\ A VOZ PORTALEGRENSE: José Dias Heitor Patrão

sexta-feira, outubro 02, 2009

José Dias Heitor Patrão

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Magna Obra
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Em Junho de 2000 saía dos prelos o livro de José Dias Heitor Patrão Catedral de Portalegre – Guia de Visitação, da responsabilidade das Edições Colibri. O Autor escrevia então que o livro procurava ser um vade-vecum para quem passa pela Sé de Portalegre ou deseje aproximar-se dos seus valores artísticos e históricos, funcionando como suporte para uma breve leitura dos retábulos desta Catedral. Enquanto acrescentava que a obra era um reflexo de uma outra mais ampla a ser posteriormente publicada, nela estavam apresentados, sumariamente, aspectos da arte, aqueles de carácter iconográfico, com breves enfoques históricos, relativamente às doze Capelas da Catedral.
As quatrocentas e quinze páginas de Portalegre – Fundação da Cidade e do Bispado, Levantamento e progresso da Catedral, cumprem o objectivo enunciado na obra anterior. Também publicado pelas Edições Colibri, pode-se afirmar, também no seguimento das palavras de António Ventura proferidas na sessão de apresentação e lançamento na Biblioteca Municipal em 7 de Dezembro de 2002, que este livro de José Patrão é a sua obra magna!
Antigo e prestigiado director do jornal O Distrito de Portalegre, José Dias Heitor Patrão possui o curso de Teologia, a licenciatura em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, a licenciatura em Arqueologia e Arte Cristã pelo Instituto Pontifício (Roma) e um curso de Ecologia Humana pela Universidade de Évora. Natural do Gavião, onde nasceu a 3 de Maio de 1929, foi professor em Portalegre, em diferentes escolas da cidade, tendo conquistado o respeito científico e a amizade de gerações de colegas e alunos.
Portalegre – Fundação da Cidade e do Bispado, Levantamento e progresso da Catedral, tem oito capítulos. No primeiro, O “sítio e assento” de Portalegre, José Patrão faz como que uma actualização da história da cidade, recorrendo aos trabalhos recentes sobre esta problemática vindos a lume principalmente na revista A Cidade (Nova Série). Depois de Diogo Sotto Maior e do Coronel Aurélio Nunes da Silva, é o mais importante contributo para uma tão necessária, quanto urgente, monografia sobre este concelho.
Em Erecção da Sé de Portalegre, o Autor faz o estudo dos inícios do bispado e esclarece porque a diocese foi criada em 21 de Agosto de 1549 e não a 18 desse mesmo mês, e muito menos em 1550, e porque foi escolhida a igreja de Santa Maria do Castelo. A Construção da Sé vai iniciar-se com o acto de lançamento da primeira pedra a 14 de Maio de 1556, junto à igreja de Santa Maria do Castelo, e neste capítulo é relatado todo o processo subsequente e consequente, terminando com as razões porque foi dedicada a Nossa Senhora da Assunção. O quarto capítulo intitulado Sé – Espaço de Arte é a antecâmara do corpo principal da obra porque, em dois momentos, Desenvolvimento da imaginária e Processo arquitectónico, apresenta os fundamentos e as hipóteses para a construção e ornamentação do Templo.
E chega-se à parte mais extensa e nobre da obra, as Capelas da Sé. Aqui fica bem patente o prazer com que Heitor Patrão trabalha esta temática, a par de um conhecimento científico profundo. Ao longo dos anos a sua paixão pela Arte tem crescido, tal como a sua biblioteca, e tudo em paralelo com o domínio da ciência que a estuda. Os principais contributos para a cultura portuguesa são nesta área do saber, com uma especialização na Arte Sacra. Os trabalhos que tem dispersos por um conjunto de publicações, regionais, nacionais e estrangeiras, de divulgação ou científicas, apresentam erudição quando tal se justifica como no caso da presente obra, e são leitura despretensiosa de que é exemplo o livro primeiramente citado nesta recensão. Capela Mor, Capela do Santíssimo Sacramento, Capela de São Pedro, Capela de Nossa Senhora da Luz, Capela de Nossa Senhora do Carmo, Capela de São Crispim e São Crispiano, Capela de Santa Catarina, e São Jacinto e Nicolau, Capela de Santo António, Capela das Chagas, Capela de São Mauro, Capela do Nome de Jesus (Nossa Senhora do Rosário) e Capela de São Jorge Santo Cristo, são descritas ao pormenor e acompanhadas por um esquema do retábulo e respectiva legenda. Notável! A explicação das pinturas é também acompanhada pelas correspondentes passagens dos Evangelhos, sendo feito na parte final deste capítulo quinto o estudo do Claustro.
Apresentadas e analisadas as partes principais da Sé, vem agora o estudo da Sé – Ornamentação e mobiliário, que trata dos painéis de azulejos que embelezam partes do seu interior, do mobiliário litúrgico composto pelos órgãos, púlpito, confessionários, relógio, o coro alto e o coro baixo e o seu cadeiral, as obras em ferro forjado, as vidraças, as luminárias e os lampanários, não esquecendo a importância do canto nas celebrações (ensino do canto, tocadores e cantores). Segue-se as Celebrações da Sé, isto é as festas (de Cristo, de Nossa Senhora, dos Santos e da Consagração da Sé) e o culto das Relíquias. Por fim o capítulo oitavo, Instituições Erectas na Catedral, que enuncia e faz breve história das catorze confrarias, da instituição do cabido e de sínodos diocesanos promovidos por alguns bispos. E conclui-se este trabalho com o epílogo, a sinopse, abundante bibliografia e uma síntese. Realce para a colecção de fotografias dos mais importantes aspectos da Sé, e de outros que a ela se relacionam.
No epílogo, José Dias Heitor Patrão formula a pergunta: - “Que beleza salvará o Mundo?”. A resposta pretende ser uma síntese entre a beleza material da obra e a beleza imaterial que só o espírito pode compreender, através da presença de Deus em tudo aquilo que o homem constrói para sua elevação, porque, como escreve, “toda a criação é obra boa”.
Mário Casa Nova Martins
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