\ A VOZ PORTALEGRENSE: Maio 2011

terça-feira, maio 31, 2011

A desilusão na I República

A desilusão na I República
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Carlos I de Portugal nunca disse que Portugal era uma Monarquia sem monárquicos. Tal nunca passou de um cliché, utilizado para se afirmar que o povo estava farto do Regime e que o próprio rei disso tinha consciência.
Mas é verdade que no 5 de Outubro de 1910 poucos se colocaram ao lado do Regime Monárquico, esperando antes, no Rossio, que tudo se resolvesse sem grandes convulsões económicas e sociais. E assim a República foi implantada.
Mas aqueles que julgavam que tudo iria mudar, para melhor, cedo compreenderam que tudo continuava na mesma, só tinham mudado os chefes políticos, se bem que muitos dos ‘novos’ não passavam de ‘velhos’ que fervorosamente se banquetearam à mesa do rotativismo.
É de uma lucidez inquestionável o artigo de Maria Filomena Mónica, inserido na edição do semanário Expresso do passado sábado dia 28 de Maio de 2011, Primeiro Caderno, página 21.
Durante 2010 celebrou-se o centenário da implantação da República. Passados cem anos, as celebrações não passaram dos cenáculos políticos, e os principais eventos tiveram lugar e foram protagonizados pela maçonaria irregular. Alguma produção livresca alusiva saiu dos prelos, mas foi só este ano que começaram a aparecer trabalhos académicos sobre a Primeira República.
O texto do Expresso de Maria Filomena Mónica é, no fundo, um pequeno ensaio sobre a desilusão que foi o tempo que se4 seguiu a 5 de Outubro de 1910. A ler e a memorizar.
Mário Casa Nova Martins
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Os Selos da República
Por Maria Filomena Mónica
DETESTO FESTAS, galas e aniversários. No dia dos meus anos, trabalho como se nada fosse; não recordo o aniversário dos meus filhos; os meus netos parecem-me ter uma idade indefinida. Não admira que tenha reagido mal à ideia de celebrar o 5 de Outubro de 1910. Como se não bastasse ser forçada a assistir a mais uma comemoração, fui obrigada a ver e a ouvir dislates.
Vem isto a propósito de uns selos dos CTT que anteontem chegaram a minha casa, apostos num embrulho. Eis as palavras colocadas por debaixo dos bonecos que os ilustram. No primeiro, pode-se ler: «História das Liberdades. Em 1910 a notícia da implantação da República foi acolhida com manifestações de entusiasmo popular» e, no segundo, «História das Liberdades. Na República Portuguesa cada um é senhor de conduzir o seu destino, o que merece ser festejado». A fim de que não subsistam equívocos, esclareço, desde já, que não sou monárquica nem alimento sentimentos nostálgicos em relação ao Estado Novo. Apenas prezo a verdade histórica.
Vamos a ela. Durante a Monarquia, a República significou quatro coisas: «bacalhau a pataco», o derrube da «tirania», a expulsão da «reles canalha da batina» e o sufrágio universal. Era isso que a propaganda prometia. Depois, embora o rei tivesse desaparecido e os padres fossem humilhados, nem a alimentação ficou mais barata, nem os trabalhadores puderam votar em maior número, nem as liberdades aumentaram. Dois meses apenas após a queda do regime monárquico, quando ingenuamente os operários começaram a reivindicar uma vida melhor, a República promulgou uma lei restritiva das greves, que passou à História como o «decreto-burla».
A mudança tão pouco favoreceu a participação política. Uma vez no poder, os Republicanos perceberam que, se dessem o voto a todos os portugueses, seriam derrotados, uma vez que os camponeses jamais votariam neles. Daí a lei eleitoral de 1913, a qual, a pretexto de combater o «caciquismo», retirou o voto aos analfabetos, ou seja, à maioria da população. O número de recenseados desceu logo para metade: de 846.801 passou a 395. 038, a proporção mais baixa desde 1860. À medida que a República mostrava a sua verdadeira face, o eleitorado de Lisboa desinteressava-se do voto. A abstenção, que, em 1911, fora de 13%, subiu, em 1919, para 80%.
Há pior: a República começou a prender indivíduos sem os julgar. Em meados de 1912, existiam 2.382 presos políticos, muitos deles operários que haviam participado na greve geral de Janeiro desse ano. Não admira que os trabalhadores acabassem por aderir, em massa, ao anarco-sindicalismo, uma doutrina que proclamava o que eles sentiam: os políticos, todos os políticos, eram uns vermes. Em suma, a República não respeitou as liberdades.

Robert Brasillach e Henri Massis

Vindo do Porto, chegou este livro escrito no calor da contenda por Henri Massis e Robert Brasillach, que é um testemunho vibrante do que então viveu a belíssima Toledo.
Datado de 1936, retrata fielmente os caracteres psicológicos de ambos os lados, dando o retrato das angústias e esperanças que habitavam sitiados e sitiadores.
 Mário Casa Nova Martins 

