\ A VOZ PORTALEGRENSE: Março 2011

quinta-feira, março 31, 2011

Fernando Correia Pina


Longe vai o tempo em que, referindo-se aos arquivos dos municípios, escrivães e oficiais das governanças falavam das arcas onde andava o concelho.
De facto, nessas épocas remotas, a documentação de uma pequena autarquia cabia, inteiramente, na segurança de uma arca onde se guardavam privilégios, posturas e umas escassas séries documentais, imprescindíveis ao bom funcionamento da instituição e à manutenção harmoniosa da vida local.
Desde então, circunstâncias diversas como a crescente complexidade das relações entre os diversos agentes da vida local e das suas interacções, a diversos níveis, com outras entidades exteriores à sua área de influência directa, levaram ao surgimento de novos órgãos e funções cuja actividade se veio a traduzir num crescimento exponencial da produção documental, prova provada da implantação daquilo a que já alguém chamou de civilização da escrita e a que, advogando em causa própria, poderiam com propriedade os responsáveis pelos arquivos municipais, tão frequentemente intimidados pela imensidade das massas documentais acumuladas colocadas à sua responsabilidade, denominar de civilização do papel amontoado.
...
Fernando Correia Pina
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Texto completo em:
http://pt.scribd.com/doc/22020348/Arquivos-municipais-da-visao-local-a-perspectiva-global

quarta-feira, março 30, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

terça-feira, março 29, 2011

A Casa Azul


"A Casa Azul" não é um blogue muito vocacionado para se exprimir em termos políticos.
Porém, ao ler o artigo «A crise que Cavaco 'prometera'», neste espaço amigo, com enorme atenção, decidi juntar mais umas adendas.
O CDS tinha, antes desta carnavalada toda, proposto um espaço da Direita que competisse nas eleições por oposição às forças socialistas-maçons.Inclusive, propôs ao PSD um acordo pré-eleitoral.PSD que prontamente recusou, com alguma ligeireza, diga-se de passagem...
No entanto, o PPM vem aqui e aqui propor uma nova Aliança Democrática.
Sendo a actual situação de Portugal gravíssima, creio que a proposta tem todo o sentido.
O óbice é que o sr. Coelho está cada vez mais parecido com o sr. Sócrates na abundância de discursos contraditórios e pouco claros...Começa a tornar-se difícil distinguir o original da cópia!
A História dos últimos anos, cada vez mais confirma a degradação dos partidos do "centrão".
Penso que se deve conseguir uma alternativa ganhadora de Direita, com novas políticas e personagens nos papéis principais. Um acordo CDS/PPM, não me repugnaria nada, por duas razões:
1-O CDS-PP é a única alternativa, e com bons serviços prestados a Portugal, à Direita.
2-O PPM está em fase de renovação positiva, principalmente desde que saiu de lá o "fadista" de má memória. As pessoas que estão à frente do PPM primam pelo respeito à Instituição Real, são voluntariosos e com um mínimo de princípios fundamentais ao bem nacional.
Uma condição base para tal coligação, ainda possível, seria o sim ao referendo sobre a Restauração da Monarquia. Restauração da Monarquia, cada vez mais premente ante a total perda da soberania de Portugal.
Outro aspecto a considerar, foi a intervenção construtiva que a chamada Direita Nacional, teve nos governos ou junto dos governos europeus, nas autarquias europeias, nas regiões europeias, nas cidades europeias...
No caso português, urge deixar de haver complexos serôdios e mal explicados, e trazer à liça e ao arco constitucional, o contributo dos cidadãos e cidadãs que militam no PNR.
No momento gravíssimo que Portugal atravessa, todos os contributos de novas gerações de políticos, de novas pessoas sem vícios, de novas ideias, é fundamental na derrota do socialismo-maçon e na travagem da degradação moral, familiar e económica de Portugal.
Disse!

