\ A VOZ PORTALEGRENSE: Junho 2009

segunda-feira, junho 29, 2009

Olhando-nos a nós mesmos...

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António Martinó de Azevedo Coutinho
Ó Elvas, ó Elvas, / Badajoz à vista.
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António Martinó de Azevedo Coutinho
Menos vale só do que bem acompanhado
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Mário Silva Freire
Ainda se está a tempo!
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António Martinó de Azevedo Coutinho
Delenda stadium!
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António Martinó de Azevedo Coutinho

Azulejos, painéis e companhia
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António Martinó de Azevedo Coutinho
Olhando-nos a nós mesmos…
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António Martinó de Azevedo Coutinho

José Duro
(in, «A Medicina na Literatura Portuguesa» - N.º 22)

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OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS...
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(Aos Amigos Mário Freire e Mário Casa Nova Martins)
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Acabei de ler o texto Bancos que fizeram História, que o Mário Freire escreveu e o Mário Martins editou no seu (nosso!) blog.
Naturalmente, como portalegrense, não podia estar mais de acordo com o seu conteúdo. Aliás, José Duro e este ostensivo insulto para com as suas vida e obra e para com a própria memória colectiva desta desgraçada terra constituem tema recorrente. No entanto, nunca será suficiente toda a denúncia desta manifestação de “terrorismo cultural” cometida pelo Executivo Municipal, a coberto do alibi POLIS, desculpa para mil outras barbaridades.
Portanto, aqui fica expressa a minha total solidariedade para com os dois responsáveis por mais este testemunho de autêntico serviço público. Permito-me juntar duas imagens ilustrativas do aspecto actual do escondido arremedo, como evidente confissão de dispensáveis remorsos...
Jardim da Corredoura, 2009
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Outro dos objectivos desta minha intervenção, para além do solidário abraço, é a de sugerir a constituição, n’A VOZ PORTALEGRENSE, de uma secção, ou coluna regular, para a qual me atrevo desde já a propor a designação de OLHANDO-NOS A NÓS MESMOS... (óbvia homenagem ao malogrado autor do FEL), onde surgissem os testemunhos de quem quisesse apresentar a sua visão crítica sobre o estado da Cidade.
Seria uma variante, muito mais próxima e autêntica, do formal discurso sobre o estado da Nação.
Estamos em vésperas (se é que não estamos já lá metidos!) de uma campanha eleitoral autárquica e todos os contributos civilizados que derivam do livre exercício do direito de cidadania são úteis e oportunos.
Aos partidos cabe a sua legítima função política e aos candidatos a sua luta cívica pela afirmação das propostas apresentadas. E a nós, eleitores, o que cabe? Apenas ouvir e, depois, decidir em consciência?
Será importante, mas parece-me pouco. Daqui a minha sugestão, que nunca me atreveria a propor num contexto diverso, pois sei o que são os blogs quando usados como palco da mais cobarde e mesquinha calúnia anónima. Aqui, todos os que intervêm têm um nome, podendo subscrever de rosto ao vento aquilo que em consciência pensam e assumem, mesmo quando erram.
O que proponho é uma tribuna aberta e responsável onde a discussão possa constituir informação e -por que não?- também formação. Dos textos originais e dos comentários subsquentes poderá resultar um contributo válido para um esclarecimento cabal da actual problemática portalegrense e, sobretudo, algumas pistas apontadas para o futuro da nossa comunidade.

António Martinó de Azevedo Coutinho

domingo, junho 28, 2009

Mário Silva Freire

BANCOS QUE FIZERAM HISTÓRIA
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Não, não são desses bancos que os leitores estarão a pensar e de que, infelizmente, tanto se fala, nos dias de hoje. Esses, se fizerem História, serão pelas piores razões.
Ora, eu estou a pensar, muito simplesmente, nos outros bancos que existiam em Portalegre, naqueles que servem para nos dar descanso às pernas e, por vezes, à alma mas que, ao mesmo tempo, conseguiam deleitar-nos de várias maneiras.
Uns, em locais aprazíveis, no interior dos jardins, como aqueles que existiam no Jardim do Tarro, eram cómodos, de madeira e aí até apetecia ler um livro, ao ouvir o chilrear da passarada, ou manter uma amena cavaqueira com algum amigo ou conhecido. Agora, nessa zona da cidade, se nos quisermos sentar, teremos que voltar as costas ao jardim e contemplar essa paisagem tecnológica de automóveis a passar, cheirando o que lhes sai pelos tubos de escape ou estacionados, junto a nós.
Outros desses bancos não tinham a envolvê-los a paisagem bucólica do verde das plantas e do chilreio dos pássaros; antes, pelo contrário, estavam junto à zona do negócio das gentes simples que vinham ao Mercado Municipal comprar e vender. Eles, no entanto, continham motivos mais que suficientes para lhes darmos atenção, com vistas panorâmicas da cidade no azulejo que lhes cobria as costas. Pelo menos, um desses bancos, segundo a Prof. Isilda Garraio (Portalegre Azulejaria – um olhar sobre a cidade, ed. Escola Secundária de S. Lourenço, 1998, p.73) era assinado por Arsénio da Ressurreição e datado de 1953.
Outros bancos, ainda, tendo a envolvê-los a paisagem típica de um jardim, como o era o da Corredoura, tinham como motivo de decoração no azulejo “elementos tipicamente ligados ao Alentejo, tais como: habitações, instrumentos ligados às práticas agrícolas dominantes na região, assim como referências à fauna e à flora locais”, citando, ainda, Isilda Garraio.
Queria terminar esta breve crónica com um pequeno poema que diz:

“O livro que ahi vai – obra d’um incoherente –
É um livro brutal, é um poema a esmo…
Pensei-o pela rua olhando toda a gente
Escrevi-o no meu quarto, olhando-me a mim mesmo”


