\ A VOZ PORTALEGRENSE: Julho 2009

sexta-feira, julho 31, 2009

Férias


VOZES DO MAR

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...
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Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?
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Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!
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Donde vem essa voz, ó mar amigo?......
Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!
Florbela Espanca
Poesia Completa
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2000
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Boas Férias
Mário

Férias / Leituras

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Biblioteca Municipal de Portalegre

quinta-feira, julho 30, 2009

Autárquicas 2009 - Portalegre

PANEM ET CIRCENSES – parte II
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Devem lembrar-se os portalegrenses mais atentos às coisas da cultura de uma série de crónicas, saborosíssimas, que o Dr. Fernando Correia Pina publicou há anos no jornal Fonte Nova. Ao tempo, sob a designação geral de Postal da Barilândia, alguns desses irónicos escritos de intervenção levantaram polémica no burgo, ofendendo a púdica consciência de certos cidadãos.
Agora, o post Panem et Circenses faz-nos recordar mais um Postal da Barilândia. De facto, só uma terra como esta, uma Portalegre no estado lastimoso a que chegou, é que pode levar a sério, sem gargalhada geral, que um candidato autárquico auto-proclame a cerimónia pública de divulgação da sua equipa para mais um mandato, que deveria ser digna e séria embora sem escusadas solenidades, como um momento de música e gastronomia. Para isso, bolas, temos o festival do Crato que vem já, já a seguir e é, certamente, muito melhor e com provas dadas.
Obviamente, comer e beber de borla ainda atrai muita gente. O pior, para o candidato, é se a maior parte dos borlistas comilões lá for apenas para encher a pança e, como se diz dos peixes espertalhões, comer o isco para depois, com vossa licença, cagar no anzol.
Pode muito bem acontecer e seria muito bem feito.
Estes truques reles e baixos de chico-esperto podem afinal significar algum desespero.
Será que alguém de bom senso pode acreditar que, num repente, um responsável que já está instalado há sete anos e meio numa medíocre cadeira do poder se possa transformar por artes mágicas num eficaz e atento condutor dos destinos desta terra? Tirando o contraditório folclore do Polis, a sua actividade reduz-se a duas ou três medidas eficazes com real significado nos destinos de Portalegre. O resto é puro desperdício, o que é pouco, muito pouco, para tanto tempo e na companhia de tanta, tanta gente. Fora isso, fica-nos um discurso atabalhoado, sempre diferente conforme a inspiração de cada momento, mais cheio de promessas que de realizações concretas, delirante por vezes e pouco realista, como se passa com a presente ameaça de demolição do Estádio Municipal, simples exemplo destes inconsequentes desvarios.
Há uns dias estabeleceu-se nesta página um esboço de discussão em torno da cultura local, sob a forma de oportunos e judiciosos comentários. Este tema é outro significativo exemplo do estado a que chegaram os valores portalegrenses, mas não é este o local nem o pretexto para prolongar a análise a um tema fundamental que, assim se espera, a próxima campanha eleitoral possa abordar e discutir, incluindo-se aqui a complexa promiscuidade “cultural” duma organização distante e enigmática que dá pelo nome de Fundação Robinson.
Faz o senhor administrador deste blog uma abordagem às perspectivas autárquicas que se abrem à comunidade portalegrense, a partir das candidaturas anunciadas. É fácil concordar-se com quase todas as considerações a propósito tecidas.
O que vai restar dos rituais folclóricos que se seguem? Seguramente, algo de diferente, mas nunca o ideal para um futuro de esperança autêntica para a nossa desgraçada Portalegre.
A próxima edilidade vai integrar novos rostos, novas visões sobre as estratégias e prioridades para o Concelho e para a Cidade, novas posturas perante os desafios que se avizinham. Novas e eficazes políticas, também?
O progresso não se conquista nos comes e bebes nem nos estribilhos de campanha. E, destes, os dois já conhecidos merecem algum curto comentário.
O mesmo rumo toda a diferença – diz-nos um. É tempo de mudar para melhor – anuncia-nos o outro. É óbvio que nos conquista muito mais este do que aquele, independentemente das suas respectivas referências.
O cidadão portalegrense anseia sempre por mudar para melhor, enquanto pode ficar algo baralhado se alguém lhe promete que vai assegurar toda a diferença mantendo o mesmíssimo rumo que nenhuma diferença, para melhor, produziu no passado recente. E isto nem sequer é política, é apenas língua portuguesa que, como se sabe, é muito traiçoeira.
Outra análise, mais vernácula e remetendo para a velha sabedoria popular, faz-nos pensar que desta feita nem sequer as moscas mudariam...
E, quando nos surge pela frente um cartaz onde alguém que, num passsado civil já distante, sempre se destacou pela iniciativa e pelo dinamismo, apetece-nos berrar:
- Ó homem, descruza os braços, porra, e faz alguma coisa de jeito!
Em suma, parafraseando o grande estadista e político norteamericano Abraham Lincoln (1809-1865), lembra-se a propósito desta recandidatura uma célebre máxima do antigo presidente dos Estados Unidos, proferida durante os tempos difíceis da sua Guerra Civil:
_ Podeis enganar toda a gente durante um certo tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo; mas não vos será possível enganar sempre toda a gente.
Dom Quixote