António Martinó de Azevedo Coutinho

segunda-feira, março 28, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

É chegado o termo desta série.
Embora correndo o mundo, com realce para a nossa Europa, onde alíás nasceu o pretexto para analisar brevemente o complexo fenómeno que une BD e publicidade, será reconfortante terminar este trabalho em casa.
Exemplos, singelos mas autênticos, como os que hoje encerram esta curta análise poderiam seguramente ser colhidos um pouco por toda a parte. Nas escolas, nas autarquias, em associações ou grupos desportivos, culturais e recreativos, pratica-se com frequência e com naturalidade a comunicação pública das respectivas actividades.
A fotografia, o simples desenho e também a banda desenhada servem de ilustração nos folhetos, folhas volantes ou cartazes utilizados. Alguns destes trabalhos atingem níveis estéticos e/ou comunicacionais de certa qualidade, tornando-se interessantes peças de design. Naturalmente, dada a débil divulgação, dado o limitado âmbito do seu alcance, dada a ausência de uma preservação sistemática, a imensa maioria destes exemplares perde-se sem remédio.
Porém, há excepções.
Participei pessoalmente em algumas práticas públicas, sobretudo em dois diferentes contextos: o Centro de Estágios Pedagógicos da Escola Preparatória de Cristóvão Falcão, em Portalegre, e o Centro de Estudos de Banda Desenhada, da Casa de Cultura da Juventude, inserida na Delegação Regional de Portalegre do FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis).
Quer numa como na outra destas sedes, foram organizadas diversas iniciativas que implicaram o convite aos eventuais interessados.
Quase todas estas actividades foram levadas a cabo em tempos ainda gloriososo, quando muitos de nós acreditávamos, convictamente, que poderíamos contribuir activamente para construir, de facto, um País melhor. O nosso entusiasmo, nesses anos finais da década de 70 e nos iniciais de 80, constituía uma força colectiva cuja real eficácia as desoladoras realidades hoje patentes desmentem quase em absoluto. Mas sonhávamos, fazíamos coisas e disso ficaram alguns vestígios...
Como é o caso deste cartaz, em duas folhas de formato A4, sucessivamente expostas na Escola: Água mole em pedra dura... e ...Tanto dá até que fura!
Os seus títulos dão exacta conta das nossas convicções na época.
Quanto ao Centro de Estudos de Banda Desenhada, a prática era semelhante, tanto nos processos como na dinâmica, embora sem as cargas e obrigações curriculares da realidade escolar oficial. Também nos seus instrumentos de comunicação, colaboração em jornais, revista própria, autocolantes, posters, convites para realizações públicas e outros, era usada, coerentemente, a BD.  
O último exemplo resume na perfeição tudo aquilo que se procurou aqui deixar enunciado quanto às potencialidades da aliança BD/Publicidade aplicada a uma causa concreta, sobretudo quando desligada de qualquer intenção de comércio, de propaganda ou de lucro material e político.
A imagem final consiste numa montagem constante dum curto folheto elaborado ao nível do Centro de Estágios (Educação Visual) da E. P. de Cristóvão Falcão, preenchendo a sua dupla página central. Tratava-se do convite para uma série de colóquios sobre a linguagem, os conteúdos e as finalidades da BD, numa época em que a desconfiança colectiva sobre esta modalidade comunicativa era ainda uma realidade. Daí a provocação (local) constituída pela representação de uma vibrante manif freneticamente empolgada frente ao Governo Civil de Portalegre, perante a estupefacção dos dois “heróis” da historieta que compunha a totalidade do convite...
Com esta manifestação do poder local -perdão, das implicações locais do poder da BD- evoco simbolicamente a manifestação gaulesa contra o uso indevido (!?) de um mito nacional ao serviço da poderosa globalização capitalista.
Exagero por exagero, sinceramente, prefiro o portalegrense, mais modesto talvez, mas também mais honesto.
António Martinó de Azevedo Coutinho

domingo, março 27, 2011

Mário Silva Freire

PELOS CAMINHOS DA PAZ - 5

Os media e a paz

Os meios de comunicação social tentam acompanhar de perto o desenrolar dos conflitos. Às vezes, a sua proximidade com as partes em litígio é tal que, eles próprios, integram as forças de um dos lados e, por isso, passam a ser parte desses mesmos conflitos. O Iraque tem sido um palco real para todas estas situações. Esta proximidade com as partes, no entanto, não ajuda a fazer uma descrição imparcial do que está a acontecer. Ora os media raramente invocam o discurso do adversário, do inimigo, na cobertura de uma guerra. Eles, salvo as honrosas excepções, são as vozes do lado em que se encontram.
O reducionismo é uma outra característica revelada pelos media. Eles destacam um aspecto da realidade e, depois, identificam esse aspecto particular com a totalidade. Assim, falar em islamismo é, hoje, quase igual a falar em fundamentalismo. E falar em fundamentalismo é, praticamente, falar em terrorismo. Ora, no islamismo fala-se na promoção e na prática da paz pelos seus fiéis.
Os media fazem ainda da guerra um assunto totalizante, isto é, elegem-na como um acontecimento quase único da actualidade. Veja-se a invasão em Timor e a guerra do Iraque. A maior parte dos jornais televisivos, os noticiários radiofónicos e as primeiras páginas dos grandes jornais eram preenchidos com esses assuntos. Toda a outra realidade era remetida para plano secundário, quase não existindo.
No entanto, os media podem ser uma oportunidade para construir a paz. Quando eles põem a nu os interesses que estão subjacentes a uma lógica de guerra e, com os quais, se tenta justificar uma intervenção militar, estão a construir a paz. Quando eles denunciam uma falsa ética de defesa de valores, como sejam os da liberdade e da democracia, para justificar uma guerra que não respeita uma cultura nem os povos que lhes dão corpo, estão a colaborar para a construção da paz. Quando eles abrem noticiários sobre um tratado de paz ou sobre intervenções que contribuíram para uma maior aproximação entre povos, estão a construir a paz. Quando eles promovem a notoriedade de pessoas que são actores de paz, estão a construir a paz.
Mas não se pense que só órgãos de comunicação social nacionais podem ser factores de guerra ou de paz. Também os órgãos de comunicação local e regional podem ter esses papéis. Eles, no ambiente em que se situam, geram a guerra quando pactuam com a injustiça, quando propalam propositadamente mentiras, quando insinuam calúnias, quando urdem intrigas. Mas eles, igualmente, constroem a paz quando se põem ao lado dos mais fracos, quando denunciam conluios, quando informam com rigor, quando dão relevo aos actos de paz.
Mário Freire

sexta-feira, março 25, 2011

A crise que Cavaco Silva 'prometera'

A crise que Cavaco Silva ‘prometera’

