\ A VOZ PORTALEGRENSE: Carlos Manuel Faísca

terça-feira, novembro 02, 2010

Carlos Manuel Faísca

Biblioteconomia II

Gestão de colecções

A gestão das colecções consiste actualmente num número de procedimentos distintos, mas interligados, os quais passam pelo conhecimento dos objectivos e prioridades institucionais da biblioteca, pelo conhecimento da colecção existente e a sua relação com a comunidade de utilizadores, pelo desenvolvimento de políticas de selecção, aquisição, desbaste, manutenção de colecções e, ainda, pelo conhecimento de saber como e quando seleccionar para o utilizador, assegurando-se de que este não mudou, desenvolvendo procedimentos de execução, avaliação e revisão dessas políticas.
A gestão de colecções resulta de uma série de mudanças paradigmáticas na biblioteconomia, entre elas a passagem do paradigma da posse para o paradigma do acesso, através da substituição das políticas just-in-case pelas políticas just-in-time. O que significam estas políticas?
A primeira corresponde à mentalidade que sublinha o papel da biblioteca como um local de conservação patrimonial e de acumulação de livros, subsistindo a ideia de que a qualidade de uma biblioteca se mede não pelo número dos seus leitores, ou por qualquer outro factor, mas exclusivamente pelo número de títulos das suas colecções e, consequentemente, pela extensão das suas prateleiras. Estas políticas foram progressivamente abandonadas durante todo o séc. XX quando se compreendeu que cada tipologia Biblioteca tem uma missão própria com um público próprio não fazendo menor sentido que se adquiram e mantenham todo o tipo de documentos.
Foi assim que surgiu o modelo just-in-time, isto é, adquire-se, trata-se, conserva-se e disponibiliza-se aquilo que os utilizadores necessitam. Para tal, estudam-se periodicamente os mesmos, e a partir destes estudos, seleccionam-se as aquisições e desbastam-se os itens que se encontram desajustados à realidade de uma biblioteca, das suas colecções, dos seus objectivos e utilizadores, obtendo-se assim o correcto e saudável crescimento, não necessariamente numérico, de uma colecção.
Carlos Manuel Faísca

P.S. – Esta pequena introdução serve para de futuro se aprofundar os diversos temas que integram uma política de gestão de colecções.

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