\ A VOZ PORTALEGRENSE: Luís Filipe Meira

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Luís Filipe Meira

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No prólogo do JazzFest
Visitação ao CAEP
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Ano Novo, Vida Nova diz o ditado. Para além do novo ano, há um novo executivo camarário, sem maioria absoluta, saído das eleições autárquicas de Outubro, e que tem um novo responsável pela área cultural.
Ora, estas alterações terão seguramente influência na gestão do CAEP. Foi o que pretendemos aferir numa pequena entrevista com Joaquim Ribeiro, que mantém as funções de director artístico da sala da Praça da Republica.
Por nossa conveniência, as perguntas foram colocadas via correio electrónico, o que traz algumas limitações, pois a conversa, não podendo fluir, não permite a possibilidade das respostas intuírem novas perguntas. Ainda assim, espero que alguma coisa tenha ficado esclarecido.

Luís Filipe Meira
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_ (Luís Filipe Meira) Todos nós sabemos os constrangimentos económicos que as autarquias vêem passando. Regra geral a cultura recebe as sobras do orçamento ora em tempo de crise a situação agudiza-se. A 1ª pergunta terá que passar por aí, em que condições foi feito e qual o orçamento do CAEP para 2010 e já agora, pode o CAEP recorrer a financiamentos autónomos do Ministério da Cultura?
_ (Joaquim Ribeiro) O Orçamento para o CAE, como a totalidade do orçamento para a autarquia, teve constrangimentos económicos, em vicissitude do momento que atravessamos. Para este ano, o orçamento do CAE ronda os 220.000 euros, o que significa um corte de cerca 25% em relação a 2009.
Estamos a trabalhar numa candidatura ao QREN, para programação em Rede, que se iniciará este ano e que está a ser preparada desde o ano transacto, juntamente com Faro, Beja e Setúbal. Esta candidatura está aprovada até final de 2011 e poderá ser prolongada até 2013. Com esta iniciativa, pretende-se reduzir custos programado em Rede com mais esses 3 teatros e obter algum financiamento por parte da Comunidade Europeia, que poderá chegar a 40% dos custos considerados elegíveis.
Financiamentos autónomos por parte do Ministério da Cultura ou uma politica clara de apoio a casas de espectáculos iguais ao CAE de Portalegre (que felizmente existem um pouco por todo o Pais, e que tem tido um papel inquestionável de descentralização cultural em Portugal, unicamente com financiamento autárquico), infelizmente não há. Tem havido sim muitas promessas adiadas…

_ Uma das bandeiras do programa do candidato do PS à autarquia passava por uma forte intervenção na programação do CAEP, apesar de não ter ganho o PS ficou numa posição de relativa força para poder influenciar decisões de fundo no que diz respeito ao CAEP, além disso o responsável pela cultura mudou, pergunto eu, há para já algum sinal de interferência na autonomia da direcção artística?
_ Como não podia deixar de acontecer, há uma excelente relação com a actual responsável pelo Pelouro da Cultura, Adelaide Teixeira. Há por parte da actual vereadora confiança no trabalho que se realizou e no que se está a realizar. Por isso, tem corrido tudo dentro da normalidade.

_ Olhando para a programação do primeiro trimestre e numa primeira leitura, parece-me ter havido alguma preocupação em abrir o leque das propostas nomeadamente em disciplinas mais clássicas ou eruditas, em contrapartida não vemos nenhum nome de peso no campo da pop ou mesmo da música portuguesa, houve alguma alteração de critérios ou o esforço financeiro do Jazzfest teve a ver com isso?
_ Assumimos como aposta de programação para 2010 a Dança, nas vertentes clássica e
contemporânea. Como tal, pretendemos ao longo do ano promover uma oferta variada e regular. Para este 1º trimestre apresentámos: “O Lago dos Cisnes”, “Inferno”, de Olga Roriz e “A Bela Adormecida”.
O JazzFest, como é óbvio, preenche uma fatia considerável do orçamento anual do CAEP para a programação, o que condiciona o resto do trimestre, não permitindo pelo menos no 1º trimestre uma aposta em nomes mais fortes. Tento dividir o orçamento em partes iguais pelos 3 trimestres programáveis, o que no 1º com a realização do JazzFest, obviamente obriga a alguma contenção nas restantes escolhas que são apresentadas.

