\ A VOZ PORTALEGRENSE: Julho 2010

sábado, julho 31, 2010

feios, porcos e maus...


Comentadores Sporttv a conversar antes do inicio do jogo em off
Benfica vs Sunderland 27.7.2010
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Por esta 'amostra' se compreende o nivel do canal Sport TV...
As 'vitimas' são o guarda-redes Roberto e o treinador Jorge Jesus.
O Futebol no seu melhor!
Mário

Portugal O' Meeting no Alto Alentejo‏


Portugal O' Meeting já tem Embaixadores

O empresário Mário Ferreira (proprietário da Douro Azul, e primeiro turista espacial português através da Virgin Galactic) e o homem da Maratona, António Pinto (recordista da Europa da Maratona) serão os embaixadores do Portugal O' Meeting 2011 (Meeting Internacional de orientação que se realiza de 05 a 08 de Março de 2011, em Alter do Chão, Crato e Portalegre).
O POM 2011 é um evento pontuável para a liga mundial de Orientação pedestre para os percursos de Elite.
São esperados 2000 participantes de 34 Países entre os quais irão marcar presença os primeiros classificados do ranking mundial.
Toda a informação sobre o evento em:

sexta-feira, julho 30, 2010

Jaime Crespo

Castelo de Nisa

Públicas virtudes, vícios privados

Não sem certo humor e graça, verifica-se em comentários anónimos a diversos “post’s”, em blogues de e sobre Nisa, que divertidos anónimo(a)s se dirigem ao Núcleo do Bloco de Esquerda de Nisa, como “o grupo da míni e do charro”.
Esperançado que este tratamento jocoso se deva apenas ao bom humor das boas gentes sempre dadas à brincadeira, e não ao moralismo bacoco destilado por certo(a)s santo(a)s de pau carunchoso.
Vejamos, se a ironia calha bem e, direi mesmo, é democrática, já os moralismos de sacristia trazem consigo o bafio podre e decadente dos novos fascistoides.
Pois se um pequeno grupo de pessoas, como é o Núcleo de Nisa do Bloco, eventualmente, porque não ando por aí a inquirir sobre a vida de cada qual, era o que mais faltava e tenho mais que fazer e com que me preocupar, terá apreciadores da míni, do tintol, dos charros, do tabaco, abstémios, omnívoros, vegetarianos, etc. Já viram a riqueza da fauna? Mas estamos a falar de uma dúzia... O que não se passará pelas outras agremiações políticas e sociedades recreativas, desportivas e de solidariedade social cá da praça, bem mais numerosas que nós?
Quanto aos demais nada sei nem me interessa e tenho raiva a quem sabe, pela parte que me toca posso-vos garantir que aprecio mais a média que a míni, vinho tinto de preferência às refeições, muito café e água, algum chá. Já fumei os meus charros nesta vida mas deixei de achar piada, tabaco umas vezes sim outras não, depende do estado psicológico.
Como podem constatar aqui pelo Núcleo do Bloco nada temos a esconder e somos em público o espelho do que fazemos em privado, connosco as pessoas sabem ao que vem e com o que podem contar.
Já com outro(a)s não se poderá dizer o mesmo: santinho(a)s de pau feito entretanto caruncho, apresentam-se publicamente muito virtuoso(a)s, mas quiçá, em privado sejam os mais desatinado(a)s vicioso(a)s.
Quem sabe?
E você? Já tomou a sua míni e fumou seu charro na sua vida?
Jaime Crespo

quinta-feira, julho 29, 2010

Humberto Nuno de Oliveira

Afonso V... longe das invenções

Alheio às polémicas que nestes anos de desacerto socialista vêm marcando a sua direcção, o Museu Nacional de Arte Antiga apresenta-nos uma notável exposição, patente até 12 de Setembro, embora com alguma reserva minha quanto ao título (muito politicamente correcto, como convém...) “A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana”, como se a glória africana do Rei D. Afonso V, reconhecida por toda a Europa do seu tempo, carecesse de ser "inventada".
É a primeira vez, que as quatro Tapeçarias encomendadas por D. Afonso V em Tournai (na Flandres), quatro enormes panos de armar com quatro metros de altura por dez de largura, são expostas entre nós. Ocasião, pois, que nenhum Português cioso do seu passado deve perder. Numa época em que tal era inédito, foi este o modo pelo qual, D. Afonso V entendeu legar para a posteridade uma imagem dos seus feitos de 1471 em Arzila e Tânger.
Ainda hoje não se sabe com pormenor como é que os quatro panos saíram do país, existindo distintas teorias para tal facto. Produzidas nas oficinas flamengas no último quartel do século XV, terão chegado provavelmente apenas já no reinado de D. João II, e em 1532, poucas décadas depois de terem sido feitas, aparecem em Espanha, no inventário dos bens dos duques do Infantado". Por estes foram cedidas posteriormente à Colegiada de Pastrana (de onde lhes advém o nome), onde permaneceram desde então. Notáveis peças, esquecidas pelo mundo até que, no início do século XX, os historiadores José de Figueiredo e Reynaldo dos Santos as "encontraram" naquela localidade de Castela-a-Velha.
Críticas sempre possíveis aparte trata-se absolutamente de uma deslumbrante exposição que apresenta esse notável património nacional que, infelizmente, voltará a Espanha terminada a exposição. Ante a magnificência do que está exposto (e só isso bastaria), importa alinhavar algumas considerações menos positivas, mas creio que justas, sobre a exposição. O espaço de observação é exíguo para duas das tapeçarias – Desembarque e Tomada - sendo certo que em nenhum museu (excepto, eventualmente, um construído de raiz para peças de tal dimensão) tal tarefa seria fácil; o percurso expositivo revela-se deficiente, uma vez que, ao subir a escada, o visitante se depara com a fabulosa tapeçaria do Cerco (seguramente a mais conhecida e emblemática, mas que é a segunda do conjunto), o que o leva o visitante a ter que voltar atrás, sem indicação de qual o lado pelo qual o deve fazer, para seguir o percurso da história, pois é disso - a história visual da conquista de Arzila – de que tratam as três tapeçarias, na realidade, ao visitante que não conheça as peças (que creio bem sejam uma significativa maioria) não é sugerido qualquer percurso de visita o que pode dificultar o entendimento global.
Notável relato, dessa notável expedição, organizada em três locais diferentes, para assegurar o sigilo, zarpando, posteriormente, de Lagos uma imponente força de mais de quatro centenas de velas e um efectivo de 30.000 homens. Uma impressionante força que a 22 de Agosto de 1471 ancorava diante de Arzila. No dia seguinte, apesar das adversas condições do mar, efectuou-se o desembarque, operação difícil que custou dezenas de vidas e uma caravela, mas que ainda assim não fez esmorecer o Rei que logo desembarcou. Seguiu-se a azáfama dos preparativos a montagem do acampamento, a paliçada de cerco, as primeiras bombardas, protegidas com trincheiras, bastilhas e outros artifícios de fortificação ligeira. Nesse mesmo dia, já o fogo das bombardas nacionais derrubaria dois lanços da poderosa muralha da cidade. A 24 de Agosto, à alvorada, as escadas de assalto eram encostadas às muralhas e operava-se o assalto pelas brechas abertas na véspera. Aterrados, os mouros não logravam controlar as muralhas, refugiando-se na alcáçova e na mesquita, cujas portas os Portugueses derrubaram, atacando-os aí com grande vigor e ferocidade amontoando-se os cadáveres. Era, assim, tomada Arzila aos mouros, sendo o Príncipe D. João que se bateu com distinguida bravura, armado cavaleiro na ocasião. É esta a gesta notável que, com precisão quase fotográfica as Tapeçarias nos relatam.
A quarta tapeçaria relativa à ocupação de Tânger, essa forte praça, que tanto sangue, suor e lágrimas havia custado a Portugal e cujos habitantes, aterrados com a notícia da fulminante vitória dos Portugueses em Arzila, abandonaram para não sofrerem a mesma sorte. A 28 de Agosto, D. Afonso V mandou ocupá-la pelo primeiro e único Marquês de Montemor-o-Novo, D. João (filho de Fernando I de Bragança, 2º Duque) então 7º condestável de Portugal, esta tapeçaria, relatando outra história, encontra-se bem diferenciada das demais.
Tirando estas poucas críticas a visita é, devo confessar-vos, um absoluto momento de êxtase, por diversas razões. Primeiro, porque o conjunto é deslumbrante e único (na época, como se sabe, apenas se faziam tapeçarias sobre heróis míticos ou mitológicos e/ou de temas religiosos) não de feitos presentes (o que entre outros o imperador Carlos V retomará depois), segundo, porque o tão maltratado historiograficamente soberano "Africano” – memória revivida do velho Cipião - aqui revela o seu verdadeiro esplendor e finalmente porque aqui se revela uma das fontes primárias para o estudo da emblemática pessoal do Rei, entre muitas outras razões que variarão consoante a sensibilidade e formação dos visitantes.
Acompanha a exposição um catálogo de elevadíssima qualidade gráfica e preço consonante (30€) mas absolutamente normal para publicações análogas. De qualquer modo, independentemente da escolha de um historiador espanhol para fazer o enquadramento da história das conquistas de D. Afonso V e da total ausência de um estudo da emblemática do soberano (a sua famosa empresa) cremos que este catálogo (cuja primeira apreciação não resulta ainda da atenta leitura) será de leitura e consulta obrigatória para qualquer trabalho futuro sobre iconografia da política africana e/ou emblemática de D. Afonso V.
Um pormenor, relativamente desconhecido, mas importante que importa referir, o de Salazar ter tentado a sua devolução a Portugal o que não foi conseguido logrando-se apenas a realização das cópias que se encontram no Paço Ducal de Guimarães.
Vão, pois, ao MNAA que vale, absolutamente, a pena.
in, O Diabo, 20.07.2010, p.18

