\ A VOZ PORTALEGRENSE: Junho 2010

quarta-feira, junho 30, 2010

Luís Filipe Meira

Memórias em Noite de Verão

Diz-se que o sonho comanda a vida, mas são as memórias que de certa maneira alimentam a nossa sobrevivência. Isso foi público e notório na passada sexta feira, na apresentação do projecto Eclips, que reune oito músicos portalegrenses de proveniências diversas e gostos variados, mas que têm na música dos Pink Floyd uma paixão comum.
Não me atreveria a dizer que a numerosa assistência que quase encheu os Claustros do Convento de Santa Clara fosse formada por melomanos Floydianos, pois o evento teve uma componente social bastante impressiva. Ainda assim foi notório que muita gente ali foi para, à sua maneira, reviver o passado através deste tributo aos Floyd.
Rob Gordon - personagem central do livro Alta Fidelidade de Nick Hornby, que posteriormente foi objecto de uma feliz adaptação ao cinema por Stephen Frears - diz a páginas tantas que:
_ Gravar uma compilação é uma arte subtil. Há regras para coisas a fazer e outras a evitar. Afinal estamos a servir-nos de poesia alheia para exprimirmos o que sentimos e isso é uma coisa delicada.
Ora, quem arranca para tributos como aquele que assistimos na última sexta feira, terá que ter em conta estas premissas. Um projecto deste tipo tem que ser sério, honesto e digno. Para além disso, quem o executa terá que ter uma razoável capacidade técnica e bom senso para não entrar em becos sem saída.
O projecto Eclips é formado por músicos experimentados de razoável capacidade técnica, com frequência de Conservatório, e alguns mesmo com profissão na área da música, por isso quando avançaram para um projecto deste calibre sabiam exactamente o que estavam a fazer. E ainda bem que o fizeram nestes moldes, ou seja, ainda bem que perceberam com humildade as suas naturais limitações e não se abalançaram para outros patamares mais complicados o que, além de maior dificuldade de execução, lhes daria possivelmente um menor retorno, leia-se um menor sucesso.
Ora, o alinhamento do concerto tendo sido centrado no pouco mais que sofrível The Wall não funcionou como factor negativo, antes pelo contrário, afinal o disco está cheio de temas populares e orelhudos, de execução relativamente acessível, que podem ser decisivos no sucesso do concerto. E depois há... Domingos Redondo, um guitarrista de outra galáxia, que nem por um momento deixou transparecer que esta não é a música que o arrepia. Afinal músico é músico em todos os momentos e circunstâncias.
A rematar, gostaria de deixar claro a bondade deste projecto, que respeita a banda inspiradora e que só pode melhorar com o tempo, apesar de ter ficado perceptível que já por aqui há muitas horas de trabalho. Ainda assim, daqui a dois meses no Crato, num palco com outras responsabilidades e perante um auditório enorme e descaracterizado, poderemos aferir, de forma mais ou menos segura se haverá futuro para além dos Claustros de Santa Clara.
Luís Filipe Meira

terça-feira, junho 29, 2010

Coreia do Norte

A verdadeira contra informação

A Coreia do Norte afinal ganhou ao Brasil e empatou com Portugal, depois de lhe ser negada a vitória justa.
Pyongyang e a verdadeira face do comunismo na manipulação de massas!
Mário Casa Nova Martins

Coreia do Norte 1 – Brasil 0


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Coreia do Norte 0 – Portugal 0


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Jaime Crespo


 
Do blogue "Filhos de Nisa", retirei o seguinte texto, assinado pelo Dr. José Manuel Basso, membro da Associação Política Renovação Comunista, ex-presidente da Câmara e eleito deputado municipal nas eleições de Outubro nas listas do PS.
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«PROPOSTA DE TEXTO DE MOÇÃO A APRESENTAR À ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE NISA EM 28 DE JUNHO DE 2010
A degradação da vida municipal atingiu nivel tal que deixou de ser algo que preocupa uma elite de intervenientes na vida política e civica local.
Está generalizado na população forte sentimento de crítica e preocupação pelo estado a que chegou a situação municipal a todos os níveis e o caminho que segue o concelho.
1.A falta de transparência e comunicação inadequada é substituida cada vez mais por mera propaganda
2.A arrogância que está instalada com atitudes a afastar cada vez mais,dentro do municipio, concelho e diáspora,nisenses de dar contributo para engrandecer a sua terra e o seu concelho. É chocante,particularmente o afastamento de tantas dezenas de homens e mulheres que com trabalho voluntário ,das mais variadas formas,há muitos anos dão o seu melhor sem nada pedir em troca. Em contraste ,permite-se e até se estimula muitas vezes a chamada e entrega de altas responsabilidades municipais a quem em vez do amor à terra apenas «ama» os seus interesses pessois,com situações de «ganhos» consentidos a todo o tipo de oportunistas ,a roçar aspectos de mercenarismo político.
3.A situação é tanto mais grave num contexto de descalabro financeiro em que,a este nivel, já nem ao menos se sabe qual é,de facto, a real dimensão e profunda gravidade.
4.Assiste-se s a um constante apagamento de elementos da memória material e imaterial do concelho e das suas populaçoes,com casos de completa descaracterização.
5.A evolução negativa dos principais projectos de desenvolvimento do concelho dói quando se utilizaram tantos milhões de euros e ,por incompetência absoluta,os resultados visíveis para a população são escassíssimos,face ao desvirtuamento e deturpação na orientação da sua gestão ,ao arrepio completo do espírito originário.
6.A desigualdade de tratamento a cidadãos,trabalhadores e associaçãoes atinge niveis nunca vistos mesmo se recuarmos ao antes do 25 de Abril.
7.A postura de isolamento institucional não tem precedentes na história recente.
A Assembleia Municipal tem o dever ético e político de saber corresponder ao sentimento que hoje passa pelas populações do concelho,pelo que ,face ao exposto e o mais que se pronunciará em intervenção detalhada na reunião,se propõe a aprovação de uma moção de censura à actuação da Presidente da Câmara,responsável principal pelo estado de coisas a que se chegou.
Nisa, 24 de Junho de 2010
Dr. José Manuel Basso
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A diferença de trato dado às diferentes freguesias é absolutamente inadmissivel.
A postura de afastamento das populações.