_ Jazzfest que se vai mantendo, apesar de me parecer que nunca conseguiu conquistar a cidade como se impunha, as razões serão diversas e ficarão para discutirmos noutra altura. O cartaz deste ano privilegia o jazz mais contemporâneo e se calhar mais difícil para públicos diversos. È uma opção ou foi o cartaz possível?
_ O espaço no Café-Concerto privilegia claramente o jazz mais contemporâneo que se faz a nível mundial. Pareceu-me fazer todo o sentido essa aposta, sendo o JazzFest já uma referência nacional, e tendo uma responsabilidade de mostrar ao público que nos visita aquilo que poderão ser as tendências ao nível de linguagens jazzísticas no futuro.
Por outro lado, no Grande Auditório, a aposta recaiu sobre vários estilos e sobre nomes incontornáveis do panorama jazzístico actual, como o Trio do Carlos Barretto, que irá apresentar o seu muito aguardado e mais recente trabalho discográfico, a sair em Fevereiro ou Março deste ano; o José James Quartet, que funde com o jazz sonoridades que vão desde o Soul ao Hip-Hop, e que irá também apresentar o seu mais recente trabalho, que saiu há poucos dias; o Tord Gustavsen Ensemble, com um estilo mais clássico, virá apresentar o seu ultimo disco e para finalizar o Tony Malaby’s Quartet, que por muitos é considerado um dos melhores saxofonistas mundiais, vem apresentar o seu último disco publicado pela editora portuguesa Clean Feed, que teve excelentes criticas do outro lado do Atlântico.
Para além destas actividades, e inseridas no programa de serviço educativo, iremos ter a “abrir” o JazzFest, o projecto “Open Gate 5”, uma instalação sonora que aborda a linguagem jazzística, a apresentar, se o tempo ajudar, na Praça da Republica na tarde de 18 de Fevereiro. No dia 20, inserido no projecto “Á conversa com os meus Botões”, receberemos no CAEP José Duarte, figura incontornável da rádio e divulgador incansável do jazz em Portugal. E para finalizar, no dia 22, teremos a exibição do filme “Piano Blues”, inserido no projecto “Uma margem ao Centro”.

_ Todos anos coloco esta pergunta mas julgo que justificadamente. O Portalegre Jazzfest é uma aposta de futuro ou o futuro a Deus pertence?
_ Continuo a achar que o JazzFest é uma aposta ganha, que faz todo o sentido continuar numa perspectiva de crescimento do Festival. A meu ver, o Festival, como tudo, deve ter um crescimento sustentável. Esta é já a 8ª edição e sou da opinião que temos crescido calmamente e sustentavelmente ao longo dos anos, há portanto que continuar nesse sentido.

_ Só agora me apercebi que há visitas guiadas ao CAEP. Sentiram essa necessidade ou entra num programa de divulgação de actividades?
_ As visitas guiadas começaram em 2006, mas por razões várias, foram abandonadas cerca de um ano depois.
Com o serviço educativo reformulado, desta feita a cargo de Carla Martins, resolvemos retomar as visitas guiadas, com o intuito de no futuro lhes acrescentar uma outra valência, que não queria para já desvendar, mas que entrará não num programa de divulgação mas sim como uma actividade.


_ Finalmente o cinema. Está já a decorrer a mostra “Uma Margem ao Centro” espaço de cinema alternativo que este ano é dedicado ao Documentário. Em poucas palavras diz-nos porque é que devemos passar pelo Pequeno Auditório no último fim-de-semana de cada mês. E o cinema ao domingo e à segunda-feira está de saúde?
_ O espaço de cinema “Uma margem ao Centro” recai numa necessidade de apostar em linguagens mais alternativas. Para este ano, a aposta foi feita no Cinema Documental, de forma a poder “alertar” o público para certas questões de ordem social, que muitas vezes são esquecidas.
Para o próximo ano, a aposta será outra, mas é uma actividade para continuar.
O cinema considerado “mais comercial”, para já irá continuar aos domingos e segundas, como tem acontecido nos últimos anos, colmatando uma lacuna existente na cidade: o não haver salas com gestão privada de exibição de cinema.
in, Alto Alentejo – 03 de Fevereiro 2010 – Terra a Terra – 09

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