terça-feira, julho 27, 2010

Nos 85 Anos do Grupo Desportivo Portalegrense


Caro Mário
Como achega à sua paixão “desportivista” aqui lhe mando uma foto com a legendagem possível, sobre um enigma desportivo portalegrense.
Creio que se trata do GDP, onde noto duas figuras familiares: o meu pai e o meu tio. Quase me atrevo a dizer que lá estrão também um Sajara, à esquerda e um Fonsequinha (de gorro) (!?).
Deve tratar-se de um qualquer desafio solteiros casados, na Fontedeira, disputando um troféu de arte negra (nas mãos do guarda-redes). Data, pela foto, com o meu pai pelos 30 anos (!?), talvez finais dos anos 40 (ele nasceu em 1908).
Descubra esse enigma, faça favor.
Um abração amigo do
António Martinó
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Recebi este mail do dr. António Martinó de Azevedo Coutinho. Transcrevo-o, procurando desta forma também deslindar o ‘enigma’.
Bem-Haja.
Mário

segunda-feira, julho 26, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

Já foram aqui abordadas, em devido tempo, as fontes habitualmente citadas (por diversos e autorizados biógrafos) como aquelas onde Hergé terá recolhido a informação bastante para resolver com o êxito possível a “encomenda congolesa” do padre Wallez. Recordando, essas principais fontes terão sido um romance em voga -Os silêncios do Coronel Bramble, de André Maurois- e o vizinho Museu Real da África Central, onde pairava ainda a sombra de Leopoldo II.
Surgiu recentemente uma outra pista, muito prometedora e bastante credível, que envolve e justifica a “inspiração” de Hergé. Apresentou-a o belga Bernard Spee, a 19 de Junho de 2009, sob o título Why and How to read Tintin in the Congo?, no 6.º Congresso Bienal da International Bande Dessinée Society (IBDS) em Londres, com o apoio da Communauté Française de Belgique (WBI).
Pelo rigor da comunicação e pela importância de que esta se reveste como contexto duma boa parte das acusações lançadas contra Tintin au Congo, não hesitamos em aqui transcrever o essencial deste original e oportuno estudo.
O seu autor cita e descreve uma obra da época, praticamente desconhecida, como aquela onde Hergé assentou inequivoca e significativamente o polémico trabalho. Trata-se de Un an au Congo Belge, edição da Librairie Albert Dewit (Bruxelas) em 1925, da autoria de “Chalux”, pseudónimo de um jornalista belga, o marquês Roger de Chateleux. Por óbvias razões, são aqui transcritas as linhas finais da obra, espécie de esclarecedora dedicatória: “Que possa este simples caderno de viagem servir um pouco a grande causa colonial, iniciada pelo génio de Leopoldo II, e incitar a Bélgica a convencer os melhores elementos entre a juventude belga a seguir uma carreira útil a si própria e à Mãe Pátria”.
O livro, nas suas 725 páginas ilustradas com 168 reproduções fotográficas mais uma carta do Congo, contém uma impressionante quantidade de pormenores a seguir tornados comuns em Tintin au Congo, publicado apenas cinco anos depois.
Sem esgotar a lista, e apenas quanto a gravuras, citam-se as mais relevantes “coincidências”:


• Foto do paquete Thysville, reproduzido no álbum;
• Foto de um missionário, de densa barba e vestes brancas, com capacete, em tudo semelhante ao Superior da Missão;
• Foto de viaturas similares ao Ford T;
• Foto de um tambor tam-tam de forma particular, rigorosamente igual ao constante da penúltima página da edição p/b de 1930/31;
• Foto de um caçador branco, o próprio autor, com capacete colonial e o seu fiel “Vendredi” negro, fazendo lembrar Tintin e Coco;
• Foto de um comboio congolês, em via reduzida, não muito diverso do reproduzido no álbum;
• Foto de soldados negros, uniformizados tal e qual como os de Hergé.
Quanto ao texto propriamente dito, muitas são as informações relevantes e particulares que surgem, depois, interpretadas no álbum. Eis apenas algumas:

• O facto de, em certos locais do rio Zaire (ou Congo), a maré influenciar a subida das águas, tal como na cena onde Tom coloca Tintin ao alcance dos crocodilos;
• O pormenor de os crocodilos, nadando no rio, poderem ser tomados por troncos de árvore, ilusão de óptica que quase vitima Milou;
• A importância estratégica do caminho de ferro congolês, justificativa da empenhada intervenção de Tintin a quando do acidente;
• O comércio dos diamantes, então controlado pelos americanos, episódio depois ficcionado com a intervenção dos sicários de Al Capone;
• A prática imitativa dos Negros, ao usar fragmentos ou restos de vestuário, como ostensivo índice civilizacional, cena-tipo de que Hergé vai abusar...;
• Diversas referências detalhadas sobre os Aniotas, os pigmeus, a vida nas missões e os pequenos e grandes reis indígenas, material de que a história se serve com frequência;
• Relatos sobre salomónicas decisões de missionários, quer católicos quer protestantes, metáfora que Hergé utilizará em diversas situações, nomeadamente no caso da divisão de um chapéu de palha disputado por dois Negros.
O conhecimento desta lúcida e quase “revolucionária” investigação de Bernard Spee traz uma nova luz ao caso, confirmando, em absoluto, as declarações de Georges Remi. Apenas se pode lamentar que este não tenha sido mais explícito e mais objectivo nas suas confissões, sobre a acrítica ingenuidade em que vivia na época e sobre a forma como recebia as influências do seu meio e as dos nefastos preconceitos em voga na Bélgica colonialista dos anos 30. Como aconteceria, aliás, se por acaso vivesse em Portugal.
Porém, ao esconder as indiscutíveis semelhanças de Tintin au Congo com Un an au Congo Belge, recearia ele alguma acusação de plagiato? Ou teria preferido ocultar as discutíveis motivações e inspirações ali colhidas?
Ninguém poderá hoje confirmar nem desmentir estes pressentimentos, mas não poderemos ignorar doravante este dado fundamental.
António Martinó da Azevedo Coutinho

sábado, julho 24, 2010

Nos 85 Anos do Grupo Desportivo Portalegrense

Uma das curiosidades que ressaltam da leitura da Revista que celebra o XX Aniversário do Grupo Desportivo Portalegre é saber que Lago do Jardim da Corredoura serviu de Piscina.
Hoje esse lago é apenas Memória, destruído que foi por gente sem sensibilidade arquitectónica e sem conhecimento da História da Cidade de Portalegre. Gente medíocre.
Só a Fotografia recorda aquele espaço lúdico, que aqui fica para que se lembre que o Lago da Corredoura tinha razão para existir!
Mário Casa Nova Martins
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Nos 85 Anos do Grupo Desportivo Portalegrense