As promessas são para cumprir. E Aníbal Cavaco Silva cumpre o que promete. O seu ‘magistério de influência’, prometido para o segundo mandato como presidente da República, teve na passada quarta-feira dia 23 de Março uma primeira concretização. A crise política que provocara com o seu discurso da tomada de posse deu o primeiro fruto. O primeiro-ministro pediu a demissão, que foi de imediato aceite pelo presidente da República.
Como há muito afirmámos, a primeira consequência da reeleição de Cavaco Silva para o Palácio de Belém, seria a queda do Governo liderado por José Sócrates Pinto de Sousa. A recusa pelo Parlamento da República do denominado «PEC IV», não foi mais de o pretexto para ‘uma morte anunciada’.
O governo entregou na Assembleia da República a actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento para 2012-2013, o «PEC IV». Os partidos políticos da oposição com assento parlamentar clarificaram a sua posição face à crise económico-financeira que Portugal enfrenta, através da apresentação de projectos de resolução que o vieram a inviabilizar. Votados esses projectos de resolução, o «PEC IV» é o nado-morto que conduz á apresentação da demissão do primeiro-ministro junto do presidente da República.
E ao pedir a demissão do Governo a que preside neste momento, quando o segundo mandato de Cavaco Silva está no início, o primeiro-ministro mostrou sentido de Estado, não protelando mais tempo ‘a crise política anunciada’, o que poderia trazer ainda mais custos de toda a ordem ao país.
É que o partido de Cavaco Silva, o PSD, e a Presidência da República, apenas ‘desejavam’ a crise política quando da votação do Orçamento de Estado para 2012, no próximo Outono, não se preocupando com a ‘paz podre’ que vem minado o sistema político português, e que de certeza iria progressivamente agudizar-se.
Portugal há muito entrara em campanha eleitoral. Há muito que o Governo ‘caíra’ na praça pública.
E agora?
O CDS realizou o seu XXIV Congresso nos passados dias 19 e 20 de Março em Viseu, onde consciente da proximidade de eleições legislativas antecipadas traçou as linhas mestras do Programa de Governo que irá apresentar ao eleitorado.
A defesa da independência política, ideológica e de estratégia face ao PSD foi o facto político mais relevante aprovado em Congresso. Assumindo que não existem diferenças programáticas de monta entre PSD e PS, clarificou a sua posição quanto ao resultado das próximas eleições legislativas. O CDS coloca o interesse de Portugal acima de estratégias de tomada de poder do PSD e de Cavaco Silva. Também, assim, abre espaço político de crescimento ao outro partido da Direita, o PNR, que tem neste momento a oportunidade histórica de eleger um deputado.
Já quanto à campanha eleitoral, o seu líder, Paulo Portas, avançou com três compromissos, sendo o primeiro que o CDS fará uma campanha pela positiva sem se envolver em polémicas gratuitas, o segundo que o CDS só fará compromissos que sejam exequíveis e financiáveis, e em terceiro lugar que o CDS fará em termos de gastos uma campanha austera.
À Esquerda, o PS tem a sua estratégia bem definida, assim como o BE. O PCP, eterno ‘aliado’ do PSD e compagnon de route de Aníbal Cavaco Silva, não consegue sair do gueto que é o antifascismo serôdio, parecendo que o tempo em que faz política é o de 24 de Abril de 1974.
Os dados estão lançados. A crise política aí está, e para durar!
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, março 23, 2011

A Casa Azul

A Casa Azul

O Domingo de 20 de Março de 2011 é o dia do início do blogue "A Casa Azul".
Porquê mais um blogue? Muito considerei nesta questão...
Ao admirar a fotografia acima colocada, recordei-me da classificação usada por pessoa amiga. Escrevia-me a mesma usando a seguinte expressão "...o dia em que DEUS entornou as tintas."
Talvez esteja aqui uma das razões da "A Casa Azul"...espraiar as emoções, sentimentos, pensamentos e outros aspectos, quer do autor, quer dos que o lerem.
Haver comunicação, partilha, um ponto de louvor às coisas boas que o Senhor Deus de Israel fez e que, por vezes, os homens esquecem.
O sagrado, o espiritual, terá espaço na "A Casa Azul" por influência assumida de um pilar Judaico-Católico, mas também aberto às influências de outros irmãos que partilham o mesmo anseio em conhecer o Divino.
Eu sinto que devo estar ao lado daqueles que -numa Europa descristianizada, cada vez mais islamizada, suicidária, demitida da defesa dos seus valores- tentam remar contra a maré ateísta, maçon e cobarde, com um forte anúncio:
"Escuta Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único!" [Dt.6,4]
"Deixa a tua terra..." [Gn.12;1] é um convite à desinstalação das nossas comodidades e o partir a anunciar o Kerigma: "Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna." [Jo.3,16]
Paralelamente ocorrerá outro tipo intervenções escritas, mais mundanas, o que é perfeitamente entendível, porque todos fazemos parte do mundo, quer nas suas grandezas, quer nas suas misérias...
A intervenção política será na proporção da consciência que temos de que o país deu o que tinha a dar...
Esta República morreu! Paz à sua alma e salvem-se os que puderem...
Por mim, prefiro o Reino dos Céus! Porém, enquanto o Senhor não o permitir e por aqui andar, continuo a almejar a Restauração da Monarquia.
Como escreveu Amos Oz: "Ninguém tinha dúvidas:todos sabiam, e eu também, que por muito que me bronzeasse, por mais bronzeada e castanha que a minha pele se tornasse, eu ficaria sempre pálido por dentro."
Um terceiro aspecto que desejo ver implementado é o da cultura, nas suas diversas vertentes. Quem sou eu para me arrogar a tal? Nada...
Mas com a participação, a ajuda e as sugestões "desse" lado, creio que algo de positivo será posto a circular.
O blogue "A Casa Azul" procurará sempre mostrar o Belo, e suplantar o grotesco.
Shalom Aleichem!