Muitos dos que vivem na cidade, certamente, hão-de ter já identificado o autor desta quadra: José Duro. E lembraram-se do local onde ela estava inscrita: no Jardim da Corredoura. Era em azulejos, num banco por onde as pessoas passavam, se sentavam, liam e recordavam. Esse banco constituía uma homenagem daqueles que foram estudantes no findar da primeira metade do século passado a esse vulto portalegrense da poesia que viveu entre 1875 e 1899. Em vez desse banco, nesse mesmo Jardim, existe hoje um medalhão em local oculto (ou quase), muito maltratado, onde já lhe faltam alguns dos algarismos referentes às datas atrás referidas.
Enfim, para se avançar no futuro é preciso que não se maltrate o passado, principalmente quando ele nos acrescenta dignidade! E Portalegre precisa de avançar!
Mário Freire

sábado, junho 27, 2009

Azulejos



Caros Senhores


Sobre o descaminho de azulejos e elementos arquitectónicos de edifícios históricos nacionais, recomenda-se a consulta ao site americano da actividade comercial do, até á pouco tempo, presidente da Associação Portuguesa de Antiquários, onde se pode observar um inacreditável catálogo de peças desses géneros, actualmente á venda nos E.U.A.

http://www.solarantiquetiles.com/

Não obstante não duvidar da licitude desta actividade, que não ponho em causa, é pertinente interrogarmo-nos sobre quantas destas exportações definitivas de património histórico-artístico com mais de cem anos, é que foram solicitadas, e autorizadas pelos serviços competentes do Ministério da Cultura?
Antiquário que até presta serviços de consultadoria á PJ no programa "SOS Azulejo" (?).


http://mais.uol.com.br/view/7945qmbpogar/tradicionais-azulejos-de-lisboa-sao-cada-vez-mais-roubados-0402306ECC916326?types=A&

Peças que há cerca de duas décadas são sistematicamente furtadas em Portugal por catálogo e por encomenda, por elementos de uma organização criminosa internacional, constituída por bandos de gatunos operacionais, de etnia cigana, e seus associados italianos e dos Países Baixos, que os organizam e distribuem a mercadoria ilícita pelo mercado mundial. Indivíduos sobejamente conhecidos das autoridades judiciais nacionais, e internacionais, e que estranhamente não são eficazmente combatidos. Sendo classificados de um "grupo de ladrões ainda não identificado"!


http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/Reportagem+Especial/2009/1/sospatrimonio.htm

Faz-se entretanto pesquisa na internet, designadamente no site eBay, para alegadamente cumprir e explicar o desempenho de funções, onde se detectam azulejos a vulso, produto da pequena delinquência, e "esquece-se" o impune "comércio a grosso" das obras de arte valiosas.


http://video.msn.com/video.aspx?mkt=pt-br&vid=6f951fda-f648-4302-a426-462c531a269d

Com consideração.

Titanic

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sexta-feira, junho 26, 2009

Terra e Povo

No próximo sábado, dia 27 de Junho, decorrerá em Lisboa a primeira Universidade de Verão da Associação Terra e Povo, que contará com a presença de vários oradores de diversos países.
A recepção dos participantes será feita a partir das 10 horas e os trabalhos iniciar-se-ão às 10:30, prevendo-se que terminem às 17:30.
As inscrições são limitadas e obrigatórias, devendo ser feitas por correio electrónico ou telefone.
O preço é de € 30 e inclui almoço. Associados e estudantes beneficiam do preço reduzido de € 25.

quinta-feira, junho 25, 2009

Azulejos "escondidos" de São Bernardo

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Azulejos “escondidos” em São Bernardo
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Portalegre é uma cidade com Mosteiros. De entre eles sobressai o Mosteiro de São Bernardo, melhor, o Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Monjas da Ordem de Cister. Analisado arquitectonicamente, em Tese de Mestrado, por Domingos Almeida Bucho (1), tem por Teresa Saporiti a sua azulejaria estudada e esse estudo publicado (2).
Em artigo escrito no jornal Alto Alentejo (3), Teresa Saporiti denuncia o crime de lesa Património que é a ocultação por detrás de tabiques de vários painéis de azulejos, e, gravíssimo, «todos eles continuam sem qualquer protecção.» (4). Teresa Saporiti é hoje das pessoas que mais sabe de Azulejaria em Portugal, e considera o conjunto dos painéis de azulejos de São Bernardo uma “obra-prima da Azulejaria Portuguesa do séc. XVIII”. (5)
Se dúvida houvesse acerca da afirmação de Teresa Saporiti, ela desvanecer-se-ia “recorrendo” a uma sumidade na área da História da Ordem de Cister, principalmente na História desta Ordem Monástica em Portugal e Espanha. Por exemplo, Domingos Bucho a ela recorre abundantemente e a cita na Bibliografia.
Os trabalhos sobre Cister de Dom Frei Maur de Cocheril são ainda hoje incontornáveis. «Cister em Portugal» é editado em 1965 pelas Edições Panorama, e pela escrita bela e sedutora do seu Autor prova-se a dado passo a Tese de Teresa Saporiti.
Na primeira referência que faz aos azulejos de São Bernardo, define-os como «os esplêndidos azulejos da igreja.» (6) E, reproduzindo-se as palavras de Frei Maur de Cocheril, fica-se a saber (7):
_ «É tão bela a igreja de São Bernardo de Portalegre! Aí se encontra o túmulo de Monsenhor Jorge de Melo, um belíssimo túmulo digno do faustoso e altivo prelado que a mandou construir.
Prefiro no entanto os azulejos que contam a vida de São Bernardo e a de São Bento.
Vi muitos azulejos em Portugal, e nas nossas abadias, quase em todas, encontrei pintadas nos ladrilhos de faiança as vidas dos dois grandes monges. Em parte alguma admirei tão belos como em São Bernardo de Portalegre.
Em parte alguma, também, encontrei uma entrada tão original como o grande pórtico do mosteiro com os seus arcos de pedra abatidos, muito ousados. Abrigam outros azulejos tão belos como os da igreja e uma porta de batentes admiráveis.»
Razão dada a Teresa Saporiti, que quanto antes este Tesouro de Portalegre fique de novo protegido e visível!