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Mário

Nos 85 Anos do Grupo Desportivo Portalegrense

Aurélio Bentes Bravo é o director do bissemanário portalegrense Fonte Nova e autor do livro O Semeador, Em Portalegre não se sabe muita coisa...
A Ele temos a agradecer a oferta de algo que nos deu enorme prazer, e que nos emocionou.
A nossa paixão pelo Grupo Desportivo Portalegrense é pública e que melhor prenda podíamos receber do que a Revista que celebra o Vigésimo Aniversário!
Com as quotas em dia!, continuamos a acompanhar a Vida do Clube, que nesta época de 2009/2010 foi Campeão Distrital nas categorias de Escolas e Juniores.
Hoje o Grupo Desportivo Portalegrense, novamente a assumir o seu nome ‘original’ Clube Desportivo Portalegrense, celebra o seu Octogésimo Quinto Aniversário.
Com discrição celebra esta Efeméride, mas em tempo algum podíamos deixar de recordar esta Facto.
Mário Casa Nova Martins
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O Semeador, Em Portalegre não se sabe muita coisa...
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Nos 85 Anos do Grupo Desportivo Portalegrense


PRIMEIRA ACTA

No dia vinte e seis de Julho de mil novecentos e vinte e cinco, foi fundado por iniciativa de Carlos Fernandes Bentes de Oliveira, Florindo Eugénio Madeira, Adelino Brito Júnior, Alfredo Baptista, João da Piedade Rosado Casaca, João Sobral Sequeira, Germano Vidal Garção, Ângelo Sajara, Fernando Maria Martins Caldeira e Rui Óscar Velez Caroço, um grupo destinado à prática de todos os sports e com sede em Portalegre, ao qual os indivíduos acima citados resolveram chamar Club Desportivo Portalegrense.
Neste mesmo dia foi eleita a Direcção, ficando constituída da seguinte maneira:
PRESIDENTE - Carlos Fernandes Bentes de Oliveira
SECRETÁRIO - Florindo Eugénio Madeira
TESOUREIRO - Adelino do Carmo Brito Júnior
Portalegre, vinte e seis de Julho de mil novecentos e vinte e cinco
O SECRETÁRIO - Florindo Eugénio Madeira

sexta-feira, julho 23, 2010

A Decadência da Europa

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Não fazemos comentários sobre este vídeo. Limitar-nos-emos a dizer que esta interpretação coincide em grande parte com a nossa.
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, julho 22, 2010

Luís Aguilar

Conferência Mundial de Análise Transaccional

A Conferência Mundial de Análise Transaccional, organizada pela ITAA (International Transactional Analysis Association), realiza-se, este ano, de 11 a 15 de Agosto, em Montreal, cidade onde há cem anos nasceu o criador da Teoria da Personalidade e da Acção Social, a Análise Transaccional: Eric Berne (1910- 1970). Luís Aguilar e Vitália Rodrigues são os únicos portugueses diplomados pela ITAA e, por isso, é com orgulho que vos damos a conhecer a sua participação numa das tribunas, das mais importantes no domínio da Psicologia e da Dinâmica de Grupos e a consagração após dez anos de prática da sua abordagem, considerada inovadora, a ponto de a mesma ter inspirado, a temática deste congresso: TA in Action.
Assim, no dia 14 de Agosto das 14h00 às 17h30, Luís Aguilar e Vitália Rodrigues orientarão uma oficina (workshop), em que, através do jogo de papéis, põe em evidência variados conceitos-chave da A. T.: Estados do Eu, Transacções, Jogos Psicológicos, Posições de Vida, Cenários de Vida, Estímulos, Contrato Psicológico de Mudança, Sentimentos e Alfabetização e Inteligência Emocional.
International TransactionalAnalysis Association
Eric Berne Centenary Conference
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Program: August 11-15
Lusophone Participation Highlights
Transactional Action in Analysis
by Luís Aguilar and Vitália Rodrigues
2.00 to 5.30 p.m. on Saturday, August 14
Through this workshop we propose to demonstrate, through the use of role playing, that Eric Berne's main concepts, Ego States, Psychologic Games and Scripts, are of significant importance in teachers'psycho-educational training and how they can be applied in the classroom. (Read more)
Games couple play throughout the loving psychodynamics
by Antônio Pedreira
According to Berne, any game can be the basis for the couple and family life, but some of them are more frequent and tolerated than others. The final result doesn't depend on it category, either sexual or conjugal, for only arbitrarily can these games be distinguished, one from another. (Read more)
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Luís Aguilar
Professeur invité d'Études Portugaises et Lusophones et Docente do Instituto Camões
Membre du Comité scientifique de la Chaire sur la culture portugaise
Représentant du Portugal de l'European Book Club de Montréal
Mineure en Langue portugaise et cultures lusophones
Département de Littératures et de langues modernes
Direction de l'enseignement des langues et de cultures étrangères
Faculté des Arts et des sciences
Université de Montréal
Pavillon Lionel-Groulx C-8069
3150 Jean Brillant
C.P.6128, succursale Centre-ville
Montréal (Québec) H3C 3J7

Márcio-André

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21 de Julho 2010 (21H)
Performance:
Em pareceria com Ana Matey, responsável pelo projecto ARTe en AcciON (Madrid), apresentação de 4 performances:
Analía Beltrán i Janés (Espanha) “Pegat al cap”
Performance individual. Duração: 30’
Trabalha em Arte de Acção desde 2001, na qual centra a sua actividade, apesar de ter formação em Artes Plásticas e ter começado por trabalhar em Fotografia e Vídeo. Tem participado em vários festivais de performance a nível internacional. Nesta performance Analía Beltrán vai trabalhar o tema da infância e da violência. Segundo as palavras da artista «uma mesma pessoa pode passar de agredida a agressora quando muda a sua posição de poder». A artista tentará fazer reflectir a audiência àcerca destas questões frágeis e ocultas na nossa sociedade.
Iris Nava (México) “Magdalena”
Performance individual. Duração: 60’
Nasceu no México, apresentado-se como mestiça de raça e pensamento. É perfomer e gestora cultural desde 1994. Trabalha actualmente em Madrid. Frisa que o seu trabalho se foca em três temas: identidade, autobiografia e a questão da prostituição. Nesta proposta usará um material novo nas suas acções, os ícones religiosos, esperando criar uma espécie de «romaria» ou «penitência» em interacção com o público que encontre ao acaso pela rua, numa parte bastante povoada da cidade.
Paco Nogales (Espanha) “Tóxico”
Performance individual. Duração: 30’
As linhas de força do trabalho de Paco Nogales são a dor, o luto, emoções, espiritualidade, condicionamentos sociais, masculinidade e género. Interessa-se pela performance primeiramente como uma prática onde pode fazer confluir formas de expressão artística díspares. Aborda a performance numa perspectiva autoral artística mas também como forma alternativa de pedagogia. A proposta que irá apresentar trabalha a masculinidade, questionando-a como forma de condicionamento emocional, ou como problemática de género dominante. Problematiza o entendimento diferenciado entre géneros, no que respeita ao consumo de agentes tóxicos, o entendimento cultural de um homem e uma mulher alcoolizados, e a tendência para a permissão do uso emocional da violência a um dos géneros.
Ana Matey (Espanha) “Slow Food”
Performance individual. Duração: 120’
O seu primeiro contacto com o uso do corpo nasce através do Butoh 2004. Segundo a própria, este fá-la explorar os limites do corpo e da morte. De 2006 a 2008 começa a experimentar o espaço público, trabalha a imobilidade em mais de 100 intervenções, permanecendo imóvel desde 1 minuto até 6 horas - «observava assim a diluição do espaço e do tempo que através do corpo se tornavam um só». Ana Matey organiza também eventos relacionados com a performance desde 2006, no seu estúdio El Carromato e no espaço Espora, ambos em Madrid. No seu trabalho o corpo é o centro, as acções são pensadas como exercícios de liberdade, paciência, desapego, consciência do medo... , interrogações possíveis para o espectador.
Vídeo performance:
Vanessa Castro e Iñaki López (Espanha) “Torneo passión”
Duração: 30’
Documentário sobre proposta de acção/desporto com apresentação pelos autores.

