\ A VOZ PORTALEGRENSE: Novembro 2010

terça-feira, novembro 30, 2010

Carlos Manuel Faísca

Retrato económico do Portugal de setecentos:
casos de Lisboa e Coimbra

(Parte I: O Índice de Preços)

A recolha de dados foi efectuada a partir de livros de receita e despesa de diversas instituições lisboetas e conimbricenses. Para tal, consultou-se em Lisboa: o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e o Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa; em Coimbra, o Arquivo da Universidade de Coimbra. Os preços recolhidos encontravam-se expressos em reis correntes e segundo o sistema de pesos e medidas vigente à época. Para podermos trabalhar esta informação de forma coerente foi necessário efectuar três exercícios: resolver o problema metrológico, constituir um cabaz fixo de bens de consumo e resolver a questão monetária.
Assim, em primeiro lugar, procedeu-se à transformação dos dados expressos através do sistema de pesos e medidas do antigo regime (essencialmente em arráteis, alqueires e almudes) para o actual sistema métrico decimal. Para tal, foram utilizadas as tabelas elaboradas no séc. XIX pela Comissão Central de Pesos e Medidas que estabeleceu a equivalência entre os dois sistemas para todos os concelhos do Reino, e que se pode encontrar, por exemplo, na obra Mappas das medidas do novo systema legal: comparadas com as antigas nos diversos concelhos do reino e ilhas, compilada por Joaquim Fradesso da Silveira.
O cabaz de consumo escolhido para ambas as cidades é uma adaptação do cabaz de Estrasburgo utilizado por Bob Allen [1], com algumas modificações devido aos dados disponíveis para cada cidade. Assim, o cabaz de Lisboa abrange 6 produtos: pão de trigo (42%), carne (14%), ovos (2,2%), galinhas (5,9%), vinho (17,4%), azeite (5,3%) e carvão (6,1%). Já o cabaz de Coimbra não possui qualquer produto relacionado com a produção de energia (carvão ou lenha), contudo tem ponderado o custo de habitação (5% do total). Para obtermos um cabaz mais próximo de um contemporâneo Índice de Preços no Consumidor (IPC) também deveriam estar incluídas, em ambos os cabazes, despesas com o vestuário, além da inclusão de despesas com habitação para Lisboa e de produção de energia para Coimbra. No entanto, tal ainda não foi possível.
Finalmente, surge a questão monetária. A moeda portuguesa sofreu uma grande desvalorização ao longo dos séculos, sobretudo em épocas de crise, como forma do Estado ou da Coroa, consoante o período cronológico considerado, se financiar. Como é sabido, uma forte desvalorização da moeda leva automaticamente a uma inflação artificial dos preços, isto é, a inflação fica a dever-se sobretudo à desvalorização da moeda e não a qualquer desequilíbrio entre a oferta e a procura. Para anularmos esse efeito tivemos de converter os valores recolhidos em moeda corrente para o seu equivalente em gramas de prata.

Durante o séc. XVII não existiu, para qualquer das cidades estudadas, uma tendência constante na variação do valor dos preços. Existem períodos de inflação, como o início da década de 30, e outros de deflação, como a década de 80. Contudo, e de uma forma geral, pode-se afirmar que existiu uma ligeira tendência de baixa de preços como demonstra a linha de tendência do Gráfico 1. Essas oscilações do valor dos preços foram mais marcadas para a cidade de Coimbra. O que isto significa fica para a Parte IV – “Conclusões”.

[1] ALLEN, Robert - The British industrial revolution in global perspective. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.
Carlos Manuel Faísca