Mário Casa Nova Martins

Notas
(1) Bucho, Domingos Almeida – Mosteiro de São Bernardo de Portalegre, Estudo histórico-arquitectónico. Propostas de recuperação e valorização do património edificado, Universidade de Évora, Junho de 1994
(2) Saporiti Teresa – Azulejos do Mosteiro de São Bernardo em Portalegre, Lisboa 2008
(3) Saporiti, Teresa – Estão “escondidos” os azulejos de S. Bernardo, Alto Alentejo 17 de Junho de 2009, pg. 21
(4) Saporiti, Teresa – ob. cit., cl. 2, ls.19 e 20
(5) Saporiti, Teresa – ob. cit., cl. 2, ls.3 e 4
(6) Cocheril, Maur de – Cister em Portugal, Edições Panorama, 1965 pg.85, l.29
(7) Cocheril, Maur de – ob. cit., pg.86, ls.3 a 18

in, Alto Alentejo, 24 de Junho de 2009, Opinião, 25

Teresa Saporiti

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Teresa Saporiti
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Estão “escondidos”os azulejos de S. Bernardo
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Novos espaços quebram o ritmo e a monumentalidade do magnífico espaço da Igreja do Mosteiro de S. Bernardo.
Tabiques instalados na igreja, adaptam-se às funções museológicas e a exposições realizadas recentemente, e sobrepondo outras obras às autênticas e criadas para o local.
Toda a igreja é revestida a azulejos realizados para revestirem os espaços existentes, alguns datados de 1739. Obra prima da Azulejaria Portuguesa do séc. XVIII, parte dos painéis, com as novas funções atribuídas à igreja, não são agora visíveis.
A partir duma primeira exposição, com um critério de organização muito discutível, de obras do Museu da Presidência, temos agora a Igreja de S. Bernardo a servir de palco para outras actividades.
A exposição “Uma Perspectiva do Teatro da E.S.S.L.” que fez parte das comemorações de 125 anos de existência da Escola de S. Lourenço de Portalegre, ocupou a Igreja do Mosteiro de S. Bernardo.
Mais uma vez, os azulejos foram ignorados - vários painéis continuam tapados com os já referidos tabiques, e todos eles continuam sem qualquer protecção.
É com algum receio, que assisto às novas funções atribuídas à Igreja do Mosteiro de S. Bernardo.
Porquê expôr, aqui, peças de outro museu ou de particulares, quando as autênticas e de S. Bernardo foram retiradas? Porquê não as repor nos seus primitivos locais, e a igreja ser mostrada ao público com as peças que lhe pertencem?
Nos já longos anos em que tenho dedicado parte do meu tempo ao estudo da Azulejaria, tenho assistido não só à destruição, como ao desaparecimento de conjuntos valiosos de azulejos - frontarias inteiras, lambrins, entradas, pequenos painéis, etc. Não só azulejos antigos como azulejos de autores contemporâneos, que se encontram entaipados, por vezes em lugares públicos, assumindo-se como arte pública, mas ignorados pelo público.
Valiosos conjuntos azulejares encontram-se atrás de estantes, tapados com montes de papéis, ou em espaços transformados em arrecadação não só em repartições públicas, como até em museus, tornando-se impossível o seu conhecimento bem como o seu estudo.
Na área da azulejaria, o vandalismo de uns e a ignorância, indiferença ou a ganância de outros tem contribuído para a perda de inúmeros azulejos em todo o país.
Embora no Distrito de Portalegre existam poucos casos não só de azulejaria destruída como de azulejos desaparecidos, está com certeza na memória de todos, o que se passou durante vários anos, com o painel da entrada do Hospital José Maria Grande, obra de destaque da Azulejaria Portuguesa Contemporânea, e com os painéis do Convento de S. Francisco, recentemente devolvidos à cidade pela Fundação Robinson.
Fazer exposições em S. Bernardo, trazer o público e em especial os jovens, que se pretende sejam "educados" para respeitar as obras de Arte, é louvável e são iniciativas actuais de revitalização daquele espaço.
O que não devemos permitir é que os educadores e os técnicos que hoje se ocupam dessas novas atribuições esqueçam (ou ignoram?) o valor das obras existentes no Mosteiro, como é o caso dos azulejos agora tapados.
Já é tempo de todos os portalegrenses, autoridades e cidadão comum, respeitarmos e termos orgulho do nosso património e da magnífica obra que é o Mosteiro de S. Bernardo em Portalegre e o seu conjunto azulejar.

Portalegre Junho 2009
in, Alto Alentejo, 17 de Junho de 2009, Opinião, 21

Teresa Saporiti

Este livro da autoria de Teresa Saporiti, é um documento sobre a arte do azulejo no distrito de Portalegre.
De cuidada apresentação, é um documento histórico desta região, tão carente destes escritos.
Mário

terça-feira, junho 23, 2009

Desiderata


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Desiderata
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Há uma versão em português editada em vinil e em cassete, mas que nunca vimos.
Conhecemo-la numa Aula de Religião e Moral, no nosso sétimo ano do Liceu.
Era Professor o nosso Querido Amigo Padre José Dias Heitor Patrão, e ouvimo-la num gravador.
Mário

