\ A VOZ PORTALEGRENSE: Ciclo de Conferências de Senadores - II

sexta-feira, abril 30, 2010

Ciclo de Conferências de Senadores - II

Foto: André Relvas / Fonte Nova

Primeira República e Amor à Pátria

Teve lugar na passada quarta-feira dia 28 a segunda Conferência de Senadores, agora com José Veiga Simão.
Começa-se por se dizer que uma vez mais foram as ‘ausências’ que as ‘presenças’, provando-se outra vez, se tal ainda fosse necessário, que em Portalegre a Cultura ‘anda de rastos’, assim como a vida política, económica e social da Cidade.
O presidente do Instituto Politécnico de Portalegre, Joaquim Mourato, fez uma breve apresentação, tecendo os encómios justos e dito as palavras certas. A crise do Ensino em Portugal, à qual o Conferencista viria a referir-se mais tarde, também esteve presente na apresentação, e faça-se justiça ao IPP pela iniciativa que está a levar a cabo, no sentido de aproximar a Escola da Cidade e da Região. E tudo no dia em que já se sabia que o jornal O Distrito de Portalegre, uma Instituição de Portalegre, iria no dia seguinte ‘fechar portas’, num processo de forte incompetência de quem o dirigia e de quem o tutelava.
Foto: André Relvas / Fonte Nova

António Martinó de Azevedo Coutinho fez a apresentação de Veiga Simão, utilizando para tal um Diaporama, método que domina na perfeição. Também falou antes e depois da apresentação do Diaporama. Mas através do Diaporama, durante mais de vinte minutos, foi ‘desfilando’ parte da vida e obra de Veiga Simão, tudo acompanhado por música e canção de intervenção de, entre outros, José Afonso e Manuel Freire.
Ao todo, foram largos minutos em que um percurso de vida foi dissecado com saber e mestria.
Foto: André Relvas / Fonte Nova

Não é despiciendo relembrar que o anterior Conferencista fora António Arnaut, e que a Conferência foi de uma qualidade excelente. Então, o Apresentador insistiu na problemática do Serviço Nacional de Saúde, e refira-se que na assistência estava ‘em peso’ a célula local dos médicos do PCP, mas António Arnaut ‘foi muito mais do que isso’, e a sua Conferência teve brilhantismo.
Veiga Simão trouxe um texto escrito, mas utilizou-o em muitos momentos apenas como guião, e deu à farta assistência uma ‘lição de cátedra’. António Arnaut e José Veiga Simão são decididamente representantes de outros tempos, de outras Gentes!
Perante a insistência do Apresentador, António Arnaut disse que não vinha para falar do SNS, o que cumpriu. Veiga Simão disse que iria falar principalmente da Primeira República e fazer um paralelo entre a Ética Republicana e o tempo presente. Esta temática também fora abordada por António Arnaut, e desta vez se a ‘forma’ era semelhante, o ‘conteúdo’ foi diferente, o que veio enriquecer mais este ainda ‘curto’ ciclo que se estenderá até ao Outono de 2010.
Na Apresentação, António Martinó já tinha introduzido a temática que Veiga Simão iria desenvolver, o que se tornou numa mais-valia. Apelidou Veiga Simão como um Homem das Três Repúblicas, e acentuou o carácter de inovação na contribuição de Veiga Simão na área da Educação em Portugal, recorrendo entre outros a Rómulo de Carvalho.
José Veiga Simão aceitou plenamente ser um Homem das Três Repúblicas, tal como António Martinó dissera na Apresentação, embora da Primeira República apenas a vivesse através da memória de seu Pai, pessoa que ao longo da Conferência se provou ser Alguém fundamental na formação Cívica de Veiga Simão, o professor, o político e o Homem.
Abordando o estado de Educação em Portugal, comparou-a às Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha e o simbolismo que encerram. Disse que ‘a verdadeira educação assemelha-se às Capelas Imperfeitas’.
Afirmou que ‘vive-se um tempo de grande dificuldade na vida dos portugueses’ e acrescentou que ‘hoje o desejo de civilidade, de democracia participativa’ deve nortear todos sem excepção.
De facto, não viveu na Primeira República, mas que na sua vida ela esteve sempre presente. Recordou que na sala de jantar dos pais estava um retrato de António José de Almeida, para ele uma figura tutelar. Fora seu Pai quem lhe explicara os motivos pelos quais admirava António José de Almeida.
A sua vida decorrera em três continentes. Na Europa em Inglaterra, em África em Moçambique, que apelidou de sua segunda Pátria, e na América do Norte nos Estados Unidos da América. Em todos aprendera e deles recebeu uma mundovisão que lhe tem sido ‘companheira’ no seu dia-a-dia.
Considera que em Portugal ‘não há visão estratégica que nos permita perspectivar o futuro’, acrescentado que ‘muitas instituições hoje não são credíveis’. Portugal está na Europa de pleno direito, ‘mas tem ostracizado a componente atlântica’, realidade que combateu quando da última vez que foi ministro. E ao falar das suas passagens por diferentes governos, disse-se ‘ocasionalmente político’.
Um acto político de que se orgulha foi o de ter mandado inscrever no Monumento à Guerra de África junto ao Tejo o nome de todos os que deram a vida pela Pátria na Guerra Colonial. Outro foi o de ter dado a maior dignidade ao Cemitério onde repousam os Mortos portugueses da Primeira Guerra Mundial em França.
Ao referir-se a Moçambique falou nas ‘riquezas inexploradas de Moçambique', as quais lhe podem proporcionar um futuro de paz e prosperidade.
Falou da barbárie da Guerra abordando a Primeira Grande Guerra e a Guerra Civil de Espanha. Disse-se, tal como seu Pai, Anglófilo durante a Segunda Grande Guerra. Considerou o ano de 1922 um ano importante para a História de Portugal com a visita de Estado de António José de Almeida ao Brasil, a travessia do Atlântico entre Lisboa e o Rio de Janeiro por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, e o pleno restabelecimento das relações entre Portugal e a Santa Sé. Tudo depois de falar da importância que a Primeira República deu ao Ensino, principalmente ao pré-escolar e à escolaridade obrigatória, elogiando a Reforma de João Camoesas. Mas não esqueceu os insucessos como os ataques à Religião ou à contínua queda dos Governos e a instabilidade política daí resultante.
Mas o grande legado da Primeira República é para José Veiga Simão o Amor à Pátria. A palavra Pátria foi muito utilizada ao longo da Conferência por parte do Conferencista. Veiga Simão deu uma lição de Portuguesismo, diga-se sem temer os ventos que vão destruindo o Portugal Democrático em que vivemos. Fraca gente a que nos governa, e que a outro nível se pode dar como exemplo aquela que ditou o fim do mais que centenário jornal O Distrito de Portalegre. É que há pastores de Homens e pastores de Almas!
Veiga Simão termina a sua Conferência citando José Régio e declamando excertos do ‘Cântico Suspenso’. Mas, sempre insistindo que hoje a Ética Republicana está adulterada, ainda voltou a afirmar que ‘a Ética Republicana tem que voltar a ser apanágio nos que governam a Pátria Portuguesa’.
Mário Casa Nova Martins
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Maria Helena Freire e Mário Silva Freire
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Carlos Juzarte Rôlo e Arlanda Gouveia
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Francisco Rolo e José Campino
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