\ A VOZ PORTALEGRENSE: António Martinó de Azevedo Coutinho

sexta-feira, dezembro 31, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

RÉGIO HOJE

I - OS 80 ANOS DA CHEGADA DE JOSÉ RÉGIO
A PORTALEGRE

Terminaram oficialmente em Portalegre as comemorações dos 80 Anos da Chegada de José Régio a Portalegre. Foram meses de uma intensa e participada série de eventos locais, um ou outro com alguma expressão exterior, que culminaram, há escassos dias, com a brilhante lição de um dos maiores regianos vivos, Eugénio Lisboa.
Este lembrou-nos, sobretudo, a modernidade de Régio. E é esta modernidade que nos impõe, aqui e agora, algumas reflexões.
Na história recente de Portalegre, cidade do Alto Alentejo cercada (de mil coisas!), acontece que Régio foi de vez em quando por cá lembrado a partir de iniciativas geradas pela chamada sociedade civil e, também, por entidades oficiais.
Naturalmente, a partir dos últimos anos de vida do Poeta, deve destacar-se a sábia, oportuna e decisiva intervenção da autarquia, liderada pelo Prof. Silva Mendes, que ficou concretizada na Casa Museu, inaugurada a 23 de Maio de 1971, cumprir-se-ão portanto 40 anos em 2011.
Depois de um dilatado período de silenciamento do Homem e da Obra (como bem nos explicou Eugénio Lisboa!), foi também aqui que, em 1983/84, um pequeno grupo de cidadãos (António Ventura, Aurélio Bentes e eu próprio), inconformados com tão injusta situação, decidiu romper essa obscuridade. E fizemo-lo com a eficácia possível, apesar da indiferença (?!) dos líderes autárquicos locais da época.
Os tempos da presidência de João Transmontano alteraram a situação, tendo sido promovida a desejada geminação entre Vila do Conde e Portalegre, as duas mais “indiscutíveis” terras de José Régio. As comemorações e realizações de então -estávamos em 1994- prometeram um fértil futuro infelizmente não confirmado. Com efeito, para além dos sucessivos alheamentos locais, até as efemérides regianas assumidas a nível nacional, como a do 1.º Centenário do Nascimento em 2001, se transformaram em frustes e impotentes comissões, geradoras de modestíssimos eventos...
Até que, em 2009, as Três Escolas de Régio -Escola Superior de Educação, Escola Secundária Mousinho da Silveira e Escola Básica José Régio- decidiram, anunciaram e concretizam um plano de comemorações do 80 anos da sua chegada, como professor, à nossa cidade. Cumpridas no essencial, estas comemorações traduziram-se num vasto leque de realizações que abrangeram, para além das comunidades escolares -alunos, funcionários, encarregados de educação e professores-, a população interessada. Algumas iniciativas programadas poderão ainda ser concretizadas em diferido, como as que procuraram parcerias empresariais específicas. Também a Associação Pés Vagarosos prestou uma empenhada colaboração, para além de programação específica que levou a efeito.
A Câmara Municipal de Portalegre, autonomamente, concretizou uma série de eventos alusivos, em particular exposições e colóquios. A mostra regiana, durante meses patente em salas do Castelo, constituiu a mais completa e valiosa divulgação da vida local de Régio alguma vez aqui concretizada. Quanto aos colóquios/conferências destacam-se, sem embargo da reconhecida qualidade e do inegável interesse dos restantes, aqueles que nos trouxeram o testemunho, autêntico, de quem conviveu com o imortal autor da Toada: os Amigos de Régio - António Teixeira, António Ventura, Fernando J. B. Martinho, Florindo Madeira, Mário Freire e Tito Costa Santos- (a abrir), João Marques e Eugénio Lisboa (a fechar a série).
Entretanto decorre uma outra iniciativa, já em complexa mas plena marcha e desta vez protagonizada por uma jovem e recente empresa de dinamização turística local, relativa à permanente disponibilidade, em Portalegre, de um percurso histórico-cultural regiano, a partir de um futuro próximo.
Podemos afirmar, sem qualquer receio de contraditório, que este recente pretexto significou um bom exemplo daquilo que Portalegre pode e deve manter, como espírito de permanente evocação e justo destaque de alguém que constitui um dos seus mais valiosos patrimónios culturais, de dimensão universal.
Mas a modernidade de Régio, a tal que Eugénio Lisboa nos veio agora recordar, impõe mais. E, se para tanto precisarmos de pretextos, como o que recentemente nos motivou, então o próximo ano de 2011 é deles particularmente rico e... provocador.
Para além daquilo que esperamos da autarquia, certamente comprometida com uma digna evocação dos homens e das circunstâncias que dotaram Portalegre de um dos seus mais sólidos motivos patrimoniais de atracção cultural e turística -a Casa Museu de José Régio-, para além desta expectativa, analisemos outros potenciais desafios e oportunidades contidos nas efemérides regianas de 2011.
António Martinó de Azevedo Coutinho

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