quinta-feira, junho 18, 2009

Biblioteca Municipal de Portalegre


Biblioteca Municipal de Portalegre

terça-feira, junho 16, 2009

António Ventura

António Ventura

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A Maçonaria no Distrito de Portalegre
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(…) A partir de 1990, a investigação universitária começou a investir neste objecto de estudo (a Maçonaria), mesclando-se aqui interesses comuns às instituições maçónicas e aos investigadores: as instituições maçónicas compreendem que a divergência entre as realidades da Maçonaria e a sua imagem pública é um handicap a considerar na sua vontade de alargar a base de recrutamento e de responder aos ataques de que foram e são alvo; os investigadores vêem neste grupo de partilha específico um vasto território de pesquisa, na verdade um case study, que ainda necessita de ser decifrado, já que os documentos disponíveis estão parcialmente por explorar ou não estão contextualizados. Esse esforço de exploração e de contextualização dos elementos documentais é realizado com inequívoca proficiência científica pelo Professor Doutor António Ventura em A Maçonaria no Distrito de Portalegre. (…)
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E entramos agora mais concretamente no trabalho de António Ventura: de facto, A Maçonaria no Distrito de Portalegre inscreve-se nesta nova perspectiva, utilizando com total disponibilidade as competências do historiador contemporâneo. E deve dizer-se que as de António Ventura são muitas e sólidas.
Em primeiro lugar é importante assinalar que estes trabalhos de investigação de regiões delimitadas geograficamente são tão importantes para se construir a verdadeira História da Maçonaria, instituição criada no Século XVIII na Inglaterra por um conjunto de gentlemen que partilhavam interesses e objectivos comuns, como os de índole mais abrangente. Penso mesmo que estas obras são indispensáveis, que sem elas é praticamente impossível chegar àquilo que poderíamos apelidar de grande História.Passo a passo, degrau a degrau, se organiza o discurso histórico. Afinal, qual é modo que a Maçonaria tem de estar na História, de a influenciar e de ser influenciada por ela? É justamente através do labor dos seus obreiros, desde os Aprendizes aos Mestres, das Oficinas de que são membros e das Obediências que as congregam. Saber nos difíceis tempos que correm como se manifestava esse labor, esse élan transformador, que levou, no distrito de Portalegre e noutras regiões, ao aparecimento de Triângulos e Lojas parece-me ser de suma importância.
A certo passo do seu estudo, lamenta-se António Ventura de que ele tem lacunas. Essas lacunas não são da responsabilidade do autor, que se empenhou com todas as armas ao seu dispor a investigar tudo o que havia para investigar, mas devidas à confusão e mesmo à ausência de informação cabal sobre homens e factos.
Impõe-se dizer que, para acreditar neste lamento, que é sincero, temos nos apoiar mais na afirmação de António Ventura, fruto da sua honestidade intelectual, do que no discurso que lemos, já que este está organizado de uma forma plenamente conseguida, assegurando sempre uma extraordinária fluidez de leitura, quando não até prazer ao atingir muitas vezes uma rara elegância estilística. Vê-se que o historiador, embora sem esconder as suas convicções, a sua paixão, soube, como lhe competia, respeitar plenamente os critérios de exigência científica e literária que hoje em dia um trabalho deste tipo exige.
Outro aspecto sobressai: é inegável a riqueza, a extraordinária profusão, de informações fundamentais que A Maçonaria no Distrito de Portalegre providencia. Isso permite ao leitor apreender um quadro excepcionalmente vasto e rigoroso das actividades maçónicas e dos homens que as praticaram na zona que corresponde hoje ao Distrito de Portalegre. Bastaria passar os olhos pelos títulos dos capítulos e das suas subdivisões para nos apercebermos desse traço, tão evidente ele é.
Efectivamente não conheço, e não creio que isso se deva a ligeireza da minha parte, outro trabalho tão definitivo no campo de investigação escolhido pelo autor. Desde obreiros a oficinas, nada fica por esmiuçar e por enquadrar no panorama mais geral da vida social e política portuguesa, com a particularidade de que, sendo o período estudado aquele que medeia entre 1903 e 1935, há referências muito importantes a factos e pessoas ligados à Maçonaria nos Séculos XVIII e XIX nesta região.
Diga-se, a propósito, que a Introdução, naturalmente sintética, como é conveniente que seja, se mostra particularmente esclarecedora quanto ao aparecimento da Maçonaria em Portugal e às vicissitudes que se viu obrigada a sofrer, quer devido a dissenções entre os seus membros provocadas por questiúnculas políticas quer devido às perseguições e ultrajes a que esteve sujeita.
As biografias, à volta de 300, tão completas quanto o permitem os materiais de consulta disponíveis, dão-nos a ideia da origem social dos maçons, permitindo chegar a conclusões muito importantes para perceber um aspecto essencial da Ordem: a estruturação do seu espaço social. Escreve António Ventura, a propósito da composição social das Lojas que trabalharam no Distrito de Portalegre no Século XX: “É evidente o peso determinante de uma pequena e média burguesia, com comerciantes, militares, proprietários, professores, médicos e funcionários públicos. Os trabalhadores manuais estão praticamente ausentes”.
Eis uma característica que é indispensável assinalar: daqui se retira a ilação, tantas vezes esquecida, de que a Ordem esteve sempre ligada àqueles sectores da sociedade que são mais vitais para a prossecução dos ideais de progresso e de democracia. (… )Por outro lado, ressalta da leitura desses dados biográficos a actividade benemérita que é apanágio da vida de muitos maçons, assim se compreendendo até que ponto, para eles, a intervenção social correctora de desigualdades é fundamental no seu modo de estar no mundo.
São inúmeros os Maçons que têm responsabilidades em associações culturais e cívicas ou que se dedicam a actos de pura beneficência em prol dos mais desfavorecidos. É ainda notável, pela cópia de informações recolhidas, o modo como António Ventura segue o nascimento, a vida e a morte dos Triângulos e das Lojas do Distrito, bem como a definição de expressões e conceitos de que se serve ao longo do livro.
Esta obra, que na sua estrutura apresenta uma clara vocação enciclopédica, fica portanto com um marco singular nos estudos maçónicos, à qual será obrigatório recorrer para se poder formular uma ideia correcta do modo como a Maçonaria Portuguesa foi criada e evoluiu.
A António Ventura, como mero leitor interessado neste tema e como praticante da Arte Real, quero agradecer este contributo para a compreensão da História da nossa Ordem, afinal para a compreensão das razões que ainda hoje levam tantos homens e mulheres a aderirem, sem cuidarem de riscos e calúnias, aos supremos valores da Tolerância e da Liberdade de Consciência e aos ideais da Igualdade, da Liberdade e da Fraternidade.
É que a Maçonaria, permitam-me que aqui o diga sem rodeios, citando de memória o Grão-Mestre António Reis é, por definição, uma escola de valores éticos ou, se quisermos citar um ritual, um espaço de convívio único “onde se ensina ao iniciado a arte de pensar e de descobrir por si próprio os elementos da sua convicção”. A instituição maçónica nunca será produtora de efeitos de fechamento dogmático. O seu sentido não é identificável senão em termos puramente subjectivos: cada Maçon construi-lo-á e daí retirará as devidas implicações práticas, em função da sua própria trajectória, em relação ao grupo (a Loja, a Obediência, a Ordem) no seio do qual organiza as suas experiências. (…)
Permitam-me que termine esta breve apresentação de A Maçonaria no Distrito de Portalegre sublinhando o imenso trabalho de pesquisa realizado por António Ventura: há obras que se arrogam de objectivos bastante mais vastos e cujos autores estão longe, muito longe até, de terem tido os cuidados e de desenvolverem os esforços de investigação que nesta se revelam de forma tão categórica.
Muito obrigado, portanto, ao Professor Doutor António Ventura pelo seu excepcional trabalho e a todos os presentes pela atenção que quiseram dispensar a estas considerações. Corro mesmo o risco de afirmar que são despiciendas perante a ambição, a qualidade e a importância do livro.
Salvato Telles de Menezes

