\ A VOZ PORTALEGRENSE: Agosto 2009

segunda-feira, agosto 31, 2009

Visconde dos Cidraes

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Tapeçarias de Portalegre

Tapeçarias de Portalegre na Figueira da Foz
in, O Figueirense, 21/08/09, pg. 1

Legislativas 2009 - Portalegre

PNR
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Distrito de Portalegre - Cabeça de Lista
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Caetano Ferreira

Legislativas 2009 - Portalegre

MEP
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Distrito de Portalegre - Cabeça de Lista
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Alberto Rebola
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sábado, agosto 22, 2009

Luís Filipe Meira


Supertramp - Crisis? What Crisis?



Just A Normal Day

Luís Filipe Meira

CRATO 2009
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Crisis? What Crisis?
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Ao olhar para o programa da 25.ª Feira de Gastronomia e Artesanato do Crato, veio-me à memória o título de um velho álbum dos Supertramp que em Novembro de 75, data de edição do disco, questionava a crise, fosse ela qual fosse.
Mais uma vez a autarquia cratense oferece aos seus munícipes e aos milhares de forasteiros que visitam a vila nesta altura, um programa de se lhe tirar o chapéu. Abrangente quanto baste, o cartaz apresenta propostas bastante equilibradas a nível qualitativo e praticamente sem concessões ao mau gosto.
Os ‘cabeça de cartaz’ são de peso, e qualquer deles pode perfeitamente atingir o brilhantismo.
Estou particularmente curioso com os Animals, no entanto li no website oficial da banda que o concerto de sábado 29 no Sommerfest, em Mainz, na Alemanha, foi cancelado devido a problemas de saúde de Eric Burdon. Recordo que o concerto do Crato está agendado para dois dias antes, quinta-feira 27…
Outro concerto que poder vir a ser memorável, será o de Emir Kusturica. Pois este realizador/músico transforma os seus concertos em verdadeiros bailes ciganos, carregados de energia. Oxalá Kusturica venha inspirado e o público se mostre disponível para a festa, pois nestas coisas a empatia entre músicos e público é fundamental.
Os Reamon vêm da Alemanha, têm bastante sucesso em Portugal, e se a noite for de Verão os seguidores da banda poderão viver momentos empolgantes.
Rui Veloso e Martinho da Vila são os outros ‘cabeça de cartaz’, e são valores seguros que se estiverem num dia bom – Rui Veloso por vezes esquece-se da inspiração em casa – podem perfeitamente oferecer bons concertos.
Este ano temos ainda muitos outsiders de óptima qualidade, que nos podem oferecer excelentes prestações se o publico estiver estabilizado e não andar em trânsito pelo recinto, como acontece muitas vezes.
Cá estarei na próxima semana para confirmar ou não se as minhas expectativas não estarão demasiado altas.
Luís Filipe Meira
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sexta-feira, agosto 21, 2009

Crónica de Nenhures

Funes, o memorioso disse...
Woodstock foi o canto do cisne da geração de 60, a mais abominável de todo o séc. XX.
Qua Ago 19, 07:41:00 PM 2009
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Seventies
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A “geração de sessenta” e os “anos vinte” são momentos charneira do século XX, o qual se define como o Século dos Totalitarismos.
“Anos vinte” e “geração de sessenta” são ícones desse século, tempo e gente que perspectivaram uma época de ouro e uma elite social-ideológica. Contudo, ambos são símbolos de decadência civilizacional.
Os excessos contidos e cometidos nos “anos vinte” estão presentes na vida e obra de Francis Scott Fitzgerald. Em Portugal essa época foi vivida numa República nos espíritos e com uma moral arcaizante nos costumes.
Terminam os “anos vinte” com o crash bolsista, e o sonho virou pesadelo.
A “geração de sessenta” caracteriza-se pela destruição de um paradigma que se instalara depois do fim da Segunda Guerra Mundial, um período que veio progressivamente a criar riqueza e prosperidade nos países do chamado Primeiro Mundo, ao qual Portugal era marginal.
Os filhos-família da burguesia europeia revoltam-se contra o mundo criado pelos seus pais. ‘Bebem’ nas distopias de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao, e tornam-se revolucionários. Che Guevara, Fidel Castro, Enver Hoxha, Ceausesco, Tito, são símbolos de uma geração que não conhecera a guerra e as ditaduras. Marcuse, Althusser, Sartre, Beauvoir, Garaudy, Illich, Aragon, são os profetas de ‘amanhãs que cantam’.
Mas o sonho acaba com a brutal invasão da Checoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, a mando da URSS.

