\ A VOZ PORTALEGRENSE: Setembro 2009

quarta-feira, setembro 30, 2009

Cadernetas de Cromos


Cadernetas de Cromos
.
TRAJOS TÍPICOS DE TODO O MUNDO
(Agência Portuguesa de Revistas - 1958)
.
Ano da 1ª edição - 1958 (Fevereiro).
Origem - Portugal (Agência Portuguesa de Revistas).
Cromos - 206 guaches de Carlos Alberto Santos.
Notas - Houve pelo menos duas edições dos álbuns em papel distinto. Uma tem a capa impressa num papel fino de má qualidade e as folhas em papel amarelado. Estes álbuns estão quase sempre em mau estado de conservação. Existe uma outra edição, mais recente e rara, em papel mais grosso e de melhor qualidade, que deve ser preferida. Ambas têm aspecto gráfico idêntico.
.
Começámos a falar em 9 de Novembro de 2008 das Cadernetas de comos que tínhamos. Começámos pela «Raças Humanas», em 16 de Novembro continuámos com «Bandeiras do Universo», e a 23 de Novembro com «Figuras Imortais».
É tempo de retomar este ciclo, e fazemo-lo com «Trajos de Todo o Mundo». A nossa tem a data de 1958, e temos por ela um grande carinho. Ao tempo não sabíamos ler, e era a nossa Mãe que pacientemente lia os textos que acompanhavam as gravuras.
Mário

terça-feira, setembro 29, 2009

Crónica de Nenhures

Eleições Legislativas 2009
.
Concelho de Portalegre
.
Total de Inscritos – 22.300
Total de Votantes – 13.979 – 62,69 %
Votos Brancos – 293 – 2,10 %
Votos Nulos – 166 – 1,19 %
.
PS – 5.074 – 36,30%
PPD/PSD – 4.373 – 31,28 %
BE – 1.573 – 11, 25 %
CDS-PP – 1.268 – 9,07 %
PCP-PEC – 882 – 6,31 %
.
PCTP-MRPP – 159 – 1, 14 %
MEP – 43 – 0,31 %
PPM – 35 – 0,25 %
PNR – 28 – 0,20 %
MPT-PH – 25 – 0,18 %
MMS – 23 – 0,16 %
PPV – 19 – 0,14 %
POUS – 18 – 0,13 %

Vitória do PS – Alagoa, Fortios, Ribeira de Nisa, Sé, Urra, Alegrete
Vitória do PPD/PSD – Carreiras, São Lourenço, São Julião
Empate –Reguengo
_______
Eleições Europeias 2009
.
Concelho de Portalegre
.
Total de Inscritos: 22417
Total de Votantes: 8280, 36.94%
Votos Brancos 5.42%, 449 votos
Votos Nulos 1.86%, 154 votos
.
PPD/PSD 30.97%, 2564 votos
PS 29.2%, 2418 votos
BE 12%, 994 votos
PCP-PEV 8.76%, 725 votos
CDS-PP 7.19%, 595 votos
.
MEP 1.18%, 98 votos
PCTP/MRPP 1.11%, 92 votos
MMS 0.57%, 47 votos
PNR. 0.46%, 38 votos
MPT 0.41%, 34 votos
P.H 0.37%, 31 votos
PPM 0.33%, 27 votos
POUS 0.17%, 14 votos
_______
É muito importante mostrar os resultados das Eleições Europeias de 7 de Junho passado, e as Eleições Legislativo do passado domingo 27 de Setembro.
Ao fazê-lo, pretende-se, como se tal fosse necessário, mostrar que são dois actos eleitorais completamente distintos. E ‘Europeias’ e ‘Legislativas’, são por sua vez bem distintas das ‘Autárquicas’ do próximo dia 11 de Outubro.
Se assim não o fosse, desnecessário seria realizar três momentos de votação e não apenas um. Aliás, mesmo ‘dentro’ das ‘Autárquicas’, a excepção é a coincidência de votos nos três boletins de voto, Autarquia, Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesia, quando no final do apuramento.
Com isto se quer dizer que está tudo em aberto no concelho de Portalegre, quanto às Eleições Autárquicas de 11 de Outubro de 2009!

No concelho de Portalegre, há hipótese de o PS ou o PSD ganharem a Autarquia. E há hipótese de BE, ou CDS, ou PCP elegerem um vereador.
Quanto à Assembleia Municipal, há a hipótese histórica dos cinco partidos, CDS, BE, PCP, PSD e PS, estarem nela representados.
Quanto às Freguesia, PS e PSD disputarão o vencedor, e aí além destes dois, apenas o PCP poderá eleger representantes.
Em suma, nada está ‘perdido’ em Portalegre, mas nada está ‘ganho’!

Os resultados das Eleições Legislativas, que os socialistas julgavam perdidas, vieram dar um forte alento ao PS no concelho de Portalegre. Nelas, ganharam cinco Freguesias, entre elas a ‘importantíssima’ Sé, ‘empataram’ no Reguengo e perderam três, entre elas a ‘habitual’ São Lourenço.
Talvez o facto mais importante para a campanha do candidato do PS seja a ‘recuperação’ da Freguesia da Sé pelos socialistas, onde o principal adversário na corrida autárquica tem feito forte ‘investimento’ em couratos, ou não fosse o actual líder da CMP carinhosamente apelidado por quem usufrui destes banquetes gastronómicos de «O Rei do Courato»!
É curioso como no concelho de Portalegre, nos últimos oito anos, o ‘programa eleitoral’ do PSD se resuma a panem et circenses
, onde com momento musical e gastronómico, de certeza que a vitória é certa!
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, setembro 28, 2009

CAE de Portalegre


FESTIVAL SONS DO MUNDO 2009
.
Sex. 09 Outubro – Dazkarieh
«Quina das Beatas» especial Sons do Mundo 2009
Alternativa / Folk Rock / Experimental

Café –Concerto - 23.00h
Entrada 3 €
M/4 anos

Os Dazkarieh são Vasco Ribeiro Casais, na Nyckelharpa, Bouzouki, Gaita de Foles e Flauta Transversal, Luís Peixoto, no Bouzouki Irlandês e Bandolim, Joana Negrão, na Voz, Adufe e Pandeireta, e André Barros da Silva, na Bateria.
Será complicado definir em que género musical se inserem. Não é tarefa fácil descrever um som que soa a espaços tradicional e etéreo, resvalando muitas vezes para um rock poderoso, condimentado com fortes ritmos, tocados em instrumentos acústicos de forma não tradicional.
Nos últimos 3 anos, a banda fez concertos um pouco por todo o mundo, em salas e festivais de Espanha, Andorra, Bélgica, Alemanha, Polónia, República Checa, Suíça, Áustria, Estónia, Canadá, México e Cabo Verde.
Os Dazkarieh comemoram 10 anos de carreira com o álbum “Hemisférios”, disco duplo que é o 4º álbum de originais da banda e o seu trabalho mais ambicioso até à data.

Os DAZKARIEH são:
Vasco Ribeiro Casais: Nyckelharpa, Bouzouki, Gaita de Foles, Flauta Transversal;
Luís Peixoto: Bouzouki Irlandês, Bandolim;
Joana Negrão: Voz, Adufe e Pandeireta;
André Barros da Silva: Bateria
www.myspace.com/dazkarieh
.
Sáb. 10 Outubro – Suhail Ensemble - (Marrocos)
Música do Magrebe e Médio Oriente
Sons do Mundo 2009 - 4ª Edição
Musicas do Mundo
Grande Auditório
Inicio 21.30h
Preço único 10 euros
M/4 anos

SUHAIL ENSEMBLE baseia o seu estilo na especial sensibilidade interpretativa dos seus componentes e na originalidade dos seus arranjos, que tentam expressar os temas musicais dentro de uma dimensão emocional e espiritual.
A instrumentação do grupo é a tradicional: alaúde e kanún como instrumentos melódicos, a voz como indicativo de subtileza modal destas músicas, e as percussões tradicionais do mundo árabe: darbouka, bendir e tar, tudo tocado com elegância e subtileza.
O espectáculo SUHAIL ENSEMBLE está concebido para aproximar o público às composições clássicas de Marrocos, Turquia, Síria e Egipto (Samai, Wasla, Moaxaja, Mawals, Taksims...), desconhecidas para os ocidentais, assim como a bela música que se fazia na gloriosa época de florescimento de arte e cultura em Al-Andalus, tradição que se conservou até aos dias de hoje nos vários países do Magrebe.
SUHAIL ENSEMBLE é liderado pelo multi-instrumentista Suhail Serghini, que ao longo da sua carreira já colaborou com algumas referências da música internacional: Ketama, Hevia, Radio Tarifa, El lebrijano, Carlos Cano, Remedios Amaya, Vicente Amigo, Chano Lobato, Carmen Linares, Carlos Vargas, Manolo Tena, David Summers, Bunbury (ex Héroes del Silencio), Badejub (…). Em 2008 foi o músico convidado pela cantora colombiana Shakira para fazer a intro no tema “Suerte” na abertura do espectáculo no Rock in Rio Madrid.
Em 2009 foi nominado aos prémios GOYA como melhor canção original no filme Retorno a Hansala, de Chus Gutiérrez.
Suhail Serghini: baixo, crótalos, saz turco e voz principal
Abdesselam: Kanún
Omar: Darbouka e bendir e voz
Moustafa: Oud e coros
.
Sáb. 10 Outubro – Linda Scanlon (Irlanda)
Sons do Mundo 2009 - 4ª Edição
Música Tradicional Irlandesa

