizinhos que lhe digam a verdade em seus assuntos particulares; que cada qual também tem direito à verdade económica, podendo pois exigir que os parentes lhe contem a verdade para não ser enganado pela mulher, pelos filhos ou pelos criados; mas que à verdade política não tem ele direito algum, não tendo o povo direito a que lhe digam a verdade em matéria de governo, tal como não tem o direito a possuir grandes fortunas, terras ou casas senhoriais.” (...) “Adverte o Autor todos os Práticos para que tenham cautela com os preceitos por ele fornecidos e à risca os sigam, pois, segundo afirma, foi por desconhecerem ou não praticarem tais regras que desde há alguns anos vários dos embustes destes Práticos fracassaram, não podendo subsistir por muito tempo.” (...) “Os bons Artistas, ou seja, os Grandes Figurões da Sociedade, os mais hábeis na arte da mentira, nisso semelhantes aos que constroem casa com base em contrato de curta duração, sabem calcular com tanta segurança o tempo de vigência de uma dada mentira que esta responde na perfeição aos seus desígnios, só a mantendo quanto for preciso para surtir efeito.” (...)  As mentiras de promessas que fazem os grão-senhores, os ricos e poderosos, os que estão no poder, conhecem-se do seguinte jeito; põem-vos a mão no ombro, dão-vos grandes abraços, sorriem, curvam-se até ao saudar-vos; tudo isto são outros tantos sinais que deverão indicar-vos estarem eles a iludir-vos. Do mesmo modo podereis reconhecer as suas mentiras factuais, graças às desmedidas juras que vos hão-de fazer em várias ocasiões.”
Estas breves e parcelares transcrições serão bastantes para que se possa fazer deste opúsculo uma também breve e parcelar opinião. Espero, pois, que daqui possa resultar a apetência da sua leitura integral.
E repito as advertências iniciais, acrescentando-lhe um aviso complementar, o de que qualquer semelhança entre o conteúdo do texto, velho de séculos, e a recente realidade envolvente, quer no país quer na cidade, será uma mera coincidência.
António Martinó de Azevedo Coutinho