segunda-feira, maio 30, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

É apenas uma bronca, mais uma, no alucinado reino da educação indígena. Desta vez, mais uma vez, é sobre provas escolares. O episódio vem glosado, o gozado, em tudo quanto é sítio público.
Vale a pena recordá-lo, uma vez mais.
Aconteceu num recente teste intermédio da disciplina de Físico-Química, oficial e nacional, proposto aos alunos do 9.º ano de escolaridade.  A prova foi elaborada pelo gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação. Entre outras perguntas (algumas igualmente risíveis!) encontrava-se a seguinte:
Repito, para que se possa encarar isto como merece, que se trata duma prova nos domínios da disciplina de Físico-Química, destinada a alunos do 9.º ano de escolaridade, situados portanto no escalão etário dos 15/16 anos.
Como é evidente, mesmo para quem não se mova nos domínios da Educação, a pergunta mais óbvia que se impõe será a de nos interrogarmos sobre os objectivos, ou metas, que os “especialistas” do tal Gabinete pretendem avaliar.
Saber contar até oito, e nada mais é preciso para responder correctamente a esta questão, situar-se-á no seio dos lúdicos entretenimentos de um qualquer jardim de infância que se preze. Pessoalmente, nos tempos que passam, nem me atrevo a situar esta exigência nos domínios da escolaridade mais básica. Até mesmo qualquer analfabeto funcional sabe contar, no mínimo, até vinte...
Que secreto domínio da ciência Físico-Química estará aqui, submerso ou oculto, nas complexidades do enunciado da questão? - será outra das perguntas que também apetece formular, dirigida aos “especialistas” ministeriais.
Como é óbvio, este anedótico episódio tem servido para as mais inflamadas críticas e risotas anexas.
O catedrático Carlos Fiolhais, responsável pelo Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, comentou assim o tema, num jornal diário: “Essa pergunta é uma coisa verdadeiramente inacreditável, que mostra o estado horrível a que o nosso sistema de ensino chegou. (...) Há várias perguntas no teste que não avaliam mais do que a capacidade de ler, fazer contas simples e até de desenhar. Aquilo é Física? Acho que não. (...) Se calhar estão a insultar milhões de portugueses. Isto são as Novas Oportunidades aplicadas a todo o sistema de ensino.
A máquina ministerial, de facto, parece ter vindo a encarniçar-se contra os professores, centrando quase todas as atenções na sua avaliação.
No presente caso -envolvendo também uma questão de avaliação- os responsáveis ministeriais revelaram uma aflitiva carência de qualidade mínima, parecendo apenas preocupados com a obtenção de resultados estatísticos onde sejam disfarçadas as flagrantes debilidades do nosso sistema de ensino oficial.
 
PS – Não resisto à tentação de citar mais um comentário do Professor Carlos Fiolhais sobre a cretina questão planetária: “A própria formulação da pergunta é absurda. Informam que Plutão já não é classificado como um planeta desde 2006 mas depois acrescentam que ‘continua a fazer parte do sistema solar’, não fosse haver o risco de os alunos acharem que se tinha ido embora...
Provavelmente para a Lua -acrescento eu- fazer companhia aos criadores do teste!
António Martinó de Azevedo Coutinho

domingo, maio 29, 2011

CRATO - PH+Z=Q?


PH+Z=Q?
Concerto da Primavera no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa
A Câmara Municipal do Crato organiza, a 29 de Maio de 2011, pelas 17h00, no Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, o Concerto da Primavera intitulado “PH+Z=Q?”, um conjunto de canções, peças instrumentais e Romancero Gitano para coro e quarteto de guitarras com poemas de Federico Garcia Lorca interpretados pelo Coral Publia Hortensia, sob a direcção de Paulo Brandão, e Zyriab Quartet de Luís Roldão, Daniel Sousa, Luís Miguel Aveiro e Ricardo Nogueira.
O modo como está estruturado o concerto explica o seu insólito título em que o inesperado Q resulta do encontro entre PH (um coro) e Z (um quarteto de guitarras). Estas são as”expressões musicais” desta equação. Neste concerto propomos que cada uma delas actue individualmente entre canções interpretadas a capella, composições para quarteto de guitarra, revelando no fim a sua soma na interpretação do Romancero Gitano de Mário Castelnuovo Tedesco com textos de Federico Garcia Lorca.
Um concerto a não perder e que conta ainda com o apoio da Direcção Geral das Artes, do Ministério da Cultura.
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Luís Pargana

CRATO - “A Margem na Margem”


Exposição de Pintura “A Margem na Margem”
de RAFAEL CALDUCH
Logo após o concerto será inaugurada a exposição “A Margem na Margem” de Rafael Calduch, pintor, gravador, investigador e Professor Catedrático da Faculdade de Belas Artes da Universidade Politécnica de Valência, Espanha.
Nesta mostra Rafael Calduch apresenta um conjunto de 30 quadros, seguindo um processo construtivo feito no essencial à superfície por impressões de cor, numa linguagem depurada de formas que conduz a uma noção de quadro como um espaço de vestígios/testemunhos.
Esta exposição estará patente no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa até 30 de Junho de 2011.
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Luís Pargana

Jorge Teixeira - Excentric

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Portugal é capaz em muitas áreas de negócio, investigação e inovação. Somos (também) um país que faz, inova, vence. Este vídeo foi feito por um grupo de cidadãos multipartidário e pretende dar força,…

Escola Secundária de São Lourenço

"ESSL - 125 anos de histórias da História"
Livro de Isilda Garraio
4 de Junho de 2011, 15h00

sábado, maio 28, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

CEGUEIRA VOLUNTÁRIA

Repetitivo e desfasado da realidade é desta forma que se pode caracterizar o discurso do presidente da Câmara Municipal de Portalegre, esta tarde, na sessão solene comemorativa dos 461 anos da elevação de Portalegre a cidade.
Num concelho onde mais de 900 famílias vivem em situação de pobreza, segundo a Cáritas Diocesana, e num distrito com cerca de 10 mil desempregados, Mata Cáceres teve a ousadia de voltar a desafiar os portalegrenses a “assumir o controlo pelos destinos de Portalegre”.
O investimento privado em Portugal e muito particularmente no distrito de Portalegre desceu a níveis nunca vistos nos últimos anos, mas o autarca eleito pelo PSD continua a fazer crer aos portalegrenses que o concelho está à beira de um novo ciclo de expectativas.
Repetindo o que já tinha dito em outras ocasiões, Mata Cáceres, reafirmou que “estão em perspectiva investimentos de natureza privada de importância transcendente para o concelho de Portalegre”.