terça-feira, março 22, 2011

Corto Maltese


Corto Maltese decidiu instalar-se em Veneza, a cidade que viu crescer o seu criador, Hugo Pratt. No bairo popular onde se situa a casa, as crianças jogam na rua e abundam as livrarias de antiguidades. A nova morada do marinheiro melancólico é Río Terrá del Biri, 5394/B, Cannaregio 30121.
Depois de passar um pesado portão de madeira, chega-se a um jardim que parece ter saído de uma banda desenhada de Pratt: sobre um muro estão inscrustadas pedras antigas que representam cabeças de soldados, diabos, leões e outras decorações raras e exóticas.
A nova morada de Corto Maltese, que abriu as suas portas ontem, é uma casa-museu que pretende dar a conhecer as experiências e segredos do culto marinheiro maltês, mas também converter-se num laboratório para os amantes das revistas de banda desenhada e todos os que procuram uma dose de aventura. A sua abertura coincide com a inauguração do famoso carnaval de Veneza, que transforma as ruas da cidade num desfile de máscaras e trajes da gloriosa época da Sereníssima.
Manuela Marchenasi, de 45 anos, publicista de profissão, é a mãe e directora da nova criatura. Hoje mais do que nunca, afirma, “necessitamos de personagens valentes como Maltese. Sobretudo, os jovens. Em Itália não contam com verdadeiras possibilidades de trabalho. Os contratos são sempre precários e sem dinheiro não podem realizar os seus sonhos. Este será um espaço para que os rapazes e raparigas regressem às suas casas mais audazes do que antes.
Marchenasi inspirou-se na casa-museu de Sherlock Holmes, em Londres, mas o que realmente a impulsionou a dar vida ao projecto foram os alunos da aula de artesanato dos seus filhos, numa de cujas paredes está pendurado um cartaz de Corto Maltese. “As pessoas passavam por lá e tiravam fotos em frente à imagem de Corto. Um dia pensei que se podia dar vida à personagem de uma forma mais intensa”. E, como não podia deixar de ser, na construção desta aventura, embarcaram também Guido Fuga e Lele Vianello, colaboradores habituais de Hugo Pratt.
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Mário Casa Nova Martins

Vítor Luís Rodrigues

P R I M E I R O M A N I FE S T O D A P R I M A V E R A

UM SÍMBOLO PARA OS DISSIDENTES NACIONAIS

Eu sou Dissidente Nacional e assumo o símbolo aqui editado, que tem aparecido na Net. Quem mais o assume?
Basta copiá-lo e usá-lo. Não é de «ninguém» - é de todos os dissidentes activos.
É um desafio que se lança a todos os portugueses ainda livres.
Afirmando as verdadeiras cores nacionais de Portugal, ele exprime a Nacionalidade Portuguesa fundamental, expurgada da simbologia «oficial» do sectarismo esquerdista, o «verde-rubro» republicano, Jacobino, da Carbonária e de todas as seitas pseudo-humanistas a cheirar a bafio que nos reduziram a «este país», que nem isso já quase somos. Sob este sinal, é Portugal que está de volta! Que o Vermelho guarde o sangue vertido tragicamente em todas as lutas pela Pátria e pelos portugueses. Que o Azul, tão 'lusíada', nos eleve a Soberania Política, a inteligência, e o domínio espiritual de nós próprios e da Cultura!
No final deste Ciclo Histórico preparemos já o próximo - é o momento de rectificar todas as manipulações e absurdos!
Façamos um voto Rebelde e Futurista! Não é um regresso ao Passado - mas o caminho para o Futuro.
Teremos de avançar sob as cores certas - que vamos levantar uma Guerra por Portugal!
Contra a «ideologia oficial», contra os inimigos da Pátria e da Vida, contra a sua «política», contra o seu «sistema» e contra os seus homens. Por Portugal - E Mais Nada. Está na Hora - Eles Têm de ir embora! - gritaremos.
Fora do arco ideológico autorizado, definido pelo território do velho humanismo igualitário e pelos dogmas da filosofia dos direitos humanos, nenhuma teoria política ou económica atrai a atenção dos meios de comunicação.
Os mais brilhantes espíritos vêem-se obrigados a mutilar o seu pensamento para agradar, não à "opinião pública" que não existe, mas sim aos censores da «ideologia ocidental oficial» (1).
Amigos, Companheiros e Camaradas: revoltemo-nos contra todas as mutilações!
Ousemos não querer «agradar» ao Erro e à Mentira! Pela Revolução Nacional!
Vítor Luís
A 21 de Março, dia do Equinócio da Primavera de 2011
(1) Guillaume Faye, in "El Vacío Intelectual"

