\ A VOZ PORTALEGRENSE: António Martinó de Azevedo Coutinho

sábado, março 13, 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho


Estado de guerra
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AS GUERRAS DO/NO CINEMA
(Notas soltas a propósito de Estado de Guerra)
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Não sou cinéfilo; apenas gosto de Cinema. Sempre que posso, não perco uma estreia; em alternativa, aprecio um bom DVD (que remédio...).
A recente festa sazonal que dá pela mítica designação de Noite dos Óscares fez correr alguma tinta, talvez não tanta como é costume, que o tempo é de crise.
Fiquei perplexo com alguns comentários alusivos e, também, algo baralhado. Certos críticos, desejosos de originalidade, quase tudo trouxeram à cena: a vitória da ex-mulher contra o ex-marido, como se tratassem um caso de divórcio; a derrota de um filme básico do tipo Disney (Avatar) em favor de uma fita de barba rija (Estado de Guerra); o inédito e insólito destaque concedido a uma Mulher, precisamente no Dia da Dita, como se isso tivesse constituído a temática fundamental ali em apreço; etc. Enfim, trataram esses “especialistas” de quase tudo menos do essencial.

Devo recordar o pormenor (embora circunstancial) de, na única vez que trouxe ao “nosso” blog um tema de Cinema, ter abordado precisamente um filme de guerra, A Valsa com Bashir, a 24 de Julho do passado ano. Em Massacre (s)em Dó Maior procurei sobretudo destacar as complexas teias psicológicas resultantes daquilo a que se chama stress pós-traumático, assim como a violência e a injustiça daquela guerra, afinal de todas as guerras. Mera coincidência.
Vi o filme agora premiado e gostei. Lembro-me de que ele passou mais ou menos discretamente pelas nossas salas, ao contrário do delírio que acompanhou Avatar, a que ainda me não calhou assistir. Mas tenho a certeza de que nem esta é uma fita tão primária quanto alguns iluminados nos querem fazer crer, assim como estou firmemente ancorado na convicção de que Estado de Guerra (The Hurt Locker) não é uma obra-prima.
É um bom filme, não tanto sobre a guerra num sentido literal mas sobretudo sobre os seus intérpretes principais: os soldados. A guerra é o contexto dramático que enquadra a crónica da vida quotidiana de três elementos duma “brigada de minas e armadilhas”, em serviço no Iraque. Pelos obsessivos sentimentos de ansiedade e de tensão dramática que veio acrescentar a este tipo de cinema, o filme constitui uma narrativa exemplar.
Isento de grandes efeitos especiais, desprovido de uma banda sonora espectacular, servido por processos cinematográficos sóbrios e discretos, usando uma linguagem descritiva simples e directa assim como uma lógica e eficaz montagem, Estado de Guerra é quase um produto minimalista, raiando por vezes o género documental. Mas constitui uma obra plenamente convincente, o duro e rigoroso retrato de uma missão de alto risco, vivida em cenários urbanos, onde a tranquilidade é muito mais aparente do que real. Pessoalmente, creio ter sido bastante justa a decisão do júri, embora isso possa pesar aos que lamentaram a atribuição de tantos e tão significativos prémios a uma mulher (Kathryn Bigelow) que se atreveu a rodar uma fita própria de homens...
Nada acrescento sobre o enredo da obra, pois tal aquisição deve ser directa e personalizada. Prefiro, sem pretender substituir a reconhecida capacidade do Luís Filipe Meira nesta “função”, recordar aqui alguns dos títulos de outros grandes filmes bélicos que, ao longo dos tempos, fizeram a delícia de tantos de nós. Provavelmente, embora incompleta e sumária, esta lista remeterá muitos dos que tiverem a generosidade de a ler para os saudosos tempos do Cine-Parque ou do Crisfal...
Por ordem cronológica, aqui vão os meus 20 “honorários” Óscares bélicos:

E Tudo o Vento levou (1939)
Sargento York (1941)
Até à Eternidade (1953)
Os Canhões de Navarone (1961)
O Dia mais Longo (1962)
Lawrence da Arábia (1962)
12 Indomáveis Patifes (1967)
Patton (1970)
Nascido a 4 de Julho (1976)
Quatro Penas Brancas (1977, nova versão em 2002)
O Caçador (1978)
Apocalypse Now (1979)
Ventos de Guerra (série para TV – 1983)
Norte e Sul (série para TV – 1985)
Platoon – os Bravos do Pelotão (1986)
A Barreira Invisível (1998)
O Resgate do Soldado Ryan (1998)
Cercados (2001)
Irmãos de Armas (série para TV – 2001)
Cartas de Iwo Jima (2006)

E até à próxima fita...
Portalegre, Março de 2010

António Martinó de Azevedo Coutinho

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