Transcrevi atrás, rigorosamente, o texto patente na página da Rádio Portalegre disponível na Internet, a partir do dia 23 de Maio de 2011. Embora devidamente assinado, este bloco dedicado ao discurso oficial que marcou a sessão solene comemorativa dos 461 anos da elevação de Portalegre a Cidade e dos 500 anos do respectivo Foral Manuelino oscila entre o objectividade dum noticiário e a subjectividade dum comentário. Nem sequer, aqui e agora, me atrevo a lançar uma proposta de discussão da óbvia fronteira ética que separa -ou devia separar- a natureza e a oportunidade de ambos os textos: a notícia e a opinião.
Tenho como rigorosa verdade a classificação aplicada ao discurso. Já todos os portalegrenses ouviram, mil vezes repetidas, estas palavras sempre arrumadas em frases que se tornaram ocas, demagógicas, desprovidas de qualquer sentido autêntico. Nem sequer dispomos da garantia de que o seu próprio autor nelas acredite. O que todos podemos viver, no quotidiano duma cidade que quase perdeu sentido e que não dispõe de qualquer argumento válido para justificar confiança no seu futuro, é o resultado lógico duma governação débil, impotente, contraditória, decepcionante, sem qualquer linha orientadora visível,  flutuando ao sabor do acaso, desperdiçando oportunidades e mostrando-se incapaz de qualquer intervenção decidida, do tal murro na mesa que, em tempo útil, travasse e invertesse a queda para o abismo...
Já todos conhecemos de cor e salteado as mesmas fantasiosas e vagas promessas de investimentos virtuais em que gostaríamos de acreditar, já todos antecipadamente abominamos os improvisos, construções gramaticais carregadas dos mesmos chavões, sempre iguais, ditas num característico tom monocórdico, esvaziadas de qualquer sentido utilitário. Entre nós, o virtual tomou, desde há muito, o lugar da realidade e a fantasia mais pessimista parece ter-se apossado do nosso melancólico destino.
Mas a crise, a tal que se tornou alibi e desculpa até nos mais altos níveis da nossa mediocridade política nacional, não explica nem desculpa tudo.
A nossa condição de cidade, agora festejada, está claramente posta em causa. Os documentos reais que, há 500 e 461 anos, elevaram a cotação portalegrense no concerto das terras nossas pares e, muito mais recentemente, a nossa promoção a capital de distrito, tudo isto parece agora irreal, imerecido, injustificado...
Fomos perdendo, ao longo das últimas décadas, uma boa parcela do natural orgulho que qualquer cidadão deve manter pela sua terra natal. E este quebra -cívica, moral e intelectual- acentuou-se dramaticamente desde há uma dezena de anos. Não se trata, infelizmente, dum mero sentimento pessoal, privado; assumem-no crescentemente, no colectivo, grupos de cidadãos que ainda procuram manter alguma lucidez, autónoma, misturada com a mais legítima indignação. E é imperioso que tais testemunhos assumam a clareza de uma firme denúncia pública. Neste capítulo, apesar das reservas que atrás deixei expressas, a Rádio Portalegre prestou um significativo serviço público.
Numa recente entrevista concedida ao jornal Alto Alentejo, em discurso directo, o senhor presidente da autarquia portalegrense respondeu a “uma das fortes críticas feita à câmara: a falta de manutenção e limpeza da cidade”. Invocando os parabéns recebidos há pouco tempo da parte do presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão, pela forma (estado de limpeza) em que este encontrara a cidade, o responsável máximo pela urbe perdeu-se depois no seu próprio e habitual discurso, nada respondendo, no concreto, a essa justa e pertinente crítica. A verdade, patente a todos os que calcorreamos diariamente as ruas de Portalegre, é que a cidade está abandalhada e imunda. Como nunca.
Nessa entrevista, o presidente foi confrontado com  uma outra questão pertinente, a de como será recordado pelos portalegrenses no dia em que abandonar o cargo. Como resposta, surgiu a lógica afirmação de que, mais importante do que a sua própria opinião pessoal, conta o que as (outras) pessoas pensam. E acha que ficará indissociavelmente ligado a um conjunto de coisas que se fizeram. É verdade, mas monsieur de La Palice não diria melhor. 
Para mim, e seguramente para algumas outras pessoas, este presidente ficará também ligado ao que não (se) fez e, também, ao que (se) fez mal, talvez mesmo muito mal. É o caso, também indissociável e infelizmente irrepetível, do Programa Polis. Foi uma oportunidade ingloriamente perdida que deixou mais feias cicatrizes do que bem sucedidas plásticas...
Como portalegrense, lamento muito deixar convictamente, aqui e agora,  este testemunho. E nem sequer o sinto ou assumo como um acto de coragem cívica, pois é muito mais um lamento de dor. Insuportável.
É que, embora por pouco tempo, fui um dos que acreditaram em que Portalegre, sob o impulso decidido, enérgico e inteligente dum homem com provas dadas, poderia finalmente seguir um inequívoco rumo de afirmação e de progresso. Porém, quase tudo aconteceu ao contrário: o passado foi escarnecido, o presente desperdiçado, o futuro hipotecado...
Portalegre está hoje como está, embora ainda haja quem não veja, com desapaixonada isenção, o estado a que chegámos.
Até quando?
António Martinó de Azevedo Coutinho