segunda-feira, março 21, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

Nesta espécie de curta volta ao mundo da publicidade aos quadradinhos, foram apresentados exemplos das diversas modalidades, consoante os objectivos, das intervenções publicitárias da BD: a publicidade propriamente dita, de cariz comercial; a propaganda, com sinal fortemente politizado; o serviço cívico, dotado de intenções não lucrativas, essencialmente comunitárias.
No vastíssimo painel dos exemplos dignos de reflexão alguns existem, ainda, merecedores de exposição pública.
Um conselho ilustrado com oportuna incidência na saúde pública, o de usar uma protecção na cabeça em função dos riscos de uma exagerada exposição aos raios solares - eis o objectivo deste folheto de origem brasileira, um bom exemplo para nós próprios.
A questão do combate ao tabagismo, também nos domínios da saúde pública, tem sido aqui tratada a diversos níveis. Também nos chega do Brasil um outro folheto, dedicado a essa magna questão, nas suas aplicações educacionais. Juntam-se-lhe duas pranchas retiradas de um saudoso arquivo de memórias, evocativas de uma iniciativa pioneira devida ao traço de um competente desenhador espanhol -Jesús Blasco- entre nós divulgadas há um bom meio século, em revistas nacionais desses tempos, nomeadamente em O Mosquito. Embora desprovidas da nítida tonalidade de serviço público, essas curtas historietas de uma só prancha exibem uma desapaixonada frescura, sendo a primeira protagonizada por uma figura de primeiro plano nos quadradinhos da sua época: Cuto.
A ecologia, encarada nas suas diversas componentes, constitui um tema incontornável, sendo interpretada segundo a linguagem da BD e assim apresentada aos mais novos, junto dos quais este tipo de mensagens tem um considerável impacto.
A reprodução de mais um folheto, este alusivo à reciclagem e também com origem brasileira, confirma em simultâneo dois factos: um extremo cuidado posto na transmissão de princípios ecológicos e de boas normas sanitárias aos jovens receptores e uma sábia utilização dos quadrinhos (assim, à brasileira, por justa homenagem!) como veículo adequado a tal transmissão.
Como no anterior exemplo, junta-se outra grata imagem de arquivo, da mesma “família”: a reprodução de uma página devida à arte de Milton Caniff e protagonizada pelo seu “herói” Steve Canyon, encomenda do Metropolitano de Nova Iorque para combater a poluição produzida pelos passageiros, reinante nas suas carruagens. Estávamos em 1955...
Porém, igualmente com assinatura brasileira, fica aqui patente um oportuno modelo que devia envergonhar a imensa maioria dos nossos políticos: um folheto de propaganda eleitoral de Jorge Elias, um candidato a vereador duma Prefeitura. Aí, ficam uma série de esclarecimentos, advertências, promessas, até mesmo sugestões e conselhos práticos dirigidos aos eleitores.
Infelizmente, por óbvias razões, não é possível juntar-lhe qualquer imagem nacional de arquivo. Lamenta-se o vazio...
Como conclusão deste “capítulo” onde dominou a divulgação de serviços cívicos e um exemplar de propaganda políica deveras “interessante”, resta a divulgação de uma espécie de variado menu, com alusões a cinema, educação, ecologia, poder local, luta contra a tortura ou a droga, etc., onde a aliança entre a BD e a comunicação pública de conteúdos simples ou complexos se torna realidade prática e acessível a uma imensa diversidade de receptores. Em todas as latitudes, em todas as épocas, sob todos os pretextos, segundo todos os estilos e com destinatários universais, a banda desenhada serve na perfeição todo e qualquer objectivo de comunicação.
António Martinó de Azevedo Coutinho

domingo, março 20, 2011

Mário Silva Freire

PELOS CAMINHOS DA PAZ – 4

Aprender a paz na escola

A escola, apesar de todas as dificuldades que atravessa, constitui um espaço de liberdade e de acolhimento. Nela, como alguém dizia, ainda não se encontram filas de espera. Ela é, sem dúvida, um local de integração social onde convivem várias etnias, géneros e condições sociais. É ali, na escola, onde os diferentes convivem entre si, que o racismo e a xenofobia são combatidos diariamente. Estes factos são, pois, construtores da paz. Se temos hoje uma sociedade mais aberta, isso deve-se à escola.
Mas ter uma escola aberta e acolhedora não constitui condição suficiente para construir a paz.
Ora, os alunos passam mais tempo social na escola do que na família. No entanto, aquela instituição diz que não tem tempo para outras aprendizagens para além daquelas que os programas prescrevem. Contudo, o ensino na escola não é, apenas, o ensino das disciplinas. Ela tem que entender que o ensino das disciplinas é um meio de visar valores mais elevados. E tem, também, que perceber que, para além das disciplinas, existem os recreios, o modo como os professores se relacionam com os alunos, como estes se relacionam entre si e como todos os outros tipos de relacionamentos têm lugar. É nesta miscelânea de conhecimentos e de relacionamentos que pode ter lugar (ou não) a aprendizagem da paz.
Perguntar-se-á: como é que o ensino das disciplinas poderá contribuir para a aprendizagem da paz? Ora, qualquer ramo do saber tem sempre a ver com o homem. É ele que constrói o conhecimento; é ele que o aplica. Mas essa aplicação nem sempre serve para o desenvolvimento da humanidade. Por vezes, esse conhecimento serve para destruir os seus semelhantes e a própria Natureza. Assim, na História, que acontecimentos e que conceitos nela se estudam referentes à guerra e à paz? E como teria sido a História se não tivesse havido guerras? E como é possível destruir um ser humano, com toda a sua complexidade de estruturas e de funções que a Biologia nos ensina, com as suas capacidades de respirar, de se alimentar, mas, também, de agir, de amar e de pensar? E que dizer do Português, com o recurso a textos que poderiam constituir, devidamente trabalhados, exercícios sobre o valor da paz? As disciplinas poderão ser sempre encaradas como contributos do esforço do homem para o desenvolvimento da humanidade. Mas este desenvolvimento, visando uma maior compreensão do homem e do Universo, só em paz pode ser alcançado.
A escola tem que ser, também, um espaço privilegiado da aprendizagem de atitudes de paz, dentro e fora da sala de aula. A relação professor-aluno está imbuída de desigualdade de poder e isso gera, por vezes, a agressividade e o conflito. O aluno tem que aprender, através dos comportamentos e atitudes que observa, que a justiça, a tolerância, a promoção dos princípios democráticos e a solidariedade são praticados dentro da escola e que estes valores podem ser, também, por si experimentados.
Mário Freire