22 de Julho 2010 (21H)
Performance:
Marcio Shimabukuro (Brasil) S/ título
Performance. Duração: 40’
O quotidiano é a base para as pesquisas performáticas de Marcio Shimabukuro, que utiliza um método simples de desconstrução de rotinas e padrões do quotidiano para procurar descobrir o inusual no comum, analisando (tempo x espaço x acção x contexto).
Jakub Falkowski (Polónia) S/ título
Performance. Duração: 20’
A sua primeira aproximação à experiência artística dá-se através do teatro, a sua formação académica. A performance surge no seu percurso como um desdobramento, uma abertura a variadas direcções. Interessa-se neste momento por peças onde existe uma forte participação do público ou onde o público é co-autor.
Márcio-André (Brasil) “Multitubetextura”
Performance. Duração: 20’
Poeta experimental e performer, deu aulas de escrita criativa de nível avançado e poesia sonora na Universidade de Coimbra. O foco do seu trabalho é a construção do som e da palavra em tempo real. Além de várias apresentações no Brasil e Argentina, tem apresentado o seu trabalho regularmente em várias cidades Europeias.
http://www.marcioandre.com/
Happening:
Marcio Shimabukuro (Brasil) “Chess Table”
Duração: 5’
Acção colectiva a realizar com o público, caso se consiga a intervenção mínima de 32 pessoas.
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terça-feira, julho 20, 2010

Ciclo de Conferências de Senadores - IV

Entre a ‘grande’ e a ‘pequena história’

Estão cumpridos dois terços, quatro em seis, do Ciclo de Conferências de Senadores, promovido pelo Instituto Politécnico de Portalegre. A última conferência, na passada quarta-feira dia 16 de Maio, teve como interveniente António de Almeida Santos, apresentado por Avelino Bento, um dos promotores deste evento de cultura e cidadania e docente do IPP.
Almeida Santos falou precisamente cento e vinte minutos. E desde já pode ser dito que teve agrado geral.
Começou de improviso falando dos momentos, indirectos, que teve com António de Oliveira Salazar. E importa dizer que dos quatro Senadores já ‘conversados’, três viveram, e viverão e pela lei natural da vida, mais tempo no Estado Novo do que na presente Terceira República. À excepção de Mota Amaral, até por um conjunto de razões que têm a ver com o próprio ou com a natureza do próprio e que evitamos enunciar ou enumerar, António Arnaut, Veiga Simão e agora Almeida Santos, foram salomónicos no elogio e na crítica a Salazar e seu Consulado.
A crítica a Almeida Santos e à sua Conferência tem a ver com o texto que leu, entremeando-o com considerandos oportunos, e não com estes mesmos.
No texto há muito erro histórico, e os erros deste tipo nada têm a ver com a interpretação histórica dada a um determinado acontecimento.
Para Almeida Santos, a figura maior do século XX português foi Afonso Costa. E não podemos estar em maior desacordo! Afonso Costa, e por mais de uma vez o afirmámos, é o rosto para o bem e para o mal da Primeira República. E o ‘mau’ na Primeiro República foi muito superior ao somatório do ‘bom’, pelo que a Afonso Costa se deve atribuir a falência do Regime. Mas respeitamos e compreendemos as razões de Almeida Santos, não só pelo seu posicionamento na política como pelas posições que toma na sociedade portuguesa.
Já em relação a Cunha Leal, coincidimos em alguns aspectos com a interpretação que deu à sua actividade política, mas as relações deste com Salazar foram muito mais ‘equilibradas’ do que fez crer.
Almeida Santos teve nesta Terceira República um papel importante nas relações entre Portugal e a Santa Sé, assim como Francisco Salgado Zenha. Aliás, os socialistas do PS sempre temeram um confronto com a Igreja no pós-25 de Abril de 1974, jamais querendo repetir aquilo que chamam de erros da Primeira República. E foi notório este facto político, quando por variadas vezes Almeida Santos referiu como o erro maior da Primeira República a luta contra a Igreja, querendo, ao mesmo tempo, ilibar Afonso Costa dos excessos então cometidos, o que é manifestamente impossível! Os factos, são factos.
Uma faceta que Almeida Santos mostrou, e por mais de uma vez, foi a de justicialista. Culpou os monárquicos de estarem constantemente a atacar a República, através de incursões, quando a História apenas relata duas incursões, vindas da Galiza e sem poder militar para fazer temer ou tremer o Regime Republicano. Paiva Couceiro nunca teve hipótese no campo militar e político. As Incursões Monárquicas, no plural porque foram duas, a primeira em 1911, a segunda em 1912, foram tentativas pessimamente planeadas de incursão militar pelo Norte de Portugal, feitas na sua maioria por civis de boas intenções mas mal equipados.
Mesmo a restauração monárquica em 1919 na cidade do Porto, a chamada Monarquia do Norte, tão efémera como romântica, não conseguiu vingar em Lisboa, tendo os monárquicos sido derrotados em Monsanto e obrigado a Junta Governativa do Reino a render-se.
A repressão aos monárquicos ao longo da Primeira República foi tão real quanto dura. Mas Almeida Santos, o justicialista, achou sempre ‘branda’ a acção repressiva dos republicanos sobre os monárquicos.
Tendo sido um dos principais responsáveis pela vergonhosa Descolonização das colónias portuguesas, de certeza que Almeida Santos não quereria que, se os responsáveis viessem ainda a ser julgados, sofrer a ‘brandura’ que os seus correligionários republicanos exerceram sobre os monárquicos na Primeira República.
Mais o maior ‘ódio de estimação’ para almeida santos é o rei D. Carlos I. e para denegrir a imagem do Rei Martirizado, nada melhor encontrou que a denominada ‘petit histoire’.
Falar dos amores do rei, das suas caçadas e de primeiro questionar para em seguida não duvidar dos dotes de pintor de D. Carlos, é no mínimo ‘pequena política’, facto que até por diversas criticou. Mas, como contraponto, elogiou o rei D. Luís, o ‘clássico’ para os republicanos da Primeira República. A ‘cartilha’ está ‘bem estudada’.
Mais interessante foi ouvir Almeida Santos dissertar sobre a Globalização e a Sobrepopulação. Actualíssimo na abordagem destas duas temáticas, foi elucidativo saber o que o Político pensa destas temáticas.
Em suma, duas horas que não foram ‘longas’.
E a apresentação do Conferencista teve 'conta, peso e medida'. Dito assim, o elogio a Avelino Bento é justo.
Mário Casa Nova Martins
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Ciclo de Conferências de Senadores III
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Ciclo de Conferências de Senadores II
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Ciclo de Conferências de Senadores I