sexta-feira, maio 27, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

CRÓNICA QUARTA

No seu corajoso e esclarecido depoimento, Vasco Graça Moura abordou muitas outras questões igualmente pertinentes, como as da área económica, ao nível das consequências editoriais do Acordo.
Recordemos o que ele disse a tal propósito:
“... Mais de 40 milhões de pessoas seguem a norma portuguesa. De facto, não se trata de contrapor 10 milhões de portugueses a 180 milhões de brasileiros. Tratase de considerar que, de Portugal a Timor, passando por Cabo Verde, pela GuinéBissau, por S. Tomé e Príncipe, por Angola, por Moçambique, por Goa, por Macau, e pelas comunidades portuguesas e dos PALOP dispersas no mundo, há mais de 40 milhões de seres humanos que seguem a norma portuguesa. É, antes de mais, quanto às competitividades em presença no interior do universo da língua portuguesa que a questão do seu valor deve ser analisada. A adopção do Acordo redundará em total benefício do Brasil. Os PALOP e Timor ficarão completamente dependentes da edição e das indústrias culturais brasileiras. E isso virá a acontecer em Portugal. No resto do mundo, o Acordo não fará aumentar numa só página a quantidade de peças traduzidas, numa só pessoa o número de estudantes ou falantes da língua e num só forum internacional a utilização dela. Os prejuízos serão astronómicos: ficarão inutilizadas existências gigantescas de dicionários e livros escolares nas linhas de produção e nos armazéns dos editores; as famílias terão de suportar custos inadmissíveis na compra de novos materiais; milhões de livros adquiridos pelo Plano Nacional de Leitura e pelas bibliotecas escolares tornarseão inúteis para os jovens;  a importante posição das exportações da edição portuguesa para os países africanos acabará por se perder. Tudo isto constitui um daqueles casos clássicos em que, no médio prazo, a previsão de despesas supera catastroficamente a das receitas.
Passados três anos sobre estas lúcidas, embora apocalípticas, afirmações, que panorama se vive actualmente no nosso mundo editorial?
Muito recentemente, e pouco a pouco, começam a surgir alguns dados, ainda incipientes e pouco seguros. A propósito da recente Feira do Livro de Lisboa, em Abril/Maio, os jornais trouxeram à liça a questão do Acordo Ortográfico nas suas implicações editoriais. Assim, o Correio da Manhã, em 23 de Abril passado, ostentava o título Acordo até Setembro, encimando um interessante artigo onde era dada conta de que, depois do longo impasse, chegava a mudança: as grandes editoras iriam adaptar-se nos próximos meses às novas regras do acordo ortográfico, não só nos manuais escolares mas também nos romances e nos clássicos literários, à medida  que estes forem reeditados. No entanto, estas “convicções” eram logo desmentidas quando ficávamos a saber que as editoras deixarão aos autores (vivos) a soberana decisão pessoal de seguirem a grafia que entenderem, respeitando-a, sem qualquer resistência, nas respectivas publicações.
Poderá facilmente adivinhar-se a confusão a breve trecho reinante, com a coexistência de duas normas no mundo da literatura nacional... Provavelmente, a futura opção de cada leitor respeitará, para além do estilo e do universo criativo pessoal dos autores predilectos, a escolha da “clássica” ou da “novíssima” ortografia por cada um deles respectivamente praticada.
Isto até serem eventualmente consideradas fora da lei todas as obras escritas em português antigo (apetece-me escrever: autêntico!)...
Provavelmente, serão mais tarde criados dois sindicatos dos homens de letras: o dos inovadores e o dos resistentes...
O mirandês e outros dialectos minoritários serão exterminados e os galegos ficarão confusos na prática do seu proverbial e autêntico amor pela língua de Camões.
Fiquemos, para meditação, com mais um murro-na-boca-do-estômago que Vasco Graça Moura nos aplicou há uns tempos:
“... O Acordo resulta de uma iniciativa de José Sarney que, em 1986, enviou um emissário aos PALOP com essa finalidade. Para o Brasil, mais realista e mais pragmático, tudo era, desde o início, uma pura questão de mercado. Só para alguma ingenuidade lusitana, mais propensa à metafísica, é que se trata de assegurar a ‘unidade’ da língua
António Martinó de Azevedo Coutinho

quinta-feira, maio 26, 2011

SLB - Balanço para esquecer

Balanço p'ra esquecer
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Com a final da Taça de Portugal terminou no passado domingo oficialmente a época de futebol, se bem que alguns campeonatos ainda continuam. Coisas do futebol português, onde vigora a ilegalidade e a corrupção, sem que as entidades competentes para tal tomem as medidas necessárias para repor a verdade desportiva.
E o sector mais corrupto é sem dúvida o da arbitragem, onde se ‘fabricam’ campeões, lugares europeus e descidas de divisão. Com a total impunidade! Não é por acaso que as entidades que regulam o futebol a nível mundial, se recusem tenazmente a introduzir as denominadas modernas tecnologias no futebol. A verdade desportiva não passa de um conceito!
O Sport Lisboa e Benfica ganhou a Taça da Liga, uma competição ‘menor’ mas com total mérito, e ficou em segundo lugar na Liga principal, lugar que lhe dá acesso às eliminatórias para a entrada na Liga dos campeões.
Quanto ao percurso desportivo na Liga, há que dizer que no inicio da época tinha todas as condições para voltar a ser campeão. E não o foi por culpa própria.
No campo desportivo, o treinador provou não ser o homem certo no lugar certo. Decisões técnicas e tácticas erradas em jogos capitais. Insistência num guarda-redes que provou não ter capacidade para o lugar. Decisões muito discutíveis quanto à formação de equipas secundárias em jogos em que o SLB tinha forçosamente que vencer. Má planificação da época, e discurso sem fio condutor. Tudo mau de mais.
No campo directivo acentua-se a incapacidade de liderança do presidente. O tratamento por ‘tu’ entre presidente e treinador, fragiliza sempre quem lidera, e dá a ideia de que o primeiro é ‘refém’ do segundo. Também com um discurso cada vez mais errático, logo desfasado da realidade, começa a ser preocupante. O medo de quem alguém dentro do SLB lhe dispute a liderança, fá-lo entrar em ciclos paranóicos, que se traduzem em contratações de jogadores onde o binómio qualidade/preço é sempre lesiva para o SLB.
O presidente do SLB vive rodeado de bajuladores, que lhe turvam a realidade. O canal televisivo “Benfica TV” intoxica os espectadores com inverdades, ou quanto muito meias-verdades, sobre os reais problemas do SLB. A “Benfica TV” tornou-se num canal em que apenas vale a pena ver os jogos que transmite. Os programas de opinião são facciosos, contribuindo para o descrédito do próprio SLB.
O Sport Lisboa e Benfica é um ‘gigante’ que continua ‘adormecido’. Há que ter novas ideias e nova gente a tomar o seu destino.
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, maio 25, 2011

Fernando Correia Pina

Linha 8956

Três velhos dormitando. Um cão vadio.
Um varredor suspenso dum cigarro.
Um mover de cabeças quando um carro
se atreve a perturbar este vazio.