Musicas do Mundo
Café - Concerto
Inicio 23.00h
Preço único 3 euros
M/4 anos

Linda Scanlon começou a cantar aos 11 anos, num concurso de música tradicional irlandesa em Dublin. Desde então, participou em inúmeros concursos e festivais, relacionados com novos talentos da música tradicional folk de Irlanda. Em 1992, começou a actuar em pubs e clubes, com um grupo local de Folk Irlandesa, com o qual ganhou experiência e maturidade musical, que a preparou para o seguinte passo.
Em 1997, a viver em Peterborough (Inglaterra), passou a ser a líder da banda The Rogues, com a qual fez espectáculos por todo o Reino Unido. Em 2000, criou o grupo Klonalkity, juntamente com o guitarrista Nigel Crawson, com o qual fez mais de 700 espectáculos, repartidos pela Europa, em locais mais intimistas, mas também em festivais de grande dimensão, na Alemanha, Liechenstein, o Festival Med, em Loulé, etc.
Em 2009, Linda Scanlon decidiu partir para um projecto a solo, que teve o seu início num Festival no Pais de Gales.
Linda Scanlon - Voz, Bodhran e Flauta Irlandesa
Stuart Wilcock - Guitarra, Violino e Harmónica
www.myspace.com/lindascanlon
.
Sex. 16 Outubro – Uxu kalhus
«Quina das Beatas» especial Sons do Mundo 2009

Folk Rock
Café – Concerto - 23.00h
Entrada 3 euros
M/4 anos

Nascidos em 2000, com o objectivo de levar as danças portuguesas a França, os Uxu Kalhus cedo revelaram a sua vocação de grupo de Fusão e World Music, mesclando as influências de cada um dos seus componentes, de forma a obter um resultado ímpar no panorama nacional e internacional do movimento Folk. O trabalho que o grupo desenvolveu ao longo destes anos, reflecte-se no seu primeiro CD, “A Revolta dos Badalos”, de 2006, onde as composições do grupo alternam com arranjos de danças portuguesas, que até hoje raramente saíram do domínio Folclórico.
É assim que o Malhão, a Erva Cidreira, o Mata Aranha, o Saraquité ou o Regadinho, adquirem uma dinâmica nova, fracturante com o passado, com ritmos de bateria, baixos jazzísticos e arranjos com influências Afro, Ska, Rock, Drum and Bass, Hip Hop, etc.
A regra de ouro d’ os Uxu Kalhus é extravasar as fronteiras do tradicional, sem preconceitos nem limitações, privilegiando a energia e a improvisação, em detrimento da música previsível e “quadrada”, mantendo o baile como forma de expressão, onde cada um encontra o seu espaço de realização.
Uxu Kalhus é um colectivo que não quer guardar para si segredos...
www.myspace.com/uxukalhus
.
Sáb. 17 Outubro – Lafra - (Croácia / Hungria / Bulgária)
Música Klezmer e Folk dos Balcãs
Sons do Mundo 2009 - 4ª Edição

Musicas do Mundo
Grande Auditório
Inicio 21.30h
Preço único 10 euros
M/4 anos

Lafra é uma expressão do norte da Croácia, que simboliza a criatividade. O grupo aplica com entusiasmo este mesmo espírito criativo, com uma atractiva fusão de elementos e estilos, provenientes das diferentes raízes e formações musicais dos seus componentes. Os Lafra são composto por 5 músicos, oriundos da Croácia, Hungria e Bulgária e detentores de uma relevante trajectória individual nas áreas da música clássica, música tradicional e jazz.
Os Lafra apresentam um espectáculo composto por músicas festivas dos Balcãs, através de arranjos que combinam com grande virtuosismo instrumental melodias tradicionais e próprias, com sonoridades provenientes da música klezmer, da música clássica, do jazz e da ambientação cinematográfica.
Em 2006, o grupo Lafra foi o vencedor do circuito de world music “Diversons”, promovido pela Fundación La Caixa. Desde então, participaram em inúmeros eventos e festivais relacionados com a world music, principalmente em Espanha, mas também no nosso país, no Encontro Internacional da Cultura Judaica, em Vilamoura.
Jasmina Petrovic - Voz
Andrea Szamek - Violino
Nasko Hristov - Acordeão
Ivailo Hristov - Clarinete
Krastayo Metodiev - Percussões
.
Sáb. 17 Outubro – Ibn Battuta (Marrocos/Espanha)
Sons do Mundo 2009 - 4ª Edição
Músicas do Mediterrâneo e Médio Oriente

Musicas do Mundo
Café - Concerto
Inicio 23.00h
Preço único 3 euros
M/4 anos

Ibn Battuta foi um viajante e explorador marroquino, da época da dinastia Merini. É o mais conhecido dos grandes viajantes árabes, tendo relatado a sua viagem pelas rotas do Oriente e Mediterrâneo durante 20 anos.
Este viajante inspirou um projecto musical, que faz um percurso repleto de rigor e sensibilidade, transportando o público à sensualidade sonora que durante séculos inundou bazares, medinas e palácios do Mediterrâneo e Médio Oriente.
Os Ibn Battuta interpretam música dos países do “entorno” mediterrânico, utilizando para isso instrumentos originais de corda e percussão, desde o Oud ou alaúde árabe, até à darbouka egípcia, o bozouki grego ou o saz turco, todos instrumentos de uma grande beleza plástica e sonora.
Emilio Villalba - Alaúde árabe, Saz e Sanfona
Alfonso Garcia - Bouzouki, Saz e Darbouka

28 de Setembro


28 de Setembro de 1974

28 de Setembro de 2009

Luís Filipe Meira


Los Campesinos! - The Sea Is A Good Place To Think Of The Future

.
Realidades Paralelas
.

Os Portugueses começam esta 2ª-feira, dia 28 de Setembro, um novo ciclo de vida, resultante dos factos da eleição de uma nova Assembleia Legislativa no dia de ontem. A influência que isso terá num futuro próximo é uma incógnita. Mas uma coisa é certa, a imensa maioria de nós não irá ter grandes razões para sorrir, ou se o fizer, basta chegar ao supermercado para o sorriso se transformar em esgar.
Para animar (ou não) as hostes, talvez uma musiquinha ajude. Assim, deixo-vos a minha playlist da semana. Estas dez canções vão estar a rodar no meu posto de escuta. Se não me animarem, sempre irão quebrar a rotina do dia-a-dia, mostrando-me outras perspectivas do mundo. Afinal, há mais mundos, ou não?
Mergulhe na rede e divirta-se. O mundo está à distância de um click.
Virtualmente? Óbvio!
Mas não me diga que é mais estimulante assistir, sem participar, a debates intermináveis, onde se escalpeliza o resultado das eleições, ou se analisa a jornada futebolística por gente que diz sempre a mesma coisa.
Estas são as pistas que irei seguir esta semana, se não gostar da companhia. No problem!
Aventure-se noutras direcções:


1 - Los Campesinos!The Sea is a Good Place to Think the Future
2 - Thom YorkFeeling Pulled Apart by Horses
3 - Massive AttackPray for Rain
4 - Atlas SoundSheila
5 - The XXVCR
6 - The YachtPsychic City
7 - FeeliesCrazy Rhythms
8 - The Legendary Tiger ManLife Ain’t Enough for You
9 - GirlsGod Damned
10 - David Sylvian125 Spheres