quinta-feira, junho 23, 2011

XII FEIRA DA GASTRONOMIA E ARTESANATO DE MARVÃO‏

quarta-feira, junho 22, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

PARA ACABAR DE VEZ COM A CULTURA?
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Provavelmente isto acabará mal. O recurso ao cinema tornou-se, assim o receio, uma obsessão pessoal. Terá deixado, talvez, de constituir uma referência cultural ou uma imagem de marca. Reconheço pacificamente esta inclinação como uma queda, um trambolhão. No entanto, dadas as especiais características desta peça, que me seja perdoado este (eterno) retorno. Ainda por cima, nem sequer posso jurar um acto de contrição, sincero, prometendo emendar-me.
É a cultura, estúpido! – a frase, de valor universal embora com origens ignoradas, tem servido um pouco para tudo e para coisa nenhuma. Há peças de teatro, programas de TV, mesas redondas, blogs e textos avulsos, assim como mil e um outros pretextos para a aplicar, para dela usar e abusar, a propósito e a despropósito, por tudo e também por nada...
Cultura e cinema. Provavelmente, hoje, deverei associar cultura, cinema e literatura. Por outras palavras, evoco um nome incontornável da 7.ª Arte, mas citando-o a propósito da sua obra literária. Podemos não apreciar Woody Allen, e acho isso natural. Porém, não devemos ignorá-lo. Homem de cultura, tem espalhado e distribuído o seu génio multifacetado não apenas pelas telas das salas mas ainda pelas estantes das livrarias. E hoje trago aqui a lembrança de um dos seus livros, precisamente Getting Even (1971), título que entre nós conheceu a tradução: Para acabar de vez com a Cultura. Ao contrário daquilo que esta designação poderia sugerir, o conteúdo do volume nada tem a ver com divagações filosóficas em torno da Cultura, em vias de extinção, mas antes com a proposta do confronto de cada leitor com uma série de pequenos contos e novelas, episódios soltos, dotados daquele humor desconcertante e inteligente de que Woody Allen nos tem dado sobejas provas nos seus filmes.
Lembrei-me, e insistentemente, deste autor e desta sua obra a propósito daquilo que hoje se tem passado com a recente nomeação de Francisco José Viegas para a secretaria de Estado da Cultura, no novo Governo agora em funções.
Do que conheço sobre o novo governante, como homem de Cultura viva, actuante e diversificada, chego mesmo a pensar que ele poderia subscrever um livro similar, pensado, escrito, editado, lido e criticado entre nós.
(que cada um leia esta declaração como um elogio ou como uma censura, em conformidade com as suas tendências literárias ou... partidárias)
O que mais me impressiona sobre algumas afirmações públicas e publicadas, absolutamente categóricas, acerca da “despromoção” oficial da Cultura Pátria agora “decretada” por Pedro Passos Coelho é a total ausência de memória, de lógica e de rigor que elas revelam. Por outras palavras, segundo tão “doutas” opiniões, uma pasta que deixa de ser ministério para passar a secretaria de Estado perde, ipso facto, qualidade e importância. E o seu titular, por ter deixado de ser ministro e ter sido “despromovido” a secretário de Estado, perde, idem aspas, capacidade de actuação.
Façamos uma brevíssima retrospectiva sobre o percurso governamental dos assuntos culturais, entre nós, após Abril de 74. Até 1976, a superior execução das políticas culturais foi atribuída aos sucessivos ministérios da Educação.
Com a posse do I Governo Constitucional (1976, Mário Soares), foi criada a secretaria de Estado da Cultura (SEC), a qual, embora autónoma, ficaria na dependência da Presidência do Conselho de ministros.
No período seguinte, até 1983, a tutela desta secretaria de Estado alternou entre aqueles dois anteriores “titulares”.
Em 1983, com o IX Governo Constitucional (novamente Mário Soares), a SEC atingiu o estatuto de ministério. Por pouco tempo, pois logo no governo seguinte, dois anos depois, voltou a secretaria de Estado, integrada no ministério da Educação e Cultura.
Mais dois anos passaram, com novo figurino velho que repetiu um cenário anterior, voltado a SEC para a tutela directa da Presidência do Conselho de ministros (X Governo Constitucional, Cavaco Silva).
O XIII Governo Constitucional (António Guterres), em 1995, “ressuscitou” o ministério da Cultura, assim se mantendo até à mais recente actualidade, quando a coligação do XIX Governo extinguiu outra vez o ministério, como se sabe...
E sobre personalidades que foram ministros ou secretários de Estado em sucessivos governos da Nação? Alguém, sobretudo de entre os críticos, alguém se lembra quem foram e quando, ou o que produziram de útil e de durável, nesta área da Cultura?
Meia dúzia de exemplos soltos. José Estêvão Cangarro Sasportes e João Alexandre do Nascimento Baptista foram ministro e secretário, entre 2000 e 2001. Quem se recorda deles? Então, e quanto a Pedro Manuel da Cruz Roseta e José Amaral Lopes, idem, entre 2002 e 2004? Talvez haja quem se lembre de João de Deus Pinheiro, António Coimbra Martins ou Francisco Lucas Pires, ministros na década de oitenta... Acredito que ainda esteja na memória de uns quantos o facto de Pedro Santana Lopes ter sido secretário de Estado da Cultura por duas vezes, em governos liderados por Cavaco Silva, em 1990/91 e 1991/94. Sabem que Vasco Pulido Valente também foi, durante um ano, secretário da Cultura? Foi em 1980... E qual é o nome do sub-secretário da Cultura que provocou a real bronca que fez exilar José Saramago? Já não se lembram? Foi António Sousa Lara, em 1992.
E, como se viveram recentemente tempos de exames (copiando ou não!!!), até se poderia aqui formular uma espécie de mini-teste, com duas singelas questões:
·                    1 – Quem foi o secretário de Estado da Cultura que aqui veio festejar José Régio e os seus companheiros “regionais” da presença: Francisco Bugalho, Branquinho da Fonseca e Mário Saa?
- Foi em 1977 e chamou-se David Mourão-Ferreira (um literato).
·                    2 – Quem foi o ministro da Cultura, mais recente, já na passagem do milénio, a quem Portalegre mais ficou devendo?
- É Manuel Maria Carrilho (um filósofo), provavelmente um dos mais competentes e lúcidos políticos que geriram a pasta da Cultura. Quanto ao que fez por Portalegre, espero que cada interessado se informe devidamente, para além do que ficou à vista de todos...
Voltemos ao cultural presente. Gabriela Canavilhas, a derradeira titular ministerial de um passado recente, de má lembrança, quis marcar a diferença. Segundo veio a público, ela terá falado da importância estratégica da representação (cultural) do Estado. E acrescentou esta “pérola”: - Qual o peso que têm nas reuniões internacionais os secretários de Estado e qual o peso que têm os ministros? Na directa sequência desta avaliação da massa (não certamente da encefálica!), concluiu que Viegas poderia dar um excelente ministro da Cultura mas que infelizmente não lhe fora reconhecido esse mérito.
A verdade é que da “canavilhal” memória, para além de um volátil charme pessoal, nada, mas mesmo nada, ficará de préstimo para o nosso futuro; a inesquecível Gabriela da telenovela desempenhou certamente um bem mais decisivo papel na cultura nacional. Teriam sido portanto dispensáveis aqueles seus deselegantes remoques...
Francisco José Viegas dispõe de um invulgar currículo, e não falo da banal acumulação de teorias, mas de aplicações práticas e diversificadas: filho de professores do ensino primário, licenciou-se em Estudos Portugueses e foi, ou é, escritor (mesmo do policial), poeta, cronista, professor universitário, jornalista (até desportivo!), editor, autor e apresentador de TV e de Rádio, director da Casa Fernando Pessoa, autor literário laureado e traduzido, etc, e, sobretudo, administrador de um magnífico blog de que me habituei a ser um fiel leitor: A Origem das Espécies.
Como é óbvio, parece desmedido e plurifacetado o universo que espera a intervenção do novo secretário de Estado da Cultura. Depois de anos de quase total abandono, esse universo apresenta-se numa fase de latente desertificação... O Ministério da Cultura bem poderia ter entretanto mudado de nome. Poderia ter sido chamado, com mais propriedade, o Mistério da Cultura.
Ninguém deve ser acusado sem razões nem pode ser condenado sem provas. Na proporção do meu direito de cidadania, sou exigente. Ainda há escassos dias, neste espaço de liberdade, dei conta do exemplo de Va Pensiero, espécie de fábula moderna onde são implacavelmente denunciados abandonos e constrangimentos governamentais na área da Cultura.
Acredito que Francisco José Viegas seja capaz de nos dedicar um novo título de criação pessoal, como, por exemplo: Para acabar de vez com a cultura. Sim, cultura com letra pequena, a cultura da subsidiocracia, da vulgaridade, do snobismo, da extravagância,  do vedetismo, da inveja, do oportunismo e de outros vícios que vegetam nos sub-mundos da intelligentzia nacional.
Ficarei vigilante, mas carregado de esperança.
António Martinó de Azevedo Coutinho