segunda-feira, julho 19, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

Ao interessante confronto entre o início e o final da versão a preto e branco (1930-31) e os da versão redesenhada e colorida (1946-47) vamos agora juntar um outro elemento, normalmente desprezado mas fundamental -em meu entender- para uma melhor compreensão dos complexos valores em discussão assim como da sua significativa e natural evolução. Trata-se de uma das versões intermédias, publicada em álbum, ainda a preto e branco, no ano de 1942.
É precisamente nesta edição que se verificam algumas das alterações que normalmente são atribuídas, com outras intenções, à “oportuna” versão final.
Estávamos em plena II Guerra Mundial e a Hergé interessava a exploração comercial das suas histórias. Assim, a expansão francófona das aventuras de Tintin, demasiado conotadas com a sua Bélgica natal, seria beneficiada se delas fossem expurgados os traços mais evidentes de tal “identidade”. Uma “supranacionalidade” do herói, na lógica hergeniana, facilitaria a sua adopção pelos leitores de todos os países. Note-se, em apoio desta tese, como n’O Papagaio Tintin fora mesmo “nacionalizado”, até por iniciativa local...
Hergé mandou portanto que fossem suprimidas, em Tintin au Congo, todas as alusões ao Vingtième Siècle e os elementos considerados excessivamente nacionais. E, porque o Congo era então uma colónia belga, as mais específicas referências geográficas a este território foram igualmente apagadas, em 1942.
Em abono da verdade objectiva, devemos reconhecer que alguns traços coloniais sobraram ainda, como, por exemplo, os rótulos colados na bagagem de Tintin e o conteúdo de alguns balões. Estes vestígios apenas desapareceriam na fase da recomposição gráfica da história, quatro anos depois.
Essas intervenções iniciais traduziram-se, nalguns casos, em autênticos desastres ao nível da impressão, porque resultaram de mutilações produzidas nas chapas metálicas usadas para o efeito, antes das técnicas do offset. A observação dos balões da vinheta inicial, na versão intermédia de 1942 é suficiente para entender o fenómeno.
Restaria uma flagrante contradição -susceptível de anular esta teoria- sob a forma de uma vinheta extremamente conotada, em cuja legenda se lê: “A 31 de Março, em Kalabelou...” Trata-se de um pormenor muito curioso, bem revelador da atenção -e nunca da distracção- de Hergé: é que uma aturada investigação, quer enciclopédica, quer por via de qualquer eficaz motor de pesquisa informática, conduz sempre à conclusão de que uma localidade com tal topónimo... não existe!
Nem no Congo, antigo ou moderno, nem em qualquer outra parte de África ou do Mundo...
No entanto estas alterações, quase sempre interpretadas como constituindo um perverso objectivo de auto-correcção da má consciência colonialista de Hergé, pela neutralização e pela descontextualização intemporal históricas, estão na base de algumas críticas pseudo-intelectualizadas ao autor e à sua obra.
O mesmo se passa com a introdução, atrás destacada, das figuras de Georges Remi, Jacques Van Melkebeke e Edgar-Pierre Jacobs entre o grupo que se despede de Tintin. Porque isto acontece em 1946, pouco depois da final da Guerra, em que os dois primeiros (sobretudo Melkebeke) tiveram sérios problemas relacionados com acusações de colaboracionismo com o invasor alemão, alguns outros críticos associaram tal inserção com intencionais manobras de branqueamento e reabilitação das respectivas imagens.
O autor de um notável estudo (Petit historique de la réception de l’album Tintin au Congo ou L’échec d’une aventure du petit reporter? - Bélgica, Setembro de 2009), Bernard Spee, chega por isto mesmo a insinuar que tudo se assemelha a uma história para adultos, onde se entrelaçam colonialismo e colaboracionismo, o que não ajudaria a ver as coisas claramente...
Acontece que, tal como Alfred Hitchcock tantas vezes fez nos seus filmes, também Hergé se introduziu (e aos amigos) no interior da própria obra. Edgar-Pierre Jacobs tinha sido censurado pelos alemães e Hergé, nesse mesmo ano de 1946, associar-se-ia sem qualquer constrangimento a uma personalidade mítica da resistência francesa -Raymond Leblanc- na “construção” do novel jornal Tintin.
Para que conste.
António Martinó de Azevedo Coutinho

domingo, julho 18, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

Tintin e o Campeonato do Mundo de Futebol
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Etnias

Recebemos por mail este excerto de um documento onde se fica a conhecer a indemnização com que foi obsequiada gente que ocupara ilegalmente um terreno.
Sabendo-se que arbitrariedades deste tipo acontecem junto à Avenida Luís Bacharel em Portalegre, cuja responsabilidade é da Câmara Municipal de Portalegre, aqui fica ‘o que o futuro nos espera’.
Mário Casa Nova Martins
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Mail «assim, não admira estarmos em crise !!!»

sábado, julho 17, 2010

Movimento Urânio em Nisa Não, MUNN

NOTA DE IMPRENSA
INCUMPRIMENTO ESCONDIDO
COM TRANSVASE DE FORA
12 DE JULHO DE 2010
O proTEJO esteve recentemente na praia fluvial do Alamal focando a importância do turismo de natureza para tornar os rios mais vivos e mais vividos e a importância da quantidade da água e dos caudais ecológicos para a qualidade da água das praias fluviais.
Ora vejamos, a praia fluvial do Alamal ganhou a bandeira azul no ano de 2005 e nos anos seguintes tem vindo a alternar anos em que perdeu a bandeira azul (2006, 2008 não hasteada e 2009) com anos em que recupera a bandeira azul (2007 e 2010).
Constata-se que os anos hidrológicos em que ocorreu incumprimento dos caudais ecológicos da Convenção de Albufeira foram os anos de 2004/05, 2005/06 e 2008/09, precisamente aqueles que influenciaram a qualidade da água na praia fluvial do Alamal e lhe retiraram a bandeira azul nos anos de 2006 e 2008.
Tendo analisado a informação oficial disponível, concluímos que desde 2004 ocorreram 3 anos de incumprimento consecutivo dos caudais mínimos ecológicos definidos na Convenção de Albufeira por parte do Governo Espanhol, de 2700 hm3 por ano, nos anos hidrológicos de 2004/05, 2005/06 e 2008/09.
Note-se que apenas o ano hidrológico de 2004/05 foi considerado abrangido pela situação de excepção por motivo de seca.

Apesar da Comissão para Aplicação da Convenção de Albufeira (CADC) ter assumido o cumprimento da convenção no seu relatório hidrometereológico do ano hidrológico de 2005/06 com o registo de escoamento de um caudal de 2.779 hm3 na Barragem de Cedilho apurámos a passagem de igual quantidade de caudal de 2.779 hm3 na Barragem do Fratel, de acordo com a medição do boletim de escoamento de caudal na barragem do Fratel publicado pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (Boletim de Escoamento/SNIRH) do INAG, sendo ambos os documentos da responsabilidade da Autoridade da Água – INAG cujo presidente Orlando Borges é também vice-presidente da mesma CADC.
Esta medição de escoamento na barragem de Cedilho apenas poderia estar correcta se os afluentes do Tejo em nada tivessem contribuído para o caudal do rio Tejo entre as barragens de Cedilho e Fratel.
Estranhando o facto e começando a fazer contas concluímos que, desde 2004 a 2009, foi de 144 hm3 o diferencial médio anual de escoamento de caudal entre a barragem do Fratel e a Barragem de Cedilho.
Também o presidente do INAG, Orlando Borges, observou publicamente numa apresentação (pág. 8) que o escoamento na barragem de Fratel corresponde a mais 200 hm3 de água que o volume de escoamento na barragem de Cedilho.
É óbvia a falta de fiabilidade dos dados oficiais: ou está incorrecto o relatório hidrometereológico da CADC ou o boletim de escoamento da Barragem do Fratel, obtido pelo Sistema Nacional de Informação sobre Recursos Hídricos do INAG.
Com efeito, não é verosímil que o cálculo do escoamento na barragem de Cedilho de 2.779 hm3 apurado pela Comissão para a Aplicação e o Desenvolvimento da Convenção (CADC) no seu relatório hidrometeorológico do ano hidrológico de 2005/06 seja igual ao escoamento registado na barragem do Fratel de 2.779 hm3, de acordo com Boletim de Escoamento do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos / INAG, nem que ao fim de 5 anos o INAG não tivesse notado esta incoerência na informação que disponibiliza.
Acreditando na medição obtida na barragem do Fratel, único ponto de medição de caudais sob controlo das autoridades portuguesas, conclui-se que no ano hidrológico de 2005/06 ocorreu um incumprimento da Convenção de Albufeira de cerca de 65 hm3 que corresponde a 2.635 hm3 de escoamento da Barragem de Cedilho calculado pelo abatimento de 144 hm3 de entradas médias de caudal entre as barragens de Cedilho e Fratel aos 2.779 hm3 de escoamento registado na barragem do Fratel (Boletim de Escoamento/ SNIRH/INAG).
Estes 65 hm3 em falta nesse ano significam cerca de 1/3 da fornecida pela EPAL à Grande Lisboa (211 hm3), tal como os 380 hm3 em falta no ano de 2008/09 é o mesmo volume de água que consome a Grande Lisboa e o Grande Porto.
Os anos em que ocorre incumprimento dos caudais hidrológicos pelo Governo Espanhol são precisamente aqueles em que se registam os mais significativos transvases de água para o levante espanhol, ou seja, quanto maior a seca no sul de Espanha menos água teremos disponíveis para manter caudais ecológicos mínimos em Portugal e para assegurar a qualidade da água nas nossas praias fluviais.
É preciso que Portugal tenha um governo que defenda as populações ribeirinhas do Tejo e deixe de negligenciar as Convenções com Espanha.
O Tejo merece!
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Movimento Urânio em Nisa Não, MUNN (uranionao@gmail.com)