António Martinó de Azevedo Coutinho

segunda-feira, novembro 29, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

Após os previstos 26 “capítulos” da longa e exaustiva saga Tintin au Congo impunha-se uma espécie de ponto da situação.
As últimas linhas do último texto datam de há cerca de quatro meses. A sua actualização justifica-se até pela singular coincidência de, no próprio dia da edição do “capítulo” final neste blog, ter sido efectivada em Bruxelas mais uma audiência do longo caso judicial que motivou o presente trabalho.
Quem, entre nós, considere morosa a justiça nacional pode encontrar aqui uma óbvia semelhança. De facto, a sessão judicial da passada segunda-feira quase nada adiantou. Considerado incompetente pela defesa (Sociedade Moulinsart), uma vez que o caso deve ser entendido como um problema comercial -a probição de venda de um bem-, o tribunal adiou a decisão para o próximo dia 8 de Dezembro. Por outro lado, um advogado do senhor Bienvenu, Ahmed Hedim, afinou a sua acusação, ao dizer que não se desejava o julgamento de Hergé mas o de uma época onde o racismo estava enraízado nas mentalidades...
Que se saiba, tal tarefa tem vindo a ser democrática e criteriosamente realizada, por intermédio dos historiadores, dos politólogos, dos filósofos e de outros autorizados especialistas.
Um dos defensores da Moulinsart, o nosso já “conhecido” Alain Berenboom, aproveitou a ocasião para afirmar que não podia aceitar o racismo mas que, em complemento, achava igualmente terrível alguém exigir para tanto um “auto-de-fé” de livros...
Portanto, quanto à epopeia judical em curso, nada se pode prever sobre um desfecho definitivo nem, sobretudo, quanto à sua eventual data.
Porém, neste intervalo e muito recentemente, aconteceu um facto alusivo a esta problemática cuja importância não pode ser minimizada, até pela circunstância de o senhor Bienvenu constantemente salientar que, no moderno e independente Congo, o álbum “maldito” tem vindo a ser devidamente avaliado e criticado, ao contrário do sucedido nos ingénuos tempos coloniais.
Ora aconteceu entretanto esse episódio altamente significativo, protagonizado pela actual ministra da Cultura e das Artes da República Democrática do Congo, Jeannette Kavira Mapeera.
No início do passado mês de Outubro de 2010, no contexto da inauguração do primeiro festival da BD congolesa, em Kinshasa, a ministra foi interpelada por um jornalista da RFI a propósito do polémico caso de Tintin no Congo despoletado na Bélgica.
Jeanette Mapeera começou dizendo que nada naquele processo judicial se justificava. Depois, contrariando frontalmente a falaciosa argumentação do senhor Bienvenu, declarou, expressamente, que “para o governo congolês, Tintin no Congo é uma obra-prima”.
E não ficou por aqui, pois acrescentaria: “Nos tempos antigos, quanto este livro estava sendo escrito e o seu criador se inspirava, realmente os congoleses não conseguiam falar francês. Ainda hoje, não são os congoleses que falam o melhor francês”. A ministra assim desfez, com a autoridade que o seu cargo político lhe confere, os fundamentos da pseudo-caricatura racial onde assenta boa parte da argumentação do senhor Bienvenu...
Concretamente a propósito da ultra-famosa cena do comboio descarrilado onde Tintin e Milou aparecem criticando os nativos pela sua preguiça, Jeannnette Mapeera contrapôs: “Naquela época, descrita na obra, realmente, para incitar os congoleses ao trabalho, ou para nele os incentivar, tinha de se usar a vara. Ainda hoje, em algumas situações, para enviar as crianças ou os adultos ao campo, têm de ser usados métodos fortes”.
E terminou as suas declarações, a que não pode ser recusado um certo tom polémico, de forma clara e determinada: “Sentimos que este é um julgamento que não envolve o governo congolês”.
Confesso que, para apoio da tese pessoal aqui expressa no decurso dos últimos meses, eu não poderia aspirar a uma mais vigorosa e autorizada confirmação, ainda por cima com uma chancela oficial do mais alto nível.
As inequívocas declarações da ministra congolesa da Cultura e das Artes, amplamente difundidas pelas grandes agências informativas, deveriam ser bastantes para anular as aleivosias e os exageros onde assentou a absurda lógica das intempestivas acusações lançadas sobre Tintin no Congo.
Seja qual for o resultado das diligências judiciais, que ameaçam eternizar-se, o seu veredicto foi já assinado por Jeannette Kavira Mapeera.
Reconheço sem qualquer esforço que, pessoalmente, eu não o faria melhor.
Aguardo que o senhor Bienvenu, com honesta e democrática humildade, aceite este valente puxão de orelhas.
António Martinó de Azevedo Coutinho
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Adenda à Adenda – Não posso terminar este definitivo capítulo dedicado ao Tintin no Congo sem aqui manifestar um merecido e oportuno destaque a três amigos: Mário Casa Nova Martins, Mário Freire e Pedro Britto.
Ao primeiro quero agradecer a aceitação desta colaboração pessoal no seu blog. Sei que a dilatada inserção semanal do trabalho lhe levantou alguns problemas técnicos, sobretudo na integração dos clips de vídeo. Com persistência, soube resolvê-los a contento. Sinto-me honrado com a amizade e cumplicidade que me dedica.
A Mário Freire, fiel companheiro em diversas lides culturais, quero agradecer as palavras de apreço que pessoalmente me quis transmitir, no reconhecimento do trabalho de pesquisa a que me entreguei e da qualidade que me esforcei por colocar ao serviço desta causa pública, na defesa de alguns valores permanentes em que acreditamos.
A Pedro Britto, que, num fraterno abraço através do Atlântico, deixou neste blog uma expressiva prova de solidariedade, desejo manifestar um sincero sentimento da recíproca admiração para com o seu magnífico blog (www.tintimportintim.com), que me habituei a frequentar e a apreciar diariamente.
Afinal, cada um de nós -na sua peculiar maneira de ser e de estar- revela um comum e forte apreço pela qualidade sócio-cultural e recreativa da Banda Desenhada, sobretudo pela que o génio de Hergé soube magistralmente interpretar.
Por isso, quero expressamente dedicar a estes três amigos o próximo dossier temático que o blog A Voz Portalegrense muito em breve revelará aos interessados.
A.M.

Prémio 'Maria Severa'

domingo, novembro 28, 2010

Gabriela Marques da Costa

Exmo.(a) Senhor(a),

Venho desta forma convidá-lo(a) a estar presente na inauguração da exposição: "D. João IV e a Restauração da Independência de Portugal", pela Pintora e Artista Plástica Gabriela Marques da Costa, que se realizará pelas 17:00 do dia 1 de Dezembro de 2010, no Palácio da Independência - Sociedade Histórica da Independência de Portugal (http://www.ship.pt), em Lisboa.
Estão assim reunidos todos os elementos para um grande convívio Cultural e de Portugal!
Com os melhores cumprimentos,
Gabriela Marques da Costa
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Blog:
http://gabrielamarquescosta.wordpress.com
Facebook:
http://www.facebook.com/home.php?#!/pages/Gabriela-Marques-da-Costa/134735599901538

sábado, novembro 27, 2010

A Velha Espanha Goda

José Lavrador é um diplomata brasileiro. Dele traça Manuel Anselmo uma breve biografia, ‘à maneira de prefácio’, como diz em texto assinado de Vigo, 18 de Julho de 1946.
O livro tem a data de 1946 e foi editado pela «Portugàlia Editora».
O tema dos tempos dos Godos na Península Ibéria tem em Espanha alguma bibliografia, mas em Portugal quase nada se encontra, daí ser curioso notar a nacionalidade do Autor, Terra de Vera Cruz.
Não é uma obra académica, mas sim de divulgação. Contudo, tal não faz esmorecer o interesse, pelo contrário, assim, de uma forma simples mas com rigor histórico, são percorridos os séculos dos Visigodos em terras ibéricas.
Adquirimos este livro através da Livraria Luís Burnay, Boletim Bibliográfico 46, p.36.
 

