\ A VOZ PORTALEGRENSE: Março 2010

quarta-feira, março 31, 2010

Luís Pargana


DESABAFOS - X

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Investimentos certos no momento certo
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Muitos de nós ainda nos lembramos das embalagens de leite tetraédicas, de cor azul e branca, que caracterizavam o leite produzido e embalado em Portalegre, de nome Serraleite.
Serraleite, o leite da serra de S. Mamede, é uma indústria de sucesso da nossa terra, nascida em 1969 a partir de um plano da Federação dos Grémios da Lavoura para que a região de Portalegre fosse considerada como "zona organizada de recolha de leite para consumo em natureza".
A famosa embalagem tetrapack que acondicionava meio litro de leite, surgiu em 1971 e representou um sistema bastante avançado para a época, por poder conservar todas as qualidades do leite, sem necessitar refrigeração, por um período de cerca de três meses. Portalegre estava, assim, na vanguarda técnica desta importante agro-indústria, e sentia-se orgulhosa em ser pioneira neste género de embalagens, em todo o país.
Hoje, a Serraleite é a cooperativa agrícola dos produtores de leite de Portalegre e conta com cerca de 70 associados, dos quais 40 entregam diariamente o seu leite para tratamento, embalagem e comercialização. Por dia, a Serraleite chega a recolher e tratar cerca de 90 mil litros de leite, contando para tal, com o desempenho profissional de 72 trabalhadores.
No mundo globalizado dos nossos dias a Serraleite conta com poderosos concorrentes, mas também sabe estabelecer parcerias estratégicas, como a estabelecida com o grupo Jerónimo Martins, que lhe permitem alargar a capacidade produtiva até ao milhão de litros, aumentando também a sua potencialidade empregadora.
Com meio século de actividade, em Portalegre, a Serraleite pode considerar-se uma das nossas indústrias tradicionais, na área das agro-indústrias, sendo um sector estratégico da nossa actividade industrial e produtiva.
Como sabemos, esta indústria continua a laborar em pleno centro histórico da cidade de Portalegre o que, naturalmente, condiciona o seu desenvolvimento empresarial e a modernização necessária a uma empresa com actividade no século XXI.
Para acautelar estas necessidades, as cidades a partir do início dos anos 80 passaram a prever áreas de expansão urbana denominadas zonas industriais e que tinham como objectivo acolher as empresas industriais que asseguram o emprego e a riqueza, fundamentais para o seu desenvolvimento.
Digamos que a infraestruturação das zonas industriais nas cidades e a criação de condições atractivas para que nelas se fixem empresas eram as contrapartidas de investimento público, por parte dos Municípios, para a atracção do investimento privado e a promoção da actividade económica.
Ora, na cidade de Portalegre a zona industrial apesar de repetidamente apontada como prioridade estratégica pelos executivos presididos por Mata Cáceres, não conseguiu até este terceiro mandato instalar uma única indústria significativa. Pelo contrário, assistiu à saída da Johnson’s Control, transferida para outro qualquer lugar do mundo, como é vulgar nas empresas multinacionais.
Obviamente não se podem atribuir culpas a um Presidente de Câmara pela não opção por Portalegre por parte das empresas industriais. Mas, outra coisa são as nossas empresas, aquelas que nos habituámos a associar a Portalegre e que fazem parte da nossa identidade de cidade industrial.
E, em relação a essas, pelo menos, a Câmara Municipal tem responsabilidades acrescidas na sua manutenção e na garantia de condições para que se possam desenvolver e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos. E a criação de condições favoráveis à sua deslocalização do centro da cidade para a zona industrial é condição essencial para a sua sobrevivência. E aí, Mata Cáceres tem falhado redondamente.
Como sabemos, a Robinson entrou em processo de insolvência, enquanto aguardava pela infraestruturação prometida no lote da zona industrial que lhe estava destinado. A Robinson II faliu antes mesmo de ter conseguido a transferência anunciada. A recentemente criada Rob Cork ia desistindo perante a imperícia como o processo de negociação da transferência para as antigas instalações da Johnson’s Control estava a ser conduzido.
Sabe-se, agora, que a Serraleite enfrenta a necessidade de garantir um investimento de cerca de 10 milhões de euros para construir e equipar a nova unidade a transferir para a zona industrial. Só o projecto custa cerca de cem mil euros.
E enquanto não reúne os apoios indispensáveis a esta deslocalização, a empresa vai-se “arrastando” pelas antigas instalações, enquanto os anunciados 300 lotes da zona industrial continuam à espera das indústrias que tardam em chegar à nossa cidade.
É caso para dizer que uma Câmara Municipal também se afirma pela capacidade de assumir os investimentos certos no momento certo. É essa coragem que Portalegre precisa e os portalegrenses exigem.
30 de Março de 2010
Luís Pargana

terça-feira, março 30, 2010

Movimento Urânio em Nisa! Não

Vimos comunicar que vai realizar-se a 2ª Edição do
"VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA"
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PELOS NOSSOS RIOS PELO NOSSO FUTURO

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Enviamos Nota de Imprensa que já seguiu para a comunicação social e cartaz para a internet.
O Programa anexo contém as ligações para todos os documentos de apoio.
P`NUNN (Movimento Urânio em Nisa! Não)
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Documentos:
Nota de Imprensa
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Cartaz - Internet
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Cartaz - Impressão
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Programa
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Programa Simplificado
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Locais da Actividade e Avisos da Organização
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Ficha e processo de inscrição

domingo, março 28, 2010

Alexandre Herculano

No Dia do Bicentenário do seu Nascimento
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Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (Lisboa, 28 de Março de 1810 — Quinta de Vale de Lobo, Azóia de Baixo, Santarém, 13 de Setembro de 1877) nasceu em Lisboa. Devido ao seu envolvimento na «Revolta do 4 de Infantaria», é obrigado a emigrar para Inglaterra. Lê Walter Scott. Inicia a sua colaboração no Repositório Literário. Integra-se no exército liberal de D. Pedro IV, desembarca no Mindelo e participa no cerco do Porto. Ajuda a organizar a Biblioteca Pública do Porto. Em 1839 é nomeado director das bibliotecas reais das Necessidades e da Ajuda. Entretanto vai publicando algumas obras: A Harpa do Crente (1837), Lendas e Narrativas (2 volumes, 1839-1844), Eurico, o Presbítero (1844), o primeiro volume da História de Portugal (1846), O Monge de Cister (1848), etc. As suas obras são de cunho romântico e vão desde a poesia ao drama e ao romance. Foi, além de um dos mais importantes escritores portugueses do século XIX, o renovador do estudo da história de Portugal.