Luís Filipe Meira

Biblioteca Municipal de Portalegre

*
*

domingo, setembro 27, 2009

Paulo Moura

O baixo nível

Do outro mundo

Paulo Moura

Baixámos de nível a todos os níveis. Na política. Foi uma das campanhas eleitorais mais estúpidas de sempre. Não por os líderes serem incompetentes, que não são, mas porque optaram pela brutalidade. Nenhum apresentou propostas pensadas e compreensíveis para os problemas do desemprego, das desigualdades, da precariedade, da falta de qualidade do ensino, produtividade e crescimento económico. Preferiram falar do TGV, de asfixia democrática, de ingovernabilidade e do Salazar. Reduzidos à estupidez, os eleitores votarão de novo em Sócrates, porque é sempre melhor o demónio que já conhecemos.
Mas baixámos também o nível na actividade económica, na indústria, no comércio, nos serviços. Pior do que isso, habituámo-nos ao baixo nível. Ninguém estranha ser roubado quando põe o carro na revisão ou faz obras em casa, ou ignorado pela loja quando compra um produto com defeito. Ninguém acha esquisito que o serviço Meo raramente funcione bem, ou que o banco nos tire dinheiro da conta sem aviso. Isto só para dar alguns exemplos ao acaso.
Mas pior ainda é que isto produz o chamado “efeito Bibi”: quem é maltratado maltrata os outros a seguir. E, portanto, não há sector da sociedade que fique imune ao baixo nível. As artes definharam, a música repete-se, a literatura já praticamente não existe, o teatro continua a não existir. A televisão é deprimente, o jornalismo... é preciso reconhecê-lo: o jornalismo atingiu o seu mais baixo nível.
E mesmo a família, o amor e a amizade já nos mereceram mais respeito. Eu sei que, nestes campos, cada um terá de falar por si. E eu falo por mim. Os outros que digam de sua justiça. Até mesmo o sexo, esse baluarte do brio português. Façam o vosso exame de consciência. O baixo nível atrai o baixo nível. É uma lei implacável. Fomo-nos habituando. Fomos perdendo a exigência e a expectativa. E a seguir a dignidade e depois a própria capacidade (e vontade) de melhorar. E por fim o baixo nível chegou ao mais alto nível.
Sim, ao próprio Presidente da República. Desconfiou que andava a ser espiado pelo Governo. Em vez de investigar pelas vias legais, mandou um assessor meter uma notícia num jornal, à socapa. Quando a notícia saiu, não disse nada. Mas quando o assessor foi descoberto, demitiu-o. Depois explicou que ficava calado, para não prejudicar a campanha eleitoral.
Ora, se não ordenou um inquérito, para encontrar o prevaricador, mal a notícia foi publicada, é porque é conivente, ou autor moral da baixeza de nível. E, portanto, eu sei o que ele vai fazer depois das eleições. É um problema de lógica simples: se o que tem a dizer pode prejudicar a campanha eleitoral, então não será nenhuma revelação sobre escutas da parte do Governo, ou alguma manobra da oposição. Isso não prejudicaria, antes beneficiaria a campanha, ajudando os eleitores a tomar a sua decisão.
O que prejudicaria a campanha, porque impediria a nomeação de um primeiro-ministro e inviabilizaria as eleições, seria a demissão do Presidente. Alguém tem de tomar uma atitude de alto nível.
Jornalista
in, PÚBLICO - P2 - Sexta-feira 25 Setembro 2009 - 3

-

Poeta Popular Alentejano

Poesia alentejana em honra do acto eleitoral
.

sábado, setembro 26, 2009

Crónica de Nenhures

(Clicando sobre a foto, o seu tamanho aumenta e permite a leitura do texto)
.
Um ‘negócio da China’
.
Na última reunião da Assembleia Municipal, o deputado municipal Albano Silva questionou o presidente da Câmara Municipal de Portalegre sobre uma verba de 24 mil euros entregue a uma empresa de Portalegre, que diz na sua escritura notarial prestar serviços na ‘área de consultadoria de imagem, produção de imagem e derivados’.
Em primeiro lugar, o deputado socialista dirigiu-se a quem de direito, uma vez que no contrato inicial com o actual sócio maioritário da dita empresa está expresso na alínea ‘Segunda’ que «as actividades a desenvolver pelo Segundo Outorgante (o dito actual sócio maioritário) são prestadas sem subordinação hierárquica nem sujeição a horário de trabalho, devendo, no entanto, observar as instruções de carácter geral que se sejam transmitidas pelo Primeiro Outorgante (o presidente da CMP)».
Quanto ao trabalho concreto do Segundo Outorgante, cujo empresa, não é de mais recordar, presta serviços na ‘área de consultadoria de imagem, produção de imagem e derivados’, é, segundo o que transcreve o semanário Alto Alentejo, e elas são palavras do presidente da CMP, o Segundo Outorgante «é uma pessoa que nos vai informando de todas as coisas que vão surgindo. Um buraquinho aqui, um buraquinho acolá e, portanto, tem sido sempre uma grande colaboração nesse sentido». Antes, o presidente da CMP tinha afirmado que «o serviço prestado é todo aquele que ele tem feito desde que estamos aqui na Câmara, ou seja, o acompanhamento que nós lhe pedimos para fazer em termos de todas as situações que acontecem na cidade».

Esta situação contratual começou em 17 de Junho de 2002. Passados mais de sete anos, e antes do mais, temos que saudar a disponibilidade financeira da Câmara Municipal de Portalegre para que este trabalho tenha podido ser levado a cabo. A transcendência de tal trabalho merece os maiores encómios dos portalegrenses!
E, durante estes sete anos e tal, quanto milhar de milhares de euros a CMP despendeu para tão nobre tarefa. Os portalegrenses devem estar gratos ao presidente da CMP pela ideia peregrina de tal contratação!

Outrora, Portalegre era conhecida por Cidade Branca. Hoje, depois de um trabalho ‘hercúleo’ de mais de sete anos, vemos as ruas sujas, as casas degradadas, as ruas esburacadas, o centro histórico sem gente, o comércio tradicional moribundo, fábricas emblemáticas como a Fino’s e a Robinson fechadas (para não falar naquelas que fecharam na zona industrial), o desemprego no concelho a atingir níveis históricos, a CMP endividada fazendo empréstimos bancários para pagar juros de anteriores empréstimos e para pagar salários a funcionários.
Mas os portalegrenses têm que estar solidários com o presidente da CMP, que no espaço de cinco dias, entre 7 e 12 de Janeiro de 2009 pagou em nome da CMP 24 mil euros à dita empresa que fornece à CMP serviços na ‘área de consultadoria de imagem, produção de imagem e derivados’!

Mas seria injusto não dar os parabéns à novel empresa com sede em Portalegre
CONHECER & COMUNICAR SERVIÇOS, LDA. O trabalho que a CMP lhe adjudica enobrece-a, tal como enobrece o presidente da CMP que sobre ela tem ligação directa. Portalegre sente-se mais rica com tão insane tarefa que a empresa leva a cabo. Decididamente, é caso para dizer que Portalegre não merece mais.

Por fim, uma palavra de estima pessoal para com o dr. Albano Silva.
Conhecemo-nos há anos. Quando nos encontramos temos sempre alguns minutos para falar de ‘coisas’ de que gostamos, como por exemplo o SL Benfica e a Cidade em que vivemos. Se do primeiro, hoje estamos com esperança num futuro ‘melhor’, o sermos campeões nacionais, da segunda, lamentamos ver Portalegre continuadamente a definhar!
Mário Casa Nova Martins
.
(Clicando sobre a foto, o seu tamanho aumenta e permite a leitura do texto)

Albano Silva

(Clicando sobre a foto, o seu tamanho aumenta e permite a leitura do texto)
.
Portalegre

Última Assembleia Municipal

aqueceu


A última Assembleia Municipal ordinária deste mandato autárquico teve lugar esta segunda-feira e no final, além de “algumas despedidas”, os ânimos aqueceram sobre um assunto que marcou o início da reunião e que vale 24 mil euros.

Filipe Esteves

> Por entre “ruas e travessas”, há já algum tempo que o assunto vinha a ser falado, e esta segunda-feira o PS pediu mesmo explicações ao executivo da Câmara Municipal de Portalegre sobre um ajuste directo a uma empresa de comunicação no valor total de 24 mil euros.
Albano Silva, membro da bancada socialista na Assembleia Municipal, foi quem lançou a situação: «sei que neste momento é obrigatório a publicitação de ajustes directos a realizar pelo executivo e cheguei a uma conclusão para a qual necessito um esclarecimento. Se na maioria dos ajustes directos é clara a descrição do serviço prestado, porque é que em relação a dois não o é, e em vez da descrição do serviço tem a área em que foi feito, ou seja, diz que é uma área de consultadoria de imagem, produção de imagem e derivados?! O adjudicante é a Câmara Municipal de Portalegre que adjudica a uma empresa que se chama Conhecer e Comunicar Serviços Lda., 12 mil euros no dia 7 de Janeiro de 2009 e outros 12 mil euros no dia 12 de Janeiro de 2009».
Após expor o caso, surgiu a questão: «o que eu gostava de saber qual é o serviço que esta empresa prestou à Câmara Municipal que justifique um encargo de 24 mil euros num intervalo de cinco dias. Isto do ponto de vista contabilístico é uma pescadinha de rabo na boca porque os ajustes directos com intervalos de poucos dias à mesma instituição não me parece de bom tom».
Na resposta, o presidente da Câmara justificou que esta é uma situação que já não é de agora e que esta empresa surge porque as novas leis obrigam que os serviços sejam prestados por empresas e não por pessoas singulares.
«Estamos a falar de uma situação que já existia e de uma empresa que hoje foi constituída porque nós tínhamos um contrato com o senhor João Trindade, e por força de uma série de situações que entretanto surgiram teve que ser criada esta empresa», justifica.
Ainda assim, a oposição quis mais explicações e Mata Cáceres acrescentou que «o serviço prestado é todo aquele que ele tem feito desde que nós estamos aqui na Câmara», ou seja, o acompanhamento que nós lhe pedimos para fazer em termos de todas as situações que acontecem na cidade».
«É uma pessoa que nos vai informando de todas as coisas que vão surgindo. Um buraquinho ali, um buraquinho aqui, um buraquinho acolá e, portanto, tem sido sempre uma grande colaboração nesse sentido», disse, sendo interpelado por Albano Silva que classificou toda esta situação «eticamente incorrecta».
«Não me parece eticamente correcto que ao mesmo tempo que faz serviços para a Câmara seja também um jornalista em pleno exercício das suas funções em vários órgãos de comunicação social», expressou, rematando que «aqui é que nos parece que de facto a coisa não está bem».
Perante isto, a pessoa em causa, João Trindade, que é apelidado carinhosamente pelo “jornalista da cidade”, sentiu-se atacado e no final dos trabalhos e no espaço reservado à interpelação dos populares - e mesmo de depois fora dele - expressou de forma efusiva que toda esta situação «é legal» e que nada foge à lei, dando a entender que todo este caso levantando pela bancada socialista é um ataque pessoal. •