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Numa das nossas idas a Badajoz, em 2004, encontrámos este livro, que mais tarde veio a ser editado em português pela Guimarães Editores.
É um livro em que cada capítulo corresponde a história de um rei visigodo. Deste modo, torna-se fácil de ler e seguir, lembrando os nossos compêndios escolares da disciplina de História.
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, novembro 25, 2010

Mário Silva Freire

CRÓNICAS DE EDUCAÇÃO – XXIV

Um exemplo a imitar

Nantes é uma cidade francesa a 50 Kms do Oceano Atlântico com cerca de 270.000 habitantes, alcançando a sua área metropolitana os 804.333 (dados de 2008). Já foi descrita como a cidade europeia com mais vida. Não sei se este título lhe é merecido mas, o que nela tem ocorrido nos últimos anos, no que se refere à educação, parece justificar bem aquela denominação.
Ora, desde há três anos consecutivos que se realizam nesta cidade as chamadas Questões de pais. Não se trata de uma conferência, colóquio ou seminário que aborde esta temática. Não! Do que está a falar-se é de uma mobilização quase geral da comunidade de Nantes para os múltiplos problemas que os pais enfrentam. Assim, neste ano de 2010, essas grandes jornadas educacionais tiveram lugar durante 13 dias, entre 11 e 23 de Outubro, em vários locais da cidade, sempre em parceria com um grande número de associações e de actores que directamente estão ligados à família.
Os objectivos destas “Questões de pais” foram os de mobilizar a cidade e os seus parceiros para apoiar os pais, informá-los e dar-lhes os meios de encontrar profissionais ou outros pais com quem partilhar experiências, opiniões e problemas ou, simplesmente, cada um tentar encontrar as respostas às respectivas questões.
Os temas são variados: relações e comunicação entre pais e filhos; modos de exercer a guarda das crianças; nascimento e primeira infância; relações entre os pais; apoio às famílias; alimentação…
Os temas são tratados de múltiplas maneiras e, este ano, incluiu desde a convencional conferência, com ou sem debate, passando por pequenos grupos onde as pessoas discutiam determinadas situações, tentando encontrar pistas de actuação, até ao cine-debate e ao teatro-debate, em que após a projecção ou teatralização de uma ou várias situações relacionadas com os temas das jornadas, os assistentes eram convidados a emitir as suas opiniões.
Nenhum dos pais está excluído desta grande acção pois ela tem em vista abranger todo o tipo de situações desde os filhos bebés, 1ª e 2ª infâncias, adolescência, até filhos pós-adolescentes.
Aspecto que me surpreendeu foi o de estarem implicadas dezenas de associações: contei 66 no site da organização (www.questionsdeparents.nantes.fr). Saliento, apenas, três para se ter uma ideia do tipo de instituições implicadas nesta grande intervenção da sociedade de Nantes: “Associação contra a alienação parental” que visa a protecção das crianças, na sequência de separações e divórcios, tentando preservar os laços familiares; “Associação da fundação estudantil para a cidade” que faz o acompanhamento de alunos com dificuldades por estudantes voluntários; “Associação sindical de famílias monoparentais e recompostas” que apoia as famílias monoparentais ou recompostas que têm (ou tiveram crianças a cargo).
Numa altura em que quase tudo se exige do Estado, eis aqui uma iniciativa, partindo da chamada sociedade civil, que poderia ajudar a resolver alguns dos muitos dos problemas com que se confrontam muitas das nossas famílias.
Mário Freire

quarta-feira, novembro 24, 2010

Jorge Luís Lourinho Mangerona

ÊXITOS….

Não me vou referir ao êxito político que parece ter sido a recente cimeira da Nato… Aliás, sabe-se como nestas coisas, o êxito de hoje pode ser o desastre de amanhã. Apesar desta certeza saúda-se, pelo menos, a aproximação à Rússia que terá desesperado os nostálgicos do Pacto de Varsóvia que, ainda assim, vivem num mundo de antes da Queda do Muro de Berlim. É verdade que, na política internacional, o amigo de hoje é o inimigo de amanhã mas a Rússia é um gigante europeu que não pode ser marginalizado. Deixemos estas questões da geopolítica mundial para os comentadores encartados que dizem, normalmente, o que toda a gente sabe mas que são pagos, a peso de ouro, para isso mesmo: debitar evidências. O êxito a que me quero referir é outro: por muito que custe a engolir a alguns, a polícia portuguesa conseguiu evitar o habitual destas cimeiras. Desta vez não houve montras partidas, lojas e carros incendiados e dezenas de feridos a registar. Valerá a pena relembrar que não tem havido cimeira sem que bandos de vândalos e arruaceiros, em nome da liberdade e de políticas alternativas, não tenham causado grandes distúrbios... Façam o favor de se colocar no papel dos proprietários dos veículos e das lojas incendiadas e vandalizadas e digam como se sentiriam. As razões do aparecimento destes grupelhos, que aparentemente ninguém controla, são múltiplas e complexas e não caberiam nesta análise singela. Causa-me no entanto uma certa confusão que alguns analistas considerem, duma forma simplista, que tais grupos são o reflexo dos problemas estruturais e conjunturais porque passa a sociedade actual: fome, miséria, desemprego, etc... Segundo a comunicação social, um dos grupos barrados na fronteira pela polícia portuguesa deslocava-se da Finlândia para Portugal de autocarro. A Finlândia está no topo de tudo o que é estatística no que diz respeito ao nível de bem-estar e qualidade de vida e, que se saiba, não há fome, miséria e o desemprego é residual. Isto é, as causas que segundo os analistas provocam a emergência destes grupelhos não existem. Acresce que não será muito barata a deslocação, mesmo de autocarro, da Finlândia a Portugal, pelo que se duvida que os referidos manifestantes fossem desses excluídos da sociedade que os males atrás referidos criaram. Curiosamente a Finlândia é o exemplo, sempre deturpado, que deveríamos seguir segundo os nossos iluminados dirigentes. Provavelmente é altura de procurar outras razões para o mal-estar que leva ao aparecimento destes grupos que só têm como objectivo a destruição e a anarquia. Desta vez, não conseguiram praticar os actos reprováveis habituais e o mérito é da polícia portuguesa que não precisou dos blindados dos cinco milhões. Aliás, esta história dos blindados, entre o burlesco e o trágico, é um dos “fracassos” da cimeira, pelo menos a nível interno. Cabe na cabeça de alguém importar, num momento de crise, equipamento que já existia noutras forças? Cabe, porque em Portugal, neste momento, tudo é possível e não há dramaturgo que consiga superar a imaginação dos políticos portugueses. Êxito tiveram também os gestores milionários das empresas públicas… O Zé auxiliar de limpeza, o Manuel das finanças ou o António professor vêem os seus vencimentos diminuídos mas as sumidades que gerem as empresas públicas não podem ser sacrificadas. Depois ficam muito admirados porque há por essa Europa fora grupos que actuam com grande violência! Não há dúvida que o Zé Povinho português tem paciência de santo!
Jorge Luís Lourinho Mangerona

