\ A VOZ PORTALEGRENSE: Grupo Desportivo Portalegrense

sexta-feira, novembro 05, 2010

Grupo Desportivo Portalegrense

Sport Lisboa e Benfica em Portalegre
1.º plano: Mário Rui, Vieira, Águas, Rogério e Fialho
2.º plano: Moreira, Calado, Artur, Caiado, Bastos e Batista
Estádio da Fontedeira, 4 de Abril de 1954, 17 horas
Grupo Desportivo Portalegrense - Sport Lisboa e Benfica 1-4
Transferência dos jogadores Palmeiro e Santana

A época de 1953/54 não foi de glória para o Sport Lisboa e Benfica. Em toda a época fez 29 jogos oficiais, tendo averbado 14 vitória, 6 empates e 9 derrotas, tendo marcado 68 golos e sofrido 48.
No campeonato ficou em terceiro lugar, atrás do Sporting Clube de Portugal, o campeão, e do Futebol Clube do Porto. E na Taça de Portugal foi eliminado logo na primeira eliminatória pelo futuro vencedor do troféu, o Sporting CP, mas tendo que haver um terceiro jogo de desempate (1.º SCP/SLB 3-2; 2.º SLB/SCP 2-1; 3.º SCP/SLB 4-2).
O melhor marcador da equipa foi José Águas com 23 golos.
O Clube tinha um Conselho Técnico formado por Ribeiro dos Reis e José Simões, sendo treinadores Ribeiro dos Reis e o argentino José Valdivieso. O presidente do Clube era Joaquim Ferreira Queimado. Acrescente-se que esta época, desportivamente pouco feliz, foi a última do futebol de honra do SL Benfica no Estádio do Campo Grande, e correspondeu à celebração das Bodas de Ouro do Clube.
O Grupo Desportivo Portalegrense, treinado por Roqui, Honorato Lopes Rodrigues, disputou na época 1953/54 a Zona B da II Divisão. Ficou em 4.º lugar com 30 pontos em 26 jogos, tendo averbado 14 vitórias, 2 empates e 10 derrotas, marcado 51 golos e sofrido 45.
Este 4.º lugar permitia ao GDP continuar na época seguinte na II Divisão, que sofreria nova alteração, passando a existir apenas duas zonas, e não três como na época finda.

O último jogo da época, no domingo dia 7 de Março de 1954, confirmou o 4.º lugar, e nesse jogo o Grupo Desportivo Portalegrense venceu o Torres Novas pela expressiva marca de 6-1.
Em A Rabeca de 10 de Março, escrevia-se que «o encontro … teve fases decerto emocionantes, satisfazendo a assistência pela boa tarde de futebol que lhe proporcionou … ajustando-se o resultado perfeitamente ao decorrer da partida.
Boa arbitragem de Inocêncio Calabote, facilitada, é certo, pelo comportamento dos jogadores.»
Em 13 de Março, Morujo Trindade escrevia em A Voz Portalegrense que «independentemente do resultado feito … o futebol praticado foi dos melhores, senão o melhor que esta época vimos no nosso campo. Toda a equipa se houve como uma só peça e como consequência de tal facto vimos jogadores, pormenores de jogo que mesmo um dos bons grupos da Divisão Maior não desdenharia perfilhar.»
Mais completa é a crónica do jogo em O Distrito de Portalegre de sábado dia 13 de Março, por José Maria Cabecinha.
Portalegrense – Torres Novas 6-1
Árbitro: Inocêncio Calabote, de Évora
Portalegrense: Augusto (Severiano), Santos e Roqui; Moreno, Robalo e Sanina; Redondo, Emílio, Jacinto, Bica e Brito
Torres Novas: Martins (Ilídio), Zarra e Guijano; João Maria, Simões e Matos; Camer, Jordão, Galaz, Viriato e Conde
Intervalo: 2-1
Golos: Moreno 12 m (GDP), Camer 25m (TN), Jacinto 44 m (GDP), Roqui 49 m [g.p.] (GDP), Bica 57 m (GDP), Redondo 59 m, Jacinto 80 m (GDP).
Escreveu José Maria Cabecinha: _ «De salientar a correcção de todos os jogadores e, especialmente, à excelente arbitragem do sr. Calabote que demonstrou perfeitos conhecimentos do jogo designadamente da lei da vantagem que muitos, quase todos os árbitros parecem desconhecer.
Da equipa local destacamos como os melhores; Roqui, Bica (jogador generoso e útil a interior), Redondo, Jacinto, Sanina, Moreno e Emílio, estes na 2.ª parte.»

De maneira diferente abordam o jogo entre o Grupo Desportivo Portalegrense e o Sport Lisboa e Benfica, os três semanários que então se publicavam em Portalegre.
Mas da súmula deles, sabe-se que a Banda Euterpe foi receber a equipa do SL Benfica, a que se seguiu um almoço e uma visita à Serra.
Antes do jogo principal, às 15:30, teve lugar um sempre aguardado Grupo Desportivo Portalegrense – Sport Clube Estrela, este na categoria de Juniores e para o Campeonato Distrital, cabendo a vitória ao GDP.
O Distrito de Portalegre, pela pena de José Maria Cabecinha, escreveu a propósito do jogo de Juniores, ganho pelo GDP por 4-2 ao SCE, que «ambas as equipas nos pareceram inferiores às das épocas anteriores, mas é possível que somente tivessem acusado a estreia e portanto o seu valor seja superior ao que nos apresentaram no passado domingo.
Venceu com merecimento a equipa que durante toda a partida demonstrou ligeira superioridade.»
A Voz Portalegrense e A Rabeca não deram qualquer informação sobre o jogo de Juniores.
Entre as duas partidas de futebol, foi entregue ao Sport Lisboa e Benfica o estandarte do Sport Lisboa e Portalegre, clube com História na cidade e sua antiga filial, então já extinto.