A nossa geração é a “geração de setenta”. Nela o Mundo era diferente. A utopia comunista mostrara ser a mais cruel das ditaduras, e progressivamente os seus crimes eram revelados. Alexandre Soljenitsine mostra à humanidade o Gulag soviético. Se a invasão da Checoslováquia foi o toque de finados para as utopias da “geração de sessenta”, o Gulag é para os anos setenta do século XX o princípio do fim do ‘paraíso’ concentracionário que era o leste europeu. Mas até à sua derrocada final ainda se teria que esperar pelo final da década de oitenta.
Órfã de utopias, a “geração de sessenta” na década de setenta encontra no Chile de Allende um leitmotiv para manter acesa uma centelha de esperança na utopia. Mas o caminho para o socialismo totalitário encetado por Allende e companheiros do MIR depressa colide com o sentir maioritário do povo chileno, e o golpe de estado liderado pelos militares torna-se inevitável. Allende é mais um ‘mártir’ a acrescentar à longa lista robespierreiana da “geração de sessenta”.
A Revolução dos Cravos em Portugal faz com que a “geração de sessenta” volte a entoar os cânticos dos ‘amanhãs que cantam’. Por cá, ‘a URSS é o sol que ilumina o mundo’. Mas a tentativa totalitária termina em finais de setenta e cinco, e a partir de então nada mais há a esperar.
Começa aqui o aburguesamento dessa “geração de sessenta”. A vitória do capitalismo é total, e essa “geração de sessenta” começa a sua caminhada até ao liberalismo, que já neste século XXI conduziu à maior crise económico-financeira desde o ‘longínquo’ ano de vinte e nove do século XX. Ironias da História!
Mário Casa Nova Martins

Sporting / Benfica

O 'Desejado'...
Terminou a votação e já temos eleita a 1ª Maravilha de Portugal....
(Recebido por mail de Ilustre Sportingista)

Elvas


quinta-feira, agosto 20, 2009

Hugo Pratt

Hugo Eugenio Pratt

(Rímini, Itália, 15 de Junho de 1927 / Grandvaux, Suíça, 20 de Agosto de 1995)
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No 14.º Aniversário da sua Morte.
Mário

quarta-feira, agosto 19, 2009

Luís Filipe Meira

Espírito de Verão / Efemérides (1)
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Tenho para mim que o Verão é a estação do ano em que as recordações batem com mais força e as saudades se tornam por vezes insuportáveis. Talvez por isso, trago hoje a primeira de algumas efemérides ligadas à música, e que de alguma forma marcaram a minha existência e seguramente a de mais alguns milhões de pessoas.
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Woodstock
3 Days of Music & Peace
1969 / 2009