Biblioteca Municipal de Portalegre

quarta-feira, julho 29, 2009

Luís Filipe Meira

O Admirável Mundo da Música
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Nos últimos três anos a esta parte, por estes dias já andava com alguma ansiedade a ultimar os preparativos para a expedição ao Festival de Paredes de Coura. Reconheço que na minha idade, uma tenda e um saco cama são manifestamente pouco para passar cinco noites numa zona onde a chuva aparece sempre sem ser convidada.
Talvez por isso, decidi terminar este ano a minha relação com Paredes de Coura, e partir para paragens mais amenas. A escolha recaiu no FMM SINES, que vai na 11ª edição e que ao longo de nove dias traz à costa alentejana o melhor que se vai fazendo na world music.
Foi uma incursão exploratória, mas perfeitamente elucidativa da grandeza deste acontecimento absolutamente extraordinário. Diria mesmo que o FMM SINES – e estou a pesar as palavras – é absolutamente obrigatório para quem tem na música uma paixão.
A riqueza de propostas, o cruzamento de géneros, o ambiente tão peculiar ou a heterogeneidade do público de idade e proveniências variadíssimas, são apenas algumas das razões que me levam a fazer afirmações tão definitivas.
No ano passado mais de 90.000 pessoas estiveram nos diversos espectáculos. Este ano o número, segundo as primeiras estimativas, terá sido ultrapassado, já que quase todos os concertos esgotaram.
O palco do FMM SINES é uma Torre de Babel musical, onde se cruzam músicos e sons de proveniências tão díspares como os congoleses Kasaï Allstars ou o indiano Bhattacharya, os americanos Chicha Libre ou a orquestra argentina de Férnandez Fierro, o som das estepes chinesas dos Hanggai com o jazz latino de Chucho Valdez, a tradição de Madagáscar dos Njava com o folclore polaco e ucraniano da Warsaw Village Band e dos Ucrainians.
E não é todos os dias que vemos uma israelita – o The Guardian considera Mor Karbasi uma das grandes jovens divas da cena musical global – oferecer-nos uma arrebatadora versão do clássico fado Rua do Capelão.
Os portugueses O’Questrada dividiram o palco com os italianos Circo Abusivo, e Victor Démé do Burkina Faso antecipou o afrobeat de Dele Sosomi, o velho nigeriano companheiro de Femi Kuti.
Como se tudo isto não bastasse, Sines fechou com o génio de um dos mais importantes produtores jamaicanos de sempre, o visionário Lee ´Scratch`Perry, e com os Speed Caravan, um dos grupos preferidos de Peter Gabriel.
Mas há outras iniciativas paralelas que enriquecem este festival; conversas com artistas, ateliers de instrumentos, sets de DJ´s, encontro com escritores – Mia Couto apresentou Barroco Tropical de José Eduardo Agualusa e Agualusa apresentou Jerusalém de Couto – além de animação espontânea de rua com música variada, cuspidores de fogo e outras artes circenses
Foram dias memoráveis os que eu e a minha mulher vivemos em Sines. E só choramos por não termos tido a possibilidade de ficar mais tempo, para podermos assistir a todos os concertos e respirarmos aquele ambiente até ao último suspiro!
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Enquanto escrevi este texto, fui ouvindo um disco que já procurava há algum tempo e que encontrei em Sines.
Chama-se Trés Trés Fort, e é um trabalho magnífico do Staff Benda Bilili, grupo de paraplégicos e meninos de rua que cantam as difíceis condições de vida nas ruas de Kinshasa.
Ainda assim, a alegria ingénua de quem sempre viveu na miséria passa por aqui e transforma este registo numa verdadeira festa dos pobres e excluídos.
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Luís Filipe Meira

terça-feira, julho 28, 2009

Crónica de Nenhures

panem et circenses
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«COM MOMENTO MUSICAL E GASTRONÓMICO», e de certeza que a vitória é certa!
Portalegre está pelas 20:30 horas do próximo dia 30 de Julho ao nível do melhor que a Política tem para dar: Pão & Circo!
A recandidatura do actual inquilino do antigo Colégio de São Sebastião vai, quiçá lembrando-se da Rainha Santa Isabel, distribuir música e manjares por todo aquele Povo, e vai ser muito, que se deslocar ao Mercado Municipal.
Mesmo que depois não se vá votar no Candidato, isso fica para segundo plano, há que aproveitar o “panem et circenses” que o Político vai oferecer. E é “disto” que o Povo gosta!
Hoje ninguém duvida em Portalegre que os churrascos que o Candidato do PSD ofereceu à população do concelho, na campanha autárquica de 2001, foram decisivos para a sua vitória. O Povo não quer saber de programas eleitorais ou de promessas políticas, o que quer é divertimento. “O dia seguinte” é só no dia seguinte! Tristezas não pagam dívidas! Viva-se o “presente”!

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A dois meses e meio do acto eleitoral de 11 de Outubro, o CDS ainda não tem candidato à CMP. Hoje já perdeu todo e qualquer timing que lhe seja uma mais-valia. De agora em diante, o Candidato que apresentar será apenas para “cumprir calendário”.
O BE tem Candidato, mas um Candidato que não é conhecido e que na polarização política que se vai travar será “triturado”, e o score das Eleições Europeias esfumar-se-á.
O PCP tem um Candidato que já não representa a “tradição proletária” do Partido. Hugo Capote é um “burguês”, e vai conseguir fixar o eleitorado comunista. É pena que PCP e PS não se tenham entendido quanto a uma coligação à Esquerda.
Com discrição, o Candidato do PS vai qual “formiguinha” levando a “água ao seu moinho”. José Escarameia de Sousa consegue “entrar” no eleitorado do Centro, e vai recolhendo apoios, alguns de todo inesperados, mas que vão “engrossando” uma campanha inteligente. Até agora não houve nenhum momento populista, mas este vai ter obrigatoriamente que acontecer.
Portalegre precisava que PS e PCP se tivessem coligado para estas Eleições Autárquicas. Por outro lado, o “falhanço” do CDS, quer na credibilidade de uma Candidatura, quer no “alargamento” da sua base eleitoral, fará crescer a abstenção à Direita.
Por fim, algo surpreende na recandidatura do PSD. Diz o ditado popular que “em equipa que ganha, não se mexe”. Ora, da lista que será apresentada na próxima quinta-feira, o “elo mais fraco” da actual equipa fica!
Se há mudança de equipa, no caso em análise a substituição de quatro em cinco, tal só pode ser o assumir de que o presente mandato autárquico é um fracasso. E manter o dito “elo mais fraco” só pode ser sinal de desnorte político!
Portalegre merece mais!

Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, julho 27, 2009

Luís Filipe Meira

Espírito de Verão - II
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Acabei de regressar de Sines e Porto Covo, onde passei uns dias excelentes e preguiçosos, como é de bom-tom para um alentejano em férias. De manhã na cama e praia à tarde, ao chegar o pôr-do-sol deliciava-me com a fantástica gastronomia da região.
Caída a noite, começava a festa da música. Sines e Porto Covo receberam entre 17 e 25 do corrente mês de Julho o 11º Festival Músicas do Mundo Sines (11º FMM SINES), festival que está referenciado como um dos mais importantes do mundo dedicado à World Music, tema que abordarei em próximo texto.

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Aproveitei estes dias também para pôr as leituras em dia, e assim terminei «Leite Derramado», o novo livro de Chico Buarque, enorme compositor brasileiro com diversas e bem sucedidas incursões na literatura, que o elevaram sem favor ao estatuto de escritor.
Este último romance de Chico Buarque foi muito bem recebido pela crítica e publico português. Não gerou no entanto unanimidade no país natal, tendo mesmo aqui e ali suscitado posições extremadas, com apoios e rejeições por vezes violentas.
Não me sinto à vontade para considerar «Leite Derramado» um romance extraordinário. Posso no entanto dizer que é um livro de leitura fácil, divertida e interessada, mas sem viciar.
A história, contada em memórias delirantes pelo velho Eulálio, que jaz numa cama de um hospital público, discorre pela ascensão e queda de uma família tradicional, cuja existência se confunde com a história do Brasil desde os ancestrais portugueses até aos dias de hoje.
Reitero a minha incapacidade de análise para considerar ou não «Leite Derramado» como um livro maior, como o fez Samuel Titan no jornal “Estado de S. Paulo”, ou como José Castello que no jornal “O Globo” o considerou um dos mais importantes romances brasileiros desta primeira década do século XXI. Serei mais modesto no meu elogio; e se gosta das canções de Chico Buarque, então vai adorar este «Leite Derramado».

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Enquanto escrevia este texto fui ouvindo Bill Callahan e o novo «Sometimes I Wish We Were an Eagle». Juro que não há conotações benfiquistas de qualquer espécie com esta águia.
“I Wish We Were” … é uma pequena pérola e um segredo que se deve guardar entre pessoas de bom gosto. Ideal para um tranquilo final de tarde.

Luís Filipe Meira

Luís Filipe Meira



Chico Buarque lê trecho de Leite Derramado

domingo, julho 26, 2009

Grupo Desportivo Portalegrense

Para a História do Futebol em Portalegre
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Homenagem merecida
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O futebol em Portalegre tem uma história de mais de um século. E este palco memorável que foi o Estádio da Fontedeira, inaugurado às quatro horas da tarde de domingo dia 2 de Abril de 1911, viveu tardes de glória. De todos os Clubes de futebol que Portalegre teve, sem dúvida que o Grupo Desportivo Portalegrense e o Sport Clube Estrela marcaram essa glória, quer nos jogos entre si, quer com equipas que na época eram referência no futebol português. Jogadores nados e criados em Portalegre, ali deram os primeiros passos em carreiras futebolísticas de maior ou menor sucesso. Outros vindos de fora, deixaram naquele campo de terra batida a sua categoria como profissionais de um desporto que empolgava a cidade de Portalegre.
Severiano Ferro foi um desportista que honrou a camisola do Clube que o homenageou, em preito de gratidão, na sua despedida como futebolista. Depois iniciou uma carreira na arbitragem, como árbitro principal no Distrital da Associação de Futebol de Portalegre, e como auxiliar nos Campeonatos nacionais.
Severiano jogava na posição de guarda-redes, e a “tribo do futebol” conhecia-o por «Linda». Poucos sabiam o seu nome de baptismo, porque a sua popularidade impôs que no dia-a-dia fosse o «Linda».
Para a homenagem, o Grupo Desportivo Portalegrense convidou o Sporting Clube de Braga, que na véspera jogava em Évora e que no seu regresso a Braga passava por Portalegre. Nesse jogo, o Lusitano Ginásio Clube ganhara por 4 – 1. E no final da época 1954/55, o Lusitano ficou em 10.º lugar com 21 pontos, enquanto o Sporting de Braga ficou em 5.º com 29 pontos, com o facto de o Sport Lisboa e Benfica ter sido campeão com 39 pontos, seguido do Clube de Futebol «Os Belenenses» com os mesmos 39 pontos, tendo o SLB empatado em casa 0 – 0 e vencido fora 1 – 2.
Na segunda-feira dia 25 de Abril de 1955, pelas 18 horas, tem lugar no Estádio da Fontedeira a Festa de Homenagem a Severiano Ferro «Linda».
Antes, «O Distrito de Portalegre» dizia que Palmeiro (Benfica) reforçaria a equipa local, facto que não se confirmou, e «A Rabeca» anunciava que ‘O Clube «Asas de Portalegre» promoverá uma largada de pombos, em saudação à equipa visitante de Braga – o valoroso «Arsenal do Minho»’, dado este de que os jornais não falarão nas edições que relatam a Homenagem.