COMENTÁRIO:
A postura de afastamento das populações.»Como neste país já mada me espanta, contém no entanto, tanto a intenção da moção de censura como o texto ser apresentado pelo Dr. Basso e por um papelucho distribuído à população como sendo da lavra da Renovação Comunista.
Da quase inutilidade desta moção de censura já todos sabem, pois não tem a Assembleia poderes para destituir o executivo camarário e dela mais não restará que uma réstia de ressabiamento político acompanhado de má língua quanto baste.
Significativo vir o texto assinado por um eleito independente nas listas do PS e não pelo PS no seu todo. está este partido a abrir brechas? Será o cheiro dos tachos (futuros...) que começa a toldar algumas mentes?
Veremos como a moção será amanhã votada.
Outra parte da moção não menos intrigante é vir asssinada pelo Dr. José Manuel Basso, anterior presidente. Algumas das calamidades por ele apontadas ao executivo de Gabriela Tsukamoto não vem já dos tempos da sua presidência? Apenas foram agravadas pelo efeito bola de neve.
A Albergaria Penha do Tejo, hoje ao abandono foi um projecto do Dr. Basso, tal como a concepção ideológica do complexo termal, agora tão criticado.
Lá diz o povo que "presunção e caldos de galinha cada um toma o que quer"
O PSD, como lhe compete vai gozando o panorama e a triste figura que os cavaleiros da esquerda vão protagonizando em Nisa.
Jaime Crespo

segunda-feira, junho 28, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

Após a breve e dramática reflexão anterior, a proposta de um regresso à ficção aliviará, pelo menos um pouco, as nossas consciências...
Voltemos, pois, a Tintin au Congo e, a propósito, tentemos penetrar um pouco na própria consciência de Hergé.
Os tempos de construção desta história são vividos pela Europa colonialista (sobretudo pela França, Bélgica, Portugal, Inglaterra e também pela Alemanha, Itália e Holanda, menos pela Espanha) como um período de certo apogeu, confirmado pela Exposição Colonial de Paris, em 1931. Nunca deveremos perder de vista este quase atmosférico contexto.
Depois, explorando o êxito da anterior encenação, o padre Wallez vai agora repeti-la, fazendo regressar Tintin e Milou do Congo, no dia 9 de Julho de 1931, às 16h50, na mesma Gare du Nord. O “intérprete” do jovem jornalista é que será outro, já que o anterior tinha crescido demasiado...
Depois, acontece a seguir uma conjugação de factos determinantes para o futuro de Hergé: o convite profissional de uma importante editora, a Casterman, em Abril de 1932, e a saída do padre Wallez do Vingtième Siècle, em Agosto de 1933, na sequência de um pequeno escândalo político-social que o envolvera.
Por tudo isto, nos inícios de 1934, Georges Remi abre oficialmente o Atelier Hergé, sociedade autónoma de produção criativa. Porém, as aventuras de Tintin continuarão a ser publicadas, ainda, no Petit Vingtième. Nesse ano de 1934, Georges Remi ganha uma progressiva consciência das estereotipias, do maniqueísmo e dos preconceitos que tinham informado as suas obras iniciais, sobretudo as passadas na Rússia e no Congo. Isso acontece a partir do momento em que é anunciada a partida de Tintin para o Extremo Oriente, mais concretamente para a China. Alertado por amigos, fazendo depois uma amizade que vai durar até à morte com um jovem chinês, estudante de Belas-Artes em Bruxelas, ele vai crescer interiormente.
À consciência do valor de uma rigorosa recolha de documentação teórica, Hergé vai agora juntar, convictamente, a importância dos testemunhos práticos. E nunca mais repetirá alguns erros primários, a partir dessa fase onde o humanismo reflectido vai ocupar o lugar da pura improvisação.
E Georges Remi seguirá a sua vida, particularmente intensa nos aspectos sentimental, cívico, político e profissional. Quanto aos trabalhos pioneiros, há notícia relativa à segunda metade dos anos 40, quando inicia uma meticulosa obra de recuperação e modernização dos seus conteúdos, já liderando uma brilhante equipa de criativos. Não se atreve a tocar na aventura russa, de há muito esgotada, e, quanto ao Tintin au Congo, podemos assinalar três tipos de intervenção: a sintetização da narrativa das 110 originais para as 62 páginas, já “clássicas”, dos modernos álbuns; a aplicação do colorido, em tons pastel, que tão bem complementou o estilo da “linha clara”; a “redução” ou “abolição” dos traços mais primários e mais evidentes de racismo, de paternalismo e de colonialismo.
E, tanto quanto parece, este “retocado” trabalho vai atravessar, sem notórios acidentes de percurso, toda a década de cinquenta.
É no início dos anos 60 que, em pleno surto dos movimentos coloniais independentistas, se vai despoletar a até hoje imparável onda de críticas sobre Tintin au Congo. Talvez que alguns “fantasmas” ou recalcamentos escondidos e sufocados durante décadas tenham subitamente despertado da sua prolongada hibernação...
O pontapé de saída foi dado no jornal Le Canard Enchaîné, no seu número de 12 de Janeiro de 1960, onde se incita os pais a desconfiarem de Tintin, “herói para quem os Brancos são todos brancos e os Pretos, todos pretos. Se os vossos filhos devem ser sensatos com as imagens, evitem que estas sejam do desenhador Hergé.
Na revista Jeune Afrique, a 3 de Janeiro de 1962, Gabrielle Rolin vai considerar, com alguma má-fé, todos os álbuns de Tintin como irremediavelmente reaccionários!
Por estas alturas, a Casterman, prudentemente, não se atreve a reeditar Tintin au Congo, o álbum mais atacado e desde há muito esgotado. Hergé, convicto de que a “limpeza étnica” a que sujeitara a obra há anos tinha eliminado grande parte dos seus veniais e juvenis “pecadilhos”, bem vai insistindo, em vão, na desejada reedição.
O destino revela-se, por vezes, em inesperadas ironias. A revista congolesa Zaïre, no seu número de 29 de Dezembro de 1969, inicia a publicação integral de Tintin au Congo, a história “maldita”. Numa curiosa introdução, o articulista escreve: “Tintin au Congo foi, para várias gerações de crianças belgas, o primeiro contacto com este fabuloso país de que ouviram falar: o Congo. (...) O Congo descoberto por Tintin é decerto o Congo dos pais e até mesmo, se virmos melhor, o dos avós. (...) O Congo de Tintin é sobretudo uma espécie de paraíso terrestre reencontrado pelo homem branco que, há trinta anos como hoje, procura o éden onde poderá, por fim, desfrutar a felicidade de uma humanidade fraternal. Esta humanidade fraternal, para Hergé (e para milhares de leitores cujo sonho ele exprime), é a dos congoleses. A humanidade fraternal é obviamente povoada de gente simples. E esta gente simples, visto que são negros, tem como é natural as caras achatadas e, se falam, falam como é óbvio à preto; este palrar que aqueles que nunca viram África a não ser em sonhos e os povos oriundos de África a não ser em clichés obsoletos da Cabana do Pai Tomás atribuem aos filhos dos homens com pele negra. (...) Há uma coisa que os brancos que interromperam a circulação de Tintin au Congo não perceberam. E isso é: se algumas imagens caricaturais do povo congolês dadas por Tintin au Congo fazem sorrir os brancos, elas fazem francamente rir os congoleses, porque os congoleses encontram nelas pretexto para se rirem do homem branco que os via desta forma!
Resultado quase imediato, após dois anos de ausência: em Maio de 1970, o álbum Tintin au Congo foi colocado de novo à venda na Bélgica e na França...
António Martinó de Azevedo Coutinho
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Mais um clip de vídeo complementa o presente capítulo. Consiste num curto excerto de outro documentário -Moi, Tintin- este rodado em 1976, sob a direcção conjunta de Henri Roanne e Gérard Valet. Mostra, uma vez mais, o vulgar colonialismo quotidiano vivido na Bélgica nos tempos da criação de Tintin no Congo.