domingo, junho 14, 2009

Mário Silva Freire

O PROFESSOR REIS PEREIRA
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Fui ver, na Galeria de Exposições da Câmara Municipal de Portalegre, uma exposição de pintura de homenagem ao Professor Reis Pereira, comemorando os 80 anos da sua vinda para a cidade de Portalegre. Esta minha ida à exposição fez-me evocar alguns dos momentos, como aluno desse Professor.
Ele esteve em Portalegre entre 1929 e 1962, como professor de Português e de Francês do Liceu, e foi nesta cidade que escreveu a maior parte da sua obra poética e em prosa com o pseudónimo de José Régio.
Recordo, ainda, a sua figura pequena e de faces angulosas, ao entrar na sala de aula. Os alunos levantavam-se, como mandava a boa educação daqueles tempos. Depois, começava a aula. E a aula iniciava-se pelo folhear lento da caderneta, aquele livrinho, estigmatizado por todos nós, onde se assentavam as nossas classificações ao longo do ano, quer das chamadas orais, quer dos exercícios escritos.
Lembro-me que, começando o folheio pelo princípio da caderneta, nós, alunos, sabíamos em que posição da turma o professor ia e, como tal, estávamos a par, em tempo real, como agora se diz, da nossa possibilidade de nos deslocarmos até à secretária. Confesso que aqueles momentos, da passagem lenta das folhas da caderneta, eram de grande ansiedade! Tomada a decisão sobre quais os contemplados a serem chamados, seguia-se o alívio para a maior parte da turma. Tinha escapado a uma prova de força. Mas a vez daqueles que agora se tinham livrado chegaria!
O que é que este ritual muito frequente, com as emoções que suscitava, nas aulas de Reis Pereira, pretende significar? Significava que ele, como professor, era muito respeitado mas não provocava especial simpatia. Nem, tão pouco, a procurava.
A sua exigência não enganava ninguém e isso obrigava-nos a sermos cuidadosos naquilo que dizíamos e naquilo que escrevíamos. Mas essa exigência era temperada pelo empenhamento que punha em actividades fora da escola, como a de organizador de récitas, em que colaborava informalmente com os alunos.
Mas foi essa exigência dentro da sala de aula que melhor conheci no Professor Reis Pereira e que muito me ajudou quer a organizar os meus processos mentais através da análise sintáctica das orações, quer a abrir novas dimensões à imaginação e à criatividade através da interpretação dada a um texto.
Nunca me esquecerei, a propósito das figuras de Cristina e Madalena, em A Morgadinha dos Canaviais, da distinção que ele nos propôs que fizéssemos entre o que era ser uma mulher bonita e uma mulher bela, aplicadas por Júlio Dinis, respectivamente, àquelas figuras.
Por outro lado, não sei se ele andava a par das modernas teorias pedagógicas; no entanto, aplicava muito frequentemente aos alunos o Efeito de Pigmalião que diz que o formular expectativas elevadas em relação ao aluno, faz com que este tente concretizar essas mesmas expectativas junto do professor. Quantas vezes ele me escrevia no final dos meus pontos: “Suficiente… mas esperava melhor!”.
Esta minha visita à exposição foi uma incursão na minha adolescência que me trouxe uma certa nostalgia mas, também, uma saudosa e grata recordação de um Professor que nunca esqueci.
Mário Freire

José Régio


Maria Bethânia - Cântico Negro

sexta-feira, junho 12, 2009

O traidor come à nossa mesa

Sertório vence todos os generais que Roma envia para o combater.
Os Lusitanos estimavam-no muito.
Perpena, mau e invejoso, matou-o à traição, durante um banquete.

in, Caderneta de Cromos História de Portugal (APR) - Cromo 11

Roma paga a traidores

O Romanos faltam ao acordo de paz firmado com Viriato, e de novo lhe abrem luta.
Como tornassem a perder, resolvem, então, subornar três companheiros do valente montanhês, que matam o seu chefe, enquanto ele dorme.
Só desta forma vil os generais romanos conseguem vencer Viriato.
in, Caderneta de Cromos História de Portugal (APR) - Cromo 10
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Há um ditado popular que diz: - Roma não paga a traidores.
Mas, será mesmo assim?
Recorrendo à memória histórica, há que lembrar a morte de Viriato.
Mário

quinta-feira, junho 11, 2009

Eternas Saudades do Futuro


O João, Honrou-nos.

Caro
João, acredite que, nas alturas certas, sempre os tive! E terei.
Bem-Haja.
Abraço.