As equipas alinharam:
Portalegrense: Severiano, Santos e Massano; Fonseca, Robalo e Roqui; Elias, Brito, Jacinto, Bica e Almeida
Aos 15 minutos o homenageado é substituído por Augusto, e Sanina e Curto entram a substituir Elias e Fonseca.
Sporting de Braga: Faria, José Maria e Abel; Pinto Vieira, A. Marques e Calheiro; Baptista, Costa, Garófalo, Vicente e Corona
Faria é substituído aos 22 minutos por Cesário, e na segunda parte entraram Imbeloni e Fantin.
Árbitro: Manuel Curinha de Sousa. Juízes de Linha: João Sanganho e Eduardo Figueira.
«A Rabeca», em crónica não assinada, é sucinta. Dos três parágrafos da notícia, apenas dois se referem concretamente ao que se passou naquele final de tarde primaveril:
_ A partida teve fases de bom futebol e à indomável energia e apego na luta, mantidos desde o início, deveu o grupo local a vitória obtida sobre o afamado «Arsenal do Minho».
Também o resultado de bilheteira deve ter sido compensador para o homenageado, pois o campo apresentou uma concorrência desusada de espectadores. Isto nos apraz registar, com as nossas felicitações ao simpático Linda, que se distinguiu sempre como um bom e leal desportista, credor da estima geral
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Mais desenvolvida é a notícia em «O Distrito de Portalegre». Se bem que a peça jornalística não esteja assinada, é redactor desportivo do jornal José Maria Cabecinha.
Resume «O Distrito de Portalegre»:
_ Sai o Braga que querendo exibir-se somente, não chega a inquietar o guarda-redes local, ao contrário dos locais que procuram a baliza mais intencionalmente, conseguindo marcar os seus dois primeiros golos aos 13 minutos por Bica e aos 15 por Jacinto
, este a bom cruzamento de Almeida.
Aos 29 minutos Cesário vai ocupar o lugar de Faria e aos 30 minutos
Garófalo
na sequência de pontapé de canto, marca o único golo da sua equipa.
Resultado deste primeiro tempo 2 – 1 a favor dos locais, que está de harmonia com o que foi o jogo.
No segundo tempo o Braga faz entrar mais os dois titulares já referidos, mas o seu jogo até aos 20 minutos continua a ser o de boa execução técnica de facto, mas sem fazer perigar a baliza dos locais, ao contrário destes, que puseram à prova a boa categoria de Cesário, que no entanto foi batido aos 44 minutos por Jacinto, que, de cabeça, lhe faz sair a bola das mãos e que
Brito
aproveitou para transformar no terceiro golo do Portalegrense.
Repetimos que o resultado está certo, pois o Portalegrense jogou decididamente para ganhar, ao contrário do Braga, que talvez confiado demasiadamente ao querer atingir a finalidade dos jogos – a obtenção de golos – não o conseguiu, por mérito dos seus adversários, sempre decididos na defesa da sua baliza, sem descurar o ataque.
A defesa local foi um sector seguro, e na linha da frente, Bica, Almeida e Jacinto foram os melhores.
No Braga Garófalo, Cesário e Fantin salientaram-se
Boa arbitragem de Curinha de Sousa.

A “grande” História do Futebol é feita de “pequenas histórias”, como a da Homenagem, justa, a «Linda».
Mário Casa Nova Martins
Bibliografia
«A Rabeca», números 1828, 1829
«O Distrito de Portalegre», números 4404, 4406, 4407
Antigas Glórias do Futebol Algarvio e Alentejano

Grupo Desportivo Portalegrense

No dia do seu octagésimo quarto aniversário.
Mário
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PRIMEIRA ACTA
No dia vinte e seis de Julho de mil novecentos e vinte e cinco, foi fundado por iniciativa de Carlos Fernandes Bentes de Oliveira, Florindo Eugénio Madeira, Adelino Brito Júnior, Alfredo Baptista, João da Piedade Rosado Casaca, João Sobral Sequeira, Germano Vidal Garção, Ângelo Sajara, Fernando Maria Martins Caldeira e Rui Óscar Velez Caroço, um grupo destinado à prática de todos os sports e com sede em Portalegre, ao qual os indivíduos acima citados resolveram chamar Club Desportivo Portalegrense. Neste mesmo dia foi eleita a Direcção, ficando constituída da seguinte maneira:
PRESIDENTE - Carlos Fernandes Bentes de Oliveira
SECRETÁRIO - Florindo Eugénio Madeira
TESOUREIRO - Adelino do Carmo Brito Júnior
Portalegre, vinte e seis de Julho de mil novecentos e vinte e cinco
O SECRETÁRIO - Florindo Eugénio Madeira