Celebra-se hoje o bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano.
Esta efeméride está a passar despercebida, só possível porque se vivem tempos de período final de Regime. Mal vai um Povo quando esquece os seus Maiores! Mas hoje Portugal é assim.
Mário Casa Nova Martins

sábado, março 27, 2010

Jacques Martin - Luís Diferr

Banda desenhada
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'Portugal', com texto e desenhos de Luís Diferr
É editado pela ASA em Abril
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Chama-se simplesmente Portugal, e será o quinto volume criado em torno de Loïs, um herói do século XVII que foi das últimas personagens imaginadas pelo recentemente falecido Jacques Martin, autor universalmente conhecido pelas aventuras de Alix (uma das mais populares séries da história da banda desenhada franco-belga). Com desenhos do português Luís Diferr, Portugal terá edição francesa, em meados de Abril, pela Casterman, devendo a edição portuguesa, pela ASA, chegar às livrarias em finais de Abril e inícios de Maio.
A ideia para a criação deste livro remonta a 2002, por ocasião de uma deslocação de Jacques Martin a Portugal, para participar no festival de BD da Amadora. Autor de BD e também professor, o português Luís Diferr estava presente e, enquanto o criador de Alix assinava autógrafos, o director das colecções de livros sob o seu nome, Jimmy Van den Haute, fez-lhe o convite de criar um livro de viagens sobre Portugal... "Tive de fazer testes, mais tarde de apresentar planos da obra", explicou Luís Diferr ao DN. O plano foi aprovado e começou a trabalhar neste livro em 2003.
"Jacques Martin acompanhou o projecto no princípio", recorda o autor, que chegou a ir a Bruxelas em trabalho relacionado com o desenvolvimento do livro. Em Portugal, apenas a introdução é assinada por Jacques Martin, sendo o planeamento, o texto e os desenhos de Luís Diferr. "Quando disse que sim, não fazia ideia onde me estava a meter", confessa, referindo-se ao longo trabalho de investigação que a criação deste álbum implicou, envolvendo longa e cuidada pesquisa em livros e visitas aos locais que desenhou.
A série de livros que Jacques Martin criou com Loïs Lorcey como protagonista surgiu em 2003 e soma já quatro álbuns com narrativas de aventuras e um primeiro livro "de viagens", centrado em torno da evocação do palácio de Versalhes, durante o reinado de Luís XIII, em meados do século XVII. Este modelo de livro, que Jacques Martin começou a publicar em torno das cidades e lugares por onde se desenrolavam as aventuras de Alix, não corresponde exactamente a uma história em quadradinhos, mas sim a um olhar histórico sobre um tempo e um lugar, com ilustrações que em tudo seguem a linha que associamos ao herói em questão. Neste caso, com Loïs, visitamos o Portugal de finais do século XVII e inícios do século XVIII (contemporâneo, portanto, da França de Luís XIV), visitando lugares como o Convento de Mafra, a Torre de Belém, o Convento de Cristo, o Paço da Ribeira...
Esta não é contudo a primeira vez que um herói da BD franco- -belga tem Portugal e portugueses representados em álbuns. Jean Graton, por exemplo, criou para Michel Vaillant, nas páginas da revista Tintim, o célebre Rallye em Portugal, em finais dos anos 60. Alguns anos antes, em 1957, Edgar P. Jacobs levara Blake & Mortimer à ilha de São Miguel, nos Açores, para O Enigma da Atlântida. Isto sem esquecer o célebre Sr. Oliveira da Figueira, que Hergé criou para as aventuras de Tintim. Ou os lusitanos, que passaram já pelos álbuns de Astérix.
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'Portugal'
Luís Diferr (com introdução de Jacques Martin)
2010
Edições ASA

