\ A VOZ PORTALEGRENSE: Luís Pargana

quarta-feira, maio 12, 2010

Luís Pargana


DESABAFOS XVI

Há dias tive oportunidade de felicitar a nova directora da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, a Eng.ª Conceição Grilo, pela sua recente nomeação à frente desta instituição que representa um papel estratégico para o desenvolvimento local e regional de Portalegre.
Esta escola, envolta em polémica desde o seu projecto inicial, na zona da meia encosta da Serra de S. Mamede, ali pelos lados da “Senhora da Santana”, acabou por ser construída em pleno espaço Robinson, resultando num edifício de referência da nossa cidade, projectado pelo Arquitecto Souto Moura.
A moldura de arqueologia industrial, que a fábrica Robinson empresta a este magnífico edifício de arquitectura contemporânea, parece garantir-lhe a mesma respeitabilidade que os avós emprestam aos netos nos primeiros passos das suas vidas sociais.
Só que à respeitabilidade dos edifícios, nem sempre corresponde o bom senso dos homens e a correcção dos seus actos. E à excelência das instalações da Escola de Hotelaria e Turismo tem correspondido a leviandade das decisões da tutela. Como se o Turismo fosse uma coisa menor e subordinada a interesses de ocasião e conjuntura.
Todos sabemos as “trapalhadas” que rodearam a nomeação, primeiro, e exoneração, em seguida, da anterior directora da escola. A polémica foi pública: as instituições da tutela e o Partido do Governo não ficaram bem na fotografia.
De seguida, o Instituto Público Turismo de Portugal apressou-se a remediar a má imagem e lançou concurso público para o cargo de director, que pretendia escolher o perfil que melhor garantisse a coordenação global da actividade da escola, o planeamento da oferta de formação inicial e contínua, a prestação de serviços ao exterior, nos domínios turístico, hoteleiro e de restauração, entre outros e ainda a representação institucional da escola no meio envolvente e desenvolvimento de parcerias.
Estas eram as funções descritas no aviso de abertura do concurso que exigia que os candidatos tivessem licenciatura ou curso de especialização tecnológica na área da gestão, turismo, hotelaria ou restauração, ou equiparado, para além da desejável experiência na área do turismo, espírito de iniciativa e autonomia e capacidade para assumir desafios.
Tudo certo, para restabelecer a confiança na direcção da instituição que pretende formar os futuros agentes do turismo da nossa região.
Cinco dias úteis era o prazo dado para a apresentação de candidaturas e parece que foi tempo suficiente para que várias aparecessem e que ganhasse a melhor…
Pois bem, a polémica não se resolveu e a tutela desperdiçou a oportunidade para a transparência e credibilidade da nova direcção da escola. É pena. Nem a Cidade nem a Escola mereciam isso, nem a nova directora merecia iniciar o seu mandato envolto em especulação.
Renovo, agora publicamente, as felicitações que manifestei em privado à Conceição Grilo desejando-lhe que a sua competência seja a suficiente para ultrapassar o mau começo que lhe foi destinado pela imperícia da sua tutela, subordinada aos jogos de interesses políticos e partidários que pouco têm a ver com as necessidades das instituições e com o cumprimento da missão pública que lhes é destinada.

E termino o desabafo de hoje com uma palavra de satisfação em relação a um assunto que aqui abordei há algumas semanas atrás: O Ministério das Finanças autorizou, finalmente, que a Câmara de Portalegre possa recorrer ao crédito de modo a garantir a comparticipação municipal no programa de reabilitação urbana que irá permitir recuperar vários edifícios degradados do centro histórico da Cidade.
É certo que este excepcionamento só foi concedido depois de assinado um documento de compromisso, pelo punho do próprio Presidente da Câmara, em como até final do ano diminuirá, da dívida municipal, os valores que agora vão ser emprestados – aproximadamente 750 mil euros.
Portalegre ganhará duas vezes: reabilita o seu centro histórico e vê contida a sua dívida municipal. Assim o Presidente da Câmara seja capaz de cumprir o que assinou.
11 de Maio de 2010
Luís Pargana

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