As casas todas brancas. Solidão
de ocres rodapés entrecortada.
Um gaiato de férias olha a estrada
senhor do império breve do verão.

Na praça onde o tempo se revela
confluem várias ruas sem ninguém,
uma mulher de preto à janela

brincando com um gato se entretém.
E mais só vos direi, de quanto vejo,
que é triste atravessar o Alentejo.
Fernando Correia Pina

Escola Secundária de São Lourenço

«As grandes navegações do século XV, do ponto de vista científico e tecnológico, implicaram um enorme passo em frente. Foi preciso desenvolver a matemática, a astronomia, a ciência náutica, modificar a forma e a vela dos navios, saber orientar-se noutro hemisfério, com novas constelações de estrelas. Escrevemos, no século XV, tratados de construção naval, aperfeiçoámos os navios, nos estaleiros junto de Lisboa, surgiu a primeira escola portuguesa de cartografia, conseguimos calcular com exactidão a latitude, cuja escala no século XVI introduzimos nas cartas e mais tarde outra, aproximada, de longitudes (só no século XVIII se chegaria com exactidão ao cálculo da longitude). Adquiriram-se novos conhecimentos na zoologia, botânica, medicina, farmacologia, estudo das línguas, etnologia, geologia. Não estivemos sozinhos nesse empreendimento, mas a nossa parte não podia ser ignorada.»
Teolinda Gersão
A Cidade de Ulisses (Sextante Editora), pág. 51
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Teolinda Gersão fala sobre 'A Cidade de Ulisses'
no Diário Câmara Clara 
http://www.youtube.com/watch?v=UICUMeiFJFk&feature=player_embedded

terça-feira, maio 24, 2011

Hergé - Tintin

Este hors-série do Le Monde data de Dezembro 2009 / Janeiro 2010. Adquirimo-lo no stand TINTIN na Feira do Livro de Lisboa deste ano.
É composto por três partes.
A primeira é «Le Monde Sólon Hergé», com os subtítulos «La géopolitique d’Hergé», «Hergé grand repórter», «Le «politiquement correct» e «Portfolio».
A segunda «La ligne claire dans tous ses états», com os subtítulos «L’école de Bruxelles» e «Portfolio».
E a terceira «La seconde vie des héros de BD», com os subtítulos «Entretiens exclusifs», «Survivre ou nom à son auteur», «Au pays des Tintinophiles» e «Um Musée Hergé».
Mais do que um número para guardar, uma mais-valia para melhor se conhecer o Mundo de Hergé.
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, maio 23, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

VII – Almaraz, tanto fez como tanto faz!?

A prática normal da comunicação/informação encontra muitos obstáculos, mesmo em plena vivência democrática. Basta contabilizarmos a quantidade impressionante de provedores do espectador/leitor que por aí abundam...
Já nem sequer falo dos segredos em voga, segredo de Justiça, sigilo bancário, segredo de Estado, sigilo deontológico, segredo de confissão...
Aqui, provavelmente, impera o segredo nuclear. Em vez duma informação transparente, que anule os boatos, que corrija as meias verdades, que denuncie as meias mentiras, que nos avise, nos tranquilize ou nos assuste, enfim, que seja autêntica, em vez disso preferem os responsáveis (!?) manter um prudente silêncio.
O resultado está à vista...
Já dei conta da minha inclinação, já relatei as minhas perplexidades e as minhas dúvidas. Falta dizer que fiz muitas outras consultas, procurando um fio condutor, um esclarecido e inequívoco testemunho que me ajudasse a perceber e a ajudar a perceber.
Encontrei alguns textos e, sobretudo, registos vídeo muito interessantes. Podia facilmente promover a iniciativa de que fossem aqui reproduzidos mas, reflectindo sobre os seus conteúdos, díspares, flagrantemente alarmistas alguns, sonolentamente tranquilizantes outros, preferi a alternativa de uma mais livre e personalizada modalidade: a de deixar a cada interessado o risco e a responsabilidade dessa pesquisa e/ou consulta, partindo de lógico princípio de que os leitores deste blog têm fácil acesso ao vasto manancial do YouTube.
Nos arquivos do SAPO, da RTP ou da SIC, existem também registos de reportagens ou simples blocos de noticiários alusivos ao tema ALMARAZ. Nos arquivos mais antigos, mas sobretudo na actualidade, aguçada pela tragédia do Japão, as centrais nucleares voltaram a ser assunto com interesse imediatista.
Não resisto, no entanto, a deixar aqui uma sugestão concreta: entre todo o vasto material que vi e ouvi com a maior atenção, destaco uma série de seis videogramas contendo uma reportagem levada a cabo pela cadeia de televisão espanhola TeleCinco, intitulada Diario de... una amenaza (centrales nucleares). É este o preciso texto a colocar na caixa de pesquisa do YouTube. Trata-se duma corajosa, sugestiva e imparcial reportagem, concretizada pela jornalista Angela Izcara e pela sua equipa, embrenhadas nas profundidades e riscos de um tema complexo, onde procuraram colher testemunhos de todas as partes, opositores e defensores do projecto, vítimas e beneficiários, autarcas, cientistas, autoridades, operários, universitários e o próprio responsável máximo pela central nuclear de Almaraz...
Ao longo de cerca de uma hora, num relato denso e fascinante, por vezes quase obsessivo, a jornalista percorre e faz-nos percorrer locais como as próprias centrais, um cemitério nuclear, oficinas, residências, hospitais, repartições públicas, ruas e campos, em suma, todo um mundo repartido entre Garoña e, sobretudo, Almaraz.
Enfim, depois, que cada um decida por si.
Tenho para mim, concluindo, uma firme opinião. Prefiro viver na inquietação, avisado até aos limites da verdade, do que permanecer tranquilo e logo sossegadamente morto, antes do tempo.
António Martinó de Azevedo Coutinho