António Martinó de Azevedo Coutinho

sábado, março 19, 2011

Liliana Pêgo

Bimbalhices

O Blogue

Verdade incómoda

Indignação!

14 de Maio de 2010
Esta data diz algo, a alguém?
2 de Dezembro de 2010
E esta data?
Sim?
Não?
Bom, não admira!
Não admira que esta sociedade não saiba, não queira saber e se esteja perfeitamente nas tintas para os dias em que desapareceram duas figuras de proa, de luxo e de respeito na nossa Sociedade:
_ Prof. Saldanha Sanches.
_ Prof. Ernâni Lopes.
E que lhe fez a sociedade?
Pouca coisa, uma ou duas notícias nos jornais rádios e televisões.
Perderam-se dois faróis da democracia, fiscalidade e economia e nada!
Entretanto, algures num quarto de hotel em Nova Iorque, também em 2010, um jovem de 21 anos mata e mutila um indivíduo de 65 anos. Alguém que era "conhecido" por dizer cobras e lagartos de uns e de outros. De seu nome Carlos Castro.
E que faz a sociedade?
Não... não... não irão erguer uma estátua ao jovem ou dar-lhe o nome de uma rua, ou sequer apoiar publicamente um jovem de 21 anos, que arrastado para um meio de proxenetas e prostituição, que é o da moda e do mediatismo, não aguentou a pressão.
Esqueçam-se Saldanha Sanches, José Torres, Hernâni Lopes, Carlos Pinto Coelho, Mariana Rey Monteiro, Rosa Lobato Faria, Matilde Rosa Araújo, Mário Bettencourt Resende, Virgílio Teixeira.
Todos desaparecidos em 2010.
E claro, não posso esquecer, nem nunca o farei, esse senhor do entretenimento, com inteligência, que foi António Feio. O país chorou esse homem, esse actor, esse lutador que desapareceu também em 2010.
Que lhe fizemos? Nada, esquecer!
Agora querem dar o nome de rua a um parasita que "escrevia umas crónicas" e dizia mal de gente que muita dela nem conhecia, enquanto fazia lóbi a troco de favores homossexuais.
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Texto recebido por mail, que subscrevemos.
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, março 18, 2011

Desastre nuclear e Portalegre

Central nuclear espanhola de Almaraz

Desastre na central espanhola de Almaraz obrigaria à evacuação "progressiva" da zona de Portalegre.
Uma eventual explosão na central nuclear de Almaraz (Espanha), a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira com Portugal, obrigaria à "progressiva" retirada da população da zona de Portalegre, explicou hoje um responsável dos serviços de socorro.
A central nuclear de Almaraz, na Província de Cáceres, a funcionar desde o início dos anos 80 do século XX, está situada junto ao Rio Tejo, fazendo fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre.
Em declarações à agência Lusa, o responsável do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre, Belo Costa, sublinhou que, em caso de explosão na central nuclear de Almaraz, o "primeiro passo" que seria dado passaria por "pré avisar as populações para uma retirada à medida da evolução do problema".
Notícia AQUI
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Mário Casa Nova Martins

Geração à Rasca - A Nossa Culpa

Geração à Rasca - A Nossa Culpa
Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.
_______
Reproduzimos este Texto, com o qual concordamos.
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, março 17, 2011

Mário Silva Freire

CRÓNICAS DE EDUCAÇÃO – XXXIX

Uma taxonomia para esquecer ou para relembrar e aplicar?