in, Alto Alentejo – 23 de Setembro de 2009 – Destaque - 03
-

-

Portalegre no seu 'máximo'!

GUIA PRÁTICO PARA DESVIAR UM
JORNALISTA DO CAMINHO DA LÍDER

.
Um jornalista bloqueou-a – queria uma entrevista
.
José Sócrates tinha estado em Portalegre, na rua, com 34 tambores e umas boas centenas de pessoas a puxar por ele, no dia anterior. Ferreira Leite tem à espera 24 elementos da JSD que acompanham a caravana para todo o lado e meia dúzia de dirigentes locais, entre eles Mata Cáceres, presidente da Câmara. Emídio Guerreiro, deputado do PSD e coordenador da caravana, explica à SÁBADO que não gosta de “multidões pré-fabricadas”. Nem por isso a iniciativa corre mal. Os diálogos são simpáticos mas curtos. Ferreira Leite quase não pára – cumprimenta e segue. Até que um jornalista local a bloqueia: quer uma entrevista. Zeca Mendonça, assessor de imprensa, procura afastá-lo, mas o jornalista insiste em falar com Ferreira Leite, que o remete para o seu staff. Zeca volta a tentar afastá-lo, puxando-o por um braço. Só o consegue demover depois de lhe garantir que a conversa aconteceria, mas só na auto-estrada para Castelo Branco, onde 400 pessoas esperavam a candidata para um almoço.
.
in,
Sábado, 17 de Setembro de 2009, pg. 64

sexta-feira, setembro 25, 2009

POUS - Joaquim Castanho


O projecto de participação do POUS-Portalegre, nestas eleições para a Assembleia da República, enquadra a sua motivação essencial na necessidade que o Distrito de Portalegre sente em ter uma voz própria, com sotaque e preocupação, que revele e pugne pelas mais profundas aspirações dos alentejanos, que ultimamente se não têm visto reflectidas na acção legislativa, nem no discurso de um órgão de soberania, com inegáveis responsabilidades, determinantes e efectivas, na qualidade de vida e esperança dos portugueses.
Assim, vamos assentar a nossa actividade, na Assembleia da República, concentrando as nossas preocupações sob dois eixos fundamentais Inovação & Desenvolvimento, Conhecimento & Tecnologia, quatro conceitos estruturantes, de que o mundo actual não pode prescindir se quer rumar ao progresso e à liberdade.
Principalmente porque temos em vista concretizar os dez objectivos fundamentais do nosso programa, que se alicerça nos quatro pilares indiscutíveis da realidade actual, os quatro pontos cardeais que norteiam a consciência cívica e a emancipação política e social que merecemos, que têm vinculado os cinco mil anos de história peninsular que nos inspiram para mais cinco mil anos de futuro sustentável em bem-estar e harmonia, momento resumido pelo gesto de cada no décimo quadradinho do boletim de voto, dia 27 deste mês, porquanto é este o lugar daqueles que querem, não só combater a crise e o desemprego, mas impedir que estes flagelos se repitam, pelo que vamos pugnar na Assembleia da República pela criação do Instituto de Sustentabilidade.
Por todos aqueles e aquelas que querem ajudar na melhoria de condições de vida e aprofundar a democracia, tornando-a cada dia mais democrática e exemplar, convocando o regime republicano a não abdicar da democracia participativa e da cidadania, proporcionando uma sociedade plural e justa, de todos para todos, e com todos, sem excepção.
Por todos aqueles e aquelas para quem a diferença e diversidade são uma inequívoca riqueza, parte essencial da mais-valia universal do mundo trabalhador, e estão dispostos a consolidar o Observatório da Biodiversidade num dia a dia de conservação da natureza e qualidade ambiental, na defesa dos rios e oceano, árvores e animais, nossos fiéis companheiros desta jornada.
Por todos aqueles e aquelas a quem não chega bater na violência porque preferem evitá-la, e estarão na linha da frente criando o Observatório da Violência, que venha colmatar quantas carências estruturais se fazem ainda sentir actualmente no que respeita aos Direitos Humanos e aos Direitos da Criança, à Carta da Igualdade de Género e no combate às condutas que veiculam a Violência Doméstica.
Ou seja, em Portugal como em Portalegre, os candidatos do POUS além de atentos estarão activos, além de solidários serão positivos, e muito para além dos problemas estarão sempre preocupados em criar, inovar, desenvolver, providenciar as soluções, interceder com lucidez, disponibilidade, rigor, ética e sensatez, intentando no destino para mudá-lo com sonho e galhardia.
Porque o POUS é o Dez (X) da diferença num Voto pela participação em consciência.
Joaquim Castanho

Bernardo Devlin

*
*
Recebido por mail da Biblioteca Municipal de Portalegre.
Mário CN Martins

António Martinó de Azevedo Coutinho

.
Ó Elvas, ó Elvas,

Badajoz à vista.

.
Sou dos que aqui viveram num ambiente citadino de quase permanente “conflito” com Elvas. Esta espécie de recíproco culto pela “inveja” alimentou mesmo alguns episódios de má vizinhança, como, por exemplo, o da ostensiva retirada do nome de Elvas da toponímia portalegrense.
Pelos anos 60, integrei um elenco autárquico que repôs, com justiça e dignidade, tal designação na rua que liga o Semeador ao Café Alentejano. Pouco depois, suprema ironia e até afronta para muitos lagóias, recebíamos de Elvas um novo Presidente da Câmara. Penso, como muitos outros portalegrenses, que o Prof. Silva Mendes foi de longe o melhor autarca que a nossa terra conheceu nas últimas décadas, entre os eleitos e os nomeados, até onde a nossa memória pode abarcar com rigor e isenção.
Desde a implantação do poder local democrático, as duas terras têm procurado seguir um lógico rumo de progresso e de afirmação. A capacidade e a determinação personalizadas nos respectivos e sucessivos elencos autárquicos (com especial destaque para as suas figuras cimeiras) tem produzido ou olvidado obra, tem aproveitado ou rejeitado oportunidades, tem provocado desenvolvimento e progresso ou tem-lhe passado ao lado.
À sua respectiva dimensão, ambas as cidades atravessaram crises indesmentíveis que seriamente agravaram os seus sectores económicos tradicionais: sobretudo o industrial em Portalegre e o comercial em Elvas. A desertificação e o envelhecimento sociais assim como o abandono dos campos, agora muito acentuados no nosso Alentejo do Norte, também em nada contribuíram para manter o antigo prestígio destas comunidades.

