\ A VOZ PORTALEGRENSE: Tintin que é 'pouco' Tintin

segunda-feira, novembro 21, 2011

Tintin que é 'pouco' Tintin

CINEMA
Tintin que é ‘pouco’ Tintin
MÁRIO CASA NOVA MARTINS
As Aventuras de Tintin - O Segredo do Licorne
Título original: The Adventures of Tintin
Realização: Steven Spielberg
Vozes (versão original): Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Simon Pegg, Nick Frost
Vozes (versão dobrada): Simon Frankel, Luís Mascarenhas, Pêpê Rapazote, Rui Unas, Nuno Markl
EUA/NZ, 2011, 107 min.
Estreia: 27 de Outubro de 2011 
“O Segredo de La Licorne” não é um filme para Tintinófilos e não conquista mais leitores para a obra de Hergé. É baseado principalmente em «O Caranguejo das Tenazes de Ouro» e em “O Segredo do Licorne” e a sequela será, pelo certo, baseada em “O Tesouro de Rackham o Terrível”. Para quem conhece minimamente As Aventuras de Tintin, é bastante discutível ‘ligar’ o primeiro, “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”, aos segundo e terceiro, “O Segredo do Licorne” e “O Tesouro de Rackham o Terrível”, até porque estes dois últimos completam a mesma história.
Sabe-se que Spielberg nunca foi leitor de Hergé, e que Hergé afirmou ser aquele o único que poderia levar Tintin ao grande ecrã com sucesso. Mas, o sucesso que Hergé anteviu é apenas de índole financeira, já que uma vez mais se prova a dificuldade de transpor um herói da BD escrita para o cinema.
Em termos técnicos, Peter Jackson é perfeito, irrepreensível. Mas no argumento as ‘invenções’ são tão excessivas quanto despropositadas. A presença de Bianca Castafiori, ‘apenas’ para partir com a sua voz um vidro à prova de bala é a prova maior do desconhecimento do universo de Tintin. Era expectável que existissem cenas ‘à Spielberg’, tipo Indiana Jones. O que de facto acontece, e que de tal não vem mal ao mundo porque as mesmas são ‘inventadas’, não obedecendo a qualquer parte dos álbuns.
Os mais novos há muito que desaprenderam o que é o hábito da leitura. Assim, e pelas razões acima apontadas, dificilmente o filme criará motivação para que Tintin ganhe novos leitores. Para os Tintinófilos, claro que nem tudo é mau no filme, muito pelo contrário. Mas a maior ‘recompensa’ é ver os seus/nossos heróis como pessoas, lembrando aquela pioneira experiência de “Le crabe aux pinces d'or”, datada de 1947, com bonecos de pano, e, claro, em francês.
Filme **
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in, O DIABO, 15 de Novembro de 2011, Nº 1820, pg. 21

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