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terça-feira, novembro 23, 2010

Tintin no País dos Filósofos

Tintin no País dos Filósofos
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The French monthly magazine publishes Philosophy in partnership with Moulinsart for illustrations, a special issue dedicated to the famous reporter.
Indeed, Tintin is a major source of inspiration for contemporary philosophers.

segunda-feira, novembro 22, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

Tintin no Congo. Há 25 pequenas crónicas atrás, iniciava neste blog a tentativa pessoal de analisar a história com alguma profundidade, nos termos que então esbocei, como admirador de Hergé mas, simultaneamente, sem perder de vista a independência possível assim como o necessário e permanente sentido crítico.
Coerentemente, é na manutenção do respeito por esta forma de estar que decidi encerrar agora o dossier. Em boa verdade, sinto que muito mais havia a dizer e, por isso, não recuso a hipótese de um dia voltar ao tema.
O pretexto próximo deste trabalho, que ocupou alguns meses de investigação, de reflexão e de produção, foi a acusação de racismo e xenofobia subscrita pelo cidadão congolês Bienvenu Mbutu Mondondo contra o álbum. No momento em que estas linhas são compostas, pelos finais de Julho de 2010, não se pode prever com segurança como vai decorrer a fase seguinte do processo judicial prevista para Setembro deste ano, antes ainda da divulgação pública deste “epílogo”.
Porém, não é difícil admitir que o caso se arrastará, nesta instância ou noutra, mantendo-se em aberto a hipótese de uma declaração de incompetência do próprio tribunal. Seja qual for o resultado final do pleito -se algum dia isso acontecer!?-, poderemos desde já concluir que desta agitação de consciências e deste confronto de posições restarão algumas consequências positivas. Uma delas, plenamente atingida, foi a discussão dos conteúdos, das formas, dos objectivos, das declaradas ou secretas intenções de uma obra literária, por mero acaso um álbum de banda desenhada com a provecta idade de umas largas dezenas de anos editoriais. Outra, por inerência mas não menos importante, foi a abordagem ideológica e crítica a um fenómeno sócio-político-histórico-cultural -o racismo e a discriminação- que convém, pedagogicamente, nunca esquecer, como um eco do Passado com resíduos no Presente, tornando-o uma lição positiva para o Futuro.
O álbum não foi esgotado nas suas hipóteses de análise crítica, e disso quero deixar na despedida alguns breves exemplos.
Um é de sinal aparentemente contraditório, colhido como quase sempre aconteceu na perspectiva de uma evolução entre as versões mais significativas, a de 1930 e a de 1946.
Refere um episódio da fase da viagem no paquete, quando Milou é retirado da água pela tripulação de uma pequena lancha. Enquanto na versão original os marinheiros são brancos, estes tornam-se negros a quando da reformulação posterior. A primeira explicação apontaria para conceder aos negros uma louvável intervenção -o salvamento do “náufrago”- anteriormente atribuída aos brancos. Assim, esta mudança apontaria para uma ausência de qualquer sinal de discriminação racial.
Vejamos agora a mesmíssima alteração por um outro prisma. Sendo a marinhagem do paquete -a base da sua pirâmide hierárquica- constituída originariamente por negros (o camareiro, o artesão, o marinheiro...) e por também por brancos (os tripulantes da lancha), então por que mostrar agora que apenas negros passam a integrar este “primário” grupo? Assim, esta mudança apontaria para a introdução de um intencional traço de discriminação racial.
O outro exemplo, também uma vinheta e a sua “evolução”, diz respeito à condução do gang de Dawson sob custódia policial. Na versão original, um dos soldados negros que escoltam os brancos, diz: “Isto é bom! Os senhores maus já não farão mal a Tintin... Vamos levá-los para a prisão...”
Depois da “revisão”, Hergé pô-lo a dizer: “Isto é bom!... Os maus Brancos vão todos para a prisão!...”
Aqui e agora não há o risco de qualquer equívoco interpretativo. A mudança assinala, de forma indiscutível, a ausência de toda e qualquer discriminação racial em Hergé, na auto-avaliação das suas personagens, colocando negros (bons) a deter brancos (maus) e, sobretudo, realçando esta circunstância na nova fala do agente policial. Agora, a fundamental importância daquela detenção não será mais a de que os senhores maus já não farão maldades a Tintin, mas a de que os Brancos maus (assinalo deliberadamente as palavras!) vão todos para a prisão...
Uma leitura mais atenta e menos estereotipada do álbum talvez pudesse ter conduzido o senhor Bienvenu a outra decisão, oferecendo, aliviado, a história aos seus sobrinhos. Concedo-lhe, porém, o benefício da dúvida: quatro dias são um prazo demasiado curto para uma reflexão isenta e, portanto, honesta...
Um terceira -e definitiva- alusão ao álbum remete-nos para uma área interessantíssima, pouco explorada no que ficou atrás exposto. Refiro os aspectos puramente culturais da história, sobretudo quando tocam raízes tradicionais congolesas. Um excelente exemplo a propósito desta temática é o da canção entoada pelos jovens remadores da piroga que conduz Tintin e o missionário, bem reveladora do apreço que Hergé sempre manifestou pelas suas fontes.
Correspondendo a uma canção autêntica do folclore tradicional congolês, no dialecto lingala, é possível descodificar o seu interessante significado e recordar as suas ligações ao imaginário da ficção local, na lenda que lhe está associada. Aqui fica, portanto, a sugestão de novas e prometedoras análises de um álbum de grande complexidade e de inegável interesse.
Tintin e Hergé despertaram um interesse autêntico, antecipando aquele que o filme de Spielberg, a estrear no próximo ano, vai despoletar. É possível perceber a dimensão quase universal que a presente querela criou, nomeadamente em meios culturais de nível muito significativo. Foram publicados dezenas de artigos, efectuadas inúmeras entrevistas, montadas muitas reportagens, realizadas bastantes mesas redondas, tudo sobre o momentoso caso. Naturalmente, as suas sequelas manter-se-ão, subirão de tom em momentos oportunos e torna-se difícil adivinhar-lhes o termo. Como exemplo do real interesse despertado, destaca-se uma revista de imprensa televisionada sobre o processo de Tintin no Congo, organizada pela France 3, onde participaram, entre outras personalidades, o actor Michel Piccoli e o sociólogo Edgar Morin. Este último é, apenas, um dos mais respeitados pensadores mundiais do nosso tempo.
Vale por isso a pena reflectir sobre a posição serena e equilibrada exposta por Edgar Morin sobre o polémico processo.
E vale também a pena considerar o presente caso como paradigmático quanto à crescente importância concedida à forma e ao conteúdo de grandes obras, em domínios da ficção -literatura, cinema, teatro, pintura, banda desenhada, etc.- no seu encontro (ou recontro!?) com os direitos humanos.
Por mim, esforcei-me por mostrar como e porque me senti impelido a participar no debate.
Repito-me: Tintin no Congo? Sim! E para sempre.
António Martinó de Azevedo Coutinho
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O clip vídeo seguinte mostra uma curta reportagem sobre a revista de inprensa televisiva organizada pelo Canal France 3, onde participaram, entre outros, Michel Piccoli e Edgar Morin. Em língua francesa, este apontamento mostra o equilibrio e a serenidade com que questões delicadas como esta esta devem ser tratadas de forma exemplarmente pedagógica.