Moi, Tintin:
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domingo, junho 27, 2010

Pavilhão Gimnodesportivo de Portalegre

Perguntas, pertinentes, sobre o Gimnodesportivo

As perguntas são simples:
_ Recentemente foi arrombada a porta lateral do Pavilhão Gimnodesportivo de Portalegre, junto ao Estádio Municipal?
_ Se foi arrombada, foi ao início da noite?
_ Se foi arrombada ao princípio da noite, a dita porta ficou aberta toda a noite?
_ Se foi arrombada a porta lateral do Pavilhão Gimnodesportivo, e tendo estado aberta toda a noite, na manhã seguinte essa mesma porta foi ‘trancada’ com um pau?
_ Se a porta foi arrombada, e na mesma noite as luzes do campo de jogos situado a norte do Pavilhão Gimnodesportivo, também utilizado para jogos de ténis, estavam acesas, indica relação com o facto?

Agora, outro conjunto de perguntas:
_ Se a porta lateral do Pavilhão Gimnodesportivo de Portalegre, junto ao Estádio Municipal, foi arrombada, o ilícito não foi comunicado à Polícia de Segurança Pública de Portalegre?
_ Se a porta foi arrombada, no dia seguinte os responsáveis pelo Pavilhão Gimnodesportivo comunicaram o ilícito ao superior hierárquico?
_ Existindo um Vereador na Câmara Municipal de Portalegre que tutela a pasta do Desporto, sendo também responsável pelo Pavilhão Gimnodesportivo de Portalegre, se a porta foi arrombada, o mesmo foi informado do ilícito?
_ Se a porta foi arrombada e o Vereador responsável pelo Pavilhão Gimnodesportivo foi informado do ilícito, mas não tomou nenhuma atitude?

Por fim:
_ Quem de direito deve dar resposta resposta a estas questões?
Se entretanto as respostas forem ‘surdas’, quiçá este rol de questões deveria ser arrolado para a próxima reunião da Assembleia Municipal de Portalegre.
Mário Casa Nova Martins

José Dinis Murta


José Dinis Murta escreve um excelente Texto na revista «NISAVIVA», uma vez mais sobre Património.
Intitulado "Retratos pequenos e breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa", historia e questiona sobre o vasto legado deste concelho.
Como sempre, José Murta faz uma exaustiva referência a tudo e de tudo dá notícia, contribuindo para que o Concelho de Nisa tenha uma expressão a nível da Cultura assinalável.
Porém, a pergunta fica no ar. Para quando a recolha em livro do vastíssimo Trabalho de José Murta sobre Nisa?
Mário Casa Nova Martins