Margarida Castro

[Dialogos_Lusófonos]
A cidade romana de Conímbriga
Lusofonia : É uma ponte que se constrói, uma ponte que une as margens distintas das identidades culturais de cada um dos países de língua oficial portuguesa, uma ponte que pretendemos inscrever no nosso imaginário coletivo, num encontro cultural único, que amplie o nosso olhar sobre os outros e sobre nós próprios, fortalecendo indelevelmente os laços que nos unem e a nossa forma de estar no mundo.”
Jorge Couto, ex-presidente do Instituto Camões, a propósito de uma publicação durante a Expo 98.
Segundo o acordo, como se escreve Egipto?
Segundo a alínea b), do parágrafo 1.º da Base IV do Acordo Ortográfico, o "p" da palavra "Egipto", por ser mudo, deve ser eliminado. Assim, deve escrever-se EGITO.
Esta regra aplica-se a outras palavras em que haja um "p" que não se pronuncia, nas sequências "pc" e "pt":
[Dialogos_Lusófonos]  
A cidade romana de Conímbriga
A cidade romana de Conímbriga, próxima da atual localidade de Condeixa-a-Nova, Portugal, pertencia à província romana de Lusitânia. As suas ruínas são as de maior tamanho e importância de todo o território luso.
A sua ocupação pelos romanos ocorreu no ano de 139 a.C., durante as campanhas de conquista levadas a cabo pelo general e político Décimo Junio Bruto.
Durante o século primeiro, foram construídas as grandes termas e o fórum. A sua muralha com um perímetro de um quilómetro e meio de extensão, data do século IV, época de declinio romano.
Entre os anos 465 e 468, a cidade sofre o ataque dos povos bárbaros (suevos).

Para quem gosta de aprender e de conhecer o passado de Portugal veja estes dois filmes sobre Conímbriga. O primeiro mostra as ruínas que podem ser visitadas e o segundo é uma recriação virtual em 3 dimensões da cidade.

Filmes muito bons para serem utilizados nas aulas de História ou aquando de uma visita de estudo a Conímbriga.

terça-feira, junho 21, 2011

Uvas e Parras

Pouca parra e muita uva

É impossível cumprir o ditado popular que pretende simultaneamente a existência de «sol na eira e água no nabal». Mas deseja-se «pouca parra», tanta como aquela que o cartoonista do semanário Expresso ‘cobre’ Pedro Passos Coelho e Paulo Sacadura Cabral Portas, e «muita uva», quanto ao trabalho a desenvolver pelo XIX Governo Constitucional.
Desconhecendo-se, ainda, o ‘grosso’ dos secretários e subsecretários de estado, pode desde já dizer-se que se discorda totalmente do actual director do Expresso, quando escreve (pg.3 de 18/06/2011) que “o governo que Passos Coelho levou ontem a Belém é pior do que se esperava”. Mesmo quando «só se sabe se os melões são bons depois de abertos».
Através dos percursos políticos e pessoais, os ministros indicados pelo CDS surgem como mais-valias para o novo Governo. Quiçá, se possa dizer o mesmo de todos os ministros indicados pelo PSD.
Os currículos dos ministros ditos independentes são ‘acima de qualquer suspeita’, esperando-se do desempenho no cargo o melhor possível.
Agora, «é a sério». Que Portugal «vença»!
  Por outro lado, saúde-se a derrota, em duas votações consecutivas, da candidatura do candidato do PSD à presidência da Assembleia da República. A pessoa em questão tinha que ter desistido quando da primeira votação, quando nela teve menos votos que o número total dos deputados sociais-democratas. P’ra bom entendedor…
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, junho 20, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

UMANIDADES

Afinal, até parece que tenho para aqui andado aos tiros ao accordo ortographico, aos seus autores e praticantes, numa função de guerrilheiro, ou terrorista, que se esconde e saltita ao sabor do acaso ou da mortal inspiração de momento. Quer dizer, quando não tenho mais nada para fazer, atiro ao meu alvo predilecto. Posso dar tal impressão, mas não corresponde à verdade. Esta é muito diferente.
Sempre assumi um esforço concertado no combate a todos as atentados -individuais ou colectivos- cometidos contra a Língua. Já vêm de longe estas manifestações pessoais de intolerância cultural. Aliás, lembro-me de várias crónicas soltas, alusivas ao tema e publicadas no Fonte Nova, pelos princípios do milénio: Estão a assassinar o Português!, Jaz morto e arrefece..., A Língua Portuguesa no seu melhor, A Língua Portuguesa é muito traissoeira, Objetivamente correto, Mais vírgula menos vírgula, Um ótimo Projeto e outras do género. Portanto, o que agora se passa comigo não deriva de um acessso febril momentâneo nem de um capricho infantil. É pura manifestação de coerência, a que alguns -concedo!- poderão chamar teimosia. Continuarei.
Mais, vou prestar uma atenção melhor organizada e este combate. Criei uma  secção regular hoje inaugurada, com cabeçalho e tudo, neste espaço de liberdade que o Mário Casa Nova Martins generosamente põe à minha disposição.
Sobre um carimbo mais ou menos oficioso, que decora habitualmente algumas secções jornalísticas ou “blogueiras”, assinalando a sujeição dos respectivos textos aos novos ditames ortográficos, coloquei um flamante NÃO, assim como um título indiscutivelmente fonético, homofónico, em homenagem ao diploma legal em causa: A Cor do Horto Gráfico. Isto é, simbolicamente, cabem lá todas as cores: o verde, o branco, o preto, o cinzento ou o amarelo. Peço desculpa ao azul, ao roxo e, sobretudo, à cor-de-burro-quando-foge. É que, esteticamente, resultava muito foleira a aplicação de todas as cores do arco-íris...
Para abrir com chave de ouro esta nova secção, pareceu-me adequado nela partilhar com os leitores, que generosamente queiram aderir aos princípios enunciados na linha editorial acima detalhada, uma recente e deliciosa crónica da autoria do jornalista Nuno Pacheco.
Com a devida vénia, e uma imensa carga de admiração pessoal, reproduzo a seguir o texto Omens sem H, da autoria deste jovem e qualificado director adjunto do jornal Público, patente na sua edição de 6 de Junho de 2011.
Se o ridículo matar, haverá por aí uma mortandade sem conta. Porém, como se trata de casos de eutanásia cultural, isso ficará com a consciência ética de cada qual.
António Martinó de Azevedo Coutinho