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Jaime Fernandes, um histórico da rádio portuguesa, afirmou em entrevista ao canal 2 da RTP que Woodstock foi o princípio e o fim de muita coisa.
É verdade! Woodstock foi pioneiro. Antes apenas tinha havido com alguma expressão Monterey, em Junho de 67 - uma espécie de pré-Woodstock - onde Jimmi Hendrix brilhou, mas também por lá estiveram Janis Joplin, The Who e Otis Redding.
Dois anos depois, a meio de Agosto, seria a vez de Woodstock, que ultrapassaria todas as expectativas e tornar-se-ia, por força das circunstâncias, num free concert para meio milhão de pessoas. Ainda nesse ano de 69, em Dezembro, aconteceria Altamont, que supostamente seria a resposta da costa leste a Woodstock, mas não o foi.
Se Woodstock foi o sonho, Altamont foi o pesadelo. Os Rolling Stones - organizadores do concerto – contrataram os motoqueiros dos Hells Angels para a segurança por $500 e cerveja à descrição. A coisa deu para o torto e acabou na morte de um jovem negro de 18 anos, o que levou à suspensão definitiva do concerto.
Com o início da década de 70, os festivais mudaram-se para a Europa. O primeiro grande palco foi na Ilha de Wight com 600 000 pessoas a assistir, e onde Hendrix voltaria a brilhar.
Portugal aproveitou a primavera marcelista, e em 1971 teria o seu festival. Foi em Vilar de Mouros – onde estive -, e recebeu além das bandas portuguesas que à época faziam furor, os britânicos Manfred Mann e Elton John, que começava a dar os primeiros passos de uma auspiciosa carreira.
Os Festivais ganhavam fôlego, mas a geração de 60 estava a dar as últimas. O sonho nunca se transformaria em realidade.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... E os anos 70 iriam mudar a face da música…


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A rodar na Rádio (da minha) Memória tenho:
Carlos Santana –
Soul Sacrifice
Crosby, Stills & Nash –
Suite Judy Blue Eyes
Richie Heavens –
Freedom
Canned Heat – Going up the Country
Ten Years After – I´m Going Home
Country Joe & The Fish – I-feel-like-I'm-fixing-to-die rag
Joe Cocker – With a Little Help from my Friends
John Sebastian – I Had a Dream

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As magníficas prestações de Jimi Hendrix nos festivais de Monterey e Woodstock estão disponíveis na Amazon em formato DVD (12 euros) ou blue ray (16 euros)

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Entretanto, para assinalar a efeméride, foi reeditado o filme do acontecimento realizado por Michael Wadleigh (FNAC 14,90 euros). Também está disponível numa caixa com quatro DVD's (FNAC 24,99 euros)
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Taking Woodstock, do laureado realizador Ang Lee, estreia nas salas em Portugal nos primeiros dias de Setembro.

Luis Filipe Meira

Gabriela Marques da Costa

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terça-feira, agosto 18, 2009

Autárquicas 2009 - Nisa

Maria Madalena Duarte Morais
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O núcleo de Nisa do Bloco de Esquerda entregou as listas candidatas a alguns órgãos do Município de Nisa, dia 17 de Agosto, ultimo dia de entrega das candidaturas autárquicas 2009. O sorteio fez-se ás 9 horas do dia 18 no tribunal de Comarca de Nisa, tendo o BE ficado no sexto lugar do boletim de voto concelhio.
À Câmara Municipal apresenta-se Maria Madalena Duarte Morais, independente, com a idade de 47, enfermeira no Centro de Saúde de Nisa, reside na terra e é natural do Estoril.
À Assembleia Municipal, Mário Carlos de Oliveira Mendes, com a idade de 58 anos, licenciado em Sociologia, aposentado da EDP, tendo dirigido o órgão de informação local, Jornal de Nisa, nos últimos anos. É natural da vila de Nisa.
À Assembleia de Freguesia da Junta de Nossa Senhora da Graça, (Centro Histórico de Nisa) encabeça a lista José Maria Salgueiro Moura, 49 anos, desenhador no Município de Nisa, natural e residente em Nisa. Aderente do Bloco de Esquerda.
Em breve faremos a apresentação pública, provavelmente com a presença da deputada Ana Drago, assim como propostas que julgamos prementes na política local.
Mantenha-se atento em
http://bloconiza.org/ Colabore, participe. O que pretende para a sua terra? (Ou a que escolheu para viver.) Só ouvindo as pessoas podemos delinear novos rumos.
José Maria Moura

Legislativas 2009 - Portalegre

Deu entrada na passada 6ª feira no Tribunal da Comarca de Portalegre, a lista de candidatos do POUS às eleições para a Assembleia da República, que terão lugar a 27 de Setembro.
Aqui se registam os nomes dos 4 indomáveis lutadores:
_ Joaquim Castanho, escritor, natural de Portalegre;
_ Ana Paulino (Aninhas), Funcionária Pública, natural de Urra - Portalegre;
_ Jaime Crespo, Professor do 1º CEB, natural de Tolosa - Nisa;
_ Ana Cristina Martins Vaz, Técnica de Manutenção, natural de Moçambique.