De vez em quando vou a Badajoz. Tenho até agora escolhido o percurso por Campo Maior, pela via do Retiro, mas a crescente degradação do último troço rodoviário nacional fez-me alterar o hábito.
Ontem, decidi rumar Elvas, por Santa Eulália, compensando o ligeiro acréscimo quilométrico com uma estrada de melhor qualidade. Mas, pela falta de hábito e pelo desprezo da tecnologia GPS disponível no telemóvel, enfiei direito a Lisboa ao entrar na auto-estrada. Nada me preocupei por saber que pouco adiante poderia emendar o distraído erro, rumando a Elvas.
Há alguns anos que não percorria aquela zona periférica da cidade raiana. As minhas últimas idas a Elvas, por motivos turísticos ou culturais, tinham-se limitado a episódicas visitas à sua chamada zona histórica.
Devo confessar que fiquei impressionado com esta recente e acidental passagem. Demorei até mais tempo que o necessário, apreciando as largas avenidas rasgadas com arrojo, as modernas construções como o Coliseu, os míticos sítios como a Piedade, os festejos do São Mateus em pleno curso, as rotundas e os seus efeitos de água, bem conseguidos, a limpeza citadina, o ordenamento urbano, o apreciável movimento e a vida comunitária, exuberante naquela tranquila manhã, e era ainda cedo. Enfim, para quem está habituado à vulgar indigência lagóia, tudo aquilo teve o efeito duma revelação...
E percebi mais claramente os rumores, cada vez mais insistentes, que nos vêm alertando para a crescente perda de influência da nossa capital (?!) de Distrito em favor de Elvas. Associando a impressão colhida, superficial é certo mas significativa, ao que tenho lido e ouvido ao longo dos mais recentes tempos, vejo-me obrigado a aceitar a inevitabilidade do indesejável.

Sei das preocupações autênticas da actual autarquia elvense em favor dos mais desfavorecidos e carenciados, do uso da criatividade nas coisas da cultura local, do seu orgulho pelo renovado parque desportivo (com relvados e tudo o mais!), da sua intransigente luta pela defesa das valências hospitalares, da sua permanente preocupação pela implantação de novos e valiosos espaços museológicos, da sua política activa em prol da manutenção do projecto TGV, do culto autêntico e pragmático da vizinhança com Badajoz, etc., e fico-me por aqui porque seria muito longa a relação do que se vai por cá sabendo.
Aqui, nesta Portalegre em estado de coma, nada de válido move autarcas e cidadãos. Navegando à vista, ao sabor de impulsos inconsequentes ou de caprichosas rotas, trocando a todo o momento as realizações concretas pelas meras e abstractas promessas, os responsáveis locais buscam um improvável rumo entre as vagas da indiferença, as procelas da distracção, os ventos da demagogia, as tempestades da arrogância...

A um autarca teimoso e determinado, que alguns crismam mesmo de intratável, replicamos com a figura simpática e populista, mas arrogante e confusa, de alguém que esqueceu a firmeza e a audácia que lhe deram fama num já distante passado; a uma equipa sólida, esclarecida e culta, contrapomos um conjunto numeroso de eleitos incapaz de justificar, nem sequer pela quantidade das obras, a sua qualidade mínima. Falo dos comandantes, dos subalternos, mas, por pudor, nem sequer refiro a marinhagem que por cá pulula no convés e nos porões...
Os resultados práticos estão à vista: enquanto Elvas cresce e se afirma, Portalegre mergulha na maior vulgaridade, atingido deficitários níveis de qualidade, no confronto com as suas pares. Como nunca!
Creio que em breve Paco Bandeira estará autorizado a alterar o seu célebre estribilho, ficando-lhe mais apropriado cantar:

Ó Elvas, ó Elvas,
Portalegre longe da vista.

António Martinó Coutinho

Crónica de Nenhures

*
*
*
*
Voto de Protesto Útil
.
A dois dias do acto eleitoral, parece não haver dúvidas quanto ao vencedor, o PS, probabilisticamente sem maioria absoluta.
Dizem ainda as mais recentes sondagens, e como são falíveis as sondagens em Portugal!, que existe uma subida dos partidos fora do Centrão. Se tal se verificar é já uma vitória dos Portugueses, que começam a afastar-se do ‘pântano’ que é a ‘ditadura’ do Centrão.
A concretizar-se este facto político, ele mostra que os portugueses, tal como na Primeira República em relação ao Partido Democrático de Afonso Costa, estão fartos de serem governados pelo Centrão.
À Esquerda a ‘escolha’ é variada. E à Direita o mesmo acontece.
Domingo, em consciência, o nosso voto é um Voto Útil de Protesto, à Direita, como sempre.
Mário Casa Nova Martins
*
*
*
*

quinta-feira, setembro 24, 2009

CAE de Portalegre

[LFM]

A Pergunta

in, Público, Luís Afonso, Bartoon, 18.9.2009

Crónica de Nenhures

PSD em rota de implosão
.
Um livro denunciando a fraude eleitoral interna no Partido Socialista francês pode levar à sua implosão.
Afastado do poder há anos, o PSF vive a maior crise da sua história. A ‘necessidade’ de estar no poder tem gerado uma guerra em torno de lideranças perdedoras e efémeras. As derrotas eleitorais sucedem-se e a ‘hemorragia’ de militantes e de eleitores anunciam que a catástrofe é eminente.
Neste cenário dantesco, a guerra suicida entre as cúpulas do partido, levou à maior fraude eleitoral num partido político, ao nível de que se passou recentemente nas eleições presidenciais no Afeganistão.
Os factos em França reportam-se a Novembro de 2008, e falam de fraudes maciças a favor de Martine Aubry durante a sua eleição para a liderança do PSF.

Em Portugal, no PSD há casos de compra de votos para eleições internas, como se pode ler na
revista Sábado. E os principais acusados são da maior confiança política da actual líder do PSD, e vão ser eleitos deputados no próximo domingo, dia 27 de Setembro.
As sondagens, falíveis, dizem que o PSD perderá as eleições. Ora, num partido com os ‘genes’ do PPD-PSD, é grave estar muitos anos afastado do poder. A ‘clientela’ começa a ‘fugir’, e se o PS conseguir ou com o CDS ou com o BE forma uma maioria política na Assembleia da República, então, como irá ‘sobreviver’ o PPD-PSD a mais tempo fora das mordomias do Poder?
Se o PSD perder as próximas legislativas e o PS formar maioria estável, o PSD pode muito bem sofrer tais guerras intestinas que o levem a implodir.
E, se tal acontecer, nada de grave acontecerá à Democracia portuguesa, e muito menos à Direita portuguesa. Seria o tempo de a Direita se reorganizar e se reordenar no espectro político em Portugal.
Mário Casa Nova Martins

quarta-feira, setembro 23, 2009

Portalegre


Inacreditável

Caro Mário

Tenho andado superocupado. Daí o meu silêncio.
Interrompo-o para lhe reenviar um material, tal como ele mo mandou, enviado pelo X.

“A CMP abriu concurso para Chefe de Divisão Cultural. E um dos critérios, mais precisamente o 5º, é que o candidato tem que ser licenciado em Direito. Para Chefe de Divisão Cultural. Em nenhum ponto pedem currículo. E o Camões Gouveia, da Fundação Robinson está no júri.
E já agora, ontem à noite não foi só o Serrote que foi contratado a 15 dias de acabar o mandato. Foi tb a sua esposa, a Mónica - como jurista.
Divulguem isto. Isto tem de acabar.

Aviso n.º 16466/2009. D.R. n.º 183, Série II de 2009-09-21
Município de Portalegre
Abertura do procedimento concursal para o provimento de cargo de direcção intermédia de 2.º grau - chefe de divisão de Cultura, Turismo e Tempos Livres”

Isto é quase inacreditável, à moda de Portalegre.
Um abraço do
Y
_______
Recebi este mail. Que, ‘fala por si’!
Não tenho o mais pequeno receio em o editar, assinando no final desta ‘explicação’, logo considerando válida a sua ‘publicidade’.
Que me conhece de sempre, sabe que nunca tive medo de tomar posições. De defender o que sinto e penso.
Depois da Revolução dos Cravos, senti na pele o que era ser da Juventude Centrista (JC), quer em Portalegre, quer em Coimbra.
Em Portalegre, uma vez, na campanha para a Assembleia Constituinte, tive que me refugiar na PSP, porque uns tantos ‘corajosos’ ‘antifascistas’ me queriam agredir por andar a colar cartazes do CDS. E mais outras ‘histórias’, também passadas em Portalegre, poderia contar. Talvez noutra ‘oportunidade’!...

Quanto aos factos, infere-se que dois destacados militantes do PSD de Portalegre estavam a trabalhar com um contrato a prazo na Câmara Municipal de Portalegre.
Agora, a dita CMP abriu concurso para que os ditos militantes do PSD sejam funcionários da CMP.

Tendo a CMP outros funcionários com contratos a prazo, porquê só estes dois militantes do PSD de Portalegre é que tiveram esta oportunidade? E os outros funcionários da CMP que estavam e estão na mesma situação laboral, porque não têm ‘tratamento’ idêntico?
Em final de mandato, todo este processo pode ter mais do que uma leitura. E uma delas é que a maioria política que gere os destinos da autarquia portalegrense teme ser derrotada no próximo dia 11 de Outubro, e está a salvaguardar os postos de trabalho de quem lhe foi ‘fiel’.

Hoje, pela leitura deste mail, que assumo como ‘meu’, apenas digo que se legalmente é possível fazer o que foi feito, eticamente deixa muito, mas muito a desejar!

Mário Casa Nova Martins

.
Post-Scriptum – Não me foi possível ‘abrir’ o link. Mas, foi-me lido e comprovei os factos.
Mário

Crónica de Nenhures

Faces da mesma moeda
.