Uma taxonomia visa uma classificação de diferentes elementos, sejam eles animais, vegetais, minerais ou outros, em grupos, de modo que dentro de cada grupo haja uma melhor compreensão das suas estruturas e, entre eles, se percebam melhor as suas relações.
Ora, na primeira metade dos anos 70 do século passado apareceu uma taxonomia (Bloom) que dizia respeito não à Natureza mas a objectivos de educação. Essa taxonomia pretendia uma classificação das metas do nosso sistema educativo, a partir de uma definição de cada uma delas. Desejava-se, assim, que os políticos da educação mas, também, os educadores definissem não só o que pretendiam ensinar mas, principalmente, que determinassem até que níveis do conhecimento entendiam levar os alunos a aprender.
As três crónicas anteriores tentaram ilustrar esses diferentes níveis do conhecimento, na sua significação mais ampla (memorização, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação) e mostrar que neles se implicam diferentes capacidades mentais, desde a mais elementar, mas não menos importante, memorização até à formulação de juízos de valor, a partir de critérios bem determinados.
O acolhimento, na altura, desta taxonomia e a importância que lhe foi atribuída foram tais que, nas instituições formadoras de professores, começou a ser adoptada. E havia razões para isso, uma vez que ela alertava o professor para determinadas operações mentais do aluno que, sendo elas efectuadas, se poderia afirmar que ele tinha aprendido. Não se tratava de uma pedagogia que tinha subjacente uma filosofia para a educação. Tratava-se, simplesmente, de uma técnica que visava que o aluno pudesse atingir níveis elevados de cognição, num determinado sector do conhecimento.
O que sucedeu, posteriormente, foi que o seu alcance foi posto em causa por alguns progressistas da educação por entenderem que a única função do professor era tentar obter comportamentos observáveis nos alunos, a partir dos objectivos gerais estabelecidos pelo poder instituído e de se preocuparem pela eficácia imediata da acção educativa. Segundo esta interpretação da taxonomia, o ensino era conduzido a uma homogeneização de métodos e técnicas e de receitas para cada objectivo.
Ora, quem tiver lido as três crónicas anteriores, facilmente verificará que é, precisamente, ao oposto que esta técnica, criteriosamente usada, conduzirá. Não se exclui que um seu mau uso pudesse trazer um ou outro aspecto a rejeitar. Mas, para isso, haveria que estudá-la adequadamente, tendo em conta o seu alcance pedagógico e, depois, extrair dela todas as potencialidades.
Não será altura de retomar esta taxonomia, expurgando-a de alguma da sua complexidade (e ter em atenção o seu mau uso!), e encará-la como uma técnica que implica grandes desafios para o professor e um alcance educacional muito grande para o aluno?
Mário Freire

quarta-feira, março 16, 2011

Jaime Crespo

Político (s) logos à rasca!
Foi com alegria que vi a Avenida da Liberdade cheia. Oiço na rádio que no Porto se terão juntado cerca de 80 mil pessoas. Por todo o país terão sido cerca de 300 mil a protestar, à boca grande, contra os políticos e as políticas que o país tem rumado.
Esta gente toda remete para o caixote do lixo da História algumas análises que os politólogos do regime (não conheço outros) têm feito nos últimos tempos.
A primeira certeza, por eles espalhada, que cai por terra é a questão da abstenção.
No seguimento das últimas presidenciais, tentou-se desvalorizar o valor da abstenção, transformada em forma de protesto, tentando alegar que o valor em causa não seria afinal tão elevado porque existiriam mais de um milhão de inscritos fantasma. Agora, acusam estes manifestantes de quererem emprego e estabilidade mas de não se darem ao trabalho de irem votar, já lá iremos.
As pessoas abstém-se nas eleições porque o princípio da representatividade foi desvirtuado e não funciona. Neste momento os partidos no governo, Assembleia da República e o próprio Presidente da República, representam-se apenas e só a eles próprios, às suas famílias e aos amigos.
O sistema da Democracia está podre e fenece é pois necessário substitui-lo por um novo paradigma, a participação popular e a solidariedade interclassista.
Um sistema que defenda o povo, “povo somos todos” como dizia o meu saudoso professor de Matemática em Portalegre, Dr. José Nunes, é urgente.
Não se pretende acabar com os partidos políticos nem com os políticos e criar uma ditadura populista. Exige-se-lhes é outra forma de fazer política.
A segunda é a da competência. Dizem, “ah, eles têm muitos cursos e habilitações mas são cursos que não servem para nada”. Errado, além dos diplomas, a maior parte destes jovens tem qualificações e competências que lhes permitem trabalhar nas maiores empresas mundiais, ou centros de investigação internacionais, e alguns têm tomado esta opção. Então um curso de História, Literatura, Filosofia, Relações Internacionais, Jornalismo, entre muitos outros, não tem valor? Que cursos têm valor? Que cursos tiraram os agora comentadores e politólogos?
Para acabar esta parte, haveria outras certezas instaladas que poderia aqui referir, mas não me vou alongar, fica a do comodismo desta geração. Os comentadores formaram a ideia de que estes jovens vivem à pala dos pais porque isso é um luxo que lhes permite mandriar e nada fazer para alterar a sua condição. A resposta foi esmagadora.
Alguns tentam desvalorizar o tamanho do protesto com a alegação de que foram as máquinas aparelhistas do Bloco de Esquerda e do PCP a mobilizar esta gente toda. Quem diz isto nem sequer viu as imagens transmitidas pelas televisões, pois bastava isso para se perceber que os partidos, estiveram lá representados é verdade, mas de forma absolutamente marginal.
Depois desvalorizam os números com a desculpa, ai eles levaram também os pais e os avós. Se é certo que pela Avenida se viram muitas famílias, não é menos verdade que houve um protesto intergeracional, porque, ao fim e ao cabo, com o último código do trabalho, todos passámos a precários. Por outro lado, pessoas mais maduras e a poucos anos de atingirem a idade de reforma, após 30 e mais anos de trabalho, se viram atiradas para o desemprego e a precariedade. Ou seja, é um País inteiro que está à rasca. Por isso, os protestos tiveram a adesão que tiveram.
E a tendência é aumentar.
Alguns lamentaram o fato de num tão grande e global protesto, da extrema-direita aos Anarquistas viram-se bandeiras e símbolos de todos, nem sequer ter havido uma montra partida. Era do que eles estavam à espera para logo apelidarem os manifestantes de arruaceiros e se pedir a repressão policial.
Também aqui tiveram azar.
Jaime Crespo