Britto



Brasil

sábado, junho 26, 2010

Fernanda Leitão

Testemunho directo de quem se cruzou com Saramago

CARTA DO CANADÁ

Fernanda Leitão

Seguramente, foi em 1959 que assentei arraiais na Brasileira do Chiado, no grupo pontificado por Tomaz de Figueiredo, Jorge Barradas, Abel Manta e Almada-Negreiros, onde fui dar pela mão de artistas plásticos cujo vasto atelier passou a ser, também, meu poiso habitual. Meu de muitas outras pessoas.
Em tardes de inverno, com a lareira acesa e tomando chá, por ali passava a dizer poemas Vasco Lima Couto e, a inundar o espaço com a sua voz inesquecível, Eunice Muñoz. Gente do teatro, do cinema, da música, das artes plásticas, do jornalismo, das letras, ali conviviam com serenidade e gosto.
A escritora Isabel da Nóbrega começou a ser habitual e depressa se tornou uma amiga dos donos do atelier. Senhora de bom berço e fino trato, inteligente e culta, bem instalada na vida, caiu numa cilada do demónio.
Apaixonou-se por um zé ninguém, nem sequer bonito, muito menos simpático e bem educado, que olhava tudo e todos de nariz empinado, numa pseudo-superioridade de quem tem contas a ajustar com a vida, quezilento e muito chato. Falava como um pregador de feira e era intragável. Mas, em atenção à Isabel, lá íamos aturando o José Saramago.
Para mim, que sou péssima, foi ponto assente: aquele não a ia fazer limpa, era um depósito de ódio recalcado. Foi por isso que não me admirei nada quando o vi director do Diário de Notícias, a mando do Partido Comunista, onde, da noite para o dia, lançou ao desemprego 24 jornalistas, dos da velha escola, dos que escrevem com pontos e vírgulas, deixando-os, e às famílias, sem pão. Também não fiquei minimamente surpreendida quando soube que abandonou Isabel da Nóbrega, que tanto fez por ele, para alvoroçadamente casar com uma espanhola que foi freira e tem vastos conhecimentos no mundo da política e das letras. Para mim, estava tudo a condizer com a figura.
Cá de longe soube que publicava livros e vendia muito. Não me aqueceu nem arrefeceu, porque nunca li nada escrito por ele nem tenciono perder tempo com isso. Não me apetece, e está tudo dito. Nem o Nobel que lhe deram me impressionou, porque já vi o Nobel ser dado sem critério algumas vezes. Acho mesmo que o prémio está a ficar muito por baixo.
E agora, o homenzinho da Golegã a chamar nomes a Deus, a insultar a Bíblia nuns raciocínios primários de operário em roda de tasca. Dizem que o fez por golpe publicitário. Talvez. Acho que é capaz disso e de muito mais.
No entanto, creio que, no meio do aranzel, apenas houve uma pessoa que lhe fez o diagnóstico certo: António Lobo Antunes, numa magistral entrevista dada à RTP, há dias, respondeu a Judite de Sousa, que o interrogava sobre as tiradas de Saramago, que essas vociferações contra Deus lhe tinham feito medo. E adiantou: "tenho medo de chegar à idade dele assim, sem senso crítico". Está tudo dito. É mais um como há tantos anciãos de tino perdido em Portugal. É deixá-lo andar. A mim tanto se me dá!

Universidade Católica Portuguesa

Livraria Académica

Recebemos na semana transacta o Catálogo 257 da Livraria Académica. Dentro estava um ‘aviso’, que acima se edita.
O que nos espanta não é o dito ‘aviso’, mas sim só agora ele vir!
Em conversas com alguns Alfarrabistas nossos conhecidos, já estávamos alertados para com esta ‘prática’, recente, de se encomendar o livro e, ou não se pagar pura e simplesmente, ou haver a necessidade de por mais de uma vez se pedir que o pagamento fosse feito e com ‘sacrifício’ ele acontece.
Nunca nos foi pedido que pagássemos antes de recebermos a obra, aliás esta sempre era a prática em Casas comerciais de Alfarrabistas, mas, sinais dos tempos, essa ‘característica’ tem forçosamente que ser revista.
Permita que se diga que somos clientes da Livraria Académica vai para duas décadas, e sempre fomos tratados com a maior simpatia e competência.
Mário Casa Nova Martins


sexta-feira, junho 25, 2010

Luís Filipe Meira

Realiza-se esta sexta-feira nos Claustros do Convento de Santa Clara a apresentação de Eclips, um novo projecto de musicos portalegrenses que nasceu a partir duma paixão comum; o amor à musica dos Pink Floyd.
O projecto Eclips, que tem vindo a tomar forma desde Setembro do ano passado, é formado por oito experientes músicos de proveniências diversas e gostos variados, e que têm no entanto a música dos Pink Floyd como ponto de aproximação.
Os Pink Floyd, banda inglesa que nasceu no longínquo ano de 1964, conta mais de 300 milhões de discos vendidos em todo o mundo, e podemos pacificamente considerá-la como um das mais influentes e populares bandas da história da música pop/rock, sendo transversal a várias gerações de músicos e de melómanos.
O alinhamento do concerto viaja através dos discos mais emblemáticos dos Pink Floyd, centrando-se principalmente em The Wall (1979) e que marcou na práctica o fim do grupo, já que álbuns como The Final Cut (1983), A Momentary Lapse of Reason (1987) e The Division Bell (1994) são álbuns desiguais e que mais não fazem do que reflectir as divergências entre os membros da banda.
Este concerto do projecto Eclips entra ainda por Dark Side of The Moon (1973) e Wish You Here (1975) talvez – esqueçamos por agora os Floyd de Syd Barrett – os dois álbuns mais populares mas também mais consistentes dos Pink Floyd, pois The Wall, apesar da sua grandiosidade e popularidade, é um álbum demasiado longo que alterna temas muito conhecidos com outros totalmente obscuros e falhados, tendo, também, na minha opinião pouca personalidade para um disco conceptual. Começava aqui a transparecer que as coisas não iam nada bem entre David Guilmour e Roger Waters.
Mas estes factos não serão determinantes no concerto-tributo que o projecto Eclips vai oferecer à cidade de Portalegre. E o espectáculo que está a criar imensas expectativas como se pode comprovar pela página da banda no FaceBook.
Cá estarei para contar como a coisa correu...
Luís Filipe Meira