Domingo é dia de eleições legislativas. Escolhe-se a lista partidária e nela está o nome do candidato que será eleito.
Por ironias da história, ou se se quiser do destino, neste domingo no distrito de Portalegre, o que elege o menor número de deputados, dois, sabe-se de antemão que os ‘contemplados’ serão sempre ‘as duas faces da mesma moeda’!
Se o partido Socialista eleger, como há quatro anos, dois deputados, ambos representam o mesmo partido, pelo que é sempre ‘dose dupla do mesmo’. Se o Partido Socialista elege um deputado e o Partido Social Democrata o outro, é, indiscutivelmente, ‘mais do mesmo’!
No distrito de Portalegre o “Centrão” tem assegurado a eleição de dois deputados.
O cabeça-de-lista do PS é ‘velho político’, cuja carreira se iniciou no Marcelismo, cargos e facto curiosamente omitidos na sua
biografia oficial, e que ininterruptamente tem estado na ribalta da Política. Com uma longevidade política contestada, mesmo internamente no PS local, o certo é que, e por razões que publicamente se conhecem, continua altaneiro a mostrar como em Política funcionam os lobies da mais variada natureza.
Se o PS eleger o segundo deputado, será uma ‘estreia’ para o candidato. Jovem, com ideias, é o contrário do seu antecessor na lista. Merecia ser o ‘primeiro’, num sinal de renovação e de aposta no futuro.
Se o PSD conseguir voltar a eleger um deputado, este também será uma ‘estreia’. O cabeça-de-lista do PSD é um ‘homem do aparelho’. A sua notoriedade pública tem sido construida sempre em cargos de nomeação partidária, e tão só. Afável, não criará problemas ao Partido.

Mas será ‘isto’ que o distrito de Portalegre precisaria, em termos de representação político-partidária no Palácio de São Bento? De certeza que não!
A ‘pequenez’ do distrito em termos demográficos, obriga a que seja praticamente impossível que outros partidos à excepção do PS e do PSD elejam deputados. É certo que o CDS chegou a eleger deputados, em coligação com o PSD ao tempo da AD, e que o PCP nos primórdios da Terceira República também o conseguiu. Mas, na presente circunstância tal é impossível.
Assim, que os ‘aparelhos’, os subsidiodependentes, os carreristas, que votem e elejam os deputados do “Centrão”.
Nós, com civilidade, domingo dia 27 de Setembro de 2009, exercemos o que apelidamos de Voto de Protesto Útil!

Mário Casa Nova Martins

-

terça-feira, setembro 22, 2009

Jaime Crespo

.
algumas breves reflexões sobre o filme Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes.
talvez devido da fama que precedeu o filme, um rol invejável e inédito de prémios em certames internacionais para o cinema português, ou por no momento em que visionei o filme a minha depressão estivesse mais acentuada, o facto é que este filme constituiu para mim uma pequena desilusão.
em termos de concepção fílmica, vejo-o entre um requentado e desgastado método blair witch e as medianas experiências de Lars von Trier.
contudo, também não posso dizer que se trate de um mau filme ou que não gostei, nada disso, só que esperava mais.
de muito positivo é o mostrar ao público citadino o interior do país e confirmar como esse público acha, por desconhecimento, esse interior como um mundo de outra dimensão.
irei rever o filme numa nova oportunidade e corrigir a minha opinião caso ache motivos para isso.
a ver, só assim cada um firmará a sua opinião sem as frases feitas das críticas encomendadas.
Jaime Crespo

Crónica de Nenhures

CONSULTAS POPULARES

Independência da Catalunha

A incerteza quanto à decisão do Tribunal Constitucional sobre o Estatuto que regula o autogoverno da Catalunha exacerba os sentimentos independentistas de parte da população.
No domingo, o povoado de Arenys de Munt (8000 habitantes), perto de Barcelona, organizou uma consulta popular para averiguar o apoio a uma eventual declaração de independência.
Votaram 41% dos eleitores e o resultado foi:
2568 pessoas a favor e só 61 contra.
A consulta não tem valor legal, mas ninguém lhe pode retirar significado político.
Dois dos principais partidos catalães, a Convergência e União, que governou durante 20 anos, e a Esquerda Republicana da Catalunha, membro do triunvirato hoje no poder, desejam que estas consultas alastrem “como manchas de óleo” por toda a região, para mostrar ao Estado espanhol a opinião dos cidadãos. Cerca de 60 municípios estão a preparar, para o dia 15 de Outubro, referendos semelhantes ao de Arenys de Munt.
in, 38 PRIMEIRO CADERNO
Expresso, 19 de Setembro de 2009
*****
Por uma Ibéria das Nações
.
O mote “de Espanha nem bom vento nem bom casamento” colhe foros de cidadania na presente campanha eleitoral para as legislativas do próximo domingo.
O mais curioso deste facto político, é que os socialistas voltam a pugnar por uma aproximação a Castela, tal como a defendiam os seus Pais Fundadores, de que é exemplo o socialista e maçon Magalhães Lima, e tantos outros de menor ou maior saudosa memória, ou anti-memória.
O partido que nos seus genes tem a defesa dos interesses da mais variada ordem, é quem agora pugna contra o Iberismo implícito na defesa que os socialistas fazem quanto a ligações com Castela por caminho-de-ferro, concretamente a ligação entre as capitais Lisboa e Madrid.
Ora, como a notícia que acima transcrevemos do semanário Expresso mostra, Madrid cada dia que passa é cada vez menos a capital de uma fantasmagórica Ibérica, e mais o que sempre foi, a capital de Castela.
Os Movimentos Independentistas da Galiza, do País Basco e da Catalunha, ganham continuadamente apoios nas suas Populações. Este facto nunca é noticiado na comunicação social em Portugal, ou quando o é, é tipo ‘nota de rodapé’. A comunicação social portuguesa tende, por exemplo, a ‘confundir’ a ETA com todo o Sentir do Independentismo Basco, quando esta Organização é apenas o ramo esquerdista deste Sentir.

Com todo este crescente Movimento Independentista, Madrid sente que precisa de uma ligação directa ao Atlântico, e essa ligação já tem como via terrestre a auto-estrada que liga Madrid a Lisboa, mas que neste momento tem em construção um ’ramal’ para Sines, via Évora e Beja, e esse é que é o importante.
Nesta perspectiva, é fundamental para Madrid a ligação em TGV com Lisboa, uma linha que comporta a ‘alta velocidade’ e as ‘mercadorias’. Mas aqui também será feito um ‘ramal’ para Sines, passando por novamente por Évora e Beja.
O aeroporto de Beja também é um elemento importante na estratégia de Madrid, que o vê como um lugar da grande importância estratégia para voos transatlânticos de grande carga, complemento do porto marítimo de Sines.
O ‘prolongamento’ geográfico de Castela é o Alentejo. Mas o ‘ponto intermédio’ nunca será Évora. Badajoz será a ‘placa giratória’ de todas estas componentes viárias.
A Ibéria está em ‘convulsão’ política, económica e social. O seu Futuro começou ‘ontem’!
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, setembro 21, 2009

Luís Filipe Meira

HOMEM RICO ; HOMEM POBRE
.
Com: Sónia Bandeira, Fábio Oliveira
.

.
SECOND LIFE
De: Alexandre Valente e Miguel Gaudêncio
Com: Piotr Adamczyk, Nicolau Breyner, Lúcia Moniz
.

.
Aqui estão dois filmes portugueses tão diferentes entre si como a água e o vinho. O primeiro aproveitou os parcos recursos reunidos até ao último cêntimo. O segundo esbanjou o orçamento em filosofias de cordel e burguesices recorrentes.
Aquele Querido Mês de Agosto é uma viagem ao Portugal profundo, que tem nas festas de Verão e na chegada dos emigrantes o seu ponto alto.
A primeira parte é uma espécie de making off da fita, com discussões sobre orçamentos e as escolhas dos actores entre a população da aldeia. O documentário numa segunda parte dá lugar à ficção, assente numa história de amor incompreendido e proibido entre dois primos, que integrados num grupo musical familiar percorrem as aldeias da Beira Interior, abrilhantando musicalmente as festas de Verão.
Filme simples, popular, que chega a enternecer os corações mais empedernidos, tal é a fidelidade do retrato dum povo ingénuo que se diverte à grande e à francesa naqueles bailaricos onde os pares entre duas minis evoluem romanticamente pelo recinto, ao som de música autenticamente popularucha. Nunca Dino Meira ou os Marante fizeram tanto sentido…
Miguel Gomes, antigo crítico de cinema no Público, viu o seu trabalho reconhecido ao ser escolhido para a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes, o que foi inteiramente merecido.
Aqui temos uma fita que de alguma forma leva-nos a respeitar a pureza, a simplicidade e a autenticidade das coisas rústicas.
Second Life de Alexandre Valente é a antítese do filme de Miguel Gomes. Com a participação de um grupo de actores de primeira linha, tem diálogos em italiano, inglês e português, e conta-nos uma história em ambiente de grande luxo, com relações cruzadas entre homens, mulheres, drogas, álcool, morte e sexo, conseguindo mesmo assim ser tão desinteressante que pouco ou nada prende a atenção do espectador.
Second Life é um verdadeiro desperdício de dinheiro e do talento de alguns bons actores que por aqui passam.
Second Life… Um desastre sofisticado.
Luís Filipe Meira