sexta-feira, março 26, 2010

Ciclo de Conferências de Senadores - I

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Primavera Cultural
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Teve início na passada quarta-feira dia 24 de Março o ciclo de conferências promovido pelo Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), intitulado “Ciclo de Conferências de Senadores” e com o subtítulo “A República e o Mundo”.
Está a celebrar-se o Centenário da implantação da República em Portugal, facto político que o IPP entendeu dar relevo através de uma iniciativa que se reputa das mais importantes em Portalegre nas últimas décadas, quiçá a única em toda esta Terceira República.
E, começando justamente por acima se dizer que se está na Terceira República, o Conferencista de ontem, António Arnaut, recusa esta denominação porque considera que o Estado Novo não foi uma República, o que não é correcto.
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Antes de se falar propriamente na Conferência, é importante começar por se dizer que Portalegre e o IPP não estão, ou nunca estiveram, de ‘costas voltadas’. Mas a verdade é que o IPP nunca teve grande ‘apetência’ para se abrir à Comunidade em que se insere, e a Cidade em tempo algum compreendeu a importância desta Instituição.
É importante que Portalegre e o seu Instituto Politécnico formem como que uma task force, no sentido de tentarem inverter o declínio em que mergulhou este concelho do Alto Alentejo.
Este ciclo de conferências é um importante contributo para melhorar a imagem de uma Região. Ele representa uma aposta no Ensino e na Cultura, na interligação da Escola com a Sociedade Civil, mas aposta que não é acompanhada pela principal componente política, a Câmara Municipal de Portalegre, dada a menoridade que hoje representa esta Instituição, por força de uma liderança e composição deveras limitada.
Indiscutivelmente, há hoje no IPP uma ‘leitura’ nova do papel que este deve desempenhar na Sociedade de Portalegre. Com tal novo sentido, muito tem a ganhar a Cidade se souber corresponder a este ‘chamamento’.
A nova liderança do IPP, nova também no campo geracional, decidiu que o Tempo presente não se compadece com indefinições, e está a construir um Futuro assente na valorização científica e na credibilização da Instituição, atraindo a ela elementos exógenos, vindos de ‘fora’, a que neste momento chama “Senadores da República” para que com ela reflictam e a ela tragam nova Gente, vinda da tal Sociedade Civil, perante a qual e da qual esteve muito, demasiado dir-se-á, tempo afastada.
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Joaquim Mourato
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A conferência começou com palavras do Presidente do IPP, Joaquim Mourato, que enunciou os objectivos deste ciclo, apresentando a ideia de que «Valores e Princípios são hoje compreendidos como moda ou tendências», facto que é urgente corrigir, colocando os Princípios e os Valores no lugar que lhes é devido.
Este desiderato será o objectivo principal deste ciclo de conferências, através da enunciação e defesa dos Ideais da República, ela também hoje tão diferente do que os seus próceres a idealizaram.
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António Arnaut e Casimiro Meneses
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Em seguida, o Moderador apresentou o Conferencista. Pode-se dizer que esta fase não foi a mais conseguida, dado o Moderador, Casimiro Meneses, não ter entendido o significado de ‘Senador’ no presente acto.
Ao insistir no facto de António Arnaut ter sido o responsável pela criação do actual Sistema Nacional de Saúde (SNS) e ao querer que o SNS fosse o assunto principal, se tal tivesse acontecido esvaziaria toda a riqueza intelectual e cívica do Protagonista.
O facto de ser médico de profissão e de ser ideologicamente comunista, muito terá pesado em ter sempre nas diversas intervenções, recordando inclusive uma visita feita a Inglaterra para ver in loco o Sistema de Saúde inglês, tentado conduzir a Conferência para a temática do SNS.
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António Arnaut é, como bem disse o Moderador, «uma figura nacional de grande prestígio», e que é um profissional no campo da advocacia notável. Casimiro Meneses realçou as facetas de escritor, poeta e ensaísta, lembrou a sua qualidade de Maçon e de ex-Grão Mestre da Maçonaria irregular, do Grande Oriente Lusitano (GOL) e não deixou de falar do papel que António Arnaut teve na Oposição ao Estado Novo.
Em seguida, o Conferencista começou por falar no SNS, mas desde logo fazendo questão de dizer que não era esse o assunto principal da sua prelecção.
António Arnaut disse nunca se ter sentido Senador mas que é «um militante cívico dos Direitos Humanos», e acrescentou ter «um sentido de tolerância maçónica e republicana» e que por isso vinha fundamentalmente falar dos Direitos Individuais e Direitos Sociais.
Ao fazer uma resenha dos primórdios da República, cujos ‘inícios’ remontam ao Primeiro Liberalismo com a Constituição de 1820, fruto da pena de Maçons e dos Ideais Maçónicos, reconhece que o mais negativo na Primeira República foi o falhanço da ideia do Sufrágio Universal e o aspecto mais positivo é ela que tornara a Instrução Primária gratuita e obrigatória.
António Arnaut considera que «os ideais da República confundem-se com a Maçonaria», e como tal recusa chamar ao Estado Novo ‘Segunda república’, estribando-se em que os Historiadores assim o defendem, facto profundamente falso. E considerou a tese do Estado Novo como «a longa noite fascista» uma frase feita, uma frase estafada e que não correspondia à realidade histórica.
Outras das ideias que António Arnaut defendeu foi a existência de uma «Sociedade pelo Mérito», que «só há Liberdade entre iguais», que «a República não está realizada», que «a institucionalização do SNS é um contributo forte para a construção da República».
Mas a dado passo formula a pergunta: _ «A República é constituída por Republicanos?». Sob fortes aplausos da assistência, que enchia literalmente a sala, disse que cultiva «uma utopia face à República», fala do conceito de Res Publica e afirma que «hoje na República há Princípios que não são republicanos». Por diversas vezes cita Miguel Torga, homenageia António Sérgio como seu Mestre, e termina a alocução com um «Viva a República!», sonoro e sentido.
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Seguiu-se o período de ‘perguntas e respostas’, no qual o Moderador voltou a insistir na temática do SNS, mas a farta assistência e o Conferencista não corroboraram.
Três questões foram então formuladas, e António Arnaut a todas elas deu a sua opinião. Neste período falou-se principalmente da Globalização, considerando que Portugal sofre com dois tipos de Globalização, a global e a europeia. Assume que hoje na Europa o poder político está subordinando ao poder económico, lembrou o Fórum de Porto Alegre que é contrário à Globalização e alternativo às reuniões dos chamados Países Mais Ricos do Mundo, e implicitamente considerou que a Globalização conduz a um Governo Mundial, o que reprova, mas que no fundo é uma Ideia Maçónica, ideia que desde os seus primórdios é por ela acarinhada se não defendida.
Tendo antes questionado se no actual partido Socialista há socialistas, facto que motivou a aprovação em alguns dos presentes, António Arnaut vai terminar este período falando da actual Constituição da República, referindo as sucessivas revisões constitucionais, e ao mesmo tempo que diz que para ele «o Socialismo é uma Ética» defende a economia portuguesa como uma Economia Social de Mercado, no fundo um pressuposto da Doutrina Social da Igreja que é tão caro ao Ideário Democrata-Cristão.
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Olga Ribeiro (Directora da Biblioteca Municipal de Portalegre)
António Martinó de Azevedo Coutinho e Mário Silva Freire
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O final daquela tarde de quarta-feira foi sem dúvida um tempo de enriquecimento cívico. Se a Sociedade Civil de Portalegre correspondeu a este ‘chamamento’ que o IPP lhe fez, dizemos claramente que não. Sem a menor dúvida, afirmamos que foram mais as ‘ausências’ que as ‘presenças’. É verdade que Portalegre não está habituada a estes acontecimentos que ultrapassam a própria dimensão da urbe. Também é verdade que hoje a Cidade não tem elites, sejam de ordem económica ou social e muito menos cultural.
Mas que fique para memória futura que a Conferência de António Arnaut foi excelente, e que os responsáveis pelo Ciclo de Conferências de Senadores, Albano Silva, Vice-Presidente do IPP, Avelino Bento, Professor na Escola Superior de Educação (ESE-IPP), e Joaquim Mourato, Presidente do IPP, merecem os maiores encómios!
Mário Casa Nova Martins