Entrevista Edgar Morin

Para terminar esta série de reflexões sobre Tintin no Congo, fica aqui um simbólico documento que representa uma homenagem a Hergé, pela honestidade que procurou conferir à sua obra, suprindo as limitações na informação pública do seu tempo. A divulgação desta bela canção significa também o meu respeito para com as ricas tradições culturais de uma região e de um país da África ainda desconhecida. E, acima de tudo, desejo manifestar simbolicamente o carinho que merecem as crianças congolesas, bem dignas de um futuro livre de todas as guerras, na justa e segura tranquilidade que lhes permita ler este e outros álbuns, capazes de alimentar o sonho e de justificar a esperança num mundo melhor.

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domingo, novembro 21, 2010

Jaime Crespo

Jogos florais

Ou o que poderemos, trabalhadores, aprender com as “lutas inúteis” marcadas pelas centrais sindicais portuguesas.

Após muitos anos de dissidência e divisão, as centrais sindicais portuguesas, CGTP-INTERSINDICAL e UGT, resolveram, a primeira convocar e a segunda aderir, uma greve geral pressupostamente para protestar contra os vários PEC’s e as linhas políticas e económicas orientadoras definidas no orçamento para 2011. A CGTP além da greve marcou também uma manifestação de protesto para sábado próximo.
Quando se encetam lutas apenas uma certeza temos: podemos ganhar ou perder. Quando se trata da luta emancipadora da classe trabalhadora, quer na conquista de novos direitos, bem como atualmente, na defesa dos direitos já adquiridos, a possibilidade de derrota é infinitamente maior porque temos contra nós toda a propaganda governamental e ainda toda aquela que o dinheiro capitalista possa comprar. Temos que enfrentar as forças policiais e seus agentes provocadores, como agora na Grécia. Convivemos com o desânimo, falta de esperança e comodismo dos próprios camaradas. Mas sabemos que apesar de remota, temos uma ténue hipótese de vencer. Porque somos solidários, porque temos razão, porque “trazemos um mundo novo nos nossos corações”.
Sabemos bem que tanto estas vitórias ou derrotas são transitórias. Se ganharmos hoje, logo amanhã teremos que estar atentos e alerta porque sabemos que o capital tentará por todos os meios retirar-nos ou restringir os direitos hoje conquistados. Se perdermos, eles que se preparem porque enquanto houver “força no braço que luta seremos muitos seremos alguns”.
Neste contexto, sabemos que só há uma resposta possível, a conquista do poder pela classe trabalhadora e a construção do Socialismo. Apesar dos desvios, traições e golpes baixos que esta longa caminhada já sofreu no passado, ainda é a única resposta alternativa e viável à destruição do capitalismo explorador, terrorista, amoral que na sua voracidade sovina tudo arrasta e contamina degradando todas as dimensões da vida humana.
Até lá resta-nos lutar…
Mas a quem interessam lutas que estão derrotadas à partida? Para que serve a manifestação de sábado próximo e a greve geral de dia 24 se o orçamento, com as medidas castigadoras da classe trabalhadora que se conhecem, já foi aprovado?
Bem poderão encher de gentes as ruas de Lisboa com a manifestação, bem podem parar o país com a greve porque o único ruído que soará, não serão as palavras de ordem dos sindicalistas, mas José Sócrates a assobiar para o ar, talvez um tango não de Carlos Gardel mas daqueles mais rascas das tascas de Buenos Aires, abençoado pelo Espírito Santo.
Então que fazer?
Apesar de constituírem dois atos falhados, tal como os jogos florais promovidos por entidades provincianas, não podemos chamar bem poetas aos concorrentes nem poesia ao produto do seu labor. Mas entretém aqueles que neles participam.
Também estas ações foram convocadas, não com o intuito revolucionário de conseguir dar um pequeno passo na luta pela emancipação dos trabalhadores, mas sim para entretê-los enquanto os capitalistas vão impondo sem obstáculos e a seu belo prazer as suas políticas cada vez mais repressivas, sinónimo da sua própria decadência.
Apesar de tudo isto, defendo que devemos comparecer em massa na manifestação e participar ativamente na greve geral, se possível, constituirmos paquetes de greve que esclareçam os camaradas que optam por não fazer greve e a população que eventualmente será prejudicada pela falda dos nossos serviços e esclarecer a nossa posição que só poderá ser a exigência da revogação de todos os PEC’s bem como o rasgar deste orçamento.
Todas estas reivindicações deveriam ter sido apresentadas pelos dirigentes sindicais, representantes dos trabalhadores há muito tempo. Infelizmente não foi assim.
Pelo que apesar de não passarem de “jogos florais”, estas manifestações poderão ter um efeito de criar e fortalecer laços solidários entre a classe trabalhadora e ao mesmo tempo desmascarar os nossos atuais dirigentes que infelizmente mais não são que agentes do capital infiltrados nas direções sindicais.
Jaime Crespo