sexta-feira, julho 16, 2010

Sport Lisboa e Benfica

Época 2010/2011
P'ra que não haja dúvidas quanto a um SLB Bi-Campeão...
Mário

Carlos Fontes - I República

1º. Centenário da Implantação da República em Portugal (1910-2010)
1ª. República: Lições de uma tragédia nacional

I. Mudança de regime
A monarquia em Portugal não caiu devido à força das ideias republicanas, mas ao descalabro do próprio regime monárquico.
- Monarquia Constitucional. O regime constitucionalista implantado em 1834, não apenas limitou o poder dos reis, mas desarticulou o que restava do poder das grandes famílias nobres. Esta situação nunca foi aceite pela Casa Real. Os reis através de diversas manobras palacianas procuraram controlar os partidos monárquicos, formando e destituindo governos. Uma prática que contribuiu e muito para o descrédito do regime monárquico.
- Rotativismo e corrupção. Os dois principais partidos monárquicos - o Regenerador e o Progressista -, assentes no Erário Público, no caciquismo e na corrupção dominavam a política em Portugal.
Não eram apenas os casos da grande corrupção minavam o regime, como os que envolviam os caminhos-de-ferro, os tabacos, as obras do porto de Lisboa ou o crédito, mas também a pequena corrupção proliferava pelo Estado e as autarquias.
O orçamento da Casa Real fora estabelecido no reinado de D. Maria II, com o tempo tornou-se manifestamente insuficiente. A fim de levantar polémica, a solução que os monárquicos arranjar foi dar à Casa Real sucessivos Aditamentos. Em 1907, as dívidas acumuladas destes Adiantamento correspondiam a cerca de metade do orçamento do próprio Estado. O escândalo foi enorme.
Na última fase do regime os partidos monárquicos, registavam permanentes convulsões e cisões internas. A única ideia política consensual era a do "bota abaixo!".
Enquanto isto acontecia, a situação económica do país piorava ano após ano, obrigando a emigrar centenas de milhares de portugueses.
- Exemplo brasileiro. A república francesa foi sempre a principal fonte de inspiração dos republicanos portugueses, mas o fim da monarquia no Brasil, em 1889, que terminou ali com dinastia dos Braganças, produziu um profundo impacto em Portugal. Muitos eram os que passaram a apontar o Brasil como o exemplo político a seguir.
Coincidência ou talvez não, o certo é que os republicanos resolveram marcar a data da implantação da república para a altura em que o presidente da república do Brasil (marechal Hernes da Fonseca) passava por Portugal.
- A questão colonial. Desde 1415 a história de Portugal estava intimamente ligada à existência de domínios além-mar. O comportamento de João VI, entre 1807 e 1820, abandonando o país, foi o início do descrédito da dinastia de Bragança. A independência do Brasil, em 1822, acentuou esta tendência. Apesar disto, eram muitos poucos os que em meados do século XIX advogavam o fim da Monarquia. A situação mudou quando por volta de 1890, as diversas potências europeias resolveram-se na repartição entre si do continente africano. Portugal reclamava os territórios entre Angola e Moçambique (Mapa Cor de Rosa), mas a Inglaterra, histórica aliado de Portugal, defendeu que os territórios eram seus e exigiu a retirada dos portugueses (11/01/1890), o que foi prontamente acatado pelo governo monárquico. Aos olhos da população, a dinastia de Bragança, revelou a sua total incapacidade para defender os interesses coloniais de Portugal.
O descontentamento foi de imediato aproveitado pelos republicanos. É neste contexto que ocorre, a frustrada revolta republicana a 31 de Janeiro de 1891 no Porto, que pretendeu acabar com a monarquia em Portugal. A resposta dos partidos monárquicos foi a de instalar uma ditadura entre 1894 a 1896. A monarquia passou a ser associada não apenas à corrupção e à venda de Portugal aos estrangeiros, mas também à ditadura.
- Descrédito da Família Real. D. Carlos, notável artista e cientista, nunca conseguiu tornar-se um rei popular. Os únicos êxitos que obtinha eram como anfitrião na cena internacional. Lisboa, tornou-se no seu reinado, numa das capitais mais visitadas por chefes de Estado de todo o mundo (Imperador da Alemanha, Eduardo VII e Alexandra de Inglaterra, Afonso XIII de Espanha, Presidente da França, do Brasil, etc.), sendo os mais bem acolhidos pela população, os presidentes de repúblicas!
- Violência política. A incapacidade dos governos monárquicos para acabar com a corrupção, geraram uma crescente onda de contestação por parte das populações urbanas de Lisboa e Porto. Como resposta procuraram calar a oposição, aumentando a repressão e o controlo da imprensa.
O rei Carlos, em Abril de 1907, dissolve o parlamento e entrega o poder a João Franco, dirigente do recém-fundado Partido Liberal.
Esta medida estimulou a oposição urbana de Lisboa, liderada por anarquistas e republicanos a derrubar o regime monárquico. D. Carlos e o príncipe Luís Filipe são abatidos a tiro a 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço, quando regressavam de Vila Viçosa. A população acorreu em massa ao enterro dos regicidas, ignorando por completo os funerais do rei e príncipe assassinados. Um facto revelador do estado de decadência a que havia chegado o regime monárquico, e o descrédito que haviam atingido na população. O seu fim estava traçado.
Nas eleições de 5 de Abril de 1908, os republicanos conseguiram em Lisboa uma vitória estrondosa. A reacção do governo foi brutal: 14 pessoas foram assassinadas no centro da cidade.
Mercê de uma aliança entre anarquistas e republicanos, o operariado, envolveu-se directamente no derrube da Monarquia, depositando num novo regime as suas esperanças de melhoria das condições de vida. As greves tornaram-se cada vez mais frequentes, assim como a sua violenta repressão por parte do governo.
II. Implantação
O derrube da monarquia, iniciado na madrugada do dia 4 de Outubro de 1910, é o resultado da acção de um bando de conspiradores da Carbonária portuguesa (fundada em 1896), envolvendo anarquistas e republicanos, chefiados por um tenente da marinha - Machado dos Santos.
A implantação da República no país é revelador do estado de decrepitude atingido pela Monarquia, que já nem aos próprios monárquicos convencia. Muito poucos foram aqueles que se mostraram no momento dispostos a defendê-la. Paiva Couceiro foi dos raros a fazê-lo.
O Partido Republicano só se envolveu verdadeiramente na acção da Carbonária, quando ao fim da tarde do dia 4 de Outubro, se apercebeu que esta desmoronara o que resta da monarquia, e na manhã do dia seguinte apressou-se a tirar partido da situação, proclamando a República na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. É desta forma que termina em Portugal um regime com cerca de sete séculos, mas que no último se arrastava moribundo. Ao todo morrem nesta acção 76 pessoas, sendo apenas 15 militares. Os conflitos armados posteriores entre republicanos matarão muitíssimo mais pessoas.
III. 16 Anos Turbulentos
Os grandes inimigos da 1ª. República foram os republicanos, a começar por aquelas que a implantaram. Á frente de bandos de arruaceiros e de demagogos, com o apoio de militares, foram os primeiros a lançar num caos o novo regime.
- Eternos Conspiradores. Um dos passatempos preferidos dos republicanos eram conspirarem para derrubarem governos ou envolverem-se em confrontos físicos com os seus adversários.
Machado dos Santos, o fundador da República, foi o exemplo paradigmático deste comportamento político. Após a implantação da República foi um permanente conspirador, sempre envolvido em golpes de estado e matanças até que foi assassinado na noite de 19 de Outubro de 1921, com dezenas de destacados políticos republicanos.