quinta-feira, março 25, 2010

Mário Silva Freire

CRÓNICAS DA EDUCAÇÃO
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O cumprimento das regras
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Fazendo uma pesquisa na internet, verifica-se que muitos dos regulamentos internos das escolas básicas estão referenciados na rede. Eles constituem um conjunto de princípios, competências, direitos e deveres que, sem dúvida, podem contribuir para que o sistema escolar funcione. Mas a sua existência, só por si, não basta para que eles sejam cumpridos.
Tão importante como a presença de um regulamento é o modo como ele foi elaborado, principalmente quando refere temas que têm incidência imediata na sala de aula. Assim, de nada vale impor um certo número de regras, se elas não nascerem das necessidades e compromissos assumidos pelos próprios alunos. E as necessidades e os compromissos manifestam-se quando eles são solicitados a participar na formulação dessas regras. Com esta participação, os alunos, sendo sujeitos intervenientes, têm responsabilidades por aquilo que assumiram.
De igual modo, os professores têm também compromissos perante os alunos. É desta relação entre os direitos e os deveres de uns e de outros que pode nascer a disciplina na sala de aula e, consequentemente, uma educação para a responsabilidade. Perante uma quebra daquela, o professor não tem mais do que accionar os mecanismos que, entre docentes e discentes, foram acordados. O que não pode tolerar-se é que, perante comportamentos inapropriados, o sistema escolar fique imobilizado, fomentando a cultura do desrespeito e da desresponsabilidade.
O que se propõe não parece ir contra os cânones escolares já existentes. Assim, num exemplo entre muitos, retiro do Regulamento Interno da Escola da Sequeira, Guarda, quanto a uma das funções do director de turma: “preparar e organizar assembleias de turma quando surjam problemas entre alunos, ou alunos e professores, de forma a resolver os conflitos…”
Porque razão, então, não fazer assembleias deste tipo, se possível, até, com a participação dos pais, logo no início do ano lectivo, não para resolver conflitos mas para os prevenir, procedendo à elaboração de um regulamento para as aulas, com regras muito claras, que tenha possibilidades de ser cumprido?
Mário Freire.
in,
O Distrito de Portalegre, 25 de Março de 2010, p.9

quarta-feira, março 24, 2010

Luís Pargana

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DESABAFOS - IX
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Hoje no Mundo
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A minha crónica de hoje aborda três assuntos. Três desabafos sobre três temas distintos mas que se relacionam, como tudo o que acontece hoje no Mundo.
O primeiro decorre da comemoração do Dia Mundial da Água que se celebrou ontem, em todo o Mundo, e que deve alertar as nossas consciências.
Todos sabemos que a água é um recurso essencial à vida e que, ao contrário da convicção do senso comum, não é um recurso infinito. Alguns dos grandes conflitos mundiais de hoje, têm já o controlo da água como questão central, como é o caso dos colonatos da Faixa de Gaza, no conflito israelo-palestiniano.
Pois bem, nas comemorações do Dia Mundial da Água, no nosso País, ficámos a saber que ainda há cerca de 200 mil portugueses que não têm acesso a água em condições aceitáveis de potabilidade. Isto acontece em diferentes zonas do nosso País e acontecia também no concelho do Crato até há bem pouco tempo, em que a água que saía das torneiras não tinha condições para ser bebida em segurança e com qualidade de sabor e salubridade. Ora, o Crato é, precisamente, o concelho onde está prevista a construção de uma das mais importantes barragens do País e do Alentejo – A barragem do Pisão.
Com construção prevista há mais de 50 anos, desde que foi feito o Plano de Rega do Alentejo, esta barragem seria útil tanto para o abastecimento de água às populações, como para fins agrícolas, de produção hidroeléctrica e como recurso de enorme potencial turístico. Enfim, seria uma infra-estrutura essencial ao progresso e ao desenvolvimento da Região.
No entanto, a sua construção continua adiada e, recentemente, foi mesmo criticada em declarações de um responsável pela empresa que gere as águas do norte alentejano. É caso para dizer que sendo a água fonte de vida, a sua gestão não pode ser feita com base em critérios puros de gestão empresarial, na obtenção de lucros e na redução de despesas. Investir na Vida e no Futuro das populações é uma obrigação de todos os que, no presente, têm responsabilidades públicas. E se há investimento que tem retorno inquestionável é o investimento na água, na sua qualidade e na sua preservação.
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E do Crato salto para o outro lado do Mundo, para me congratular com a aprovação que ontem aconteceu nos Estados Unidos da América, do Plano de Saúde apresentado pelo Presidente Obama. Com este Plano, 40 milhões de norte americanos vão passar a ter acesso a serviços e cuidados de saúde que antes lhes estavam vedados porque eram exclusivo dos negócios de saúde feitos pelas seguradoras.
Isto acontecia no País dito mais desenvolvido do Mundo e provava que a democracia americana não era, afinal, para todos, em questões tão essenciais como o acesso à saúde.
Barack Obama teve a coragem de enfrentar os poderosos monopólios dos seguros de saúde e abrir o sistema a toda a população. Teve de contrariar os egoísmos dos mais poderosos que contestam qualquer sistema social baseado na solidariedade contributiva e deu uma lição a todo o Mundo de como combater a crise, apostando na qualidade de vida das pessoas e enfrentando os interesses económicos que regulam a economia mundial e que, em nome da manutenção dos seus lucros são, afinal, os principais responsáveis por esta crise.
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Esta lição bem podia ser aprendida pelo governo português antes da apresentação do tão recente, mas já tão tristemente famoso Programa de Estabilidade Económica – o PEC. É evidente que todos pretendemos a recuperação económica do nosso País, mas esta recuperação não pode ser feita contra e à custa das pessoas.
Ora é isso, precisamente, que o PEC advoga: congelar salários, reduzir as prestações sociais, cortar o investimento público e as deduções fiscais e privatizar o pouco que ainda resta do sector público do Estado.
É caso para dizer que depois de vendidos os anéis vão-se agora vender os dedos e quem vier depois que se aguente.
Com este Programa não se vê o fim para a crise sentida pelas famílias e pelas camadas mais desfavorecidas da população portuguesa. Ainda por cima, os argumentos apresentados revelam o mais absoluto cinismo e desconsideração pelas pessoas, como é o caso da proposta de diminuição do subsídio de desemprego para, dizem, incrementar a procura de emprego. Quando o próprio estudo aponta a inevitabilidade do aumento desse desemprego que hoje afecta já mais de um milhão de portugueses.
Com as pessoas a viverem pior e sem poder de compra, enquanto os grupos económicos aumentam os seus lucros à custa de medidas artificiais, como esta, dificilmente poderá haver relançamento económico do País.
Curiosamente, o sinal de que a crise não pode ser combatida contra as pessoas e sem medidas sociais que favoreçam a igualdade de oportunidades veio da América – a pátria do liberalismo económico, com o Plano de saúde de Obama.
Faz falta, agora, que a velha Europa do Estado Social olhe para esse exemplo antes de se descaracterizar no mais puro e duro neo-liberalismo e antes que seja tarde de mais.
23 de Março de 2010
Luís Pargana