É, infelizmente, voz do povo dizer que os políticos são todos iguais. Alguns serão até mais iguais que outros, mas felizmente e para bem da esperança que nos conforta ainda há alguns teimosos com manias de ser diferentes. E mais diferentes que todos os outros.
É pois com estes quatro autênticos cavaleiros do após colapso socrático que podereis contar para a intransigente luta pela defesa dos postos de trabalho, por um trabalho com direitos, pela dignidade de quem trabalha.
Porque a política não é toda a mesma, nem os políticos todos iguais, aqui vos apontamos a via alterna.

Legislativas 2009 - Portalegre

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POUS - Partido Operário de Unidade Socialista

segunda-feira, agosto 17, 2009

Autárquicas 2009 - Portalegre

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Acredita no Futuro!
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Hugo Capote
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Crónica de Nenhures

Acreditar em Portalegre
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As eleições autárquicas no concelho de Portalegre continuam “em banho-maria”, muito por ‘culpa’ deste quente mês de Agosto.
Mesmo assim, a campanha dos principais candidatos não pode parar. Enquanto para a “situação” o ‘ganho’ está “com momento musical e gastronomia”, para a “oposição” o mais importante é credibilizar propostas e candidatos.
Se o CDS parece adormecido politicamente, à Esquerda a situação é o inverso. Os currículos profissionais de José Escarameia de Sousa e Hugo Capote conferem-lhes esse desiderato.
Todavia, os candidatos do PS e do PCP terão ‘sortes’ diferentes. Com o avizinhar da data das eleições ocorrerá uma fulanização entre o candidato “com momento musical e gastronomia” e o candidato que para Portalegre “é tempo de mudar para melhor”. A mensagem “acredita no Futuro!” é oportuna, mas o ‘voto útil’ à Esquerda vai ver real.
Para Portalegre, teria sido um verdadeiro Acreditar no Futuro se as estruturas locais do PS e do PCP tivessem tido a coragem política de se coligarem. De certeza que tal coligação era Dar vida a Portalegre.
Portalegre merece mais!
Mário Casa Nova Martins