quinta-feira, junho 24, 2010

Cinema

1 - O Mundo a Seus Pés
2 - O Padrinho
3 - Casablanca
4 - Touro Enraivecido
5 - Serenata à Chuva
6 – E Tudo o Vento Levou
7 - Lawrence da Arábia
8 - A Lista de Schindler
9 - Vertigo
10 – O Feiticeiro de Oz
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Dos dez melhores filmes dos EUA, do ranking do American Film Institute, apenas não vimos o que está em oitavo lugar.
Quanto aos outros, vimo-los todos mais de uma vez, quer no cinema, em VHS e em DVD.
Curiosamente temos aqueles nove em DVD, o que mostra que também os consideramos Obras de Arte da Sétima Arte.
Diga-se, todavia, que todos eles são facilmente encontrados no mercado e a preço acessíveis.
Não vamos dizer qual é para nós “o maior filme de sempre”, até porque não o sabemos porque não seria um mas vários.
Tempos atrás, em 2005, a Biblioteca Municipal de Portalegre teve um ciclo de cinema intitulado «O Filme da Minha Vida».
A convite da Directora da BMP, dr.ª Olga Ribeiro, participámos e levámos “Mary Poppins”.
A escolha recaiu naquele filme, porque ele marcou a nossa Infância. Mas ainda hoje vemo-lo com a mesma alegria e carinho de então.
Mário Casa Nova Martins

Luís Pargana

"Sabes porque é que odiamos os judeus? Eu vou dizer-te. Odiamos os judeus porque são um povo ecónomo e prudente, avaro, não só de dinheiro e segurança mas das suas tradições, do seu saber e dos seus livros, incapaz de dom e de despesa, um povo que não conhece a guerra. Um povo que só sabe acumular e nunca desperdiçar. Em Kiev tu dizias que a chacina dos judeus era um desperdício. Pois justamente então, ao desperdiçarmos as vidas deles como o arroz que se atira durante um casamento, ensinámos-lhes a despesa, ensinámos-lhes a guerra. E a prova de que a coisa funciona, de que os judeus começam a compreender a lição é Varsóvia, é Treblinka Sobibor, Bialystok, é que os judeus voltam a ser guerreiros, tornam-se cruéis, tornam-se também eles assassinos. Acho isto extremamente belo. Refizémos um inimigo digno de nós. A pour le Sémite"

Jonathan Littell, As Benevolentes

quarta-feira, junho 23, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

ÚLTIMA HORA

Tal como tínhamos suposto, confirmaram-se as nossas expectativas. Com efeito, Tintin encontra-se na África do Sul, gozando ao vivo e em directo o devastador resultado acústico da sua invenção – a vuvuzela!
Do nosso enviado especial ao Mundial de Futebol, Joseph Charles Blond, acabámos de receber a fotografia que aqui reproduzimos.
Este instantâneo foi captado na terça-feira, dia 22 de Junho, em pleno estádio Free State, na cidade de Bloemfontein, durante o encontro França-África do Sul. Como se pode apreciar, Tintin sopra a sua vuvuzela integrado na falange de apoio sul-africana.
Sabendo-se que conhece bem a região desde que em 1930 viveu uma memorável e polémica estadia no Congo, receamos que antigos contactos que ele aí possui lhe permitam uma segura fuga para locais onde pode conseguir fácil asilo político, como o reino da Sildávia ou a república de San Teodoro, por exemplo.
Portanto, quase de certeza e como vem sendo hábito entre nós, Tintin vai escapar sem julgamento, incentivado para cometer novas proezas.
Receamos, por exemplo, que um dia destes venha até ao Algarve participar na burla dos alojamentos falsos, ou estorquir notas velhas, para troca por novas, aos idosos alentejanos ou vender mais um sensacional jogador sul-americano ao Luís Filipe Vieira.
Para já, e em rigoroso exclusivo mundial, aqui fica mais esta nota de reportagem.

António Martinó de Azevedo Coutinho

UM AVISO IMPORTANTE


Recebemos da INTERPOLIS, por via oficial, um pedido de divulgação urgente, que aqui satisfazemos.
Trata-se do resultado de uma investigação policial feita por solicitação de certas multinacionais que fabricam aparelhos para a surdez, em face da ruptura dos stocks, em todo o mundo. A infernal barulheira provocada pelas vuvuzelas em pleno funcionamento a partir do Mundial de Futebol na África do Sul tem provocado uma epidemia sonora, que a própria OMS já considera mais perigosa que a da Gripe A, e para a qual nem sequer dispõe por enquanto de vacinas eficazes...
As entidades policiais, encarregadas de solucionar o grave problema, já conseguiram identificar o criminoso que está na génese da tramóia.
Trata-se de um indivíduo do sexo masculino, com passaporte belga que se presume falso e dispondo de um vasto cadastro espalhado um pouco por todo o mundo. Passa por jornalista, embora ninguém lhe conheça qualquer reportagem publicada, nem morada habitual. Os sinais particulares são conhecidos, sobretudo uma espécie de poupa loura penteada no alto da cabeça redonda, costumando andar acompanhado por um cão branco de raça indefinida.
Alguns amigos, nomeadamente o capitão Haddock, um veterano oficial da marinha mercante que vive a reforma no castelo de Moulinsart, declararam que mal conhecem o indivíduo em causa e que apenas o encontraram casualmente aqui ou ali. Por outro lado, os conhecidos detectives Dupont e Dupond, que há anos o perseguem, confidenciaram aos meios de comunicação que já estão numa pista segura do seu paradeiro e que esperam muito em breve anunciar a sua detenção.
Finalmente, publicando o cartaz divulgado pela INTERPOLIS, este blog pode juntar-lhe uma autêntica caixa jornalística, pois teve acesso a documentos confidenciais, como é costume nestes casos ainda em rigoroso segredo de justiça.
Trata-se dos únicos registos, verdadeiramente históricos, que revelam documentalmente as culpas de Tintin como inventor e fabricante da vuvuzela. São alguns apontamentos gráficos elaborados pelo belga Georges Remi, seu biógrafo, e datam dos anos 30, algures num qualquer sítio não identificado, talvez numa selva africana ou asiática. A tira a preto e branco terá sido executada no terreno, enquanto a colorida será um trabalho posterior, mais elaborado, já no estúdio.
Renovando o apelo das autoridades policiais, fazemo-nos eco do interesse que existe na recolha de qualquer pista válida que possa conduzir à detenção do criminoso Tintin e ao encerramento das suas instalações clandestinas, onde são produzidas as perigosas vuvuzelas. Dada a implicação da GALP na sua distribuição em Portugal, algumas entidades judiciais pensam que haverá alguma cumplicidade, ainda por definir, entre Tintin e a conhecida companhia nacional, até por serem conhecidas certas ligações anteriores do criminoso com interesses mundiais ligados ao petróleo.
Vamos manter-nos atentos à momentosa questão, prometendo a ela voltar se surgirem novidades que mereçam ser partilhadas com os nossos leitores.