Crónica de Nenhures

Uma crise anunciada
.
O semanário O Distrito de Portalegre trás na sua edição de 17 de Setembro passado, páginas 6 e 7, um texto não assinado sobre o Instituto Politécnico de Portalegre.
É um texto muito importante, que, por certo, no calor da presente campanha eleitoral de legislativas e autárquicas em simultâneo, fez com que passasse despercebido do ‘grande público’ portalegrense.
Em Portalegre não há consciência da crise por que passa o IPP, mais concretamente um das suas partes, a Escola Superior de Educação. Todas as Escolas Superiores de Educação de todos os Institutos Politécnicos de Portugal sofrem o mesmo ‘mal’, que é o ‘esgotamento’ da sua ‘utilidade’, que era fundamentalmente a de formar professores para diversos graus de ensino.
Hoje, a ‘certeza de emprego’ na área correspondente para qualquer curso ministrado pela Escola Superior de Educação, a começar por aqueles cursos em que o total de vagas foi preenchido, é praticamente nula. Então, para que ‘serve’ a Escola Superior de Educação?
Há muito que esta questão deveria ter sido internamente colocada. E não espanta, pois, o número de docentes que neste ano lectivo regressaram às suas escolas de ‘origem’.
Em Portalegre, a importância da Escola Superior de Educação tem sido salientada e reconhecida pela Comunidade. Muitos dos seus docentes são figuras públicas nas mais diversas áreas, mas, principalmente na área da Cultura nela há Gente d’Algo.

Da leitura do texto, fica-se a saber que para o actual presidente do IPP o problema demográfico é o factor determinante para que esta Escola não cresça.
É verdade que cada vez mais Portalegre é uma cidade ultraperiférica no contexto português, e que, é sabido, nos últimos quatro anos a situação agravou-se com culpas às quais não escapa o fracasso da gestão autárquica em final de mandato.
Também, afirma o presidente, a actual crise económica é factor negativo para que o IPP alcance os objectivos de crescimento que para o presente ano lectivo se tinha proposto.
Mas, a verdade é que o boom do Ensino Politécnico é do passado. As Universidades foram-se paulatinamente adaptando aos ‘novos tempos’, e dentro delas foram criando cursos que absorvem os alunos que inicialmente eram direccionados para o Ensino Politécnico. É certo que o decréscimo demográfico de alunos é um facto, mas não deixa de ser verdade que são idênticos para todos os IP’s os problemas que o presidente do IPP aponta para o seu.
A especialização seria a grande ‘arma’ dos IP’s, como muito bem refere o presidente do IPP. Mas também nesse campo os IP’s foram ultrapassados pela Universidade, com meios materiais e humanos face aos quais não podiam ‘concorrer’.
Desta forma, a própria existência de muitos IP’s, para não dizer a sua totalidade, está em risco a médio prazo. E, evidentemente, o Instituto Politécnico de Portalegre não foge deste desígnio pífio.
Se o Instituto Politécnico de Portalegre ‘fechar portas’, será a ‘machadada final’ no Futuro de Portalegre.
Mário Casa Nova Martins

domingo, setembro 20, 2009

Jaime Crespo

Proibição dos despedimentos?!
.
Como!?

Da Constituição da República Portuguesa:

TÍTULO III
Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

CAPÍTULO I
Direitos e deveres económicos

Artigo 58.º
Direito ao trabalho

1. Todos têm direito ao trabalho.

2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:
a) A execução de políticas de pleno emprego;
b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais;
c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.

Artigo 59.º
Direitos dos trabalhadores

1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:
a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
b) A organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar;
c) A prestação do trabalho em condições de higiene, segurança e saúde;
d) Ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de trabalho, ao descanso semanal e a férias periódicas pagas;
e) À assistência material, quando involuntariamente se encontrem em situação de desemprego;
f) A assistência e justa reparação, quando vítimas de acidente de trabalho ou de doença profissional.

2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente:
a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;
b) A fixação, a nível nacional, dos limites da duração do trabalho;
c) A especial protecção do trabalho das mulheres durante a gravidez e após o parto, bem como do trabalho dos menores, dos diminuídos e dos que desempenhem actividades particularmente violentas ou em condições insalubres, tóxicas ou perigosas;
d) O desenvolvimento sistemático de uma rede de centros de repouso e de férias, em cooperação com organizações sociais;
e) A protecção das condições de trabalho e a garantia dos benefícios sociais dos trabalhadores emigrantes;
f) A protecção das condições de trabalho dos trabalhadores estudantes.

3. Os salários gozam de garantias especiais, nos termos da lei.

Como se constata sucessivos governos, mais marcadamente aqueles em que foram 1º ministro/ministro do trabalho, Barroso/Santana/Bagão Félix e Sócrates/Vieira da Silva, têm feito tábua rasa quer da letra quer da intenção Constitucional, caminho que levou à aprovação do aberrante último código do trabalho.
Este desrespeito pelos valores constitucionais conduziu o país a uma imensa tragédia: 600 mil desempregados!
Além disso, ainda teremos que contabilizar cerca de 700 mil trabalhadores a falsos recibos verdes e outros 200 mil ou mais em trabalho temporário, sendo comum a todos a enorme precariedade em que se tornou o inferno das suas vidas.
Tudo isto levou a um autêntico regabofe laboral em que os espertalhões, aqueles que se caracterizam pela falta de escrúpulos, alguns patrões, encontraram a sua coutada privada na qual os trabalhadores são a presa a abater.
Para inverter este estado de coisas tornam-se necessárias medidas urgentes e concretas:
Desde logo retomar o rumo apontado pela Constituição da República e garantir a todos o direito ao trabalho. Para garantir este desígnio torna-se necessário uma medida corajosa e drástica da parte do futuro governo: a proibição dos despedimentos.
Impõe-se, para poder levar a cabo esta tarefa, uma ruptura com a União Europeia porque tem sido esta instituição, através da sua Comissão, que vestiram um espartilho aos governos nacionais que os limita na sua acção política e remete para plano secundário a Assembleia da República que deve ser o órgão por excelência da representação popular, da nossa soberania e casa da Democracia, torna-a num mero apêndice ornamental. A necessidade desta ruptura já a descrevi noutro texto.
Perante a tamanha crise que se vive, a situação a que chegou o país perdendo da esfera pública para a obscuridade da especulação bolsista da esfera privada os seus sectores estratégicos, energia e banca, viu ainda ser destruída por imposição europeia a quase totalidade da sua frota pesqueira e a sua agricultura, como já tinham sido destruídos outros sectores importantes da economia como a construção naval, a siderurgia, sector mineiro, etc.
Como vai o país sair da crise se não produz praticamente nada, tem os seus sectores estratégicos nas mãos de sabe-se lá quem e tem que subsidiar os milhares largos de desempregados? Milhares que aumentam todos os dias...
Corremos o risco mais que óbvio de uma explosão social de contornos e fins indefinidos.
Como inverter então tão sombrio augúrio?
Estancando esta autêntica sangria económica e social que é o desemprego e a precariedade do emprego. E isso só se consegue através de uma intervenção governativa corajosa que actue na defesa dos postos de trabalho e na recuperação do nosso tecido produtivo. Só com trabalho e com produção se pode produzir a riqueza necessária à saída da crise. Com mais desemprego, com subsídios ou esmolas apenas se agrava o problema.
Empresas que laboram normalmente que escoam os seus produtos como antes o faziam, que são claramente viáveis e por puro oportunismo começam a pagar os salários com atrasos cada vez maiores até deixarem de pagar por completo, apenas para preparar uma simulação de falência, fechar aqui para ir aproveitar os benefícios fiscais e apoios comunitários e irem reabrir noutro país da União ou deslocalizar para países de mão-de-obra de tal forma barata e sem direitos que podemos falar nos novos escravos. Estas empresas terão que ser intervencionadas e entregues aos trabalhadores para que estes, com apoio do que resta da banca pública e do governo, reponham o trilho da produção.
Empresas que se revelem inviáveis terão que ser reconvertidas num modelo produtivo que se revele viável e sustentável, de modo a que não se crie uma panaceia que resolva ou esconda o problema por uns tempos, de modo a resolver o problema do desemprego a longo prazo.
Estas medidas acompanhadas por uma política fiscal que ajude as empresas a viverem e que não as estrangule, com o apoio do que resta da banca pública, nomeadamente no alívio das taxas de juro aplicadas, pelas verbas poupadas em subsídios de desemprego e pela riqueza criada pela produção tornará possível retomar o rumo que a Constituição da República Portuguesa aponta.
Jaime Crespo