Casa do Gaiato

PRÉMIO GULBENKIAN DA EDUCAÇÃO 2009
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NO passado dia 20 de Julho de 2009 o anfiteatro ao ar livre da Fundação Gulbenkian foi pequeno para receber gente ilustre da sociedade portuguesa representando os mais variados quadrantes da política, da economia e das artes. Tratava-se da cerimónia de entrega do Prémio Internacional Calouste Gulbenkian e dos Prémios Gulbenkian – Arte, Beneficência, Ciência e Educação. A Cerimónia foi presidida pelo Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian. Várias Instituições foram galardoadas. A Obra da Rua ou Obra do Padre Américo e a Fundação para o Desenvolvimento Comunitário de Alverca ganharam, ex aequo, o Prémio Gulbenkian Educação 2009. As distinções foram entregues durante a cerimónia juntamente com um Prémio de 50 mil euros repartido. O Júri previamente constituído, debruçou-se sobre a longa história e experiência do projecto educativo do Padre Américo posto em prática nas Casas do Gaiato, não tendo dificuldade em eleger a Obra da Rua como merecedora do Prémio Educação. Trata-se de um Projecto Educativo consolidado, com resultados cientificamente comprovados em abundantes estudos de alto nível académico, na recuperação de crianças desprovidas de meio familiar normal e de jovens em risco.
Na recepção do referido galardão estivemos nós, dois representantes dos Conselhos Pedagógicos e um representante das Associações dos Antigos Gaiatos. Na altura própria agradecemos ao Magnífico Júri, recebendo das mãos do Presidente da Fundação o respectivo galardão que dedicamos ao Pai Américo, em primeiro lugar, citando dois textos da Conferência Episcopal Portuguesa por ocasião do centenário do seu nascimento e do cinquentenário da sua morte: “O Padre Américo, pelo que foi, pelo que fez, e pela Obra que realizou e que perdura em favor dos mais protegidos da nossa sociedade, foi um homem que deixou mais rico Portugal.” “A Obra da Rua é uma jóia da Igreja em Portugal...” O referido Prémio foi também dedicado à família das Casas do Gaiato que ao longo dos tempos têm sido uma mais-valia de cidadania na sociedade portuguesa e pelo mundo além. O Prémio foi, finalmente, dedicado à multidão anónima de amigos e admiradores que continuam a ser o suporte da Obra da Rua no tempo e no espaço.
Um Prémio justo que, citando Manuel António, um antigo gaiato de Paço de Sousa, assim o considerou com o seu próprio testemunho pessoal: “Vale mais tarde que nunca! Como antigo gaiato (e sempre gaiato, digo eu, apesar dos quase 60 anos, pois não seria o cidadão inquieto e socialmente integrado que hoje sou – quadro superior de reconhecido mérito na EDP até ter optado Março último passar à situação de pré-reforma –, se não tivesse sido educado na Casa do Gaiato, ainda hoje a minha família de referência, se tivesse continuado um pequeno vadio das ruas do meu Porto, cidade que trago na memória apesar da vida me ter empurrado para Lisboa), rejubilo e fico feliz com este prémio Gulbenkian Educação, que embora tardiamente, reconhece o trabalho da Obra da Rua em prol das crianças mais carenciadas e da actualidade da pedagogia pró-activa do nosso Pai Américo que faz do Rapaz o próprio sujeito da sua educação. Lamento apenas que a comunicação social, tão célere em notícias de forma sensacionalista pseudo-erros ocorridos na Casa do Gaiato, seja tão envergonhada e discreta em noticiar a atribuição deste prémio Gulbenkian da Educação!”
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Boletim Evoliano

domingo, agosto 16, 2009

Sport Lisboa e Benfica

A negro
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O Marítimo veio ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica impor um empate.
De ano para ano a crise aumenta. Que não haja desculpas com arbitragens ou outras. Uma equipa sem ‘fio-de-jogo’, jogadores fora das suas posições como é o caso de Ruben Amorim e David Luiz, Nuno Gomes a jogar quando nunca devia ter renovado e logo por duas épocas!, Di Maria e Fábio Coentrão que são “idênticos” a jogarem ao mesmo tempo. Em suma, ‘mais do mesmo’!
A época de 2009/2010 começa mal. Quique Flores tem ‘digno’ sucessor. Um investimento de milhões em jogadores, e a contratação de um treinador que na época passada ficou em quinto lugar da Liga e que perdeu os dois jogos com o SLB. Assim não ‘vale’!
Mário