sábado, julho 25, 2009

Rui Cardoso Martins

Não há duas sem três

SEGUNDO ROMANCE DE RUI CARDOSO MARTINS, DEPOIS
DO ACLAMADO “E SE EU GOSTASSE MUITO DE MORRER”
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TEXTO DE ANA CRISTINA LEONARDO
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RUI CARDOSO MARTINS acaba de publicar o seu segundo romance.
O primeiro, o surpreendente “E Se Eu Gostasse Muito de Morrer” (Dom Quixote, 2006), foi então, e com justiça, elogiado por António Lobo Antunes. Já este “Deixem Passar o Homem Invisível” teve a sua apresentação a cargo do neurocirurgião João Lobo Antunes, que, como é sabido, também escreve.
Definirá isto uma genealogia?
Considerando as claras diferenças entre os dois irmãos Lobo Antunes, acho que dificilmente poderemos falar de heráldica, pelo menos literária. O que terá a vantagem acrescida de deixar Rui Cardoso Martins definir o seu próprio ADN.
Arrisquemos alguns ingredientes genéticos. O humor, que é, sem dúvida, um constituinte forte (mais próximo de Federico Fellini do que de Woody Allen). A consciência social, que já era visível na estreia, e que volta à tona, com a cegueira a servir (também) uma crítica das cidades e os delírios de Serip, o mágico, o questionamento da Justiça.
O gosto moderno pela fragmentação, esta atenuada agora mas ainda assim notória nas mudanças temáticas, espaciais ou temporais que vão compondo a narrativa. A inclusão de corpos estranhos, não literários, que jogam com tipografia distinta e reforçam o artificialismo, ou o distanciamento narrativo, inevitável 152 anos depois de “Madame Bovary”, e que culmina com a introdução final de três anexos. Etc.
E, porque se falou de Flaubert, exemplifique-se o mot juste: “Escorria [a água] pela cidade e mais chegava pelos veios que desciam das colinas, por arroios adormecidos e pelas calhas dos eléctricos, numa competição de rios sem nome, ribeiras acabadas de nascer, no meio das avenidas e praças, entrando grossa e gelada para dentro dos subterrâneos, cuspindo baratas e arrastando de novo um cego e uma criança.”
Há, pois, uma criança órfã de pai e um advogado cego à deriva pelos subterrâneos aquáticos de Lisboa, para onde foram sugados pela enxurrada que inundou a cidade. Cá fora, à luz, há gente a tentar salvá-los. Um comandante de bombeiros, a braços com o quebra-cabeças dos esgotos da capital (a personagem mais bem esgalhada, mesmo sem pertencer ao ranking das principais), uma arqueóloga e Serip, o amigo mágico do cego, “anarquista de bom coração, ingénuo com ideias reaccionárias”.
Os dois planos correm paralelos: o cego e a criança perdidos num labirinto escuro descobrindo-se a si próprios através do outro; os que vêem, todos à superfície, mas ainda assim são incapazes de tocar as sombras daqueles que se encontram prisioneiros das entranhas da cidade.
“Deixem Passar o Homem Invisível” não é, porém, uma alegoria platónica invertida. É um romance cujo pretexto assenta num desejo de salvação. E que, ao contar a história desse desejo, lhe vai acrescentando outras histórias. Precisamente aí, na cerzidura desse tecido complexo, a ficção enfraquece. Melhor a tecer a frase do que as personagens, a desconstruir o esqueleto do que a dar-lhe forma. Rui Cardoso Martins oferece-nos uma obra com as costuras à vista. E nisso reside o busílis. Porque a boa oficina é aquela que não nos distrai com o avesso da mão. Seja qual for a genealogia do artífice. Até porque o lugar-comum de que a “arte de contar” vive mais da arte do que daquilo que conta não passa disso mesmo: um lugar-comum. Aguarda-se o próximo trabalho.
32 actual 25 Julho 2009 Expresso

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sexta-feira, julho 24, 2009

António Martinó de Azevedo Coutinho

MASSACRE (S)EM DÓ MAIOR
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Felizmente, há Vida para além desta Cidade.
Por exemplo, há o Cinema. E aqui, n’A Voz Portalegrense, isto é patente. Tanto o Luís Filipe Meira como o Mário Casa Nova Martins se têm encarregado de nos lembrar esse factor de sobrevivência, pelo menos cultural.
Os mais recentes e apreciáveis escritos sobre o tema aqui disponibilizados coincidiram com uma das minhas regulares possibilidades de actualizar, ao vivo e lá fora, o contacto pessoal com a 7.ª Arte e, sobretudo, com o facto de ter visualizado, em DVD, uma obra que há meses conhecia de forma indirecta, através da BD, das crónicas e das críticas: A Valsa com Bashir.

As memórias da guerra são um tema quase recorrente na história recente do Cinema. Seria incontável e sempre incompleta uma relação dos títulos alusivos, mesmo resumida aos conflitos das últimas décadas, como os do Vietname, da Coreia, do Afeganistão, da Indochina, do Iraque, das guerras quase esquecidas por terras de África, América Latina ou Oceania e, mesmo, da nossa própria Guerra Colonial. Ainda assim atrevo-me a recordar, a simples título de exemplo, Apocalypse Now, O Caçador ou Platoon, entre os títulos estrangeiros, e Inferno (Joaquim Leitão), Os Imortais (António-Pedro Vasconcelos) ou um dos episódios de Non - A Vã Glória de Mandar (Manoel de Oliveira), entre as obras nacionais.
A Valsa com Bashir representa, a vários níveis, uma visão distinta de todas as obras anteriores. Porque é israelita, porque foca um dos massacres mais hipócritas, mais cobardes e mais nojentos do nosso tempo, porque se desenvolve em torno de uma grave questão psiquiátrica relacionada com o stress pós-traumático de guerra e, sobretudo, porque todo o filme (excepto breves sequências finais) é realizado sob a forma de animação.

A maneira radical com que Israel, como País, costuma ser encarado, faz por vezes esquecer que o estado judaico é, a todos os títulos (ou apesar de tudo?), uma Democracia. Um filme como este ajuda-nos a recordar tal evidência, quando a partir “de dentro” se assume a coragem cívica de denunciar a cumplicidade do exército (ou do próprio Governo de Tel Aviv!?) nas “facilidades” concedidas às milícias ou falanges cristãs libanesas quando estas massacraram milhares de indefesos palestinianos, incluindo velhos, mulheres e crianças, encerrados nos campos de Sabra e Shatila, em Setembro de 1982.
O realizador do filme, Ari Folman, é também o seu argumentista e produtor. Aliás, a obra assume uma feição quase autobiográfica, quando se sabe que o autor foi soldado na guerra do Líbano e que, durante mais de vinte anos, o seu espírito se revelou incapaz de recordar com algum rigor as cenas vividas nesses dramáticos dias. Apesar das evidentes intervenções ficcionais, a narrativa cinematográfica procura relatar o duro caminho percorrido por Ari Folman na sua pesquisa quase auto-terapêutica da verdade escondida.