sábado, junho 18, 2011

Lágrimas de crocodilo

Por Nuno Reis
As palavras saem com dor da boca do poeta. Manuel Alegre, ex-candidato à presidência da República, é também um adepto fervoroso do Benfica, que segue de perto, mesmo com os afazeres políticos dos últimos tempos. E vive activamente o dia a dia do clube e... a saída do capitão.
«Liguei hoje [ontem] ao meu amigo Luís Filipe Vieira a dizer que foi um erro. Tenho grande estima pelo presidente do Benfica, que salvou o clube, mas nesta situação do Nuno Gomes penso que não foi encontrada a melhor solução», explicou Manuel Alegre, que entende que o ponta-de-lança devia ter sido convidado a renovar.
«É um erro não ter acontecido e vamos sentir a sua falta. É um jogador com valor para jogar no Benfica e em qualquer clube em Portugal. E é também um símbolo do Benfica. No banco ou como titular, Nuno Gomes pode ser muito útil», disse, sem esquecer a decisão do treinador: «Mesmo que a sua saída não tenha sido uma decisão do presidente entendo que se poderia ter resolvido a questão de outra maneira.»
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Realmente, tudo o que tem a ver com o Sport Lisboa e Benfica é ‘notícia de primeira página’. Daí a sua grandeza impar em Portugal, e também no Mundo.
A última notícia que agitou a comunicação social, principalmente aquela que sempre se manifesta contra o SLB e os seus interesses, tem a ver saída do SLB do profissional de futebol Nuno “Gomes”. E escrevemos “Gomes” entre aspas, porque o dito jogador de futebol não tem no nome de baptismo este apelido, que juntou ao nome próprio em homenagem ao seu ídolo de sempre o ex-profissional de futebol do Futebol Clube do Porto Fernando Gomes.
Nunca tantos verberaram a decisão, correctíssima, do Sport Lisboa e Benfica de não ter renovado contrato com Nuno “Gomes”. Nunca Nuno “Gomes” teve tantos fãs… Mas, curiosamente, essa maioria larguíssima de fãs, até não é nem sócia nem simpatizante do SLB… Paradoxo? Claro que não! O importante é atingir o SLB, e todos os meios são justificáveis.
Claro que, como em tudo, há sempre os denominados ‘tolos úteis’, que ‘ajudam à festa’, como é neste caso exemplo o poeta de Argel, e não bicampeão mas biderrotado em eleições presidenciais, Manuel Alegre. Decididamente, o bardo de Abril joga sempre no cavalo errado, e dá sempre trunfos ao inimigo, que na política é Aníbal Cavaco Silva e no desporto os anti-SLB.
Os mesmos que agora criticam o SLB são os mesmos que criticavam o SLB por dificultar a saída de Nuno “Gomes” para Itália, quando o jogador tinha ainda anos de contracto a cumprir pelo SLB.
Os mesmos que hoje criticam o SLB são os mesmos que acharam bem que o SLB tivesse contratado, depois de um passagem por Itália sem ‘glória’, Nuno “Gomes”, que se encontrava lesionado, sem se ter a certeza que recuperaria.
Os mesmos que hoje criticam o SLB são os mesmos que acharam profissionalmente correcto Nuno “Gomes” ter escondido do SLB uma lesão contraída ao serviço da Selecção Nacional, para gozar férias em pleno, tendo começado o tratamento apenas quando o SLB regressou aos trabalhos para a nova época, não tendo podido, portanto, fazer o trabalho de pré-época com os colegas.
Nuno “Gomes” no SLB foi um jogador que sempre em campo fugia do contacto físico com os adversários, dando uma imagem de mau profissionalismo. Nunca representou a Mística do SLB, sendo sempre um jogador em quem nenhum treinador apostou em pleno.
Na altura defendemos no blogue A Voz Portalegrense que o SLB não devia renovar com Nuno "Gomes". E o tempo sempre nos deu razão. Não há que perder um momento sequer em lamentações pela saída de Nuno “Gomes” do Sport Lisboa e Benfica!
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, junho 17, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