terça-feira, março 23, 2010

Crónica de Nenhures

Árbitro ligado aos Super Dragões
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Jorge Sousa um árbitro sob suspeita
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E se para a final da Taça da Liga do passado domingo dia 21 de Março tivesse sido nomeado um árbitro de Lisboa e além disso que tinha ligações à claque do Sport Lisboa e Benfica os No Name Boys, que diria o ‘mundo do futebol’, a começar pelo adversário do SLB, o Futebol Clube Porto?
Pois é, que mais não fosse, nesta ‘conjugação’, ser de Lisboa e ter ligações aos No Name Boys, a derrota já estava ‘justificada’.
Mas, curiosamente, aconteceu o inverso, o árbitro da final da Taça da Liga, Jorge Sousa de seu nome, é do Porto e esteve inscrito na claque do FCP os Super Dragões. E se agora já não está é porque os regulamentos da arbitragem o impede!
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Os Benfiquistas estão felizes com a conquista da segunda Taça da Liga, e nem se preocupam com quem foi o árbitro do encontro. Mas não pode ser assim.
Os Benfiquistas têm que se lembrar que este árbitro Jorge Sousa é um dos citados nas escutas do Processo Apito Dourado.
O árbitro Jorge Sousa é, de acordo com as mesmas escutas, da confiança, logo da preferência do presidente do FCP.
O mesmo árbitro Jorge Sousa está envolvido no processo de viciação das classificações dos árbitros, sendo um dos beneficiados, facto que o irá levar a ser considerado no final da época e por duas vezes consecutivas o melhor árbitro português!
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Na presente época futebolística, o árbitro Jorge Sousa esteve em dois jogos do Sport Lisboa e Benfica. E em ambos deixou a sua ‘marca’ de suspeição desportiva.
O primeiro, a 31 de Outubro de 2009, foi o Sporting Clube de Braga – SLB, que o Benfica perdeu por 0-2.
Neste jogo ocorreram cenas de violência no túnel de acesso ao relvado/balneários. O clube da cidade de Braga entendeu não divulgar a totalidade das imagens captadas pelas câmaras de vídeo localizadas no local dos incidentes, por razões óbvias, como se compreende.
Mesmo assim, foi possível provar que um jogador nada teve a ver com os incidentes, Oscar Cardozo, e no relatórioao jogo o árbitro Jorge Sousa acusou-o de ter praticado agressões e foi castigado com dois jogos de suspensão.
O segundo jogo, a 6 de Fevereiro de 2010, foi o Vitória (de Setúbal) Futebol Clube – SLB, que terminou empatado, 1-1.
E, sem mais comentários, recorde-se que neste jogo em Setúbal a actuação de Jorge Sousa mereceu a nota mais baixa atribuída até ao momento a um árbitro na Liga Sagres: 2,2 (numa escala de 1 a 5).
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Quanto à actuação do árbitro Jorge Sousa no passado domingo no Estádio Algarve, é elucidativa a série de agressões do jogador do FCP Bruno Alves, cujas fotografias não enganam.
Pois o jogador Bruno Alves, exemplo maior de um mau profissional de futebol, apenas teve um cartão amarelo, quando logo a primeira agressão é razão de expulsão directa!
O árbitro Jorge Sousa não tem condições psicológicas para arbitrar jogos do Sport Lisboa e Benfica. Mas se o faz, por alguma razão será!
Mário Casa Nova Martins
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Sequência fotográfica das agressões de Bruno Alves
na final da Taça da Liga
in, A Bola, 22 de Março de 2010, página 17
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Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho amanhã em Portalegre visita Campo de Golfe e Selénis‏
De:
Enviada:
Para:
Visita o Campo de Golfe em Marvão ou o terreno baldio agora usado para pastorícia?
Noticia
Pedro Passos Coelho, candidato à Presidência do PSD, visita hoje dia 23 de Março o distrito de Portalegre.
A visita começa na sede de distrito com uma visita à empresa Selénis, pelas 11 horas, seguida de um almoço-debate com militantes, simpatizantes e organizações industriais, comerciais e agrícolas do distrito, no restaurante “Jorge Isidro” na Zona Industrial de Portalegre.
De acordo com o programa, a seguir ao almoço Passos Coelho vistiará ainda o campo de Golf em Portagem/Marvão.
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Notícia recebida por mail