AlenTTerra - V Passeio TT

AlenTTerra - V Passeio TT
"À Descoberta do Concelho de Nisa"

O AlenTTerra - Clube de Ar Livre do Alto Alentejo vai promover no próximo dia 4 de Dezembro de 2010 o V Passeio TT “À Descoberta do Concelho de Nisa” para viaturas auto 4x4.
O passeio terá como cenário os trilhos do Concelho de Nisa com maior incidência na freguesia de Amieira do Tejo.
A tradicional gastronomia alentejana e a boa disposição estarão sempre presentes!
Limite de participantes: 100 pessoas (30 viaturas)

Estejam atentos às novidades em http://alentterra.blogspot.com/
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sábado, novembro 20, 2010

Jaime Crespo

Intervenção de Jaime Crespo no encontro preparatório da Greve Geral de 24 de Novembro de 2010
Encontro do dia 13 de Novembro de 2010
É preciso organizar para esta luta contra o desemprego
Vou pontuar esta minha intervenção sob dois pontos:
1 – Alertar para a situação comatosa a que as políticas governamentais e as estratégias empresariais conduziram o interior do nosso país, utilizando como exemplo o meu distrito natal, Portalegre;
2 – Aclarar a necessidade de unir na mesma luta, todos os trabalhadores, os do setor público e os do setor privado, combatendo a divisão promovida pela intoxicação da opinião pública, promovida pelos governantes e empresários.
Nas empresas públicas há a responsabilidade direta do Estado. Mas não podemos esquecer a situação de muitas empresas privadas, algumas individuais – que não são mais do que trabalhadores a recibo verde, que se registam como empresários “em nome individual”, nas quais o Governo e seus departamentos tem obrigações reguladoras mas das quais se demitem vergonhosamente, deixando os trabalhadores, desamparados, joguetes do bel-prazer do patronato.
Se a situação é má no litoral, nas regiões do interior é gravíssima. É o caso do distrito de Portalegre, que mais se poderia dizer que “fechou para obras”.
Ao deixar desaparecer as empresas ligadas às atividades tradicionais, os lanifícios e a transformação da cortiça, até a vetusta arte da tapeçaria de Portalegre, arte única no Mundo, se encontra em perigo iminente de fecho e as tecedeiras têm mesmo já salários em atraso, as novas empresas que entretanto se têm instalado, seguem a política do investimento “salta-pocinhas”, duram enquanto duram os benefícios fiscais, os apoios autárquicos e, no caso de empresas agrícolas ou empreendimentos turísticos megalómanos, apenas servem para sacar dinheiro dos fundos comunitários deixando no terreno autênticos circos de elefantes brancos.
Há dois anos fechou naquele distrito a fábrica da Johnson Control’s, acabando com cerca de mil postos de trabalho diretos e ainda os postos de trabalho de cerca de duas dezenas de empresas que funcionavam como subsidiárias desta.
Já no corrente ano, foi a Delphi, em Ponte de Sôr. Nesta, podemos recordar a ênfase dada à ação das direções sindicais no processo de negociação dos despedimentos. Alguns dos dirigentes sindicais vieram gabar-se de ter conseguido “as melhores indemnizações possíveis”.
Por outro lado, a Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, inquirida pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, recomenda aos trabalhadores que sofrem a peste dos salários em atraso, trabalhadores das empresas exploradoras de granitos, em Alpalhão, concelho de Nisa, Granisan, Granitos Maceira e Singranova, as duas últimas pertencentes ao grupo empresarial do Comendador Francisco Ramos, com sede social em Pêro Pinheiro, onde também os trabalhadores sofrem de salários em atraso e que esbarraram perante a intransigência do senhor Comendador em negociar qualquer outra situação que não a insolvência das empresas. De realçar que a dívida a alguns trabalhadores (empresários em nome individual) atinge já os nove meses, diz a Ministra que recorram à Alta Autoridade para as Condições de Trabalho e peçam o despedimento com justa causa para terem direito ao subsídio de desemprego, caindo assim na roda do desemprego, não movendo uma palha para garantir a continuidade dos postos de trabalho.
Ainda em Nisa, a empresa Municipal Ternisa, complexo termal, tem mais de dois meses de salário em atraso aos seus trabalhadores, prejuízos a rondar os 500 000,00€ e enorme dívida a fornecedores.
Esta semana serão mais oitenta trabalhadores da empresa Selenis, em Portalegre que reforçarão a equipa dos desempregados.
Pela parte governamental, esta, resolveu brindar o Distrito que recorde-se é um dos mais envelhecidos do País, contando a nível distrital com mais de 40% da sua população composta por pensionistas e é também um dos mais despovoados, a caminhar célere no sentido da desertificação, o que fez o Governo?
Fechou centros de saúde, sendo o caso mais simbólico o fecho da maternidade de Elvas, encerra escolas, postos de Correios, postos da G.N.R., faz a junção de vários serviços públicos, encerrou representações de serviços centrais em Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr, encerra carreiras de transportes públicos, deixando a população envelhecida sem acessos às sedes de concelho ou dependentes de boleia de familiares ou amigos ou recorrendo ao serviço de táxis.
A própria Segurança Social, para o transporte de doentes, recorre diariamente ao serviço de táxis, tornando esta atividade de tal forma apetecível que pelo trespasse de um lugar na praça de Estremoz foram pedidos 150 000,00€.
É pois necessário e urgente organizar para esta luta contra as falências, o desemprego, a precariedade, a mobilidade, enfim, pelo direito a um trabalho com direitos, toda a massa trabalhadora, do setor público ou do setor privado.
Jaime Crespo

sexta-feira, novembro 19, 2010

Portugueses em «As Aventuras de Tintin»

Oliveira da Figueira

Portugueses em «As Aventuras de Tintin»