ZERO  EM  COMPORTAMENTO
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A minha inclinação para o recurso aos arquivos cinéfilos emerge, novamente. Desta vez, evoco outro filme de arquivo, portanto dos tais mais próprios dos cineclubes que das salas de exibição comercial. Trata-se de Zero em Comportamento, realizado em 1933 por Jean Vigo, prometedor mas malogrado cineasta francês que morreu aos 29 anos. Realizou apenas quatro filmes, entre os quais este, de nome original Zéro de Conduite. Ficou como a sua criação mais conhecida, por ter abordado o problema das crianças que se revoltam contra o “sistema”, incluindo o escolar. Ao regressarem de férias para as aulas, os jovens deparam com adultos, educadores, que tentam discipliná-los, desencadeando a fúria infantil, tratada de forma poética, onírica, surrealista, libertária, quase anárquica...
Segundo alguns críticos, a liberdade é a temática central de Zero em Comportamento, sendo aí proposta aos espectadores uma realidade opressiva, contra a qual é lançado um grito de transformação. Nessa narrativa ficcional, as crianças rebeldes (ou revolucionárias?) rejeitam a sua alienação quanto a um universo quase irreparável...
Não surpreenderá o conhecimento de que, em certos sectores, a obra tenha sido considerada como um “filme maldito”.
O comportamento -o bom comportamento- tornou-se agora um factor de bênção, apto a compensar as falhas no rendimento escolar. Sirvo-me das informações, com toda a reserva a que elas obrigam, que a imprensa diária nos tem trazido com alguma abundância, em tempos recentes.
Vivi, no decurso da minha vida profissional enquanto professor, as discussões e decisões em torno do binómio rendimento/comportamento. Para além desta eterna questão, quase sempre dirigida no concreto a casos problemáticos, rigorosamente individualizados, aconteceu a mudança da tradicional classificação de 0 a 20 valores para a moderna avaliação de cinco níveis, de 1 a 5.
O dinâmico processo de avaliação, objecto permanente de uma atenta e quotidiana atenção, também necessariamente individualizada, por parte de cada professor, atingia o apogeu no final de cada período, em particular no último, onde se sintetizava a “justiça” pedagógica que ditava o destino de cada aluno. A aprovação ou a reprovação constituíam, na sua implacável alternativa, a “cúmulo jurídico” dessa sentença escolar. Em boa verdade, o que de essencial se avaliara tinha a ver, quase exclusivamente, com o rendimento escolar de cada aluno. A sua postura comportamental, por vezes complexa, dispunha de outros “tribunais” que, embora funcionando sob o mesmo tecto, não misturavam os dois universos. Estes, por vezes, contaminavam-se reciprocamente, isto é, uma criança dita “mal comportada” reflectia quase sempre essas práticas “desviantes” da norma expectável no seu próprio rendimento. Portanto, a sua “sanção” pedagógica resultava quase natural...
Não se conclua daqui que todos os alunos de fraco aproveitamento escolar teriam de ser, necessariamente, mal comportados. Porém, a relação entre estas vivências nunca dependeu de regras ou de regulamentos prévios.
No entanto, parece ser isto que agora se pretende, a partir das superiores determinações ministeriais. O Ministério da Educação recomenda às escolas que avaliem os seus alunos em três vertentes complementares: cognitiva (portanto o rendimento), de comportamento e de atitude. Estas três vertentes dispõem de pesos diversos ao longo dos sucessivos graus da escolaridade. Por exemplo, os comportamentos e as atitudes valem mais no ensino básico do que no secundário, onde se privilegia o rendimento. Na sequência destas orientações, cada escola deverá definir os critérios de avaliação, isto é, estabelecer com rigor as percentagens matemáticas com que cada vertente contribui para a decisão final.
Esta aparente liberdade será, no entanto, fortemente condicionada (ou orientada?) pelas metas definidas pelo Ministério para 2015, onde as notas têm de ser melhoradas, os chumbos reduzidos e os abandonos escolares eliminados.
Estas informações, que tenho como aceitáveis, ressaltam para a opinião pública das matérias alusivas abundantemente divulgadas pelos nossos meios de comunicação social.
A partir de tais pressupostos, apresentemos um ficcional argumento para novo filme, desta vez denominado Cinco em Comportamento, onde um aluno consiga 30% só por não faltar às aulas e aí respeitar colegas e professores (vertentes de comportamento e de atitude) e, apenas, 20% nos testes de avaliação (vertente cognitiva, de rendimento). Este (mau) aluno, por ter conseguido a sumativa quota de 50%, dispõe portanto de um 3 garantido como nota final, sendo aprovado...
Provavelmente, esta ficcional proposta não passa de um disparate, mas é um disparate autorizado pelas informações que nos chegam. Por estas e por outras, sinto-me cada vez mais grato, e mais feliz, pelos “atrasados” tempos em que fui mestre-escola!!!...
E, como se este cenário não bastasse, ainda há agora o anual ranking das escolas. Isto tudo junto não é mesmo, mas mesmo mesmo, digno de um Óscar?
António Martinó de Azevedo Coutinho