Os enigmáticos meandros da memória, reconstruída a partir dos relatos externos que lhe procuraram e ataram os frágeis laços, constituem portanto a estrutura fundamental do enredo fílmico. Os sonhos misturam-se com as lembranças num todo onde o caos inicial vai dando origem, pouco a pouco, a uma cadeia sequencial e perceptível de factos cronológicos.
A solução desta espécie de jogo vai revelar-se portanto, como num puzzle, através do encaixe das peças que cada depoimento vai fornecendo ao jogador.Com a ajuda de amigos e antigos camaradas de guerra, Ari Folman consegue por fim preeencher os espaços e, sobretudo, os vazios da sua memória. O resultado dessa persistente e penosa diligência traduz-se na corajosa denúncia de um acto cuja desumana atrocidade “explica” todos os esquecimentos. O apoio logístico, militar e político ou, pelo menos, a apática “distracção” protagonizada pelo exército israelita proporcionaram a um bando de bárbaros libaneses o sangrento exercício dos seus baixos instintos.
E é precisamente aqui que nos podemos interrogar sobre a validade da animação como suporte narrativo para um tema de semelhante dureza. Porém, quando durante a projecção do filme quase nos esquecemos (ou nos esquecemos de todo!) de que estamos perante fotogramas desenhados e não fotografados, a dúvida quase perde sentido. Atrevo-me, mesmo, a formular a tese contraditória: a fotografia “realista” poderia transmitir-nos a cor, o ritmo, a densidade, a própria força dramática das cenas (e também dos cenários!), o rigor documental, o intenso jogo das cores e das sombras, a alternância entre a realidade e os sonhos ou entre os desejos e o pesadelo, enfim, o persistente diálogo entre memória e percepção?
Que responda cada espectador. A minha posição perante A Valsa de Bashir é a do deslumbramento.

Já não posso manifestar semelhante entusiasmo perante a versão do filme em banda desenhada. Tinha-a previamente adquirido e apreciado na sua versão em língua castelhana, receoso de que uma edição nacional possa nunca ser disponibilizada. Como é costume...
A primeira e interessante questão que se coloca é a de serem os desenhos aparentemente menos adequados à linguagem fílmica que à da BD. Trata-se de distintos sistemas de linguagem, e Ari Folman fez uma opção, correcta, ao conseguir associar com êxito o filme documental à animação desenhada. E devemos aqui realçar a intervenção decisiva de David Polonsky, também israelita, na sua dupla condição de director artístico e de desenhador chefe da obra fílmica.
Para se entender plenamente a qualidade e o rigor colocados na concretização dos complexos objectivos visados pel’A Valsa de Bashir torna-se necessário apreciar o “making of” anexo à edição da obra em DVD. O papel da equipa gráfica -os artista que desenharam e os que animaram os fotogramas- ganha um valor incontornável quanto ao êxito do trabalho final.

Ainda que a reprodução dos desenhos, com traços e cores primorosamente respeitados, seja perfeita, falta na versão BD o ritmo e o envolvimento da banda sonora, também ela própria premiada em consagrados festivais. Depois, segundo pranchas irrepreensivelmente montadas, consagra-se no álbum um puro estilo “Hal Foster” (autor do Príncipe Valente), de onde foram abolidos todos os signos cinéticos, de onde foram esquecidas todas as onomatopeias...

A uma organização esteticamente brilhante corresponde, por isso, uma leitura funcionalmente inanimada e muda...
A Valsa de Bashir em quadradinhos não representa, a meu ver, uma alternativa ou um complemento ao filme. Quando muito, significa uma colecção de imagens de arquivo, uma tosca espécie de caderneta de cromos...
Mas trata-se, afinal, de um filme e é enquanto tal que o deveremos apreciar. E o seu palmarés oficial é impressionante, sobretudo se considerarmos que nenhum nome sonante das telas, intérprete, realizador, produtor ou empresa lhe está associado.
A Valsa com Bashir significa uma voz incómoda e corajosa de denúncia, na descoberta dos complexos mecanismos que revelam as secretas razões pelas quais muitas vezes nos escondemos de nós próprios.
E é Cinema daquele que vale mesmo a pena conhecer...
António Martinó de Azevedo Coutinho

António Martinó de Azevedo Coutinho


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A Valsa com Bashir

quinta-feira, julho 23, 2009

José Duro

O Poeta José Duro na Revista Plátano
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07 Recordar José Duro no dia do seu 130.º aniversário

07
José Duro
Ângelo Monteiro

13
O «Banco José Duro»
Casimiro Mourato

15
A filosofia de José Duro
Jorge Vernex

25 “Escrevo e Choro”: a poesia de José Duro
Martim de Gouveia e Sousa
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‘Banco José Duro’ em 22 de Outubro de 2005
(in,
Plátano, n.º 2, página 23)

quarta-feira, julho 22, 2009

António Martinó de Azevedo Coutinho

in, Alto Alentejo - 22 de Julho de 2009 - pg. 4
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Caracterizam-se, em termos de apetência cultural, os últimos oito anos em Portalegre como uma “luta contra a maré”. A luta foi protagonizada primeiro por Luís Madeira Pargana, depois por José Manuel Polainas, e essa luta foi sempre contra uma maré de insensibilidade pela Cultura por parte de quem há oito anos vem gerindo os destinos da autarquia Portalegrense.
De facto, o presidente da câmara municipal de Portalegre em nenhum momento teve atenção para com a Cultura em Portalegre. A sua postura perante o que é Cultura é conhecida em todo o concelho. Dir-se-á que “foge da Cultura como o Diabo da Cruz”!
Perante tal situação, causa o maior espanto, e sorrisos de toda a ordem, ao ser escrito no semanário «
Alto Alentejo», na sua edição de hoje e na página quatro, que em relação aos painéis de azulejos da cidade e em relação ao “Banco José Duro”, o «Presidente da Câmara assume resolver problemas»!
Foi no primeiro mandato deste autarca que se destruiu o “Banco José Duro”. Agora “promete” tomar em mãos o assunto.
Está datado também o “desaparecimento” do painel de azulejos, e também agora, passados tantos anos, o edil “promete” tomar o assunto em mãos.
Mas, dados os antecedentes, sabe-se que não vai fazer nada. Apenas referiu estes factos porque se está em pré-campanha eleitoral, e concorre a um terceiro mandato…

Permita-se mais umas linhas.
Todo este “discurso” vem depois do dr.
António Martinó de Azevedo Coutinho ter despoletado a situação quanto ao “Banco José Duro” e aos painéis de azulejos, aqui n’A Voz Portalegrense.
Mas, claro, o dito autarca prometeu resolver estes casos, sem saber que o Ilustre Portalegrense António Martinó tinha encetado a demanda. Aliás, ainda não era presidente da câmara municipal de Portalegre e em mente já tinha o “problema” resolvido!!!