segunda-feira, março 22, 2010

Instituto Politécnico de Portalegre

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Mário Silva Freire

Ágora romana de Tiro
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O fio de água que pode transformar-se em rio
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As palavras que suscitaram o meu texto sobre o Estádio Municipal, da parte do Prof. Martinó, reforçam a convicção de que algo é preciso fazer-se no Estádio Municipal de Portalegre de modo a torná-lo num local de convívio, de prática desportiva, de lazer e de desfrute da Natureza. Foi para transformar em realidade os sonhos, as aspirações e as necessidades das populações que as entidades que as governam existem.
Mas é para abordar um outro tema que se destina esta crónica. Trata-se da necessidade de “contar com uma opinião pública, colectivamente representativa, com voz própria e interveniente, capaz de se constituir como um parceiro/interlocutor válido na tomada de decisões…” como, com pertinência, disse o Prof. Martinó.
Ora, a tal “voz própria e interveniente” exige responsabilidade. Esta traduz-se, a meu ver, nestes tempos em que as opiniões de cada um podem chegar instantaneamente a todo o mundo, pela identificação da pessoa que escreve. Escrever sob anonimato, principalmente quando este é usado para a calúnia ou para esconder uma crítica feita em termos que ofendem, não é aceitável e retira qualquer razão que, porventura, haja nessa crítica. Apoio integralmente a política de transparência que tem sido levada a efeito neste blog pelo Mário Casa Nova Martins.
Por outro lado, a opinião pública deve ser livre para criticar aquilo de que se discorda. Mas discordância não significa dano para alguém mas, sim, ver os problemas de outra maneira. Por isso, as entidades que têm por missão tomar decisões que afectem os cidadãos, deveriam acolher essas discordâncias como bênçãos que as poderiam iluminar na tomada de decisões mais ajustadas.
Uma opinião pública alicerçada na responsabilidade pode ter um efeito enorme na tomada de consciência dos problemas pelos cidadãos mas, também, na tomada de decisões pelos responsáveis.
Por isso, um breve comentário que haja a um texto do blog, é um sinal de que aquilo que foi escrito mereceu uma reacção, seja ela qual for. Ora essa reacção pode constituir a génese de um movimento quando o sinal que é dado a uma proposta ou opinião vai num determinado sentido. É possível gerar-se, então, um estímulo que se transforme em força para que algo se construa ou se altere. Pode, enfim, aquele fio de água começar a engrossar, através dos múltiplos afluentes que a tal opinião suscitou e dar origem a um rio de grande caudal nas margens do qual venham a nascer empreendimentos que a todos irão beneficiar.
Mário Freire

Porto Alegre

de, Porto Alegre

domingo, março 21, 2010

Luís Filipe Meira

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Rui Veloso e as Festas do Crato / 2009
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Rui Veloso
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Rui Veloso deve ser o artista que mais vezes actuou neste certame, e sinceramente não retenho quase nada que tenha valido a pena. Veloso começa a ser um erro de casting. Este ano anunciou-se um concerto especial que de especial nada teve, pois o que ficou foi o péssimo som, as desafinações e as entradas fora de tempo, além de ter começado atrasado em mais de uma hora. Deplorável.
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No final de Agosto do ano passado, saiu neste blogue e no Jornal Alto Alentejo o texto acima citado em que eu deplorava a triste e nada profissional actuação de Rui Veloso nas Festas do Crato.
Ontem na Revista Única, página 12, do Semanário Expresso, Veloso considera esse concerto o mais marcante da sua vida….pela negativa.
Para que conste!...
Luís Filipe Meira

Luís Filipe Meira

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Porque hoje é Domingo...
Posto de Escuta
(…) Raramente me recordo dos sonhos. Mas parece-me que algumas canções são como sonhos na medida em que adormecemos quando elas principiam e acordamos quando terminam. Conduzem-te a qualquer lado. São uma forma de hipnotismo, as melhores (…)
Tom Waits
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Em escuta na Rádio dos Sonhos, 10 canções para ouvir, sonhar com as melhores ou mastigar e deitar fora as piores. É uma questão de gosto, mas…, atenção!, porque há bom e mau gosto…
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1 – Marina & The Diamonds – Hollywood
The Family Jewels / 2010
2 - Anaquim – O Meu Coração (dueto c/ Ana Bacalhau)
As Vidas dos Outros / 2010
3 – Muxima – Mãe Preta
Homenagem ao Duo Ouro Negro / 2010
4 – Portico Quartet – News from Verona
Knee-Deep in The North Sea / 2007
5 – Bernardo Sassetti – Homecoming Queen
Motion / 2010
6 – Clare & The Reasons – All the Wine
Arrow / 2010
7 – Scout Niblett – Do you want to be Buried with my People? ( dueto c/ Bonnie “Prince” Billy )
This Fool Can Die Now / 2007
8 – Muddy Waters – I’Got My Mojo Working
Fathers and Sons / 1969
9 – Gil Scott-Heron – Me & The Devil
I’M New Here / 2010
10 – Johnny Cash – For the Good Times
American VI: Ain’t No Grave/ 2010
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Cinema is action / Cinema is Emotion
Samuel Fuller


No Meu Leitor de DVD:
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In a Lonely Place (No Silêncio da Noite)
de Nicholas Rae c/ Humphfrey Bogart e Gloria Grahame / 1950
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Jean Luc Godard, como critico escreveu nos Cahiers du Cinema que o maior realizador de cinema do mundo resultaria da fusão entre Nicholas Ray e Anthony Mann. Para ele, Mann era um mestre na acção externa enquanto Ray trabalhava como ninguém o plano emocional.
Pois, diz quem sabe que Ray atinge o auge da manipulação psicológica na construção de Dixon Steel, personagem central de In a Lonely Place.
Um must entre os filmes noir .
Luís Filipe Meira

sábado, março 20, 2010

Pimavera

Quadro de Carl Larsson
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EQUINÓCIO DA PRIMAVERA
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20 de Março,17 horas e 32 minutos.