Dentro do imaginário de Hergé estão identificadas três personagens ligadas a Portugal. São elas o Senhor Oliveira da Figueira, que surge em três aventuras, o Professor Pedro João dos Santos que aparece em «A Estrela Misteriosa», e o repórter do Diário de Lisboa, cujo nome não é pronunciado, em «Tintin no Congo».
Porém, há uma personagem em «A Ilha Negra» que tem o apelido Müller. Ora este apelido é idêntico ao de Adolfo Simões Müller.
Dadas as excelentes relações entre Georges Remi e Adolfo Simões Müller, de amizade e de edição, a escolha deste apelido para a personagem do Dr. J. W. Müller no livro «L’Ile Noire» poderá ter sido propositada, como homenagem ao director de «O Papagaio». Mas, dado o percurso pessoal e profissional de Simões Müller, não há a mais pequena semelhança entre o carácter da personagem de Hergé, o líder do bando de falsificadores de notas, e o próprio Adolfo Simões Müller.
No livro «Tintin au Congo», Tintin acabara de chegar ao Congo, e na manhã seguinte recebe no hotel onde se hospedara três jornalistas.
Todos tentam que a reportagem que Tintin irá fazer seja publicada no seu respectivo jornal. O jornalista americano do New York Evening Press oferece 5.000 dólares, querendo de imediato entregar como adiantamento pelo trabalho 1.000 dólares a Tintin. O jornalista inglês do Daily Paper oferece 1.000 libras pelo exclusivo. O jornalista português do Diário de Lisboa, tratando Tintin por vossa Excelência, oferece 50.000 escudos. E face a estas propostas ‘adversárias’, o jornalista americano dobra a sua proposta, oferecendo então 10.000 dólares.
Contudo, Tintin recusa todas as propostas, dizendo já estar comprometido com outros jornais para o exclusivo da reportagem em causa.
No livro «L’Étoile Mystérieuse», um dos eminentes sábios europeus é português. Chama-se Pedro Joãs Dos Santos e é apresentado como o célebre físico da Universidade de Coimbra.
Ao longo da aventura, o Professor Pedro João dos Santos surge várias vezes, porém, nunca pronuncia uma palavra. E, nas duas vezes em que os seis cientistas estão junto a Tintin, justamente à mesma mesa, a primeira vez no primeiro almoço tomado a bordo e mais tarde numa importante reunião, Tintin dá a direita, sinal de respeito, ao Professor da Universidade de Coimbra.
Em «Les Aventures de Tintin», o português Oliveira da Figueira é um comerciante de Lisboa que Tintin encontra pela primeira vez em «Os Cigarros do Faraó». Tendo um verdadeiro jeito para a venda, consegue “impingir” a Tintin todo um conjunto de mercadorias completamente inúteis… O mesmo faz a todos os seus clientes árabes… Tem a loja no Khemed, um emirado árabe imaginário que parece situar-se nas margens da península arábica. Tintin volta a encontrá-lo em «O País do Ouro Negro» e indirectamente em «As Jóias de Castafiore». O Senhor Oliveira da Figueira está sempre disponível para salvar Tintin, e tem o hábito de oferecer aos seus Amigos um copo de vinho português…
No livro «Les Cigares du Pharaon», Tintin é apresentado pelo capitão do navio ao senhor Oliveira da Figueira, de Lisboa. De imediato o comerciante começa a exercer a sua arte, vendendo a Tintin toda uma panóplia de inutilidades. Mas tarde, em pleno deserto, Tintin assiste a uma sessão de vendas a um conjunto de árabes, que o apelidam de “o Branco que vende tudo”.
No livro «Tintin au Pays de l’Or Noir», Oliveira da Figueira, a dado momento da aventura, desempenha um papel importante.
Tintin encontra o senhor Oliveira da Figueira á porta do seu estabelecimento. Vestido à árabe, Tintin não é de imediato reconhecido pelo amigo, que a início o trata por jovem príncipe. Mas face á presença de Tintin, Oliveira da Figueira, pleno de felicidade, oferece-lhe um bom vinho de Portugal, do sol do seu país.
Tintin pede a Oliveira da Figueira que o introduza em casa do professor Smith, ao que este acede, e já lá dentro apresenta-o aos funcionários da casa como o seu sobrinho Álvaro, acabado de chegar de Portugal. Diz que ele é órfão, um pouco simples, e ao começar a contar a vida do sobrinho, dá-lhe a deixa que permite a Tintin afastar-se.
Enquanto Tintin se confronta com o professor Smith e continua o seu caminho, está Oliveira da Figueira a entreter os seus ouvintes com a dramática história da vida o sobrinho. Depois vai-se embora, e ao questionar para si próprio sobre o que irá acontecer a Tintin, cruza-se com Milou, que tenta apanhar, mas que lhe foge.
No livro «Les Bijoux de La Castafiori», Oliveira da Figueira não está presente. Mas Tintin refere-se a ele, porque Oliveira da Figueira envia a Moulinsart um telegrama, sendo mesmo um dos primeiros a felicitar o capitão Haddock pelo seu “casamento” com a Diva Bianca Castafiore. Nele, Oliveira da Figueira apresenta as suas mais entusiásticas felicitações.
Temos em Oliveira da Figueira uma das personagens favoritas da obra de Hergé. Representa bem o espírito empreendedor e o do viajante português de outrora, que conquistou novos Mundos ao Mundo.
Também é com júbilo que vemos Hergé escolher um professor da Universidade de Coimbra, a nossa Universidade, para tão importante aventura científica. É com agrado que vemos um jornalista e um jornal português ombrear com o jornalista e o jornal americano e com o jornalista e o jornal inglês. E dizemos que fomos leitores de Adolfo Simões Müller na nossa juventude.
Mário Casa Nova Martins
Nota:
_ Trabalhámos para esta pesquisa nos álbuns em francês e nas edições a cores, da Casterman.