- A questão Religiosa. Assumindo-se como herdeiros dos jacobinos de 1789, os republicanos mal chegaram ao poder, iniciaram uma perseguição sistemática à Igreja Católica, de forma a eliminar a sua influência social: expulsão dos Jesuitas, extinção das ordens religiosas, proibição da Igreja criar associações educativas e assistenciais, fim das missões católicas em África, fim das manifestações exteriores religiosas, anulação da validade jurídica dos casamentos religiosos, expulsão dos bispos das dioceses durante dois anos (1911), etc.. Foi a guerra aberta entre o Estado e a Igreja.
Afonso Costa o paladino da luta anti-clerical, prometeu erradicar o catolicismo de Portugal em duas gerações. A liberdade religiosa tornou-se uma miragem. Em apenas dois anos os republicanos dividiram a sociedade portuguesa, passando a ter contra si a maioria da população.
É neste ambiente que entre Maio e Outubro de 1917 ocorrem as célebres aparições de Fátima, transformadas rapidamente numa poderosa manifestação de resistência católica à propaganda anti-clerical. As crianças que alegadamente viram uma "senhora" tornaram-se os símbolos das vítimas da intolerância republicana, e mais tarde a única sobrevivente (Lúcia) a promotora da cruzada anti-comunista a nível mundial.
- Monárquicos. Os monárquicos não tardaram a aproveitarem-se do descontentamento da população, organizando incursões e revoltas militares para tentarem restaurar a monarquia. O exílio forçado de pessoas de convicções monárquicas, entre as quais se contavam muitos polícias, padres e destacados militares, engrossou naturalmente as forças hostis ao novo regime. Paiva Couceiro, demitido do exército em 1911, comanda as incursões monárquicas de 1911, 1912 e 1914. A sua mais expressiva acção ocorreu em 1919 quando se auto-proclamou presidente da Junta Governativa do Reino, na chamada Monarquia do Norte (1919), que quase derrubou a república.
Não está feita a contabilidade do número de mortes destas incursões monárquicas, apoiadas pelo estado espanhol e o Vaticano (Santa Sé).
O recurso sistemático à força passou a ser a única forma para manter o novo regime. Os atentados a tiro ou a bomba entraram no quotidiano dos portugueses. Esta era a forma preferida para eliminar vozes incómodas ou resolver assuntos de Estado.
- Governos. Os constantes atentados à bomba, conspirações e golpes militares, produziram uma incrível sucessão de governos. Durante os 16 anos que durou a 1º. República, o país conheceu 45 governos, fora os indigitados!
No período entre 1910 e 1917 predominaram governos radicais do Partido Democrático, controlados por Afonso Costa, no período seguinte, sucederam-se governos conservadores que prepararam as condições para a emergência de uma ditadura.
Os próprios presidentes da república, sete no total, sofriam da mesma instabilidade dos governos. Em 16 anos, apenas um único cumpriu integralmente o seu mandato.
- Partidocracia. O regime republicano montou um sistema político que procurava perpetuar o poder de um único partido - o Partido Democrático, herdeiro do antigo Partido Republicano.
As leis eleitorais republicanas limitaram drasticamente o direito de voto da maioria da população. Em 1913, por exemplo, apenas 10% da população total estava representada, e 30% dos homens. Entre 1913 e 1925 o número de eleitores variou entre 397.038 e 574.206. O sufrágio universal nunca foi aceite pelos republicanos que desconfiavam da população, em particular dos analfabetos (70%) e das mulheres.
O número de cidadãos que podia votar durante a República foi sempre muito inferior ao registado durante a monarquia.
O parlamento dominado pelo Partido Democrático, não podia ser dissolvido, podendo aprovar as leis que queria sem qualquer controlo. O único meio para mudar de um governo era frequentemente através de golpes militares, um expediente que acabou por se banalizar. 24 governos foram derrubados por revoluções populares e golpes militares.
O Partido Democrática, não tardou a recorrer à violência política e à censura para impor o seu poder, num ambiente político que lhe era hostil. Neste sentido criou bandos de assassinos conhecidos por "Formiga Branca", que se tornaram tristemente célebres por perseguirem e assassinarem opositores políticos, jornalistas e sindicalistas. Em resposta, os outros partidos políticos, organizaram os seus próprios bandos de arruaceiros para lincharem os seus opositores à bengalada, tiro ou à bomba.
Os trabalhadores de Lisboa que haviam sido decisivos para a implantação da República em 1910, são dos primeiros a serem assassinados quando persistiram a reclamar por melhores condições de vida. Os governos republicanos queriam-nos obedientes.
A ruptura ocorreu durante a Greve Geral de Janeiro de 1912, quando o governo de Afonso Costa, abre as hostilidades mandando prender e reprimir de forma brutal os grevistas e os dirigentes sindicais. A partir daqui a guerra estava declarada entre os trabalhadores e a República.
A defesa militar do novo regime era assegurada por três "organizações" que estiveram envolvidas em inúmeras matanças:
- Os "batalhões de voluntários" e os "Grupos de Vigilância Social", bandos de rufias e cadastrados que sob o pretexto de defenderem a República dos monárquicos e dos padres, a sua principal especialidade eram os atentados e o roubo da população.
- "Guarda Nacional Republicana", um corpo de polícia militarizado supostamente defensores do novo regime, mas que na prática constituía o braço armado do Partido Democrático contra a população e os militares. Andou permanentemente envolvida em golpes de estado e sangrentos atentados, como o que ocorreu a 19 de Outubro de 1921. Os governos republicanos depois deste acontecimento reduziram bastante o seu poder.
- Parlamento. A casa da democracia portuguesa durante os 16 anos da 1ª. República andou em contínuas convulsões. Foi uma das causas do caos em que o regime mergulhou. A vida do país era controlada pelo parlamento que nomeava o presidente da república e o governo. Em 1911 era constituído por 234 deputados, em 1913 por 156 e depois de 1915 por 163.
As oito eleições legislativas que se realizaram durante 16 anos foram uma autêntica farsa. As leis eleitorais estavam feitas para garantirem a vitória de um único partido - o Partido Democrata -, cujos resultados eram em regra esmagadores.
A demagogia e a retórica vazia imperavam no parlamento, mas as verdadeiras decisões políticas eram tomadas na rua, nos quartéis e nas sociedades secretas.
- Ditaduras. O descalabro dos governos republicanos, levaram-nos a instaurarem sanguinárias ditaduras que não tardaram a colocar o país a ferro e fogo: ditadura de Pimenta de Castro (1915), Sidónio Pais (1917-1918). A partir de 1917, assustados com o rumo que o regime estava a tomar, um número crescente de republicanos passou a defender a instauração de um ditadura, seguindo a tendência de vários países europeus.
- Sociedades Secretas. A maçonaria durante o grão-mestrado de Magalhães Lima (1908-1928) colocou-se abertamente ao serviço da causa republicana. O descalabro da republica não tardou em provocar cisões internas no Grande Oriente Lusitano Unido. Através de estratégias secretas procurou controlar a situação política no país, o que se revelou numa nefasta ilusão. Acusada de andar envolvida em contínuas conspirações, vários foram os governos republicanos que assaltaram as suas sedes, perseguiram, prenderem ou mataram os seus membros. Magalhães Lima será uma das vítimas destas perseguições.
- Grande Guerra. A intervenção de Portugal durante a 1ª. Guerra Mundial (1914-1918), sob o pretexto de defender as suas colónias em África ameaçadas pela Alemanha, agravou a situação social e económica. O país viveu num clima de pré-guerra civil, centenas de pessoas foram assassinadas.
O Corpo Expedicionário Português, acabou vergonhosamente abandonado nos campos de batalha pelo governo, espelhando o profundo caos em que a 1ª. Republica se havia tornado. Ao todo 35 mil portugueses morreram, regressaram a casa com ferimentos ou foram feitos prisioneiros.