PS – Acaba de chegar à nossa Redacção, via mail, um outro documento gráfico, com a mesma origem dos anteriores, onde se pode observar o inventor da vuvuzela experimentando os seus efeitos perante um elefante, animal que, como se sabe, possui o maior pavilhão acústico do universo. Supõe-se, pelo ambiente, que esta prática terá sido levada a efeito na África do Sul, pelo que podemos supor que, a qualquer momento, surja uma nova imagem com Tintin já num dos estádios do país, aí soprando o infernal artefacto...

Bombeiros Voluntários de Portalegre


Oficiais de execução penhoraram ontem mobiliário aos Bombeiros de Portalegre, devido a uma dívida contraída em 2004, depois do fiasco do concerto do espanhol Julio Iglesias na cidade. A corporação contesta os mais de 260 mil euros em dívida.

segunda-feira, junho 21, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

O Congo foi, para os alunos do Secundário no meu tempo, uma matéria de estudo, embora sumário. Hoje, creio, até já nem será bem assim, talvez para pior ainda. Por isso, parece conveniente conhecer, ou recordar, algo de essencial sobre o tema.
A designação genérica de Congo refere uma vasta região no centro da África, dominada pelo grande rio navegável, com este nome, e ocupada desde a Antiguidade por tribos Bantos da África Oriental e por povos do rio Nilo, que ali fundaram os reinos de Baluba e do Congo.
Os navegadores portugueses chegaram ao Congo em 1484 e, poucos anos depois, o rei da região ter-se-á convertido ao catolicismo, que já tinha penetrado na Etiópia séculos antes. Em 1575, os portugueses invadiram Angola e transformaram esta região do Congo numa colónia. Entretanto, outros povos europeus foram ocupando mais territórios nesta zona.
É o caso do explorador inglês Henry Stanley que, em 1878, estabeleceu entrepostos comerciais no rio Congo, sob as ordens do rei dos belgas, Leopoldo II. Em 1885, na Conferência de Berlim, que dividiu a África pelas potências europeias, Leopoldo II recebeu o território como possessão pessoal, sob pretexto de civilizar os seus povos.
Em 1908, o chamado Estado Livre do Congo deixou de ser propriedade pessoal da Coroa e tornou-se oficialmente uma colónia da Bélgica, sob a designação de Congo Belga.
O que na realidade aconteceu durante o longo domínio pessoal de Leopoldo II sobre o Estado Livre do Congo rivaliza com os mais abjectos relatos da brutalidade humana. Sob uma hipócrita fachada filantrópica, foi ali estabelecido um regime de terror destinado à mais desenfreada exploração económica, sobretudo nos domínios da borracha selvagem e do marfim. Cada agente de Leopoldo tornou-se um tirano, com absolutos direitos de vida e de morte sobre os naturais congoleses, usando o trabalho escravo, a violação, a tortura e o próprio extermínio em massa.
Atrocidades quase indescritíveis reduziram a população do Congo, em apenas quatro décadas, de 20 para 10 milhões de habitantes...
Alguns historiadores colocam Leopoldo II a par de Hitler no rol dos maiores monstros da Humanidade, estabelecendo no entanto uma profunda diferença entre ambos: o estilo propagandístico do segundo versus a notável discrição do primeiro.
Porém, num Guiness da bestialidade humana, Leopoldo levaria a palma: 10 milhões de congoleses negros massacrados contra “apenas” 6 milhões de judeus (quase todos) brancos dizimados...
O Mundo, incluindo a Bélgica, viveram por demasiado tempo no “inocente” desconhecimento da barbárie que se vivia no Congo. Esta é, também, uma atenuante para Hergé.
Sob a sua máscara filantrópica, uma das proezas culturais de Leopoldo II foi a criação, em 1898, do Museu Real da África Central, precisamente a fonte principal de inspiração para a obra de Hergé em apreço.
O restante da história recente do Congo é mais conhecida.
Os seus movimentos nacionalistas iniciam-se em finais da década de 50, sob a liderança de Patrice Lumumba, opondo-se às tendências separatistas de rica região do Katanga.
Em Junho de 1960, o Congo conquista a independência com o nome de República do Congo. Lumumba, partidário da União Soviética, assume o cargo de primeiro-ministro do jovem país.
A maioria dos colonos europeus deixa em sobressalto o país e, pouco depois, eclode uma rebelião separatista comandada por Moisés Tshombé, que reivindica a região de Katanga. Lumumba acaba por ser assassinado em Janeiro de 1961, diz-se que devido à secreta participação do governo belga.
A ONU envia tropas para o Congo para conter aí as lutas separatistas. Quando os “capacetes azuis” se retiram, Tshombé torna-se primeiro-ministro mas renunciará pouco depois, em 1965.
Mobutu Désiré torna-se ditador, apoiado pelas multinacionais que operam no território. Durante a longa ditadura de Mobutu, na década de 70, o nome do país muda para Zaire e a sua capital (ex-Leopoldville) designar-se-á doravante Kinshasa.
Em 1994, mais de um milhão de refugiados ruandeses invadem o leste do Zaire e estabelece-se aí uma rebelião que leva Laurent Kabila ao poder. Foi em Maio de 1997, quando os rebeldes entram em Kinshasa, forçando a fuga e o exílio do ditador Mobutu.
Kabila adopta para o país a designação de República Democrática do Congo, suspende os partidos políticos e proibe manifestações. Novas amotinações geram então uma autêntica guerra civil, com todo o horror que esta comporta. O acordo de Lusaka, em Agosto de 1999, nada resolve e a ONU vê-se forçada a intervir, uma vez mais.
Em 2001, Laurent Kabila foi assassinado, sucedendo-lhe um seu filho, Joseph Kabila. Este esforça-se por conseguir a paz interna mas, após algum ligeiro interregno, o conflito regressa com maior intensidade em 2004.
As eleições de 2006, em que Kabila triunfou e procurou um entendimento com os oposicionistas, não resolveram o problema, ainda latente.
O que é hoje a República Democrática do Congo? Um país rico de recursos disputados por multinacionais, paraíso dos “senhores da guerra”, palco do abominável contrabando de armas, onde muitas crianças aprendem mais depressa a manejar uma arma do que a dominar os segredos da alfabetização.
Para muitos observadores imparciais, o Congo tornou-se a crise mais esquecida do Mundo. A sua interminável guerra civil é objecto das mais díspares interpretações, onde a verdade costuma ser censurada, manipulada ou escondida.
Onde é que já ouvimos isto?
Ao que relatam algumas fontes insuspeitas, contabilizam-se no Congo 10 milhões de mortos. Não, não se trata outra vez dessa macabra estatística dos tempos de Leopoldo II; este massacre é novo e conta, “apenas”, desde 1996...
António Martinó de Azevedo Coutinho
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Os dois clips de vídeo seguintes são bem demonstrativos da situação do Congo nos tempos coloniais e na actualidade.
O primeiro, com a chancela da BBC, é um excerto da série dedicada ao Racismo. Legendada em Português, recria de forma brutal as crueldades exercidas sobre a população negra e, depois, faz uma interessante análise ao Museu de Tervuren, precisamente aquele onde Hergé se documentou mais abundantemente.
O segundo, não legendado, é constituído pelo trailer de um documentário recente (2008) da autoria do cineasta Dan Balluff, intitulado Crianças do Congo: da Guerra às Bruxas. Revela sobretudo um pouco da drama dos refugiados e sobretudo a vida das crianças, as vítimas mais indefesas dos actuais conflitos internos, apesar dos esforços quase sobre-humanos das Organizações não Governamentais.
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domingo, junho 20, 2010