José Carvalho

HISTÓRIA DAS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
E O PORTUGAL DO SEU TEMPO
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Anúncio de um livro que merece toda a atenção para este período que estamos a viver. Período em que as comemorações à volta do centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima se começam a ouvir.
Trata-se da obra: «HISTÓRIA DAS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA E O PORTUGAL DO SEU TEMPO. Álbum comemorativo dos 100 anos das Aparições (1917-2017)».
Como refere o Professor Doutor João César das Neves, Catedrático da Universidade Católica Portuguesa, no prefácio à obra:
«No meio da vasta literatura sobre Fátima, este livro é ... uma mensagem inesperada. Nestes quase cem anos já se escreveu quase tudo, de estudos científicos sólidos a disparates encartados, passando por obras devotas e turísticas. Não era de prever que algo ainda viesse surpreender os leitores. Mas o livro de José Carvalho consegue-o.
Primeiro pelo esplendor da imagem. A colecção de fotografias deste álbum traz-nos o sabor de tempos antigos e incomparáveis... Mas a principal surpresa é outra. Os volumes deste tipo costumam valer pela estética. A prosa limita-se a meras palavras de circunstância, que pouco mais fazem que de filetes às fotos. Não é costume o texto ser rigoroso, fundamentado, perspicaz e provocador, informativo e coalhado, também ele, de citações de intervenientes que constituem uma outra preciosa colecção de imagens.
Esta "História das Aparições de Fátima e o Portugal do seu tempo"... inclui-se entre os poucos trabalhos históricos cuidados sobre o tema».
Está agora a chegar às livrarias!
VIDEO DA ENTREVISTA DADA À RTP AÇORES:
NOTICIA DO LANÇAMENTO DA OBRA NA ECCLESIA:
Aguardamos pelos vossos doutos comentários e estamos ao inteiro dispôr.
Cordialmente,
José Carvalho
N. B. - a quem deseja adquirir o álbum, mas não o encontra nas livrarias, pode fazer o pedido directamente ao editor, que o envia pelos CTT:
Publiçor-Publicações e Publicidade
Rua Praia dos Santos 10
9500-706 PONTA DELGADA
tel. 296 630 080
fax. 296 630 089
Para algum esclarecimento extra, podem contactar o autor do livro através deste e-mail ou dos contactos abaixo indicados:
José Carvalho, Professor e Investigador de História
tel. 91 831 65 97 / 93 423 8703 / 96 461 94 27

domingo, maio 22, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

BANDEIRAS E FARRAPOS...
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O venerando chefe de Estado terá enviado uma mensagem ao clube, considerando que a vitória do F.C. do Porto “dignifica o futebol português e honra o desporto nacional”. Outra eminente figura pátria, o presidente da Federação Portuguesa do Pontapé na Bola, declarou que foi “uma grande vitória do nosso futebol”. Citei jornais da (nossa) época.
No entanto, qualquer espectador isento e esclarecido, perante o cenário vivo da festa, julgaria estar em presença da final da Taça dos Libertadores da América. De facto, o que todos pudemos ver foi um grupo de jogadores, legitimamente envolvidos pela glória do triunfo, desfraldando orgulhosamente as bandeiras nacionais do Brasil, da Argentina, da Colômbia e do Uruguai... (é verdade que também, minoritariamente, as da Polónia, da Roménia e de Cabo Verde).
Acontecera a final da Liga Europa, jogada por 27 futebolistas profissionais de duas equipas portuguesas, entre titulares e suplentes utilizados, com as seguintes nacionalidades: 12 brasileiros, 3 colombianos, 2 argentinos, 1 uruguaio e 1 peruano (19 sul-americanos!), mais 1 romeno, 1 cabo-verdiano naturalizado português e... 6 portugueses.
Este foi o retrato, rigoroso, do nosso desporto-rei exibido à Europa e ao Mundo, portanto a verdade publicada sobre o futebol português, sobre o desporto nacional.
Aliás, tudo isto vem na lógica sequência do incrível e surrealista antecedente exibido pelo glorioso Benfica, retrato e símbolo mítico da Pátria, a quando da sua participação no Torneio de Amsterdão, em Julho de 2009, onde Jorge de Jesus fez alinhar contra o Sunderland quatro brasileiros, quatro argentinos, um uruguaio, um paraguaio e um... espanhol!
Em relação à passada época, a Liga Profissional de Futebol Português indicou oficialmente a existência de 774 jogadores estrangeiros (de 53 distintas nacionalidades), preenchendo quase 20% dos lugares disponíveis nos 174 clubes portugueses inscritos nas competições nacionais.
Nada tenho contra esta “legião estrangeira”. Apenas saliento o retrato que, a tal propósito, acabámos de patentear em Dublin. E foi aqui que o episódio das bandeiras se inseriu. Até sou daqueles que não gostam de misturar o Futebol com a Política ou com a Pátria. Mas, ainda a este propósito, sou forçado a lembrar que a única (e bem controversa) personalidade que foi capaz de pôr um povo abúlico e sonolento a vibrar com hinos e com bandeiras foi precisamente um estrangeiro, de nome Scolari e de alcunha “Filipão”. Os restos desta “patriótica” campanha ainda por aí estão, em farrapos pendentes de antenas de automóveis e de estendais da roupa...
A verdade, verdadinha, é que um hino é mais do que uma cantiga e uma bandeira é mais do que um trapo. Ou deviam sê-lo!
O episódio irlandês das bandeiras vale pelo que vale, mas encerra uma lição em que convém meditar um pouco. Provavelmente, será legítimo que cada jogador, como ser humano dotado de sentimentos e até como saudoso emigrante, queira mostrar algum orgulho exibindo um claro sinal da sua terra distante, sabendo que aí o estarão a observar e tendo exacta consciência do valor simbólico e afectivo do seu acto, quando assim liga a alegria da vitória à lembrança do torrão natal. Portanto, nesse momento supremo do triunfo, não é um símbolo clubista que lhe interessa (esse transportou-o colado ao tronco e às vezes até o despe!) mas um outro bem mais perene, bem mais íntimo e definitivo: o da Pátria.
E é daqui que ressalta a profunda, a abissal diferença. É que entre os vencedores estavam três portugueses, todos internacionais, que se “esqueceram” da bandeira do seu Portugal. Rolando, um desses três, até ostentou a de Cabo Verde, onde nasceu...
Simão, quando no ano passado o “seu” Atlético de Madrid ganhou esta mesma taça da Liga Europa, passeou-a embrulhado na nossa bandeira, e assim fizeram Ronaldo e Nani na vitória inglesa do Manchester em 2008, e Figo e Mourinho  o mesmo protagonizaram em diversas ocasiões, todas documentadas por gratas imagens de arquivo...
Servirá de atenuante ou de agravo meditar numa mensagem “explicativa” que infelizmente passou quando inúmeros testemunhos do “povo anónimo” presente em Dublin fizeram sentir que aquilo era uma festa circunscrita ao Norte e não ao País real e unitário? Seria isto inspirado na presença do “caudilho” nortista Pinto da Costa, intérprete e imagem de um regionalismo politiqueiro e mal amanhado, que tantas vezes aqui tem dado lugar a equívocos sentimentos “separatistas”?
Seja como for, não ficámos bem nesta fotografia disponibilizada a todo o Mundo...
Houve um cronista da nossa praça que, a este propósito, até lembrou os meninos do Huambo, na inspirada canção de Rui Monteiro soberbamente interpretada por Paulo de Carvalho:
          Os meninos à volta da fogueira
          Vão aprender coisas de sonho e de verdade
          Vão aprender como se ganha uma bandeira
          Vão saber o que custou a liberdade
Portanto, sem falsos nacionalismos e sem patriotismos de ocasião, o mais tolerante e compreeensivo comentário que se poderá dedicar ao flagrante “esquecimento” de João Moutinho e de Varela é o de que estes deveriam fazer um próximo e urgente estágio em Cascais, a fim de que os autores daquele vídeo recentemente dedicado à Finlândia lhes recordem um pouco do nosso passado histórico, precisamente o de uma Pátria pela qual devemos manter, apesar de tudo o que agora nos acontece, algum legítimo orgulho e um claro sentimento de inequívoca pertença.
António Martinó de Azevedo Coutinho