terça-feira, março 15, 2011

Carlos Manuel Faísca

A Carvoaria do Noroeste Alentejano

O carvão constituiu o principal combustível em Portugal até meados do século XX, tanto no uso doméstico, como na indústria. A exploração de carvão mineral limitou-se, no nosso território, às jazidas de lignite em Rio Maior e no Cabo Mondego e de hulha no Buçaco. Para suprir as necessidades deste combustível, foi então necessário recorrer ao carvão de origem vegetal, produzido a partir de lenha de diferentes tipos de árvores, tendo muitas carvoarias fixado em regiões florestadas juntos de cursos de água navegáveis.
Ora, por um lado, o Noroeste Alentejano (Gavião, Ponte de Sor, Montargil) era constituído por extensos arvoredos, com a predominância de sobreiros e pinheiros, mas também por terras incultas (charnecas). A economia desta zona foi marcada fortemente pelo aproveitamento florestal durante, pelo menos, o início do século XIX. Por outro, o Rio Tejo era navegável até Abrantes, existindo uma rota comercial que ligava a então vila Ribatejana a Lisboa, principal mercado de toda a produção alentejana.
Desta confluência de factores nasceu uma “indústria” e um comércio de carvão, responsável pelo abastecimento do enorme mercado lisboeta. A sua importância era de tal ordem que a população e as autoridades da capital, onde se inclui o Senado da Câmara Municipal de Lisboa mas também “empresários” de diversos ramos, debruçaram-se sobre vários problemas relacionadas com este comércio, durante as primeiras décadas do século XIX, como o combate aos fogos florestais, à desflorestação excessiva e a fixação de quantidades de produção e, consequentemente, do preço destas matérias-primas.
Da exploração florestal extraiam-se dois produtos diferenciados e com aplicações também elas distintas. Das charnecas retirava-se o mato e o tojo, que alimentavam as fábricas de tijolo, cerâmica, telha e cal. A partir dos montados de azinheira e dos pinhais, os galhos daquelas árvores serviam para o consumo doméstico, as padarias e confeitarias.
Para uma leitura mais aprofundada – SILBERT, Albert – Le Portugal Méditerranéen à la fin de l’Ancien Régime. 2ª ed. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1978.
Carlos Manuel Faísca

segunda-feira, março 14, 2011

António Martinó de Azevedo Coutinho

Os cifrões são, de facto, uma motivação fundamental nas relações entre a BD e a publicidade. É, foi e será sempre assim.
Tintin e o Crédito Agrícola (francês, naturalmente!) foram bons aliados, como se prova nas gravuras juntas.
O próprio Tintin, só por si, alimentou durante muitos anos um comércio muito diversificado, sobretudo através de cupões impressos, disponíveis nas suas próprias edições, os quais serviam para adquirir com descontos uma infinidade de produtos. Também foram tomadas inúmeras outras iniciativas avulsas, como concursos, associando a marca Tintin a determinado tipo de artigos. Aqui, a relação publicitária (nada original, aliás) dizia respeito a marcas ou produtos comerciais relativamente modestos, sem grande nomeada. No entanto, a expressão económica destas sucessivas campanhas promocionais deve ter sido significativa pois estas mantiveram-se activas durante anos, sobretudo nas décadas de 40 e 50.
O universo fascinante criado por Hergé foi naturalmente o mais apetecido pelas redes do marketing publicitário por óbvios motivos que se prendem à imensa popularidade atingida pelas personagens, pelas histórias, pelo original estilo da linha clara, pelo próprio criador, pelo mito, afinal.
Desde os primeiros aos últimos tempos da vida profissional, autónoma, de Hergé, a publicidade fez parte integrante das suas preocupações e dos seus objectivos. As campanhas desenvolvidas em torno do lançamento dos seus novos álbuns e de outras produções anexas sempre foram muito cuidadas, até ao mais ínfimo pormenor.
Tintin e os seus companheiros de jornada venderam de tudo, desde histórias desenhadas a filmes, de peças de teatro a queijo, de automóveis a cosméticos, de calendários a chocolates e até cigarrilhas -imagine-se!-, assim invadindo o campo polémico do tabagismo, já atrás escalpelizado...
Mas também outros heróis da BD europeia, assim como os incontornáveis Astérix ou Lucky Luke, os Schtrumpfs ou Blake & Mortimer, assim como os super-heróis americanos, tanto se venderam a si próprios como ajudaram a vender bicicletas, relógios, esferográficas, motos, detergentes, leite em pó, refrigerantes, seguros, etc.
A polémica desencadeada pela intervenção de Astérix ao serviço da cadeia McDonald’s perderá uma boa parte do seu significado quando inserida num universo muito vasto e bastante complexo, de que se foi aqui patenteando uma pequena, embora curiosa, parcela. Como nos icebergues, também neste particular a parte maior fica oculta sob interesses dificilmente imagináveis.
António Martinó de Azevedo Coutinho

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