Biblioteca Municipal de Portalegre

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Confraria do Vento

Márcio-André

Entrevista com o poeta Ernesto de Meloe Castro para o Estado de Minas:

sexta-feira, março 19, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

QUEREMOS ALEGRE O FUTEBOL... E O RESTO!

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O texto que o Dr. Mário Freire aqui divulgou há dias deve merecer-nos a melhor atenção. Agora, depois de ultrapassada a “crise” indígena alusiva com lucidez e sentido construtivo, no respeito pela lógica elementar, pela inteligência básica e sobretudo pelos interesses comunitários mais autênticos, é preciso avançar.
Há cerca de uma semana, o jornal A Bola publicou nas suas páginas centrais uma reportagem da autoria de Miguel Cardoso Ferreira, intitulada Portalegre do futebol triste. E o conteúdo é de acordo com o que o título deixaria supor...
Transcrevo aqui o seu final: (...) “O estádio municipal, por sua vez, que esteve para ser transformado numa escola, ainda lá está e por lá ficará na sequência de um bloqueio político do projecto. Mas a relva está num estado lamentável, aguenta um treino e um jogo por semana e por lá passam, além das equipas dos dois clubes, também uma de râguebi. Dizem os dirigentes que as condições velhas afastam as pessoas. E que às vezes, porque até os bancos de suplentes estão ferrugentos e remendados com lonas, se sentem mal em receber adversários. O futebol em Portalegre, vivo ou morto, tem perdido alegria.”

Portanto, como Mário Freire também sugere, é preciso recuperar aqui o recuperável e com a urgência possível. Tal esforço impõe-se, até para que a capital de distrito (!?) não tenha de se envergonhar, ainda mais, no confronto com as cidades e vilas circunvizinhas. Depois, torna-se necessário decidir e actuar, com coerência, não só no estádio como no seu envolvimento desportivo já existente.
Por fim, e em perfeita sintonia com o meu prezado companheiro de blog, também considero como altamente desejável que toda a zona venha a tornar-se naquilo de que os portalegrenses não têm podido usufruir e merecem: um espaço de lazer e de contacto com a Natureza, quer assumindo uma adequada prática desportiva, quer procurando apenas o pretexto de um seguro descanso ao ar livre.
As recentes intervenções em dois jardins públicos da cidade revelaram-se, a este nível, inequivocamente fracassadas. Não atraem ninguém, talvez tenham mesmo contribuído para afastar alguns raros antigos frequentadores.
Portanto, vou aqui um pouco mais longe, acrescentando a hipótese de uma outra dimensão, ainda mais organizada e polivalente, para o espaço envolvente da actual zona desportiva citadina.
Para além do estádio, integrando a piscina, o pavilhão desportivo, o polivalente, o court de ténis e o campo de treinos, e não esquecendo a vizinhança da nova estrutura do terminal rodoviário assim como a de uma renovada Escola Cristóvão Falcão, por que não completar o conjunto com um parque de merendas? Naturalmente, não se pensa apenas nos visitantes (uma vez mais, em causa, estaria a adequada oferta de um espaço organizado e vocacionado para os acolher com qualidade), mas também nos residentes, que igualmente merecem ser “turistas” na sua própria terra.
Creio que, com o contributo da criatividade e da inventiva locais -penso nos jovens arquitectos, urbanistas, designers e paisagistas portalegrenses- e com a progressiva aquisição dos terrenos envolventes, seria possível planear e ir executando, por fases e desejavelmente utilizando recursos técnicos próprios, uma obra de presente e de futuro, de que sempre carecemos.
Não podemos aceitar passivamente a divulgação pública de mais conceitos, talvez justos mas pouco estimulantes, como os do tal “desaparecimento” de Portalegre ou das coisas “tristes” que por aqui se vivem (ou morrem), sejam estas o futebol, a política ou a indústria... como recentes exemplos.
Infelizmente, continuamos a não poder contar com uma opinião pública, colectivamente representativa, com voz própria e interveniente, capaz de se constituir como um parceiro/interlocutor válido na tomada de decisões que regem o progresso (ou o retrocesso!?) da comunidade portalegrense. Não estamos habituados a isso.
Porém, impressiona-me o volume quantitativo das silenciosas e anónimas visitas a este blog, frequentemente largas centenas por dia. Por que não transformar esta força potencial -pelo comentário, pela sugestão e/ou pela crítica- num forte e esclarecido movimento colectivo de assumidas identidades que dessem pública conta do real interesse que, apesar de tudo, ainda mantemos pela nossa terra?
António Martinó de Azevedo Coutinho