A Rabeca não fez a análise do jogo entre o GDP e o SLB, apenas notícia a estada do SLB em Portalegre e o resultado da partida.
Sobre o jogo principal, O Distrito de Portalegre escreveu que «o jogo entre estes dois clubes, que nos proporcionou um bom desafio, pois os locais que no primeiro tempo foram em tudo superiores ao adversário, não merecia um desnível tão acentuado como o que o marcador indica.
De salientar a presença na equipa do Benfica de todos os seus titulares até ao fim do jogo, e até, o seu reforço no segundo tempo, a demonstrar as dificuldades que encontrou e ao mesmo tempo respeitando o público que paga.»
Mas José Maria Cabecinha deixa no final da crónica uma informação e um reparo: «– Antes do início do encontro Benfica – Portalegrense os dirigentes de ambas as colectividades foram ao centro do terreno onde se trocaram saudações e se procedeu à entrega de uma placa ao Benfica. Lamentamos que alguns jogadores de ambas as equipas mostrassem o desconhecimento das boas regras e se afastassem de tal acto para brincarem com a bola.»
Mais pormenorizada foi a reportagem de A Voz Portalegrense. Nela, da responsabilidade de Morujo Trindade, estão elementos que permitem ficar-se a saber como decorreu aquele jogo. Assim, justifica-se a total transcrição da referida crónica desportiva.
«Sport Lisboa e Benfica – 4
Portalegrense – 1
No cumprimento de uma das cláusulas do contrato de cedência dos jogadores Palmeiro e Santana ao consagrado e popular Benfica, recebeu o Portalegrense no passado domingo a visita daqueles, que fez deslocar todo o seu «team» de honra, à excepção do primeiro daqueles, jogadores, impedido na selecção militar.
Os grupos alinharam com:
S. L. e Benfica: Bastos, Artur e Batista, Calado Moreira e Caiado; Mário Rui (Arsénio), Vieira, Águas, Rogério e Fialho (Salvador).
Portalegrense: Augusto, Santos e Roqui; Moreno, Robalo e Sanina; Redondo, Emílio, Jacinto, Bica (Samarra) e Brito.
Árbitro: Sr. Curinha de Sousa.
Aos 7 minutos da primeira parte e com o grupo local em toada de ascendência perante os lisboetas, os locais alcançaram o seu primeiro tento, que viria a ser o único, mercê de um fortíssimo pontapé de Jacinto. Quis-nos parecer porém que um ressalto de bola traiu Bastos, sem contudo se pretender desmerecer na valia do pontapé do nosso avançado centro, efectivamente um remate pleno de força e oportunidade.
Os locais ainda na primeira parte criaram mais e flagrantes oportunidades de golo e como tal mereciam sem favor ter recolhido para o descanso com uma margem mais folgada.
Na segunda parte, o grupo lisboeta, substituindo os seus dois extremos do primeiro tempo, entrando de rompante conseguiu dois golos quase seguidos, por Arsénio e Vieira, para mais tarde Águas ter marcado o 3.º, em posição de fora de jogo, e o 4.º, com culpas para Severiano, que entrou para o lugar de Augusto que, pouco antes e depois duma magnífica partida, se tinha magoado.
Sem pretendermos ofuscar aquilo de que o consagrado Benfica é capaz de fazer, diremos que o resultado teria sido mais aceitável se se tivesse alcançado o fim do encontro com um empate, porquanto a magnífica réplica que o grupo local deu ao seu categorizado adversário não merecia uma derrota tão desnivelada.
Nos locais, todos, à excepção dos dois interiores, em tarde pouco inspirada, cumpriram e bem, a ponto dos próprios lisboetas lhes terem tecido os melhores elogios.
Nos lisboetas, Arsénio, Caiado, e em certos pormenores, Rogério e Águas, foram os que mais deram nas vistas.
A arbitragem, desatenta e por isso, pouco convincente.»

Tendo em conta os nomes dos jogadores do Grupo Desportivo Portalegrense que alinharam de azul nesta partida, pensamos que apenas Augusto, Bica e Samarra continuam entre nós.
A questão que queremos colocar, é que se não seria importante para o Clube Desportivo Portalegrense homenagear estes, e outros, seus antigos Atletas, e até de modalidades que não apenas o futebol?
Sabemos que está para breve a inauguração da nova Sede. Por que não aproveitar a oportunidade para na ocasião se reunir toda a Família Azul, como em tempos passados se fazia, e em conjunto fazer-se reviver a Alma Azul?
Mário Casa Nova Martins
Bibliografia
A Voz Portalegrense n.ºs 1124, 1129
A Rabeca n.ºs 1772, 1775, 1776
O Distrito de Portalegre n.ºs 4349, 4352, 4353

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