quinta-feira, junho 16, 2011

As não-notícias

As não-notícias
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A primeira constatação/certeza das eleições legislativas de 5 de Junho de 2011 é que o eleitorado virou à Direita e deu a esta uma confortável maioria absoluta. Mas a sabedoria popular não deu a maioria absoluta a um só partido.
Agora não foi notícia na comunicação social politicamente correcta que o maior partido da Direita extra-parlamentar aumentou a sua votação de 11.614 em 2009 para 17.742 em 2011. Este score não dá, evidentemente, para eleger um deputado, mas naquele universo representa um aumento de 53%.
Numas eleições em que o voto útil voltou a ter uma força importante na votação no PSD, o facto de CDS e PNR terem mesmo assim aumentado as suas votações, é significativo. Se o PNR aumentou 6.128 votos, o CDS passou de 591.938 votos em 2009 para 653.987 votos em 2011.
Com a entrada do CDS para o Governo, o PNR ‘recupera’ bandeiras que o CDS lhe ‘roubou’ em 2009, e que o ajudaram a obter aquele excelente resultado eleitoral. É muito diferente estar-se na oposição ou ser-se da situação. O CDS irá, naturalmente, sofrer o desgaste de ser poder, e as promessa que fez nos campos em que ‘concorre’ com o PNR não as vai poder, naturalmente, cumprir na íntegra, o que irá abrir espaço para o PNR continuar a crescer.
Mas o PNR terá forçosamente de adaptar o seu programa, as suas bandeiras, à realidade portuguesa, e deixar de ‘copiar’ modelos estrangeiros. Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda ou Suíça, por exemplo, têm problemas específicos, e Portugal tem os seus. Está provado que o Povo português sabe no momento do voto fazer as escolhas que julga as mais correctas para o país, e o PNR tem que saber interiorizar/corporizar os desejos e vontades dos portugueses. Só assim será útil à Direita.
O CDS é cada vez mais, em termos sociológicos, um partido urbano e jovem. O CDS elege deputados em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal e Faro. Se se considerar interior do país o distrito de Viseu, este é o único onde o CDS elege um deputado. E o eleitorado jovem está no litoral, nos distritos onde o CDS elege deputados. E os grandes centros urbanos estão no litoral, onde o CDS elege deputados.
No distrito de Portalegre, o CDS teve a maior votação no concelho de Monforte, um concelho rural e a terra do cabeça de lista, provando-se a acertada escolha do mesmo. Mas se o CDS quiser obter mandatos autárquicos em 2013, é nas três cidades do distrito, Elvas, Ponte de Sor e Portalegre, concelhos que concentram os poucos jovens do distrito, que terá hipóteses. Mas se apostar na credibilidade e notoriedade das escolhas, e principalmente se cultivar a Ética.
No concelho de Elvas foi a terceira força política mais votada com 12,96%, 1.319 votos. No concelho de Ponte de Sor foi a quarta força política mais votada com 9,47%, 817 votos. No concelho de Portalegre foi a terceira força política mais votada com 11,73%, 1.549 votos. Transpondo estes valores para umas eleições autárquicas, o CDS elegeria um vereador em cada concelho, e mais do que um elemento para a Assembleia Municipal e para as Juntas de Freguesia.
Assim, o CDS tem que, arduamente, trabalhar para que o excelente resultado legislativo de 5 de Junho de 2011, venha a dar frutos no Outono de 2013. Mas partindo sempre do princípio que irá sozinho, e não em coligação autárquica com o PSD. Para na altura se evitarem desculpas!
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, junho 15, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