Mário

quarta-feira, junho 10, 2009

Sport Lisboa e Benfica

Ao Diogo
Ao
Kruzes Canhoto
Memória de um Tempo de Glória!
Mário

Troféus

terça-feira, junho 09, 2009

Crónica de Nenhures

VOTANTES
2004 – 3.397.642 (38,75%)
2009 – 3.560.442 (36,86%)
“Saldo” + 162.800
A abstenção é maior em 2009 do que em 2004.
O número de votantes inscritos nos cadernos eleitorais é superior em 2009 em relação a 2004.
Em 2009 votaram mais 162.800 eleitores.

BE
2004 – 167 .097 (4,92%)
2009 – 381.941 (10,73%)
“Saldo” + 214.844
“Crescimento” – O crescimento percentual foi de 5,81%, e de votantes 214.844.
Em termos reais o BE cresceu 128,57%

PCP
2004 – 308.986 (10,66%)
2009 – 379.651 (9,09%)
“Saldo” + 70.665
“Crescimento” – O crescimento percentual foi de 1,57%, e de votantes 70.665.
Em termos reais, o PCP cresceu 22,87%

PNR
2004 – 8.114 (0,24%)
2009 – 13.037 (0,37%)
“Saldo” + 4.893
“Crescimento” – O crescimento percentual foi de 0,13%, e de votantes 4.893.
Em termos reais, o PNR subiu 60,08%.
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Quando na Rádio Portalegre afirmámos que o voto útil à Esquerda era em Ilda Figueiredo e Miguel Portas, e à Direita em Humberto Nuno de Oliveira, estávamos a perceber que o Povo Português se mostrava descontente pela posição do “centrão europeu”, PS, PSD e CDS.
Hoje, é possível afirmar que os grandes vencedores das ‘Europeias – 2009’ são o BE, o PNR e o PCP. O crescimento real destes partidos é 18,61% para os Comunistas, 18,61% para os Nacionalistas e de 56,25% para os Trotskistas-Estalinistas (curiosa amálgama de “inimigos”).
A campanha de Humberto Nuno de Oliveira foi um acto de Cidadania. A sua cultura, inteligência e respeitabilidade deu frutos. O crescimento do PNR neste acto eleitoral a ele se deve.
Sociologicamente, Portugal é um País que vota tradicionalmente à Esquerda. A mesma Esquerda controla todos os sectores da cultura e da comunicação social. Partidos de Direita, como o CDS e o PNR, têm as maiores dificuldades em fazer passar as Mensagens. Também o “politicamente correcto”, “visto de Esquerda”, é uma forma de Ditadura contra a Direita em Portugal.
O Bom Combate continua. Seguem as Eleições Legislativas. Que venham!
Mário Casa Nova Martins

Sport Lisboa e Benfica

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BENFICA - VENCER! VENCER!
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Como defendêramos, há eleições antecipadas no Sport Lisboa e Benfica!
O actual estado das coisas exigia que assim acontecesse.
Agora há que surgir uma frente comum, em lista única, que vença o satus quo.
Com a actual Direcção demissionária, e marcada que está a data das eleições, 3 de Julho próximo, o Sport Lisboa e Benfica tem que parar todas as contratações em curso, quer de treinadores, quer de jogadores. Quem se demite não tem legitimidade para andar a fazer contratações!
VIVA O BENFICA!
Mário

domingo, junho 07, 2009

Memórias


O texto que publicamos no postal anterior viu a luz do dia no semanário «O Distrito de Portalegre» a 6 de Junho de 2003, página 7. Agora apenas fizemos ligeira actualização.
O que relatámos é um Mundo que já não existe. A própria Cidade já não existe. Passados estes anos, e principalmente no último lustro, a Cidade viu acabar a sua indústria centenária, os lanifícios, vê fábricas a fechar, o comércio em crise, a população envelhecida, sem indústria, sem agricultura, sem turismo de qualidade, sem futuro. Cidade sem elites, está num processo de falência administrativa, cultural e fundamentalmente cívica.
Dos lugares de que falamos, hoje existe um descaracterizado David, e o Capote, mas já sem a frescura daquele tempo. O Café Alentejano, lindíssimo, vive uma agonia lenta, o Café Central está irreconhecível, enquanto o Café Tarro continua sem conseguir recuperar o brilho de outrora.
De facto, a Feira das Cerejas de 1974 já foi diferente, a ponto de dela não guardarmos nada de significativo. A porca da política tudo dominava, a começar pelo fim de longas amizades e começo de outras.
Mário

Crónica de Nenhures

Feiras - Memórias - Tradições
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As novas gerações não sabem o que representava para o concelho de Portalegre, nas décadas de sessenta e meio de setenta de 1900, as três feiras que ao longo do ano se realizavam. A primeira era móvel, na última quarta-feira de Janeiro e chamava-se Feira dos Porcos, e as outras duas com data fixa eram a Feira das Cerejas a 5, 6 e 7 de Junho, e a Feira das Cebolas em 13, 14 e 15 de Setembro. De perto e de longe vinha gente negociar, e a cidade enchia-se de animação. Recordo com fraca nitidez as feiras quando se estendiam pelo Jardim da Avenida da Liberdade, com as suas belas iluminações. Mas é do tempo em que se realizavam no Largo do Estádio Municipal, hoje Praceta João Paulo II, que a minha memória está mais viva.
Passados trinta e seis anos desde o último em que a todas assistira, nas vésperas de ir para Coimbra, o que resta dessa época? Um vazio! Todos os meses há um mercado franco que abastece de toda uma série de produtos a preços medianos e qualidade duvidosa o concelho, aparecendo nos últimos tempos espanhóis da raia. Com o acentuar da quebra do poder de compra das gentes de Portalegre, este mercado desempenha cada vez mais importante papel nas economias domésticas locais. Contudo, o sítio onde se realiza, nos chamados Assentos é deplorável para vendedores e compradores, isto é, infra-humano no Inverno e Verão, medíocre na Primavera e Outono, pese embora o recinto tenho sofrido uma requalificação. Entretanto, as três grandes feiras perderam todo o significado, confundindo-se hoje com pequenos mercados.
Quando se é jovem, teenager, feiras, festas e romarias ficam para sempre na memória. Anos depois, surge a nostalgia e a saudade. Júlio Dantas escreve na Ceia dos Cardeais que recordar é viver, transformar n’um sorriso o que nos fez sofrer, ressurgir dentro d’alma uma idade passada.
Mas, recordar não será também lembrar o que nos fazia feliz? Para o estudante daqueles anos sessenta e setenta, as feiras em Portalegre marcavam no calendário momentos distintos. A Feira dos Porcos passava despercebida, porque durava apenas um dia, não tinha divertimentos e quase sempre chovia. A Feira das Cerejas antecipava o início das férias grandes e do Verão. A Feira das Cebolas antecedia o Outono e o começo de novo ano lectivo. Além destes pormenores, a Feira das Cebolas durava precisamente os três dias, porque os feirantes tinham que ir para a Feira de São Mateus em Elvas, a mais importante da região, enquanto a Feira das Cerejas se prolongava para além dos habituais, porque até à Feira de São João em Évora ainda faltava algum tempo.
Se já não havia a tradição de estrear fato novo pela feira, o hábito de andar rua acima rua abaixo nunca se perdeu, tal como comprar torrão de Alicante, massa frita ou petiscar nos restaurantes, andar em carrosséis, aviões, carros de choque, ir ao poço da morte ou ao circo quando este também estava.