Mário Casa Nova Martins

Fernando Figueiredo Martinho

Capa da 1.ª Edição (primeiro milhar)
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Na página oito da edição de hoje do semanário «Alto Alentejo», em texto não assinado, apresenta-se a versão em Banda Desenhada da peça em quatro actos «O Crime de Arronches», de Henrique Lopes de Mendonça.
Peça de teatro escrita em Colares entre Agosto e Outubro de 1923 (página 148), tem “acção em Arronches – Meado do século XVI” (página 7).
Ao falar-se desta versão em BD, lembra-se o Ensaio de Fernando Figueiredo Martinho sobre esta Obra de Henriques Lopes de Mendonça, escrito na «Plátano – revista de arte e crítica de Portalegre» número 4.
Peça de teatro, BD e Ensaio, a ler!
Mário Casa Nova Martins
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Primeira página do Ensaio
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in, Alto Alentejo - 22 de Julho de 2009 - pg. 8
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terça-feira, julho 21, 2009

Crónica de Nenhures

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A Guerra da Água
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O filme futurista ‘Waterworld’, de e com Kevin Kostner, começa por mostrar o Planeta após os gelos polares se terem derretido e a terra ter submergido, desconhecendo-se se ainda existe alguma parte emersa. A procura de terra seca, Dryland, é o leitmotiv de um grupo liderado por Kostner. Quando se dá a sua descoberta, a terra é deslumbrante, devido à luxuriante paisagem verde e à abundância de água. O herói, que entretanto sofrera alterações genéticas, também tem guelras, regressa ao mar, deixando uma heroína, Jeanne Tripplehorn, apaixonada.
Este épico tem três elementos naturais alvo de cobiça, geradores de lutas, que são a terra seca, o petróleo e a água. Destes, o mais importante é a água potável. E a guerra pela sua posse marcará o século XXI.
Ao longo da História, a guerra teve sempre uma motivação económica. O final do século XX tem disso exemplo no Médio Oriente, a zona mais rica em petróleo, presentemente a matéria-prima mais importante para a Humanidade. A importância negativa para os EUA que foi a queda do Xá do Irão, as invasões do Koweit pelo Iraque, e do Iraque pelos EUA, são disso exemplo. A alta do preço do petróleo, devido à instabilidade política naquela região, assim como a situação política na Venezuela, afectam a economia mundial, hoje globalizada.
Mas, o petróleo é um bem finito, daí a necessidade de alternativas, como a utilização cada vez maior do gás natural. A substituição do petróleo pelo gás natural levará a que os conflitos pela sua posse e distribuição passem para outras regiões, como serão o Norte de África e a Rússia. O Afeganistão é um ‘corredor’ para o gás natural, daí a importância do seu controlo. A emergência da Rússia como potência, diríamos, europeia, tem a ver com a importância das suas reservas naquele bem, que também é finto.
Resta a água, a água potável. A água não é bem escasso, mas a água potável é, e as suas reservas têm vindo a diminuir drasticamente. Mudanças climáticas, deflorestação, exploração intensiva dos solos com produtos químicos, poluição humana e animal, têm, em conjunto, contribuído para deteriorar os aquíferos subterrâneos e dar menos qualidade aos grandes reservatórios artificiais, as barragens, de que é exemplo maior, a falta de qualidade da água da barragem do Alqueva.
Os Povos que tiverem reservas de água potável, serão cobiça daqueles onde ela é escassa. Guerras pela posse das terras em que ela existe em abundância, acontecerão, ou melhor, já estão a acontecer.
Mário Casa Nova Martins

segunda-feira, julho 20, 2009

João Tavares

Capa do Catálogo da ‘Exposição de Obras do pintor João Tavares’, integrada na ‘Homenagem do Liceu Nacional de Portalegre ao seu professor efectivo do 9.º grupo João Augusto da Silveira Tavares aos 22 de mês de Maio do ano de 1973’
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João Tavares foi nosso professor da disciplina de Desenho no então 3.º, 4.º e 5.º ano do Liceu.
Já em final de carreira docente no Liceu Nacional de Portalegre, no antigo Palácio dos Fonsecas Acciaiolis, era uma figura que cativava, quer pela simplicidade do trato, quer pela compreensão quanto à avaliação do final de período, aceitando a inabilidade dos alunos em relação à disciplina, com era, aliás, o nosso caso.
Recordar esta figura de Portalegre, é, também, lembrar uma época da história desta cidade
Mário
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Entrada da Quinta dos Fratéis
(aguarela)
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Arrabalde de Portalegre
(aguarela - 1950)
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Claustro do Convento de S. Clara
(aguarela)