UM  LIVRO  COM  MEMÓRIAS  DENTRO
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Há duas semanas fui surpreendido por um contacto telefónico completamente inesperado. A minha interlocutora explicou-me ter conseguido, embora com dificuldade, o meu número telefónico. Tinha-o obtido em Beja, por intermédio dum amigo do universo da banda desenhada (Geraldes Lino), quando num recente festival dos quadradinhos aí apresentara a sua última obra publicada.
A conversação, que se prolongou por uma boa meia hora, remeteu-me para uma época profissional e pessoalmente muito grata, aqueles quinze ou dezoito anos que se seguiram à Revolução de Abril.
Com Elisabete Silva Oliveira recordámos então, em conjunto, as aventuras que ajudaram a consolidar a forma e, sobretudo, o espírito da Educação Estética Visual, num País que então acreditava no Futuro e que dispunha de inabaláveis certezas sobre o incontornável papel que a Escola desempenharia nesse processo de (re)construção.
Daí a dias chegou-me, pelo correio, o volume. Educação Estética Visual Eco-Necessária na Adolescência é o seu título, “explicado” a seguir -Sete Décadas de Design Curricular em Portugal- e complementado por um CD anexo -Valoração do Processo Criativo pelo Professor. “Devorei-o”, é não é fácil fazê-lo, pela dimensão física das suas mais de trezentas páginas, carregadas de denso, preciso e precioso material. Também vi, e revi, o impressionante acervo documental contido no disco.
Essa experiência pessoal não foi a de um simples leitor. À modesta dimensão do meu papel, senti-me ali, também, um protagonista. Portanto, enquanto lia, acompanhava a leitura com uma grata retrospectiva de saudosos tempos, numa espécie de desfilar de memórias carregadas de pessoas, de sítios e de acontecimentos.
Elisabete Oliveira foi uma das mais empenhadas intervenientes no processo de afirmação e valorização duma área curricular que nem sempre dispôs de direitos de cidadania no concerto das disciplinas suas pares, ao nível de qualquer grau de escolaridade. Área curricular que -anote-se o lamentável retrocesso- perdeu hoje uma boa parte da justa dignidade já atingida.
Na sua obra, recordando com inteira justiça personalidades entre nós pioneiras neste duro caminho de afirmação da Educação Estética Visual, como Betâmio de Almeida (com quem estagiou) e Calvet de Magalhães (com quem trabalhou), Elisabete Oliveira traça depois as linhas essenciais dum percurso que terá atingido o seu apogeu nos tempos posteriores a Abril de 1974. O seu papel como pintora, docente, formadora, planeadora e consultora oficial, conselheira mundial da UNESCO, conferencista e, sobretudo, como investigadora, culminou com o doutoramento em Ciências da Educação (2005). O trabalho agora publicado tem precisamente como base a tese de doutoramento, e integra episódios da grata oportunidade pessoal que me foi proporcionada, quando modesta e empenhadamente me bati, em tempos heróicos, pelo processo de valorização dessa área curricular.
Entre outros temas, complementares, foram sobretudo dois os titulares essenciais dessa participação: a banda desenhada, enquanto pioneiro pretexto curricular, e a comunicação pela imagem, sobretudo a praticada na Operação ICAV, justamente considerada na obra em apreço como uma das mais conseguidas experiências pedagógicas alguma vez desenvolvidas em Portugal.
O livro e o disco de Elisabete Oliveira contêm banda desenhada da minha autoria e a transcrição parcial de um estudo pessoal sobre as implicações pedagógicas e sócio-culturais da BD, elaborado em 1976 a convite da Secretaria de Estado da Orientação Pedagógica e distribuído, como documentação e texto de apoio, aos professores do 7.º ano da escolaridade. Além disso, constam da obra algumas referências à minha activa participação em diversas iniciativas da Operação ICAV, tanto em França como em Portugal. O testemunho alusivo de algumas qualificadas companheiras de jornada, como Leonor Oliveira e Isabel Estrela, as significativas referências de Hélder Pacheco e Isabel Cottinelli Telmo, a persistente e justíssima lembrança de saudosos colegas já desaparecidos, como José Antunes da Silva, Rosinda Vieira ou Conceição Mendes (Concas), a presença, discreta mas real, de outros velhos amigos como Carlos Madeira, Alda Rodrigues, Jorge Bilhau, Manuela Costa, Carlos e Florinda Franca, José Bizarro e outros, tudo ali está. E muito mais...
Por mágicos instantes fui transportado para experiências únicas, intensamente vividas nesses fascinantes anos, revivendo-as agora numa saudade temperada pela memória, aqui grata, ali dolorida, mas sempre reconfortante, sobretudo porque de todo inesperada, a partir da “provocação” desencadeada por Elisabete Oliveira e pela sua notável obra, onde se inserem setenta anos duma história que vale a pena conhecer e divulgar. Dos capítulos partilhados, nem sei quais privilegiar, numa amálgama de sentimentos que se desprendem de mil episódios pessoais: os regulares “retiros” na solitária e quase perdida Praia Grande, onde discutíamos, avaliávamos e planeávamos os projectos colectivos desencadeados pelo ICAV; um fascinante tempo de férias de carnaval, talvez em 1966 (ou seria em 1967?), transformado em inesquecível acção de formação intensamente vivida na Escola Francisco de Arruda sob a responsabilidade directa de Mestre Calvet de Magalhães; uma prolongada e frutuosa reunião de trabalho ICAV, colectiva, aqui em Portalegre (Março de 1981), com a participação do próprio René la Borderie; a experiência, única e irrepetível, de ter criado, com o António Ventura e o Aurélio Bentes, a revista A Cidade (entre 1981 e 1984); sucessivos anos lectivos de grande e valiosa participação da nossa Escola Preparatória de Cristóvão Falcão, transformada em cadinho de iniciativas pedagógicas inovadoras, de mútiplos estágios de formação em serviço, de sucessivas experimentações de novos programas e de diferentes currículos, enfim, de apaixonadas e apaixonantes vivências quotidianas assumidas numa excepcional dinâmica colectiva; a eficaz acção que “ressuscitou” José Régio, outra parceria com o Ventura e o Bentes, em 1984, à revelia dos poderes oficiais; os períodos de intensa formação, e convívio, em França, subindo às alturas nas dunas do Grand Pilat,  descendo às profundezas das grutas de Villars, ou gritando ao ar livre e a plenos pulmões, com os irmãos gauleses do Périgord, na contagiante euforia da vitória de Miterrand; os tempos heróicos de implantação do Parque Natural, com o saudoso Luís Bacharel e o dinâmico Rui Correia; também aqui, mais tranquilamente, mas partilhando o mesmo empenho, as aventuras do Centro de Estudos de Banda Desenhada ou do pioneiro Festival de Diaporama, este em Novembro de 1981; as activas participações pessoais -e foram mais de sessenta entre 1978 e 1991- em tudo quanto foi colóquio, curso, conferência e seminário, de norte a sul, do litoral ao interior, quando a BD ou a comunicação pela imagem tal “exigiam”...
É imensa a minha gratidão para com todos os que acreditaram na minha capacidade para partilhar as exigências desses tempos duros, mas estimulantes e criativos, e convictamente me aceitaram como parceiro em tais projectos.
Um livro com memórias dentro. Mesmo que não provoque um semelhante regresso ao Passado -que isto é pessoal e intransmissível-, todos aqueles que se interessem pela história dos processos pedagógicos postos em acção em tempos fascinantes poderão perceber, um pouco, como e porque podem aqueles ganhar-se ou, sobretudo, perder-se pelos “acidentes” do percurso. Assim parece apresentar-se, infelizmente, o panorama do Presente.
Mas esta história de sete décadas de luta em prol da Educação Estética Visual, com os seus avanços e recuos, pode e deve representar, acima de tudo, um forte incentivo para a (re)conquista do Futuro.
Esta é a lição teórica, bem como o instrumento prático, que nos traz Elisabete Oliveira.
Pela minha parte, muito obrigado.
António Martinó de Azevedo Coutinho