Luís Filipe Meira

NISARTES / 09
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Velocidade de Cruzeiro
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Cumpriu-se mais uma edição da NISARTES - Feira Internacional de Artes Tradicionais de Nisa.
Não quero, até porque não é esse o meu papel, debruçar-me sobre os méritos ou deméritos do evento. Ainda assim, pareceu-me que existe da parte da organização a vontade de apresentar uma feira que vá mais além que a mera feira de artesanato e gastronomia - moda que vai crescendo sem critério por tudo quanto é sítio - e isso já é de louvar. Naturalmente que há situações a melhorar, apostas a fazer, coisas a rever e alguns riscos a correr. No entanto é uma feira de base sólida e com dignidade própria, por isso, na minha perspectiva, só pode e deve crescer.
Dignas, mas com pouco risco, foram as propostas musicais para este ano. Cartaz equilibrado, abrangente, logo consensual, a que faltou na minha opinião o tal risco, o tal golpe de asa que ficaria sempre bem numa feira de artes, tradicionais ou não. O ano passado os Buraka, e os Blasted Mechanism há dois anos, deram aquele toque de diferença que, repito, deve existir numa feira de artes.
Mas vamos por partes. Ressalvo que não me é possível comentar as actuações de José Cid e de Patrice. De qualquer forma, e sem acidentes de percurso, qualquer destes nomes têm o necessário e o suficiente para alcançarem enorme sucesso, e são, como atrás referi, apostas sem risco e ganhas à partida.
José Cid é o decano da música portuguesa, movimenta-se como poucos em cima do palco, e mesmo os que não gostam da sua música sempre batem o pé e são capazes de entoar e aplaudir uma ou outra canção.
Patrice é um jovem de origem alemã cujo primeiro álbum já data de 1999 e que faz um reggae mais ou menos light, com matriz jamaicana mas suavizado. Patrice está mais perto de Jack Johnson do que de Bob Marley ou de Peter Tosh. Cheia de preocupações sociais, a musica de Patrice é um sucesso retumbante por essa Europa fora, cujo corolário foi o convite para cantar Dove of Peace para o presidente Barak Obama.
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João Pedro Pais
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Longe vão os tempos em que este antigo campeão de luta greco-romana debutou no programa Chuva de Estrelas, cantando e manifestando a sua admiração por Miguel Ângelo dos Delfins. Hoje vale bem mais que o seu ídolo de outrora. JPP é um cantor adulto, profissional e com seis discos de grande sucesso no mercado. O concerto de Nisa, em registo rock FM, assentou no último, A Palma e a Mão, que foi produzido de forma irrepreensível por Mário Barreiros. Naturalmente que JPP repôs algumas canções mais antigas, que fizeram as delicias do público. Concerto profissional e agradável quanto baste.
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Ana Moura
**** / *

Confesso que este era o concerto em que assentavam as minhas maiores expectativas por um lado, e que me dava mais garantias por outro. Ana Moura é brilhante, nasceu para cantar e isso leva-a aos quatro cantos do mundo, e o seu trabalho é reconhecido globalmente. Ainda o ano passado cantou em dueto com Mick Jagger no concerto dos Rolling Stones no Alvalade XXI, e Prince, depois de assistir a um espectáculo seu em Paris, manifestou a sua admiração pela forma como a artista cativa as plateias, vindo mesmo visitá-la a Lisboa para equacionar colaborações futuras. Em Nisa, o concerto foi altamente prejudicado pelo frio, mas mesmo assim a fadista conseguiu animar e cativar o público, actuando de uma forma empenhada e altamente profissional.
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Rita Redshoes
** / ***

Talento inegável com reconhecimento público, pois o primeiro álbum, Golden Era, entrou para o Top de vendas logo na primeira semana em que foi editado. O álbum vem cheio de boas canções, algumas orelhudas mas sem caírem em facilitismos. No entanto, e numa opinião muito pessoal, Rita, que toca teclas na banda de David Fonseca, apresenta demasiadas semelhanças com o cantor de Leiria. O concerto de Nisa, que esteve dentro do esperado e foi inegavelmente interessante, não me apagou essa convicção. Começou quase uma hora depois do agendado, e fica-se por saber se com ou sem culpa da protagonista.
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Orishas
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Nome grande e de sucesso da musica global, originários de Havana, praticam um híbrido de fusão que mistura música cubana e hip hop. Não estão na minha lista de preferências e ainda não foi desta que me convenceram, apesar da intensidade e rotação assinaláveis que estes sul-americanos imprimiram à sua performance. Se não mereceram o meu aplauso incondicional pela inspiração, que não me pareceu famosa, mereceram pelo menos o meu respeito pela entrega e pelo excelente MC que apresentaram.

Dignidade, profissionalismo, empenhamento e boa vontade, foram palavra que utilizei frequentemente ao longo do texto, palavras que se aplicam na perfeição à Nisartes 2009. Pede-se para o futuro uma boa dose de irreverência, que na medida certa funciona numa feira de artes um pouco como o sal na comida. Aprimora o paladar!
Luís Filipe Meira

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