João Tavares

De seu nome completo João Augusto da Silveira Tavares, nasceu em Portalegre em 22 de Setembro de 1908. De seu pai herdou o gosto pela matemática, pelo desenho, a ordenação comandada pela geometria e principalmente um sentido de grande observador e aguda crítica.
Frequentou o então Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, onde concluiria o curso em 1927. Formou-se em Lisboa, em 1929, no Curso do Magistério para professores liceais do 9º grupo. Depois de estagiar no Liceu Pedro Nunes, sendo simultaneamente professor no Colégio Francês, deu entrada em 6 de Outubro de 1932 no Liceu de Portalegre, como professor provisório.
Aqui fez toda a sua carreira, passando a professor agregado eventual em 23 de Agosto de 1934 e a agregado permanente pouco depois. Em 2 de Janeiro de 1935 foi nomeado professor efectivo do 9º grupo, sendo durante vários anos Director das Instalações de Geografia, Desenho e Trabalhos Manuais e Director de Ciclo. Em 19 de Outubro de 1963 foi nomeado Vice-Reitor.
A par da sua carreira de professor nunca deixou de ser o artista de alto sentido estético e em muitas e variadas ocasiões deu a sua colaboração à cidade de Portalegre.
Como aguarelista a sua obra é vasta e valiosa. Os seus temas preferidos foram sempre os aspectos típicos das cidades e vilas. O Porto, Portalegre e seus arredores captaram a atenção do pintor numa procura realista, quer na forma, no detalhe ou na cor, raramente caindo no «impressionismo». Reflectindo aquelas primeiras características, de grande mérito é também a colecção de interiores da casa do poeta José Régio.
Foi representante de Portugal na Exposição Internacional de Aguarelas em 1947; 1.ª medalha do Salão do Estoril; 1.ª medalha da Sociedade Nacional de Belas Artes; 1.º e 2º prémios Roque Gameiro.
A instalação da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre fez com que o aguarelista se transformasse em poucos anos em puro cartonista. Diria então que «a disciplina requerida para a feitura de cartões para tapeçaria é antagónica à liberdade da aguarela».
João Tavares fez o primeiro cartão - «Diana» - que viria a ser interpretado, dando origem à primeira tapeçaria portuguesa no ano de 1948. Nos muitos cartões que depois se lhe seguiram João Tavares é sempre um figurativo, que sabe melhorar a sua expressão estética, adaptando-se progressivamente às exigências da tapeçaria e acabando por obter por simplificação de formas, perspectiva plana, o enquadramento para o emprego da sua paleta característica.

sábado, julho 18, 2009

Luís Filipe Meira

ESPÍRITO de VERÃO - I
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(…) E Verão! Há calor no ar e cheiro a festa. É tempo de férias e lazer. A cidade, o país, o mundo movimentam-se em busca da felicidade (…)
Era com este genérico que começava o programa ‘Espírito de Verão’ que eu há muitos anos atrás animei na sempre saudosa Rádio São Mamede. A leveza com gosto da silly season, pontuada por assuntos mais sérios, marcava as manhãs de domingo entre as 9 e as 13 horas.
Confesso que enveredei por este caminho, porque ontem, quando entrei de férias, senti alguma nostalgia de tempos vividos. Paradoxalmente, o verão – à medida que a idade avança – torna-se mais nostálgico porque não temos as mesmas armas para entrar em jogo, e é cada vez mais difícil encontrar a felicidade onde já fomos felizes. Posto isto, e sem levezas nem demasiada nostalgia, vou tentar reeditar neste espaço o Espírito de Verão.
Por estes dias a violência voltou à Irlanda do Norte, confrontos entre católicos e protestantes têm incendiado as ruas de Belfast desde segunda-feira. Os moderados do Sinn Féin acusam os dissidentes radicais do IRA de estarem na origem dos confrontos. Estes confrontos intuem a primeira sugestão:
Hunger é um filme magnífico. Primeira obra do artista plástico Steve McQueen, venceu a câmara de ouro em Cannes e chegou recentemente ao formato DVD.
Hunger assenta sobre os últimos meses de vida de Bobby Sands, militante do IRA que faleceu na sequência de uma greve de fome na prisão. Vivia-se o final da década de 70, e a luta dos nacionalistas irlandeses contra o exército britânico – Margaret Thatcher era primeira-ministra – estava ao rubro. A violência de parte a parte era animalesca, e de intensidade idêntica fora e dentro das prisões. Os militantes do IRA, a viverem em condições infra-humanas, utilizavam todos os meios para alcançarem o estatuto de presos políticos, sendo o primeiro passo greve à higiene – os dejectos e restos de comida eram utilizados artisticamente nas paredes das celas – sendo o último a greve da fome.
A forma como McQueen nos mostra a degradação física e psicológica de Sands é arrepiante. Hunger é um filme sobre o sofrimento e mais arrepiante se torna por ser feito a partir de uma realidade sempre crua mas nunca militante.
Hunger é um verdadeiro quadro vivo ou não fosse McQueen um artista plástico.
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A anos luz de Hunger está O Complexo Baader Meinhoff, filme de Uli Edel que vi recentemente em DVD e que nos traz a memória de uma Alemanha aterrorizada pelas Brigadas Baader Meinhoff.
O filme baseia-se em factos reais e isso acaba por lhe dar alguma credibilidade. Foram tempos em que o medo estava presente no dia-a-dia. Vale a pena ver nem que seja para recordar ou ficar a conhecer esses difíceis tempos.
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John William Coltrane
(23 de Setembro de1926 – 7 de Julho de 1967)
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A terminar, é imperativo recordar que a 17 de Julho de 1967 desaparecia com apenas 40 anos – devido a cancro no fígado – um dos mais extraordinários músicos de sempre, John Coltrane. Ontem passaram 42 anos.
John Coltrane tocava saxofone tenor, e o seu nome marcará para sempre a história do jazz em particular e da musica em geral.
John William Coltrane, um musico para todas as estações.
Luís Filipe Meira

quinta-feira, julho 16, 2009

Fonte da Boneca

Roubada(s)
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Fonte da Boneca (1894)
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Foram roubadas na madrugada de terça-feira as figuras que serviam de bica na Fonte da Boneca.
O Património Cultural de Portalegre está mais pobre.

Mário Casa Nova Martins
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