\ A VOZ PORTALEGRENSE: António Martinó de Azevedo Coutinho

sexta-feira, maio 07, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho


JESUS CRISTO NUM HOSPITAL

As religiões só têm sentido se servirem
para destapar o horizonte do quotidiano
rotineiro: abrir o céu à terra e a terra ao céu.”
Frei Bento Domingues O. P.

Habituei-me, da há muito, a ler e apreciar as crónicas dominicais de Frei Bento Domingues divulgadas no Público. Admiro a qualidade intelectual, o estilo e o desassombro desses escritos, que por diversas vezes se tornaram escândalo e polémica, até mesmo entre a família eclesiástica. Frade dominicano (Ordem dos Pregadores), Bento Domingues acumulou uma invulgar experiência pastoral, para além da sua notável preparação teológica de base, por terras de África e da América do Sul. Investigador, pedagogo, orador, missionário, animador cultural e autor, demonstra na sua plural actividade um exemplar e corajoso espírito cívico a par de um coerente e assumido ecumenismo. Não admira, portanto, a Ordem da Liberdade que em 2004 lhe foi conferida.
Poderia citar muitas outras crónicas de Frei Bento Domingues, e talvez o venha a fazer no futuro se tal se justificar, mas esta, divulgada apenas há dias no Público de 2 de Maio, parece-me bem digna de ser mais conhecida e reflectida.
(Clicando na imagem, lê-se o texto)

Em três simples pontos, o articulista propõe-nos uma quase infindável série articulada de pretextos, muito actuais, para meditar e discutir.
No ponto 1., é-nos contada uma espécie de moderna parábola que, aliás, vem correndo mundo, acontecida nos seus mais diversos locais. Já encontrei versões desta curiosa ficção situando-a em França, na Inglaterra, em Espanha, eu sei lá!
A seguir, no ponto 2., Frei Bento aborda, através da sua experiência pessoal, certos exageros dos nossos órgãos de comunicação social, de formas primárias de “religiosidade” e, sobretudo, de comportamentos pidescos de alguns deputados, amplamente revelados durante os actuais inquéritos parlamentares.
O ponto 3., o derradeiro, é usado pelo articulista para citar dois ilustres membros da Igreja, o padre inglês Timothy Radcliffe e o teólogo suiço Hans Küng, que recentemente se distinguiram uma vez mais, como autores, respectivamente, do lúcido texto Ficar ou sair da Igreja (a propósito do escândalo da pedofilia), e da desassombrada Carta Aberta aos Bispos de todo o Mundo, contendo a proposta de um novo e urgente Concílio.
Depois, no contexto de todo o diversificado artigo, ficam patentes as linhas incontornáveis da sua lógica ligação interna.
É possível o acesso às transcrições, já devidamente traduzidas, de ambos os textos oportunamente citados por Frei Bento Domingues. Creio que vale a pena conhecê-los, mesmo na eventualidade de com eles discordarmos. Até porque algumas contestações, igualmente firmes e oportunas, podem também ser encontradas e confrontadas com as fontes originais. A lucidez e a coragem dos seus autores, todos eles, amplamente merecem o nosso esforço de compreensão e análise e o tempo a isso dedicado.
Tal como o pregador dominicano que me forneceu este excepcional pretexto.
António Martinó de Azevedo Coutinho

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