quinta-feira, março 18, 2010

Mário Silva Freire

CRÓNICAS DE EDUCAÇÃO
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.As faltas dos alunos.
Continuo a tentar encontrar explicações para essa doença grave que é a indisciplina na sala de aula ao nível do ensino básico. Nesta crónica abordarei apenas o que sobre faltas injustificadas se diz no Estatuto do Aluno, em vigor para o Ensino Básico, cujas alterações vieram publicadas em 18 de Janeiro de 2008.
Ora um jovem, cuja idade média vai dos 6 aos 15 anos, pode faltar sem nada lhe acontecer e sem necessidade de qualquer justificação, até duas semanas (1º ciclo) ou até ao dobro dos tempos lectivos semanais por disciplina (2º e 3º ciclos). Só depois de serem dados estes número de faltas, é que “os pais ou o encarregado de educação são convocados à escola pelo director de turma com o objectivo de os alertar para as consequências do excesso grave de faltas…”
Perante esta situação, pergunto-me como é possível formar cidadãos verdadeiramente responsáveis, com o sentido do dever para com eles próprios e para com os outros, quando é o próprio Estado que convida ao absentismo e à irresponsabilidade?
Recorde-se que é nesta faixa etária que os alunos estão em plena fase de maturação e de aprendizagem. Muitos dos hábitos de trabalho, de disciplina e de organização são adquiridos nesta altura da vida. Eles, no entanto, sabem, por este tipo de regulamentação que, na prática, nada lhes irá acontecer perante um absentismo sem justificação. Isto é: o aluno que, por circunstâncias específicas do meio familiar, não tem possibilidade de ser suficientemente acompanhado, sente que a comportamentos reprováveis não correspondem sanções. Mas também os outros, que são acompanhados pelas famílias, apercebem-se de que a sua presença nas aulas não é um aspecto importante da escolaridade.
Ora a assiduidade vale por si mesma. Ela traduz uma relação entre alguém (aluno, empregado, gestor…), com uma entidade (Estado, empresa, instituição…) pela qual se dá corpo a um compromisso de se estar presente para executar determinado trabalho. Faltando-se por motivos injustificados, o exercício desse trabalho fica posto em causa. Por isso, uma falta injustificada traduz uma quebra de um compromisso e, como tal, deverá ter consequências.
A transposição desta ausência de consequências para outros tipos de comportamentos inapropriados poderá, então, ser feita. Não é, pois, de excluir, que muita da indisciplina que campeia na sala de aula resulte desta percepção do aluno: a de que a sua presença nas aulas, para o exercício de um trabalho, não é importante. A partir daqui, deixa-se à imaginação do aluno e ao grau de tolerância do professor tudo aquilo que numa sala pode ocorrer mas que não corresponde ao verdadeiro trabalho escolar.
Mário Freire.
in,
O Distrito de Portalegre, 18 de Março de 2010, p.9

quarta-feira, março 17, 2010

Luís Pargana

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DESABAFOS - VIII
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Reflexões
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O país está ainda chocado com a morte do Leandro e com as circunstâncias que levaram ao acto extremo com que interrompeu uma vida que ainda apenas iniciara.
As análises e opiniões sobre o assunto não tardaram, centradas sobretudo numa tentativa de encontrar culpados para um acto que ainda ninguém consegue explicar: desde as culpas institucionais atribuídas à escola ou à família, até às mais individualizadas apontadas aos colegas, jovens que como o Leandro estão em processo de crescimento e de socialização.
A morte do Leandro, estúpida e inútil, chamou a atenção para um problema generalizado e latente nas escolas portuguesas. Infelizmente, sabemos que este não é um fenómeno isolado, mas sim um problema que merece a atenção e a vigilância de todos quantos são responsáveis pelo crescimento e pela educação das crianças.
Todos sabemos a crise de valores que a nossa sociedade atravessa. A falta de tempo que os pais têm para dedicar aos seus filhos e a tentação em ceder a todos os caprichos e desculpar todas as atitudes, procurando compensar, assim, a falta de tempo para o convívio familiar.
Também conhecemos a crise da escola actual, com professores desmotivados, transformados em burocratas, ocupados com relatórios e com reuniões infindáveis e cada vez com menos tempo para os seus alunos, para os actos pedagógicos e para a educação cívica.
A chamada “escola a tempo inteiro”, chavão da actual política educativa tem o efeito perverso de transformar as escolas em depósitos de crianças, com mais escola em cima da escola e retirando tempos de convívio às famílias, de consolidação de valores e de afectos que são tão importantes à formação da pessoa humana como o saber ler, escrever e contar.
Reflectir sobre isto e, acima de tudo, agir, é um dever de cidadania de todos nós. O exemplo do Leandro faz-nos perceber que não podemos perder tempo. Para ele já não há tempo!
Falei de escolas e de jovens. Mas não posso deixar de falar também na terceira idade: os nossos idosos, pais e avós, que fizeram o melhor que souberam por nós e pela nossa sociedade. Que trabalharam uma vida, contribuíram para o desenvolvimento do País, criaram riqueza com o seu trabalho.
Por isso o País tem uma dívida para com eles e essa dívida cumpre-se com as políticas sociais para a terceira idade, que lhe garanta qualidade de vida.
Esta questão é tanto mais sentida num distrito como o de Portalegre, onde o envelhecimento da população é acentuado pelo despovoamento que o caracteriza.
Vem esta reflexão a propósito de uma situação que é exemplo da insensibilidade do Estado para as questões sociais e da má gestão que o Governo faz em relação aos investimentos públicos e à urgência das medidas que é necessário implementar.
Refiro-me a um Lar de Idosos construído recentemente no distrito de Portalegre, concretamente na freguesia de Gáfete, e cuja obra representou um investimento público superior a um milhão de euros, com dinheiros do Estado e do Município, e que agora não pode funcionar porque aguarda que o Governo celebre os necessários acordos que permitam aos idosos da Freguesia, principalmente os mais necessitados, usufruir deste recurso.
E tudo isto se passa num concelho, o concelho do Crato, que nos últimos 50 anos perdeu mais de 60% da sua população.
Assim vai andando o País, com um Governo demasiado concentrado na gestão da sua imagem e sem rumo nas políticas sociais, nem capacidade para garantir a responsabilidade social do Estado nas questões da Educação e da Terceira Idade.
16 de Março de 2010
Luís Pargana

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