Capitão Liberato

A revista Visão – História n.º 8 trata do tema “Portugal e a II Guerra Mundial”.
Sem o rigor histórico da revista espanhola La Aventura de la Historia, à qual de quando em vez fazemos referência, lê-se com algum agrado mas sem grande ‘entusiasmo’. A iconografia é o ‘forte’ da revista, esperando-se que o tempo faça com que melhore em qualidade, deixando o artigo jornalístico para o artigo histórico.
Neste número fala sobre o caso de Timor, no tempo da ocupação japonesa. E ao fazê-lo, refere o então Tenente António de Oliveira Liberato.
Aquela figura militar foi uma personalidade importante em Portalegre após aquele episódio da História de Portugal, no qual foi interveniente e do qual deixou em dois livros o relato dos factos que protagonizou.
Conhecemo-lo em Portalegre, no posto de Capitão, sem no entanto, e dado a larguíssima diferença de idade, alguma vez lhe tivéssemos dirigido a palavra. Todavia, fomos colegas de três Netos no CDSA, Colégio Diocesano de Santo António
Era uma figura importante do Estado Novo em Portalegre, e recordamo-lo como uma pessoa simpática. Que nos lembre, pertencia à Legião Portuguesa e era responsável pela Censura.
Como seria de esperar, teve dissabores após a Revolução do 25 de Abril de 1974, tendo estado preso.
Mas quando regressou, teve sempre o respeito e consideração da maioria das Gentes de Portalegre.
Fica o registo do trabalho da revista.
Mário Casa Nova Martins
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sábado, junho 19, 2010

Anti-semitismo


A História da Alemanha no período da Guerra Civil Europeia de 1914–1945, continua em muitos aspectos por escrever. Melhor, por reescrever.
Uma das acusações feitas á Alemanha é de que durante o período do Nacional-Socialismo utilizou gordura humana para fabricar sabão.
Em Março passado, em Montreal, Canadá, surgiu para venda, na montra de uma loja cujo proprietário é judeu, um sabão apresentado como fabricado pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial com gordura humana.
O sabão está colocado na vitrina do estabelecimento com uma placa estampada com uma suástica que diz “Polónia 1940″.
Dada a importância do facto histórico, fizeram-se testes, forenses, científicos, análises, que provaram a completa falsidade do que estava à venda. Ou seja, era mentira que o sabão fosse feito com base em restos humanos.
Episódios como este dão força às teses revisionistas sobre os Crimes contra a Humanidade, que aconteceram durante a Segunda Guerra Mundial, praticados e julgados no Tribunal de Nuremberga, o tribunal dos vencedores.
Numa altura em que Israel pratica o genocídio do povo Palestiniano, quando Israel asfixia Gaza com um bloqueio que viola as mais elementares regras internacionais, casos como o do falso sabão com restos humanos, contribuem para descredibilizar um País e um Povo, e ‘alimentam’ o anti-semitismo.
Mário Casa Nova Martins

sexta-feira, junho 18, 2010

Boletim Evoliano

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Livraria Luís Burnay

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quinta-feira, junho 17, 2010

