\ A VOZ PORTALEGRENSE: Jaime Crespo

quarta-feira, agosto 18, 2010

Jaime Crespo

Tradição perdida nas profundezas do tempo, a conservação do leite dos rebanhos transformado em queijo, está enraizada em Tolosa.
Provavelmente zona de transumância entre as serras a norte e as planícies a sul, por aqui foi ficando esta arte milenar, passando, na maior parte dos casos, de pais para filhos, tornando-se segredo e negócio familiares.
De tal forma que ainda hoje, as empresas existentes são de cunho familiar, mesmo se considerarmos o caso excecional da "Sotonisa" que atingindo já dimensões de média empresa com mais de 30 pessoas empregadas, todas as outras empresas produtoras de queijo em Tolosa, não passam de pequenas unidades familiares. Mesmo a já citada "Sotonisa" nasceu da fusão entre algumas das mais tradicionais famílias na produção deste produto.

A importância desta indústria tornou-se vital para a vila de Tolosa e mesmo para o próprio concelho de Nisa, tornando-se talvez a maior empregadora (só ultrapassável pela autarquia e suas participadas e pela construção civil) e pagadora de impostos neste concelho.
Com as imposições impostas pela legislação comunitária, algumas claramente discriminatórias pois as mesmas exigências não atingiram os queijos franceses e holandeses, foi no entanto com a mesma verve que os fez singrar na vida a pulso, aproveitando bem as ajudas vindas da U.E., que estes empresários não cruzaram os braços e impulsionaram ainda mais a sua produção.
É certo que se perderam alguns sabores, alguns hábitos foram mudados, mas o segredo da composição e da qualidade mantém-se, continuando o produto produzido a ter qualidade e grande procura pelos seus apreciadores.

De momento, um desafio sério se lhes depara: o pré tratamento dos resíduos, antes de estes serem despejados na rede pública de esgotos provocando a inoperância da ETAR, já de si hiperdimensionada tendo em conta a população pouco numerosa da vila e provocando um grave problema de saúde pública com o despejo das águas maltratadas da ETAR na Ribeira do Sor
Dada a gravidade e complexidade do problema, é minha convicção que apenas com a colaboração entre as estruturas públicas do ambiente (Ministério), da Câmara Municipal de Nisa e os produtores de queijo, o problema poderá ser ultrapassado a contendo de todas as partes, especialmente dos habitantes de Tolosa que anseiam por voltar a usufruir de um ambiente limpo e puro.
Espero que a mesma força empreendedora que levou estas pessoas humildes a fazerem do seu pequeno negócio familiar uma indústria altamente rentável e vital para a região, essa mesma vontade os leve a tomar parte da solução e obrigar os organismos públicos a encontrarem consigo a "solução".
Jaime Crespo
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