António Ventura

Sexta-feira 19 de Novembro de 2010
Biblioteca Municipal de Portalegre
18:00
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quinta-feira, novembro 18, 2010

Mário Silva Freire

CRÓNICAS DE EDUCAÇÃO - XXIII

O professor do século XXI

Entre 8 e 12 dos mês passado, esteve reunido no Bahrein um Fórum sobre educação para discutir a formação de professores do século XXI. Estiveram presentes 600 personalidades vindas de 48 países. Não sei se Portugal foi país participante.
Trata-se de um tema desafiante pois ele tem a ver com o desenvolvimento, e de saber como fazer para que a escola se possa tornar atractiva à geração Net. Foi dito na referida reunião pelos melhores especialistas americanos, australianos, britânicos e indianos que é sobre as formações inicial e permanente de 60 milhões de professores que trabalham em todo o mundo que se joga o nosso futuro. Ora, o que se assiste é um progressivo afastamento nos países desenvolvidos, Portugal incluído, entre a escola que temos e aqueles a quem ela se dirige.
Há que transformar a escola que funciona sobre modelos antigos. Claro que não é pondo na sala de aula computadores em frente de crianças de 6, 7, 8 e 9 anos, e utilizando modelos pedagógicos convencionais, que essa escola irá transformar-se. Nessas idades as crianças têm que ir, progressivamente, adquirindo as características lógicas do pensamento, utilizando mais os objectos tangíveis do que as ideias abstractas; exercitar a memória, desenvolver a coordenação motora fina, ganhar automatismos, adquirir competências nos domínios da organização, do trabalho, do planeamento, da higiene, da segurança. E tudo isso se faz melhor, nessas idades, sem o computador na frente.
Para o responsável das avaliações internacionais da OCDE (Andreas Schleicher), os países que hoje obtêm os melhores níveis nos testes, na comparação que é feita entre os alunos, são aqueles que abriram as aulas e transformaram o trabalho do professor, a partir de uma prática solitária, num trabalho em equipa.
Por outro lado, a escola de hoje não pode ser aquele momento de excepção em que os adolescentes se encontram a executar tarefas individualmente e de costas uns para os outros. A eles têm que lhes ser dadas oportunidades de trabalho em equipa, onde possam interagir, tendo em vista a consecução de determinado objectivo pedagógico. Além disso, as escolas têm que reflectir as mudanças tecnológicas que se deram na sociedade e nas vidas de cada um. Mas, para isso, os adolescentes têm que ter na sala de aula a possibilidade de continuar, à semelhança do que fazem em casa, ligados à Net e executar informaticamente as múltiplas tarefas que lhes são propostas nas várias disciplinas.
Pretende-se que haja um sentimento de urgência, tendo em vista ajudar o professor a mudar de estatuto, isto é, que, com um trabalho em rede com os seus colegas, acompanhe os alunos na procura do conhecimento – o prof-coach, sem que isto signifique transigir com os saberes. Enfim, segundo o director do Instituto Nacional de Educação de Singapura, “é uma nova cultura que fará emergir a escola de amanhã, o aluno de amanhã, em sintonia com as aprendizagens escolares e o professor de amanhã, mais felizes.”
Mário Freire

quarta-feira, novembro 17, 2010

Noite de Fados

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terça-feira, novembro 16, 2010

Carlos Manuel Faísca

Biblioteconomia III

Política de conservação uma colecção fotográfica

A palavra-chave de qualquer política eficaz de conservação é a preservação, isto é, garantir as condições ambientais correctas, a forma de utilização menos nociva e um acondicionamento apropriado. Uma preservação eficaz permite prolongar exponencialmente o tempo de vida útil dos materiais, com um custo significativamente mais baixo do que qualquer futura opção de restauro. No caso da fotografia, a preservação ganha uma importância ainda maior, pois, tratando-se essencialmente de um processo químico, o processo de deterioração pode ocorrer mais rapidamente, situação que obriga todos os responsáveis por colecções fotográficas a uma atitude pró-activa constante. Esta questão revela-se mais complexa quando se toma consciência que, ao longo da História da Fotografia, se utilizaram os mais diversos materiais e técnicas na produção de registos fotográficos, o que origina, necessariamente, diferentes posturas e desiguais acções para garantir a sua eficaz conservação. A própria existência de fotografias a cor e a preto e branco, pressupõe algumas preocupações diferentes ao nível das condições ambientais, como é o caso da temperatura, a qual, no caso da fotografia a cor, deverá ser significativamente mais baixa que no caso das provas a preto e branco. Todos estes aspectos justificam plenamente a adopção de postura preventiva, atenta, e uma rápida actuação quando tal é necessário.
Assim, quando o melhor caminho a seguir é a velha máxima do “mais vale prevenir do que remediar”, o acondicionamento e o apropriado manuseamento das colecções fotográficas ganham extrema importância. As instituições que possuem estas colecções terão então que dispor das condições ambientais correctas, sobretudo em termos de temperatura, como referimos já, a qual deverá rondar os 18 a 20ºC e, se possível, no caso das fotografias a cor abaixo dos 2ºC, com uma humidade relativa que varie entre os 30 e 40%. Em ambos os casos é crucial que não ocorram súbitas alterações das condições ambientais. Para ilustrar a importância destes 2 factores, basta referir que uma descida de temperatura na ordem dos 5º C duplica o tempo de vida útil de uma fotografia a cor, e que, a 24ºC, existem espécimes que ao fim de apenas 8 anos começam a sofrer uma grave deterioração. Sabendo que, em Portugal, no Verão, as temperaturas máximas facilmente excedem os 30º C, os profissionais responsáveis pela gestão de colecções fotográficas não podem nunca descurar este aspecto. De referir, porém, que na grande maioria dos casos estes profissionais não têm as necessárias competências de conservadores especialistas em fotografia, o que, obviamente, tem os seus impactos ao nível das escolhas e opções que são tomadas.
No que diz respeito ao sistema de armazenamento, todas as espécies devem possuir uma embalagem individual, neutra ou alcalina, e devem estar guardadas numa pasta ou álbum. O espaço que funcionará como depósito deve também obedecer a alguns princípios mínimos, como por exemplo, evitar que o mesmo se situe em locais húmidos e/ou em que a luz incida com particular intensidade, deve estar afastado de qualquer fonte de possível inundação, como canalizações ou a rede de saneamento básico, e não deve ser utilizado o mesmo espaço para outras finalidades que não as exclusivamente relacionadas com o arquivo, impedindo-se assim uma excessiva circulação humana no local.
Quanto ao manuseamento, tendencialmente deverá ser orientado, de forma a assegurar o mínimo possível de deterioração provocada por acção humana, procurando-se afastar as fotografias de líquidos, comida, fumo e poluição, evitando-se exposições demasiado prolongadas e/ou demasiado intensas à luz, e incentivando o utilizador, aquando da consulta, a utilizar luvas.
Carlos Manuel Faísca

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