\ A VOZ PORTALEGRENSE: Crónica de Nenhures

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Crónica de Nenhures

José Régio e o Estado Novo
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Tivemos ocasião de afirmar que o professor José Maria dos Reis Pereira nunca foi apoiante do Regime saído de 28 de Maio de 1926. E ao mesmo tempo, afirmámos que Reis Pereira nunca pertenceu à Oposição ao Regime.
Continuamos a afirmar que José Maria dos Reis Pereira nunca se interessou pela Política, ‘convivendo’ bem com deus e com o diabo. A política de Reis Pereira era a incessante busca de antiguidades, e o seu posterior ‘usufruto’. Mas, a dada altura e a propósito de umas imagens de santos que tinha em sua posse e que eram obra de furto, o ‘nome’ de José Régio foi muito importante para o desfecho do caso policial, jurídico e criminal.

Estudámos no Liceu Nacional de Portalegre, e tivemos a disciplina de Português durante os primeiros cinco anos, leccionada por dois professores que nos deixaram profunda impressão, quer pelos seus conhecimentos, quer pela sua estatura cívica, os drs. Francisco Calado Godinho Barrocas e Francisco Salgado.
Guardamos os manuais da disciplina. E quanto aos do 1.º e 2.º anos, ambos têm na contracapa a indicação de serem ‘livro único’, aprovados, portanto e como se lê, pelo Ministério da Educação Nacional.
O poeta José Régio não tem nenhum poema no manual do 1.º ano, mas quanto ao do 2.º tem Circo e Portalegre, neste caso um excerto da Toada de Portalegre.
No manual do 3.º ano tem Nossa Senhora e Oração da Manhã.
E no manual do 4.º e 5.º anos, incluído nos Séculos XIX e XX, estão os poemas Natal, Epitáfio para Uma Criança e Funeral. Ainda nesta manual, quando da pequena biografia de Camilo Castelo Branco, há uma análise literária de Régio ao Autor de ‘Amor de Perdição’.

Também José Régio organizou uma antologia de poesia, Poesia de Ontem e de Hoje para o nosso Povo ler, para o plano de publicações da denominada Campanha Nacional de Educação de Adultos, da responsabilidade do mesmo Ministério da Educação Nacional.

Com este texto, queremos afirmar que o Estado Novo respeitou o Poeta e que o Poeta nunca recusou que excertos da sua Obra figurassem nos manuais que formavam as novas gerações. Além disso, de certeza que com toda a liberdade, elaborou uma belíssima antologia poética sob o patrocínio do Regime.
Mário Casa Nova Martins
1.º ano
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Aprovado oficialmente como livro único
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2.º ano
Circo, página 115
Portalegre, página 177
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3.º ano
Nossa Senhora, página 236

Oração da Manhã, página 247
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4.º, 5.º anos
Natal, página 442
Epitáfio para Uma Criança, página 444
Funeral, página 444
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4, 5.º anosSobre Camilo Castelo Branco, página 273
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Antologia poética, 1.ª edição 1956, 2.ª edição 1969

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