Hoje 7 de Junho, terminaria mais uma Feira das Cerejas. Dela apena resta a data a memória do passado. E ao relatar factos de juventude, vieram à memória as diferenças entre a Feira das Cerejas de 1973 e a de 1974. Além dos três dias oficiais funcionava em pleno no quarto, e só depois é que começava lentamente a desmontar-se, e os últimos feirantes a partir eram, felizmente, os dos divertimentos.
Os testes já tinham sido feitos, a matéria dada e as aulas estavam a terminar, sempre a onze de Junho. A Piscina Municipal abrira no Dia da Cidade, a 23 de Maio, o Cine-Parque reabria, a transição para o Verão cumpria calendário, enfim, eram dias de puro prazer. Gozávamos aquele final de ano escolar habitualmente, sem preocupações com o futuro. Aliás, com o Armando Malcata e o Fernando Carita, iríamos passar o mês de Julho a Monte Gordo, sozinhos!, numa tenda dos pais do Fernando José no Parque de Campismo, à saída para Vila Real de Santo António e frente a um areal magnífico e um mar calmíssimo.
Com o Fernando, o Armando e o Augusto Cebola formávamos um núcleo duro de Amigos que o tempo pôs à prova. Celebrávamos a boa mesa, não falhávamos acontecimentos mundanos, e não tínhamos compromissos, vulgo namoros..., como acontecia com o António José Graça, Francisco Marcão, Luís Afonso ou Luís Filipe Meira. Além destes, estávamos com o Carlos Alves, Carlos Vintém, João Vintém, Joaquim Conde, Jorge Bezerra, Jorge Serra, Manuel Carlos Mendes, Mário Alegre ou Rui Jónatas, nos sítios habituais, Alentejano, Central, Tarro, e também Capote, Catacumbas do Marchão, David, João dos Bigodes, Plátano, Romualdo, enfim!...
E como esquecer cumplicidades e a amizade da Fany.
Que dias inesquecíveis os da Feira das Cerejas de 1973, de terça-feira 5 a sexta-feira 8! Foi a última de um ciclo. Quanto à do ano seguinte, tudo seria diferente.
Mário Casa Nova Martins

Sport Lisboa e Benfica

Resumo de todos os jogadores que até esta data já foram falados esta época para ingressar no Sport Lisboa e Benfica:
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Guarda -Redes:
Kameni (Espanyol)
Bruno (Flamengo)
Mandanda (Marseille)
Espinoza (Standard)
Navarro (Independiente / San Lorenzo)
Mariano Andújar (Estudiantes)
Julio Cesar (Belenenses)
Cavalieri (Liverpool)
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Defesa Central:
Felipe Lopes (Nacional)
Roland Juhasz (Anderlecht)
Van Buyten (Bayern)
Jorge Andrade Chicão (Corinthians)
Ricardo Carvalho (Chelsea)
Thiago Heleno (Cruzeiro)
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Defesa Direito:
Patric (São Caetano) - Contratado
Gamiette (Stade Reims)
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Defesa Esquerdo:
Mathieu (Toulouse)
Alvaro Pereira (Cluj)
Marek Cech(West Bromwich)
Shaffer (Racing)
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Médios (Defensivo Centro; Centro; Avançado Centro):
Verdu (Deportivo)
Fernandinho (Shakhtar)
Ruben Micael (Nacional)
Enevoldsen (Aalborg)
Dernis (Saint-Etienne)
Yacob (Racing)
De Guzman (Deportivo)
Cleber Santana (Mallorca)
Geoffrey Dernis (Saint-Etienne)
Regula (Setúbal)
Raffael (Hertha)
Bruno Simão (Dinamo Bucareste)
Maicosuel (Botafogo)
Culio (Cluj)
Ramires (Cruzeiro)
Buonanotte (River Plate)
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Extremo Direito:
Biseswar (Feyenord)
Alex Witsel (Standard)
Moussa Sissoko (Toulouse)
Eliseu (Malaga)
Ignacio Piatti (Gimnasia)
Moullec (FC Nantes Atlantique)
Quaresma (Inter / Chelsea)
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Avançado:
Miccoli (Palermo)
Ismael Blanco (AEK)
Szalai (Real Madrid B)
Afonso Alves (Middlesbrough)
Nené (Nacional)
Luis Garcia (Espanyol)
Benitez (Santos Laguna)
Djebbour (AEK)
Gomis (Saint-Etienne)
Diogo (Olympiakos)
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By mail from Coimbra

sábado, junho 06, 2009

Fernando Pessoa

Lançamento O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa‏
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No dia de 19 de Junho, pelas 19h, a editora 101 Noites apresenta o audiolivro O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa lido por Filipe Vargas.
Integrado no Festival Silêncio!, o lançamento contará com a presença do actor que lerá alguns excertos do conto.