Estrolábio

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O Estrolábio está a ser vigiado pela polícia de Londres
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Toda a notícia AQUI

terça-feira, junho 14, 2011

Ver para crer

Pois é. Mas afinal ainda não se vai embora. Disse que saía, mas não deu uma data. Ora, assim somos como São Tomé: Ver para crer. E querer!
Mas uma coisa é certa. A Câmara Municipal de Portalegre será deixada na pior situação financeira possível. Tudo será feito para que em 2013 o PSD venha a beber fel. Eleitoralmente falando.
A ‘última’ que lhe fizeram, foi nada lhe dizerem para participar na ‘arruada’ de Pedro Passos Coelho nas recentes legislativas no concelho de Portalegre. E, as imagens televisivas são mais do que elucidativas!, ‘destilava’ anti-PSD ao falar com Passos Coelho. Mas ao mesmo tempo via-se que se agarrava com todas as forças ao pau da bandeira do PSD.
Passar de sete vereadores para três na eleição seguinte, é obra! Talvez a maior obra que deixa, em dez anos à frente dos destinos da CMP.

António Martinó de Azevedo Coutinho

Dias 20 e 27 de Junho,
4, 11, 18 e 25 de Julho,
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segunda-feira, junho 13, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

O Acordo Ortográfico foi apresentado como ‘um instrumento essencial para a unidade da língua portuguesa e para o seu reconhecimento internacional’ (CPLP dixit). No entanto, para além das manifestações de analfabetismo que encoraja a seu pretexto (há quem tire consoantes de palavras que não as dispensam), é curioso ver como nem o Estado lhe dá muito valor. As traduções dos memorandos da troika disponibilizadas pelo Ministério das Finanças não seguiram as imposições do Acordo Ortográfico e, na campanha, nenhum partido fez dele uso nos programas eleitorais. Ou seja, escreveram ‘vectores’ e não ‘vetores’, ‘actividades’ e não ‘atividades’, ‘actual’ e não ‘atual’, ‘objectivo’ e não ‘objetivo’, ‘sectores’ e não ‘setores’, ‘directo’ e não ‘direto’, ‘trajectória’ e não ‘trajetória’, ‘optimista’ e não ‘otimista’, ‘tecto’ e não ‘teto’, ‘directiva’ e não ‘diretiva’, ‘selecção’ e não ‘seleção’, ‘acção’ e não ‘ação’. O PÚBLICO, que desde o início se opõe ao Acordo, espera que tal ‘desistência’ signifique o seu corajoso abandono, a bem da língua portuguesa e da sua saudável diversidade internacional.”
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Foi assim, sob o título Um Acordo Inútil (também transcrito, com a devida vénia) que o jornal Público preenchia parte do Editorial, na sua edição de Sábado, 4 de Junho de 2011, quando todo o País guardava um prudente silêncio apto à reflexão eleitoral.
Agora, passado tão cívico acto, parece uma boa altura para sugerir aos novos detentores do Poder que assumam, de facto, uma posição inequívoca.
Bem sei, sabemos todos, que os acordos são para cumprir. Mas, como até em relação ao que nos liga, pela troika, aos nossos financiadores, se admite já uma renegociação, por que não fazer o mesmo com aquele que nos obrigaria a uma vergonhosa e imbecil abdicação de um dos nossos mais valiosos patrimónios: a Língua?
O exemplo que o Público denuncia com coragem e rara oportunidade é bem revelador do desprezo, oficial, em que são tidas as imposições, absurdas, do acordo ortográfico. Se as decisivas traduções do memorando ou os recentes programas eleitorais dos partidos políticos ignoraram (e bem!) as “novas” palavras, amputadas e defeituosas, não pode ter sido uma mera distracção a causa fundamental destas coincidentes demonstrações verbais, por escrito. Passamos perfeitamente sem essas pedantes exibições de novo-riquismo literário, apenas aptas a criar mais confusões entre alguns dos cidadãos que não dominam minimamente os mecanismos da leitura e da escrita.
Se li bem, creio ter sido o PS -aliás principal responsável pelo acordo ortográfico- o único partido que declarou ser necessário promover a nossa identidade cultural, consolidando a sua aplicação no mundo de expressão portuguesa. Porém utilizou, sistematicamente, a escrita antiga!!!
O PSD explicitou a promoção de novas formas de apoiar o ensino do Português como língua materna, mas escreveu sempre à antiga moda!!!
Quanto ao CDS, que citou por diversas vezes a nossa língua no seu programa, até lembrando que ela é um factor de afirmação de Portugal, usou inequivocamente o idioma antigo!!!
Tanto o BE, que nada de específico disse sobre o tema em apreço, como a CDU (PCP), que apontou a necessidade de promover a expansão e qualificação do ensino das Língua e Cultura nacionais, tanto um como outra escreveram em português “fora-da-lei”, isto é, à “antiga portuguesa”...
Não ficaremos certamente por aqui. Vai-se aliás notando uma crescente frequência nas notas, deliberadas, que acompanham textos publicados em jornais, em blogs, em revistas e, até, em livros, alertando para o facto, assumido, de ser ali usada a ortografia antiga... Este desafio -enquanto clara e explícita rejeição das novas regras- significa uma tomada de posição consciente e combativa contra a violência cultural representada pelo acordo ortográfico.
Confesso que disponho de certa curiosidade em relação ao próximo ano lectivo, sobretudo em certos níveis da escolaridade, onde acontecerá a particularidade de coexistirem manuais impressos nas duas variantes: em língua antiga e em língua moderna, ou em Português e em Novilíngua...
António Martinó de Azevedo Coutinho

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