Legislativas 2009 - Portalegre

POUS – Distrito de Portalegre
.
O X da diferença em 10 medidas de urgência
.
I – Fim dos Despedimentos – Elaborar e fazer aprovar na Assembleia da República (AR) um Programa Especial de Recuperação da Empregabilidade (PERE), cujo acento tónico recaia essencialmente na sustentabilidade social, demográfica, regional e ecológica, estruturalmente assente no cluster sócio-económico Ambiente Alentejano, efectivo e abalizado, que não só propicie a revitalização da actividade económica característica do distrito de Portalegre, da sua qualidade de vida, condições naturais e recursos sinergéticos, mas facilite também a reciclagem dos postos de trabalho em risco de extinção e precariedade, adaptando os seus profissionais e empresas às novas exigências do paradigma que, alterado e propenso a mudanças contínuas, aconselha a aquisição de valências profissionais fortemente incidentes na intercepção dos conteúdos da Inovação e Desenvolvimento (I&D), Conhecimento e Tecnologia (C&T), como garantia de luta e demonstração da natureza desejável da exigência primeira a qualquer governo, extinguindo o desemprego e não os empregos, que é mais do que uma reivindicação legítima, mas antes um direito inviolável da pessoa humana, porque é intrínseca à sua dignidade e integridade.

II – Fim dos Despedimentos e Fim da Crise – Criar, promover e instituir um organismo habilitado e competente para garantir e estudar as condições de sustentabilidade, denominado Instituto da Sustentabilidade, similar na estrutura, dimensão, âmbito, composição e vínculo, misto e semelhante aos Tribunal Constitucional e Instituto do Ambiente, com o fim de determinar o grau de sustentabilidade inerente a todos os projectos de investimento público e privado, leis e decretos que influenciem directa ou indirectamente a actividade sócio-económica nacional, cujos relatórios ou estudos de sustentabilidade sejam obrigatoriamente tomados em conta em todos os PIN e empreendimentos estratégicos e estruturantes, programas especiais de âmbito nacional, como regional ou local, que não só venha a reforçar as medidas de solução da actual crise, mas igualmente a tomar providências e firmes propósitos para que jamais as condições que a geraram se venham a repetir, bem como evitar que outras crises idênticas nos efeitos, ou superiormente graves, venham a eclodir com responsabilidades políticas portuguesas, e sob a usual e costumeira apatia governamental que ora assistimos.

III – Ruptura com a Democracia da Representatividade e do Corporativismo – Pugnar pela gradual e evolutiva implementação do Modelo Democrático da Participação e da Cidadania que não só que venha a propiciar uma maior democratização do país, consolidação e aprofundamento da democracia, esbatimento de assimetrias, desigualdades e clivagens sócio-políticas ou ideológicas, combater a abstenção e o défice democrático, respeito pela dignidade e integridade da pessoas humana, reforço dos direitos, liberdades e garantias constitucionais, ética da cidadania, consciência, emancipação e responsabilidade civil, mas incuta igualmente e incentive ao progresso social e desenvolvimento humano, se espelhe e reproduza numa sociedade cada vez mais justa e transparente, mais aberta e inclusiva, integradora e pacífica, sustentável e de todos para todos, onde proliferem o bem-estar, a moderação, a partilha e o desenvolvimento, sem o desperdício de recursos e agressividade primária do remediar em vez de prevenir sócio-económico típico das civilizações desinformadas e seus peculiares neo-liberalismos fiduciários.

IV – Acabar com a descentralização centralizadora – Tomar providências legislativas no sentido de impedir a crescente centralização regional que acelera a desertificação e envelhecimento populacional, tem esvaziado muitas povoações (aldeias, vilas e cidades) dos serviços públicos essenciais à qualidade de vida e dignidade e integridade dos cidadãos nelas residentes, nomeadamente na saúde (consecutivos fechos de Maternidades, Centros de Saúde, Serviços de Hemodiálise e Cuidados Continuados), acautelando os ainda existentes actualmente com a respectiva modernização de meios e equipamentos, incluindo programas de formação profissional para todas as actividades, sejam elas de atendimento público, marketing, administrativas ou técnicas, com vista a propiciar serviços de qualidade e excelência.

V – Cluster Ambiente – Definir, elaborar e implementar um plano económico regional – qual Estratégia Regional de Desenvolvimento (ERD) – alicerçado no Cluster Ambiente Alentejano, que reforce a primazia da actividade produtiva empreendedorista em rede, fundamentada em toda a produção de mais-valias derivadas da exploração sustentável do ambiente e recursos naturais, desde o ecoturismo à agricultura biológica, da pecuária ancestral à gastronomia, enologia e restauração tradicional, saúde, geriatria, reabilitação, tempos livres e desporto de contacto com a natureza, sua conservação e estudo, produção de energias alternativas, História regional e património edificado, de índole militar como civil, capaz e suficiente para aumentar a percentagem distrital no PIB nacional.

VI – Plano Ferroviário Alentejano – Definir, elaborar e implantar um Plano Ferroviário que concretize e estabeleça a ligação por comboio entre todos os pólos urbanos alentejanos, não só que lhes seja um meio de acesso alternativo e suplementar, mas sim se estruture como uma rede física de comunicação e transporte que facilite o fluxo de pessoas e mercadorias, de forma a tornar a região mais competitiva e apetecível para o investimento externo e o empreendedorismo empresarial.

VII – Justiça e Sociedade – Estabelecer um programa regional para requalificação dos equipamentos, consequente modernização e renovação do parque judicial do distrito de Portalegre, de forma a serem consentâneos com as funções que lhe estão atribuídas, bem como a transformarem-se na "locomotiva" do urbanismo, da civilização e da ética, rumo a uma sociedade para todos, cada vez mais justa e democrática, na directa contemplação da Lei, da Constituição da República, dos Direitos Humanos, e da progressão harmoniosa em prol do conhecimento, bem-estar, identidade e desenvolvimento humano e sócio-ecnómico da região.

VIII – Observatório da Violência – Sem sobrecarregar o Orçamento nem onerar os custos na administração do Estado mas antes atribuindo utilidade social e rentabilizando algumas estruturas públicas e organismos já existentes, como os organismos pronunciados no âmbito da segurança pública e da defesa e protecção civil, incluindo as delegações coordenadoras das regiões e Governos Civis, insistir na urgência da criação do Observatório da Violência, com vista não só a registar a sua eclosão factual mas sobretudo a determinar a sua latência e preveni-la, nomeadamente na derivada à aplicação da Carta da Igualdade de Género e articulado implícito à Violência Doméstica, nos conflitos étnicos e bairristas, raciais e religiosos, da sublevação de franjas sociais descontentes e assimetrias económicas, pondo fim ao recurso da violenta contra-violência para instituir e manter ordem social, uma vez que é contraproducente a conduta pública de sarar as feridas sociais com o mercurocromo da força, na formação de uma carapela/crosta virtual, deixando por debaixo dela a inflamação social que a originou.

IX – Observatório da Biodiversidade – Criar e implantar por todo o território nacional, incluindo o marítimo, uma estrutura física e em rede, sem qualquer aumento da despesa pública e sobrecarga do Orçamento de Estado, um Observatório que salvaguarde e averigúe das condições de sobrevivência das espécies, suas mutações e migrações, estado dos habitats e graus de evolução e/ou progressão demográfica plausíveis de garantirem a estabilização da maior riqueza patrimonial de qualquer sociedade do mundo globalizado tem, e que sem dúvida é a sua Biodiversidade, com vista não só a cuidar do recurso económico que ela é, mas também a instituí-la num valor em si mesmo, essencial à conservação e "eternização" da espécie humana, que para nós há-de continuar a ser a mais querida de entre todas as espécies, embora jamais consiga sobreviver sem as demais.

X – Cultura e Ensino – Executar e pôr em prática os pressupostos e valores da eficácia no âmbito da implementação da educação e formação contínua, para todos e ao longo da vida, como caminho único para a valorização pessoal e colectiva que coloque a região em níveis elevados como desejáveis do desenvolvimento humano, civilizacional e económico que inegavelmente merece, considerando que contribui de forma superlativa para a identidade nacional, além de escorar a desertificação e combater/contrariar o esquecimento em moldes positivos e sustentáveis, e na prossecução directa da política universal para o ensino, que concretamente assenta nos seus quatro pilares fundamentais para formar uma humanidade cada vez mais humana: (aprender a) aprender, (aprender a) fazer, (aprender a) ser e (aprender a) estar.

Free web page counter