O Banqueiro Anarquista integra a colecção de audiolivros “Livros Para Ouvir” que alia o prazer de ler ao prazer de ouvir. Convidamo-lo a descobrir ou redescobrir os melhores contos da literatura mundial lidos por grandes actores portugueses e ilustrados com música de Alexandre Cortez.
De uma actualidade surpreendente, este delicioso conto constitui uma das obras narrativas mais emblemáticas da vasta obra pessoana. Num estilo incisivo e imbuído de ironia, a personagem paradoxal do banqueiro discorre sobre o ideário anarquista. Publicado pela primeira vez em 1922 na revista Contemporânea, O Banqueiro Anarquista é considerado um dos melhores textos ficcionais de Fernando Pessoa.
Escute, leia e comprove que as grandes histórias ficam no ouvido.

Goethe-Institut Portugal» Campo dos Mártires da Pátria, 37 (Lisboa)
Título: O Banqueiro Anarquista
Autor: Fernando Pessoa
Lido por: Filipe Vargas
PVP: 13.90€
Editora 101 Noites

sexta-feira, junho 05, 2009

Luís Leite Rio

Luís Fernando Correia Leite Rio
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Luís Leite Rio

Conjurado – Conspirador, que reage e que se insurge
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Recordar a acção dos ditos "40" conjurados que em 1 de Dezembro de 1640 derrubaram a dinastia castelhana, é tradição desde o tempos do saudoso Sr. D. Duarte Nuno de Bragança, verdadeiro Português, esconjurado pela República, e que, de forma esclarecida soube manter viva, junto de muitos portugueses, a chama e a esperança de um dia ser devolvida ao povo de Portugal a democrática forma monárquica de governo do estado.
Em plena ditadura Salazarista e Republicana, de forma bastante discreta, (a possível para a época), alguns defensores da Monarquia como a melhor forma de organização do estado, juntavam-se para jantar conjurando, discutindo estratégias, formas de combater o governo e a República, mostrando que havia alternativas e esperança.
Na época juntavam-se, técnicos, intelectuais, artistas e alguns (poucos) membros da nobreza de Portugal, não conformados com o caminhar do país e que honesta e convictamente se esforçavam para derrubar a republica ditatorial e acreditando, talvez ingenuamente, que seria possível, com o apoio popular, reimplantar a Monarquia Portuguesa.
Hoje, caída a ditadura mas não a república, quando ainda seria possível discutir as vantagens de uma Monarquia, quando seria necessário desmistificar toda a encenação montada pelo capital e pela falsa nobreza em torno da instituição real, continuam a fazer-se os "Jantares de Conjurados", mas maioritariamente por Esconjurados.
Cidadãos maioritariamente republicanos que com uma coroa ao peito e um autocolante no carro, desprovidos de qualquer real convicção, aproximam o seu ego de uma corte inexistente, de um titulo nobiliárquico, caduco, quase sempre inválido e na maioria dos casos duvidoso. Alguns, muito poucos, realmente monárquicos pactuam com a pantomina, talvez por paixão que sempre é cega…
Cautelosamente ninguém se levanta por um Rei Português, nem mesmo o possível herdeiro se apresenta como alternativa, só como capa de revista…
Esconjuraram-se os portugueses que por obrigação histórica e familiar deveriam defender a instituição real e o país, esconjuraram-se aqueles que por reflexão consideram a monarquia como uma alternativa e possível, esconjuraram-se os responsáveis da própria instituição pela manutenção dos ideais.
O acessório é hoje o essencial. A festa o social e a aparição nos média transformaram-se no principal objectivo dos ditos monárquicos, em detrimento da alternativa, da solução do País.
Bom proveito para o jantar dos esconjurados.
Viva o Rei. Viva a Rés Pública.
Luís Leite Rio

quinta-feira, junho 04, 2009

3.ª Conferência Nacional da Sesta

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quarta-feira, junho 03, 2009

Tapeçarias de Portalegre

MUSEU DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
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EXPOSIÇÃO
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NÓS NA ARTE
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TAPEÇARIA DE PORTALEGRE E ARTE CONTEMPORÂNEA
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Palácio de Belém
29 de Abril-31 de Julho
Terça a Sexta-Feira
14h00-17h30
Sábados-Domingos
10h00-17h30
Tel: 213614660

O Museu da Presidência da República, em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre e o Museu da Tapeçaria de Portalegre-Guy Fino, tem patente ao público até ao próximo dia 31 de Julho a exposição “Nós na Arte-Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea”, que estará patente no Palácio de Belém.

O projecto expositivo organiza-se ao longo de três núcleos distintos no Palácio de Belém. Pretendem-se expor os cartões originais dos artistas plásticos que viram as suas obras reproduzidas, os desenhos de tecelagem e o trabalho final em tapeçaria, mas também uma referência ao processo de tecelagem.

A exposição “Nós na Arte- Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea” vai contar com alguns dos mais notáveis trabalhos de tapeçaria realizados desde a década de 1940 tanto na vertente expositiva como na sua aplicação enquanto objecto do domínio das artes decorativas. De entre os vários artistas presentes, destacamos as obras de Vieira da Silva; Almada Negreiros; Júlio Pomar; Júlio Resende; José de Guimarães; Carlos Botelho; Camarinha; Le Corbusier; Cargaleiro ou, de entre os mais jovens, salientamos Rui Moreira e Rigo.

As Tapeçarias de Portalegre são hoje reconhecidas nacional e internacionalmente como um produto artístico cultural português, de valor singular. Esta iniciativa tem por objectivo chamar a atenção para este património nacional, bem como para a sua salvaguarda e valorização.

terça-feira, junho 02, 2009

Patrícia Azevedo

Caros Amigos,
Reencontrem as pessoas de Portalegre que não vêm há muito tempo.
Aqueles que foram para fora, trabalhar ou estudar.
Inscrição em:
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Rede exclusiva para residentes e ex-residentes de Portalegre.
Foto de Perfil de rosto bem visível.
Divulga este projecto, inscreve-te e trás os teus Amigos.

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