Além-Mar

sábado, maio 21, 2011

HOJE - FINIS MUNDI

http://revistafinismundi.blogspot.com
Estatuto Editorial
A revista Finis Mundi é uma revista trimestral que se rege pelas ideias inerentes ao livre pensamento, à liberdade de expressão e ao pluralismo de ideias;
A revista Finis Mundi é independente do poder político, do poder económico e de quaisquer grupos de pressão;
A revista Finis Mundi não perfilha nenhuma ideologia política, rácica ou qualquer crença religiosa, sendo a sua conduta o respeito por todas as ideias e crenças, desde que estas se perfilem dentro dos ideais da democracia, da portugalidade, da lusofonia, do respeito pelo ser humano e pelos direitos humanos;
A revista Finis Mundi vai tentar dar voz a uma minoria que já não se consegue identificar com grande parte dos conteúdos vagos oferecidos noutras publicações;
A revista Finis Mundi foi pensada não para os quiosques onde se amontoam revistas de banalidades mas para as livrarias que são, hoje como sempre, o último bastião de qualquer cultura;
A revista Finis Mundi tentará assumir-se como um veículo de transmissão de conhecimento e formação. A política editorial da revista tentará respeitar e dignificar os valores da cultura portuguesa e da História de Portugal segundo uma perspectiva ou paradigma ocidental, não descurando contudo a sua vocação lusófona;
A revista Finis Mundi surge num final de ciclo, na proximidade de uma nova Era que está somente a começar e na qual os pais começam a perceber que é quase certo que os seus filhos tenham uma vida pior que a sua, um período de transição, o fim do “nosso” mundo tal qual o conhecemos… assim sendo, há que recordar o Portugal que existiu, o Portugal que ainda existe e o Portugal que pode vir a existir;
A revista Finis Mundi obedece a um projecto editorial sem uma redacção fixa, sendo o seu conteúdo fornecido por uma rede de académicos e intelectuais (nacionais e internacionais) e gerido por um Conselho Consultivo e um director devidamente identificados. Não obedecendo ao esquema de uma redacção fixa o projecto fica assim aberto a qualquer indivíduo que com ele se identifique e queira colaborar.
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Eleições na Matarruanolândia


Estas eleições legislativas que se aproximam, possivelmente, ditarão o fim deste país, enquanto entidade soberana.
A acreditar nas sondagens -e eu só acredito em Deus- no Reino da Matarruanolândia vão ganhar os de sempre.
Não há criançola ou mentiroso compulsivo que não chegue lá...
O matarruano, por natureza, gosta de levar no focinho. É um hábito...há coisas assim!
Por mais incompetentes, corruptos, alérgicos aos tribunais e mentirosos que sejam os governantes que "escolhe", o matarruano repete sempre a dose.
Por outro lado, parece que sofreu uma lobotomia de esquerda. Oitenta por cento dos que lá vão votar -a maioria fica em casa- votam no centro esquerda ou esquerda, mais extrema ou não. Leia-se PSD,PS,PCP e BE.
Pelo menos que colocassem no parlamento o Garcia Pereira [PCTP/MRPP]. Sempre é mais competente e bem formado do que o "matarruano" do Telmo, "ex-biguibrader", fecundo candidato pela m... do PS!
(...)
E chega a hora da alternativa, que deverá ser sempre uma solução de Direita. A Direita gera riqueza, a esquerda sempre gerou miséria e morte...
(...)
À direita, o CDS-PP propôs um espaço comum a concorrer às legislativas. Após o "não" do socialista PSD, esqueceu a ideia.
Foi pena porque há outros partidos que poderiam ter contribuído com as suas ideias para formar um todo.
O PPM disponibilizou-se [e bem] e poderia ser uma alavanca definitiva para expurgar da Constituição o artigo 288. O MPT com o seu válido contributo ecologista. Uma coligação CDS-PPM-MPT seria enriquecedora.
O PPV creio que deveria de uma forma meritória dissolver-se... As suas ideias a favor da vida, estão contempladas noutros, nomeadamente no CDS-PP.
Li os programas de diversas organizações, excepto do PPM, que tarda a sair. E fico com a nítida ideia que há mais a unir, do que a separar no espaço "à" direita.
(...)
Por consequência, também li o programa do PNR. E chego à conclusão que está bem elaborado, transparente e, sobretudo, credível!
Creio que até está melhor construído, do que o do CDS-PP. Talvez porque não devam e não dependam de ninguém...
O PNR torna-se assim, paralelamente ao CDS-PP, uma alternativa e pilar credível no espaço da Direita portuguesa.
O problema são as ideias preconceituosas ou feitas dos...matarruanos!
(...)
Como o meu caro leitor pertence à minoria "não-matarruana", convido-o a ler os programas destas organizações e, em particular, a dos nacionalistas.
E acredite..."Eles" não mordem!!!
Posteriormente, vote em quem quiser, sobretudo, se for À DIREITA.
Abaixo a Matarruanolândia!
VIVA PORTUGAL!!!