Mário Silva Freire

CRÓNICAS DE EDUCAÇÃO
O computador e o aluno do 1º ciclo do ensino básico

Leio num artigo de Fevereiro passado da Visão que a escola EB1 de Várzea de Abrunhais, nos arredores de Lamego, é uma das melhores do Mundo a aplicar as novas tecnologias na aprendizagem. O artigo desperta-me a curiosidade o que me leva a consultar o blog da escola. Verifico, então, desde Março de 2009, que as crianças, utilizando o computador Magalhães, têm feito alguns trabalhos. E que espécie de trabalhos? Essencialmente vídeos (em que vários desenhos infantis ilustram as histórias contadas pelas próprias crianças), relatos de passeios ou visitas de estudo, comemoração do Dia da Mãe com desenhos feitos por crianças e texto dito, também, por elas, etc.).
Mas como no artigo citado se fala “numa das melhores do Mundo a aplicar as novas tecnologias na aprendizagem”, fiquei interessado em saber como, através do computador, se ensinaria, por exemplo, o cálculo ou a escrita, tarefas fundamentais no 1º ciclo e que, como é sabido, irão condicionar as aprendizagens futuras. Ora, só identifiquei, no mês de Janeiro do corrente ano, a ocorrência de uma história com um cheiro a Matemática, de 1 minuto, contada por uma criança do 3º ano em que um rectângulo, “depois de várias dobragens, transformou-se num quadrado e num triângulo e que deu esta linda estrela” de Natal. Não se mostram as diferentes dobragens que conduziram à estrela.
Sem pretender ser um velho do Restelo, julgo que o computador no 1º ciclo do ensino básico deveria ser utilizado na sala de aula com muita precaução e só em casos muito restritos.
Penso que não existe o propósito, entre os dirigentes educativos e os professores que utilizam o computador, de substituir, nos primeiros anos, a escrita manual pela que é feita através daquele instrumento. O treino da caligrafia traduz-se numa aprendizagem da coordenação motora fina que é fundamental para o desenvolvimento integral da criança. A escrita manual não está sujeita tão facilmente ao delete como a que é produzida no computador. E isto implica uma preocupação maior naquilo que se escreve, quando a escrita é manual do que quando é feita através do computador. Por outro lado, contendo corrector ortográfico, a escrita no computador é automaticamente corrigida sem que o aluno tome consciência dos erros que comete.
Por outro lado, tentar substituir a máquina de calcular pelo Magalhães, é incorrer nos mesmos erros e consequências que a introdução daquela trouxe ao ensino da Matemática: os alunos ficam incapacitados de adquirirem os automatismos de cálculo mental que os impede de realizar as mais elementares operações de aritmética, com consequências gravosas nas aprendizagens posteriores da Matemática e na escolha profissional.
O que pude verificar na escola acima referida, nada aponta para tal utilização do computador. Esperemos que por aí se fique! Não se perca, então, demasiado tempo com essas actividades; elas poderão contribuir para fomentar o espírito de grupo e suscitar o interesse e a alegria nas crianças. Mas se a escola tem que preparar para a vida, esta não é só feita das coisas que nos dão prazer, que aparecem perante muitos e que nos diminuem o esforço.
Mário Freire

quarta-feira, junho 16, 2010

Carlos Luna / Olivença

BALANÇO FEITO PELO "ALÉM GUADIANA" DAS JORNADAS "LUSOFONIAS"
Lusofonias: sucesso e imagens
Sucesso na primeira edição das “Lusofonias”
No passado sábado, 12 de Junho, Olivença acolheu a primeira edição das “Lusofonias”, evento que contou com uma excelente aceitação entre oliventinos e visitantes que fruíram deste espaço cultural dedicado ao mundo lusófono, quer dizer, ao âmbito da herança cultural e linguística portuguesa.
Teatro
Nas primeiras horas da manhã inaugurava-se o programa com a presença do presidente local, Manuel Cayado, da presidenta da Câmara Municipal de Táliga e deputada de Cultura, Inmaculada Bonilla, e o presidente da Junta da Estremadura, Guillermo Fernández Vara, bem como representantes de diversas instituições locais e da associação cultural Além Guadiana, organizadora das “Lusofonias”. O ato inaugural incluía a simbólica descoberta de uma das placas dos antigos nomes das ruas recém recuperados, nomeadamente a praça de Espanha, lugar da celebração, denominada no século XVI “Terreiro do Chão Salgado”.
Antigo Terreiro do Chão Salgado
Durante a manhã, as gaitas, os tambores e os gigantes e cabeçudos dos “Gigabombos do Imaginário” deram um caráter festivo às ruas e praças de Olivença antes de iniciar um dos atos mais emotivos, a Leitura Pública em Português, onde crianças, jovens e adultos leram de maneira contínua diversas obras em português, desde autores lusos como Saramago, Pessoa, Torga ou Camões até quadras populares oliventinas e obras de autores locais como Ventura Abrantes ou Caetano da Silva Souto-Maior, poeta oliventino do século XVIII conhecido como “o Camões do Rossio”.
O folclore teve o seu lugar com as atuações de Los Chaparritos de La Encina e das Cantadeiras de Granja antes das atividades da tarde, onde destacaram os sabores angolanos com o conta-contos “Estória da Galinha e do Ovo”, bem como as atuações dos alunos da escola “Francisco Ortiz” com canções em português, em torno aos quais se redemoinharam numerosas crianças com as suas famílias.
Paralelamente e ao longo de todo o dia, permaneceu aberta a zona expositiva com numerosos mostruários de artesanato, produtos gastronómicos e turismo de Portugal. O lugar converteu-se num agradável espaço onde fruir de atividades de teatro, animação de rua, literatura, cinema, música, gastronomia e artesanato.
Para o “Além Guadiana”, as “Lusofonias” pretendem não só valorizar as raízes portuguesas de Olivença, mas também aproximar as múltiplas e variadas manifestações dos países pertencentes ao âmbito lusófono, como Portugal, Moçambique, o Brasil ou o Cabo Verde,etc. A associação já planeia a segunda edição para o próximo ano.

terça-feira, junho 15, 2010

Avelino Bento

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