Como uma desgraça nunca vêm só, em Maio de 1918, declara-se em Portugal a Gripe Espanhola (Pneumónica) que vitimou cerca de 120 mil pessoas num ano.
A participação na Guerra implicou uma mudança profunda na organização das forças armadas e no aumento do número dos seus efectivos. Após ter findado Portugal passou a dispor de um novo corpo militar, treinado e consciente da sua força que não tardou em usá-la.
A partir de 1923 os militares passaram conspirarem em nome do próprio exército, e não em apoio a um partido. Em 1926 derrubaram o que restava da República instaurando uma Ditadura Militar.
- Corrupção. Durante a Monarquia os republicanos reclamaram por justiça no combate à corrupção e ao caciquismo. Implantada a República esqueceram-se rapidamente dos casos que haviam denunciado e começaram a fazer aquilo que antes condenavam.
As páginas dos jornais durante a República continuaram repletas de casos de corrupção e de relatos de uma justiça ineficaz e incompetente no combate à criminalidade. É neste período que actua um dos célebres ladrões de todos os tempos - Alves dos Reis.
IV. Educação
Durante a monarquia os republicanos tornaram-se os arautos da difusão ensino, como um meio de libertação social de um regime opressivo dominado pela realeza e a Igreja. Em 1911 o analfabetismo atingia 70% da população com mais de 7 anos.
Nos dois primeiros anos após a implantação da República, mostraram alguma coerência com as ideias que antes defendiam. O número de escolas estatais subiu de 5.552 no ano lectivo de 1909/10 para 6.412 no ano lectivo de 1911/12. A verdade é que em 1913, a sua paixão pela educação estava esgotada, centenas destas novas escolas nunca funcionaram ou foram fechadas. Os investimentos na educação começaram a diminuir de forma drástica. Em 1926 existiam no papel apenas 7.114 escolas estatais.
As escolas durante a República tornaram-se em verdadeiros centros de propaganda do regime e do Partido Democrático. Em 1926 foi com surpresa que se constou que havia mais analfabetos em Portugal do que em 1910, devido ao aumento da população.
A grande obra educativa da República centrou-se em torno de casos exemplares que foram largamente publicitados: a Escola Oficina Nº. 1, em Lisboa, obra da maçonaria e do movimento anarquista; as Universidades Populares e as reformas do ensino superior.
V. Colónias
A propaganda republicana acusava os vários governos monárquicos, não apenas de incompetência na gestão das colónias, assim também de subordinação aos interesses estrangeiros, em particular aos ingleses.
Após a implantação da República, revelaram-se um completo falhanço neste domínio, tendo prosseguido com a mesma política colonial, assente no proteccionismo mercantilista, trabalho forçado, diminutos investimentos públicos e subordinação a interesses estrangeiros, em particular aos ingleses.
A única nota positiva foi a acção de Norton de Matos em Angola. Enquanto governador-geral (1912-1915) e depois como Alto-Comissário (1921-1924), que procurou impor o trabalho assalariado, generalizar o uso da moeda, facilitar o acesso ao crédito, promover o desenvolvimento local assente na agricultura, diversificar as produções, e permitir uma maior mobilidade social na população branca e indígena. A verdade é os governos republicanos, não discordaram destas ideias, mas boicotaram-nas de forma sistemática.
Um dos maiores falhanços da 1ª. república foi a desarticulação das missões católicas nas colónias, sob o pretexto de as virem as virem a substituir por missões laicas. A verdade é que nunca o fizeram, limitando-se a combater neste domínio o catolicismo, abrindo o terreno às missões protestantes.
Os demagogos que dirigiram a primeira república, sustentaram a intervenção na 1ª. Guerra Mundial (1914-1918), sob o pretexto de defenderem as colónias em África. É certo que os alemães, em 1914, haviam atacado o norte de Moçambique (posto de Maziua) e o sul de Angola (Naulila, fortaleza de Cuangar, etc). A verdade é os soldados foram atirados para os campos de batalha na Europa e em África, sendo progressivamente abandonados à sua sorte.
A política republicana para as colónias revelou-se ao longo dos 16 anos um completo falhanço que envergonhava o próprio regime.
VI. Emigração
A balbúrdia que reinava no país desde o inicio do século XIX e que se agravou durante a República fez disparar a desconfiança quando ao seu futuro. É neste período que ocorre uma das maiores vagas de emigração de todos os tempos, só tendo paralelo com a que ocorreu nos anos 60 do século XX. Entre 1900 e 1930 mais de um milhão de portugueses emigraram para o Brasil e os EUA. Entre 1910 e 1914 mais de 300 mil portugueses foram para o Brasil. A república, como a monarquia nada lhes dizia.
VII. Grandezas e Misérias da República
A propaganda republicana afirmava a superioridade da República no campo dos princípios, não apenas por alegadamente garantir a liberdade, mas também por defender a igualdade entre todos os homens. Em pouco tempo, os factos desmentiram a propaganda. A 1ª. República revelou-se um regime avesso á democracia, anulando importantes avanços verificados desde 1820 no sentido do sufrágio universal.
A primeira república (1910-1926) foi tudo menos um exemplo de democraticidade. O debate politico foi substituído pela ameaça e a violência. Milhares de cidadãos foram mortos por bandos ao serviço dos vários partidos republicanos.
Após a noite sangrenta de 1921, o fim da República estava traçado. Um número crescente de republicanos, como dissemos, passou a defender uma solução ditatorial para o regime. A ditadura, afirmavam, era a única forma de governo susceptível de salvar a "nação".
O jornal O Século, um dos órgãos históricos do republicanismo português, tornou-se num dos mais activos propagandistas da necessidade da instauração de uma ditadura nacional. Este jornal esteve directamente envolvido no golpe militar frustrado de 1925, mas também no vitorioso de 28 de Maio de 1926. Foi depois um dos baluartes da propaganda do Ditadura Militar (1926-1933) e do Estado Novo salazarista.
Nos anos vinte os republicanos esqueceram-se dos conflitos com a Igreja católica, mas também da questão da defesa das "liberdades". O seu ideário político resumia-se a uma ideia: salvar a nação através de uma ditadura, assente no culto da pátria e da autoridade. A chegada de Salazar ao poder (1929) é recebida com agrado pela maioria dos republicanos, nomeadamente os maçónicos.
Com excepção dos anarquistas, muito poucos foram os republicanos que reagiram ao golpe militar de 1926, a maioria já então se revelava admiradora de ditadores como Mussolini. As revoltas de 1927 e outras que lhe seguiram promovidas por republicanos (Reviralho), foram sempre muito circunscritas e encaradas pela população com distanciamento.
Tendo preparado o caminho para a longa ditadura (1926-1974), os republicanos viram a sua obra durante 16 anos alcunhada de "balbúrdia" pela ditadura que nunca lhes reconheceu a paternidade.
VIII. Comemorar o quê?
As comemorações que estão em curso do centenário da República, têm consistido numa vergonhosa operação de branqueamento da 1ª. República.
Estão a branquear os crimes que foram cometidos contra os trabalhadores, em particular os sindicalistas, que estiveram na linha da frente pela implantação da República.
Estão a branquear o seu carácter anti-democrático, nomeadamente a exclusão da esmagadora maioria da população dos actos eleitorais.
Estão a branquear a forma como os próprios republicanos prepararam a população para aceitação de uma ditadura e depois a implantaram.
Estão a branquear demagogos como Afonso Costa e António José de Almeida que conduziram o país para um desastre colectivo.
Carlos Fontes

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