sexta-feira, maio 20, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

CRÓNICA TERCEIRA

Convidado a intervir numa Conferência Internacional realizada na nossa Assembleia da República, no dia 7 de Abril de 2008, o euro-deputado Vasco Graça Moura proferiu aí um implacável depoimento sobre o Acordo Ortográfico, significativamente intitulado A Perspectiva do Desastre. Denunciou então o impressionante rol de cretinices e de contradições de que se reveste o documento.
Eis alguns exemplos, retirados desse texto:
“... Mas o Acordo incorreu ainda numa precipitação singular: É que, quanto à pronúncia brasileira, não pode dizer‐se que as consoantes c e p são invariavelmente mudas em determinadas palavras porque elas não existem na grafia brasileira dessas palavras! É uma disposição tão inócua como seria a que decretasse ser mudo o f da palavra automóvel ou o x da palavra galinha…”
“... Repare‐se, de resto, que em algumas das línguas de maior projecção mundial, como o inglês, o espanhol, o francês e o alemão, ninguém pensa em reformas ortográficas que simplifiquem as grafias nos termos em que o Acordo vem fazê‐lo...”
“... A facultatividade é o contrário da ortografia, como já foi notado. (...) Como consequência deste critério, é previsível que surjam divergências ortográficas dentro da mesma variante da língua no mesmo país, dependentes de juízos aleatórios. Era isto o que escreviam vinte docentes da Faculdade de Letras de Lisboa. O Acordo de 1945 era peremptório: ‘Não se consentem grafias duplas ou facultativas’. A facultatividade é, também, um expediente inaceitável: cria um grande saco onde o Acordo mete todos os casos duvidosos, a pretexto de que pode haver diferenças entre a pronúncia portuguesa e brasileira, abrindo inaceitavelmente a porta a todas as diferenças de grafia e mesmo, no limite, à opção individual por determinada maneira de escrever. O risco para a unidade da língua é evidente. Se falamos em unidade, devemos ter presente a do padrão europeu, a da matriz de que saem depois as variedades e cujo valor histórico, cultural e simbólico deve ser preservado. E essa unidade é permanentemente instabilizada, não pelas diferenças ortográficas, mas pelas que surgem no léxico, na sintaxe, na morfossintaxe e na pronúncia, por força da descontinuidade geográfica, sociológica e cultural. Outra consequência inevitável das facultatividades será a que decorre, a curto prazo, do funcionamento da lei do menor esforço. A aplicar‐se o Acordo, não tardará a dar‐se a supressão na grafia (e portanto também na pronúncia) das consoantes c e p nos casos em que continuam a ser pronunciadas ou semi‐articuladas em Portugal. E nesse caso não caberá mais falar‐se em elas serem pronunciadas no nosso país. Ou seja, chegar‐se‐á, por este caminho ínvio, ao que era provavelmente o principal desígnio da feitura do Acordo: homogeneizar integralmente a grafia portuguesa com a brasileira nesse plano, mais uma vez desfigurando a escrita, a pronúncia e a língua que são as nossas. Na verdade, não é difícil concluir que o único objectivo real de toda a negociação do Acordo, repito, o único objectivo real de toda a negociação do Acordo foi o dessa supressão das consoantes ditas mudas ou não articuladas! ”
“... Nem colhe dizer‐se que ‘apenas’ cerca de 1,45% das palavras portuguesas são afectadas. O cálculo foi feito sobre um corpus de 110.000 quando o dicionário Houaiss tem cerca de 228.000 entradas. E, pior ainda, não foi feito cálculo nenhum quanto à frequência com que essas palavras são utilizadas, havendo casos em que tal frequência é altíssima…”
Estas denúncias, retiradas embora de um contexto mais vasto, são suficientes para se entender o absurdo da situação a que chegámos, por incúria, desleixo, falta de convicção, até mesmo ignorância por parte dos “negociadores” lusos.
Os nossos legítimos direitos, como os nossos superiores interesses, foram deprezados. Na história conturbada das nossas relações linguísticas com os irmãos brasileiros, este episódio revela-se como o mais grave de todos os até agora vividos, na medida em que afectará outros Estados de língua oficial portuguesa, ao contrário do que sucedera no passado, numa “contenda” limitada a Portugal e ao Brasil. As hesitações e as dúvidas colectivas bem patentes na falta de ratificação de documentos preliminares revelam, sem margem para grandes dúvidas, a ausência de consenso que o Acordo gerou, pois resulta bastante nítida a dificuldade em aceitá-lo como um instrumento autêntico de afirmação duma língua comum, no concerto das nações.
De facto, como putativa consequência interna, muitos responsáveis pelos destinos das jovens nações de língua portuguesa têm o direito de se interrogar sobre o futuro desta, como factor de aglutinação -ou de desagregação?- das suas próprias identidades...
António Martinó de Azevedo Coutinho

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